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Revista Brasileira de Zoologia

Print version ISSN 0101-8175

Rev. Bras. Zool. vol.21 no.3 Curitiba Sept. 2004

http://dx.doi.org/10.1590/S0101-81752004000300006 

O valor de Mabea fistulifera Mart. (Euphorbiaceae), planta nativa do Brasil, como reservatório para o predador Euseius citrifolius Denmark & Muma (Acari, Phytoseiidae)1

 

The value of Mabea fistulifera Mart. (Euphorbiaceae), indigenous plant from Brazil, as reservoir for the predator Euseius citrifolius Denmark & Muma (Acari, Phytoseiidae)

 

 

Rodrigo Damasco DaudI, II; Reinaldo José Fazzio FeresII

IPrograma de Pós Graduação em Biologia Animal, Bolsista da CAPES
IIDepartamento de Zoologia e Botânica, Universidade Estadual Paulista. Rua Cristóvão Colombo 2265, 15054-000 São José do Rio Preto, São Paulo, Brasil. E-mail: rodrigodaud@yahoo.com.br, reinaldo@dzb.ibilce.unesp.br

 

 


RESUMO

No presente trabalho foi estudada a utilização do pólen de Mabea fistulifera Mart. como alimento para Euseius citrifolius Denmark & Muma, 1970. O experimento foi conduzido em BOD a 25 ± 1°C, 60 ± 10% UR e 12 h de fotofase. Pólen de Typha angustifolia L. e Ricinus communis L. foram utilizados para comparação, por serem considerados alimentos favoráveis para manutenção dessa espécie. Cada alimento foi avaliado em três períodos de estocagem a 10ºC: recém coletados a 11 dias (Pólen I); de 15 a 26 dias (Pólen II) e de 30 a 41 dias (Pólen III). A eficiência de cada alimento foi baseada na taxa média de oviposição de 11 dias consecutivos. Para cada tratamento foram utilizadas cinco fêmeas sobre uma arena feita com folha de limoeiro, sendo replicado 10 vezes. As taxas média de oviposição de cada tratamento foram comparadas através da ANOVA, complementada com o teste de Bonferroni. O índice de correlação de Pearson foi utilizado para relacionar a taxa de oviposição com o período de estocagem. Houve diferenças significativas entre alguns tratamentos (F = 4,78, df = 89, p < 0,0001): fêmeas alimentadas com pólen III de M. fistulifera apresentaram maiores taxas de oviposição do que aquelas alimentadas com seu pólen I e III de R. communis. Ácaros alimentados com pólen II de T. angustifolia apresentaram maiores taxas de oviposição do que os alimentados com pólen III de R. communis. Fêmeas alimentadas apenas com pólen de R. communis apresentaram correlação negativa entre a taxa de oviposição e período de estocagem do pólen. Os resultados mostraram que fêmeas de E. citrifolius utilizaram pólen de M. fistulifera como alimento, sendo seu valor nutritivo comparável com o de T. angustifolia. Além disso, apresentou grande durabilidade quando armazenado a 10°C.

Palavras chave: Ácaros predadores, criação, pólen, taxa de oviposição.


ABSTRACT

In this paper, pollen of Mabea fistulifera Mart. was evaluated as food for Euseius citrifolius Denmark & Muma, 1970. The mites were kept in a rearing chamber at 25 ± 1°C, 60 ± 10% UR e 12 h of photophase. Pollen of Typha angustifolia L. and Ricinus communis L. were used for comparison, because of their known suitability to this predator. The suitability of those three types of pollen was evaluated when they were stored for different periods at 10ºC: newly collected to 11 days old (Pollen I); from 15 to 26 days old (Pollen II) and from 30 to 41 days old (Pollen III). The suitability of each kind of food was determined based on the oviposition rate at 11 consecutive days. Each experimental plot consisted of five females in an arena made of lemon leaf; treatments were replicated 10 times. Oviposition rate for treatments were compared using ANOVA, and Bonferroni's test. Pearson's correlation index was used to compare oviposition rates at different periods of store of pollen. There were significant differences (F = 4.78; df = 89, p < 0.0001) between some treatments: mites fed pollen III of M. fistulifera had higher oviposition than those fed Pollen I and R. communis Pollen III. Mites fed Pollen II of T. angustifolia had higher oviposition rates than those fed pollen III of R. communis. Only females fed pollen of R. communis had negative correlation between oviposition rates and the periods of storage of pollen. The results showed that M. fistulifera pollen is used by E. citrifolius as food and comparable with pollen from T. angustifolia, futhermore, showed great durability when storage at 10ºC.

