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Revista Brasileira de Zoologia

Print version ISSN 0101-8175

Rev. Bras. Zool. vol.21 no.3 Curitiba Sept. 2004

http://dx.doi.org/10.1590/S0101-81752004000300021 

Comunidade de aves da Reserva Estadual de Gurjaú, Pernambuco, Brasil

 

Bird communities of the Gurjaú Reserve, Pernambuco State, Brazil

 

 

Rachel Maria de Lyra-NevesI; Manoel Martins DiasII; Severino Mendes de Azevedo-JúniorI, III; Wallace Rodrigues Telino-JúniorIII, IV; Maria Eduarda Lacerda de LarrazábalIII

IDepartamento de Biologia, Área de Zoologia, Universidade Federal Rural de Pernambuco. Avenida Dom Manuel de Medeiros, Dois Irmãos, 52171-900 Recife, Pernambuco, Brasil. E-mail: rmlneves@msn.com
IIDepartamento de Ecologia e Biologia Evolutiva, Universidade Federal de São Carlos. Caixa Postal 676, 13565-905 São Carlos, São Paulo, Brasil
IIIDepartamento de Zoologia, Centro de Ciências Biológicas, Universidade Federal de Pernambuco. Avenida Professor Moraes Rego 1235, Cidade Universitária, 50670-420 Recife, Pernambuco, Brasil. E-mail: smaj@ufpe.br
IVIBAMA/CEMAVE. Rodovia BR 230, Km 10, Mata da Amem, 58300-000 Cabedelo, Paraíba, Brasil. E-mail: telinojr@msn.com

 

 


RESUMO

Estudos quali-quantitativos foram realizados em um fragmento florestal da Reserva Estadual de Gurjaú, Cabo de Santo Agostinho, Pernambuco, Brasil. Foram registradas 220 espécies de aves no levantamento qualitativo. Através da contagem por pontos, foram identificadas 175 espécies em 6.470 contatos (270 amostras). A freqüência de ocorrência de 75% foi registrada para 43 espécies (19,6%); para a maioria das espécies a freqüência de ocorrência esteve abaixo de 25%.

Palavras chave: Aves neotropicais, contagem por pontos de escuta, Mata Atlântica.


ABSTRACT

A qualitative and quantitative bird surveys were carried out in a forest fragment in Gurjau Reserve, Santo Agostinho Cape, Pernambuco State, Brazil. By qualitative census were registered 220 different bird species. Concerning the point counts, were identified 175 different species in 6.470 contacts (270 samples). A frequency of occurrence of 75% was registered for 43 species (19,6%); the most part of species had a frequency of occurrence below 25%.

Key words: Atlantic Rain Forest, Neotropical birds, point counts.


 

 

A Mata Atlântica é considerada o bioma de maior diversidade biológica do planeta, embora restem apenas 10% de sua cobertura original, sendo uma área crítica devido à pressão e destruição exercida pelo ser humano (WILLIS & ONIKI 1992). Possui alto nível de endemismo em todos os grupos taxonômicos, incluindo aves, primatas, borboletas e plantas (PRIMACK & RODRIGUES 2001). Constitui área chave para espécies de aves ameaçadas nos neotrópicos (WEGE & LONG 1995), além de ser considerada um dos oito hot spot mais críticos do mundo, devido ao alto grau de endemismo e mais de 70% de sua vegetação nativa descaracterizada (MYERS et al. 2000, BROOKS et al. 2002).

O Nordeste do Brasil é o setor mais ameaçado da Mata Atlântica em conseqüência do desmatamento, restando apenas 2% de sua área original (SILVA & TABARELLI 2000). RANTA et al. (1998) ao estudarem áreas na Zona da Mata Sul do Estado de Pernambuco detectaram que 48% dos fragmentos são menores que 10 ha e somente 7% maiores que 100 ha. O desmatamento, principalmente para plantio da cana-de-açúcar, exerce grande pressão sobre os fragmentos que ainda restam, comprometendo-os de forma irreparável.

O desmatamento resulta na transformação de amplas áreas de floresta primária em mosaicos de pastagem e fragmentos florestais, tendo sérias conseqüências para a biodiversidade (BIERREGAARD et al. 1992). Para o estado de Pernambuco a cana-de-açúcar foi a principal causa do desmatamento florestal no século passado. Esta fragmentação ameaça a existência das espécies e há formação de uma quantidade maior de borda de florestas, por área de hábitat, conhecida como efeito de borda, tendo uma conseqüência bastante negativa, não apenas sobre as aves dependentes de interior de floresta, mas também sobre outras populações (PRIMACK & RODRIGUES 2001).

