SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.26 issue3Prevalence of alcohol abuse and dependence in Rio Grande, state of Rio Grande do Sul: a cross-sectional, population-based surveyDysthymia: historical/nosological characteristics and its relationship with major depressive disorder author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Services on Demand

Journal

Article

Indicators

Related links

Share


Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul

Print version ISSN 0101-8108

Rev. psiquiatr. Rio Gd. Sul vol.26 no.3 Porto Alegre Sept./Dec. 2004

http://dx.doi.org/10.1590/S0101-81082004000300006 

ARTIGO ORIGINAL

 

Tradução e adaptação de questionários norte-americanos para a avaliação de habilidades e conhecimentos na prática psiquiátrica brasileira

 

Traducción y adaptación de cuestionarios estadounidenses para evaluar habilidades y conocimientos en la práctica psiquiátrica

 

 

Ibiracy de Barros CamargoI; José Onildo B. ContelII

ICoordenador da Residência Médica de Psiquiatria do Hospital das Clínicas (HC-FMRP-USP) da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP). Aluno de Doutorado do Programa de Pós-Graduação em Saúde Mental da FMRP-USP. Professor Adjunto de Psiquiatria da Universidade de Ribeirão - UNAERP. Professor Adjunto de Psiquiatria do Centro Universitário Barão de Mauá
IIProfessor Associado de Psiquiatria no Departamento de Neurologia, Psiquiatria e Psicologia Médica da FMRP-USP. Professor do Programa de Pós-Graduação em Saúde Mental da FMRP-USP. Coordenador do Hospital Dia Psiquiátrico do HC-FMRP-USP

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

INTRODUÇÃO: A bibliografia brasileira não faz referência a instrumentos e guias padronizados de investigação sobre a prática e o ensino de psiquiatria. Como contribuição ao tema, os autores traduziram e adaptaram instrumento norte-americano para avaliar habilidades e conhecimentos em psiquiatria. Os objetivos deste estudo foram: 1) descrever a metodologia para a elaboração de versões em português de questionários de avaliação de habilidades e de conhecimentos em psiquiatria; 2) expor os problemas de tradução e adaptação dos questionários; 3) disponibilizar os questionários na íntegra em língua portuguesa.
MÉTODO: A metodologia compreendeu os seguintes estágios: primeira versão profissional; avaliação por psiquiatras bilíngües; avaliação por psiquiatras monolíngües; versão final em português; retrotradução independente por segundo tradutor profissional; revisão final pelo primeiro autor do trabalho original. Todos os estágios foram revisados sistematicamente pelos autores.
RESULTADOS: Foram encontrados 11 problemas de tradução e de adaptação na busca da equivalência lingüística, com predomínio de cinco problemas de equivalência técnica.
DISCUSSÃO: A pesquisa empírica em educação psiquiátrica é um campo novo e cada vez mais importante na formação de novos especialistas e na educação médica continuada frente aos desafios de uma especialidade em transição.
CONCLUSÃO: O pequeno número de adaptações pode significar que a tradução e a adaptação das palavras da língua fonte alcançaram uma equivalência lingüística. O método comum de tradução e retrotradução foi insuficiente e precisou ser acompanhado pela avaliação de psiquiatras bilíngües e monolíngües e pela revisão de cada etapa pelos autores. O presente estudo disponibiliza em língua portuguesa instrumento único para avaliação de habilidades e conhecimentos na prática psiquiátrica brasileira.

Descritores: Tradução, retrotradução, questionários, habilidades, conhecimentos, psiquiatria, prática profissional, psiquiatria em transição.


RESUMEN

INTRODUCCÍON: La bibliografía brasileña no menciona instrumentos y guías estándar de investigación sobre la práctica y la enseñaza de psiquiatría. Para complementar algún conocimiento al tema, fueran traducidos y adaptados instrumentos estadounidenses para evaluar las habilidades e conocimientos de psiquiatría.
OBJETIVOS: 1) describir la metodología para la elaboración de una versión en portugués de cuestionarios de evaluación de habilidades y conocimientos en psiquiatría; 2) exponer los problemas de traducción y adaptación de los cuestionarios; 3) disponer los cuestionarios, de forma íntegra en lengua portuguesa.
MÉTODO: La metodología comprende de las siguientes etapas: Primera versión profesional; evaluación por psiquiatras bilingües y por psiquiatras monolingües; versión final en portugués; una nueva traducción independiente por otro traductor profesional y una revisión final por quien hizo el trabajo original. Todas las etapas fueran sistemáticamente revisadas por los autores.
RESULTADOS: Se encontraron once problemas de traducción y de adaptación en la búsqueda de equivalencias lingüísticas, predominando cinco problemas de equivalencia técnica.
DISCUSIÓN: La pesquisa empírica en educación psiquiátrica es un campo nuevo y cada vez se hace más importante en la formación de nuevos especialistas y en la educación médica continua, confrontando así los desafíos de una especialidad en transición.
CONCLUSIÓN: El pequeño número de adaptaciones puede significar que la traducción y la adaptación de las palabras de la lengua fuente alcanzaron una equivalencia lingüística. El método común de traducción y retraducción fue insuficiente y necesitó ser acompañado por evaluaciones de psiquiatras bilingües y monolingües junto a una revisión de cada etapa por los autores. El presente estudio pone a disposición en lengua portuguesa un instrumento único para la evaluación de las habilidades y conocimientos en la práctica psiquiátrica brasileña.

