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História (São Paulo)

versão On-line ISSN 1980-4369

História v.26 n.2 Franca  2007

http://dx.doi.org/10.1590/S0101-90742007000200005 

DOSSIÊ: HISTÓRIA E CULTURA VISUAL

 

A fotografia na imprensa diária paulistana nas primeiras décadas do século XX: O Estado de S. Paulo1

 

Photography in the first decades of the twentieth century as reported by São Paulo state daily press: O Estado de S. Paulo

 

 

Telma Campanha de Carvalho Madio

Doutora em Ciências da Comunicação pela ECA/USP, professora adjunta do Departamento de Ciência da Informação da FFC/Unesp, Marília, Avenida Hygino Muzzi Filho, 737 CEP 17525-900

 

 


RESUMO

A pesquisa recupera as imagens fotográficas publicadas nas edições diárias do jornal O Estado de S. Paulo, de 1910 a 1929, identificando os temas mais recorrentes publicados pelo periódico. Com metodologia histórica, documental e de estudos de comunicação procedeu-se à organização e análise das imagens. Através da catalogação e ordenação das fotografias por datas de publicação, editorias em que foram publicadas e temas fotográficos mais recorrentes, presentes nos registros impressos, estruturou-se um banco de dados que permitiu a quantificação e o cruzamento dos registros e informações referentes a essa documentação. A análise de dados permitiu identificar elementos da formação da visualidade jornalística no país e traz subsídios para os estudos da história visual da imprensa brasileira.

Palavras-chave: Fotografia/Jornalismo/História/Imprensa


ABSTRACT

This research retrieves photography images that were published in daily issues of O Estado de S. Paulo newspaper from 1910 to 1929, pointing out the most recurrent subjects presented in these editions. Perfect organization and analysis of the images were obtained by means of a methodology based on previous historical, documental and communication studies. A database was compiled by using a thorough arrangement and a catalogue of the pictures according the date when were released, editorials where they were published on and the most recurrent photographic subjects present in the printed registry. Therefore, the data obtained and information related to this documentation could be confronted and quantified. The data analysis allowed to identify some important factors of the press view in our country and carry a great deal of information for further studies on the visual history of the Brazilian press.

Keywords: Photography/Journalism/History/Press


 

 

 

Essa fotografia foi publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, em 1910, durante a campanha de Ruy Barbosa à presidência do Brasil. O jornal nomeou um correspondente exclusivo para acompanhar as viagens do candidato pelo país, municiando a redação com fatos relevantes e imagens de apoio popular. A legenda da imagem é objetiva, com um claro caráter educativo, tentando evidenciar o caráter realista que queriam impor a esse novo recurso visual da comunicação impressa.

Nesse trabalho, procurei abordar o uso da fotografia no país nos diversos meios de comunicação, buscando elementos da história visual da imprensa, apontando e identificando os temas que predominavam nas fotografias publicadas, os profissionais e equipamentos que possibilitaram, efetivamente, a concretização de uma visualidade gráfica.

Fiz um levantamento não exaustivo das fotografias publicadas2 pelo jornal O Estado de S. Paulo no período de 1910 a 1930 e pesquisei a linha editorial, a parte gráfica, com a modernização dos maquinários e a introdução do processo de impressão conhecido como autotipia3 e também as primeiras experiências de impressão e diagramação de imagem e texto e finalmente os fotógrafos de imprensa.

Como aponta Joaquim Marçal:

Inicia-se, então, próximo à virada do século XIX, uma nova revolução no processo de comunicação empregado pelos órgãos de imprensa ilustrada da Europa e dos Estados Unidos, afetando mais uma vez a própria feição visual do jornalismo gráfico. As fotografias, antes copiadas por um artista da redação, passam agora a ser diretamente reproduzidas em suas páginas, em maior quantidade, através de processos fotomecânicos, dando margem a novas possibilidades de transmissão da informação e de sua interpretação. (Andrade, 2004, p. 31)

No país, diversos jornais tentam se modernizar, fazendo frente ao avanço das revistas ilustradas que proliferavam na imprensa nacional. As imagens publicadas nos jornais do país seguiam, em sua maioria, os mesmos padrões usados por essas revistas, sobretudo, em relação à composição e aos temas fotográficos.

