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Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul

Print version ISSN 0101-8108

Rev. psiquiatr. Rio Gd. Sul vol.30 no.1 Porto Alegre Jan./Apr. 2008

https://doi.org/10.1590/S0101-81082008000100011 

ARTIGO ORIGINAL

 

Equivalência semântica da versão brasileira da Social Avoidance and Distress Scale (SADS)

 

 

Michelle Nigri LevitanI; Isabella NascimentoII; Rafael C. FreireIII; Marco André MezzasalmaIV; Antonio Egidio NardiV

IAluna, Estágio Probatório para Mestrado, Programa de Pós-Graduação, Instituto de Psiquiatria, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro, RJ
IIDoutora em Psiquiatria. Instituto de Psiquiatria, UFRJ. Bolsista de Produtividade em Pesquisa, CNPq. Médica Psiquiatra, Instituto de psiquiatria, UFRJ
IIIMestrando, Programa de Pós-Graduação, Instituto de Psiquiatria, UFRJ
IVMestre em Psiquiatria e aluno, Programa de Pós-Graduação do Instituto de Psiquiatria, UFRJ. Médico Psiquiatra, Instituto de Psiquiatria, UFRJ
VLivre docente e professor associado, Instituto de Psiquiatria, UFRJ. Professor adjunto, Faculdade de Medicina, Instituto de Psiquiatria, UFRJ

Correspondência

 

 


RESUMO

INTRODUÇÃO: É crescente a produção científica brasileira na adaptação de instrumentos internacionais da fobia social. A adaptação transcultural é o primeiro passo na realização de comparações entre diferentes populações e se apresenta como um método que envolve pouco custo financeiro. O presente estudo consistiu no processo de equivalência semântica da Social Avoidance and Distress Scale para sua utilização na população brasileira de diferentes níveis socioeconômicos.
MÉTODOS: O processo envolve duas traduções e retrotraduções realizadas por avaliadores independentes, avaliação das versões com elaboração de uma versão sínteses e pré-teste comentado.
RESULTADOS: Para cada item do instrumento, apresentam-se os resultados das quatro etapas. A maioria dos participantes não apresentou dificuldades na compreensão do instrumento.
CONCLUSÃO: A utilização de duas versões de tradução e retrotradução, discussão sobre a versão síntese e a interlocução com a população-alvo proporciona maior segurança ao processo de equivalência semântica.

Descritores: Adaptação transcultural, escalas de ansiedade social, equivalência semântica e fobia social.


 

 

Introdução

A fobia social (FS) caracteriza-se por uma experiência de medo intenso de ser humilhado ou julgado de forma negativa em situações sociais1. Em uma situação de medo, as pessoas apresentam sintomas somáticos, como rubor facial, palpitações e tremores. A ansiedade muitas vezes leva à evitação dos ambientes temidos, que variam de situações discretas a todos os contatos interpessoais2,3.

Instrumentos auto-aplicáveis para FS estão sendo culturalmente adaptados em muitos países4-7, apresentando algumas vantagens, como tempo e custo reduzidos na sua aplicação. Ao utilizar um instrumento já desenvolvido e sistematicamente usado em ensaios com FS, os pesquisadores podem facilmente comparar os resultados entre diferentes amostras8 e construir dados transculturais9.

A validação é o processo que examina até que ponto os resultados das medições correspondem ao estado real e/ou presença do fenômeno sendo mensurado10. Estudos de validação transcultural de escalas permitem que os pesquisadores aumentem o conhecimento psicométrico e façam comparações entre os dados encontrados em diferentes países11.

Aspectos transculturais podem modificar os resultados encontrados em amostras distintas, não porque sejam realmente diferentes, mas porque podem refletir características inerentes da amostra (não diretamente relacionadas à condição estudada). Ao adaptar escalas para diferentes idiomas, é importante assegurar que o sentido das questões e as instruções das escalas estejam sendo interpretados igualmente pelos dois idiomas12. O primeiro estágio da validação é a adaptação transcultural, que sistematicamente compara e analisa a versão da escala a ser utilizada em uma cultura específica.

Apesar da falta de consenso em relação à melhor metodologia indicada para conduzir uma equivalência semântica entre escalas, a abordagem recomendada inclui retrotradução realizada por dois tradutores independentes13,14. Neste modelo, o indivíduo bilíngüe traduz da língua-fonte para a língua-alvo, e outro tradutor "cego" traduz de volta para a língua-fonte. Após este processo, comparações são realizadas para identificar discrepâncias entre a fonte e o alvo, seguidas de discussões com os tradutores bilíngües originais15 e da construção de uma versão sintética.

