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Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul

Print version ISSN 0101-8108

Rev. psiquiatr. Rio Gd. Sul vol.31 no.2 Porto Alegre  2009

http://dx.doi.org/10.1590/S0101-81082009000200006 

O relaxamento respiratório no manejo do craving e dos sintomas de ansiedade em dependentes de crack

 

 

Taís Cardoso de ZeniI; Renata Brasil AraujoII

IEducadora física. Residente, Saúde Mental Coletiva, Escola de Saúde Pública, Porto Alegre, RS
IIPsicóloga. Doutora, Psicologia. Hospital Psiquiátrico São Pedro, Porto Alegre, RS
O presente estudo é uma comunicação breve, resultado de uma pesquisa apresentada do trabalho de conclusão de curso da Residência Integrada em Saúde Mental Coletiva, Escola de Saúde Pública, Porto Alegre, RS, apresentado e avaliado por banca científica no dia 09/01/09 na mesma instituição

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

INTRODUÇÃO: O objetivo deste estudo foi verificar a efetividade do relaxamento respiratório no manejo do craving e dos sintomas de ansiedade em dependentes de crack internados para tratamento em uma unidade de desintoxicação.
MÉTODO: Ensaio clínico do tipo quase-experimental de análise quantitativa. A amostra foi por conveniência, sendo composta por 32 homens dependentes de cocaína (crack). Eles tinham a cocaína como a droga de escolha e haviam utilizado esta substância por última vez entre 2 e 3 semanas antes do início do tratamento, conseguindo realizar a técnica do relaxamento respiratório adequadamente do ponto de vista biomecânico. Os instrumentos aplicados foram: Cocaine Craving Questionnaire-Brief (CCQB), escala analógica visual (EAV), Inventário Beck de ansiedade (BAI) e ficha com dados sociodemográficos e referentes ao padrão de consumo de substâncias psicoativas (FDS). Foi realizada uma intervenção em grupo na qual, inicialmente, foram aplicados o CCQB, a EAV e o BAI. Depois, foram apresentadas imagens relacionadas ao uso do crack e foram reaplicados os mesmos instrumentos. A seguir, foi realizado o relaxamento respiratório durante 10 minutos e foram aplicados, pela terceira vez, os instrumentos. Após esta intervenção, foi realizada uma entrevista individual com aplicação da FDS.
RESULTADOS: Os resultados desta pesquisa demonstraram uma redução dos escores do CCQB, da EAV e do BAI pelo relaxamento respiratório em uma amostra cujo perfil corresponde ao padrão geral dos usuários de crack.
CONCLUSÃO: Este estudo, apesar de ter algumas limitações metodológicas, sugere que o relaxamento respiratório pode ser uma estratégia efetiva no manejo do craving e dos sintomas de ansiedade em dependentes de crack.

Descritores: Cocaína crack, síndrome de abstinência a substâncias, ansiedade.


 

 

INTRODUÇÃO

A dificuldade para interromper o uso de qualquer droga está relacionada com a falta de habilidade para resistir ao impulso de utilizá-la ao enfrentar o craving. O craving, entendido como um desejo súbito e intenso de usar uma determinada substância1, é uma experiência idiossincrática formada por componentes cognitivos, afetivos, comportamentais e fisiológicos. Esse desejo irresistível, por vezes inconsciente, e que se sobrepõe, frequentemente, à vontade convicta da manutenção da abstinência, pode levar o dependente à recaída e, inclusive, ao abandono terapêutico, mesmo depois de grandes períodos de abstinência2.

O crack é o cloridrato de cocaína processado com outras substâncias em forma de "pedras" que podem ser fumadas. Após a cachimbada, o início da ação da cocaína (high) acontece quase instantaneamente - em 5 a 10 segundos3 -, estimulando o sistema nervoso central, havendo o bloqueio da recaptação de dopamina, serotonina e noradrenalina nas sinapses. No entanto, esses efeitos estimulantes se dissipam rapidamente - em 5 a 10 minutos -, e o usuário passa à intensa depressão do sistema nervoso central; nesse momento, dominado pela ansiedade e pelo craving, é levado à compulsão por uma nova dose. O potencial de abuso e de dependência é bem mais elevado na via pulmonar de administração da cocaína do que em outras vias (oral, nasal, intravenosa), pois a ação da droga é mais intensa e, ao mesmo tempo, possui uma reduzida duração3,4.

