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Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul

versión impresa ISSN 0101-8108

Rev. psiquiatr. Rio Gd. Sul vol.32 no.3 Porto Alegre  2010

http://dx.doi.org/10.1590/S0101-81082010000300005 

ARTIGO ORIGINAL

 

Versão brasileira da Impact of Event Scale (IES): tradução e adaptação transcultural

 

Brazilian version of the Impact of Event Scale (IES): translation and cross-cultural adaptation

 

 

Adriana Cardoso de Oliveira e SilvaI; Antonio Egidio NardiII; Mardi HorowitzIII

IPós-doutora em Psiquiatria e Saúde Mental, Instituto de Psiquiatria (IPUB), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro, RJ. Doutora em Psicologia, Instituto de Psicologia (IP), UFRJ. Professora adjunta, Universidade Federal Fluminense (UFF), Niterói, RJ. Pesquisadora, Laboratório de Pânico e Respiração, IPUB, UFRJ. Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Translacional em Medicina
IILivre-docente em Psiquiatria, UFRJ. Doutor em Psiquiatria, Psicanálise e Saúde Mental, IPUB, UFRJ. Professor associado, Programa de Pós-Graduação em Psiquiatria e Saúde Mental, Faculdade de Medicina, IPUB, UFRJ. Coordenador, Laboratório de Pânico e Respiração, Instituto de Psiquiatria, UFRJ. Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Translacional em Medicina
IIIMD. Distinguished professor of Psychiatry, School of Medicine, University of California, San Francisco, CA, USA

Correspondência

 

 


RESUMO

INTRODUÇÃO: A Impact of Event Scale (IES) tem como proposta avaliar o estresse subjetivo relacionado a eventos de vida, não estando focada em uma situação específica, mas nas características particulares que envolvem tais eventos.
OBJETIVO: Descrever a tradução e adaptação semântica da IES para o português brasileiro.
MÉTODO: O processo foi realizado por meio de duas traduções e retrotraduções, elaboradas por quatro avaliadores independentes e sem conhecimento prévio da escala original. A elaboração da versão sintética foi realizada por especialista em saúde mental bilíngue. Procedeu-se a posterior aplicação em grupo experimental para avaliação dos itens. A versão gerada foi enviada para aprovação do autor do instrumento original, obtendo-se resposta positiva.
RESULTADOS: Todas as etapas do processo, incluindo traduções, retrotraduções e a versão sintética elaborada, são apresentadas para cada um dos 15 itens do instrumento original. O especialista em saúde mental colaborou para a adequação dos termos utilizados em relação ao construto medido. Através da aplicação experimental, foi possível identificar potenciais pontos de dificuldade para o entendimento de itens específicos e realizar ajustes posteriores. Foram obtidos 15 itens em português brasileiro para compor essa versão da escala.
CONCLUSÕES: A partir da metodologia utilizada, foi possível elaborar a adaptação transcultural da IES para o português brasileiro.

Descritores: Psicometria, escalas, transtorno de estresse pós-traumático, transtorno de estresse traumático, estresse psicológico, intervenção na crise.


ABSTRACT

INTRODUCTION: The aim of the Impact of Event Scale (IES) is to evaluate subjective distress associated with life events. The instrument is not focused on a specific situation, but rather on the particular characteristics of such events.
OBJECTIVE: To describe the translation and semantic adaptation of the IES into Brazilian Portuguese.
METHODS: The process consisted of translations and back-translations performed by four independent examiners without prior knowledge of the original scale. The synthetic version was developed by a mental health specialist with proficiency in both languages. Subsequently, the adapted scale was applied in an experimental group for evaluation. The new/adapted version was revised and approved by the author of the original instrument.
RESULTS: We describe all study phases, including translations, back-translations, and the development of the synthetic version, for each of the 15 items contained in the original instrument. The mental health specialist assisted in adapting the terms employed taking into consideration the construct under investigation in each case. The experimental application allowed to identify potential difficulties in the understanding of specific items and to subsequently adjust these items. Fifteen items were developed in Brazilian Portuguese for this version of the scale.
CONCLUSIONS: The methodology employed in the present study allowed us to conduct the cross-cultural adaptation of the IES scale into Brazilian Portuguese.

