SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.39 número2Marcadores periféricos e a fisiopatologia do transtorno bipolarTradução para o português (Brasil), equivalência semântica e consistência interna do Male Body Checking Questionnaire (MBCQ) índice de autoresíndice de assuntospesquisa de artigos
Home Pagelista alfabética de periódicos  

Serviços Personalizados

Artigo

Indicadores

Links relacionados

  • Não possue artigos similaresSimilares em SciELO

Compartilhar


Revista de Psiquiatria Clínica

versão impressa ISSN 0101-6083

Rev. psiquiatr. clín. vol.39 no.2 São Paulo  2012

http://dx.doi.org/10.1590/S0101-60832012000200005 

REVISÃO DA LITERATURA

 

Diferenças de gênero sobre expectativas do uso de álcool

 

Gender differences in alcohol expectancies

 

 

Alexandre Fachini; Erikson Felipe Furtado

Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP)

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

CONTEXTO: Estudos indicam que expectativas sobre o uso de álcool podem contribuir para o início e a manutenção do consumo da droga e modular de forma diferente o comportamento do beber de homens e de mulheres.
OBJETIVOS: Descrever e analisar diferenças de gênero sobre expectativas relacionadas ao uso de álcool em artigos da literatura indexada.
MÉTODOS: Foram pesquisados artigos empíricos originais no período de 2000 a 2011 nos indexadores PubMed, SciELO, Lilacs e PsycInfo.
RESULTADOS: Foram selecionados 32 estudos, sendo apenas dois de origem latino-americana. Expectativa de facilitação social foi a mais observada para ambos os gêneros. Homens apresentaram maior diversidade de expectativas sobre os efeitos do uso de álcool. Intervenções baseadas na redução de expectativas positivas parecem mais eficazes entre os homens.
CONCLUSÃO: Expectativas são um importante fator de risco para o uso de álcool, independentemente do gênero. A consideração das diferenças de gênero sobre expectativas pode beneficiar o manejo clínico de problemas associados ao consumo de álcool e direcionar ações preventivas para o risco de abuso e dependência.

Palavras-chave: Gênero, expectativas sobre o álcool, prevenção, revisão sistemática.


ABSTRACT

BACKGROUND: Previous studies have shown, that expectancies about the consumption of alcohol can contribute to the onset and maintenance of alcohol use and modulate in different ways the drinking behaviour of men and women.
OBJECTIVES: To describe and analyse gender differences in alcohol expectancies based on indexed literature.
METHODS: The research was conducted via the electronic databases PubMed, SciELO, Lilacs and PsycInfo, considering original articles published between 2000 and 2011.
RESULTS: Thirty two studies were found, whereby only 2 were from Latin America. Social facilitation was the most frequent expectancy in both genders. Men showed more variety of expectancies associated to alcohol use. Preventive measures with the aim to reduce positive expectancies were more effective in male.
DISCUSSION: Regardless of gender, alcohol expectancies are an important risk factor for alcohol use. The consideration of gender differences in alcohol expectancies can enhance clinical monitoring of problems associated with alcohol use and direct preventive efforts against the risk of abuse and dependence.

Keywords: Gender, alcohol expectancies, prevention, systematic review.


 

 

Introdução

Expectativas relacionadas aos efeitos do uso de álcool têm sido consideradas um fator de especial relevância acerca do início e da manutenção do consumo da droga1,2. Entretanto, expectativas sobre o uso de álcool podem influenciar de maneira distinta o comportamento de uso da droga por homens e por mulheres e, portanto, pressupor estratégias de prevenção e de manejo clínico igualmente distintas em função do gênero.

Segundo Del Boca et al.3, expectativas são um "processo do sistema nervoso que usa resíduos neurofisiológicos e cognitivos de experiências anteriores para direcionar o comportamento futuro" (p. 926). Expectativas consideradas positivas e que induzem o consumo de álcool estão associadas a níveis maiores de uso da droga4, têm sido correlacionadas com o uso problemático de álcool5 e estão entre os mais fortes preditores do uso da droga entre os jovens6.

Por sua vez, é possível que expectativas relacionadas ao uso de álcool possam apresentar diferenças entre homens e mulheres, especialmente devido ao aspecto cultural e de história familiar presente neste constructo. Além disso, o estudo das diferenças de gênero sobre as expectativas do uso de álcool tem mostrado implicações potencialmente importantes para intervenções preventivas. Intervenções elaboradas com o objetivo de influenciar o uso de álcool mediante a resignificação de crenças sobre a droga têm mostrado resultados interessantes na mudança de expectativas do álcool e na diminuição do consumo de álcool em jovens usuários da droga, com maior eficácia para o gênero masculino7-9.

Estudos psicológicos e sociais mostraram diferentes necessidades, razões e motivações para o uso de álcool entre homens e mulheres. Entretanto, em estudo de revisão da literatura envolvendo pesquisas de diferentes países, Holmila e Raitasalo10 concluíram que, apesar de diferenças de gênero sobre o comportamento do beber serem consideradas e observadas em todas as culturas estudadas, tais diferenças ainda permanecem extensamente inexplicadas.