Embora existam algumas escalas que sirvam de instrumentos diagnósticos para FS, poucos instrumentos avaliam as limitações sociais e sentimentos negativos que o sujeito pode sentir em contextos sociais. A Social Avoidance And Distress Scale (SADS)16 consiste de 28 itens que avaliam dois aspectos da ansiedade social caracterizada por evitação de situações sociais e o desconforto sentido.

A escala consiste de 28 itens, e cada um deles é classificado como "verdadeiro" ou "falso". O respondente recebe um ponto para cada um dos itens classificados de "verdadeiro" (15 itens) e para cada um classificado como "falso" (13 itens). Pacientes socialmente fóbicos geralmente apresentam escores mais altos e espera-se que sintam desconforto e evitem situações sociais17. Na versão original, testada em universidades estadunidenses, a SADS teve excelente consistência interna de 0,94 e correlação significativa com as medições de sensibilidade do público, ansiedade e ansiedade social. Dados de confiabilidade teste-reteste foram obtidos de uma amostra de alunos por um período de 1 mês, com variação de 68 a 7917.

Parece que a SADS é mais adequada para avaliação de mal-estar geral e evitação do que de ansiedade social18, em razão do fato de que indivíduos com outros distúrbios de ansiedade também apresentam altos escores nesta escala. Assim, a SADS parece ser sensível para mal-estar emocional, mas não específica para FS, exigindo, portanto, cuidado em seu uso19. A SADS foi escolhida devido à simplicidade e boas propriedades psicométricas do instrumento. Uma vez que não há dados sobre adaptação cultural para o português brasileiro, decidimos desenvolver a tradução e adaptação cultural da versão em português brasileiro da SADS.

Este estudo integra o grande volume de produção científica brasileira sobre FS19-30. Alguns desses estudos19,24,25,29,30 concentraram-se na validação e adaptação transcultural de escalas, o que nos permite expandir os achados de estudos internacionais, uma vez que podemos replicar o estudo na população brasileira. Esses artigos apresentam notoriedade importante, já que reforçam a pesquisa sobre FS em centros especializados.

Este estudo tem por objetivo realizar uma equivalência semântica da versão em inglês da SADS para o português em uma amostra heterogênea da população brasileira.

 

Métodos

O processo de equivalência semântica adotado é parte da adaptação transcultural baseada no roteiro proposto por Herdman et al.31. Este processo, recentemente empregado no Brasil por Reichenheim et al.32, consiste de quatro etapas: tradução, retrotradução, avaliação de equivalência semântica e pré-teste na população-alvo com a elaboração de uma versão sintética.

Na primeira etapa, duas traduções do instrumento original em inglês foram realizadas por dois tradutores bilíngües (IN, MN), ambos fluentes na língua inglesa. Na segunda etapa, as duas traduções foram retrotraduzidas para o inglês, também de forma independente e cega à escala original, por dois tradutores bilíngües (RF, BN), que também eram fluentes em inglês. Três dos tradutores eram da área de psiquiatria, e um era falante fluente de inglês.

A terceira etapa consistiu da avaliação de equivalência semântica, realizada pelos dois autores (ML, AE), e da elaboração de uma versão sintética. A equivalência entre o instrumento original e cada uma das retrotraduções foi primeiramente avaliada e, a seguir, cada item do instrumento original foi comparado a seu correspondente na versão em português. Para compor a versão sintética, alguns itens foram incorporados de uma das duas versões, integralmente ou modificados pelo grupo, ao passo que outros itens se originaram da combinação de duas versões. O resultado desta combinação era por vezes modificado para melhor atender aos critérios de equivalência semântica.

Foi realizado um pré-teste com a versão sintética, aplicado a oito pessoas com escolaridade elementar (8 anos de estudo), oito com escolaridade intermediária (11 anos de estudo) e oito com ensino superior (diploma universitário). Os indivíduos eram adultos selecionados entre os estudantes e funcionários de nossa universidade. Eles não apresentavam histórico de distúrbios mentais e foram submetidos a uma entrevista aberta pelos autores através de entrevista clínica estruturada para o DSM-IV33 para eliminar qualquer possibilidade de diagnóstico. Todos os participantes comentaram sobre a versão sintética, apontando dificuldades e sugerindo palavras ou termos que pudessem ser entendidos com maior facilidade. Considerando essas sugestões, desenvolveu-se uma versão final da SADS para o português brasileiro.

