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História (São Paulo)

On-line version ISSN 1980-4369

História vol.23 no.1-2 Franca  2004

https://doi.org/10.1590/S0101-90742004000200012 

ARTIGOS

 

Dominadores e dominados na Palestina do século I

 

Dominators and dominated in Palestine of the first century

 

 

Ivan Esperança Rocha1

 

 


RESUMO

A relação entre dominadores e dominados na Palestina do século I emerge de forma indireta em um documento produzido com o objetivo de relatar o testemunho do autor, Flávio Josefo, sobre a guerra entre judeus e romanos. Mais que uma guerra contra os romanos, o que se vislumbra é uma crise interna profunda envolvendo diferentes interesses de grupos judaicos alinhados ou distantes do poder do "inimigo".

Palavras-chave: Romanos; Judeus; Palestina.


ABSTRACT

The relationship between dominators and dominated in Palestine of the first century emerges in an indirect way in a document produced with the objective of telling the testimony of the author, Flavius Josephus, about the war among Jews and Romans. More than a war against the Romans, what one sees is a deep inner crisis involving different interests of Jewish groups aligned or distant of the " enemy's " power.

Keywords: Romans; Jews; Pelestine.


 

 

O Oriente Médio ­ e particularmente a Palestina ­ exerceu uma permanente atração sobre diferentes dominadores ao longo da história. Ora por motivos econômicos, ora políticos ou apenas estratégicos, assírios (733 a.C.), babilônios (588 a.C.), persas (539 a.C.), ptolomeus (323 a.C.) e selêucidas (198 a.C.) se assenhorearam, depredaram e deixaram suas marcas na Palestina. Mas nada se igualou às conseqüências da dominação romana e às dimensões da resistência desencadeada contra ela, documentadas por Flávio Josefo(37-100 d.C.) em sua obra A Guerra Judaica.

 

CARACTERÍSTICAS LITERÁRIAS DE A GUERRA JUDAICA

Os escritos de Flávio Josefo constituem ­ juntamente com os textos do Novo Testamento ­ as principais fontes sobre a história judaica do primeiro século. Em A Guerra Judaica, o autor escreve a respeito do poder dos romanos sobre os judeus com uma forma semelhante àquela que Políbio, dois séculos antes, utilizara para justificar a hegemonia dos romanos sobre os gregos. Trata-se de uma obra escrita por uma testemunha ocular dos fatos narrados (GJ2 1,1-23), como fora Tucídides, o autor de A Guerra do Peloponeso.

A abrangência do objeto histórico de suas obras ­ escreveu também Antiguidades Judaicas, Autobiografia e Contra Apion ­ faz dele uma fonte utilizada por diversos segmentos historiográficos, o que justifica a ampla produção editorial sobre ele, em sua maioria reunida por Schreckenberg (1968). O interesse por Flávio Josefo, principalmente por A Guerra Judaica, sua primeira e mais famosa obra, foi despertado desde cedo sobretudo pela Igreja, por tratar-se praticamente do único documento contemporâneo no início do cristianismo.3 Na literatura cristã está presente em Orígenes (184-254 ), Eusébio de Cesárea (265-340 ) e Jerônimo (342-420). Durante a Idade Média, Flávio Josefo chegou a ser o autor antigo mais lido além da Bíblia. São inúmeras as edições completas ou parciais de suas obras, publicadas a partir de 1544.4

Dentre as traduções e comentários atualmente sendo elaborados sobre a obra de Flávio Josefo destaca-se o International English Josephus Project cujo objetivo é realizar uma tradução moderna dos textos, baseando-se na edição crítica de Niese e levando em consideração novas contribuições históricas, arqueológicas e filológicas sobre a obra.

O interesse pela obra de Flávio Josefo continua crescendo se levarmos em consideração que existem mais de 1500 páginas na Internet sobre ela,5 com destaque para os grupos de discussão e para páginas abrangentes que apresentam, além da tradução de toda a obra de Flávio Josefo, links para outras páginas, bibliografia online, cronologias, informações sobre conferências, e congressos. O Institutum Judaicum Delitzschianum da Universidade de Münster mantém uma página com uma bibliografia sobre Flávio Josefo em permanente atualização.6 O Projeto Perseus, da Tufts University, disponibiliza em sua página7 o texto de Niese em caracteres gregos, e em sua transliteração no formato de hipertexto, ligando todas as palavras com o dicionário de Liddell-Scott-Jones, Greek-English Lexicon (Oxford University Press).8

Estas informações técnicas têm o objetivo de apresentar a importância da obra de Flávio Josefo para a historiografia. No entanto, muitos dos autores que se debruçam sobre sua obra fazem restrições a muitas das informações nela contidas.

Se de um lado muitos dados podem ser confirmados pela arqueologia,9 de outro, diversas informações são de segunda mão e não foram confirmadas pelo autor. Broshi aponta imprecisões na descrição que Flávio Josefo faz da fortaleza de Massada no confronto com dados provindos da arqueologia sobre o local. Se muitos erros ou exageros presentes em A Guerra Judaica podem ser atribuídos aos copistas, grande parte deles deve ser atribuída ao próprio autor.10 Dentre os exageros deve-se destacar os números dos habitantes da Palestina a que ele se refere. Apenas na Galiléia, ele indica a presença de 204 aldeias, tendo a menor delas 15.000 habitantes, o que não condiz com a realidade,11 mesmo levando em consideração que a Galiléia fosse ­ e ainda é ­ a região mais fértil da Palestina, o que justificaria uma concentração de população. Flávio Josefo diz, por exemplo, que a população de Jerusalém podia chegar, em alguns momentos festivos, a um total de 2 milhões e setecentas mil pessoas (7,422-426), mas, no máximo, este número podia atingir, segundo Byatt, 1 milhão de pessoas.12 Com relação à população de toda a Palestina do período, a média dos números indicados pelos especialistas (Condor, Mazar, Avi-Yonah, Daniel-Rops, MacCown) é de 3 milhões de habitantes.13