Palabras clave: Traducción, retraducción, cuestionarios, habilidades, conocimientos, psiquiatría, práctica profesional, psiquiatría en transición.


 

 

INTRODUÇÃO

Até o final da 2ª Guerra Mundial, nos países ibero-americanos, o ensino de psiquiatria era desenvolvido em grandes hospitais psiquiátricos públicos ou privados, não seguia programas estruturados, era centrado na relação pessoal entre mestre e discípulo e dava ênfase a programas de países desenvolvidos. No Brasil não foi diferente: os programas na Residência de Psiquiatria começaram a tomar corpo no final da década de 1950 e começos de 19601. Até então, muitos dos futuros especialistas procuravam por formação em países desenvolvidos, em especial Estados Unidos, Inglaterra, França e Alemanha. Essa situação mudou consideravelmente à medida que os programas nacionais sofreram modificações, de maneira a atrair e formar os futuros especialistas2.

Hoje, o número de programas brasileiros em psiquiatria credenciados na Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM) chega a 56 e oferece 203 vagas para o primeiro ano, com programa obrigatório de 2 anos, sendo que 18 dos programas contemplam um terceiro ano optativo em subespecialidades3.

Esse crescimento na busca de especialização em psiquiatria por um número cada vez maior de médicos acompanha o que vem ocorrendo nas demais especialidades, exigindo o estabelecimento de protocolos de intenções para promover eqüidade, regulamentação e normatização entre as especialidades.

Os conteúdos programáticos nos 2 anos obrigatórios obedecem a normas mínimas da CNRM, com exigência de vistoria periódica. Os programas têm realizado grandes esforços para estabelecer de maneira explícita ou implícita os objetivos educacionais a serem seguidos na formação dos psiquiatras, atendendo às exigências da CNRM e às necessidades docentes e assistenciais locais4.

Esse esforço organizacional das entidades médicas inclui a busca de mecanismos institucionais permanentes para manter a qualidade do treinamento e a competência sustentada dos profissionais. A Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), através do Programa de Educação Médica Continuada (PEC), participa desse movimento5.

A busca de homogeneidade na formação de especialistas em substituição às duas vias existentes — a especialização por residência médica, reconhecida pela CNRM e vinculada ao Ministério da Educação e Cultura (MEC), e a especialização por avaliação da Associação Médica Brasileira (AMB) — vem sendo discutida no Conselho Federal de Medicina6.

Nos últimos 20 anos, vive-se uma psiquiatria em transição, com dramáticas mudanças na base da prática e do conhecimento psiquiátrico, no aumento do número de não-psiquiatras envolvidos no tratamento de doentes mentais e na expansão e diversificação dos locais onde se pode praticar psiquiatria. Nesse cenário de mudanças aceleradas, tem sido primordial oferecer programas de treinamento que orientem quais habilidades e conhecimentos devem predominar na prática profissional7,8.

Apesar de todos os esforços, surpreendentemente, pouco se sabe sobre o relacionamento entre o treinamento e a prática profissional subseqüente. Assim sendo, na medida em que a psiquiatria caminha como uma especialidade que procura ocupar uma posição de primeira ordem no cenário médico brasileiro e internacional, cada vez mais são necessárias pesquisas empíricas que ofereçam uma base científica segura na busca dessas habilidades e conhecimentos9.

No Brasil, no entanto, não existe instrumento de medida com o objetivo específico de avaliar habilidades e conhecimentos necessários à prática psiquiátrica. A importância do tema tem sido atestada pela Associação Mundial de Psiquiátrica e pela Organização Mundial da Saúde, que se uniram em projeto cooperativo visando preparar um atlas sobre pós-graduação em psiquiatria10. O volume de publicações brasileiras indexadas tem sido insuficiente e disperso11-15; além disso, trabalhos empíricos no Brasil são escassos e não contemplam a investigação sobre o tema16-20.

Com a finalidade de promover o aproveitamento de instrumentos internacionais aplicáveis em nosso meio, desde a década de 1970, tanto em psiquiatria21,22 como em outras áreas da medicina23, tem-se procedido à tradução e adaptação transcultural de instrumentos já existentes, em sua maioria oriundos de países de língua inglesa.

Este caminho tem sido considerado preferível à concepção de um novo instrumento24, por ser prático, operacional e tornar possível a comparação entre países25, permitindo a constituição de documentação internacional sobre instrumentos comuns e abrindo, assim, a possibilidade de revelar problemas relativos à diversidade de cultura e de língua de um país ou de países diferentes26,27.

