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Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul

Print version ISSN 0101-8108

Rev. psiquiatr. Rio Gd. Sul vol.26 no.3 Porto Alegre Sept./Dec. 2004

http://dx.doi.org/10.1590/S0101-81082004000300003 

ARTIGO ORIGINAL

 

Suicídio e ausência de psicopatologia em eixo I

 

Suicidio y ausencia de psicopatología del eje I

 

 

Carl ErnstI; Aleksandra LalovicI; Alain LesageII; Monique SeguinIII; Michel TousignantIII; Gustavo TureckiI

IMcGill Group for Suicide Studies (Grupo McGill de Estudos sobre Suicídio), Centro de Pesquisa do Douglas Hospital, McGill University, Montreal, Canadá
IIMcGill Group for Suicide Studies (Grupo McGill de Estudos sobre Suicídio), Centro de Pesquisa do Douglas Hospital, McGill University, Montreal, Canadá. Departamento de Psiquiatria, Universidade de Montreal, Canadá
IIIMcGill Group for Suicide Studies (Grupo McGill de Estudos sobre Suicídio), Centro de Pesquisa do Douglas Hospital, McGill University, Montreal, Canadá. Universidade de Quebec, Montreal, Canadá

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

BACKGROUND: A razão por que aproximadamente 10% das pessoas que cometem suicídio parecem ser psiquiatricamente normais ainda não está clara. Para melhor compreender este assunto, estudamos suicidas sem diagnóstico do eixo I e os comparamos com controles normais e com suicidas com psicopatologia do eixo I no que diz respeito a outras psicopatologias.
MÉTODOS: 168 casos de suicídio foram examinados por meio de autópsia psicológica com o melhor informante disponível. Dezesseis casos não preencheram os critérios para um diagnóstico do eixo I; cada um desses casos foi pareado em idade e gênero com 52 casos de suicídio com transtorno do eixo I e com 110 controles normais.
RESULTADOS: Dos 16 casos de suicídio, 14 pacientes sem diagnóstico do eixo I apresentaram anormalidades detectáveis à autópsia que eram mais semelhantes às encontradas nos pacientes suicidas com diagnóstico de eixo I do que no grupo vivo. Os dois grupos suicidas mostraram semelhanças no número total de tentativas prévias de suicídio, no número total de indivíduos com transtornos do eixo II e nos escores obtidos na medida dos comportamentos impulsivo-agressivos.
CONCLUSÕES: Estes achados sugerem que a maioria dos indivíduos que cometeu suicídio e aparentou ser psiquiatricamente normal na autópsia psicológica possivelmente possuía algum processo psiquiátrico subjacente que o método da autópsia, da maneira como é comumente realizado, falhou em detectar.

Descritores: Suicídio, psicopatologia, autópsia psicológica.


RESUMEN

JUSTIFICATIVA: Todavía no está claro por qué un 10% de las personas que cometen suicidio parecen ser psiquiátricamente normales. Para una mejor comprender este tema, estudiamos suicidas sin diagnóstico del eje I y los comparamos con controles normales y con suicidas con psicopatología del eje I en lo que dice respeto a otras psicopatologías.
MÉTODOS: Se han examinado 168 casos de suicidio a través de autopsia psicológica con el mejor informante disponible. Dieciséis casos no rellenaron los criterios para un diagnóstico del eje I; cada uno de estos casos ha sido pareado en edad y género con 52 casos de suicidio con trastorno del eje I y con 110 controles normales.
RESULTADOS: De los 16 casos de suicidio, 14 pacientes sin diagnóstico del eje I presentaron anormalidades posibles de detectarse por la autopsia que eran más semejantes a las encontradas en los pacientes suicidas con diagnóstico de eje I que en el grupo vivo. Los dos grupos de suicidad mostraron semejanzas en el número total de intentos previos de suicidio, en el número total de individuos con trastornos del eje II y en los resultados obtenidos en la medida de los comportamientos impulsivo-agresivos.
CONCLUSIONES: Estos hallazgos sugieren que la mayoría de los individuos que cometió suicidio y aparentaba ser psiquiátricamente normal en la autopsia psicológica, posiblemente tenía algún proceso psiquiátrico subyacente que el método de la autopsia, del modo como se hace comúnmente, falló en detectar.