O episódio do monte Massada ­ o último reduto judaico na guerra contra os romanos, onde os sicários liderados por Eleazar ben Yair praticaram um suicídio coletivo envolvendo 960 judeus ­ tem sido muito debatido pelos pesquisadores a partir das evidências arqueológicas. Dentre outras evidências, a disposição em que foram encontrados alguns esqueletos em Massada parece contradizer o suicídio coletivo relatado por Flávio Josefo: Yadin encontra ali 27 esqueletos, dos quais 25 numa gruta. Um desses esqueletos estava numa posição característica de quem foi enterrado de maneira tradicional.14 Dentre os materiais encontrados em Massada incluem-se linho, pêlo de cabra, lã e algodão, o que acrescenta mais uma dúvida na narração de Flávio Josefo, o qual diz que todos os pertences dos judeus de Massada foram queimados.15

Uma suspeita sobre esta narração é levantada já no século X: Joseph Ben Gorion (Josippon) substitui o relato do suicídio coletivo por aquele da morte em combate: os judeus de Massada morreram combatendo.16 É necessário levar em consideração também que, em sua narrativa, Flávio Josefo apresenta uma característica do modelo historiográfico helenístico, que é mostrar a grandeza de uma vitória acentuando as virtudes dos opositores. Ao indicar o suicídio do inimigo diante da derrota, acentua a grandeza da vitória sobre tais "honráveis" opositores.17

Massada não é o único exemplo de assédio seguido de suicídio na Antigüidade. Cohen elenca 16 casos desse tipo de suicídio na Antiguidade, e muitas das suas características encontram-se presentes na narração de Flávio Josefo, o que constitui um elemento questionador da historicidade do episódio.18 Alguns dados da narrativa são suspeitos, como a afirmação de que, apesar das labaredas e das possíveis lamentações dos envolvidos no suicídio, os romanos não teriam suspeitado de nada (7,9). A narração é dramática, mas de pouca credibilidade. Dado que o suicídio só foi descoberto após a chegada dos romanos, e que os sobreviventes estavam escondidos, os detalhes descritos por Flávio Josefo não têm suporte histórico, e portanto a descrição é uma combinação de ficção e de conjecturas.19 O que deve ter ocorrido foi o suicídio de um certo número de sicários, e este fato teria sido ampliado por Flávio Josefo; alguns teriam lutado contra os romanos e outros tentado fugir, o que explicaria os 25 esqueletos encontrados numa caverna.

Assim, o relato de Flávio Josefo teria sido modelado na tradição historiográfica greco-romana a respeito de suicídios coletivos, em que eram comuns os exageros na narração; 20 no entanto, tais exageros e outros dados provindos da arqueologia não são considerados provas de que o relato de Flávio Josefo sobre Massada seja uma simples invenção literária. Newell defende que a presença de nomes individuais num relato de suicídio demonstra a probabilidade de historicidade, sobretudo no caso de Eleazar, ben Yair, cujo nome foi inscrito numa peça de cerâmica encontrada no local. O que FLÁVIO JOSEFO faz, segundo ele, é ampliar a narrativa incluindo dois longos discursos que são utilizados como conclusão de seu trabalho.21 Não obstante a proximidade de Flávio Josefo com os fatos que relata, é difícil querer analisar sua obra com a preocupação de compreender "o que realmente aconteceu".22

 

O PERFIL DE FLÁVIO JOSEFO

Flávio Josefo representa a corrente moderada dos judeus, aliada dos romanos, e descreve os inimigos de Roma como seus inimigos. A obra parece, às vezes, mais uma descrição de seus conflitos pessoais que aquele dos judeus com os romanos. Neste sentido, devemos destacar o ódio destilado por ele contra seu arquiinimigo João de Giscala, o personagem por ele mais citado (15 vezes), depois de Vespasiano (22 vezes) e Tito (25 vezes), apesar de João não ser considerado um grande inimigo pelos romanos.23

Flávio Josefo começa seu relato como general judeu em luta contra os romanos, mas pouco a pouco vai mudando de opinião a respeito dos conflitos e termina envidando todos os esforços para demonstrar a inutilidade de se gastar as forças internas tanto em guerras civis como na luta contra os romanos. Quando fala de guerra civil refere-se ao confronto dos zelotas e sicários com todos os grupos filo-românicos (4,378), particularmente aqueles das classes elevadas (2,168), que procuravam defender seu patrimônio contra seus compatriotas "revolucionários" ­ talvez um dos principais motivos da ira de Flávio Josefo, como membro da aristocracia judaica.

Esta mudança de posição justifica-se por um conjunto de fatos que aproxima Flávio Josefo dos romanos. Arriscando-se como profeta, ele anuncia que Vespasiano seria o próximo imperador (3,401), em substituição a Vitélio (69) ­ talvez se servindo de uma análise do óbvio, ou seja, Vespasiano era no momento o mais cotado para assumir o império. Profecia ou não, este fato trouxe-lhe uma série de benefícios e a partir daí sua avaliação dos conflitos muda de tom. Os generais romanos envolvidos na contenda passam a ser apresentados mais como salvadores que como opressores dos judeus, 24 e os revoltosos se transformam em simples leistai/bandidos/terroristas.

No entanto, se existem de um lado vários elementos internos que despertam estranhezas num leitor atento e perplexidade no pesquisador - alguns chegam até mesmo a rejeitar o trabalho historiográfico de Flávio Josefo25 ­, de outro não se pode deixar de filtrar nesta obra informações importantes para o conhecimento de um período com escassa documentação. Deve-se, no entanto, realizar uma proeza arqueológica, no sentido de que é necessário escavar informações encobertas por uma crosta épica onde tudo parece estar em função de batalhas mas não dos soldados que delas participam, nem de suas mulheres, de seus filhos ou de seus lares e de seus campos, e nem da descrição da realidade nua e crua que envolve a maioria da população da Palestina.