Keywords: Psychometrics, scales, post-traumatic stress disorder, traumatic stress disorder, psychological stress, crisis intervention.


 

 

Introdução

A Impact of Event Scale (IES), escala desenvolvida por Horowitz et al.1, apresenta como proposta a avaliação de estresse subjetivo relacionado a eventos da vida, não estando focada em uma situação específica, mas nas características particulares que envolvem tais eventos. Trata-se de uma escala breve, composta por apenas 15 itens, divididos em um subconjunto ligado a intrusão (itens 1, 4, 5, 6, 10, 11 e 14) e um subconjunto focado em evitação (itens 2, 3, 7, 8, 9, 12, 13 e 15).

Configurada como uma escala Likert de quatro pontos, a administração da IES é autoaplicável, rápida e de baixo custo. Além disso, possui bons parâmetros psicométricos1,2, com possibilidade de utilização tanto na prática clínica quanto em pesquisa.

Sendo um dos instrumentos autorreferidos mais utilizados para a avaliação de estresse pós-traumático3, a IES permite também a comparação dos achados obtidos em uma determinada cultura com o que é apresentado em vários trabalhos publicados internacionalmente4.

Apesar de não ser indicada como instrumento diagnóstico do transtorno de estresse pós-traumático, a IES se mostra adequada para a avaliação dos processos intrusivos e evitativos desses quadros3, já que é voltada para a avaliação de estresse decorrente de situações traumáticas. Suas propriedades psicométricas vêm sendo avaliadas em diversos trabalhos ao longo dos últimos anos, com bons resultados5-13.

Os instrumentos psicométricos preenchem uma lacuna no campo de saúde mental - lacuna esta formada pela dificuldade de se estabelecer parâmetros objetivos e pela ausência de marcadores biológicos para a identificação e avaliação de transtornos psiquiátricos14.

Além disso, o aumento da valorização dos métodos baseados em evidências na área de saúde mental15-17, com maior importância atribuída aos delineamentos quantitativos em pesquisas nas áreas de psicologia e psiquiatria, também colabora para o crescimento do interesse por esses instrumentos objetivos.

Em relação aos transtornos ligados ao estresse e à ansiedade, temos notado uma produção crescente, seja na elaboração de novos instrumentos18,19, na tradução e adaptação semântica de escalas já utilizadas em outros idiomas20-27, ou em estudos direcionados à avaliação de parâmetros psicométricos28-31.

O presente estudo teve como objetivo a tradução e adaptação semântica da IES para o português brasileiro, mantendo suas características generalistas, conforme o instrumento original.

 

Metodologia

A metodologia escolhida para a adaptação da IES seguiu quatro etapas, conforme proposto por Herdman et al.32: tradução, retrotradução, análise da equivalência semântica e posterior aplicação experimental.

Participaram das etapas iniciais quatro profissionais independentes, todos bilíngues, com pós-graduação em psiquiatria e saúde mental e sem conhecimento prévio do instrumento a ser traduzido. A participação de profissionais especialistas permitiu uma boa adequação das traduções e retrotraduções ao construto mensurado mesmo nas fases iniciais do processo.

Os dois primeiros profissionais foram convidados a realizar as traduções (T1 e T2) dos itens originais. Essas traduções foram, então, encaminhadas aos dois outros profissionais para a elaboração das retrotraduções (R1 e R2).

Todos os tradutores receberam a recomendação de privilegiar a adequação semântica das frases recebidas em detrimento de uma tradução literal22. Não houve qualquer contato entre os quatro profissionais durante o processo.

As quatro formulações produzidas (T1, T2, R1 e R2) foram analisadas por um outro profissional, também bilíngue e especialista em psiquiatria e saúde mental, para a composição da versão sintética. Nesse momento, mais uma vez, a participação de um profissional com amplo conhecimento técnico permitiu uma boa adequação da formulação dos itens ao construto mensurado.

Para cada um dos 15 itens, as retrotraduções foram comparadas com os itens originais, verificando-se se o sentido do texto era preservado. Posteriormente, foi estudada a relação das duas traduções com suas correspondentes retrotraduções, assim como com os itens originais.

