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Educação & Sociedade

Print version ISSN 0101-7330

Educ. Soc. vol.24 no.83 Campinas Aug. 2003

http://dx.doi.org/10.1590/S0101-73302003000200002 

APRESENTAÇÃO

 

 

Antonio A. S. ZuinI; Bruno PucciII; Newton Ramos-de-OliveiraIII

IUniversidade Federal de São Carlos
IIUniversidade Metodista de Piracicaba
IIIUniversidade Estadual Paulista

 

 

Neste ano de 2003, comemoramos o centenário de nascimento de Theodor W. Adorno. Filósofo, cientista social, musicólogo e crítico, as idéias de Adorno têm cada vez mais encontrado confirmação nesta realidade sociocultural que configura o "mundo administrado" realmente em âmbito global.

Em vários países, este pensamento vigoroso e que se entrelaça com pensamentos críticos significativos num diálogo altamente fecundo tem encontrado estudiosos que buscam extrair desta riqueza e profundidade conceituais diretrizes para se pensar uma educação reflexiva. No Brasil, há 12 anos que o Grupo de Estudos e Pesquisa da "Teoria Crítica", com sedes na Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR), na Universidade Metodista de Piracicaba (UNIMEP) e na Universidade Estadual Paulista (UNESP), investiga o potencial pedagógico da chamada Escola de Frankfurt – o que tem ampliado o círculo de estudiosos que pensam com base em Adorno.

Neste número temático da revista Educação & Sociedade, reunimos os mais recentes ensaios neste sentido. Partimos de um ensaio em que Bruno Pucci mostra a filosofia e a música confluindo numa relação dialética para a formação cultural e científica de Theodor W. Adorno, bem como para a constituição de seu original pensamento filosófico.

A seguir, Schweppenhäuser mostra que, embora o problema da universalização da cultura na filosofia moral não tenha sido tematizado por Adorno, há em sua obra elementos que nos possibilitam refletir sobre este tema. Daí se podem extrair elementos de uma teoria crítica da moral sem que se renuncie a uma pretensão de validade crítico-normativa, que se reflete de modo filosófico-moral.

Antonio Zuin retoma, então, o ensaio em que o filósofo frankfurtiano investiga as raízes dos tabus contra os professores. Investiga, assim, a atualidade dos tabus no cenário educacional brasileiro, em especial em nossas universidades.

A temática abre-se agora à ética e à semiformação. Lastória trata da consciência filosófica que se expressa nas formulações adornianas quanto ao desvanecimento da ética como possibilidade inerente ao ato educativo. Rodrigo Duarte demonstra a relação íntima entre a teoria da semiformação e a Dialética do Esclarecimento, pois a indústria cultural usurpa dos indivíduos a capacidade de "esquematizar", no sentido kantiano de referência da percepção sensível a conceitos fundamentais. Leo Maar completa o tema asseverando que as massas são semiformadas positivamente para exatamente confirmar a reprodução continuada do estado vigente.

Ao fechar-se este número, Iray Carone analisa a participação de Adorno no Princeton Radio Research Project (1938-1941) – investigação interessante em si mesma, mas, em especial, para demonstrar a força da indústria do entretenimento comercial. Fabiano completa estas reflexões ao esclarecer que a obra de arte não é apenas extensão ou expressão imediata da realidade histórico-social, mas corporifica-se em sua forma interna com autonomia relativa em relação à realidade empírica sobre a qual se torna reflexão crítica.