Muitas das fontes que fornecem informações históricas sobre o judaísmo do período em questão perderam-se e são apenas citadas por Flávio Josefo ou outros autores: Memórias do rei Herodes (Ant., 15,174), Ptolomeu (Ammonius, De adfinium vocabulorum differentia), Nicolau de Damasco26 (2,33-36 et passim), Comentários sobre Vespasiano27 (Aut. 65,342.358; Contra Apion 1,56), Antonio Juliano,28 Justo de Tiberíades 29 (Aut. 9,36-42 et passim). Dentre as fontes gregas disponíveis se destacam: Estrabão de Amaseia,30 Plutarco,31 Apiano,32 Dio Cassio,33 e dentre as latinas: Tácito,34 Suetônio. 35 Além dessas fontes, Schürer destaca ainda as inscrições judaicas e não-judaicas, palestinas e não palestinas, produzidas em grego, latim, hebraico e aramaico, e as informações indiretas provenientes da literatura rabínica (Mishnah, Tosefta, Talmud, Midrash e Targum),36 mas Flávio Josefo continua sendo a principal delas com relação à Palestina.

 

A SOCIEDADE PALESTINA ENVOLVIDA NA GUERRA

As proporções assumidas pela guerra entre judeus e romanos superam todos os embates anteriores, tanto em volume de indivíduos envolvidos quanto nos detalhes presentes no único documento sobre o episódio, ou seja, A Guerra Judaica, de Flávio Josefo.

O domínio romano sobre a Palestina iniciou-se por volta de 62 a.C., após a anexação da Síria por Pompeu.37 Seguindo a prática de utilizar lideranças locais para governar os territórios dominados, os romanos nomeiam Herodes, um idumeu, rei da Judéia, que ficaria no trono entre 37 a.C. e 4 d.C.38 O período de seu governo é fortemente criticado internamente. Alguns o acusam de torturar membros da comunidade judaica;39 o próprio Flávio Josefo diz que a Palestina, antes próspera, foi transformada por Herodes num país de miseráveis e de injustiças (GJ 2,86). Devemos antecipar que é esta deterioração da situação social dos judeus da Palestina que se constituirá no principal motor da guerra civil e da revolta contra os romanos, mesmo que Flávio Josefo quisesse dar-lhe uma outra interpretação.

As práticas de Herodes corroem as bases da pretensa pax romana promulgada por Augusto (31 a.C-14 d.C.), com validade para todos os territórios conquistados, inclusive a Palestina.

Em 6/7, o polêmico censo de Quirino40 ­ verificação de quem é quem e de quem tem o quê na Palestina ­ resultou na imposição de uma taxa per capita sobre a população da Judéia, o que provocou uma revolta sob a liderança de Judas, cujos seguidores serão conhecidos como zelotas, e que juntamente com os sicários seriam os principais protagonistas no confronto narrado por Flávio Josefo. Entre 26 e 36, Pilatos, governador da Judéia, afrontando valores religiosos dos judeus, quis introduzir uma imagem do imperador em Jerusalém (2,169), apropriando-se, em seguida, dos tesouros do templo de Jerusalém para a construção de um aqueduto nesta cidade. O governo do imperador Calígula (37-41) foi marcado pela tentativa de abolir o culto judaico em Jerusalém e instalar em seu lugar sua estátua e o culto ao imperador.41 O que estamos verificando é a mistura de elementos econômicos e simbólicos na confecção da rejeição dos romanos.

Em meados do século I, calcula-se entre 50 e 80 milhões os habitantes do Império Romano, dos quais cerca de 90% viviam no campo. Porém a terra, a principal fonte de sobrevivência para a população do Império, inclusive aquela da Palestina, era muito mal distribuída. Na península Itálica e nas Províncias a maioria das terras produtivas estava nas mãos de uma minoria. No Egito encontramos o caso de 42 agricultores partilhando de uma mesma casa. Sêneca indica que os pobres constitíam a maior parte da população e que a situação tinha poucas chances de ser mudada.42

As mudanças de condições sociais podiam ocorrer em situações específicas, quando um indivíduo possuía talentos comerciais ou financeiros ou por serviços políticos e militares prestados a um imperador, como é o caso do próprio Flávio Josefo, ligado de uma maneira particular a Vespasiano. O caso do liberto Trimalquião narrado no Satyricon de Petrônio, se histórico, trata-se de uma grande exceção à regra.

Deve-se destacar que as camadas inferiores nas cidades diferenciavam-se das camadas inferiores rurais. Nas cidades essas camadas eram mais uniformes que as rurais e detinham uma posição mais favorável. 43 Na Judéia e no Egito a situação da população rural "livre" era mais desfavorável que a dos escravos nas propriedades de senhores romanos. Filo (De spec. leg. 3,159) descreve um quadro sombrio da camada rural, destacando os pesados impostos a que era sujeitada. Em casos de fuga de camponeses para não pagarem impostos, suas famílias ou vizinhos eram brutalmente maltratados e mesmo torturados até a morte.

A maior parte dos que se opunham a Roma pertencia sempre à classe rural. Indicando os motivos que levaram às revoltas camponesas na Palestina entre 66 e 70, Alföldy destaca a opressão extremamente severa sobre da população judaica da Palestina por parte de romanos e da própria aristocracia local, que incluía os sumos sacerdotes. 44

Em fins da era de Augusto (aprox. 14), a verdadeira camada dominante era constituída aproximadamente por 160 pessoas. Um exército permanente de 350.000 a 400.000 homens garantia o statu quo, tornando ineficaz qualquer revolta contra o domínio dos romanos (GJ 2,245ss) e das lideranças locais, suas aliadas.45 A obra de Flávio Josefo constitui indiretamente a descrição desse quadro socio-político e dos sentimentos e movimentos que opuseram romanos e judeus, sobretudo entre os anos 66 e 70. Apesar de conhecer muito bem essa realidade, a posição social de Flávio Josefo, membro de uma família sacerdotal proprietária de terras, atingida em cheio pela ação dos rebeldes, o levaria a escamotear as verdadeiras causas da revolta judaica.46

 

A INTERPRETAÇÃO DA GUERRA JUDAICA

A interpretação dos motivos que causaram a guerra judaica contra os romanos tem causado polêmicas entre os estudiosos. A interpretação teológica, sempre partindo das informações de Flávio Josefo, como a de Helgo Lindner (1972),47 considera a guerra judaica como um castigo de Deus pelos pecados dos judeus. Flávio Josefo chega a considerar a guerra dos judeus uma luta não apenas contra os romanos, mas também contra Deus (GJ 5,378-390); ele lembra aos judeus que seus antepassados foram protegidos de seus inimigos inúmeras vezes sem ter que pegar em armas. Refere-se especialmente ao Êxodo do Egito e à libertação do jugo babilônico por obra de Ciro. A invasão dos romanos deve-se, no entanto, segundo Flávio Josefo, aos pecados do povo judeu (GJ 5,394-395).