Em alguns itens, a versão sintética foi definida integralmente por uma das traduções fornecidas; em outros casos, foi construída a partir da combinação das propostas apresentadas pelos dois tradutores. Alterações foram realizadas pelo especialista em saúde mental sempre que necessário, considerando o vocabulário técnico específico da área para uma melhor adequação das formulações.

Após serem estabelecidos os itens da versão sintética, estava configurada a versão preliminar do instrumento. Foi realizada, então, a aplicação experimental dessa escala, em diferentes extratos da população-alvo, buscando-se identificar potenciais pontos de dificuldade de entendimento ou outros problemas, garantindo a não interferência de fatores não relacionados ao construto que se deseja medir na determinação das respostas emitidas33.

A seleção dos participantes da aplicação experimental considerou o questionamento encontrado na literatura quanto à efetividade de instrumentos que tiveram seus parâmetros psicométricos avaliados com populações clínicas para rastreamento populacional34. Buscando-se evitar esse problema, adotou-se como procedimento uma triagem dos sujeitos voluntários para aplicações experimentais, sendo considerada a presença de transtorno mental um critério de exclusão para participação. Assim, todos os voluntários foram submetidos a entrevista e à aplicação do Mini International Neuropsychiatric Interview35 (MINI) versão 5.0.0, para que fosse verificada a presença ou não de transtornos mentais. Três sujeitos foram excluídos nessa etapa.

Quarenta e três participantes compuseram o grupo final, todos adultos, de ambos os sexos e com diferentes níveis de escolaridade, assim distribuídos: nível fundamental, seis participantes do sexo masculino e cinco do feminino (total de 11); nível médio, quatro do sexo masculino e seis do feminino (total de 10); nível superior, 10 participantes do sexo masculino e 12 do feminino (total de 22).

A aplicação experimental teve início com os participantes respondendo o instrumento em sua versão preliminar, decorrente da elaboração da versão sintética dos itens. A administração da escala foi em grupo, em modo autoaplicável, sem limite de tempo. Subsequentemente, as escalas respondidas foram analisadas, verificando-se eventuais omissões de respostas. Os itens com omissões foram identificados para a posterior investigação de possíveis dificuldades quanto ao entendimento da questão.

Uma vez concluída a aplicação experimental, os participantes foram questionados quanto ao entendimento que tiveram de cada um dos itens, buscando-se assegurar que o sentido dos mesmos foi bem compreendido. Confusões, quando detectadas, foram registradas para a posterior busca de uma solução. Além disso, os voluntários foram convidados a oferecer sugestões que pudessem tornar os itens mais claros e facilitar sua compreensão, além de considerações sobre como melhorar a escala.

Todos os dados foram registrados e, a partir deles, foram realizadas modificações na versão sintética do instrumento, visando solucionar os problemas detectados ao longo do processo, tenham sido eles gerados por dificuldades de entendimento das frases ou mesmo por confusões na compreensão do sentido dos itens.

Visando obter uma maior garantia da adequação do instrumento, realizou-se nova aplicação, já com a versão final, a um grupo de cinco respondentes, buscando-se verificar se ainda restava qualquer confusão ou dificuldade. Não foram encontrados problemas nessa última aplicação.

Finalizando o processo, a versão final em português brasileiro da IES foi enviada ao autor do instrumento original para verificação, tendo sido aprovada.

 

Resultados

Construção da versão sintética

A Tabela 1 apresenta todo o processo realizado: os itens conforme formulados no instrumento original, as traduções da língua-fonte (inglês) para a língua-alvo (português brasileiro) realizadas por profissionais independentes (T1 e T2), as retrotraduções das formulações propostas (R1 e R2) e a versão sintética.

Para a elaboração dessa versão sintética, alguns itens foram compostos pela combinação das traduções fornecidas por T1 e T2, enquanto outros privilegiaram uma das traduções. Ocorreram também casos em que foi realizada ligeira alteração no item formulado, além do sugerido pelos tradutores, de forma a manter a pertinência do item adaptado ao construto mensurado pela escala.

Os itens 6 e 13 tiveram traduções praticamente idênticas realizadas pelos tradutores e retrotraduções bem ajustadas às formulações do original, além de semelhantes entre si. Não se mostrou, desse modo, necessário alterar o proposto pelos tradutores.