... naquele momento avançado quanto ao tratamento gráfico e quase antigo em sua proposta editorial. As máquinas modernas podiam ser adquiridas com o dinheiro fácil do café e da indústria nascente enquanto o domínio da técnica era apenas uma questão de dedicação a seu aprendizado. ... Daí o forte apelo das mensagens presididas pela ilustração e, mais que isso, pelos símbolos do progresso que aquela imprensa tão diversificada cuidou de veicular, poderosamente instrumentalizada pelos recursos gráficos do mercado. (Martins, 2001, p.192-3)

O Estado de S. Paulo, jornal fundado em 1875, com o nome A Província de S. Paulo, foi idealizado por defensores da república, que viam no sistema monárquico um entrave ao desenvolvimento livre do Brasil. Segundo os ideais republicanos, o jornal deveria lutar na defesa das instituições, das liberdades democráticas e da moralização dos costumes políticos do país (Páginas da História, 2000).

Suas origens remontam à formação de uma sociedade4 que, segundo Nelson Werneck Sodré, era o esboço da imprensa industrial. Essa sociedade adquiriu uma oficina de chão batido no centro de São Paulo, com um maquinário velho, operado por mão-de-obra não qualificada. A redação era composta por Rangel Pestana e Américo de Campos, na direção. José Maria Lisboa era o gerente, Lúcio de Mendonça, o responsável pelas notícias, e Gaspar da Silva e Joaquim Taques ajudavam no trabalho de revisão e provas.

Como os outros jornais do tempo, uns mais outros menos, a Província de São Paulo, que esse foi o título adotado, vivia de anúncios (de casas comerciais de amigos, de falecimentos, de missas, de partida de navios de Santos, de espetáculos de teatro, de chegada de médicos da Corte, de negros fugidos) e, de assinaturas, estimuladas por prêmios sorteados com a loteria, o maior no valor de um conto de réis. Não havia venda avulsa. Esta foi iniciada pelo novo jornal, a 23 de janeiro de 1876: o ajudante de impressor Bernard Gregoire, tocando buzina nas ruas. A população achou aquilo um despautério, houve repulsa à iniciativa que levaria à "mercantilização da imprensa"..(Sodré, 1966, p. 260)

A publicação, com tiragem inicial de 2 mil exemplares para uma população de 31 mil habitantes na cidade de São Paulo, já nascia com características que a levariam a se distinguir dos outros periódicos, notadamente o auto entendimento de que se tratava de um empreendimento empresarial. A venda avulsa foi um grande diferencial adotado naquele momento. Posteriormente, as ações e aquisições vieram corroborar o caráter de mercadoria estabelecido àquele produto, bem como a necessidade de otimização dos lucros, por meio de uma administração racional aliada ao aprimoramento técnico e à atualização constante.

Em primeiro de janeiro de 1890, em decorrência da proclamação da República no ano anterior, o nome do jornal foi alterado para O Estado de S. Paulo e, no ano seguinte, Rangel Pestana, ao ser eleito para o Senado, deixou a direção total para Júlio de Mesquita, que, então, introduziu diversas inovações.

Porta-voz e articulador dos ideais liberais, o jornal tornou-se o órgão de maior prestígio e relevância na imprensa paulista e, nos anos subseqüentes, conquistou grande penetração nacional. As transformações e o desenvolvimento da cidade favoreceram a profissionalização e especialização dos colaboradores da empresa, possibilitando uma rápida melhora na impressão dos exemplares. As matérias mais constantes eram de cunho político, mas a cidade que se transformava e se modernizava recebia atenção especial de seus repórteres.

A indústria editorial paulista, por exemplo, assiste a um boom inesperado a partir do início dos anos 20 ... o próprio O Estado se beneficia dele, consolidando sua posição de jornal de maior tiragem do país, compondo um corpo de articulistas e redatores que envolve intelectuais dos mais brilhantes do país, além, dado excepcional, de algumas das maiores celebridades da imprensa européia, como colaboradores permanentes. (Sevcenko, 1992, p. 95)

Com o aumento de sua tiragem, atingindo a cifra de 8 mil exemplares e um grande alcance nacional, o jornal passou, cada vez mais, a promover campanhas de esclarecimento e persuasão ligadas aos ideais liberais e ao industrialismo paulista. Colocou-se, portanto, como um órgão formador de opinião pública, preocupado com a política nacional.

Ainda em relação às ampliações e inovações, em 1906, ocorreu a mudança do jornal para as novas instalações à Praça Antonio Prado, tendo Júlio de Mesquita como redator-chefe, Nestor Pestana, como secretário, e José Filinto, como gerente.

Entre os colaboradores encontravam-se os maiores literatos do país, que tinham nas crônicas, críticas e reportagens publicadas seu grande sustento. O prestígio e reconhecimento alcançados pelos que escreviam para o Estado de S. Paulo eram enormes, devido ao grande número de leitores, à divulgação nacional e à credibilidade do periódico.

O Grupo adquiriu um terreno na Rua 25 de Março, onde foram construídas as novas oficinas gráficas, e também incorporou ao seu patrimônio diversos prédios no centro da cidade destinados à instalação dos departamentos administrativos, além de um teatro, o Boa Vista5. Ao mesmo tempo, haviam encomendado na Europa as novas rotativas Marinoni e modernos linotipos que o colocariam como uma das empresas jornalísticas mais bem equipadas do país (Cruz, 2000).

Juntamente com essas modernizações houve uma reestruturação financeira, na qual os reclames e a venda avulsa tornaram-se os maiores responsáveis pela renda do jornal, diferentemente dos períodos anteriores.

Nessa década, o jornal firmou-se no cenário nacional como uma das maiores empresas jornalísticas do país e seus avanços técnicos imprimiram o tom e as articulações defendidas pela empresa, visando sempre estabelecer a primazia do jornalismo paulista.

Foram defensores do domínio da oligarquia cafeeira no comando do país, mas, posteriormente, passaram a questionar tal dominação política e o decorrente centralismo imposto aos demais estados, como entraves ao desenvolvimento pleno e irradiador que São Paulo poderia desempenhar.

Por reservarem a São Paulo um papel de liderança entre os Estados, a que caberia realizar o movimento de renovação política do país, enfatizavam a necessidade de mudanças na sua política interna, pois, enquanto não se libertasse do domínio das "oligarquias", não poderia assumir a posição de "guia" e "modelo" para liderar o movimento renovador de âmbito nacional. (Capelato e Prado, 1980, p. 32)

O jornal prosseguiu defendendo e apoiando, em suas páginas, os ideais liberais, as causas e os políticos, e a implantação e manutenção de um estado democrático. Advogava como único caminho para o fortalecimento da democracia o estabelecimento do voto livre e da instrução pública. Em 1926, apoiou a fundação, em São Paulo, do Partido Democrático, em oposição ao Partido Republicano Paulista, então detentor dos governos estadual e federal.

Em 1927, Júlio de Mesquita faleceu, aos 65 anos de idade, ano em que a tiragem do jornal atingia os 60 mil exemplares diários, e a capital paulista contava com aproximadamente 570 mil habitantes. A direção do jornal passou para Júlio de Mesquita Filho e Francisco Mesquita, que tinham como auxiliares diretos Nestor Pestana, Plínio Barreto, Leo Vaz e Ricardo Figueiredo.

Sua linha de atuação não foi alterada, mantiveram-se preocupados com a formação do caráter e da consciência nacional, como elementos que possibilitariam a consolidação da nacionalidade brasileira e a manutenção da unidade de Nação (Capelato e Prado, 1980).

Na consolidação como um dos representantes do liberalismo no país, o aprimoramento de seu parque gráfico, com a compra da rotativa6, tornando a produção do jornal automática, possibilitando a impressão de um grande número de exemplares num curto espaço de tempo, foi fundamental para a propagação e divulgação desses ideais. Essas máquinas são, portanto, um marco da evolução do trabalho gráfico (Gráfica, 2003).

Eram, justamente, os investimentos no parque gráfico os responsáveis pelo diferencial entre as publicações existentes no país. Tais inovações exerciam impacto direto no desenvolvimento e na expansão das empresas, a exemplo da conseqüente ampliação que teve o jornal com a aquisição de Júlio de Mesquita.

A imprensa brasileira não passou a usufruir, de imediato, o progresso da técnica de compor e imprimir. Durante bons anos, depois de utilizadas com êxito as invenções revolucionárias da rotativa e da linotipo, as oficinas tipográficas trabalharam com o mesmo material, já obsoleto da primeira fase. Mas, há que fazer justiça aos que, confiando no progresso e na consolidação de um negócio que sempre parecerá precário, partiram para investimentos na indústria gráfica. Não foram muitos. E dentre esses investimentos na indústria, contam-se em primeiro lugar jornais cariocas e paulistas, vanguardeiros da moderna indústria gráfica do Brasil. (Bahia, 1964, p. 47-8)

Segundo Bahia, as empresas que acompanharam as inovações técnicas, a fim de melhorar a apresentação do próprio conteúdo bem como ter rapidez na impressão e comercialização de seus exemplares, não promoveram somente a renovação de seus empreendimentos, mas a da imprensa nacional, como um todo.

Com a renovação da maquinaria – as rotativas "Marinoni" em lugar das velhas máquinas de retiração "Alauzet" – e a introdução da linotipo na composição feita anteriormente à base de caixa de tipos e manual, o que se renova, na realidade é a imprensa. A bobina de papel – o "papel sem fim" – que alimenta as rotativas assinala um estágio no desenvolvimento da indústria gráfica, substitui as folhas soltas, cortadas antecipadamente no formato do jornal. Também é quando as grandes tiragens começam a identificar o esforço e o trabalho criador do profissional da imprensa. (Bahia, 1964, p. 52)

O processo de modernização prosseguiu com aquisições de novos equipamentos e a constante preocupação com a qualificação da mão-de-obra e as instalações físicas. Segundo Werneck Sodré, em 1906, quando da aquisição da rotativa Marinoni, o jornal empregou dezenas de gráficos em suas oficinas e apresentou tiragens diárias de 35 mil exemplares, com 16 a 20 páginas, cada (Sodré, 1966, p. 371).

Concomitantemente à modernização do parque gráfico, eram anunciados os serviços prestados pela Oficina de Gravura d’ O Estado de S. Paulo.

Em 1925, o jornal O Estado de S. Paulo adquiriu um novo equipamento Marinoni, conforme anunciado na reportagem do dia 9 de dezembro daquele ano:

O tipo das duas mais perfeitas rotativas em construção nos Estabelecimentos Marinoni de Paris para O Estado de S. Paulo. Essas máquinas são dotadas de aparelhos de rotogravura, processo de impressão nítida e de maravilhosa beleza artística. Com as suas novas instalações, o Estado dentro em breve ficará habilitado a imprimir 80.000 exemplares em uma hora. Deste modo o jornal poderá ser distribuído cedo e com toda a pontualidade de entrega e expedição aos assinantes da capital e do interior.7

A partir de 1928, o jornal passou a publicar semanalmente duas páginas em rotogravura8, melhorando, de modo geral, a qualidade das fotografias da imprensa diária. As oficinas foram transferidas novamente, dessa vez, para a Rua Barão de Duprat, e, em 1929, a redação instalou-se na Rua Boa Vista. Como ressalta Werneck Sodré, foi uma fase de grande prosperidade para o jornal (Sodré, 1996, p. 423).

Em 1930, as duas páginas iniciais de rotogravura adquiriram a forma de suplemento quinzenal e passaram a ser lançadas aos domingos como um Suplemento em Rotogravura, com grande destaque para as "ilustrações" fotográficas. O jornal alcança nesse ano a tiragem de 100 mil exemplares.

O Suplemento em Rotogravura intensificou o uso da fotografia nas páginas dos jornais. Esse suplemento, publicado até cerca de 1940, trazia matérias diversas, acompanhadas de um grande número de fotografias que, além de explorar novas técnicas, como a fotomontagem, eram impressas com uma qualidade excepcional.

Em relação aos equipamentos fotográficos, que nos dias de hoje são mantidos e atualizados pelas empresas jornalísticas, não encontramos nenhuma referência para o período estudado. Acreditamos que, na época, os equipamentos, em sua maioria, deveriam pertencer aos próprios fotógrafos.

O jornal, também, sempre procurou ter em seu quadro de colaboradores expoentes das diversas áreas de expressão. Da literatura, exemplos como Euclides da Cunha e Monteiro Lobato, do jornalismo, Raul Pompéia, Rangel Pestana e Amadeu Amaral, e também alguns dos principais fotógrafos. Diversos nomes da fotografia brasileira tiveram suas imagens estampadas nas páginas do jornal, apesar de, muitas vezes, não serem identificados ou citados na reportagem. De acordo com De Luca, "nas primeiras décadas do século XX, parte considerável da vida intelectual gravitou em torno da imprensa, encarada como uma atraente oportunidade para os homens de letras" (De Luca, 1999, p. 36).

Os profissionais da fotografia, nessa época, não eram contratados pelo jornal, mas vendiam suas fotos para esse veículo ou as cediam gentilmente para publicação. Segundo Mauad:

Neste período, a profissão de fotógrafo era bastante valorizada pelo caráter artesanal e artístico que eles imprimiam ao seu trabalho e principalmente porque a maior parte do material utilizado na confecção dos clichês era feito pelos próprios fotógrafos. Aos poucos, no entanto, o processo fotográfico industrializou-se e o fotógrafo deixou de confeccionar o seu material de trabalho, uma vez que poderia ser adquirido nas recém-inauguradas casas comerciais de material fotográfico, reservando-se, somente, a bater a chapa e revelá-la. (http://www.historia.uff.br/labhoi/tdss01.htm)

No período estudado, conseguimos identificar poucos dos profissionais que tiveram suas imagens impressas nas páginas do periódico. Das 2.511 matérias9 catalogadas, apenas 114 apresentavam alguma referência sobre a autoria das imagens10. Esse total encontra-se distribuído da seguinte forma:

 

 

Nas imagens em que constam os créditos, a maior incidência refere-se à citação do nome do fotógrafo ou do estúdio, prática bastante usual nas páginas em rotogravura. Era a forma encontrada para se valorizar a atividade, bem como de diferenciar essas imagens das fotos consideradas mais "jornalísticas ou do dia-a-dia", produzidas pela reportagem do jornal.

A maioria dessas imagens foi publicada nas páginas do Suplemento em Rotogravura. Relacionamos apenas os nomes dos fotógrafos (profissionais ou amadores) e possíveis estúdios, o título e a página em que saiu a matéria e a quantidade de fotos de cada autor. Dessa forma, reunimos os profissionais que tiveram os créditos preservados e os principais assuntos tratados na imagem.

 

 

Ao todo, são 48 fotógrafos11, alguns dos quais já possuíam uma experiência profissional grande, com trabalhos fotográficos reconhecidos, outros, ainda em início de carreira, além de diversos fotógrafos amadores. Os profissionais normalmente vendiam ou cediam as fotografias para o jornal, mas os amadores12, em sua maioria, não estavam preocupados com o valor comercial que o produto poderia ter. Identificamos os fotógrafos Barros e Pozzi, que eram membros da Sociedade Paulista de Fotografia, fotoclube fundado em 1926 (Camargo, 1992).

Alguns fotógrafos são profissionais de outra área, como o Sr. Quirino Simões (Camargo, 1992, p. 64) e o Dr. Billings, engenheiros de formação que tiveram a possibilidade de registrar cenas e temas diversos de várias regiões do país.

Por meio deste levantamento, notamos que alguns dos fotógrafos que alcançaram expressão significativa, na época, tiveram imagens reproduzidas pelo jornal. Destacamos: Aurélio Becherini, Max Rosenfeld, Malta, H. Zanella, Theodor Preising, Insley Pacheco e Valério Vieira.

Porém, conforme já dito anteriormente, ao publicar o nome do profissional autor da fotografia, o jornal buscava agregar valor à sua reportagem. A credibilidade e o profissionalismo dedicados à cobertura jornalística da matéria estendiam-se também às questões fotográficas.

As imagens publicadas pelas revistas, que há muito já faziam uso da fotografia, não foram tão utilizadas, como acreditávamos, nas páginas do jornal.

Somente seis revistas tiveram os créditos de suas fotografias preservados nas matérias em que foram publicadas pelo jornal O Estado de S. Paulo. A quantidade dessas imagens também foi baixa, totalizando apenas 15 fotografias, assim, distribuídas:

 

 

O uso dessas imagens ocorria, em geral e conforme observamos, quando o acontecimento era fora da cidade e, provavelmente, não havia no local um repórter do jornal para registrá-lo. Os temas cobertos são variados, mas vemos um predomínio de eventos oficiais e de aspectos de nossa cultura, ambos comuns e freqüentes nas páginas das revistas da época.

Não são muitas as agências fotográficas identificadas nas matérias, mas permitem notar a preocupação do jornal com os assuntos internacionais e seu contato com as novidades e inovações da imprensa nacional e mundial.

No período estudado, encontramos agências internacionais que o jornal utilizava, periodicamente, para cobrir assuntos variados, mas principalmente personalidades internacionais.

 

 

Percebemos que no jornal O Estado de S. Paulo, como nas demais empresas jornalísticas, o fotógrafo ainda não tinha o status de repórter. Muito embora, desde 1914, aproximadamente, o jornal mantivesse um profissional dessa área, Aurélio Becherini, entre seus colaboradores.

"A produção fotográfica iniciava-se", palavras de Gil Passarelli, fotógrafo que ingressou, em 1934, na Empresa Folha da Manhã para trabalhar como office-boy, tornando-se fotógrafo do jornal por volta de 1936. Segundo seu depoimento, a equipe de fotógrafos da empresa era formada, além dele, por Sérgio Lym, João Neto e José Fernandes. A rotina de trabalho consistia em receber a pauta, sair para fotografar, retornar ao jornal e revelar e ampliar as fotos, tarefa esta que também cabia a eles. Na época, usavam uma câmara Contessa e negativos de vidro. O material pesado e a fragilidade dos negativos dificultavam, assim, as tomadas instantâneas, fundamentais em reportagens diárias.

As fotografias publicadas nessa época, ainda segundo Gil, eram "meio borradas, sem definição, não tinha valor documental na imprensa, igual ao que tem hoje". O número de fotógrafos atuantes foi aumentando no decorrer da década de 1930, inclusive com a chegada de profissionais europeus que fugiam da Segunda Guerra.

De acordo com Juarez Bahia (1990), os salões da sociedade ou o cotidiano das ruas eram fotografados por profissionais, como Jesus Gonçalves Fidalgo ou Sebastião Pinheiro que portavam máquinas pesadas, por exemplo, a Contessa Netel, câmera alemã, de caixão e fole e tripés. Outro tipo utilizado na época era a Goenz Achultz, com objetiva Dagor13.