Numa mesma linha de interpretação religiosa dos fatos, Hengel (1961)48 indica como causa das revoltas o fato de os romanos terem desafiado elementos do credo judaico.

Outros estudiosos, como Heinz Kreissig,49 sugerem abandonar a interpretação religiosa centrando a atenção basicamente nas questões sociais e econômicas que desencadearam o conflito. Para reconstruir a realidade da população envolvida nos conflitos é preciso levar em consideração que as descrições de Flávio Josefo a respeito de algumas regiões ­ Galiléia, Jericó, Engedi ­ não se aplicam ao resto do país. No seu entender:

A região da Galiléia era rica em terras, pastagem e árvores de toda espécie (3,42). Nas terras em torno do lago de Genesaré cresce de tudo, principalmente, nozes, palmeiras, figos e oliveiras (3,517). O clima é temperado e a terra é irrigada por nascentes. A Galiléia é menor que a Peréia, mas supera sua produção (3,44). Na Galiléia não existe um único espaço que não seja cultivado (4,43). A região de Jericó não pode ser confrontada com nenhuma região do mundo em produtividade (4,473).50

A região do oásis de Engedi, na metade da margem ocidental do mar Morto (396 metros abaixo do nível do mar), a 56 quilômetros de Jerusalém, é também apresentada como uma região produtiva.

Inicialmente deve-se dizer que esta visão paradisíaca da Galiléia tecida por Flávio Josefo pode ser questionada, pois havia erosões em grandes extensões de terra ao norte do lago de Genesaré, assim como uma faixa de 50 quilômetros de solo basáltico, que afetou uma faixa de terras de 50 quilômetros que se entende do lago de Hule (hoje drenado), ao norte, até Agripina, ao sul.51

Estrabão (XVI, 2.36) também apresenta um quadro bem menos favorável que o de Flávio Josefo sobre a topografia palestina. Ele assevera que, quase todo o território era seco e coberto de pedras. Os proprietários das melhores terras eram os descendentes da casa real. A improdutividade da terra da maioria a levava a endividar-se. Nesse momento multiplicavam-se as práticas de empréstimos a juros. Os pequenos agricultores eram os mais atingidos pela improdutividade e pelas cobranças de taxas, quer por parte do Templo de Jerusalém quer por parte dos romanos.52

Os movimentos sociais na Palestina e em outras regiões do Império nasceram nessas circunstâncias. A guerra judaica foi apenas uma das tantas eclosões sociais que romperam entre os anos 6 e 70 no Império. No entanto, Flávio Josefo não conecta o que estava acontecendo na Palestina com a realidade do resto do Império. Essas revoltas já tinham se iniciado sob o helenismo. No Testamento dos 12 Patriarcas, os últimos governantes asmoneus são comparados a monstros do mar que escravizam seus filhos e filhas livres, roubando seus pertences (Testamento de Judá, 21).

Assim, devemos dizer que a hostilidade dos grupos judaicos descrita por Flávio Josefo não se embasa tanto em questões religiosas, mas em fatos concretos de supressão e exploração das classes inferiores por parte das lideranças locais e dos romanos.

Aqui reside a razão para a existência de leistai/bandidos/terroristas na Palestina, pessoas que por gerações - primeiro contra os sumos sacerdotes defendidos peles selêucidas, depois pelos asmoneus e Herodes, e agora contra os romanos ­ defenderam sua difícil existência contra o poder de seus verdadeiros "assaltantes", o poder de Estado. Se Flávio Josefo não toca nestas questões, como já destacamos, é principalmente porque ele pertencia à minoria dominante.

Após a morte de Herodes, as revoltas que não tinham sido coordenadas assumiram uma nova forma, nesse momento chefiadas por líderes bem definidos. Se tais líderes encontraram uma fácil adesão das massas foi devido à situação precária em que viviam.53 O que Flávio Josefo faz para justificar suas críticas aos rebeldes é demonizá-los. Ele assim o faz identificando suas ações "violentas" como desrespeito às leis religiosas; colocando-os em choque com os valores judaicos, ele nega destacadamente aos líderes da revolta a nacionalidade judaica, tornando-os inaptos para representar o sentimento nacional diante dos romanos, e logicamente, perante as lideranças locais. Mas o que Flávio Josefo não revela é que a maioria da população ­ empobrecida ­ quer a eliminação da velha estrutura de Estado encabeçada pelo Sinédrio ­ composto pelos sumos sacerdotes e grandes proprietários, juntamente com o nepotismo e enriquecimento à custa do povo ­, agora fortalecida pela aliança com os romanos.

Flávio Josefo insiste em defender que a ordem social é dada por Deus, por sua ação, e que ele não se sente nem um pouco traidor do povo judeu ao bandear para os romanos, que se tornaram a garantia da ordem na Palestina. Assim, o quadro que Flávio Josefo tece dos inimigos é o quadro que a classe dominante tece no século I da nossa era.

 

OS GRUPOS SOCIAIS DA PALESTINA DO SÉCULO I

Se de um lado pode-se falar em identidade judaica definida por um conjunto de normas comuns definidas na Torá, de outro, esse mesmo conjunto de normas é interpretado de diferentes maneiras pelos grupos que formam a nação judaica, ou seja, fariseus, saduceus e essênios (2,119). Durante a guerra contra os romanos surge o grupo dos sicários (2,254) e seus subgrupos.