Os itens 1, 2 e 4 foram delineados a partir da combinação das propostas de T1 e T2; os itens 5, 8, 9 e 10 seguiram o proposto por T1; finalmente, nos itens 3, 7, 11, 12, 14 e 15, a versão de T2 prevaleceu, embora em muitos desses últimos casos a diferença entre T1 e T2 tenha sido bastante sutil, apenas em relação ao acréscimo de uma palavra.

Um exemplo de sutil diferença foi encontrado logo no primeiro item, quando T1 forneceu "Eu pensei sobre isso quando não tinha intenção" e T2 sugeriu "Pensei nisso quando não pretendia". Ambas as versões estariam corretas, considerando a manutenção do sentido na língua-alvo, mas optamos por manter a mais próxima do original, que utilizava "about it".

No item 2, optamos por "ficar chateado" para a expressão "get upset", conforme sugerido por T2, porém preservando o "me deixar" fornecido por T1, desse modo mantendo a sentença resultante mais fiel ao original.

Entre "remover" e "tirar", possibilidades de palavras substitutivas para o original "remove" no item 3, decidimos manter a tradução mais literal, já que não há diferença significativa de sentido entre ambas as opções na língua-alvo.

Para a expressão "falling asleep" usada no item 4, T1 forneceu "cair no sono", expressão bastante utilizada no português brasileiro coloquial, enquanto T2 optou pela versão "adormecer". Com a intenção de preservar a elegância do instrumento para camadas mais elevadas em termos de escolaridade e evitar o desinteresse desses respondentes, optamos pelo uso de "adormecer".

O termo "pictures", que, em uma tradução literal, seria "fotos", poderia ser traduzido como "imagens", "figuras", ou até "cenas", preservando-se o sentido desejado no original, não apenas no item 4, mas também no item 10. Em ambos os casos, foi adotado o termo "imagens", que pareceu mais apropriado considerando-se o uso comum pela população-alvo.

Foram elaboradas duas boas versões para o item 5, "I had waves of strong feelings about it". No entanto, entendemos que, ao construir a sentença utilizando a estrutura "ondas de fortes sentimentos", T1 a deixou mais clara do que na opção "fortes sentimentos em onda"; assim, a primeira opção foi adotada.

O item 6, assim como, posteriormente, os itens 9 e 13, não apresentaram qualquer dificuldade. Para o item 7, utilizamos "fiquei afastado" em detrimento de "fiquei longe" para "stayed away". O "poderia" utilizado por T2 foi suprimido devido ao distanciamento literal.

A retrotradução R2 ficou idêntica ao original no item 8, sendo a T2 apropriada. Contudo, consideramos que o termo "isso" acrescentado por T1 trouxe maior clareza ao enunciado na sua versão em português, sendo o mesmo mantido.A retrotradução R2 ficou idêntica ao original no item 8, sendo a T2 apropriada. Contudo, consideramos que o termo "isso" acrescentado por T1 trouxe maior clareza ao enunciado na sua versão em português, sendo o mesmo mantido.

O item 10 apresentou uma pequena dificuldade para a substituição da expressão "popped into my mind". A sugestão de T1 foi "dispararam em minha mente", e a de T2, "pulavam para minha mente". Apesar de a opção fornecida por T2 parecer mais apropriada, optou-se por "dispararam em" por uma questão de adequação ao vocabulário técnico utilizado na área do construto avaliado, a saber, o conceito de pensamentos intrusivos.

A frase "Other things kept making me think about it" representa o item 11 original. A retrotradução R2 mostrou boa equivalência à construção inicial; por esse motivo, além da pertinência da tradução apresentada, foi adotada a opção proposta por T2.

No item 12, em sua primeira parte, selecionamos o termo "consciente" (T2) em detrimento de "ciente" (T1) para substituir "aware". Na segunda parte da sentença, para representar "a lot of", selecionamos "montes de" em lugar de "muitos", por acreditar que a primeira opção estaria mais de acordo com o uso habitual da população à qual o instrumento se destina, apesar da maior informalidade.

O termo "reminder" foi substituído por "lembrete", conforme T2, e não "lembrança", como sugerido por T1, devido à sua maior adequação ao sentido do item 14 original.

Finalmente, no item "My feelings about it were kind of numb", a tarefa mais significativa seria encontrar a representação adequada para "kind of numb". O vocábulo "numb" poderia ser corretamente traduzido como "adormecido", "entorpecido", "estarrecido", "paralisado", entre outros. T1 optou por "entorpecido", e T2 por "adormecido". Nesse item, a influência do termo técnico da área foi levada em consideração; por esse motivo, a proposta de T1 foi selecionada. Apesar disso, consideramos importante manter o "meio" utilizado por T2, e portanto o "kind of numb" foi transformado em "meio entorpecido".

Aplicação experimental

Uma vez concluída a elaboração da versão sintética dos itens que formariam versão preliminar da IES, iniciou-se o processo de aplicação experimental do instrumento com a intenção de investigar a adequação dos itens à população-alvo.

Contou-se nessa etapa com a colaboração de participantes representativos de ambos os sexos e de diferentes níveis de escolaridade. Os voluntários foram avaliados com o MINI quanto à presença de transtornos psiquiátricos. Esse último procedimento excluiu três de 46 voluntários iniciais, sendo que 43 pessoas participaram efetivamente do estudo (Tabela 2).

Após responderem a IES mediante aplicação padronizada, os sujeitos foram convidados a participar de um debate relativo aos aspectos linguísticos do material utilizado. Não houve recusas nessa etapa.

A discussão ocorreu em duas fases. Primeiro, foi requisitado que o participante descrevesse com suas palavras como compreendia o enunciado contido na versão que lhe foi entregue do instrumento. Em seguida, foram solicitadas sugestões de palavras, expressões ou termos alternativos que pudessem melhorar o entendimento dos itens.

As aplicações foram realizadas, primeiro, com os participantes que possuíam escolaridade de nível fundamental; em seguida, o instrumento foi aplicado àqueles com nível médio de escolaridade; finalmente, a aplicação foi realizada com os sujeitos que possuíam nível superior (completo ou incompleto - no segundo caso, tendo realizado ao menos 50% do curso de graduação).

No primeiro grupo, foram observadas cinco omissões, realizadas por quatro participantes diferentes em dois itens. Foram eles os itens 11 e 15, sendo quatro omissões no item 15 e uma no item 10.

As omissões no item 15 foram justificadas pelos participantes pelo desconhecimento da palavra "entorpecido". Os outros três, quando solicitados a definir o que entendiam do enunciado, também demonstraram desconhecimento do termo, apesar de terem respondido a questão. Ainda, outro participante mencionou que "sabia por aproximação". Desse modo, ficou evidente a necessidade de substituição do termo, já que oito dos 11 respondentes tiveram dificuldades com ele.

A omissão no item 10 se deveu à dificuldade do participante em compreender claramente o que seriam "imagens disparando na mente". Outros dois participantes se pronunciaram, declarando que também haviam "achado estranho", mas que "imaginaram" o que deveria significar, optando por responder a questão.***

O item 1 também se mostrou um pouco confuso devido à palavra "pretendia" quando se solicitou que os sujeitos descrevessem como compreendiam o item. Essa dificuldade foi percebida por três participantes.

Não foram detectados outros problemas no entendimento das formulações. Quanto a comentários e sugestões, o grupo se limitou a comentar que considerava o item 3 um pouco "artificial", pois "ninguém falava assim". Pontuaram ainda que o item 11 "parecia um pouco estranho", mas não souberam esclarecer a causa.

No segundo grupo, notamos três omissões, todas no item 15, devido ao uso do vocábulo "entorpecido", desconhecido dos voluntários. Outros quatro participantes evidenciaram o mesmo desconhecimento ao explicar o que o item significava.

Apesar de não haver omissões no item 10, que apareceu como um problema no grupo anterior, dois participantes mostraram-se confusos ao tentar esclarecer o conceito da frase. No item 1, esse tipo de dificuldade se apresentou em apenas um sujeito. Um participante comentou que o item 11 estava um pouco confuso.

Quanto a sugestões, foram apontadas a substituição de "remover" para "tirar", no item 3, o que pareceu contar com a aprovação geral do grupo, e a modificação do item 6 para "sonhei com isso", o que, segundo eles, seria mais "natural". Não foram realizados outros comentários.