 

Resultados

A Tabela 1 mostra o instrumento original, as traduções (T1 e T2), suas respectivas retrotraduções (B1 e B2) e a versão sintética (antes das alterações pré-teste).

A versão feita pelos tradutores para os itens 2, 3, 13, 14, 16, 24 e 27 foram idênticas ou muito semelhantes. Em alguns itens, uma versão teve prioridade sobre outra, ou ambas foram combinadas.

No item 1, "I feel relaxed even in unfamiliar social situations", mantivemos a tradução T2, ao invés da T1, uma vez que o termo "não-familiar" em português brasileiro também significa "uma pessoa que não é parente", e poderia causar alguma confusão no entendimento da frase. O termo "não-familiaridade" em português brasileiro refere-se a "não conhecer alguém muito bem" e pareceu mais adequado quando comparado ao termo original "unfamiliar".

No item 4, embora a tradução T2 de "special desire" para "desejo especial" seja uma tradução literal, o termo T1 "desejo qualquer" parece mais adequado à língua portuguesa.

No item 5, não concordamos com os tradutores em relação à palavra "upsetting", que foi traduzida por "transtorno" e "desconcertante". Durante o desenvolvimento da versão sintética, em nossa opinião, a palavra original referia-se a "algo que incomoda". Desta forma, substituímos por "chateação", que parece ter o mesmo significado de "upsetting".

No item 6, "I usually feel calm and comfortable at social occasion," substituímos as duas traduções do termo "social occasion", uma vez que o termo usado em português, "acontecimentos sociais", parece indicar "um grande evento social". O termo foi substituído por "situações sociais". Além disso, mantivemos a estrutura da tradução T2, uma vez que a T1 não traduziu a palavra "comfortable".

Os enunciados 1, 7, 12, 15, 23 e 28 contêm os termos "relaxed" e "at ease", traduzidos por palavras semelhantes, como "tranqüilo" e "relaxado". Entretanto, optamos pela tradução "à vontade", que significa "sentir-se confortável", diferente das primeiras traduções, expressando "sonolento ou mal vestido".

Nos itens 8 e 11, as duas traduções T1 não incluíram a tradução literal da palavra "unless", mas substituíram a palavra por termos semelhantes em português. Consideramos a tradução T2 "a menos que" mais adequada para preservar a estrutura da frase.

No item 9, optamos pela palavra T1 "aproveito", que tem significado semelhante ao de "take it", ao invés da palavra "aceito". Também optamos por outra estrutura da sentença, já que as opções sugeridas pelos tradutores eram um tanto "pomposas". Elaboramos a frase da seguinte forma: "Eu freqüentemente aproveito a oportunidade de conhecer novas pessoas".

No item 10, optamos pela tradução T2, já que o termo "reuniões informais" parecia mais semelhante à expressão inglesa "casual get together" do que a tradução T1, que optou por "encontros casuais". Em português brasileiro, "casual" é uma palavra com significado semelhante à "informal", e pode não ser completamente entendida.

No item 17, escolhemos a tradução T1 devido à falta de tradução da palavra "easily". Também substituímos as duas traduções da palavra inglesa "strangers" pela palavra "desconhecidos". T1 e T2 utilizaram a palavra "estranhos", que pode denotar "pessoas bizarras".

O item 18 foi particularmente difícil para os tradutores. O termo "walk up" não pôde ser completamente entendido, uma vez que a maioria dos dicionários não contém este verbo. O verbo é mais freqüentemente traduzido por "caminhar". Fomos orientados por um falante nativo dos EUA para traduzir o verbo por "abordar".

No enunciado 19, a palavra "willingly" teve duas traduções distintas: "com gosto" e "bom grado". As traduções apresentam o mesmo significado, mas a primeira parecia se adequar melhor somente porque é uma palavra mais usual em português brasileiro para denotar alguém que não tem nenhum problema em fazer algo, e por isso o faz com prazer.

O termo "on the edge" no item 20 também apresentou duas traduções: "nervosa" e "impaciente". Para a versão sintética, os autores criaram outra expressão, "extremamente nervosa", que dá a impressão de uma pessoa que fica verdadeiramente incomodada pela situação, com a sensação de estar em seu limite, e considerou-se que esta teria um significado mais próximo do termo original.