As diferenças de gênero sobre o uso de álcool são um tema de constante interesse e relevância teórica e clínica11. A compreensão de tais diferenças pode contribuir para o planejamento de estratégias de prevenção de problemas relacionados ao consumo de álcool a partir da consideração dessas peculiaridades do comportamento do beber de homens e de mulheres. Nesse sentido, este estudo teve como objetivo realizar uma revisão sistemática no que se refere à temática diferenças de gênero sobre as expectativas relacionadas ao uso de álcool.

 

Método

A estratégia metodológica adotada buscou identificar artigos de pesquisa que contemplassem o critério de estudo empírico sobre o tema expectativas relacionadas aos efeitos do uso de álcool. Dentre esses estudos, foram selecionados aqueles que abordassem diferenças de gênero sobre o tema mencionado. Nesse sentido, os resultados comparativos de expectativas sobre o uso de álcool entre homens e mulheres deveriam estar informados no resumo. A identificação dos artigos foi realizada por meio dos indexadores PubMed, SciELO, Lilacs e PsycInfo, utilizando critérios de inclusão como o idioma em que os trabalhos foram escritos, o período de publicação e a pertinência com o tema.

O levantamento bibliográfico utilizou diferentes estratégias de composição de descritores (keywords) para a seleção de estudos originais de pesquisa publicados no período de janeiro de 2000 a agosto de 2011. De forma geral, os descritores se equivaleram, havendo pequenas alterações específicas às características de cada base bibliográfica. Os descritores "expectativas" e "expectativa" foram utilizados apenas como palavras do título, uma vez que se referiam à variável - ou uma das variáveis - objeto de investigação nos estudos pesquisados. Além disso, sua utilização na forma plural e singular teve o único intuito de abranger ambas as possibilidades de escrita para o descritor. É importante mencionar ainda que a combinação com o descritor "álcool" restringe o significado amplo do descritor "expectativa" para aquele pesquisado nesta revisão, excluindo, portanto, o termo "expectativa" quando relacionado, por exemplo, à expectativa de vida.

A partir da leitura dos resumos, foram incluídos os estudos que preenchiam os critérios de (1) estudos empíricos sobre expectativas relacionadas aos efeitos do uso de álcool com resultados comparativos entre homens e mulheres descritos no resumo, (2) objetivos, métodos e resultados claramente informados no resumo de cada estudo e (3) artigos escritos nos idiomas inglês, espanhol ou português. Por sua vez, foram excluídos estudos cuja amostra foi composta exclusivamente por homens ou por mulheres.

A partir da leitura dos artigos, foi realizada uma tabulação dos estudos encontrados com discriminação dos seguintes itens: autores, país, ano, revista, objetivos, descrição sumária da amostra, instrumentos utilizados para avaliar expectativas sobre o uso de álcool e síntese dos resultados relevantes para a finalidade desta revisão. Posteriormente, realizou-se uma análise descritiva e qualitativa da amostra bibliográfica, acompanhada de discussão crítica do material.

 

Resultados

A tabela 1 apresenta as estratégias de busca bibliográfica, com associação de diferentes descritores (keywords) nas diferentes fontes pesquisadas (PubMed, SciELO, Lilacs e PsycInfo), seguidos do número de publicações encontradas.

O banco de dados PubMed apresentou o maior número de artigos selecionados (27), enquanto a busca bibliográfica na biblioteca eletrônica SciELO não resultou em nenhum estudo. Na base Lilacs, os dois artigos que preencheram os critérios adotados já constavam na amostra dos artigos encontrados em outra base de dados. Finalmente, a base de dados PscycInfo apresentou seis artigos selecionados, porém com uma repetição. Excluídas as publicações repetidas, foram identificadas 32 citações, que preencheram os critérios empregados.

Os resultados mostram que os 32 artigos selecionados correspondem a estudos empíricos com diferentes níveis de análise comparativa entre homens e mulheres acerca de expectativas sobre o uso de álcool. Exceto pelo ano de 2011, foram encontrados artigos que preenchiam os critérios de inclusão adotados em todos os demais anos do período que engloba esta revisão. As publicações foram distribuídas de acordo com o ano, da seguinte forma: quatro publicações em 2000, cinco em 2001, duas em 2002, quatro em 2003, quatro em 2004, três em 2005, uma em 2006, duas em 2007, duas em 2008, três em 2009 e duas em 2010.

Os periódicos foram bastante diversificados. Entretanto, destacam-se Addictive Behaviors, que apresentou 11 publicações, Psychology of Addictive Behaviors, com quatro estudos, e os periódicos Journal of Studies on Alcohol, Journal of Sex Research e Experimental and Clinical Psychopharmacology, com duas publicações cada. Os 11 periódicos restantes tiveram apenas um artigo publicado. Houve também uma grande diversidade de autores nas publicações encontradas. Apenas três autores tiveram mais de um estudo publicado. Michael E. Dunn apresentou três publicações, enquanto Reinout W. Wiers e Anne-Marie Wall tiveram duas publicações cada. Dentre esses autores, apenas a última era autora principal nas pesquisas encontradas.

