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Revista Brasileira de Zoologia

Print version ISSN 0101-8175

Rev. Bras. Zool. vol.22 no.1 Curitiba Mar. 2005

http://dx.doi.org/10.1590/S0101-81752005000100001 

Paradaemonia thelia (Jordan) e seus estágios imaturos (Lepidoptera, Saturniidae, Arsenurinae)

 

Paradaemonia thelia (Jordan) and its immature stages (Lepidoptera, Saturniidae, Arsenurinae)

 

 

Eurides FurtadoI; Fernando Corrêa Campos-NetoII

ICaixa Postal 97, 78400-000 Diamantino, Mato Grosso, Brasil. E-mail: efurtado@uaivip.com.br
IIRua Corcovado 1030, Bairro Monte Castelo, 32285-000 Contagem, Minas Gerais, Brasil. E-mail: fernandoccn@petrobras.com.br

 

 


RESUMO

Dados sobre os estágios imaturos, o comportamento e a distribuição de Paradaemonia thelia (Jordan) são apresentados. A larva solitária alimenta-se de Chrysophyllum marginatum (Hook. & Arn.) Radlk. (Sapotaceae), sua planta hospedeira natural. Os ovos são postos isolados na face dorsal de folhas maduras. O desenvolvimento larval leva 18 dias e o estágio pupal 32-37 dias. Adultos, ovos, larvas e pupa são ilustrados a cores.

Palavras chave: Biologia, distribuição espacial, planta hospedeira, Sapotaceae.


ABSTRACT

Data on immature stages, the behavior and the range of Paradaemonia thelia (Jordan, 1922) are presented. The solitary larva feed on Chrysophyllum marginatum (Hook. & Arn.) Radlk. (Sapotaceae), its natural hostplant. Isolated ovae are deposited on dorsal surface of mature leaves. Larval development required 18 days; the pupal stage lasted 32-37 days. Adults, ovae, larvae and pupa are illustrated in color.

Key words: Biology, hostplant, Sapotaceae, spatial distribution.


 

 

O gênero Paradaemonia Bouvier, 1925 agrega 14 espécies de Arsenurinae neotropicais distribuídas do México ao norte da Argentina. Paradaemonia thelia (Jordan, 1922) (Figs 1-2) foi descrita de um macho procedente do Paraguai, mas sua distribuição espacial se estende ao alto Paraná na Argentina, e Brasil nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal (LEMARIE 1980). Ocorre também no alto Rio Arinos, Diamantino, Mato Grosso, em Belo Horizonte e arredores e em Oliveira (20º42' 259"S, 44º50'083"W), 969 m, Minas Gerais, procedência do material estudado.

 

 

MATERIAL E MÉTODOS

Ovos e larvas jovens foram encontrados pelo segundo autor sobre Chrysophyllum marginatum (Hook. & Arn.) Radlk. (Sapotaceae), numa área de cerrado baixo e com vegetação secundária. As larvas foram criadas em gaiolas plásticas com renovação diária da planta alimento. A identificação da planta hospedeira seguiu LORENZI (1998).

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Ovo (Fig. 3)

 



 

Elipsóide com os pólos achatados, esbranquiçados e com pontos e marmorizações marrom-claros; face menor anelada com marrom-claro, área central esbranquiçada; micrópila marrom-escura, no eixo menor. Comprimento 2,3 mm; largura 2,0 mm; altura 1,3 mm. Período embrionário ca. 9 dias.

Larva

Primeiro ínstar (Fig. 4). Cabeça arredondada com a fronte deprimida; castanho-avermelhada, brilhante, mandíbulas marrom-escuras. Corpo com séries de escolos típicos para a maioria das espécies da tribo; os protorácicos vermelho-escuros, haste curta, grossa e com os espinhos pretos; os metatorácicos longos, bífidos, haste da coloração geral do tegumento e com anelação mediana amarela, prolongamentos da bifurcação pretos. Escolos abdominais pretos, haste eriçada com pequenos espinhos, os subespiraculares menores que os subdorsais e os dorsais; em A8 semelhante aos torácicos, porém mais curtos e como eles levemente inclinados para a frente. Pernas torácicas, abdominais e anais da coloração geral do tegumento, as abdominais com os escudos laterais escuros. Tegumento vermelho com manchas amarelas laterodorsais na área central de A1-7 onde a base dos escolos é bordada com mancha negra. Comprimento da larva ao eclodir 5,5 mm; no final do ínstar 10,0 mm. Duração três dias.

