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Serviço Social & Sociedade

Print version ISSN 0101-6628

Serv. Soc. Soc.  no.112 São Paulo Oct./Dec. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S0101-66282012000400001 

Editorial

 

 

Este número especial da Revista Serviço Social & Sociedade traz para o debate a temática (Neo)Desenvolvimentismo & Política Social, apresentando análises críticas sobre esse tema na conjuntura atual do Brasil, da América Latina e da Europa.

A temática do (neo)desenvolvimentismo retorna à cena no Brasil mais especificamente a partir do segundo governo Lula, face ao colapso do neoliberalismo pela sua incapacidade de responder às demandas do crescimento econômico, de distribuição de renda e de equidade social.

É neste contexto que emergem propostas governamentais que buscam diminuir os níveis de desemprego e viabilizar o acesso ao consumo de massa por meio de medidas, como redução de impostos de bens duráveis, valorização do salário mínimo, programas de combate à pobreza, que impactam os indicadores de pobreza extrema mas não conseguem reverter a desigualdade persistente que caracteriza a sociedade brasileira.

Em meio à crise do capitalismo em escala global, essa conjuntura política estimula o debate sobre os rumos do desenvolvimento com base em perspectivas distintas, algumas das quais comparecem neste número.

No campo da crítica da economia política brasileira, quatro artigos trazem um rico e denso debate em que seus autores constatam o surgimento de uma ideologia que busca dirigir os rumos do desenvolvimento capitalista brasileiro contemporâneo. Um dos autores, tendo como referência o conceito marxiano (e luckacsiano) de "decadência ideológica", busca apresentar o novo desenvolvimentismo a partir da sua processualidade histórica e contradições internas, estendendo a análise para outras correntes do novo desenvolvimento, como a macroeconomia estruturalista do desenvolvimento e a social-desenvolvimentista. Outro artigo identifica o chamado novo desenvolvimentismo que se inicia no governo FHC e se aprofunda nos governos Lula e Dilma, como uma nova versão do liberalismo a orientar a intervenção estatal rumo à estabilização macroeconômica, não ultrapassando os estreitos horizontes da macroeconomia. Um dos textos toma como objeto a análise do nacional-desenvolvimentismo brasileiro e do neo-nacional-desenvolvimentismo, abordando as relações entre poder político, regime político e política de Estado, com o objetivo de contribuir para a análise desses dois importantes momentos do Brasil contemporâneo. Por fim, outro artigo, partindo do que o autor intitula "desenvolvimentismo às avessas", tem como objetivo discutir a evolução da formulação político-ideológica de desenvolvimento econômico conhecida como novo desenvolvimentismo, buscando demonstrar a hipótese do novo desenvolvimentismo como mais uma versão do "liberalismo enraizado".

Os leitores da Revista também encontrarão neste número uma análise instigante sobre a política social brasileira, em um cenário que a autora denomina de utopia desenvolvimentista, que busca evidenciar que as transformações do capitalismo, realizadas de forma dependente do capital internacional, aprofundaram as desigualdades sociais e impediram a política social de concretizar direitos sociais conquistados formalmente na Constituição Federal de 1988, mas que têm sidos brutalmente aviltados.

Ampliando a reflexão para a realidade latino-americana, temos, ainda, um artigo que analisa os impactos do agravamento da crise global neste continente, que acentuaram as limitações da economia e dos planos assistenciais que não logram reduzir as desigualdades, a superexploração e a marginalidade social.

Uma densa análise sobre a corrosão dos sistemas de proteção social europeu amplia o arco das reflexões aqui apresentadas, buscando demonstrar as principais tendências de mudanças no contexto das sucessivas crises do capital, que alcançou tanto os países capitalistas centrais como os periféricos.

É nossa convicção que este número especial da Revista Serviço Social & Sociedade brinda seus leitores com reflexões que colaboram para o desvendamento crítico da crise atual do capitalismo e suas manifestações na realidade brasileira, latino-americana e europeia. Ainda que o conjunto dos textos aponte as tendências destrutivas do capitalismo contemporâneo, reforçamos as palavras de umas de nossas autoras quando afirma que: "o tempo presente tem sinalizado ventos de mudança. Que eles sejam capazes de varrer a hegemonia neoliberal e soprem na direção do fortalecimento dos procesos e movimentos de resistência e emancipação".

Boa leitura!