Os países que mais desenvolveram estudos sobre o tema foram Estados Unidos, com 22 artigos, Holanda e Canadá, com três publicações cada, Austrália, China, México e Peru, com uma publicação. Apenas dois estudos de origem latino-americana foram encontrados e, ainda assim, trata-se de um estudo mexicano e outro peruano. Nenhuma publicação brasileira foi encontrada utilizando-se os critérios de busca bibliográfica selecionados nesta revisão.

Quanto ao tamanho das amostras, elas variaram de 25 a 2.773 sujeitos (Tabela 2), e o conjunto de todos os estudos selecionados indicou uma média amostral de 482 sujeitos e uma mediana de 333. Dentre os participantes envolvidos nos estudos, a maioria apresentava experiência direta de uso de álcool e era predominantemente de estudantes universitários. Embora seis estudos não tenham informações sobre a idade dos participantes, a faixa etária variou entre 15 e 70 anos. Quanto ao gênero, foram encontrados 21 artigos em que havia uma proporção equilibrada de homens e mulheres, enquanto nos demais estudos, geralmente por conveniência, havia uma proporção aproximada de 2:1, sendo sete favoráveis às mulheres e outros quatro aos homens.

 

 

O instrumento mais utilizado para avaliar expectativas do uso de álcool foi o AEQ (Alcohol Expectancy Questionnaire), totalizando 13 estudos na forma adulta e um na forma adolescente. Na sequência, sete artigos utilizaram o CEOA (Comprehensive Effects of Alcohol), enquanto as demais medidas foram utilizadas uma única vez cada. Em três estudos foram utilizados mais de um instrumento para avaliar as expectativas do uso de álcool. Giancola et al.23 utilizaram um misto de questões que abordavam agressividade relacionada ao uso de álcool de cinco instrumentos diferentes sobre expectativas. Read et al.27 avaliaram diferenças de gênero empregando um questionário de autorrelato e uma tarefa computadorizada, uma vez que o objetivo do estudo era a comparação entre essas duas diferentes medidas de expectativas do uso de álcool. Finalmente, Dunn et al.41 utilizaram dois instrumentos com o único propósito de complementar informações.

Expectativas do uso de álcool e gênero

A tabela 3 indica os diversos tipos de expectativas relatadas por homens e mulheres com o respectivo número de artigos em que foram identificadas para cada gênero. Expectativa de facilitação social foi a mais frequente para ambos os gêneros, com um total de oito indicações para homens e seis para as mulheres. Por sua vez, a expectativa de que o uso de álcool aprimore a sexualidade foi igualmente observada em oito artigos para o gênero masculino, enquanto nas mulheres essa expectativa foi destacada em apenas um estudo, ainda assim entre as mulheres inseridas em um contexto de relacionamento amoroso estável, conforme observado por Rauch e Bryant42. Além disso, foram observadas outras duas expectativas comuns entre homens e mulheres: transformações globais positivas e prejuízo cognitivo-comportamental. Esta última foi a única expectativa negativa descrita entre as mulheres e apareceu com mais frequência para o gênero feminino.

 

 

Por outro lado, homens apresentaram também como expectativas consideradas negativas o aumento da agressividade (2 artigos) e a diminuição no uso de preservativo (1 artigo). Essas duas expectativas somadas à expectativa de que o uso de álcool produza um efeito de redução de tensão foram mais frequentemente identificadas, com significância estatística nos estudos selecionados, para o gênero masculino. De maneira geral, homens apresentaram uma maior frequência e variedade de tipos de expectativas em relação às mulheres, sejam expectativas positivas ou negativas.

É importante enfatizar que apenas três estudos da amostra bibliográfica selecionada tinham como objetivo central avaliar diferenças de gênero. Read et al.27 encontraram maior expectativa de facilitação social nas mulheres, enquanto entre os homens apenas os usuários pesados de álcool apresentaram escore equivalente. Quanto à expectativa de redução de tensão, os autores afirmaram que, contrariamente ao esperado, não foram observadas diferenças de gênero. Em outro estudo, Borjesson e Dunn35 não encontraram diferenças entre homens e mulheres sobre a expectativa de facilitação social. Finalmente, Rauch e Bryant42 afirmaram que, tanto para expectativa de melhora no desempenho sexual como para expectativa de redução de tensão, homens e mulheres revelaram semelhanças. Entretanto, esse estudo mostrou que, ao se controlar a frequência do beber, homens apresentaram maior expectativa de redução de tensão, ou seja, essa expectativa foi significativamente maior em homens que apresentaram uso de álcool mais frequente. Na mesma direção desses dados, Connor et al.40, que não tiveram o objetivo central de avaliar diferenças de gênero, encontraram que as expectativas parecem ser um melhor indicador sobre a quantidade do beber de mulheres e apenas sobre a frequência do beber de homens.