Segundo ínstar (Fig. 5). Cabeça arredondada, área frontal achatada, região ventral deprimida, vértice ligeiramente côncavo; oliváceo-brilhante, área lateral avermelhada, assim como as suturas da fronte; clípeo verde-claro; mandíbulas e estemas marrom-escuros. Pronoto com um par de escolos inclinados lateralmente, o dorsal aproximadamente o triplo do comprimento e volume do subdorsal, ambos avermelhados com haste eriçada com pequenos espinhos mais escuros. Metanoto látero- e dorsalmente corcovado, plano e com longo escolo articulado, claviforme bisegmentado, inclinado lateralmente e para a frente, marrom-avermelhado, com haste repleta de pequenos espinhos marrom-escuros. Escolo A8 claviforme, articulado, longo aproximadamente 1/5 do corpo, haste avermelhada, com espinhos negros. Pernas torácicas avermelhadas, as abdominais e as anais verde-amareladas com os escudos vermelhos. Placa suranal trapezoidal, formada com calosidade avermelhada e mesclas esbranquiçadas. Faixa espiracular amarelo-clara encimada por estreita faixa vermelha que atinge a base dos espiráculos A2-8. Tegumento verde com pontículos esbranquiçados; linha dorsal vermelha de A2 à placa suranal; estreita e fraca faixa oblíqua amarelada em A2-8, da faixa espiracular à linha dorsal do segmento seguinte. Comprimento 13,5 mm. Duração três dias.

Terceiro ínstar (Fig. 6). Difere do ínstar anterior pela coloração mais fraca dos escolos; na maior nitidez da faixa vermelha subespiracular em A2-8; na nitidez quase vestigial, das faixas oblíquas nestes segmentos; na faixa dorsal, agora com a área central vermelha mais clara de bordos mais intenso. Comprimento 20,0 mm. Duração dois dias.

Quarto ínstar (Fig. 7). Cabeça com o mesmo formato anterior, área frontal rugosa, verde-olivácea; fronte com as suturas sulcadas; áreas estematal e labral avermelhadas, com estemas e as mandíbulas negras. Desaparecem os escolos proto- e metatorácicos e o de A8 é menor que no ínstar anterior, deitado sobre a linha dorsal, confundindo-se com esta. Pronoto com a borda anterior amarelada; metanoto lateralmente coniforme, com o ápice ligado numa faixa amarela com a borda anterior vermelha, perpendicular à linha dorsal. Tegumento verde, com pontículos brancos até a área subdorsal. Faixa espiracular da cor do tegumento, com os pontículos brancos mais adensados, sobretudo em A2-7; área espiracular vermelha em A2-8. Espiráculos elipsoidais, avermelhados, com o peritrema mais escuro. Pernas torácicas avermelhadas com esparsas cerdas mais claras; as abdominais da cor do tegumento, com os escudos avermelhados com a área mediana bordada com uma faixa horizontal preta, a porção ventral com a coloração mais clara e com esparsas cerdas ainda mais claras; as anais em sua maior parte avermelhadas. Comprimento 30,0 mm. Duração três dias.

Quinto ínstar (Fig. 8). Pouco difere do ínstar anterior. Desaparecem a borda amarela do protórax e o escolo A8, este agora como pequena verruga coniforme. Em alguns indivíduos a área espiracular apresenta a coloração vermelha; faixa transversal no metatórax mais fraca e com a borda vermelha pouco visível. Comprimento 52,0 mm. Duração sete dias.

Pupa (Fig. 9)

Região da cabeça e área periférica com rugosidade média; vértice com duas calosidades aculeoladas; antenas e pernas com estrias transversais, estas sulcadas; tórax com rugosidade fina, linha dorsal marcada como fina linha protuberante, espiráculo fortemente sulcado no limite lateral entre os dois primeiros segmentos; espiráculo metatorácico arredondado, fortemente côncavo. Estojo das asas repleto de estrias, mais adensadas na área axilar. Segmentos abdominais parcialmente lisos, com calosidade lateral em A1-3 e ventral em A5-7; A10 sulcado e rugoso ventralmente; cremaster sagital com o ápice agudo; espiráculos elipsoidais, peritrema preto. Tegumento marrom-escuro, quase preto, com nuanças avermelhadas no estojo das asas e nos segmentos abdominais. Comprimento 35,0 mm; largura lateral 13,5 mm e ventral 13,0 mm. Período pupal 32-37 dias.

Dados bionômicos

O ovo é posto isoladamente e na maioria das vezes na face superior de folhas maduras, geralmente em brotações próximas ao solo.

A partir do segundo ínstar, quando em repouso a larva se mantém fixa pelas pernas abdominais, retrai o tórax e respectivas pernas e eleva-se obliquamente do substrato, inclina o escolo A8 para a frente junto à linha dorsal, confundindo-o com esta pela coloração similar. Do quarto ínstar em diante, ao ser tocada, retrai o tórax e emite uma estridulência semelhante a um chiado.

O ciclo evolutivo foi de 59-64 dias: 27 dias da postura à pré-pupa e 32-37 dias à eclosão do imago.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

LEMAIRE, C. 1980. Les Attacidae Americains. The Attacidae of America (= Saturniidae), Arsenurinae. Neuvilly-sur-Seine, Ed. C. Lemaire, 199p.         [ Links ]

LORENZI, H. 1998. Árvores Brasileiras. Manual de Identificação e Cultivo de Plantas Arbóreas Nativas do Brasil. Nova Odessa, Instituto Plantarum, vol. 2, 352p.        [ Links ]

 

 

Recebido em 04.V.2004; aceito em 24.XI.2004.

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