O grupo que se envolve diretamente e mais profundamente nos conflitos e que se tornou porta-voz da ampla camada dos desfavorecidos é o dos sicários, que põem em causa o Estado usurpador por meio de seus representantes, seus cúmplices e seus símbolos. 54 Judas, o Galileu, é indicado como o criador dessa filosofia que, segundo Flávio Josefo, tem muito em comum com o pensamento fariseu, mas dele se distancia pelo profundo amor pela liberdade. Não obstante, este grupo é indicado por Flávio Josefo como sendo um ramo pernicioso do farisaísmo.55 Ele reserva um amplo espaço à crítica deste grupo que interpreta Roma como uma das bestas apocalípticas contra a qual o povo deve lutar, um símbolo que seria mais tarde retomado por João no Apocalipse (13,1).

Flávio Josefo atribui aos zelotas, e principalmente aos sicários (assim conhecidos por levarem uma sica=punhal na cintura, 2,425) a responsabilidade pela catástrofe nacional gerada pelo confronto com os romanos. Chega a dizer que compreendia sua aspiração à liberdade, mas não aceitava sua obstinação em querer realizar uma proeza impossível como aquela de vencer militarmente os romanos (2,95). Enquanto os zelotas se mantiveram ativos, mormente em Jerusalém, sob a liderança de Eleazar ben Simão, os sicários irão ter como principal meta a defesa de Massada, liderados por Eleazar ben Yair.

Flávio Josefo utiliza o termo lêistês para se referir aos membros desse grupo, com o significado ora de "bandidos", ora de revolucionários,56 devido à violência de sua ação no confronto dos romanos e de seus colaboradores judeus. Outros grupos que tinham precedido os sicários em ataques contra os romanos também são chamados de "bandidos" (lêistai) por Flávio Josefo (2,254).

Um dos atos dos revolucionários foi colocar fogo no arquivo do templo de Jerusalém, onde estavam depositados os contratos de empréstimo (2,427), o que pode indicar que um dos motivos de sua revolta eram os pesados juros pagos pela população por empréstimos contratados com a aristocracia judaica. Essa ação tem fortes características de uma guerra civil e Flávio Josefo diz que sua violência e conseqüências se equiparavam à de uma guerra com um inimigo externo. As pilhagens (4,408-409) realizadas eram utilizadas para financiar sua ação contra os romanos. O grupo de João de Giscala, principal inimigo de Flávio Josefo, era acusado de invadir a casa dos ricos, matar e estuprar (4,560). A revolta gerou, de fato, grupos de extremistas que extrapolaram os objetivos da luta contra os romanos e a aristocracia judaica. No entanto, o grupo mais violento era o de Simão, filho de Jora, que além dos saques e ataques aos ricos importunava outras pessoas de maneira despótica (2,652). Ele chegou a ser considerado pelo povo como um inimigo pior que os romanos (4,558). Os próprios zelotas tentaram prender Simão (4,538). Ao descrever esta espiral de violência, Flávio Josefo vai construindo uma situação tal que faz dos romanos a única salvação para os judeus.

Hobsbawn57 evidenciou que em sociedades agrárias, sob certas condições de crise econômica severa causadas por fatores como fome, inflação e altos impostos, ou anexação de terras, o banditismo pode atingir proporções epidêmicas. Ele pode surgir também quando se provocam rupturas em uma sociedade tradicional pela imposição de uma nova política ou sistema econômico.

Os desmandos da administração romana já tinham estimulado o surgimento desse "banditismo" descrito por Flávio Josefo já nas décadas de 30 e 40. Os camponeses, os mais atingidos por esta situação tendem a se aliar ou, pelo menos, dar guarida a esse grupo, que como em outras situações, surgem naturalmente em momentos de excesso de pobreza e opressão. Este banditismo social judaico constitui uma forma de rebelião pré-política que se distingue, como reconhece o próprio Flávio Josefo (heteron eidos lêstôn, 2,254), dos sicários. Estes se distinguem por uma ação mais definida politicamente e pelo uso de estratégias de luta.58 Na década de 60, Flávio Josefo descreve um grande crescimento do banditismo que levou as camadas populares a um posicionamento cada vez mais claro contra a ordem estabelecida, o que acabou tornando-se a principal causa de revolta judaica. A decisão romana de reprimir violentamente a revolta queimando e saqueando aldeias em todo o território (2,503-05) resultou num aumento do número de bandidos, acrescido pelos fugitivos provenientes das cidades sírias, onde foram travadas muitas lutas contra os judeus, assim como das regiões destruídas pelos romanos. O alvo destes grupos são, de um lado os romanos e, de outro a classe dominante judaica responsabilizada também pela crise interna.à medida que as condições da guerra tornavam insustentável a vida normal e produtiva, os camponeses se engajam nas fileiras do banditismo enquanto que os proprietários e os cidadãos eminentes dão seu apoio aos romanos (4,130). Fugindo da perseguição romana, os vários grupos de revoltosos, inclusos os bandidos, se dirigem para Jerusalém formando uma coalizão para lutar tanto contra os romanos e continuar a lutar contra os considerados dominadores internos, os sacerdotes ilegítimos e os poderosos donos de terra (4,138-157). No entanto, a luta não se restringe apenas a Jerusalém, onde o confronto é sobretudo contra os romanos; acontecem escaramuças em todo o país (4,406-09).

Dentre os membros desses grupos surgem líderes como João de Giscala e Simão ben Jora, que se tornam personagens centrais na condução da revolta e que se distinguem pela exploração dos ricos em benefício da defesa comum. Enfim, um exame dos "bandidos" mencionados por Flávio Josefo ajuda a compreender muito a respeito da sociedade judaica sob os romanos e ajuda a entender o background da revolta judaica.59

Após 68, toda a Palestina, incluindo a parte externa dos muros de Jerusalém, ficou sob o domínio dos exércitos romanos e, de 69 a 70, entrou em cena um governo despótico com a proibição das assembléias populares para prevenir o surgimento de novas conspirações. As antigas formas constitucionais foram abolidas, e o Estado foi transformado num regime ditatorial pessoal.60 Uma das penas aplicadas contra os revolucionários era a crucificação, como ocorreu com Eleazar e membros de seu bando, a mando de Nero (2,253).