Estudos de intervenção e gênero

Houve um conjunto de quatro estudos que apresentaram em comum o objetivo de avaliar a efetividade de intervenções baseadas na redução de expectativas positivas relacionadas ao uso de álcool. Nesses estudos, pode-se observar uma divergência quanto ao gênero que mais se beneficiou da intervenção adotada. Trudeau et al.31 e Wiers e Kummeling28 encontraram melhor efetividade das intervenções para as mulheres. Por outro lado, Lau-Barraco e Dunn18, Corbin et al.36 e Dunn et al.41 observaram que os homens se beneficiaram mais das intervenções aplicadas.

Trudeau et al.31 adotaram o programa Life Skills Training44 com o objetivo de prevenir o crescimento da iniciação do consumo de álcool, tabaco e maconha em uma amostra de 847 adolescentes, com pouca ou nenhuma experiência acerca das substâncias, de escolas rurais do meio-oeste americano. Os autores observaram resultados melhores da intervenção para as mulheres. No entanto, esse programa não concentra suas ações exclusivamente sobre as expectativas do uso de álcool, mas sobre todo um conjunto de fatores de risco envolvidos no uso da droga, o que, por sua vez, não permite uma comparação adequada em relação aos resultados obtidos nos demais estudos apresentados sobre as diferenças de gênero e as estratégias de intervenção que utilizaram o programa Alcohol Expectancy Challenge8 (AEC).

Originalmente, AEC é uma intervenção composta por três sessões que buscam contrapor as expectativas do beber do indivíduo com os reais efeitos do uso de álcool verificados mediante a observação do comportamento de si próprio e dos demais participantes. Essa contraposição a partir de fatos concretos relatados e identificáveis pelo próprio indivíduo permite refletir sobre as inconsistências existentes entre os efeitos por ele esperados e os reais efeitos neurofisiológicos do álcool.

Wiers e Kummeling28 foram os primeiros a observar maior efetividade da intervenção para as mulheres em uma amostra de 25 universitários que faziam uso de risco de álcool. Essa informação nova foi justificada pelos autores pela alteração produzida na segunda sessão do programa empregado para torná-lo mais apreensível para as mulheres, pela utilização de grupos de composição mista quanto ao gênero e pelo pequeno tamanho do grupo controle. Os autores inclusive enfatizaram essas diferenças em comparação com os resultados obtidos por Dunn et al.41, que observaram maior efetividade entre os homens, assim como Corbin et al.36, que, como os dois trabalhos anteriores, utilizaram o programa AEC. Por sua vez, Lau-Barraco e Dunn18 enfatizaram que seu estudo foi o primeiro a conseguir um resultado positivo por meio do programa AEC tanto para homens quanto para mulheres. Todos os trabalhos recorreram a universitários que preencheram critérios para consumo de risco de álcool e realizaram follow up cerca de seis semanas após a intervenção. Entretanto, é importante destacar que o único estudo que observou efetividade da intervenção para ambos os gêneros18 utilizou um maior tamanho amostral (217 participantes) e reduziu o número de sessões da intervenção de três para uma única sessão, apresentando a necessidade de esforços que aproximem a intervenção de um contexto clínico. Essas diferenças metodológicas observadas nos estudos parecem relevantes para a diminuição do consumo de álcool de homens e mulheres produzidos pela intervenção, justificando a necessidade de mais estudos que confirmem os resultados descritos.

 

Discussão

Os estudos selecionados indicaram, de forma geral, que expectativas positivas têm sido relacionadas ao uso de álcool, independentemente do gênero, confirmando resultados de estudos anteriores da literatura científica1,2. Entretanto, houve maior diversidade de expectativas identificadas com significância estatística para os homens em relação às mulheres. É possível que existam argumentos culturais no processo de desenvolvimento de expectativas que favoreçam essa associação mais comum entre os homens10. Talvez pelas mesmas razões, expectativas de redução de tensão, de aprimoramento da sexualidade e de que o uso de álcool aumentará a agressividade ou o envolvimento em situações violentas foram observadas de forma mais frequente para o gênero masculino.

No entanto, essa maior frequência e diversidade de expectativas aparentemente observadas entre os homens não indica necessariamente que as mulheres não as tenham apresentado também. Expectativa de facilitação social, por exemplo, foi a mais frequente tanto para os homens quanto para as mulheres. Outras expectativas apresentadas pelos homens, como de transformações globais positivas, de aprimoramento da sexualidade e prejuízo cognitivo-comportamental, também foram identificadas entre as mulheres. Dessa forma, apesar das diferenças observadas do ponto de vista quantitativo, os estudos selecionados não permitem afirmar com clareza a extensão dessas diferenças segundo uma perspectiva qualitativa.