A situação atual das florestas tropicais despertou uma necessidade urgente de sua preservação, devido a enorme biodiversidade e a fragilidade desses ecossitemas (VIELLIARD 2000). Segundo MARINI (2000) os efeitos deletérios da fragmentação florestal sobre as comunidades de aves, não são totalmente conhecidos. De acordo com VIELLIARD (2000), vários métodos têm sido utilizados para o estudo desses ecossistemas (e. g. BIERREGAARD & LOVEJOY 1989, STOUFFER & BIERREGAARD JR. 1995a, b, STOTZ et al. 1996), porém, não fornecem uma imagem global da comunidade estudada.

A contagem por pontos de escuta, segundo BLONDEL et al. (1970) é um método bastante eficiente e de fácil implementação nos neotrópicos (ALEIXO & VIELLIARD 1995), propiciando uma amostragem representativa de hábitats heterogêneos, além de permitir a melhor detecção de espécies. Por outro lado, a interpretação matemática é mais precisa e fácil de ser calculada (VIELLIARD & SILVA 1990, VIELLIARD 2000).

Trabalhos com esse enfoque têm sido desenvolvidos com maior regularidade no sudeste e sul do Brasil, a exemplo de ALEIXO (1999), ALEIXO & VIELLIARD (1995), ALEMIDA et al. (1999), ANJOS (1998, 2001, 2002), ANJOS & BOÇON (1999), GIMENES & ANJOS (2000), MARSDEN et al. (2001), VIELLIARD & SILVA (1990), VIELLIARD (2000).

No Nordeste do Brasil não há publicações sobre ecologia quantitativa da avifauna de Mata Atlântica. Neste sentido o principal objetivo deste trabalho foi o estudo da abundância e diversidade da avifauna em um fragmento florestal da Zona da Mata, sul do Estado de Pernambuco, através da contagem por pontos de escuta.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Área de estudo

A Reserva de Gurjaú está localizada nos municípios de Cabo de Santo Agostinho, Moreno e Jaboatão dos Guararapes, Zona da Mata, sul do Estado de Pernambuco (8º14'21,7"S e 35º03'00,4"W). Limita-se com a Usina Bom Jesus e os Engenhos Salvador e Espírito. Está inserida em uma única propriedade pública, pertencente à Companhia Pernambucana de Abastecimento de Água (COMPESA), onde existe uma estação de tratamento. No interior da reserva encontram-se três açudes: Sucupema, Gurjaú e São Salvador (FIDEM 1987).

Possui uma área total de 1.077,10 ha, distribuídos segundo a FIDEM (1987), em: 744,47 ha no Cabo de Santo Agostinho; 175,19 ha em Moreno e 157,44 ha em Jaboatão dos Guararapes. É definida como Reserva Estadual pela Lei Estadual nº 9.989 de 1987. Apesar de ser um remanescente de Mata Atlântica, sua cobertura vegetal não é uniforme, apresentando trechos de vegetação densa e outros bastante alterados em sua estrutura e fisionomia (FIDEM 1987). Essa área encontra-se bastante ameaçada pela exploração canavieira e uso indiscriminado por poceiros, os quais utilizam a área para agricultura de subsistência, fruticultura e retirada de madeira.

Métodos

Esta pesquisa teve duração de nove meses, compreendendo as estações seca e chuvosa, com expedições mensais de seis dias cada entre agosto de 2002 e abril de 2003. A amostragem da avifauna foi realizada por análise qualitativa e quantitativa através de contagem por pontos segundo BLONDEL et al. (1970) e VIELLIARD & SILVA (1990).

O levantamento quantitativo teve início a partir do alvorecer, com término às dez horas, durante três dias consecutivos, totalizando 27 visitas. As contagens foram realizadas em uma trilha pré-existente na Reserva com 10 pontos previamente definidos, distanciados de 400 metros, abrangendo o interior e a borda da mata. As espécies foram registradas por 20 minutos em pontos pré-determinados. Foram anotados: visualizações e/ou vocalizações a cada contato estabelecido, estrato ocupado, número de indivíduos (exemplares isolados, em pares ou em grupos). Casais e grupos familiares foram considerados como apenas um indivíduo, de acordo com VIELLIARD & SILVA (1990) e VIELLIARD (2000).