No item 21, a sentença "I tend to withdraw from people" foi melhor traduzida na tradução T2, "eu tendo a me afastar da pessoas," do que na T1, "eu tenho a tendência a afastar as pessoas". Na primeira tradução, o indivíduo voluntariamente se isola das pessoas, é ativo no processo de isolamento; na segunda, o indivíduo é isolado independente de sua vontade.

No enunciado 22, a expressão "I don't mind" tem duas traduções para o português brasileiro: "eu não me importo" (T1) e "eu não faço questão" (T2). A primeira tradução indica que "eu não tenho problema em fazer algo", e a segunda, que "fazer algo não é importante para mim". A primeira tradução pareceu mais próxima do significado em língua inglesa, que parece se referir a "uma falta de problema em fazer algo".

No item 25, "introducing people to each other" foi traduzido por T1 como "apresentar pessoas" e, de acordo com T2, como "apresentar pessoas umas às outras". As duas têm o mesmo significado de "apresentar pessoas"; no entanto, a segunda tradução não foi considerada gramaticalmente correta porque, em português brasileiro, representa uma sentença redundante.

No item 26, a expressão "social occasions" foi traduzida por "ocasiões formais" (T1) e "compromissos formais" (T2). A primeira refere-se a "encontros formais", e a segunda, a "compromissos formais". Considerou-se que a T1 apresentava significado mais semelhante a "ocasiões sociais".

Durante o pré-teste com os participantes, nosso objetivo foi modificar qualquer termo ou sentença que pudesse ser de difícil compreensão. A maioria das sugestões derivou do grupo com ensino superior em relação à similaridade dos enunciados, que pareceram um tanto repetitivos. Esta alegação não se observou nos outros grupos. Houve somente uma pessoa no grupo de estudo básico que apresentou alguma dificuldade de compreensão do significado de "ocasiões sociais". Como este caso representou uma exceção no grupo de pessoas com o mesmo nível de escolaridade, optamos por não incluir uma explicação do significado desta expressão na escala. As pessoas com nível universitário pareceram ser os participantes mais exigentes no estudo, e isso pode ser considerado um viés, uma vez que eles naturalmente se sentiram mais propensos a prestar atenção a qualquer possível problema com os itens do que as pessoas com nível mais baixo de escolaridade, que geralmente prestam mais atenção ao sentido geral das sentenças.

 

Discussão

Ainda é difícil apontar a melhor metodologia para realizar equivalência semântica. Nosso trabalho destacou este processo utilizando duas traduções independentes e duas retrotraduções. Com base nas diretrizes propostas na literatura, enfatizamos a equivalência semântica, ao invés da equivalência literal dos termos para expressar conceitos da nova população29.

Diferenças em definições, crenças e comportamentos em relação a muitas populações exigem que os instrumentos desenvolvidos para outros contextos culturais sejam precedidos por avaliação meticulosa da equivalência entre o original e sua versão adaptada34. O uso de um instrumento para outra cultura é uma tentativa de investigar um sintoma em uma cultura específica, porém pode por vezes ser questionado, uma vez que nunca removerá todos os vieses quando adaptado para uso em outra população35.

Em nosso estudo, tivemos que discutir algumas questões relativas a termos específicos da língua inglesa, como "on the edge" e "to walk up", que não foram facilmente traduzidos para o português brasileiro. Portanto, foram transformados em termos locais de acordo com nossa cultura. Também verificamos que alguns tradutores tendem a excluir algumas palavras que no português brasileiro corrente podem ser omitidas; no entanto, optamos pela manutenção da estrutura do instrumento original com o mínimo possível de alterações.

Alguns problemas geralmente encontrados na tradução de instrumentos do idioma original para a língua-alvo resultam do desconhecimento por parte dos tradutores em relação à área de pesquisa. A diferença em termos de significado subjetivo de palavras e termos que existem em inglês para outra língua e cultura pode não fazer sentido em uma tradução direta, retendo muitas das formas literalmente gramaticais da língua-fonte13,36. Problemas como esse têm sido uma causa potencial de contaminação de dados em muitos estudos transculturais, além de serem um obstáculo contra a equivalência15.