É importante enfatizar que os únicos estudos dentre as 32 publicações selecionadas que tinham como objetivo central avaliar diferenças de gênero sobre expectativas do uso de álcool não encontraram diferenças entre homens e mulheres27,35,42. As poucas diferenças só se tornaram evidentes quando controlada a variável padrão de consumo (frequência e quantidade). Assim, as diferenças entre homens e mulheres observadas nos estudos selecionados sugerem que expectativas relacionadas ao uso de álcool parecem ser uma consequência não do gênero em si, mas do padrão do beber40,42.

Esses resultados indicam que os efeitos esperados sobre o uso de álcool, tanto para homens quanto para mulheres, só apresentariam diferenças naquele grupo de indivíduos que fazem um consumo mais intenso ou frequente de álcool. Por sua vez, valores culturais sobre o beber de homens e de mulheres parecem exercer um papel mais tolerante com um padrão de beber mais pesado quando se trata do gênero masculino45. Dessa forma, seria de se esperar que, associado ao maior consumo de álcool comumente observado para o gênero masculino, os homens apresentassem maior diversidade de expectativas em comparação com as mulheres, como de fato foi observado nesta revisão. É possível que esse aspecto possa refletir, portanto, a vertente social e cultural do processo de desenvolvimento de expectativas relacionadas aos efeitos do uso de álcool entre homens e mulheres.

Implicações clínicas

O conjunto dos resultados descritos nesta revisão indica que existem pequenas diferenças de gênero sobre expectativas do uso de álcool em um nível quantitativo e sugere, em um nível qualitativo, que o contexto cultural pode exercer influência importante e distinta sobre o processo de construção de expectativas de homens e mulheres. Isso evidencia a necessidade de se considerar nas avaliações clínicas o contexto cultural em que se realiza o consumo de álcool pelo indivíduo, bem como os valores culturais que esse indivíduo apresenta, além da história pessoal e familiar do beber, uma vez que conteúdos transgeracionais e estilo parental contribuem para o beber dos jovens, principalmente para o gênero feminino46.

Assim, mostra-se importante a consideração de expectativas associadas ao uso de álcool por homens, mas principalmente entre as mulheres. Nesse sentido, esse aspecto pode levar os profissionais de saúde a atentar para uma avaliação clínica cuidadosa sobre o uso de álcool entre as mulheres, frequentemente subdiagnosticado e negligenciado47,48. Além disso - e isso vale tanto para homens quanto para mulheres -, a presença de transtornos associados ao abuso de álcool pode mascarar e dificultar o diagnóstico de outros transtornos clínicos, especialmente relativos ao humor, reforçando uma avaliação cuidadosa do profissional de saúde49.

Outro importante ponto de atenção a se considerar nas avaliações clínicas refere-se ao aspecto preventivo do abuso e dependência do álcool, uma vez que as expectativas do indivíduo sobre o uso da droga podem predizer esses quadros clínicos de maior gravidade6. Essa perspectiva, por sua vez, reflete a prevenção de inúmeras consequências decorrentes do uso de álcool, como problemas no trabalho, prática sexual desprotegida, acidentes de trânsito, violência, morte e, no caso das mulheres, prejuízos irreversíveis ao feto e ao futuro adulto50-52.

Essas considerações evidenciam que o uso de instrumentos que possam auxiliar a avaliação e a identificação de expectativas do uso de álcool pode ser útil para o manejo clínico de questões relacionadas à droga. O instrumento Alcohol Expectancy Questionnaire (AEQ), por exemplo, foi o instrumento mais utilizado para avaliar expectativas do uso de álcool nos estudos analisados. O AEQ53 é um questionário composto por 90 itens, com alternativas "sim" ou "não", de aplicação fácil e rápida. A versão adolescente do instrumento (AEQ-A), além de abranger efeitos positivos, avalia também efeitos negativos do consumo de álcool e inclui afirmativas que envolvem inclusive as pessoas com pouca ou nenhuma experiência com a droga54. Essas vantagens o tornam um instrumento mais completo e sua ampla aplicação em estudos de diversos países permite uma comparação mais fidedigna entre os resultados dessas pesquisas. Apesar de ser um instrumento amplamente utilizado em diferentes países em pesquisas que avaliam expectativas sobre o uso de álcool, ainda não há uma versão brasileira validada para o instrumento.

Finalmente, os estudos sobre a efetividade das estratégias de intervenção parecem indicar algumas possibilidades de planejamento, apesar de não terem sido unânimes sobre o gênero que melhor se beneficiou das intervenções. No entanto, é possível afirmar que o programa Expectancy Challenge (EC) foi o mais investigado e apresentou resultados mais favoráveis para os homens, embora modificações específicas para o gênero feminino feitas nesse programa tenham beneficiado também as mulheres. Além disso, trata-se de uma estratégia de tratamento para redução do consumo de álcool bastante recomendada pelo NIAAA55.