Palabras clave: Suicidio, psicopatología, autopsia psicológica.


 

 

INTRODUÇÃO

O suicídio é um problema sério de saúde pública, estando entre as 10 causas mais freqüentes de morte em indivíduos de todas as idades na maioria dos países desenvolvidos1. Estudos sobre suicídio têm identificado vários fatores de risco. Entre eles estão tentativas prévias de suicídio, sexo masculino, história familiar de suicídio e presença de problemas psiquiátricos1-3. Destes fatores, morbidade psiquiátrica é um dos mais importantes fatores preditivos de suicídio4,5.

O método padrão para avaliar psicopatologias em suicidas é a autópsia psicológica6, que consiste numa entrevista realizada com base em fontes secundárias, a saber, os informantes mais próximos à vítima, e que investiga, mais recentemente por meio de procedimentos diagnósticos estruturados, psicopatologias ou outras informações de interesse. Aproximadamente 90% dos casos de suicídio apresentam um transtorno psiquiátrico detectável nos estudos de autópsia psicológica, e a maioria deles tem enfatizado a presença de transtornos do eixo I7-9. Ainda não está claro, entretanto, se os 10% restantes não apresentavam psicopatologia importante ou se tinham alterações psicopatológicas mais sutis, que o método de autópsia psicológica não foi capaz de detectar. Neste estudo, partimos da hipótese de que, se a segunda opção fosse verdadeira, os casos de suicídio sem um diagnóstico do eixo I detectável à autópsia psicológica seriam mais semelhantes a casos de suicídio que preenchem os critérios para um diagnóstico do eixo I do que a controles que não preenchem esses critérios no que diz respeito a outras medidas comportamentais e psiquiátricas, que não são utilizadas para avaliar diagnósticos do eixo I.

 

MÉTODOS

Os pacientes foram identificados como parte de um estudo feito em colaboração com o Departamento de Investigação do Necrotério Central de Montreal, onde casos de suicídio foram recrutados de forma consecutiva. Após a obtenção de consentimento informado do responsável pela vítima, um total de 168 casos de suicídio foram avaliados através de procedimentos de autópsia psicológica conforme descrito em outro estudo5,10. Os informantes que melhor conheciam a vítima foram entrevistados brevemente utilizando-se os instrumentos SCID-I11 ou K-SADS12, SCID-II13 e outros instrumentos adaptados para medir os traços de personalidade relevantes. Estes incluíam a Escala de Impulsividade de Barratt versão 11 (Barratt Impulsivity Scale ou BIS-11)14, Inventário de Hostilidade de Buss-Durkee (Buss-Durkee Hostility Inventory ou BDHI)15, História de Agressão de Brown-Goodwin (Brown-Goodwin History of Aggression ou BGHA)16 e Inventário de Temperamento e Caráter (Temperament and Character Inventory ou TCI)17. Um esboço contendo um resumo de todas as informações clínicas relevantes foi revisado por um painel de psiquiatras para que se chegasse a um consenso sobre os diagnósticos utilizando os critérios da DSM-IV.

Os casos que não apresentavam transtorno do eixo I foram pareados por idade (± 3 anos) e gênero a pelo menos três casos de suicídio que apresentavam algum transtorno do eixo I. Além da comparação dos grupos em relação à presença e ausência de transtornos do eixo I, comparamos os casos sem transtornos a um total de 110 pacientes vivos, também pareados por idade e gênero, dos quais 28 foram submetidos a avaliações do eixo II e os demais tinham sido avaliados no que diz respeito a traços de personalidade aparentemente mediadores do comportamento suicida.

Dois testes t pareados, o qui-quadrado e o ANOVA de um fator, foram realizados utilizando-se o programa SPSS. O teste exato de Fisher e a razão de chances (odds ratio ou OR) também foram calculados quando aplicável. O n variou nas diferentes análises realizadas, uma vez que algumas medidas individuais não estavam disponíveis para todos os pacientes.