O povo judeu como um todo sofreu intensamente as conseqüências da guerra (5,343-44) e com relação aos rebeldes, a fome tornou-se seu maior problema (5,429), instigando, segundo Flávio Josefo, o furor homicida dos rebeldes (5,424) que suscitaram na população atitudes contra a própria natureza, eliminando qualquer sentimento: as mulheres tiravam a comida da boca dos maridos; os filhos, dos pais; as mães das crianças (5,430.515). Uma mulher judia, Maria, filha de Eleazar, cozinhou e comeu o próprio filho (6,207). Esta foi considerada a pior situação vivida pelo homem desde a criação do mundo (5,442). No fundo, uma situação de profunda miserabilidade.

Jerusalém ficou cheia de cadáveres (5,514; 5,59). Os 115.880 cadáveres transportados para fora da cidade eram na maioria de membros do povo simples (5,567). Alguns dizem que esse número chegou a 600.000 (5,569). Os romanos saquearam tanto ouro dos judeus, que na "bolsa de valores" da Síria este metal perdeu 50% do seu valor (6,317); o número de prisioneiros chegou a 96.000, e dentre estes o número de indivíduos escravizados foi tão grande que chegou a influir no mercado escravo, baixando os preços do setor (6,384). Dos prisioneiros que não foram escravizados, uma parte foi expatriada para o Egito (6,418), e outra obrigada a lutar na arena com animais ferozes (6,418).

A guerra, cujo centro fora Jerusalém, tinha envolvido judeus de várias partes em virtude de sua presença em Jerusalém para a festa dos ázimos (mazot). Para calcular o número de pessoas presentes nessa festa levou-se em consideração uma Páscoa, em Jerusalém, em que foram feitos 255.600 sacrifícios, sendo cada sacrifício oferecido por um grupo de 10 judeus, resultando numa presença de 2.556.000 judeus na cidade (6,422) por ocasião da principal batalha contra os romanos.

Os suicídios coletivos narrados por Flávio Josefo podem ser considerados como uma outra conseqüência social dessa guerra. Com relação a tais episódios, mesmo que Flávio Josefo tenha sido influenciado por relatos semelhantes provenientes da literatura greco-romana, parece ter sido uma prática em situações-limite envolvendo doenças incuráveis (1,662-663), assédio do inimigo, perda da liberdade e arrependimento por atrocidades praticadas (2,474-75;3,296;3,331;3,368.390-91). O suicídio podia envolver toda a família (4,71).61 Jerusalém, o principal palco das lutas, viu eliminados os traços de seu antigo esplendor (6,8), e esta era a segunda vez que a cidade tinha sido destruída. A primeira vez foi pelos babilônios em 585 a.C. (6,435).

 

IMAGINÁRIO RELIGIOSO

Flávio Josefo refere-se à presença de indivíduos que propagavam falsas profecias62 na Palestina, segundo as quais Deus interviria no conflito em defesa do povo judeu, minando o poder romano, e conforme ele, estas idéias teriam impedido uma avaliação realista do conflito e da posição de desvantagem dos judeus, causando a morte de muitos deles (6,285.288). Os sacerdotes do templo ouviram na festa de Pentecostes uma voz que dizia: "Sairemos deste lugar" (metabainomen ententhen) (6,299), como uma premonição da sua destruição pelos romanos. Cita-se outro sinal da destruição: quatro anos antes da guerra, um certo Jesus, filho de Ananias, proclamou no templo e pelas ruas da cidade o surgimento de "...uma voz do oriente, uma voz do ocidente, uma voz dos quatro ventos, uma voz contra Jerusalém e o templo..." (6,300).

Flávio Josefo analisa todas essas previsões como um cuidado que Deus tinha pelo seu povo, indicando-lhe um modo de se salvar. Porém continua: se tudo aconteceu é porque o homem não pode fugir ao seu destino mesmo quando o prevê. O próprio Flávio Josefo se apresenta como tendo tido sonhos prenunciadores da calamidade que envolveu os judeus, sonhos que ele mesmo interpreta (3,352).63

Com isso, Flávio Josefo acaba dizendo que uma explicação para a catástrofe pode ser simplesmente o destino que já tinha sido traçado para o povo judeu. A respeito da profecia encontrada na Escritura, de que surgiria um dominador do mundo proveniente de Israel, Flávio Josefo defende que ela é cumprida por Vespasiano (6,5,4), que se torna imperador no período do conflito. Considera-se que tal profecia se referia a uma intervenção de um Messias que estenderia o reino de Israel a todos os povos. Flávio Josefo, no entanto, a interpreta em chave imperial (adventus Augusti),64 ou seja, os romanos são considerados quase como um Messias para Flávio Josefo.

 

CONCLUSÃO

Em A Guerra Judaica, Flávio Josefo traz muitas informações militares, destacando o poder dos romanos e a incapacidade e ousadia dos judeus de enfrentá-los numa batalha cujo resultado, segundo ele, já estava definido desde o seu início. Não obstante a falta de imparcialidade detectada na obra do autor, como fariseu filo-românico, suas informações obtidas por meio de seu testemunho pessoal ou do apoio de suas fontes diretas ou indiretas permitem enriquecer o conhecimento sobre a vida cotidiana na Palestina, mesmo que elas não tenham sido priorizadas no relato.

A política de Herodes e de seus sucessores tornou a Palestina um país de miseráveis e de injustiças, com exceção dos habitantes de poucas regiões privilegiadas pela fertilidade de seu solo. Estes fatos, aliados à situação de privilégio vivida pela aristocracia judaica em troca de seu apoio a Roma, suscitaram muitos conflitos internos que antecederam e acompanharam o confronto direto com Roma.