Esses aspectos refletem a viabilidade de se pensar no tratamento e prevenção do uso de álcool a partir da ressignificação de expectativas positivas sobre a droga e, principalmente, de forma específica em função de cada gênero. Nesse sentido, é interessante observar na literatura que o caminho das pesquisas referentes ao tema expectativas sobre o uso de álcool tem ampliado o campo de investigação sobre a eficácia e importância das estratégias de intervenção baseadas na redução de expectativas positivas, com atenção específica para a variável gênero.

 

Conclusão

As pesquisas selecionadas confirmam o envolvimento das expectativas como um fator de risco para o uso de álcool e a importância de se considerarem aspectos específicos de gênero no planejamento de estratégias preventivas e de tratamento. Entretanto, os estudos não apresentam evidências contundentes de diferenças de expectativas do uso de álcool entre homens e mulheres do ponto de vista qualitativo. As diferenças observadas ainda parecem pouco claras quanto as suas origens, embora aspectos culturais e associados ao padrão de consumo da droga possam estar envolvidos. Estudos mais detalhados são necessários para contribuir para a compreensão das diferenças de gênero acerca das expectativas do uso de álcool, embora o conjunto dos resultados pareça convergir para a participação do contexto de valores sociais e familiares. Nesse sentido, é interessante que esses estudos considerem as normas culturais do padrão do beber tanto dos homens quanto das mulheres, o que pode oferecer diretrizes para o manejo clínico de usuários de álcool, especialmente quando se trata de prevenção do abuso e dependência da droga.

De forma convergente, as pesquisas sobre estratégias de intervenção baseadas em expectativas do uso de álcool reforçam a necessidade de estudos que proporcionem maior esclarecimento sobre o tema. Embora se trate de uma temática de intervenção ainda em fase de crescimento, a efetividade observada na redução do consumo de álcool, independentemente do gênero, indica o potencial inerente ao constructo expectativas no que se refere ao seu alcance em estratégias de prevenção e tratamento, especialmente quando consideradas as peculiaridades do comportamento do uso de álcool de homens e mulheres.

Finalmente, a utilização recorrente do AEQ como instrumento de avaliação de expectativas nos estudos selecionados é um aspecto que pode contribuir para essa proximidade metodológica, sendo sua tradução e validação para a população brasileira uma área de estudo em aberto. Esse instrumento apresenta bom potencial de avaliação clínica desse importante fator de risco para o uso de álcool. De forma geral, o estudo sobre expectativas relacionadas aos efeitos do álcool, especialmente no que se refere às diferenças de gênero, constitui um campo de pesquisa promissor que necessita ser mais bem explorado, principalmente no Brasil.

 

Referências

1. Araujo LB, Gomes WB. Adolescência e as expectativas em relação aos efeitos do álcool. Psicol Refl Crit. 1998;11:5-33.         [ Links ]

2. Smith GT, Goldman MS, Greenbaum PE, Christiansen BA. Expectancy for social facilitation from drinking: the divergent paths of high-expectancy and low-expectancy adolescents. J Abnorm Psychol. 1995;104:32-40.         [ Links ]

3. Del Boca FK, Darkes J, Goldman MS, Smith GT. Advancing the expectancy concept via the interplay between theory and research. Alcohol Clin Exp Res. 2002;26:926-35.         [ Links ]

4. Kushner MG, Sher KJ, Wood MD, Wood PK. Anxiety and drinking behaviour: Moderating effects of tension-reduction alcohol outcome expectancies. Clin Exp Res. 1994;18:852-60.         [ Links ]

5. Peuker AC, Fogaça J, Bizarro L. Expectativas e beber problemático entre universitários. Psic Teor Pesq. 2006;22:193-200.         [ Links ]

6. Wood MD, Sher KJ, Strathman A. Alcohol outcome expectancies and alcohol use and problems. J Studies Alcohol. 1996;57:283-8.         [ Links ]

7. Labbe AK, Maisto SA. Alcohol expectancy challenges for college students: a narrative review. Clin Psychol Rev. 2011;31:673-83.         [ Links ]

8. Darkes J, Goldamn MS. Expectancy challenge and drinking reduction: experimental evidence for a mediational process. J Consult Clin Psychol. 1993;61:344-53.         [ Links ]

9. Darkes J, Goldamn MS. Expectancy challenge and drinking reduction: process and structure in alcohol expectancy network. Exp Clin Psychopharmacol. 1998;4:209-17.         [ Links ]

10. Holmila M, Raitasalo K. Gender differences in drinking: why do they still exist? Addiction. 2005;100:1763-9.         [ Links ]

11. Wilsnack RW, Wilsnack SC. Introduction. In: Wilsnack RW, Wilsnack SC, editors. Gender and alcohol: individual and social perspectives. New Brunswick: Rutgers Center of Alcohol Studies; 1997. p. 1-16.         [ Links ]