 

RESULTADOS

Dos 168 casos de suicídio, 16 (15 homens : 1 mulher) não preencheram os critérios para transtornos do eixo I. Esta porcentagem (9,5%) é consistente com as expectativas baseadas em estudos prévios18. Um total de 52 casos de suicídio (49 homens : 3 mulheres) foram incluídos no grupo com transtornos do eixo I. As médias de idade foram de 35,7 ± 13,7 e 36,1 ± 13,1 anos, respectivamente, para o grupo sem transtorno e o grupo com transtorno. Além disso, um total de 110 pacientes vivos com idade de 38,4 ± 11,7 anos foram usados como referência e nas comparações com os suicidas. Todos os grupos tinham uma distribuição similar de idade (p = 0,75).

A tabela 1 apresenta as informações clínicas relevantes obtidas nas autópsias psicológicas dos 16 casos sem transtorno incluídos neste estudo, através de entrevistas abertas realizadas com os informantes. Essas entrevistas foram especialmente úteis nos casos sem transtorno, mas não permitiram a obtenção sistemática de informações diagnósticas que pudessem ser comparadas entre os grupos. É interessante observar, entretanto, que quatro pacientes apresentavam história de jogo excessivo, causando problemas interpessoais e financeiros e sugerindo jogo patológico (um diagnóstico do eixo I não coberto pelas entrevistas SADS e SCID-I). A distribuição diagnóstica do eixo I nos casos com transtorno foi similar à observada nos casos de suicídio não selecionados para a nossa série10. Cinco (31%) dos casos sem transtorno e 23 (44%) dos casos com transtorno apresentavam algum transtorno do eixo II (OR = 0,57; CI: 0,15-2,15; p = 0,35), enquanto que nenhum dos pacientes vivos apresentaram diagnósticos de eixo II (pacientes sem transtorno versus pacientes vivos: Fisher, p = 0,01). Nove (56%) casos sem transtorno já tinham tentado suicídio antes, o que foi semelhante à proporção observada no grupo com transtorno (n = 26 ou 50%) (OR = 1,29; CI: 0,36-4,59; p = 0,66), mas não entre pacientes vivos, onde nenhum havia tentado suicídio (pacientes sem transtorno versus pacientes vivos: Fisher, p < 0,01).

Estima-se que suicidas sejam mais impulsivos19 e mais agressivos10,20,21 do que indivíduos que não cometem suicídio. Pacientes sem transtorno, com transtorno e vivos apresentaram diferenças nos totais de agressão de acordo com a BDHI (F = 4,69, 2 df, p = 0,01). Tanto os casos sem transtorno (35 ± 11,7) (p = 0,07) quanto os com transtorno (32,27 ± 12,0) foram mais agressivos em relação aos pacientes vivos (26,5 ± 11,4) (p = 0,04) de acordo com as medidas BDHI. As subescalas de irritabilidade, ressentimento e culpa foram as principais responsáveis por esta diferença. Não foram observadas diferenças entre os grupos segundo as escalas BIS e BGLH.

 

Tabela 2

 

DISCUSSÃO

Neste estudo, investigamos psicopatologias em pacientes que não apresentavam transtorno do eixo I de acordo com avaliações de autópsia psicológica utilizando procedimentos instrumentais padronizados. Observamos que pacientes aparentemente normais psiquiatricamente são mais semelhantes a casos de suicídio que preenchem os critérios para um transtorno do eixo I do que a controles normais vivos no que diz respeito a medidas de psicopatologias não pertencentes ao eixo I. Além disso, encontramos evidências de que outras condições do eixo I, além daquelas avaliadas pelos instrumentos diagnósticos padrão (tais como jogo patológico), podem estar presentes em casos de suicídio que aparentemente não têm um transtorno do eixo I. Nossos resultados sugerem que a maioria dos indivíduos que cometeram suicídio e pareciam normais psiquiatricamente após uma autópsia psicológica provavelmente eram portadores de um transtorno do eixo I que não foi detectado pelo processo de autópsia psicológica, ou então de um transtorno do eixo II; isso sugere uma sensibilidade reduzida dos procedimentos de autópsia psicológica normalmente utilizados, os quais indicam uma proporção de aproximadamente 10% de suicidas aparentemente normais. Nossos resultados são consistentes com dados da literatura. Brent et al.22 investigaram fatores de risco demográficos e psicossociais para suicídio em sete vítimas de suicídio sem psicopatologia aparente e os compararam com 60 vítimas de suicídio com transtorno psiquiátrico definitivo ou provável, bem como com 38 controles sem transtorno (provenientes da comunidade). O estudo foi desenvolvido em adolescentes suicidas, mas, até onde sabemos, é o único, além do presente estudo, que investigou suicidas sem diagnóstico de eixo I. Os autores também obtiveram resultados que sugerem que suicidas sem psicopatologia tinham mais semelhanças com suicidas com diagnóstico do que com controles da comunidade.