Key words: Oviposition rate, predaceous mites, rearing, storaged pollen.


 

 

É bem reconhecido o potencial de espécies de Phytoseiidae como predadores de ácaros fitófagos (MORAES 2002). Entretanto, muitas espécies de fitoseídeos podem utilizar o pólen de diversas plantas como fonte alternativa de alimento ou como alimento preferido. Dentre elas, destacam-se as do gênero Euseius Wainstein, 1962, que aparentemente preferem o pólen às presas (MCMURTRY & CROFT 1997). Pesquisadores estudaram o uso do pólen de diversas plantas por várias espécies pertencentes ao gênero Euseius (KOSTIAINEN & HOY 1996, GRAFTON-CARDWELL et al. 1999, BROUFAS & KOVEOS 2000). Assim sendo, o pólen pode ser usado para criação desses ácaros em condições controladas. Por outro lado, as plantas produtoras podem servir como reservatório no período de floração, mantendo esses ácaros no ambiente e promovendo seu aumento populacional.

Mabea fistulifera Mart. (Euphorbiaceae) é uma planta nativa, amplamente encontrada no Cerrado e em áreas de transição para Mata Estacional Semidecidual. Ocorre nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo (LORENZI 2000). É normalmente encontrada agregada em bordas de mata e em locais com impacto antrópico acentuado. Sua presença é muito comum na região noroeste do estado de São Paulo. A floração desta planta ocorre de fevereiro a junho, atingindo o pico entre abril e maio (LORENZI 2000), que corresponde ao início da estação seca na região; por ocorrer durante o período de escassez de alimento, muitos animais utilizam seu pólen e néctar, produzidos em abundância, como fonte alternativa de alimento. Dentre esses animais encontram-se espécies de macacos (ASSUMPÇÃO 1981, FERRARI & STRIER 1992, PASSOS & KIM 1999), morcegos (VIEIRA & CARVALHO-OKANO 1996), gambás (VIEIRA et al. 1991), aves (VIEIRA et al. 1992, OLMOS & BOULHOSA 2000) e insetos (VIEIRA & CARVALHO-OKANO 1996).

FERES & MORAES (1998) registraram a fauna de Phytoseiidae em plantas nativas da região noroeste do Estado de São Paulo, observando a maior diversidade em M. fistulifera e Euseius citrifolius Denmark & Muma, 1970 como sendo a espécie mais freqüente e abundante. R.D. Daud & R.J.F. Feres (dados não publicados) evidenciaram aumento da população de E. citrifolius durante o período de floração de M. fistulifera e sugeriram que seu pólen pode estar sendo consumido por esses predadores. Avaliou-se nesse estudo, o uso do pólen de M. fistulifera, Typha angustifolia L. (Typhaceae) e de Ricinus communis L. (Euphorbiaceae) por E. citrifolius, investigando a sua influência na reprodução e ciclo vital, bem como o tempo de estocagem no qual o alimento é mantido adequado à utilização pelo ácaro. Estes resultados, aliados às observações de campo, permitem discutir o valor de M. fistulifera como reservatório para este ácaro predador.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Os espécimes de E. citrifolius utilizados neste experimento foram obtidos de colônias mantidas em câmara climatizada do tipo BOD a 25 ± 1°C, 60 ± 10% UR e 12 h de fotofase. Essas colônias haviam sido iniciadas com ácaros coletados cerca de quatro meses antes do início do trabalho, sobre folhas de goiabeira Psidium guajava L. (Myrtaceae), no Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas, UNESP (20°47'10"S, 49°21' 68"W) e de M. fistulifera no Bosque Municipal (20°46'78"S, 49°21'23"W), São José do Rio Preto, São Paulo. As colônias foram mantidas sobre placas de Paviflex® (10 x 15 cm) colocadas sobre espuma de náilon de 2 cm de espessura, mantida úmida com água destilada. As bordas de cada placa foram cobertas com tiras de algodão hidrofílico umedecido, para evitar a fuga dos ácaros. Uma fina camada de algodão foi colocada sob uma lamínula de microscopia para servir como abrigo para as fêmeas e como local de oviposição. Cada arena foi mantida dentro de uma bandeja plástica opaca (16 x 22 x 7 cm), com abertura retangular de 3,0 x 3,5 cm no centro da tampa. Esses predadores foram mantidos com pólen de T. angustifolia e com uma mistura de todos os estágios de desenvolvimento de Tetranychus ogmophallus Ferreira & Flechtmann, 1997 (Tetranychidae), na época de ausência de floração.