Nos Estados Unidos e Canadá, as competências necessárias para a educação e a prática psiquiátricas, exigidas para fins avaliatórios desde a residência psiquiátrica até a educação médica continuada, têm merecido destaque. Algumas categorias nesse processo de avaliação são consideradas essenciais, como atendimento ao paciente, conhecimento médico, habilidades interpessoais e comunicativas, aprendizagem e aperfeiçoamento baseados na prática, profissionalismo e prática baseada em sistemas28-30.

A necessidade de estudos nacionais abrangentes sobre competências essenciais à prática psiquiátrica31 dirigiu os esforços empreendidos no presente estudo para a tradução e adaptação de questionários norte-americanos32 destinados a avaliar habilidades e conhecimentos necessários à prática psiquiátrica.

A coerência e importância dos questionários aqui analisados, atestada pela publicação em periódico internacional especializado de grande impacto, segundo critérios do ISI Web of Science, definiu a escolha do instrumento. Colaborou também nessa escolha o fato de haver 27 citações do artigo que divulgou os questionários na literatura internacional até 2001, das quais três constam no American Journal of Psychiatry, uma no British Journal of Psychiatry e uma no Bulletin of the Menninger Clinic, entre outras. A relevância do tema em si foi atestada pela publicação, nos últimos 5 anos, de 59 artigos relacionados ao assunto na literatura internacional. Pesou, também, a constatação da inexistência de estudo semelhante no Brasil e a experiência assistencial e docente dos autores33.

O instrumento selecionado é auto-aplicável e foi desenvolvido por Lagsley & Yager em 1989, em pesquisa empírica com 485 chefes de departamento de psiquiatria e coordenadores de programas de residência e 499 psiquiatras na prática clínica, membros da Associação Americana de Psiquiatria, visando identificar e descrever padrões da prática e dos ideais educacionais sobre habilidades e conhecimentos que um psiquiatra deveria possuir nos Estados Unidos32.

O presente estudo está inserido num contexto crescente de busca de instrumentos padronizados que proporcionem estruturas mais formais de avaliação21. Este é o caso, por exemplo, da busca de uma linguagem internacional comum em psiquiatria, por meio de um trabalho de unificação e equivalência de linguagem diagnóstica, ou globalização de terminologia técnica, proporcionada pelos dois sistemas dominantes34,35 de classificação que têm orientado ensino, pesquisa e prática clínica psiquiátrica no mundo e no Brasil. Considera-se que uma linguagem comum, estabelecida por instrumentos padronizados, permitirá que clínicos e pesquisadores dos quatro cantos do mundo falem entre si36 de maneira mais objetiva.

Objetivos

Os objetivos deste trabalho foram: 1) descrever a metodologia de tradução e adaptação da versão em português de dois questionários de avaliação de habilidades e conhecimentos em psiquiatria; 2) expor os problemas associados à tradução e adaptação dos questionários para o português; 3) disponibilizar, na íntegra, em língua portuguesa, os questionários traduzidos e adaptados.

 

MÉTODO

A tradução para o português foi realizada seguindo metodologia apresentada na figura 1, com a finalidade de obter duas versões com a maior equivalência possível, uma direta da fonte e outra com adaptações para a língua-alvo, o português, para psiquiatras brasileiros.

Sujeitos. Os autores acompanharam passo a passo todo o processo de tradução e adaptação, sendo responsáveis pela primeira versão, juntamente com o primeiro tradutor profissional. Essa versão continuou recebendo ajustes, ao ser avaliada por três psiquiatras brasileiros bilíngües, 12 psiquiatras monolíngües (quatro chefes de departamentos de psiquiatria, quatro coordenadores de residências de psiquiatria credenciadas pela CNRM e quatro especialistas em psiquiatria titulados pela ABP), resultando na versão final. A retrotradução ficou a cargo de um segundo tradutor profissional, e a revisão final foi feita por um dos autores do trabalho original.

Instrumento. O instrumento é constituído por dois questionários. O questionário Q1, com 48 itens temáticos, avalia habilidades, e o questionário Q2, com 51 itens, avalia conhecimentos. Ambos foram submetidos às traduções e adaptações para o português. Na maioria, os itens são constituídos por frases curtas, simples, com menos de 16 palavras e uma palavra-chave com a idéia dominante.

Tradução e retrotradução. A autorização de tradução e adaptação do instrumento para o português foi solicitada ao autor original, que deu sua concordância. A tradução foi realizada tomando-se por base as recomendações da Organização Mundial da Saúde24 e modelos da literatura nacional e internacional compatíveis para esse procedimento25-27.

Estágios de modificação dos questionários (Q1 e Q2)

Primeira versão. Q1 e Q2 foram traduzidos por tradutor profissional sem experiência no campo da psiquiatria. A seguir, os 99 itens foram revisados interativamente pelos autores, e o consenso resultante dessa primeira tradução deu origem à primeira versão em português brasileiro.

Primeira avaliação por três psiquiatras bilíngües. Essa primeira versão foi reavaliada por três renomados psiquiatras brasileiros que conviveram com a psiquiatria americana por um longo tempo e tiveram experiência com a cultura do país onde os questionários foram originalmente desenvolvidos e aplicados. Esses especialistas foram considerados capazes de reconhecer os princípios de redação dos itens e aptos a identificar o conceito que sustentou cada um deles no instrumento traduzido, do ponto de vista da equivalência lingüística. Foi estabelecido um consenso entre os três revisores e os autores, a fim de dirimir pequenas dúvidas, que resultaram em modificações na maneira de formular algumas questões. A seguir, essa versão em português foi submetida a um comitê de avaliadores.

Segunda avaliação por comitê de avaliadores monolíngües. Durante 1 mês, 12 avaliadores especialistas em psiquiatria revisaram Q1 e Q2 em português, procurando atualizar os mínimos detalhes dessa versão preliminar na língua-alvo.

As sugestões e comentários desses avaliadores foram incorporados como adaptações aos questionários, com melhora da compreensão de alguns itens, sem, no entanto, alterar o número deles. Nesse processo, novamente através de consenso, esses especialistas e os autores dirimiram as dúvidas existentes, o que resultou na versão final em português.

Versão final-fonte e versão-alvo dos questionários. Nesse estágio, a versão final em português foi retrotraduzida (back translation) de modo independente pelo segundo tradutor profissional para a língua fonte. Essa retrotradução foi comparada com a versão original em inglês. Os autores e este segundo tradutor de língua inglesa, através de novo consenso, avaliaram as diferenças observadas, a fim de verificar se elas afetavam a equivalência lingüística. A retrotradução resultante desse consenso foi enviada para o primeiro autor do trabalho original, para que ele a confrontasse com a versão original em inglês. Com esse procedimento, procurou-se assegurar as equivalências semântica, técnica, de conteúdo, conceitual e de critério, para que a tradução em português mantivesse os mesmos objetivos e construto da versão original.

 

RESULTADOS

Os questionários traduzidos demonstraram possuir formato simples e fácil leitura e compreensão ao serem avaliados pelos psiquiatras bilíngües e monolíngües.

A tabela 1 mostra 11 problemas de tradução e adaptação encontrados na busca de equivalência lingüística para a língua-alvo. Os problemas de equivalência semântica, em número de dois, correspondem às palavras "compassion" e "disorder", cujas traduções literais para o português resultaram em "compaixão" e "desordem". No lugar de "compaixão", dois avaliadores preferiram a palavra "empatia", que prevaleceu no Q1, item 5. No lugar de "desordem", preferiram a palavra "distúrbio", sendo que os autores, por consenso, acompanhando a Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento da CID-10, optaram pela palavra "transtorno"; tal alteração se deu no Q1, itens 24 e 30, e no Q2, itens 1, 2, 9 e 22.

As adaptações técnicas predominaram, sendo em número de cinco. Três delas ocorreram no Q1, como segue: no item 4, o significado da palavra "hospitalization" foi ampliado para "hospitalização integral e hospitalização parcial (hospital dia)"; no item 12, foram acrescentados "neuropsicológicos, exames de imagem de função cerebral"; e no item 16, "psicólogos e terapeutas ocupacionais". As outras duas adaptações ocorreram no Q2, como segue: no item 8, o acréscimo de "hospitalização parcial"; e no item 11, de "aspectos da neurologia, neurobiologia, clínica médica, endocrinologia e imunologia, psiquiatricamente mais relevantes".

Na equivalência de conteúdo, surgiram dificuldades com a palavra "commitment", cuja tradução resultou na palavra "confinamento" a qual, na consulta final ao primeiro autor do trabalho original, resultou em "hospitalização involuntária", expressão que foi utilizada no Q2, item 24.

Quanto à equivalência conceitual, no Q2, item 10, a palavra "bioquímicas" foi substituída por "psicobiológicas", mediante sugestão de um avaliador.

Duas modificações foram introduzidas quanto à equivalência de critério, ambas no Q2, como segue: no item 22, a expressão "distúrbios psicossomáticos" foi substituída por "transtornos dissociativos e somatoformes"; e no item 36, "ciências neurobiológicas básicas" foi substituído por "bases neurobiológicas do comportamento normal e patológico".

 

DISCUSSÃO

A pesquisa empírica em educação psiquiátrica é um campo novo e cada vez mais importante na formação de novos especialistas e na educação médica continuada, frente aos desafios de uma especialidade em transição. Nessa direção, o presente estudo segue uma tendência de tradução e adaptação, para o português, de instrumentos de medida de comportamentos e respostas relativos ao exercício da psiquiatria.

Em outras áreas da psiquiatria, são exemplos dessa tendência o desenvolvimento de instrumentos adaptados para avaliar a qualidade de vida de pacientes renais crônicos, de grande utilidade em interconsultas psiquiátricas, e de escalas específicas para a avaliação de mania, cujo objetivo é estudar a prevalência dessa doença em programas de medicina de família. Outro exemplo são as 36 escalas de avaliação de instrumentos sistemáticos de medidas em psiquiatria e psicofarmacologia, publicadas no Brasil em 199837.

Esse interesse em pesquisa empírica tem recebido apoio governamental do Conselho de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) através do fortalecimento dos cursos de pós-graduação dos departamentos de psiquiatria e saúde mental de algumas universidades públicas brasileiras.

Paralelamente ao apoio à pesquisa, têm surgido regulamentos38 oriundos do Ministério da Saúde que promovem a qualidade da assistência psiquiátrica, bem como aprimoramentos no ensino da especialização em psiquiatria através da CNRM. Por último, mas não menos importante, o Conselho Científico da AMB está aprimorando a regulamentação para emissão do título de especialista, enquanto começa a introduzir o processo de revalidação desse título.

O esforço dessas entidades em buscar o reconhecimento profissional das especialidades expressa uma crescente preocupação com a regulamentação das profissões de dentro para fora. Essas formas tradicionais de organização que centralizam diretrizes e propõem sistemas de avaliação com base nas opiniões de suas comissões apresentam o risco, quando colocadas a funcionar, de representar conceitos que podem interessar mais às agências proponentes do que aos especialistas avaliados. Tais ingerências podem vir a submeter a formação de psiquiatras e a prática da psiquiatria a diretrizes que nem sempre correspondem aos princípios aceitos pelos verdadeiros interessados.

Para contornar esse viés centralizador, cada vez mais é preciso definir indicadores locais e internos à área que orientem o diálogo e o debate para instruir a prática. Assim, torna-se imprescindível obter a opinião do psiquiatra sobre sua prática atual, de modo a estabelecer critérios definidores de habilidades e conhecimentos necessários para o atendimento das solicitações do dia-a-dia de trabalho. Tal empenho investigativo empírico possibilitará direcionar os esforços voltados para a constituição de um currículo mínimo para a formação de profissionais, em sintonia com as constantes transformações da psiquiatria.

A psiquiatria, como ocorre na medicina em geral, tem uma dimensão predominantemente prática, que busca oferecer alívio ao paciente que necessita ajuda. Essa prática é suprida por dois campos de ciências básicas: as biológicas, com ênfase nas neurociências, e as psicossociais, com predomínio da antropologia, da sociologia, da psicologia social e da epidemiologia. Ao mesmo tempo em que enriquece a especialidade, essa multidisciplinaridade traz alguns complicadores, ao tornar difusos os papéis necessários ao exercício das demandas da profissão.

Diante desse quadro, o psiquiatra é o profissional de saúde mental que melhor pode integrar os achados biológicos e psicossociais. No entanto, ao atender pessoas com transtornos mentais, necessita aplicar condutas imediatas, que exigem um repertório de recursos e de técnicas terapêuticas cujos mecanismos não estão ainda suficientemente elucidados. O treinamento dos futuros especialistas e os programas de educação médica continuada podem diminuir o grau de incerteza na prática diária e ajudar a prevenir contra a ilusão da exatidão científica, que só reflete a ignorância dessas limitações.

Tendo em vista esse panorama de incertezas e transformações39 que constitui a área, os autores do trabalho original procuraram investigar diretores de programas de residência e psiquiatras na prática clínica nos Estados Unidos para saber suas opiniões sobre como se definiam enquanto formadores de opinião e especialistas em psiquiatria. Portanto, os itens do instrumento foram desenvolvidos para destacar a relevância das habilidades e conhecimentos considerados necessários aos profissionais no aprendizado e no exercício da clínica. Este foi também o objetivo dos autores da presente pesquisa, ao traduzir e adaptar aqueles instrumentos.

Os questionários aqui apresentados permitirão confrontar a opinião de psiquiatras de diferentes regiões geográficas do país, programas de residência, unidades psiquiátricas de hospitais gerais, hospitais psiquiátricos tradicionais, hospitais dia e centros e núcleos de atenção psicossocial, entre outras possibilidades. Abordagens qualitativas e estatísticas dos resultados poderão permitir generalizações úteis, como forma de contribuição para a elaboração de programas de ensino em programas de residência e em educação médica continuada.

O instrumento desenvolvido poderá, ainda, ser aprimorado de forma a incluir, em cada item, a opção por uma entre três respostas possíveis: "Esse item é definitivamente necessário, provavelmente necessário, ou provavelmente não necessário para a prática profissional?". Isso possibilitará uma hierarquização das opiniões dos respondentes a uma das três opções apresentadas. Ao final, seria possível saber que, quanto mais um determinado item for classificado pelos respondentes como predominantemente necessário, tanto mais os formadores de opinião nas residências médicas e nos cursos de educação médica continuada valorizarão, ou não, em termos pragmáticos, o ensino e a prática do mesmo.

Caracterizada a importância da aplicação do instrumento no Brasil, cabe agora destacar as potencialidades e as dificuldades do método utilizado na tradução e adaptação. Os 12 especialistas monolíngües foram indispensáveis, já que identificaram e adaptaram para a língua-alvo 11 problemas que passaram despercebidos pelos especialistas bilíngües. O acompanhamento de cada estágio pelos autores foi essencial para integrar e definir o rigor metodológico da tradução final.

Esse pequeno número de adaptações indica uma simetria surpreendente. Assim, o processo abrangente de tradução e adaptação descrito possibilitou que as palavras da língua-fonte alcançassem uma equivalência lingüística correspondente na língua-alvo. Essa simetria sugere que se conseguiu uma adequada equivalência transcultural para os questionários. Evidentemente, certos problemas tiveram que ser enfrentados, como no caso das palavras "disorder", "psychosomatic" e "psychosomatically", conforme mostrado na Tabela 1.

Do ponto de vista semântico, a palavra "disorder", cuja tradução literal é "distúrbio", constitui um bom exemplo de como uma diferença entre as línguas fonte e alvo pode distorcer completamente um significado do ponto de vista transcultural. A palavra "disorder" permaneceu no Brasil com sua tradução literal até 1994. A partir de então, seu uso foi substituído por "transtorno". Tal substituição se deve ao fato de haver, no imaginário popular, uma associação de "distúrbio" com desorganização social, desordem, tumulto, briga, violência cega, a ponto de aqueles que provocam esses problemas serem denominados desordeiros. A palavra também significa loucura, mas com conotação de grande desordem, confusão social e violência aleatória.

Do ponto de vista técnico, os autores preferiram a tradução literal do termo "psychosomatically" ("psicossomaticamante") no item 14 do Q1. Assim procederam porque a medicina psicossomática é conhecida hoje nos Estados Unidos como interconsulta psiquiátrica e psiquiatria de hospital geral aplicada em doentes físicos mais difíceis e complexos. Consultado a respeito, o autor do trabalho original considerou que "psychosomatic medicine" é sinônimo de "consultation-liaison", o que também é referendado na literatura especializada40. Por outro lado, no Q2, item 22, para a palavra "psychosomatic", os avaliadores preferiram "dissociativos e somatoformes", sob provável influência das Classificações Diagnósticas DSM-IV e CID-10. Os autores concordaram e mantiveram essa aparente contradição como expressão de um dilema antigo da psiquiatria, levantado pelo termo psicossomático, que persiste atual e ainda não pôde ser banido da prática psiquiátrica.

A grande simetria encontrada pode estar relacionada com o fato de os questionários definirem itens técnicos operacionais, específicos, claros e de interesse para uma população definida de psiquiatras nas duas línguas. Assim, não seria exagero afirmar a existência de uma similaridade surpreendente de equivalência da temática abordada pelos questionários nos Estados Unidos e no Brasil. Essa simetria parece mostrar que a versão que agora está sendo disponibilizada à comunidade científica de língua portuguesa brasileira é a mais próxima possível do instrumento original.

Algumas limitações que pesam sobre trabalhos de tradução e adaptação estão relacionadas com a imitação acrítica e mecânica de modelos importados, a exemplo do que foi indicado acima, na tradução da palavra "disorder". Essas limitações poderão ser contornadas na medida em que a tradução adaptada do instrumento passar por testes de campo, abrangendo uma amostragem significativa de psiquiatras brasileiros, no intuito de verificar como os profissionais reagem à aplicação dos questionários. Como limitações da tradução e adaptação do instrumento, devemos mencionar o uso de um número pequeno (apenas 12) de psiquiatras avaliadores monolíngües.

Assim sendo, a aparência de produto acabado do construto traduzido pode ser enganosa. O processo de tradução e adaptação de um instrumento é complexo e não termina na localização de uma equivalência lingüística. Em alguns aspectos, o processo é assemelhado à construção do próprio instrumento, necessitando inclusive que sejam refeitos os estudos de confiabilidade e validade em novos contextos, apoiados na fidedignidade, coerência interna e análise fatorial, entre outros procedimentos estatísticos.

Modificações futuras ou mesmo a construção de um novo instrumento devem ser levadas em conta diante da transitoriedade em campos importantes da prática e do conhecimento psiquiátrico. Os avaliadores, por exemplo, não incluíram itens que hoje pressionam a prática, como informática médica, HIV/AIDS, realidade política e econômica do atendimento em saúde mental e prática baseada em evidência.

Considerando a transitoriedade da especialidade39, é possível supor que a aplicação, de tempos em tempos, do instrumento em um número suficiente de respondentes oferecerá resultados que, quando comparados por métodos estatísticos apropriados, poderão revelar mudanças nas exigências do ensino e da prática que ainda não chegaram aos textos didáticos.

No entanto, a qualidade e a aplicabilidade do instrumento adaptado para avaliar habilidades e conhecimentos de psiquiatras brasileiros em vários níveis só poderão ser confirmadas em pesquisa de abrangência nacional, que será objeto de um segundo estudo.

 

CONCLUSÕES

O presente estudo procura diminuir as barreiras existentes para a condução de estudos experimentais na pesquisa educacional psiquiátrica, ao oferecer instrumento de âmbito internacional com essa finalidade. Diferenças na origem e estrutura das línguas portuguesa e inglesa exigiram um trabalho em profundidade para manter a qualidade do instrumento durante o processo de tradução e adaptação. O método comum de tradução e retrotradução mostrou-se insuficiente e precisou ser acompanhado de revisão de cada estágio pelos autores e de acompanhamento por psiquiatras avaliadores bilíngües e monolíngües. Avanços atuais na psiquiatria impossibilitam que se aceite qualquer paradigma isolado para explicar ou orientar a pesquisa e a prática tanto atuais como futuras. Diante disso, qualquer instrumento de investigação, na melhor das hipóteses, estará retratando o momento atual. Considerando a dinâmica de transformações que tem acompanhado a prática da psiquiatria, modificações futuras do presente instrumento poderão ser necessárias. Um estudo com tal abrangência, como ocorreu nas aplicações em grande escala nos Estados Unidos, poderá permitir uma definição empírica de quais habilidades devem ser adquiridas e quais conhecimentos são necessários, e até prioritários, para as tarefas cada vez mais diversificadas e complexas da prática psiquiátrica em nosso país.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. Camargo IB, Vansan GA, Contel JOB. História do início do ensino de psiquiatria na residência médica do HC-FMRP-USP. J Bras Hist Med 2002;5(1):38.        [ Links ]

2. Guimón J, editor. Formation dês psychiatres de demain. Paris: Masson; 1998.         [ Links ]

3. Brasil, MEC/CNRM/SESU. Relação de instituições e programas de residência médica por região. Brasília: MEC/CNRM/SESU; 2001.        [ Links ]

4. Brasil, MEC/CNRM/SESU. Resolução No 1. Critérios Básicos para Credenciamento de Programas de Residência Médica. Brasília: MEC/CNRM/SESU; 2002.        [ Links ]

5. ABP. Programa de educação médica continuada. Psiquiatr Hoje 2003;2:14.        [ Links ]

6. Normativa para emissão de títulos de especialista e certificados de áreas de atuação. JAMB 2004;1331:12.        [ Links ]

7. Rifkin B. Changes and dilemmas in psychiatric practice. In: Silberman EK, editor. Successful psychiatric practice. Washington DC: American Psychiatry Press; 1995. p.1-13.        [ Links ]

8. Lieberman JA, Rush J. Redefining the role of psychiatry in medicine. Am J Psychiatry 1996;153(11):1388-97.        [ Links ]

9. Okasha A. The future of medical education and teaching: a psychiatric perspective. Am J Psychiatry 1997;154(Suppl.):6.        [ Links ]

10. WPA-WHO. Atlas project on postgraduate training in psychiatry. Available at: http//www.who.int/mental_health/en/. Accessed 2003.

11. Kerr-Corrêa F. Residência em psiquiatria na Faculdade de Medicina de Botucatu: relato crítico de um programa. Rev Bras Educ Med 1986;10(3):148-51.        [ Links ]

12. Calil LC, Contel JOB. Estudo dos programas de residência médica em psiquiatria no Estado de São Paulo em 1993. Rev Bras Psiquiatr 1999;21(3):139-44.        [ Links ]

13. Elkis H. Residência médica: competências mínimas e psiquiatria moderna. Rev Bras Psiquiatr 1999;21(3):137-8.        [ Links ]

14. Rodrigues CRC. A especialização em psiquiatria. Revista ABP-APAL 1989;11(4):155-9.        [ Links ]

15. Camargo IB, Contel JOB. Research methodologies to asses teaching in psychiatric residency: a literature review. Rev Bras Psiquiatr 2003;25(3):160-5.        [ Links ]

16. Eizirik CL, Fonseca AF, Gazal CH, Ferreira ED, Costa FM, Goldim JR, et al. O psiquiatra do Rio Grande do Sul e sua prática de consultório: perfil dos entrevistados (1). Rev Psiquiatr RS 1991;13(3):160-6.        [ Links ]

17. Eizirik CL, Costa FM, Goldim JR, Santos TM, Gazal C, Zampel R, et al. Perfil e prática profissional de psiquiatras no Brasil. Revista ABP-APAL 1996;18(2):49-52.        [ Links ]

18. Eizirik CL, Goldim JR, Fonseca AF, Gazal CH, Costa FM, Piltcher R, et al. Uma amostra de psiquiatras do Rio Grande do Sul e São Paulo: perfil demográfico e prática de consultório. Revista ABP-APAL 1993;15(3):82-6.        [ Links ]

19. Bastos O, Martins MCCA. Esboço de um perfil atual do psiquiatra pernambucano. Rev ABP 1979;2(1):19-29.        [ Links ]

20. Cabrera CC. O tratamento manicomial e a desinstitucionalização, segundo opiniões de psiquiatras de Ribeirão Preto [tese de doutoramento]. Ribeirão Preto: Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, USP; 2000.        [ Links ]

21. Jorge MR. Adaptação transcultural de instrumentos de pesquisa em saúde mental. In: Gorestein C, Andrade LHSG, Zuardi AW, editores. Escalas de avaliação clínica em psiquiatria e em psicofarmacologia. São Paulo: Lemos; 2000, p.53-8.        [ Links ]

22. Shansis F, Berlim MT, Mattevi B, Maldonado G, Izquierdo I, Fleck M. Desenvolvimento da versão em português da escala administrada pelo clínico para avaliação de mania (EACA-M): "Escala de Mania de Altman". Rev Psiquiatr RS 2003;25(3):412-24.        [ Links ]

23. Duarte PS, Miyazaki MCOS, Ciconelli RM, Cesso R. Tradução e adaptação cultural do instrumento de avaliação de qualidade de vida para pacientes renais crônicos (KDQUOL-SF™). Rev Assoc Med Bras 2003;49(4):375-81.        [ Links ]

24. Cardoso CS, Bandeira M, Caiaffa WT, Fonseca JOP. Escala de qualidade de vida para pacientes com esquizofrenia (QLS-BR): adaptação transcultural para o Brasil. J Bras Psiquiatr 2002;51(1):31-8.        [ Links ]

25. Vallerand R. Vers une methodologie de validadtion transculturelle de questionnaires psychologiques. Can Psychol 1989;30:662-80.         [ Links ]

26. Hunt SM, Alonso J, Bucquet DN, McKenna WI. Cross-cultural adaptation of health measures. Health Policy 1991;19(2):33-44.        [ Links ]

27. Massoubre C, Lang F. La traduction des questionnaires et des tests: techniques et problèms. Can J Psychiatry 2002;47(1):61-7.        [ Links ]

28. Persad E, Leverette J. Training issues in psychiatry in Canada. Can J Psychiatry 2003;48(4):213-4.        [ Links ]

29. Scheiber SC, Kramer TAM, Adamowski SE. The implications of core competencies for psychiatric education and practice in the US. Can J Psychiatry 2003;48(4):215-21.        [ Links ]

30. Miller SI, Scully JH, Winstead DK. The evolution of core competencies in psychiatry. Acad Psychiatry 2003;27(3):128-30.        [ Links ]

31. Botega NJ. Residência de psiquiatria no hospital geral: uma enquête nacional. J Bras Psiquiatr 1991;40(8):419-22.        [ Links ]

32. Langsley DG, Yager J. The definition of psychiatrist: eight years later. Am J Psychiatry 1988;145(4):469-75.        [ Links ]

33. Contel JOB. A supervisão no processo de ensino de psiquiatria dinâmica e psicoterapia: retrospecto crítico de 30 anos da experiência pessoal. Medicina 1992;25(3):330-43.        [ Links ]

34. American Psychiatric Association. Diagnostic and statistical manual of mental disorders (DSM-4). 4th ed. Washington DC: American Psychiatric Press; 1995.        [ Links ]

35. OMS. Classificação de transtornos mentais e de comportamento da CID-10. Porto Alegre: Artes Médicas; 1993.        [ Links ]

36. Berganza CE. Broadening the international base for the development of an integrated diagnostic system in psychiatry. World Psychiatry 2003;2(1):38-40.        [ Links ]

37. Gorestein C, Andrade LHSG, Zuardi AW. Escalas de avaliação em psiquiatria e psicofarmacologia. São Paulo: Lemos; 2000.        [ Links ]

38. Brasil. Portaria GM/MS nº 2048. Regulamento técnico dos sistemas estaduais de urgência e emergência. Diário Oficial da União, Brasília, 5 nov. 2002.        [ Links ]

39. Weissman SH, Nadelson. Psychiatry in transition. In: Dikstein L, Riba M, Oldham JM, editors. Review of psychiatry. Washington DC: American Psychiatry Press; 1996. vol. 15, p.503-5.        [ Links ]

40. Gitlin DF, Levenson JL, Lyketsos CG. Psychosomatic medicine: a new psychiatric subspecialty. Acad Psychiatry 2004;28:4-11.        [ Links ]

 

 

Endereço para correspondência
Dr. Ibiracy de Barros Camargo
Rua Rui Barbosa, 1661
CEP 1415-120 — Ribeirão Preto — SP
Fone: (16) 636.3660
Fax 16 625 9209
E-mail: ibiracy@uol.com.br

Recebido em 22/09/2004.
Revisado em 28/10/2004.
Aprovado em 29/11/2004.

 

Este trabalho constitui parte da dissertação de mestrado do primeiro autor, intitulada Habilidades e conhecimentos sobre a prática profissional em psiquiatria: tradução, adaptação e aplicação de questionários em psiquiatras brasileiros, apresentada à Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo em outubro de 2001, Ribeirão Preto, SP.
Trabalho apresentado na IX Jornada de Psiquiatria da Região Sul e na VI Jornada Gaúcha de Psiquiatria, julho de 2002, Porto Alegre, RS, e no XXI Congresso Brasileiro de Psiquiatria, outubro de 2003, Goiânia, GO.
Departamento de Neurologia, Psiquiatria e Psicologia Médica da FMRP-USP e Programa de Pós-Graduação em Saúde Mental da FMRP-USP.

Creative Commons License All the contents of this journal, except where otherwise noted, is licensed under a Creative Commons Attribution License