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Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul

versão impressa ISSN 0101-8108

Rev. psiquiatr. Rio Gd. Sul vol.33 no.2 Porto Alegre  2011 Epub 29-Jul-2011

http://dx.doi.org/10.1590/S0101-81082011005000009 

ARTIGO ORIGINAL

 

Características demográficas e psicossociais associadas à depressão pós-parto em uma amostra de Belo Horizonte

 

Demographic and psychosocial characteristics associated with postpartum depression in a sample from Belo Horizonte

 

 

Patricia Gomes FigueiraI; Leandro Malloy DinizII; Humberto Correa da Silva FilhoII

I Mestre. Médica psiquiatra. Programa de Pós-Graduação em Neurociências, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Belo Horizonte, MG
II Doutor. Professor, Departamento de Saúde Mental, UFMG

Correspondência

 

 


RESUMO

INTRODUÇÃO: A depressão pós-parto (DPP) tem sido alvo de inúmeras investigações científicas devido à sua alta prevalência e gravidade e também por suas repercussões negativas na puérpera e na criança.
OBJETIVO:Comparar mulheres com e sem DPP em um grupo de puérperas selecionadas aleatoriamente a partir dos partos ocorridos em uma maternidade de Belo Horizonte (MG).
MÉTODOS: Selecionamos 245 mulheres que tiveram parto em uma maternidade de Belo Horizonte. Aplicamos uma entrevista semiestruturada para a obtenção de dados psicossociais e demográficos e uma entrevista estruturada (Mini Neuropsychiatric Interview, MINI-Plus) para o diagnóstico de depressão maior segundo critérios do Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, 4th edition (DSM-IV).
RESULTADOS:26,9% das mulheres tinham diagnóstico de DPP. Não encontramos diferenças entre as características sociodemográficas das mulheres com (n = 66, 26,9%) e sem diagnóstico de DPP (n = 179, 73,1%). Entretanto, diversas variáveis clínicas e psicossociais se mostraram significativamente diferentes entre os dois grupos, tais como história de depressão, vivência de estresse ou presença de sintomas depressivos ou ansiosos durante a gravidez, ocorrência de complicações maternas ou na criança no pós-parto e insuficiência de suporte nos cuidados pós-natais.
CONCLUSÃO: A identificação de fatores associados à DPP é importante para a compreensão de sua etiopatogenia e para o estabelecimento de estratégias de prevenção e tratamento precoce dessa grave doença.

Descritores: Depressão pós-parto, prevalência, fatores de risco.


ABSTRACT

INTRODUCTION: Postpartum depression has been the object of extensive research both because of its high prevalence and its repercussions on the mother and the infant.
OBJECTIVE:To compare women with and without depression in a sample of postpartum women randomly selected at a maternity in the city of Belo Horizonte, Brazil.
METHODS: A total of 245 women who gave birth at a private maternity hospital in Belo Horizonte were selected. A semi-structured interview was used for the collection of psychosocial and demographic data. Diagnosis of major depression was established using and a structured interview (Mini Neuropsychiatric Interview, MINI-Plus), based on criteria set forth in the Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, 4th edition (DSM-IV).
RESULTS: Of the total sample, 26.9% had a diagnosis of postpartum depression. No differences were observed in the social and demographic characteristics of depressed women (n = 66, 26,9%) and of those without depression (n = 179, 73,1%). Nevertheless, several clinical and psychosocial variables showed significant differences between the groups and were therefore associated with postpartum depression, namely previous history of depression, presence of stress or depressive/anxiety symptoms during pregnancy, postpartum complications affecting the mother or the infant, and lack of support and care in the postpartum period.
CONCLUSION: The identification of factors associated with postpartum depression is important for an improved understanding of the pathophysiology of this disease and for the establishment of strategies aimed at prevention and early diagnosis.

Keywords: Postpartum depression, prevalence, risk factors.


 

 

Introdução

A depressão pós-parto (DPP) é um transtorno psiquiátrico com várias repercussões negativas sobre a paciente, a criança e as relações familiares1. A DPP pode durar vários anos e está relacionada a aumento de risco de outros quadros depressivos recorrentes2. O impacto sobre a criança também é significativo, pois a doença limita a habilidade da mãe de responder à demanda envolvida nos cuidados e sua capacidade de engajamento positivo3 e contato emocional com o bebê4. Filhos de mães deprimidas podem apresentar dificuldades no desenvolvimento emocional e comportamental, bem como atraso no desenvolvimento cognitivo e no ganho ponderal1,4-6. Estudos de observação ‘mãe-bebê' mostram que recém-nascidos de mães com DPP exibem menos expressões faciais positivas e mais expressões faciais negativas, mais comportamento de protesto, mais irritabilidade, menos vocalizações e menor atividade física1. Tais prejuízos persistem, com vários estudos evidenciando pior desenvolvimento cognitivo e mais dificuldades emocionais em crianças de 12 a 21 meses cujas mães apresentaram DPP7,8.