No tratamento da dependência de cocaína, principalmente na redução do craving, não há consenso nem resultados promissores quanto à eficácia da psicofarmacologia5, o que torna essencial uma abordagem multidisciplinar e integral do usuário, com a utilização de técnicas cognitivo-comportamentais que enfoquem, principalmente, as estratégias de prevenção de recaída6. O craving é considerado uma variável importante a ser observada no tratamento do dependente da cocaína e é fundamental reforçar a habilidade do usuário da droga para experimentar este fenômeno sem recair3. É necessário que o dependente aprenda a identificar e enfrentar o craving, assim como os sinais e os estímulos associados ao mesmo, no sentido de criar a habilidade de resistir a esse desejo. Em sessões terapêuticas, o craving pode ser primeiramente induzido e posteriormente reduzido através de técnicas de enfrentamento2.

No manejo do craving, uma das técnicas de enfrentamento utilizada na terapia cognitivo-comportamental é o relaxamento respiratório (RR). Um estudo realizado com alcoolistas sugere o relaxamento como estratégia efetiva para controlar os sintomas de ansiedade diante do craving7. Outro estudo, com tabagistas, afirma que a respiração profunda pode reduzir significativamente o craving e aliviar outros sintomas da abstinência do tabaco8.

O objetivo deste estudo foi verificar a efetividade do RR no manejo do craving e dos sintomas de ansiedade nos dependentes de crack internados para tratamento em uma unidade de desintoxicação.

 

MÉTODO

Este estudo caracteriza-se como um ensaio clínico do tipo quase-experimental de análise quantitativa. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética do Hospital Psiquiátrico São Pedro (HPSP), Porto Alegre (RS). A assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido foi considerada pré-condição para a participação nesta pesquisa. Os dados foram coletados de maio a outubro de 2008 na unidade de desintoxicação masculina do HPSP, em nove sessões de intervenção psicoeducativa em grupo e em entrevistas individuais junto à amostra selecionada. Os dados coletados foram analisados no programa Statistical Package for the Social Sciences (SPSS), versão 12.0. Os dados foram tratados estatisticamente, sendo feita uma análise descritiva e de frequência dos dados sociodemográficos e referentes ao padrão de consumo de substâncias psicoativas. Foi utilizado o teste t de Student para amostras pareadas para o estudo inferencial. O nível de significância foi de 5%.

Os instrumentos utilizados foram: Inventário Beck de ansiedade (Beck Anxiety Inventory, BAI)9,10, para avaliar sintomas de ansiedade; escala analógica visual (EAV)11 e Cocaine Craving Questionnaire-Brief (CCQB)12, para avaliar a presença do craving por cocaína; e ficha de dados sociodemográficos (FDS) e referentes ao padrão de consumo de substâncias psicoativas, para identificar características gerais da amostra e fatores relacionados ao consumo de drogas.

A intervenção foi realizada em uma sala fechada com poucas interferências externas. O grupo foi constituído por de três a seis participantes por adesão voluntária. Os participantes sentaram em cadeiras dispostas em círculo em torno de uma mesa. Inicialmente foram avaliados os sintomas de ansiedade e o craving por cocaína através dos instrumentos BAI, EAV, CCQB. Depois, foram expostas durante 1 minuto oito imagens fotográficas relativas ao crack e ao seu uso ("pedras", cachimbos, latas). Em seguida, foram reaplicados os instrumentos BAI, EAV, CCQB, a fim de avaliar a ocorrência de indução do craving e dos sintomas de ansiedade. Depois, os participantes foram conduzidos verbalmente a realizar a técnica do RR durante 10 minutos, ao som de uma música relaxante, na posição sentada, com os olhos fechados e as palmas das mãos apoiadas sobre a região abdominal.

Do ponto de vista biomecânico, o RR é uma técnica que consiste no exercício de controle da respiração através da musculatura diafragmática, realizada em três fases distintas:

I. Inspirar pelas narinas, distendendo o diafragma, dilatando o abdome e contando três tempos;

II. Prender o ar nos pulmões, contando três tempos;

III. Expirar pela boca suavemente, encolhendo o diafragma e contraindo o abdome, contando seis tempos.

Depois da realização do RR, foram aplicados pela terceira vez o BAI, a EAV e o CCQB para avaliar a ocorrência de redução do craving e dos sintomas da ansiedade. Concluída a intervenção, esclareceu-se que o relaxamento provoca sensação de bem-estar; e que, em estado de relaxamento, é menos provável que uma pessoa atue impulsivamente2; sendo também salientado que o aprendizado desta técnica pode ser útil aos dependentes de crack, no manejo do craving e dos sintomas de ansiedade.

No intuito de delinear o perfil da amostra selecionada e avaliar se os sujeitos preenchiam mais algum critério de exclusão, foi realizada uma entrevista individual - na qual foi aplicada a FDS - com aqueles participantes que conseguiram realizar a técnica do RR adequadamente do ponto de vista biomecânico.