12. Mills BA, Caetano R. The Hispanic Americans baseline alcohol survey (HABLAS): Predictors of alcohol attitudes and expectancies in Hispanic national groups. Alcohol Clin Exp Res. 2010;34:790-9.         [ Links ]

13. Palmer RS, McMahon TJ, Rounsaville BJ, Ball SA. Coercive sexual experiences, protective behavioral strategies, alcohol expectancies and consumption among male and female college students. J Interpers Violence. 2010;25:1563-78.         [ Links ]

14. Gálvez-Buccollini JA, Paz-Soldán VA, Herrera PM, DeLea S, Gilman RH. Gender differences in sex-related alcohol expectancies in young adults from a peri-urban area in Lima, Peru. Rev Panam Salud Publica. 2009;25:499-505.         [ Links ]

15. Pedersen ER, Lee CM, Larimer ME, Neighbors C. Gender and dating relationship status moderate the association between alcohol use and sex-related alcohol expectancies. Addict Behav. 2009;34:786-9.         [ Links ]

16. Thompson MP, Spitler H, McCoy TP, Marra L, Sutfin EL, Rhodes SD, et al. The moderating role of gender in the prospective associations between expectancies and alcohol-related negative consequences among college students. Subst Use Misuse. 2009;44:934-42.         [ Links ]

17. O'Connor RM, Farrow S, Colder CR. Clarifying the anxiety sensitivity and alcohol use relation: considering alcohol expectancies as moderators. J Studies Alcohol Drugs. 2008;69:765-72.         [ Links ]

18. Lau-Barraco C, Dunn ME. Evaluation of a single-session expectancy challenge intervention to reduce alcohol use among college students. Psychol Addict Behav. 2008;22:168-75.         [ Links ]

19. Fu A, Ko H, Wu JY, Cherng B, Cheng C. Impulsivity and expectancy in risk for alcohol use: comparing male and female college students in Taiwan. Addict Behav. 2007;32:1887-96.         [ Links ]

20. Kalichman SC, Simbayi LC, Cain D, Jooste S. Alcohol expectancies and risky drinking among men and women at high-risk for HIV infection in Cape Town South Africa. Addict Behav. 2007;32:2304-10.         [ Links ]

21. George WH, Stoner SA, Davis KC, Lindgren KP, Norris J, Lopez PA. Postdrinking sexual perceptions and behaviors toward another person: alcohol expectancy set and gender differences. J Sex Res. 2006;43:282-91.         [ Links ]

22. Engels RC, Wiers R, Lemmers L, Overbeek GJ. Drinking motives, alcohol expectancies, self-efficacy, and drinking patterns. J Drug Educ. 2005;35:147-66.         [ Links ]

23. Giancola PR, Godlaski AJ, Parrott DJ. "So I can't blame the booze?": dispositional aggressivity negates the moderating effects of expectancies on alcohol-related aggression. J Studies Alcohol. 2005;66:815-24.         [ Links ]

24. Zamboanga BL. Alcohol expectancies and drinking behaviors in Mexican American college students. Addict Behav. 2005;30:673-84.         [ Links ]

25. Abrams K, Kushner MG. The moderating effects of tension-reduction alcohol outcome expectancies on placebo responding in individuals with social phobia. Addict Behav. 2004;29:1221-4.         [ Links ]

26. Ohannessian CM, Hesselbrock VM. Do alcohol expectancies moderate the relationship between parental alcoholism and adult drinking behaviors? Addict Behav. 2004;29:901-9.         [ Links ]

27. Read JP, Wood MD, Lejuez CW, Palfai TP, Slack M. Gender, alcohol consumption, and differing alcohol expectancy dimensions in college drinkers. Exp Clin Psychopharmacol. 2004;12:298-308.         [ Links ]

28. Wiers RW, Kummeling RH. An experimental test of an alcohol expectancy challenge in mixed gender groups of young heavy drinkers. Addict Behav. 2004;29:215-20.         [ Links ]

29. Biscaro M, Broer K, Taylor N. Self-efficacy, alcohol expectancy and problem-solving appraisal as predictors of alcohol use in college students. College Student Journal. 2004;38:541-51.         [ Links ]

30. Fischer S, Smith GT, Anderson KG, Flory K. Expectancy influences the operation of personality on behavior. Psychol Addict Behav. 2003;17:108-14.         [ Links ]

31. Trudeau L, Spoth R, Lillehoj C, Redmond C, Wickrama KA. Effects of a preventive intervention on adolescent substance use initiation, expectancies, and refusal intentions. Prevent Sci. 2003;4:109-22.         [ Links ]

32. Wall AM, Thrussell C, Lalonde RN. Do alcohol expectancies become intoxicated outcomes? A test of social-learning theory in a naturalistic bar setting. Addict Behav. 2003;28:1271-83.         [ Links ]

33. LaBrie JW, Schiffman J, Earleywine M. Expectancies specific to condom use mediate the alcohol and sexual risk relationship. J Sex Res. 2002;39:145-52.         [ Links ]