Os dados relativos à prevalência da DPP são discrepantes. No Brasil, foi encontrada uma prevalência de 12% no Rio de Janeiro9, 13,4% em Brasília10, 20,7% em Porto Alegre11, 26.9% em Belo Horizonte12 e 7,2% em Recife13. Uma revisão da literatura incluindo 143 estudos encontrou prevalências variando de 0 a 60%14; já uma metanálise que incluiu 59 estudos realizados em todo o mundo observou uma prevalência média de 13%15.

Do ponto de vista etiológico, coexistem dois modelos explicativos, provavelmente complementares. Um modelo biológico, que sustenta a existência de uma vulnerabilidade hormonal16 e/ou genética17, e um modelo psicossocial, que postula que as transformações na vida da mulher após o parto contribuiriam para o desencadeamento da depressão18. Alguns estudos, incluindo um realizado no Brasil13, procuraram identificar características ou fatores de risco associados à DPP. Dentre esses fatores de risco, os principais encontrados foram: ser solteira, história de síndrome pré-menstrual, ocorrência de disforia no pós-parto, sintomas depressivos e ansiosos durante a gravidez, história de depressão, eventos de vida estressantes durante a gravidez, complicações médicas no pós-parto e ausência de suporte social18,19.

O diagnóstico precoce da DPP e uma intervenção terapêutica adequada poderiam diminuir os prejuízos sobre a mãe e os efeitos negativos de longo prazo da DPP sobre a criança e a família8. Infelizmente, apesar da gravidade das manifestações, somente uma minoria das pacientes acometidas por DPP recebe tratamento adequado12.

No presente estudo, objetivamos comparar mulheres com e sem DPP dentre puérperas selecionadas aleatoriamente a partir dos partos ocorridos em uma maternidade de Belo Horizonte (MG). Utilizamos uma entrevista diagnóstica estruturada para o diagnóstico e uma entrevista semiestruturada para investigar características sociodemográficas, clínicas e psicossociais que estudos prévios mostraram como potencialmente associadas à DPP. Os resultados coletados foram comparados aos dados descritos na literatura.

 

Material e métodos

Foram incluídas neste estudo 245 mulheres selecionadas aleatoriamente no período de agosto de 2005 a dezembro de 2006 na Maternidade Santa Fé, uma instituição de saúde privada de Belo Horizonte (MG). Uma descrição mais detalhada da amostra e do processo de seleção pode ser encontrada em estudo prévio dos autores12. A inclusão se deu após uma explicação sobre o estudo e a assinatura de um termo de consentimento livre e esclarecido. O projeto foi aprovado pela Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais (processo nº 227/05).

Cada participante recebeu uma visita domiciliar entre 40 e 90 dias após o parto (média de 58,2±9,5 dias), na qual foi realizada uma entrevista semiestruturada, elaborada pelos autores, para obter dados psicossociais, clínicos e sociodemográficos sobre a mãe e a criança. Os seguintes dados foram investigados: idade, dias transcorridos após o parto, peso e altura(s) da(s) criança(s) no nascimento e após 1 mês (avaliados pelo boletim de parto e dados da consulta com o pediatra no primeiro mês de vida), situação conjugal, número de gestações e de partos, atividade laboral, histórico de depressão, quadro depressivo em pós-parto anterior, história familiar de doença psiquiátrica, ocorrência de complicações obstétricas, de evento estressante e de sintomas depressivos e/ou ansiosos durante a gravidez, complicações no pós-parto em relação à paciente ou à criança, suporte social no pós-parto (ajuda nos cuidados da criança), dificuldade financeira, estresse no cuidado da criança, passado de sintomas depressivos e/ou ansiosos no período pré-menstrual. Nessa visita, aplicamos também uma entrevista diagnóstica estruturada, a Mini Neuropsychiatric Interview (MINI-Plus)20, para a identificação de pacientes com diagnóstico de depressão maior.

O teste do qui-quadrado foi usado para comparar a frequência das variáveis categoriais, e o teste t de Student foi usado para comparar variáveis contínuas. Os resultados foram considerados significativos quando p ≤ 0.05.

 

Resultados

Das 245 puérperas, 66 mulheres (26,9%) apresentaram diagnóstico de depressão maior segundo critérios do Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, 4th edition (DSM-IV), sendo incluídas no grupo de portadoras de DPP; as demais 179 mulheres (73,1%) não tiveram o diagnóstico de depressão estabelecido pelo MINI-Plus, sendo, portanto, incluídas no grupo de não portadoras de DPP.