A amostra foi por conveniência e composta por 32 homens com diagnóstico de dependência de cocaína (crack) pela CID-1013. Eles tinham esta como a droga de escolha e tinham usado esta substância pela última vez de 2 a 3 semanas antes do início do tratamento, realizando a técnica do RR adequadamente na sessão, do ponto de vista biomecânico. Foram excluídos desta amostra sujeitos com hipótese diagnóstica de retardo mental e/ou que apresentavam sintomas psicóticos.

 

RESULTADOS

A amostra deste estudo foi composta por homens com média de idade de 24,63 anos (desvio padrão = 4,64; 18-40), procedentes, na sua maioria (72,7%), da região metropolitana de Porto Alegre. A renda mensal média declarada foi de R$ 606,56 (desvio padrão = 313,04; 0-1.200,00), aproximadamente 1,26 salários-mínimos. Estes dependentes de crack (100%) eram também dependentes de tabaco (100%), de maconha (93,9%), de álcool (57,6%) e de solventes (24,2%). Quanto ao uso do crack, consumiam em média 67,73 pedras por semana, o que daria em torno de 271 pedras por mês. A Tabela 1 demonstra as alterações, segundo o teste t de Student para amostras pareadas, nas médias do craving antes e depois da apresentação de imagens do crack e nas médias do craving e ansiedade antes e depois do RR.

 

DISCUSSÃO

A amostra desta pesquisa demonstra a predominância do consumo do crack em adultos jovens, de baixa renda, usuários de múltiplas drogas ou com histórico de consumo de outras substâncias psicoativas - especialmente álcool, tabaco e maconha -, demonstrativo condizente com outros estudos referentes ao perfil dos usuários de crack14-17.

Na intervenção psicoeducativa em grupo, houve significativa indução do craving através dos escores do CCQB e da EAV a partir da exposição de imagens relativas ao uso de crack. Alguns participantes negaram a indução do craving pelas imagens, fato que pode ter ocorrido tanto pela dificuldade de reconhecer em si o craving, como pelo medo de relatar o craving e ter sua alta adiada. Outros relataram que não experimentaram o craving através das imagens, pois estavam em ambiente protegido, continente e afastado do acesso à droga. Alguns relataram que a indução do craving se deu mais pelas falas e pelo comportamento dos participantes, que se alteraram no momento da apresentação das imagens, quando foram observados gírias e trejeitos peculiares.

Após a realização da técnica do RR, houve diminuição dos sintomas de ansiedade, observados através do BAI, e uma significativa redução do craving, medida através dos CCQB e EAV. Estes resultados demonstram uma sobreposição dos sintomas de ansiedade e do craving, sugerindo a existência de mecanismos comuns subjacentes a ambos, conforme achados de estudos já realizados com dependentes químicos7,18, e a manifestação conjunta dos sintomas de hiperventilação, ansiedade e craving19. Como o padrão respiratório de quem está ansioso tende à hiperventilação, que, por sua vez, conduz aos sintomas fisiológicos decorrentes de um aumento significativo de oxigenação sanguínea - tontura, parestesias, sufocação e taquicardia20 -, o RR pode ser uma potente técnica para o controle de ansiedade, pois pode gerar uma sensação de autocontrole, reduzindo a vulnerabilidade para a hiperventilação21. Apesar de os mecanismos de redução do craving e os sintomas de ansiedade não serem amplamente conhecidos, o RR pode ser uma estratégia recomendada aos dependentes de crack para proporcionar redução do craving, graças aos efeitos ansiolíticos inerentes ao RR e à reprodução parcial das características do uso do crack: ao mimetizar a ação do ato de fumar através da respiração diafragmática controlada, o RR induz uma experiência sensório-motora que alivia o craving8.

A intervenção realizada neste estudo proporcionou a experiência da técnica do RR como uma estratégia de prevenção de recaída que pode ser ensinada no ambiente clínico e ser aplicada em qualquer momento e lugar. Se convertido em hábito e realizado adequadamente, o RR é uma técnica que pode contribuir com o aumento do senso de autoeficácia do dependente de crack, pois pode melhorar a sua capacidade de lidar com a ansiedade e o craving - fatores centrais do comportamento abusivo7.

Esta pesquisa apresenta algumas limitações metodológicas que impossibilitam atribuir a redução do craving e dos sintomas de ansiedade somente à realização da técnica do RR. O uso da música relaxante e o próprio tempo decorrido da realização do RR (10 minutos) podem ter influenciado na diminuição dos escores das variáveis. Para comprovar, de fato, a eficácia do RR no manejo do craving e dos sintomas de ansiedade, seria necessário realizar um estudo com uma amostra maior, um tempo menor de realização do RR (5 minutos) e com comparação dos escores com grupo controle. Também, seria pertinente verificar a aplicação da técnica fora do ambiente protegido da internação, ou seja, diante de situações de risco do cotidiano dos dependentes de crack, a fim de verificar o seguimento dos efeitos terapêuticos do RR.

 

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