O terceiro grupo não apresentou omissões ou dificuldades no entendimento dos enunciados, exceto por dois participantes que relataram ter dúvidas quanto à palavra "entorpecido" no item 15. Os participantes comentaram que consideravam o instrumento fácil e sem dificuldades de entendimento. Esse foi o grupo que mais ofereceu sugestões de alterações e melhorias.

Quanto à palavra "entorpecido", foi sugerida sua substituição por "adormecido", "nublado" ou "anestesiado", sugestão essa aprovada pelos demais participantes, que mostraram preferência por "anestesiados". Foi sugerido também o termo "turvo", mas o grupo o considerou inadequado.

Foi questionada a possibilidade de modificar o "isso", que aparece praticamente em todos os itens, por algo como "situação" ou "acontecimento", porém não houve consenso entre os participantes quanto a esse ponto.

No item 3, os participantes declararam que a frase parecia "bem natural" para eles, e que modificar "remover" para "tirar" não alteraria seu entendimento. Os sujeitos ainda declararam que, para eles, "não faria diferença usar um ou outro".

Esse grupo também sugeriu alterar, no item 4, "que vinham à minha mente" para "que me vinham à mente", como forma de tornar o enunciado melhor e mais familiar. No item 7, alguns sugeriram modificar "fiquei afastado" para "fiquei longe"; quanto a isso, a maioria se mostrou indiferente.

Os participantes desse grupo mostraram certo desconforto com a expressão "um monte de", que aparece no item 12, referindo excesso de informalidade e sugerindo sua modificação para "muitos". Para o item 9, houve, ainda, a sugestão de alterar "sobre isso" para " nisso", o mesmo ocorrendo em relação ao item 13.

Questionados diretamente sobre possíveis substituições para o "disparam", apontado como problema anteriormente no item 10, os sujeitos desse grupo apresentaram como sugestões "pipocam", "invadem" e "surgem". No caso do item 11, colocaram "continuaram" como possibilidade de substituição para o vocábulo "permaneceram".

Uma vez concluída essa fase, foram registrados todos os itens que apresentaram problemas ou pontos de dificuldades, assim como as sugestões realizadas pelos três grupos de voluntários que colaboraram com a aplicação experimental. Com base nesses dados, foram realizados os ajustes necessários na primeira versão da IES para o português brasileiro.

Os itens 2, 5, 6, 7, 8, 9, 13 e 14 permaneceram semelhantes ao que foi proposto na primeira versão sintética do instrumento. Os itens 1, 3, 4, 10, 11, 12 e 15 sofreram alterações, buscando-se um melhor ajuste dos mesmos à população-alvo, porém sempre mantendo a fidelidade ao sentido proposto no original do instrumento.

No item 1, o termo "pretendia" foi modificado para "tinha intenção", de modo a evitar as dificuldades detectadas no primeiro grupo. O item 3 foi modificado para "tentei tirar isso da memória", não mais sendo utilizado o "remover"; no item 11, "permanecem" foi substituído por "continuam".

Essas modificações não comprometem o significado das frases, evitam possíveis confusões de entendimento em extratos mais baixos da população e contaram com a concordância dos sujeitos com mais anos de escolaridade.***

O item 4 foi modificado, em seu final, de "pensamentos que vinham à minha mente" para "pensamentos que surgiam em minha mente", também buscando evitar dificuldades para o correto entendimento da frase. "Um monte de" foi alterado para "muitos", no item 12, evitando deixar a escala deselegante, o que poderia comprometer a motivação dos respondentes de maior escolaridade.

O item 10, responsável pela omissão de resposta na aplicação experimental, teve "disparam em minha mente" modificado para "invadem minha mente". O uso de "invadem" foi sugerido pelo terceiro grupo de voluntários e, além disso, mostra-se de acordo com a ideia de "pensamentos intrusivos/invasivos", referente à área do construto mensurado.

A maior quantidade de problemas e dificuldades foi encontrada no item 15, devido ao desconhecimento da palavra "entorpecido". Foi realizada a substituição do vocábulo por "anestesiado", termo sugerido durante a aplicação e utilizado usualmente pela população-alvo para atribuir sentido equivalente ao termo usado no original em inglês, estando, desse modo, adequado.

