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Revista Brasileira de Zoologia

versão impressa ISSN 0101-8175

Rev. Bras. Zool. v.20 n.4 Curitiba dez. 2003

http://dx.doi.org/10.1590/S0101-81752003000400036 

COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA

 

Desenvolvimento de um banco de dados para a informatização da Coleção Helmintológica do Instituto Oswaldo Cruz (CHIOC)

 

Development of an electronic database access to the Helminthological Collection of the Oswaldo Cruz Institute (CHIOC)

 

 

Dely NoronhaI,III,1; Ademir FrissoII; Fabrício Brauns MattosII

ILaboratório de Helmintos Parasitos de Vertebrados, Departamento de Helmintologia, Instituto Oswaldo Cruz. Avenida Brasil 4365, 21045-900 Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil
IIBosistas PAP'S 2000-2001
IIICuradora da CHIOC

 

 


ABSTRACT

An electronic database was developed for the proper and easy access to the samples deposited in the Helminthological Collection of the Oswaldo Cruz Institute (CHIOC) considering its great biodiversity and the permanent demands for scientific support from Brazilian and foreign research institutions, on what concerns to the loan and inclusion of either type or voucher specimens in the CHIOC, that is the largest helminth collection in South America.

Key words: Helminths, collections, South America.


 

 

A Coleção Helmintológica do Instituto Oswaldo Cruz (CHIOC), a mais importante do gênero na América do Sul ( LICHTENFELS & PRITCHARD 1982), foi estabelecida em 1907 pelos Drs José Gomes de Faria e Lauro Pereira Travassos e o primeiro depósito se refere à amostra de Taeniarhynchus saginatus (Goeze, 1872) Weinland, 1858 ( = Taenia saginata), coletada de um paciente por Faria.

A primeira necropsia datada é de 1908 e diz respeito ao nematóide parasito de cavalos, Setaria equina (Abildegaard, 1798) Railliet & Henry, 1911, coletado e identificado por Gomes de Faria. Os dados referentes às necropsias foram transferidos dos cadernos de anotações originais da CHIOC e também são baseados em informações fornecidas pelos pesquisadores de outras instituições nacionais e estrangeiras que fazem da CHIOC, o local de escolha para o depósito de material helmintológico.

Assim, a quantidade de material depositado vem aumentando e alcança, no momento, o montante de cerca de 40.000 amostras. Apesar da informatização, ainda mantemos a rotina de catalogação de fichas físicas de acordo com: (a) ordem numérica de entrada, (b) classificação sistemática dos helmintos, (c) classificação sistemática dos hospedeiros e (d) ordem alfabética dos helmintos, o que faz com que o número das fichas originais seja triplicado.

A manipulação constante tem causado danos permanentes aos fichários originais; além disso, como as primeiras fichas foram incluídas há quase 100 anos, ficaram, durante este tempo, submetidas à acidificação, tornando-se friáveis e quebradiças. Na continuidade deste processo, o acervo original de fichas estaria, em breve, indisponível. Desta forma, foi necessário desenvolver o banco de dados eletrônico para conter as informações incluídas em cada ficha de modo a preservar seu valor histórico além de permitir o imediato acesso às amostras depositadas e as informações a elas relacionadas.

Além disso, as fichas eletrônicas, apesar de terem como origem as fichas físicas, contém outros dados que facilitam a busca das espécies de helmintos depositados, seus hospedeiros, distribuição geográfica, sua disponibilidade para empréstimo, sua nominação (holótipos, parátipos, "vouchers"). Este tipo de acesso estará disponível ao público em uma "home page" da CHIOC a partir de 2005.

Paralelamente, um outro aplicativo foi desenvolvido a fim de viabilizar as informações dentro da própria CHIOC, sobre os meios de conservação do material, quer seja em meio líquido ou sob a forma de preparações definitivas.

Atualmente, 70% do acervo da CHIOC estão informatizados, no que diz respeito ao conteúdo original de cada ficha física. Entretanto, vimos atualizando a posição sistemática dos helmintos e hospedeiros, tendo em vista que a taxonomia e sistemática são dinâmicas o bastante para justificar alterações periódicas.

Os procedimentos adotados quanto ao intercâmbio, entre a CHIOC e a comunidade científica, são aplicados de acordo com a demanda. No caso de depósitos é necessário o contato prévio com a curadoria, através de carta ou mensagem eletrônica para dnoronha@ioc.fiocruz.br ou lmuniz@ioc.fiocruz.br, endereços da curadoria e curadoria substituta respectivamente, informando o volume de amostras/espécie a ser depositado.

Após, e de acordo com a disponibilidade de incorporação das amostras e o aval do curador, o material deve ser enviado acompanhado de carta formal solicitando o depósito e contendo as seguintes informações: família e espécie do helminto, família e espécie do hospedeiro, sítio de infecção, proveniência (município, estado, país), meio de preservação, número e data da coleta, nome do coletor, número original da necropsia, data da determinação e autor, data da montagem definitiva, quando for o caso, e nome do responsável. Informações adicionais dizem respeito à categoria dos exemplares, sejam holótipos, parátipos ou "vouchers". O número máximo de lâminas permitido para depósito é o de 10 (dez) preparações/espécie de helminto, mesmo quando os exemplares de uma espécie forem coletados em diferentes hospedeiros; tal exigência está relacionada ao espaço físico disponível para depósitos.

Quanto aos exemplares preservados em meio líquido, o número de frascos é o mesmo do considerado para as lâminas, embora o número de exemplares/frasco seja aleatório.

No caso de empréstimos, a solicitação deve ser feita ao curador, com a indicação do número sob o qual o helminto está depositado na CHIOC. Na falta desta informação, citar nominalmente a espécie a ser solicitada, pois, às vezes, o número de depósito é omitido nas publicações originais.

 

REFERENCE

LICHTENFELS, J.R. & M.H. PRITCHARD. 1982. A guide to the parasite collections of the world. Lawrence, American Society of Parasitologists, 79p.        [ Links ]

 

 

Recebido em 25.IV.2003; aceito em 20.X.2003.

 

 

1 Autora correspondente. E-mail: dnoronha@ioc.fiocruz.br