Para o levantamento qualitativo, além daquelas espécies já registradas no quantitativo, também foram realizadas caminhadas pelo interior e borda dos fragmentos e nas áreas adjacentes com pontos de escuta e observação, de acordo com (ALMEIDA et al. 1999), entre os horários das cinco às dez horas da manhã e das três as cinco e meia da tarde, durante cinco dias consecutivos em nove meses, totalizando 337,5 horas de observação.

As vocalizações foram gravadas com o auxílio de minicassete Aiwa TP560 e microfone Leson ML8. As vozes das aves não identificadas no local, foram comparadas com gravações pré-existentes ou por meio de consulta a especialistas.

Calculou-se: 1) freqüência de ocorrência (FO) e 2) índice pontual de abundância (IPA). A FO demonstra a relação entre a proporção dos dias em que a espécie i foi observada dividida pelo número total de dias amostrados (dias x meses), as espécies foram classificadas em residentes, vagantes, ocasionais e migratórias de acordo com ALMEIDA et al. (1999). O IPA representa o número total de contatos da espécie i em relação ao número total de amostras (visitas x pontos). Este valor é relativo e segundo (ALEIXO & VIELLIARD 1995) é comparável somente entre medidas da mesma espécie em datas, locais e comunidades diferentes.

A variação encontrada no número de espécies por visita, expressa em percentuais, foi calculada da seguinte forma: número de espécie por visita (> nº espécie por visita -< nº espécie por visita ¸ < nº espécie por visita); IPA médio mensal (> IPA médio mensal -< IPA médio mensal ¸ < IPA médio mensal).

Para avaliar a diversidade da avifauna de Gurjaú, utilizaram-se os Índices de Shannon-Wiener e de Eqüitabilidade, aplicados aos registros de abundância relativa das espécies, de acordo com MAGURRAN (1988).

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Foram registradas 220 espécies para a Reserva Estadual de Gurjaú, que corresponde a 44,18% da avifauna de Pernambuco (498 espécies). Este total é alto se comparado a outros levantamentos realizados em dois fragmentos da Estação Ecológica do Tapacurá por AZEVEDO-JÚNIOR (1990) com 181espécies, e também, em seis fragmentos da Área de Proteção Ambiental de Guadalupe, localizada na mata sul de Pernambuco, desenvolvidos por LYRA-NEVES et al. (2000), com registro de 187 espécies.

Apenas 19,6% das espécies (n = 43) apresentaram FO acima de 75%, sendo consideradas residentes abundantes, a exemplo de: Leptotila rufaxilla (Richard & Bernard, 1792); Phaethornis ruber (Linnaeus, 1758); Elaenia flavogaster (Thunberg, 1822); Hemitriccus zosterops (Pelzeln, 1868); Todirostrum cinereum (Linnaeus, 1766); Tolmomyias flaviventris (Wied, 1831); Pitangus sulphuratus (Linnaeus, 1766); Chiroxiphia pareola (Linnaeus, 1766); Thryothorus genibarbis Swainson, 1837; Troglodytes musculus Naumann, 1823; Turdus leucomelas Vieillot, 1818; Cyclarhis gujanensis (Gmelin, 1789); Vireo chivi (Vieillot, 1817); Thraupis palmarum (Wied, 1821) e Saltator maximus (Müller, 1776), todos com FO de 100% (Tab. I).

O percentual de espécies com FO acima de 75%, foi maior que o registrado por ALMEIDA et al. (1999), com apenas 7% de espécies com essa freqüência. Entretanto, se comparados aos resultados obtidos por KRÜGUEL & ANJOS (2000) em que 50,9% da avifauna amostrada obtiveram freqüência de ocorrência acima de 76%, foi baixo.

As espécies com percentual abaixo de 25% das amostras, foram a grande maioria, com 46,8%, aparecendo em no máximo cinco das 27 visitas. Conforme resultados de ALEIXO & VIELLIARD (1995), a maior parte da avifauna (44%) era também constituída por espécies com FO inferior a 25%. KRÜGUEL & ANJOS (2000), obtiveram percentuais menores, sendo 23,7% poucas visistas e 13,1% em apenas uma.

As espécies Pyriglena leuconota (Spix, 1824), Conopophaga melanops (Wied, 1831), Platyrinchus mystaceus Vieillot, 1818 e Myiobius barbatus (Gmelin, 1789), obtiveram o status de vagante, com registro em apenas uma visita. ALEIXO & VIELLIARD (1995) e ALMEIDA et al. (1999), explicam que espécies consideradas vagantes ou ocasionais, com baixa freqüência de ocorrência, podem estar relacionadas à pouca relação com os ambientes da mata, ou seja, espécies que permanecem poucos dias na área e aquelas que habitam outros ambientes e ocasionalmente exploram recursos da mata, levando a um registro esporádico; a baixa densidade populacional da espécie na área e espécies com vocalizações pouco conspícuas.

STOUFFER & BIERREGAARD (1995b) relatam o desaparecimento de espécies insetívoras de subosque, principalmente as seguidoras de correição (e.g. P. leuconota), que são as primeiras a desaparecerem com as alterações ambientais (BIERREGAARD & LOVEJOY 1989). Segundo ASKINS et al. (1987) e STOUFFER & BIERREGAARD JR. (1995b), espécies dependentes de interior de floresta são vulneráveis à fragmentação.

Foram catalogadas 175 espécies (média de 73 ± 8,5) em 270 amostras (10 amostras/27 visitas) com 6.470 contatos, obtendo-se média de 24,0 ± 7,6 contatos/amostra. Estes dados se comparados aos encontrados por outros autores é bastante elevado (Tab. II). O número de espécies variou entre 45 e 89 por visita (Fig. 1). Os menores números foram registrados nos meses chuvosos e os maiores nos meses de estiagem ou reprodutivo, quando algumas espécies se tornam mais evidentes devido à emissão de vocalizações que ocorre neste período. A variação foi de 97,8% sendo inferior àquela encontrada por ALEIXO & VIELLIARD (1995) com 102%. Entretanto, se assemelha aos resultados obtidos por VIELLIARD & SILVA (1990) com variação de 92%.

 

 

A média mensal de espécies por visita variou de 61 ± 14 (março de 2003) a 80 ± 8 (novembro de 2002) (Fig. 2). No período chuvoso (agosto, março e abril), também considerado não reprodutivo, as espécies de aves tendem a diminuir suas vocalizações, o que as torna menos evidentes. O oposto, também, foi observado nos meses de estiagem ou reprodutivo. Resultados semelhantes foram obtidos por ALEIXO & VIELLIARD (1995), que encontraram a menor média no mês de março e a maior no mês de setembro.

 

 

O IPA encontrado por espécie variou entre 0,004 (um contato) em 23 espécies e 1,263 (341 contatos) apenas em Thraupis palmarum (Tab. I). A ordenação dos IPAs em ordem decrescente encontra-se na figura 3.

 

 

O IPA mensal variou entre 14,0 e 28,9 (variação de 106%) (Fig. 4). A variação encontrada por ALEIXO & VIELLIARD (1995), com 202 amostras, foi de 65% (18,5 a 30,6). Trabalhos realizados por VIELLIARD & SILVA (1990) (110 amostras) obtiveram variação de 112% (12,6 e 26,7). O alto coeficiente de variação é decorrente da maior conspicuidade das manifestações sonoras, indicando o ciclo de abundância e atividade da avifauna considerada (ALEIXO & VIELLIARD 1995, ALMEIDA et al. 1999).

 

 

O menor IPA mensal ocorreu no mês de março devido à diminuição das vocalizações das espécies de aves em decorrência de chuvas torrenciais ocorridas nesse mês. De acordo com VIELLIARD & SILVA (1990) o clima é um fator que pode alterar de maneira considerável o grau de manifestações das espécies, explicando as alterações bruscas do IPA global. Os maiores valores de IPA mensal ocorreram entre os meses de setembro e fevereiro (Fig. 4). Neste período, considerado reprodutivo, há um aumento na abundância e o número de espécies registradas em decorrência da maior conspicuidade, discutida anteriormente.

A diversidade da avifauna de Gurjaú foi de (H' = 4,25) e a eqüitabilidade (E = 82,2%). Os resultados de ambos os índices foram bastante altos. Em pesquisas realizadas por MARSDEN et al. (2001) e VIELLIARD & SILVA (1990), utilizando o método de contagem por pontos de escuta, também foram observadas altas diversidades da avifauna (H' = 3,93 e H' = 3,89) respectivamente.