Os líderes da revolta encontraram poucas dificuldades para reunir grupos de revoltosos que se multiplicaram rapidamente pelo país, atacando inicialmente a aristocracia local para se proverem de armas e víveres. O longo período de lutas criaria dificuldades para o sistema produtivo, fazendo escassear os gêneros de primeira necessidade e aumentando rapidamente seus preços.

A preocupação com os valores nacionais, principalmente o respeito às regras e ritos religiosos, perderam lugar para a necessidade de sobreviver. Por mais que as lideranças religiosas tentassem demover a população de um confronto "suicida" com os romanos, o desespero generalizado não vislumbra outra alternativa.

Os discursos acalorados de Flávio Josefo para situar os judeus diante de sua incapacidade de enfrentar os exércitos romanos não tiveram efeito algum. O nacionalismo ­ ou a fome ­ falaram mais alto. O volume de grupos envolvidos no conflito impede a organização da resistência interna, jogando tais grupos uns contra os outros, perdendo-se o controle da situação. Os momentos de união são poucos e fugazes. Este descontrole leva Flávio Josefo a denominar os membros de boa parte destes grupos de "bandidos", não reconhecendo neles mais seus compatriotas pré-herodianos. Alguns grupos possuem uma coesão interna muito forte que os leva a ações radicais, como aquele liderado por Eleazar ben Yair, que se decide por um suicídio coletivo envolvendo 960 judeus para não se entregar aos romanos.

A derrota recrudesceu a situação; além do grande número de mortos e prisioneiros, o Templo, centro financeiro da Palestina, foi espoliado de suas riquezas que foram levadas por Tito para Roma, ostentadas no desfile sob o arco que leva seu nome, construído para a ocasião. Enfim, Flávio Josefo demonstrou que podia ter apenas um controle literário sobre os conflitos, obtendo direta ou indiretamente muitas informações sobre eles, mas seus artifícios retóricos, a serviço do poder romano, não conseguiram evitar o conflito que desmantelou a estrutura da sociedade judaica da Palestina do primeiro século.

 