34. Quigley BM, Corbett AB, Tedeschi JT. Desired image of power, alcohol expectancies, and alcohol-related aggression. Psychol Addict Behav. 2002;16:318-24.         [ Links ]

35. Borjesson WI, Dunn ME. Alcohol expectancies of women and men in relation to alcohol use and perceptions of the effects of alcohol on the opposite sex. Addict Behav. 2001;26:707-19.         [ Links ]

36. Corbin WR, McNair LD, Carter JA. Evaluation of a treatment-appropriate cognitive intervention for challenging alcohol outcome expectancies. Addict Behav. 2001;26:475-88.         [ Links ]

37. Dijkstra A, Sweeney L, Gebhardt W. Social cognitive determinants of drinking in young adults: beyond the alcohol expectancies paradigm. Addict Behav. 2001;26:689-706.         [ Links ]

38. Mora-Rios J, Natera G. Expectancies, alcohol drinking and associated problems in university students in Mexico City. Salud Publica Mex. 2001;43:89-96.         [ Links ]

39. Satre DD, Knight BG. Alcohol expectancies and their relationship to alcohol use: age and sex differences. Aging Men Health. 2001;5:73-83.         [ Links ]

40. Connor JP, Young RM, Willians RJ, Ricciardelli LA. Drinking restraint versus alcohol expectancies: which is the better indicator of alcohol problems? J Studies Alcohol. 2000;61:352-59.         [ Links ]

41. Dunn ME, Lau HC, Cruz IY. Changes in activation of alcohol expectancies in memory in relation to changes in alcohol use after participation in an expectancy challenge program. Exp Clin Psychopharmacol. 2000;8:566-75.         [ Links ]

42. Rauch SA, Bryant JB. Gender and context differences in alcohol expectancies. J Soc Psychol. 2000;40;240-53.         [ Links ]

43. Wall AM, McKee SA, Hinson RE. Assessing variation in alcohol outcome expectancies across environmental context: an examination of the situational-specificity hypothesis. Psychol Addict Behav. 2000;14:367-75.         [ Links ]

44. Botvin GJ. Life skills training: promoting health and personal development. Princeton: Princeton Health Press; 1996.         [ Links ]

45. Wilsnack RW, Vogeltanz ND, Wilsnack SC, Harris TR, Ahlström S, Bondy S, et al. Gender differences in alcohol consumption and adverse drinking consequences: cross-cultural patterns. Addiction. 2000;95:251-65.         [ Links ]

46. Guimarães ABP, Hochgraf PB, Brasiliano S, Ingerman YK. Aspectos familiares de meninas adolescentes dependentes de álcool e drogas. Rev Psiq Clín. 2009;36:69-74.         [ Links ]

47. Brienza RS, Stein MD. Alcohol use disorders in primary health care: do gender-specific differences exist? J Gen Int Med. 2002;17:387-97.         [ Links ]

48. Mesquita, EM, Nunes AJ, Cohen C. Avaliação das atitudes dos estudantes de medicina frente ao abuso de drogas por colegas do meio acadêmico. Rev Psiq Clín. 2008;35:8-12.         [ Links ]

49. Marsden VFMG. Comorbidades entre dependência química, distimia, HIV e HCV: relato de caso. Rev Psiq Clín. 2009;36:31-3.         [ Links ]

50. Gallassi AD, Alvarenga PG, Andrade AG, Couttolenc BF. Custos dos problemas causados pelo abuso do álcool. Rev Psiq Clín. 2008;35:25-30.         [ Links ]

51. Chalub M, Telles LEB. Álcool, drogas e crime. Rev Bras Psiquiatr. 2006;28:69-73.         [ Links ]

52. Cassini C, Linden R. Exposição pré-natal ao etanol: toxicidade, biomarcadores e métodos de detecção. Rev Psiq Clín. 2011;38:116-21.         [ Links ]

53. Brown SA, Goldman MS, Inn A, Anderson LR. Expectations of reinforcement from alcohol: their domain and relation to drinking patterns. J Consult Clin Psychol. 1980;57:93-9.         [ Links ]

54. Christiansen BA, Goldman MS, Inn A. The development of alcohol related expectancies in adolescents: separating pharmacological from social learning influences. J Consult Clin Psychol. 1982;50:336-44.         [ Links ]

55. National Institute on Alcohol Abuse and Alcoholism (NIAAA). A call to action: changing the culture of drinking at US colleges. Bethesda: NIAAA; 2002.         [ Links ]

 

 

Endereço para correspondência:
Alexandre Fachini
Av. dos Bandeirantes, 3900, 3º andar, sala 333, Monte Alegre
14048-900 - Ribeirão Preto, SP
Telefone: (16) 3602-2727
E-mail: alexandre.fachini@gmail.com

Recebido: 31/8/2011
Aceito: 31/10/2011

 

 

Programa de Pós-Graduação em Saúde Mental, Departamento de Neurociências e Ciências do Comportamento, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP)