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Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul

Print version ISSN 0101-8108

Rev. psiquiatr. Rio Gd. Sul vol.27 no.1 Porto Alegre Jan./Apr. 2005

http://dx.doi.org/10.1590/S0101-81082005000100008 

ARTIGO DE REVISÃO

 

Processo analítico e "historicização" no imediatismo da cultura: contribuições para uma psicanálise contemporânea

 

Proceso analítico e historización en la inmediatez de la cultura aportes para un psicoanálisis contemporáneo

 

 

Norberto C. Marucco

Membro Pleno da International Psychoanalytical Association e Membro Titular da Associação Psicanalítica Argentina

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

O autor descreve as relações entre a psicanálise e a cultura, mais precisamente a tendência ao imediatismo que a cultura atual instaura frente à idéia de processo. Diante das exigências provenientes da cultura (tempo e dinheiro, tempo e eficácia), é possível que a psicanálise se desvincule dela? E, se o faz, não estaria ajudando a gerar as terapias alternativas? Acredita que a nova crise que a psicanálise atravessa atualmente obedece às dificuldades e tentativas de dar conta dos efeitos da cultura, em uma sociedade consumista que aboliu o valor da palavra e já não tem tempo para pensar nem para pensar-se. Para isso, o autor acredita que é necessário repensar a psicanálise, não só em torno da noção de processo, mas também do que ele denominou ato analítico. Faz reflexões sobre o analisado e o analista de hoje, e também faz considerações metapsicológicas e técnicas referentes ao conceito de ato analítico, junto à idéia de processo. Com relação ao primeiro aspecto, o autor acredita que o analisado de hoje não "cumpre" com as expectativa clássicas da técnica. Quanto ao segundo, pensa que seja possível que a continuação destes atos analíticos se transforme em um processo analítico: quando um ato analítico possibilita o descobrimento de uma falsa ligação, a correção de um deslocamento temporal e de pessoa, estará estimulando, no sujeito que sofre, o interesse sobre seu próprio funcionamento psíquico. Conclui dizendo que o problema da cura analítica com relação às exigências da cultura atual é definido em um ponto essencial: a psicanálise deve montar um enquadramento suficientemente amplo para que a força transformadora da pulsão encontre sua representação.

Descritores: Psicanálise, cultura, historicização, processo analítico.


RESUMEN

El autor describe las relaciones entre el psicoanálisis y la cultura, más precisamente la tendencia a la inmediatez que la cultura actual instala frente a la idea de proceso. Frente a las exigencias provenientes desde la cultura (tiempo y dinero, tiempo y eficacia), ¿puede el psicoanálisis desentenderse de ella? Y, si lo hace, ¿no estará así ayudando a generar a las terapias alternativas? Cree que la nueva crisis por la que atraviesa actualmente el psicoanálisis obedece a las dificultades e intentos de dar cuenta de los efectos de la cultura, en una sociedad consumista que ha abolido el valor de la palabra y ya no tiene tiempo para pensar ni para pensarse. Para tanto, el autor cree que es necesario repensar el psicoanálisis, no sólo en torno a la noción de proceso sino también de lo que él denominó acto analítico. Hace reflexiones sobre el analizando y el analista de hoy y también hace consideraciones metapsicológicas y técnicas referidas al concepto de acto analítico, junto a la idea de proceso. Respeto al primero aspecto, el autor cree que el analizando de hoy no "cumple" con las expectativas clásicas de la técnica. Cuanto al segundo, piensa que sea posible que la continuidad de estos actos analíticos se transforme en un proceso analítico: cuando un acto analítico posibilita el descubrimiento de un falso enlace, la corrección de un desplazamiento temporal y de persona, estará estimulando, en el sujeto que padece, el interés acerca de su propio funcionamiento psíquico. Concluye diciendo que el problema de la cura analítica en relación con las exigencias de la cultura actual se define en un punto esencial: el psicoanálisis debe montar un encuadre lo suficientemente amplio como para que la fuerza transformadora de la pulsión encuentre su representación.

Palabras clave: Psicoanálisis, cultura, historización, proceso analítico.


 

 

INTRODUÇÃO

As relações entre a psicanálise e a cultura constituem um dos fatores de incidência para a necessária revisão dos fundamentos da prática analítica atual, e para as modificações na técnica (continuo pensando1 que nos segredos da técnica talvez se escondam os maiores progressos para o futuro da psicanálise). A tendência ao imediatismo que, em linhas gerais, a cultura atual instaura frente à idéia de processo, nos propõe a necessidade de uma revisão deste conceito, bem como do de "historicização". Na seqüência, o tema será abordado em duas etapas: 1) A problemática da psicanálise e da cultura, e 2) Algumas reflexões referentes a processo analítico e "historicização", incluindo também a noção de ato analítico.

 

SOBRE A PSICANÁLISE E A CULTURA

Em primeiro lugar, quero reiterar que falar de processo analítico e "historicização" com relação ao imediatismo da cultura não faz mais que destacar a índole problemática da atual relação entre psicanálise e cultura ou, mais precisamente, entre cura analítica e cultura.

Quando em O ego e o id Freud2 descreve as relações do ego com as outras instâncias, definindo-as nos acertados termos de servidões ou vassalagens, faz ali uma inclusão cuja transcendência para a metapsicologia e a clínica psicanalítica não teve ainda um desenvolvimento equivalente: a vassalagem do ego com relação à realidade exterior ou, como também poderíamos dizer, do ego com relação à cultura. Insuficientemente explorada até então, deverá ser, a meu ver, fonte dos desenvolvimentos que a psicanálise contemporânea demanda.

Reconhecida a importância das exigências provenientes da cultura, que se manifestam, por exemplo, nas relações hoje imperativas entre tempo e dinheiro, tempo e eficácia ou rendimento, é possível dissociar a psicanálise da cultura? E, se for, ela não estaria desta forma ajudando a gerar o que se convencionou chamar de terapias alternativas? Mas se, por outro lado, a psicanálise tenta satisfazer esta demanda mediante uma atitude adaptativa com a exigência cultural, não estará por acaso perdendo sua especificidade naqueles pontos que a definem? Será a noção mesma de processo uma das chaves que determinam a psicanálise? De qualquer modo, considero imprescindível que a psicanálise reformule a problemática teórica da sua relação com a cultura, impulsionando diferentes linhas de pesquisa em torno a ela*.

Em última análise, não se trata de renunciar à psicanálise que conhecemos, mas sim de fazer crescer, desenvolver, seus fundamentos. Quando a psicanálise se enfrentou com o descobrimento ou o reconhecimento de patologias que excediam os limites da neurose clássica, teve que passar por uma profunda crise teórica da qual emergiu dando conta dos transtornos narcisistas, dos transtornos psicossomáticos, do problema das adições, etc. Do mesmo modo, podemos pensar que a nova crise que a psicanálise atravessa atualmente (crise teórica, em meu entender), obedece às dificuldades e tentativas de dar conta dos efeitos da cultura, não só na constituição da subjetividade, ou seja, do psiquismo, mas também como geradora de diferentes expressões da patologia. Volto, então, a perguntar-me: acaso é possível ignorar estes efeitos da cultura rotulando-os, simplesmente, como sendo o fruto da negatividade da cultura pós-moderna? É possível relegar a segundo plano a crítica de uma sociedade consumista que aboliu o valor da palavra e já não tem tempo para pensar nem para pensar-se? Ou devemos reconhecer que neste "imediatismo da cultura" são problematizados não só os processos analíticos, mas, em especial, são conformadas novas subjetividades que, por sua vez, determinam leis de funcionamento psíquico seguramente diferentes das do começo do século?

O tema é complexo, mas constitui um compromisso inevitável para os psicanalistas de hoje, motivo pelo qual me deterei ao texto e não às minhas preocupações.

 

PROCESSO ANALÍTICO E "HISTORICIZAÇÃO" E ATO ANALÍTICO

(...) Nos dois casos, foi necessária uma pequena intervenção para resolvê-los. Foi preciso perguntar ao falante por que tinha se equivocado assim, o que atinava dizer sobre seu deslize. Do contrário, teria passado ao largo do assunto depois de começá-lo, sem querer esclarecê-lo. Entretanto, ao ser perguntado, deu a explicação com a primeira coisa que lhe ocorreu. E, agora, vejam vocês: essa pequena intervenção e seu sucesso, isto já é psicanálise, e o paradigma de todo o questionamento psicanalítico que teremos que empreender no futuro.3

A frase "Essa pequena intervenção e seu sucesso, isto já é psicanálise" merece o negrito que introduzi na citação. É importante repensar a psicanálise, não só em torno da noção de processo, mas também em torno deste ato, que me inclino a denominar ato analítico ou operação analítica1, definindo-o também como psicanálise. Esta concepção do ato analítico não tenta fazer oposição às de processo analítico e/ou "historicização", mas sim complementá-las.

Para apresentar o tema, farei alguns comentários introdutórios: 1) Algumas reflexões sobre o analisado e o analista de hoje e, logo, 2) Considerações metapsicológicas e técnicas referentes ao conceito de ato analítico, junto à idéia de processo.

 

ALGUMAS REFLEXÕES SOBRE O ANALISADO E O ANALISTA DE HOJE

Não seria possível considerar a problemática do processo analítico e da "historicização", bem como do ato analítico, sem levar em conta que o analisado de hoje tem características diferentes da do analisado da época de Freud. As diferenças não se explicam somente por uma concepção psicopatológica modificada (patologias limítrofes, etc.), mas pela maneira de pensar a metapsicologia, que é onde se apóia a possibilidade de compreender as expressões da psicopatologia. Mais que entrar na discussão sobre a existência ou não de novas patologias, ou de velhas patologias com uma nova roupagem, quero enfatizar que foi o avanço metapsicológico que permitiu a compreensão de traços da psicopatologia que, durante muito tempo, não foram abrangidos pela ação da psicanálise. Neste sentido, entendo que as assim chamadas patologias atuais, convocam a uma psicanálise mais potente, produto da riqueza teórica dos analistas de hoje, formados no conhecimento da obra freudiana e no reconhecimento das contribuições pós-freudianas. Importantes, então, são os avanços em metapsicologia, por seu correlato na teoria da cura e nas reformulações da técnica que impõe. Quero destacar que o conceito de ato analítico, tanto quanto o de processo analítico, é tributário dos desenvolvimentos metapsicológicos.

O analisado de hoje apresenta um psiquismo que se expressa além da representação, angústias que excedem a da castração (angústias de intrusão, de vazio, de aniquilação, etc.)4 e defesas que não se limitam à repressão (desmentido e excisão do ego, etc.). Por estas razões, esse analisado foge à possibilidade do nascimento, desenvolvimento e dissolução da transferência na versão de uma neurose transferencial. Além disso, poderíamos dizer que, em algumas expressões psicopatológicas, essa neurose infantil e histórica ou bem não existe ou está enfraquecida demais para vir a se transformar numa neurose transferencial. É a partir deste ponto que a noção de processo analítico e "historicização" começa a encontrar seu limite, e onde, ao mesmo tempo, cresce o conceito e o fato clínico do ato analítico. Dito de outra forma: as neuroses clássicas determinam a noção de cura analítica através de um processo que implica a convocação à atualidade na neurose histórica, para que sua cura se produza no fato da dissolução da neurose transferencial. Esta noção de processo e "historicização" requer, então, uma concepção metapsicológica da cura que determine um campo analítico dentro da teoria da representação, e um enquadramento no qual a freqüência das sessões, a regra de abstinência, o uso do divã e a neutralidade se transformem em seus pilares básicos. Mas creio que podemos convir com a afirmação de Green sobre o fato de o analisado de hoje não "cumprir" com estas expectativas4 (Relatório ao Congresso Internacional de Londres, 1975). A "novidade" das expressões psicopatológicas convoca a novos desenvolvimentos metapsicológicos que, por sua vez, promovem novos recursos técnicos. Então, é a limitação que a clínica impõe ao conceito de processo e "historicização" o que faz crescer o ato analítico (conceito que Freud fez nascer na citação que começou esta parte). Mais ainda, o conceito de ato analítico aparece freqüentemente em seus históricos clínicos.

 

ATO ANALÍTICO: CONSIDERAÇÕES METAPSICOLÓGICAS E TÉCNICAS

Ainda que a concepção de ato analítico tenha sido desenvolvida explícita ou implicitamente por diversos autores (Strachey, Lacan, Winnicott, Piera Aulagnier, Willy e Made Baranger, Jorge Mom) e em diferentes contextos, quero dar-lhes, aqui, minha interpretação pessoal.

Aproximo-me, então, ao tema, considerando em particular o fenômeno transferencial. Alguém consulta um analista (seja em um consultório, ou em um hospital, ou através dos planos de saúde) e, logo depois, ou ainda durante as entrevistas preliminares, o consulente começa a investigar o motivo de um sintoma. Ele se lança ao caminho associativo: partindo da situação atual, vai deslizando a momentos significativos de sua vida, de sua maturidade, adolescência, de algumas recordações encobridoras e também de situações traumáticas infantis... "Próximo ao núcleo do complexo patógeno", no dizer de Freud5,6, a dinâmica da transferência começa sua intervenção. Algo desse complexo patógeno se deslocará como transferência, apoiando-se na pessoa do analista com os signos de uma resistência. Freud destaca que o aparelho psíquico (a neurose), por sua necessidade de transferência e também por suas resistências, utilizará, a partir daí, a transferência como um mascaramento privilegiado. O analista se enfrenta, aqui, com um problema clínico, outro teórico, e uma atitude técnica. Ao entender que o único caminho é o da neurose de transferência, o conceito de processo analítico será sua chave, e trabalhará para a instalação e desenvolvimento da transferência, até culminar em sua dissolução, mediante a interpretação. Estamos aqui no campo de uma teoria da cura conhecida, completa e idealizada, poder-se-ia dizer.

Mas o analista tem também outro caminho: no momento do surgimento da transferência, da sua dinâmica, provocará um ato, uma operação analítica. Dissolverá a falsa ligação. Restituirá ao passado, e à pessoa original, o tempo e a pessoa deslocadas na análise e no analista. O que esta intervenção analítica produz? Diríamos, com Green4: um 'alargamento do pré-consciente'. Com Freud: que uma peça do quebra-cabeças da sua vida se encaixou por todos os lados. Em minha opinião: que o sujeito adquire um novo sentido.

Estas modificações não fariam pensar que esta intervenção é, parafraseando Freud, uma psicanálise e o paradigma de todo o questionamento psicanalítico? É possível que a continuidade destes atos se transforme em um processo analítico. Mas, será sempre possível? E, além disso, será sempre necessário?

Indo além, para ser mais preciso: quando um ato analítico possibilita o descobrimento de uma falsa ligação, a correlação de um deslocamento temporal e de pessoa estará estimulando, no sujeito que sofre, o interesse sobre seu próprio funcionamento psíquico, capaz de produzir tais fenômenos e, muito provavelmente, despertará no consulente uma transferência positiva em direção ao questionamento psicanalítico sobre sua pessoa.

Talvez o processo analítico, mais do que estar determinado pelas variáveis técnicas propostas pelo analista, seja gerado pelo impacto que os atos analíticos produzem como um tipo de transferência positiva em direção à própria análise por parte do analisando. Esta é a minha maneira de me aproximar da definição de uma cura analítica: uma série de atos analíticos que terminam por constituir um processo. Em outras palavras: poderíamos dizer que há demandas de análise que são instauradas pela psicopatologia, às quais se agregam demandas produzidas pela cultura, tais como o problema da crise econômica e da diminuição de sessões, etc. Qual é o dilema que o psicanalista de hoje enfrenta? Ao se apegar ao conceito de neurose clássica e de processo analítico, passará à chamada "psicoterapia analítica" de toda a atividade terapêutica, que foge à noção de processo. Se, por outro lado, aceita o desafio de utilizar os progressos metapsicológicos de que dispõe para produzir atos ou operações analíticas, poderá criar processos analíticos particulares. Nos segredos não conceitualizados destes atos analíticos dentro dos peculiares processos analíticos, estará o potencial de progresso da psicanálise contemporânea.

Algumas palavras sobre a "historicização" na psicanálise: se a psicanálise atual se desloca até os limites da analisabilidade, entendendo-se por limites as condições de representação das neuroses clássicas, o que acontece quando nos enfrentarmos com expressões da patologia que apontarem para zonas do não representado? O que acontece quando a patologia não depende de uma história perdida nos tempos da amnésia infantil? Eis aqui um paradoxo que convém enfatizar. Quando essa história não existe, quando não há palavras que possam contá-la, é condição fundamental a instalação de um processo analítico capaz de construir "história". Que história se constrói, então? A de funcionamentos psíquicos que estão além do princípio do prazer, e que respondem a essas "marcas mnemônicas ingovernáveis" (como eu as chamo)1,7 ou àquelas "vivências do tempo primordial", mencionadas por Freud8.

É curioso o fato de que a psicanálise necessita de um processo e da "historicização" ali onde não há história a ser recuperada, mas onde está convocado a dar representação a funcionamentos psíquicos que, se não adquirem representação, terminam se deslocando para o corpo ou culminando em severas passagens ao ato. Neste ponto, é importante a noção de processo analítico e "historicização", mas, especificamente, de "historicização" do processo. Quanto mais possamos aguçar nossos sentidos analíticos para produzir atos analíticos interpretando o desejo de um sonho como desejo edípico, a relação de objetos de uma estrutura idealizadora correspondente ao narcisismo, ou ainda construindo marcas mnemônicas ingovernáveis, pondo em jogo nossa contratransferência, ou nossa mente, ou quando trabalhamos sobre o desmentido estrutural e a criação do fetiche virtual9, estaremos interpretando "zonas psíquicas"10. Mas, o que é a análise? É o aspecto acabado de todas as zonas? Ou é a movimentação de uma força (a força pulsional que vive em cada zona psíquica) em sua busca de representação?

Para concluir: acredito que o problema da cura analítica com relação às exigências da cultura atual se defina em um ponto essencial - a psicanálise deve montar um enquadramento suficientemente amplo para que a força transformadora da pulsão encontre sua representação. Representação descoberta pelo próprio paciente, ou representação outorgada pela mente do analista através destes atos analíticos que freqüentemente constituem um processo.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. Marucco NC. Recordar, repetir y elaborar: un desafío para el psicoanálisis actual. In: Marucco NC. Cura analítica y transferencia. De la represión a la desmentida. Buenos Aires: Amorrortu; 1999.        [ Links ]

2. Freud S. (1923) El yo y el ello. In: Obras completas. Buenos Aires: Amorrortu; 1979. vol. 19, p. 1-66.        [ Links ]

3. Freud S. (1916-17) Conferencias de introducción al psicoanálisis. In: Obras completas. Buenos Aires: Amorrortu; 1979. vol. 16, p. 153-213.        [ Links ]

4. Green A. La nueva clínica psicoanalítica y la teoría de Freud. Aspectos fundamentales de la locura privada. Buenos Aires: Amorrortu; 1993.        [ Links ]

5. Freud S. (1895) Estudios sobre la histeria. In: Obras completas. Buenos Aires: Amorrortu; 1979. vol. 2, p. 1-325.        [ Links ]

6. Freud S. (1905) Fragmento de análisis de un caso de histeria. In: Obras completas. Buenos Aires: Amorrortu; 1979. vol. 7, p. 183.        [ Links ]

7. Marucco NC. Introducción de [lo siniestro] en el yo. In: Marucco NC. Cura analítica y transferencia. De la represión a la desmentida. Buenos Aires: Amorrortu; 1999.        [ Links ]

8. Freud S. (1920) Más allá del principio del placer. In: Obras completas. Buenos Aires: Amorrortu; 1979. vol. 18, p. 153-213.        [ Links ]

9. Marucco NC. Edipo, castración y fetiche. Una revisión de la teoría psicoanalítica de la sexualidad. In: Marucco NC. Cura analítica y transferencia. De la represión a la desmentida. Buenos Aires: Amorrortu; 1999.        [ Links ]

10. Marucco NC. Las neurosis hoy: en las vías de acceso a las "zonas psíquicas". In: Marucco NC. Cura analítica y transferencia. De la represión a la desmentida. Buenos Aires: Amorrortu; 1999.        [ Links ]

 

 

Endereço para correspondência
Norberto C. Marucco
San Luis, 3364/1186
República Argentina
E-mail: marucco@ciudad.com.ar

Recebido em 24/08/2004.
Revisado em 26/08/2004.
Aprovado em 21/09/2004.

 

 

*Neste sentido, quero destacar, por exemplo, alguns desenvolvimentos da psicanálise vincular que, a meu ver, tentam dar conta desta inclusão da cultura. Se, como frisei em outra oportunidade, a representação intrapsíquica da família e do casal expressaram e representaram aspectos da cultura em nosso psiquismo, não teríamos aqui um dos caminhos possíveis para o avanço da psicanálise neste fim de século? Coloquemo-nos agora no âmbito da clínica: por acaso não há, em nossa cultura, aqueles que, acreditando viver a vida, seriam meros espectadores? Talvez, para essas pessoas, os ideais da cultura (tanto em suas promessas de bem-estar quanto em suas exigências de idealização) sejam a sustentação de uma patologia que, à medida que deserotiza o indivíduo, libera suas tendências destrutivas. Esta é uma situação sobre a qual Freud já nos alertou (1930 [1929]) em O mal-estar na civilização.

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