Na Tabela 1, é possível observar que os dados sociodemográficos foram estatisticamente semelhantes entre as mulheres que receberam diagnóstico de DPP e aquelas que não receberam esse diagnóstico.

Também não observamos diferenças estatisticamente significativas no peso e altura das crianças, tanto ao nascimento quanto após 1 mês de vida, entre os grupos de mulheres com e sem DPP.

Dentre as características clínicas, história familiar de doença psiquiátrica (x2 = 4,11, p = 0,13) e histórico de DPP (x2 = 3,76, p = 0,08) não mostraram diferença estatisticamente significativa entre as mulheres com e sem diagnóstico de DPP.

A Tabela 2 mostra os dados para os quais foram observadas diferenças estatisticamente significativas entre as mulheres com e sem diagnóstico de DPP.

 

Discussão

Em nosso estudo, observamos similaridade nos dados demográficos e de peso e altura dos recém-nascidos de mulheres com e sem DPP, porém encontramos diferenças significativas em várias variáveis clínicas e psicossociais.

Assim como em outros estudos18, não encontramos associação estatisticamente significativa entre as variáveis sociodemográficas (média de idade, estado civil, nível educacional, número de gestações e de partos e trabalho ou não fora de casa) e a presença ou ausência de DPP.

Apesar de alguns estudos mostrarem um aumento no risco de DPP entre mulheres solteiras21, outros, como este, não confirmam essa relação15,18,22,23. Da mesma forma, alguns estudos mostraram associações entre primeira gravidez e DPP21, o que não foi evidenciado neste estudo e em outros15,24. Também não observamos diferenças em relação à situação laborativa das mães. Conforme descrito na literatura, observamos que a presença de dificuldades financeiras têm uma relação mais direta com o risco de desenvolver DPP do que trabalhar ou não fora de casa15.

Inúmeros outros fatores foram, entretanto, associados ao diagnóstico de DPP em nossa amostra: história de quadro depressivo, presença de complicações obstétricas durante a gravidez, vivência de estresse na gravidez, presença de sintomas depressivos e/ou ansiosos durante a gravidez, ocorrência de complicações no pós-parto, ausência de suporte social no pós-parto, dificuldades financeiras e/ou estresse no cuidado da criança no pós-parto, história de sintomas depressivos ou ansiosos no período pré-menstrual e presença de sintomas depressivos no pós-parto.

Alguns autores afirmam que o principal fator de risco para a DPP é a susceptibilidade individual à doença25, o que pode ser inferido pela história de quadro depressivo em nossa amostra. Neste estudo, replicamos os dados da literatura, pois mostramos que significativamente mais mulheres com DPP tinham história de depressão quando comparadas com mulheres sem DPP. A presença de sintomas depressivos durante a gravidez também tem sido considerada um fator de risco para a DPP21, o que confirmamos neste estudo ao demonstrar diferença estatisticamente significativa para essa variável entre as mulheres com e sem DPP. Também pudemos observar maior frequência na presença de sintomas ansiosos durante a gravidez nas mulheres com DPP, conforme descrito na literatura26.

Com relação ao impacto de complicações obstétricas na DPP, alguns estudos mostraram risco aumentado para a doença em mulheres que tiveram mais complicações obstétricas21,27. Neste estudo, de fato, houve diferença significativa na presença de complicações obstétricas durante a gravidez entre mulheres com e sem DPP.

A associação entre eventos estressantes e transtornos do humor descrita na literatura28 também foi testada. Encontramos, no grupo de pacientes com DPP, o relato da presença de evento estressor em pelo menos uma das esferas pesquisadas em 39,4% das mulheres, e em dois ou mais aspectos em 40,9%. No grupo de pacientes sem DPP, 39,1% das mulheres relataram ausência de evento estressor na gravidez, e 39,1% relataram presença de evento estressor em pelo menos um dos aspectos pesquisados. As diferenças foram estatisticamente significativas, confirmando a associação entre eventos de vida estressante na gravidez e o aparecimento de DPP. Alguns autores hipotetizam se o parto seria um estressor por si só, e se mulheres vulneráveis à depressão se tornariam deprimidas nesse período, principalmente quando esse estresse é potencializado pela presença de outro evento de vida estressante29.

A presença de complicações no pós-parto, seja em relação à saúde da mãe, seja em relação à saúde da criança, também aumenta o nível de estresse nesse período29. Nosso estudo confirmou essa associação, sendo que 39,4% das mulheres com DPP e 25,1% daquelas sem DPP relataram presença de complicações no pós-parto.