Segundo MAGURRAN (1988) o Índice de Shannon-Wiener varia de 1,5 a 3,5, podendo raramente ultrapassar o valor de 4,5 e a eqüitabilidade varia entre 0 a 100%, onde 100% indica espécies igualmente abundantes no ambiente. Os dados revelam alta diversidade de espécies em Gurjaú, as quais apresentam distribuição bastante equilibrada.

Trabalhos realizados através de metodologias qualitativas e quantitativas associadas, contribuem para o conhecimento da composição avifaunística em fragmentos florestais, principalmente, aqueles localizados nos neotrópicos.

Observou-se a presença de grandes frugívoros, importantes na manutenção de fragmentos florestais: Crypturellus soui (Hermann, 1783), Trogon viridis Linnaeus, 1766, Trogon curucui Linnaeus, 1766, Pteroglossus aracari (Linnaeus, 1758) e Pteroglossus inscriptus Swainson, 1822). A freqüência de ocorrência destas espécies foi de 18,5%; 11,1%; 29,6%; 77,8% e 33,3%, respectivamente (Tab. I), sendo três delas consideradas residentes para a área.

Dezesseis espécies apresentam alta sensibilidade a distúrbios ambientais de acordo com PARKER III et al. (1996), são elas: Micrastur gilvicollis (Vieillot, 1817); Aramides cajanea (Müller, 1776); Touit surda (Kuhl, 1820); Picumnus fulvescens Stager, 1961; Thamnophilus aethiops Sclater, 1858; Thamnomanes caesius (Temminck, 1820); Conopophaga melanops; Lepidocolaptes fuscus (Vieillot, 1818); Hemitriccus zosterops; Rhynchocyclus olivaceus (Temminck, 1820); Myiobius barbatus; Rhytipterna simplex (Linchtenstein, 1823); Pipra rubrocapilla Temminck, 1821; Chiroxiphia pareola; Schiffornis turdinus (Wied, 1831) e Curaeus forbesi (Sclater, 1886). Destas, doze são consideradas residentes, e oito tiveram a freqüência de ocorrência acima de 50%, para as demais o percentual foi inferior a 26% (Tab. I).

Menciona-se a seguir as espécies endêmicas de Mata Atlântica, de acordo com STATTERFIELD et al. (1998) e as ameaçadas de extinção segundo critérios do MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE (2003).

Endêmicas: Touit surda (Kuhl, 1820); Melanotrochilus fuscus (Vieillot, 1817); Lepidocolaptes fuscus (Vieillot, 1818); Hylophilus poicilotis Temminck, 1822; Ramphocelus bresilius (Linnaeus, 1766).

Ameaçadas: Picumnus exilis Lichtenstein, 1823; Thamnophilus caerulescens Vieillot, 1816; Thamnophilus aethiops Sclater, 1858; Pyriglena leuconota (Spix, 1824); Xenops minutus (Sparrman, 1788); Platyrinchus mystaceus Vieillot, 1818 e Schiffornis turdinus (Wied, 1831).

Endêmicas e Ameaçadas: Thalurania watertonii (Boucier, 1847); Myrmeciza ruficauda (Wied, 1831); Conopophaga melanops (Wied, 1831); Conopophaga lineata (Vieillot, 1818); Tangara fastuosa (Lesson, 1831); Tangara cyanocephala (Müller, 1766) e Curaeus forbesi.

Além destas, destaca-se Picumnus fulvescens Stager, 1961, espécie endêmica dos Estados de Alagoas e Pernambuco.

Os levantamentos quali-quantitativos revelaram a presença de espécies dependentes de interior de mata (apesar da baixa abundância), daquelas consideradas sensíveis à fragmentação, de frugívoros de grande porte e de espécies endêmicas e ameaçadas de extinção e de outras que utilizam a área a procura de recursos alimentares ou de abrigo. Os dados obtidos demonstram a importância de Gurjaú para manutenção dessas aves, sendo sua conservação de extrema importância para estas populações.

 

AGRADECIMENTOS

Agradecemos à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), à Fundação Apolônio Sales de Apoio e Desenvolvimento à Pesquisa (FADURPE), ao Departamento de Estradas e Rodagens (DER), à Companhia Pernambucana de Meio Ambiente (CPRH) e à Companhia Pernambucana de Abastecimento de Água (COMPESA), pelo suporte dado no decorrer desta pesquisa.

 

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Recebido em 04.XI.2003; aceito em 27.VII.2004.

 

 

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