Observamos que o uso de dois tradutores foi extremamente útil na construção da versão sintética, uma vez que as versões puderam ser confrontadas e discutidas. Quando discrepâncias foram identificadas, discutimos extensamente as razões e propusemos soluções. Weeks et al.15 orientam os autores a repetir o procedimento por diversas etapas, já que os tradutores trabalham com os esforços de seus predecessores. Uma limitação de nosso estudo foi o pequeno número de indivíduos (n = 24) que leram e avaliaram o instrumento. Esta limitação foi atenuada pelo uso de pessoas de diferentes níveis de escolaridade que desconheciam qualquer versão da SADS.

Apesar de termos recrutado avaliadores independentes e "cegos", seria interessante pedir a um especialista que auxilie os autores no processo de equivalência semântica. O especialista poderia lançar luz sobre questões que não pudemos identificar, uma vez que é raro que os autores sejam inteiramente cegos ao estudo. Esta pode ser considerada outra limitação de nosso estudo.

A aplicação do pré-teste mostrou que os participantes entenderam as situações descritas na escala, e muitas vezes se identificaram como tendo ações ou sentimentos semelhantes aos dos enunciados em relação à evitação e mal-estar social. É possível que este instrumento, ao invés de diagnosticar fobia social, identifique dificuldades sociais comuns apresentadas por um grande grupo de pessoas.

A adaptação transcultural e a equivalência semântica são apenas a primeira etapa na validação de um instrumento em qualquer idioma. Para um uso adequado do instrumento, este deve ter boa confiabilidade e validade, além de boa sensibilidade e especificação24. Este estudo é o primeiro passo rumo à determinação desses fatores com a aplicação da versão em português brasileiro da SADS em uma grande amostra da população brasileira.

 

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Correspondência:
Michelle Nigri Levitan
Rua Visconde de Pirajá, 407/702
CEP 22410-003, Rio de Janeiro, RJ
Tel.: (21) 2521.6147, Fax: (21) 2523.6839
E-mail: milevitan@hotmail.com

Recebido em 02/01/2008.
Aceito em 19/02/2008.

 

 

Apoio financeiro: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, processo nº 554411/2005-9.

 

 

Anexo

Escala de esquiva e desconforto social

Por favor, responda se as seguintes afirmações são verdadeiras ou falsas para você. Circule V para verdadeiro e F para falso.


1. Eu me sinto à vontade em situações sociais que não tenho familiaridade
V
F
2. Eu tento evitar situações que me obriguem a ser muito sociável
V
F
3. É fácil ficar à vontade quando estou com estranhos
V
F
4. Eu não tenho desejo especial de evitar pessoas
V
F
5. Eu freqüentemente acho situações sociais uma chateação
V
F
6. Eu geralmente me sinto calmo e confortável em situações sociais
V
F
7. Eu geralmente fico à vontade conversando com alguém do sexo oposto
V
F
8. Eu tento evitar conversar com pessoas, a menos que as conheça bem
V
F
9. Eu freqüentemente aproveito a oportunidade de conhecer novas pessoas
V
F
10. Eu freqüentemente me sinto nervoso ou tenso em reuniões informais onde pessoas de ambos os sexos estão presentes
V
F
11. Eu geralmente fico nervoso com pessoas, a menos que as conheça bem
V
F
12. Eu geralmente fico à vontade quando estou com um grupo de pessoas
V
F
13. Eu freqüentemente quero fugir das pessoas
V
F
14. Eu geralmente me sinto desconfortável quando estou em um grupo de pessoas que não conheço
V
F
15. Eu geralmente me sinto à vontade quando conheço alguém pela primeira vez
V
F
16. Ser apresentado a pessoas me deixa tenso e nervoso
V
F
17. Mesmo com uma sala cheia de desconhecidos, eu consigo entrar com facilidade
V
F
18. Eu evitaria abordar um grande grupo de pessoas e me juntar a elas
V
F
19. Quando os meus superiores querem falar comigo, falo de bom grado
V
F
20. Eu freqüentemente me sinto extremamente nervoso quando estou em um grupo de pessoas
V
F
21. Eu tendo a me afastar das pessoas
V
F
22. Eu não me importo em falar com pessoas em festas ou encontros sociais
V
F
23. Eu raramente fico à vontade em um grande grupo de pessoas
V
F
24. Eu freqüentemente invento desculpas para evitar compromissos sociais
V
F
25. Às vezes assumo a responsabilidade de apresentar pessoas
V
F
26. Eu tento evitar ocasiões sociais formais
V
F
27. Eu geralmente vou a qualquer compromisso social que eu tenha
V
F
28. Eu acho fácil ficar à vontade com outras pessoas
V
F

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