O valor do pólen de M. fistulifera foi comparado com aqueles de T. angustifolia e de R. communis, considerados componentes alimentares favoráveis para a oviposição de fêmeas de E. citrifolius (FURTADO & MORAES 1998). O pólen de M. fistulifera utilizado para este experimento foi extraído de plantas de um fragmento de mata localizado no Sítio Santo Antônio (20°44'56"S, 49°21'43"W), São José do Rio Preto, em julho de 2002. O pólen de T. angustifolia foi obtido em setembro de 2002 de plantas da represa municipal de São José do Rio Preto (20º49'29"S, 49º20'38"W), enquanto que o pólen de R. communis foi extraído de plantas em local próximo às margens do Rio Preto (20º46'34"S, 49º22'59"W), em janeiro de 2003. As inflorescências coletadas foram colocadas em sacos de papel, acondicionados em caixas isotérmicas de isopropileno, com Gelo X® em seu interior. Após a coleta, as inflorescências foram imediatamente levadas para o laboratório, onde foram mantidas por até dois dias com os pecíolos imersos em água destilada, em frascos de vidro dispostos sobre folhas de papel branco. À medida que os grãos de pólen eram liberados, depositavam-se sobre o papel. Após dois dias de extração, o pólen era colhido, peneirado em peneira de malha de 1 mm2, e examinado sob microscópio estereoscópico para verificação de possível contaminação por artrópodes. Em seguida, os grãos foram colocados em frascos de vidro previamente esterilizados, fechados com tampas de borracha e armazenados em geladeira à 10ºC por diferentes períodos.

O valor relativo de cada alimento foi avaliado em três períodos de estocagem distintos: "Pólen I", de recém extraídos a 11 dias; "Pólen II", de 15 a 26 dias e "Pólen III", de 30 a 41 dias.

Para cada período de estocagem, foram utilizados 10 grupos de cinco fêmeas, retiradas das colônias de criação, escolhendo-se preferencialmente as de maior tamanho, perfazendo um total de 50 fêmeas por tratamento. As arenas de teste foram constituídas por folhas de limoeiro cortadas em quadrados de 4 cm2, incluindo a nervura central, com a face abaxial voltada para cima. Essas arenas assemelham-se às utilizadas por MORAES & MCMURTRY (1981). O valor relativo de cada pólen foi avaliado através da determinação da taxa média de oviposição (número de ovos/fêmeas vivas em cada arena). Os ovos e o número de fêmeas vivas foram contados diariamente, sob microscópio estereoscópico, num mesmo horário, até o 11° dia. Os ovos postos no primeiro dia foram desconsiderados nesta análise para se evitar a influência do alimento previamente utilizado pelo ácaro quando ainda nas arenas de criação. A cada dois dias, os ácaros foram transferidos para novas arenas, com novo alimento. A quantidade de alimento oferecida foi sempre superior à capacidade de consumo.

O experimento foi conduzido em câmara climatizada do tipo BOD à 25 ± 1°C, 60 ± 10% UR e 12 h de fotofase. Após o experimento, os espécimes utilizados foram montados em lâminas de microscopia com meio de Hoyer (FLECHTMANN 1975) e depositados na coleção de Acari (DZSJRP) da UNESP de São José do Rio Preto.

Para comparação das médias das taxas de oviposição de cada tratamento aplicou-se a análise de variância (ANOVA), complementada pelo teste de Bonferroni para contraste das médias (ZAR 1999). O índice de correlação de Pearson (ZAR 1999) foi utilizado para relacionar a taxa de oviposição com o período de armazenamento do pólen. Em ambas análises, os dados foram primeiramente transformados pela equação Ln (y + 1). Esses cálculos foram efetuados utilizando-se o software GraphPadPrism©.

 

RESULTADOS

Houve diferenças significativas entre os tratamentos (F = 4,78, df = 89, p < 0,0001): os ácaros alimentados com Pólen III de M. fistulifera apresentaram maiores médias de oviposição em relação aos alimentados com o seu Pólen I e o III de R. communis. As fêmeas alimentadas com Pólen II de T. angustifolia apresentaram maior taxa média de oviposição em relação as alimentadas com Pólen III de R. communis (Fig. 1).

 

 

Fêmeas alimentadas apenas com pólen de R. communis apresentaram taxa de oviposição correlacionada negativamente com o período de armazenamento. Por outro lado, as fêmeas alimentadas com pólen de M. fistulifera apresentaram tendência de correlação positiva, sendo o valor de P marginalmente significativo (Tab. I).

 

 

DISCUSSÃO

Vários trabalhos mostraram que espécies pertencentes ao gênero Euseius utilizam pólen de diversas plantas como alimento, apresentando taxas de oviposição aumentada e o tempo de desenvolvimento dos estágios imaturos diminuído (e.g. MORAES & MCMURTRY 1981, CONGDON & MCMURTRY 1988, MCMURTRY & CROFT 1997, FURTADO & MORAES 1998). Entretanto, muitas espécies desse gênero apresentam um grande potencial no controle de espécies-praga, por serem comuns e abundantes na vegetação nativa, que ocorre próxima a áreas de monocultivos, e pela sua capacidade de predação de fitófagos. Espécies de Euseius, principalmente E. citrifolius, foram evidenciadas como os ácaros predadores mais abundantes em plantas nativas da região sul e sudeste do Brasil (FERES & MORAES 1998, FERES & NUNES 2001, FERLA & MORAES 2002). O potencial predatório de Euseius spp. sobre espécies-praga foi verificado por diversos autores, a saber, Euseius scutalis (Athias-Henriot, 1958) sobre a mosca branca Bemisia tabaci (Gennadius, 1889) (Homóptera, Aleyrodidae) (NOMIKOU et al. 2001); E. tularensis Congdon, 1985 sobre o tripes Scirtothrips citri (Moulton, 1909) (Thysanoptera, Thripidae) (CONGDON & MCMURTRY 1988) e; E. citrifolius e E. concordis (Chant, 1959) sobre o ácaro da leprose dos citros Brevipalpus phoenicis Geijskes, 1939 (Tenuipalpidae) (KOMATSU & NAKANO 1988, GRAVENA et al. 1994).

Fêmeas de E. citrifolius utilizaram o pólen de M. fistulifera como fonte de alimento, sendo seu valor nutritivo comparável com o de T. angustifolia, não havendo diferenças significativas entre as médias das taxas de oviposição das fêmeas com eles alimentadas. O pólen de T. angustifolia foi considerado por FURTADO & MORAES (1998), dentre os alimentos testados, aquele que melhor favoreceu a taxa e a duração do período de oviposição, sobrevivência, taxa intrínseca de aumento populacional e a redução do período de desenvolvimento para esta espécie.

FERES & MORAES (1998) registraram grande abundância de E. citrifolius, bem como a riqueza e abundância de outras espécies de Phytoseiidae, sobre M. fistulifera. Em um levantamento mensal da acarofauna associada a M. fistulifera realizado em duas áreas de fragmento de mata estacional semidecidual durante o ano de 2001, R.D. Daud & R.J.F. Feres (dados não publicados) registraram o pico de abundância de E. citrifolius, E. concordis (Chant, 1959) e Galendromus annectens (DeLeon, 1958) (Phytoseiidae), no período de floração desta planta. Possivelmente, essas espécies utilizam este pólen como fonte de alimento.

Mabea fistulifera pode servir no período de sua floração, como reservatório de fitoseídeos que se alimentam de pólen. Manter esta planta em agroecossistemas poderá ser estratégico para o controle natural de pragas, pois seu pólen, produzido em grande quantidade, poderá propiciar a manutenção e aumento da população de E. citrifolius e outros fitoseídeos. Os resultados fortalecem a hipótese da vantagem da manutenção de plantas nativas próximo a cultivos para propiciar um controle natural de espécies-praga (ALTIERI et al. 2003). Durante os períodos de reinfestação de cultivos por espécies-praga, espécimes de M. fistulifera poderão apresentar uma população abundante de E. citrifolius, com chance de deslocamento para a cultura vizinha e realizar um controle eficiente dos ácaros fitófagos.

Alguns trabalhos sugerem que espécies de Euseius podem estar consumindo o pólen de algumas plantas que se localizam próximas à borda de cultivos ou daquelas utilizadas como quebra-vento. MCMURTRY & JOHNSON (1965) encontraram uma população de Euseius hibisci (Chant, 1959) relativamente grande em cultivos de abacate (Persea americana Mill.) próximos a R. communis. GROUT & RICHARDS (1990) registraram que o número de Euseius addoensis addoensis (Van der Merwe & Ryke, 1964) foi maior em bordas de plantações de citrus próximas a pinus (Pinus radiata D. Don) e ao quebra-vento Casuarina cunninghamiana Miquel. M. fistulifera apresenta porte arbóreo e ocorre principalmente em bordas de mata e em locais com impacto antrópico acentuado (LORENZI 2000). Essas características somadas ao valor de seu pólen como alimento, abrem a perspectiva de se testar no futuro a utilização desta planta como quebra-vento e reservatório de fitoseídeos em áreas de monocultivos. Entretanto, trabalhos sobre biologia das espécies fitófagas registradas em M. fistulifera, precisam ser realizados para testar o potencial dessas espécies atacarem diferentes plantas cultivadas.

Diversos trabalhos mostraram alta taxa de oviposição de fêmeas de fitoseídeos quando alimentadas com pólen de R. communis (e.g. MCMURTRY & SCRIVEN 1964, MORAES & LIMA 1983, YUE et al. 1994, FURTADO & MORAES 1998). Contudo, neste trabalho, fêmeas alimentadas com o pólen III de R. communis apresentaram taxas de oviposição significativamente menores do que aquelas alimentadas com o pólen II e III de T. angustifolia e M. fistulifera, respectivamente. Além disso, o pólen de R. communis foi o que apresentou a menor durabilidade, quando armazenado a 10º C, ocorrendo um decréscimo significativo na taxa de oviposição das fêmeas com ele alimentadas a partir do trigésimo dia de armazenamento. Segundo MCMURTRY & JOHNSON (1965), o pólen de R. communis tem pouca durabilidade e torna-se rapidamente ressecado, principalmente durante o calor, tornando-se desfavorável, como alimento, para E. hibisci. Essa condição, possivelmente, também é valida para E. citrifolius. Fêmeas alimentadas com o pólen de T. angustifolia apresentaram uma tendência de correlação negativa entre sua taxa de oviposição e o período de estocagem. Por outro lado, o pólen de M. fistulifera foi o que apresentou a maior durabilidade, pois houve uma tendência na correlação positiva entre a taxa de oviposição das fêmeas alimentadas com este pólen e o período de estocagem, sendo o valor de P marginalmente significativo.

Existem algumas vantagens em relação ao uso de M. fistulifera em Programas de Manejo Integrado de Pragas (MIP). Além desta planta poder ser utilizada como reservatório de fitoseídeos em agroecossistemas, seu pólen poderá vir a ser utilizado em criações massais destes predadores, por ser produzido em grande quantidade, facilmente obtido durante o período de floração e apresentar alto valor relativo ao aumento da taxa de oviposição para E. citrifolius. Além disso, este tipo de pólen apresentou grande durabilidade quando armazenado a 10ºC, fator importante para produzir e manter criações. Entretanto, mais estudos deverão ser realizados, para poder determinar sua durabilidade máxima e seu valor como alimento para outras espécies de Phytoseiidae. Futuros estudos sobre a utilização de seu néctar como alimento para fitoseídeos deverão ser conduzidos, pois também é produzido em abundância e pode também estar sendo utilizado como fonte de alimento por ácaros predadores.

 

AGRADECIMENTOS

Aos professores Dr. Gilberto José de Moraes (ESALQ/USP, Piracicaba) e Dra. Isabela M.P. Rinaldi (UNESP, Botucatu) pelas valiosas críticas e sugestões ao artigo. Aos professores da UNESP de São José do Rio Preto: Dra. Neusa Taroda Ranga (Departamento de Zoologia e Botânica); Dr. Antônio José Manzato (Departamento de Ciências da Computação e Estatística); MSc. Solange Aranha (Departamento de Letras Modernas); pela identificação das plantas estudadas, auxílio nas análises estatísticas e revisão do abstract, respectivamente. Ao biólogo Peterson Rodrigo Demite (UNESP, São José do Rio Preto) pelo auxílio nas coletas e na montagem do experimento.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Recebido em 15.III.2004; aceito em 02.VII.2004

 

 

1 Parte do Programa BIOTA/FAPESP - O Instituto Virtual da Biodiversidade, http://www.biota.org.br

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