A vivência de estresse em relação aos cuidados da criança também foi relacionada ao aumento do risco de DPP23. Observamos diferença significativa entre as mulheres com e sem DPP em relação à percepção de pelo menos um tipo de estresse nos cuidados da criança. A questão que se coloca é de se a própria percepção subjetiva da paciente no que diz respeito à presença de dificuldades em relação a algum aspecto do cuidado da criança não seria já uma consequência do seu estado depressivo, em vez de um fator causal.

Outra questão estudada foi o suporte social no pós-parto. No grupo de pacientes com DPP, 28,8% das mulheres negaram presença de suporte social no pós-parto; já no grupo sem DPP, apenas 9,5% das pacientes fizeram esse relato. A diferença entre os grupos foi estatisticamente significativa, confirmando os dados descritos na literatura, de que a ajuda e o apoio emocional nos cuidados pós-natais são fatores protetores em relação à DPP25. A adaptação ao papel de mãe e à demanda da criança exige habilidades que seriam facilitadas pela presença de ajuda nos cuidados, diminuindo sentimentos de medo e insegurança, e também de culpa e incapacidade.

Alguns estudos tentaram esclarecer a relação entre história de síndrome pré-menstrual e ocorrência de DPP19,24. Neste estudo, não utilizamos escala específica para a pesquisa de síndrome pré-menstrual, porém foi questionada a presença de sintomas depressivos ou ansiosos no período pré-menstrual. No grupo de pacientes com DPP, 72,7% das mulheres reportaram história de sintomas depressivos ou ansiosos no período pré-menstrual, comparado com 51,9% no grupo de pacientes sem DPP, sendo a diferença estatisticamente significativa.

Da mesma forma, não usamos escala específica para a pesquisa de disforia do pós-parto, porém houve questionamento sobre a presença de sintomas depressivos na primeira semana pós-parto que tenham desaparecido em até 10 dias. Apesar de não ser possível caracterizar tais sintomas como um quadro nosológico, encontramos uma alta prevalência de retornos positivos para esse questionamento, principalmente no grupo de mulheres que apresentaram DPP, sugerindo uma relação entre esses sintomas no pós-parto imediato e o aparecimento da doença.

Em relação à história familiar de doença psiquiátrica, não houve diferença estatisticamente significativa entre o grupo de pacientes com e sem DPP. Tendo em vista que não foi aplicado um questionário apropriado para o estudo desse fator, há uma limitação na interpretação desse resultado. Estudo prévio realizado por O'Hara et al.29, porém, também não encontrou associação entre história familiar de depressão e DPP.

História de DPP foi confirmada 12,1% das mulheres no grupo de pacientes com DPP e em 5% das mulheres no grupo sem DPP. Essa diferença não foi estatisticamente significativa, o que corrobora o estudo feito por Cooper et al.30, que sugeriu que a presença de DPP por si só não é considerada um fator de risco para outros episódios de DPP futuros.

 

Conclusão

A alta prevalência de DPP e suas possíveis consequências para a paciente e para a criança reforçam a importância de seu estudo. A etiopatologia da doença não foi ainda bem definida e provavelmente envolve fatores biopsicossociais. Assim, o estabelecimento de possíveis fatores de risco contribui para uma melhor compreensão da doença e para a elaboração de estratégias de prevenção e diagnóstico precoce.

Em nosso estudo, as seguintes variáveis foram identificadas como possíveis fatores de risco para DPP: história de quadro depressivo, presença de complicações obstétricas durante a gravidez, vivência de situação de estresse na gravidez, presença de sintomas depressivos ou ansiosos durante a gravidez, ocorrência de complicações no pós-parto, ausência de suporte social no pós-parto, presença de dificuldades financeiras no pós-parto, presença de estresse no cuidado da criança no pós-parto, história de sintomas depressivos e ansiosos no período pré-menstrual, presença de sintomas depressivos no pós-parto. Esses achados sugerem que a etiopatogenia da doença envolve diversos fatores, entre eles uma vulnerabilidade individual a quadros depressivos e uma maior vulnerabilidade ao estresse relacionado à gravidez e ao pós-parto.

 

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Correspondência:
Patricia Gomes Figueira, Rua Gustavo Pena, 44/504, Horto
CEP 31015-060, Belo Horizonte, MG, Brasil.
Tel.: (31) 3482.8003.
E-mail: patriciagfigueira@gmail.com

Recebido em 06/07/2010
Aceito em 13/07/2010

 

 

Suporte financeiro: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Não foram declarados conflitos de interesse associados à publicação deste artigo.