Aspectos que possivelmente afetam a sensibilidade e a especificidade da autópsia psicológica incluem fatores relacionados com o método de avaliação em si e com as limitações do procedimento de entrevista baseado em fontes secundárias6. Por exemplo, a incapacidade de nossas entrevistas (autópsia psicológica) de detectarem jogo patológico é um exemplo do primeiro tipo de problema. De forma semelhante, há vários relatos sugerindo uma ligação entre comportamento suicida e problemas com jogo23-27. Assim, seria interessante avaliar sistematicamente a presença de jogo patológico utilizando a autópsia psicológica em estudos sobre suicídio e, mais especificamente, em nosso grupo com diagnóstico de transtorno do eixo I. Uma vez que isso não foi feito de forma sistemática, não podemos comparar diretamente a freqüência de jogo patológico entre os grupos com e sem transtornos do eixo I.

Vieses de memória e/ou informações imprecisas estão entre as limitações da avaliação de psicopatologias através de informantes28-32. Assim, devido à natureza do processo de luto, alguns parentes podem tender a distorcer informações referentes a alguém próximo falecido. Além disso, devido à exclusão social que alguns casos de suicídio apresentam previamente à morte, os informantes podem não ter informações precisas sobre a condição psiquiátrica dos pacientes no período anterior ao falecimento6,30. É interessante notar, entretanto, que dos nove casos sem transtorno que tinham tentado suicídio anteriormente, quatro haviam feito essas tentativas num período de 2 anos ou mais antes da morte. Isso sugere que a psicopatologia nesses casos não era de início recente. Mesmo assim, o informante não estava ciente da presença da patologia, o que pode ser explicado por psicopatologia residual ou viés de memória.

A principal limitação do presente estudo é o pequeno número de pacientes incluídos no grupo sem transtorno. No entanto, é difícil obter um grande grupo de suicidas sem transtorno do eixo I, uma vez que eles representam apenas em torno de 10% de todos os casos de suicídio. Mesmo assim, apesar dos números baixos, tivemos a oportunidade de detectar diferenças entre os grupos, as quais deram apoio à nossa hipótese.

Este estudo demonstra a presença de patologia na forma de transtorno do eixo II ou de uma tentativa prévia de suicídio em casos de suicídio sem diagnóstico de eixo I. Os achados sugerem que provavelmente todos os casos de suicídio estão associados com alguma forma de transtorno psiquiátrico. Investigações futuras com pacientes suicidas sem diagnóstico de transtorno do eixo I podem contribuir para melhorar os métodos diagnósticos e o entendimento da associação entre transtornos mentais e suicídio.

 

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Endereço para correspondência
Gustavo Turecki
Douglas Hospital Research Centre, McGill University
Perry Pavilion, Fourth Floor, Rm. E-4206
6875 LaSalle Blvd.
Borough of Verdun
Montreal, Quebec H4H 1R3
Canadá
E-mail: gustavo.turecki@mcgill.ca

Recebido em 16/06/2004.
Revisado em 29/06/2004.
Aprovado em 29/06/2004.

 

Original em inglês publicado em BMC Psychiatry, v.4. © 2004 Ernst et al.; licença para BioMed Central Ltd. (http://www.biomedcentral.com). Tradução publicada com a autorização do autor.

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