NOTAS

1 Departamento de História ­ Faculdade de Ciências e Letras ­ UNESP ­ 19806-173 ­ Assis ­ SP.
2 Em todas as citações de A Guerra Judaica, de Flávio Josefo, será omitida a citação da obra. P.ex. (3,401) significa (A Guerra Judaica 3,401). Será usada a sigla GJ apenas quando for necessário distinguir a obra de Josefo de outras citadas no mesmo espaço.
3 BUTTRICK, G. A. The Interpreters Dictionary of the Bible. Nashville: Ingdon Press, 4.v, 1962, 1.v. Supl, p.987.;         [ Links ]Schürer, E. The history of the Jewish people in the age of Jesus Christ (175 a.C.-100 d.C.). Edinburgh: T & T Clark, 1979, v.1, p.58.         [ Links ]
4 GIUSEPPE, Flavio. La guerra giudaica. Trad. e notas G. Vittucci. S.l.: Arnaldo Mondadori Ed. 1974, v.1, p.XXXVIII-XL.         [ Links ]
5 Pesquisa realizada em outubro de 2000, utilizando o WebFerret.
6 http://www.uni-muenster.de/Judaicum/Welcome.html. Acesso em: 9 jun. 2002.
7 www.perseus.tufts.edu. Acesso em: 9 jun. 2002.
8 SIEVERS, J. New resources for the study of Josephus. Roma: Pontifício Institucional Bíblico, 1988, p.2.         [ Links ]
9 Para a bibliografia sobre a contribuição da arqueologia no estudo das obras de Flavio Josefo ver: FELDMAN, Louis H. Josephus and Modern Scholarship (1937-1980). New York: Wlaer de Gruyter, 1984, p.735-769.         [ Links ]
10 BROSCHI, Magen. The credibility of Josephus. Jornal of Jewish Studies, n.33, p.379-384, 1982, p.379-380, 383.         [ Links ]
11 BROSHI, Magen. La population de l'Anciènne Jerusalém, Revue Biblique, n.82, p.5-14,1975, p.5;         [ Links ]BYATT, Anthony. Josephus and population numbers in first century Palestine, Palestine Exploration Quarterly, p.51-60, 1973, p.55.         [ Links ]
12 É exagerado também o número de judeus mortos em Jerusalém durante a guerra: 1 milhão e 100 mil (6,420).
13 BYATT, Op. cit. p.51-58.
14 VIDAL-NAQUET, P. Flavius Joseph et Masada, Revue Historique, ano 1, v.260, p.3-21, 1978, p.12[         [ Links ]STANDARDIZEDENDPARAG]
15 SHANKS, Hershel. Massada. Biblical Archaeology Review, jan-fev, p.58-63, 1997, p.62-63.         [ Links ]
16 VIDAL-NAQUET, P. Op. cit., p.10.
17 NEWELL, Raymond R. The forms and historical value of Josephus' suicide accounts. In: FELDMAN, L.H., FATA, G. Josephus, the Bible and History. Detroit: Wayne State University Press, 1989, p. 287.         [ Links ]
18 COHEN, s. j. d. Massada: literay tradition, archeological remains and the credibility of Josephus. Journal of Jewish Studies, n.33, p.385-405, 1982, p.386-389;         [ Links ]NEWELL, R. R. Op. cit., p.278-279.
19 COHEN, s. j. d. Op. cit., p. 386-389.
20 Idem, p. 386-389.
21 NEWELL, R.R. Op. cit.., p.289-290.
22 FINLEY, M. I. História Antiga. Modelos e testemunhos. São Paulo: Martins Fontes, 1994, p.64.         [ Links ]
23 RAPPAPORT, U. John of Gischala: form Galilee to Jerusalem, Journal of Jewish Studies, n.33, p.479-493, 1982, p.484-485.         [ Links ]
24 JOSEPHUS,The Jewish War. Trad. e com. H. St.J. Thackeray. Cambridge: Harvard University Press, 1968, v.1, p.VII.         [ Links ]
25 COHEN, S. J. D. Josephus in Galilee and Rome: his Vita and developments as a historian. Leiden: Brill, l979.         [ Links ]Uma posição diametralmente oposta à daqueles que defendem cegamente a intocabilidade de Flávio Josefo, como BRIGHT, J. História de Israel. Trad. Euclides Carneiro da Silva. São Paulo: Paulinas, 1981, p.566.         [ Links ]
26 Nasceu aproximadamente em 64 a.C.
27 FLÁVIO JOSEFO entra em contato com este documento após a composição de GJ, pois não faz referência a este nesta obra. Cf Schürer, E. The history of the Jewish people in the age of Jesus Christ (175 a.C.-100 d.C.). Edinburgh: T & T Clark, 1979, v.1, p.33.         [ Links ]
28 Séc. II d.C.
29 Tem posição destacada na Guerra Judaica de 66-7 d.C.
30 64 a.C.-21 d.C., aprox.
31 50-120 d.C., aprox.
32 Sua obra é escrita por volta de 150 d.C.
33 Sua obra é escrita nas duas primeiras décadas do séc. III d.C.
34 56-120 d.C., aprox.
35 69-125 d.C., aprox.
36 SCHÜRER, Emil. The history of Jewish people in the age of Jesus Christ (175b.C.-A.D.100). Endiburg: T & T Clark, 1979, v.1, p.11-12; 26-37; 63-68.
37 Pompeu é quem derrota as últimas tropas de Espártaco. Simon, Marcel; Benoit, André. Judaísmo e cristianismo antigo. De Antíoco Epifânio a Constantino. Trad. Sônia Maria S. Lacerda. São Paulo: Livraria Pioneira, Edusp, 1987, p.53[         [ Links ]STANDARDIZEDENDPARAG]
38 LEIPOLDT, J; GRUNDMANN, W. El mundo del Nuevo testamento. Trad. do al. Luiz Gil. Madri: Ediciones Cristiandad, 1973, p.174[         [ Links ]STANDARDIZEDENDPARAG]
39 STAMBAUCH, J. E.; BALCH, D. L. O novo testamento em seu ambiente social. Trad. João Rezende Costa. Sãoi Paulo: Paulis, 1996, p.18-ss.         [ Links ]
40 SCHÜRER, Emil. Op. cit. p.405-407.
41 STAMBAUCH, J. E.; BALCH, D. L Op. cit., p.21-22. Sobre o censo de Quirino ver: SCHÜRER, E. Op. cit. p.399-427.
42 Sêneca, Helv. 12,1; ALFÖLDY, Géza. A história social de Roma. Trad. Maria do Carmo Cary. Lisboa: Presença, 1989, p.123-124.         [ Links ]
43 ALFÖLDY, Géza. Op. cit., p.149.
44 Idem, p.171.
45 Idem, p.161-168.
46 Kreissig, Heiz. A marxist view of Josephus account of the Jewish war. In: Feldman, L.H. Hata, G. (ed.). Josephus, the Bible and History. Detroit: Wayne State University Press, 1989, p.274.         [ Links ]
47 LINDNER, Helgo. Die Geschichtsauffassung des Flavius Josephus in Bellum Judaicum, Leiden: s.n., 1972.         [ Links ]
48 HENGEL, M. Die Zeloten. Leiden: Brill, 1961.
49 A marxist view of Josephus account of the Jewish war. In: Feldman, L.H. Hata, G. (ed.), 1989, p. 265-277.
50 Josefo faz aqui um parêntese para falar de Jericó, o que talvez possa ser uma adição à sua obra.
51 Wilkinson, John. Jerusalém ammo Domini. Trad. Bárbara Theoto Lambert. São Paulo: Melhoramentos, 1993, p.21[         [ Links ]STANDARDIZEDENDPARAG]
52 Kreissig, Heiz. Op. cit., p. 267-268.
53 Idem, p. 270-271.
54 VIDAL-NAQUET, P. Op. cit., 1978, p.4.
55 HADAS-LEBEL, Mireille. Flávio Josefo. O judeu de Roma. Trad. Paula Rosas. Rio de Janeiro: Imago, 1991, p.49[         [ Links ]STANDARDIZEDENDPARAG]
56 ARNDT, W. F.; GINGRICH, F. W. A Greek-english Lexicon of the New Testament and other early Christian Literature. Chicago: University of Chicago Press, 1980.         [ Links ]O termo aparece 46 vezes em A Guerra Judaica. Doravante utilizaremos o termo revolucionários para nos referir aos sicários e zelotas.
57 HOBSBAWN, E. J. Rebeldes Primitivos. Estudos sobre formas arcaicas de movimentos sociais nos séculos XIX e XX. Rio de Janeiro: Zahar, 1978, p.15.         [ Links ]
58 HORSLEY, Richard A. Ancient Jewish Banditry and the Revolt against Rome, A.D.66-77, The catholic Biblical quarterly, n.43, p.409-432, 1981, p.422-424.         [ Links ]
59 Idem, p.431-432.
60 Idem, p.314-318.
61 O suicídio aconteceu também entre os soldados do exército romano para não se entregarem aos judeus (6,188).
62 Acima se indica que Flávio Josefo não se dá conta das expectativas apocalíptico-messiânicas contemporâneas, que podem se identificar com as idéias propagadas por esses "falsos profetas".
63 Sobre os sonhos nos escritos de Flávio Josef ver GNUSE, R. K. Dreams and dream reports in the writings of Josephus. A traditio-Historical Analysis. Leinden: E.J. Brill, 1996.         [ Links ]
64 4 Cf Michel-Bauernfeind. De bello judaico. Der Jüdische Krieg. Herausgegeben und mit einer Einleitung sowie mit Anmerkungen versehn von Otto Michel und Otto Bauernfeind, Darmstadt-mündchen, 1959-1969, v. 2, p.190-ss, apud Flavio Giuseppe, La guerra giudaica. Trad. e notas de G. Vittucci., op.cit., v. 2, p.576.

 

 

Artigo recebido em 07/2004. Aprovado em 11/2004.

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