Quanto à sugestão referente a modificar o "isso", que aparece em muitos itens, por "situação" ou "acontecimento", optou-se por não adotá-la, considerando a importância de manter o instrumento o mais semelhante possível ao original. Acrescentamos, ainda, o cuidado de manter o aspecto generalista do instrumento. 

Depois de realizadas todas as modificações necessárias, o instrumento foi reaplicado em um grupo de cinco voluntários, todos com nível de escolaridade fundamental, para verificar se ainda permaneciam pontos de dificuldade. Todos relataram completo entendimento dos itens, e não surgiram outras dúvidas. Ficou definida, então, a versão final da IES para o português brasileiro, com seus 15 itens adaptados semanticamente (Anexo).

 

Conclusão

Os instrumentos de medidas com bons parâmetros psicométricos, por serem de aplicação relativamente fácil e rápida e permitirem aferições seguras e confiáveis, mostram-se fundamentais como complemento ao trabalho dos profissionais de psiquiatria e saúde mental, tanto na clínica quanto na pesquisa.

Este estudo buscou traduzir e realizar a adaptação transcultural da IES, uma escala utilizada para a avaliação de estresse ligado a eventos da vida e amplamente descrita na literatura internacional, principalmente em estudos relacionados a estresse e situações traumáticas4.

A utilização da IES na população brasileira poderá permitir a comparação de dados apurados nessa realidade cultural com aqueles obtidos em diferentes regiões do globo e que refletem diferentes culturas. Essa comparação permitirá um melhor entendimento, também, da importância do elemento geográfico/cultural nos processos intrusivos e evitativos do estresse decorrente de eventos traumáticos.

Uma versão modificada da IES já é utilizada no país; no entanto, sua tradução e adaptação foi direcionada a eventos de queimaduras36, com uso conjunto com outro instrumento, o Burns Specific Pain Anxiety Scale (BSPAS)37,38, que avalia especificamente a ansiedade relacionada à dor em pacientes vítimas dessas queimaduras.

No presente trabalho, optamos por manter o instrumento o mais fiel possível ao texto original, preservando seu caráter generalista. Isso permite não apenas que ele seja utilizado em diferentes situações, como também que os dados obtidos por ele possam ser comparados com os de diversos estudos realizados em outros países que utilizaram o instrumento original ou adaptações.

A metodologia utilizada na tradução e adaptação semântica da IES para o português brasileiro contou com a participação de quatro tradutores, que geraram duas traduções e duas retrotraduções. Isso possibilitou uma ampla discussão quando da ocorrência de divergências entre as versões fornecidas, gerando boa adequação dos enunciados ao que foi proposto no instrumento original.

A participação de especialistas na área de saúde mental colaborou para a correta adaptação semântica, pois conhecimentos referentes ao construto avaliado facilitaram a realização de ajustes finos nos vocábulos e expressões escolhidos para representar os itens originais.

O último ajuste da versão sintética foi feito a partir dos dados colhidos na aplicação experimental, sendo que o instrumento adaptado deveria se apresentar inteligível para aqueles que possuíam nível de escolaridade fundamental, sem, no entanto, comprometer a motivação daqueles com mais anos de escolaridade.

Finalizados esses ajustes, o instrumento foi novamente testado experimentalmente, não sendo detectada nenhuma outra necessidade de modificação. Os itens em português brasileiro foram submetidos à avaliação do autor do instrumento original, tendo sido aprovados pelo mesmo. Definiu-se, assim, a versão final da IES para o português brasileiro. Sugerimos estudos posteriores para a avaliação da validade, fidedignidade e estabelecimento de normas para a versão brasileira.

 

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Correspondência:
Adriana Cardoso de Oliveira e Silva
Laboratório de Pânico e Respiração
Instituto de Psiquiatria, Universidade Federal do Rio de Janeiro
Rua Visconde de Pirajá, 407/702, Ipanema
CEP 22410-003, Rio de Janeiro, RJ, Brazil
E-mail: adrianacardosorj@yahoo.com.br

Recebido em 07/09/2009
Aceito em 02/06/2010

 

 

Não foram declarados conflitos de interesse associados à publicação deste artigo.
Suporte financeiro: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científi co e Tecnológico (CNPq).
Este estudo foi realizado no Laboratório de Pânico e Respiração, Instituto de Psiquiatria, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro, RJ, e no Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Translacional em Medicina.