Ainda como referência sobre os fotógrafos que atuavam nessa época, temos a matéria publicada na revista O Pirralho de 18.04.1914, referindo-se aos fotógrafos Guglielmo, Lobo, Mazza e Becherini.

Todavia, não existia uma associação ou um sindicato que defendesse os interesses dos fotógrafos, mas, para o fotógrafo Benedito Junqueira Duarte (1980), o "sentido de classe entre os profissionais era forte".

Em depoimento oral ao Museu da Imagem e do Som (MIS) de São Paulo, Benedito Duarte (1981) afirma que o fotógrafo não era considerado jornalista, mas fotógrafo de jornal, e uma das maiores dificuldades nas reportagens fotográficas, principalmente as internas, era a ausência do flash moderno, pois na época era utilizado o magnésio e, na hora de bater a chapa, havia uma explosão, para produzir a luz artificial, que levantava uma enorme fumaça, permitindo a realização de uma única fotografia. As pessoas afastavam-se e não gostavam de ser fotografadas.

Sobre as dificuldades na tomada de imagens pelos fotógrafos que trabalhavam com imprensa, Mirian Moreira Leite também observa:

A ausência de flash até aproximadamente 1917, em São Paulo, fez com que as fotos anteriores precisassem ser sempre externas, ou contassem com um estúdio com uma clarabóia, capaz de iluminar com a luz solar, através do vidro, o interior para as tomadas internas. No caso das fotografias externas, o tempo bom (a luminosidade ideal) era uma exigência fundamental e limitadora para as tomadas, e as cenas noturnas eram quase impossíveis. (2001, p. 39-40)

Nos fins dos anos vinte, segundo Benedito J. Duarte (1980), o grupo de fotógrafos estava composto por: Aurélio Becherini, o primeiro fotógrafo de jornal da imprensa paulistana, durante muitos anos em serviço para O Estado de S. Paulo, substituído mais tarde por Reynaldo Ceppo, proprietário de uma oficina de reparos e vendas de aparelhos fotográficos, na Luz, Rua Mauá; os irmãos Eloy e Aníbal, o primeiro que, durante algum tempo, também prestou serviços ao Estadão e o segundo, fotógrafo da Folha da Noite; Miguel Falleti, de A Gazeta; o Mazza, do Correio Paulistano; o Glicério, do São Paulo Jornal e Manoel Ginjo, do Diário Popular.

Mesmo sendo conhecidos, o crédito ao profissional não era colocado e, até aproximadamente o início dessa década, a identificação do original, que servia de base para a produção da imagem impressa, ainda era acrescentada na legenda ou na própria matéria. Embora não houvesse um padrão determinado, sempre constava a referência "reproduzido a partir de uma fotografia, de um desenho ou ainda de gravura".

Posteriormente, essa informação se tornou mais rara, dificultando a possibilidade de identificar o que era ou não impresso a partir de fotografia. Optamos, portanto, em não incluir, neste levantamento, algumas imagens mais duvidosas, em que não conseguíamos identificar o processo. A maioria dos retratos tipo três por quatro publicados não foi quantificada, já que não era possível precisar se partiam de desenho ou fotografia.

Não temos, assim, o número exato de imagens publicadas pelo jornal no período estudado, apenas uma quantia aproximada das imagens identificadas como fotografias.

Para fins de compilação, foi elaborada uma ficha, com alguns dados considerados por Vilches (1997) importantes para a análise de fotografias de imprensa. A saber, data da publicação, dia da semana, número da página, editoria, título e alguma observação relevante sobre a foto.

Segundo o autor: "a relação espacial entre a foto e a página e entre ambas e a totalidade das páginas constitui a superfície fotográfica do periódico, lugar onde se joga a construção e a leitura da informação" (Tradução livre de Vilches, 1997, p. 54).14

Desse modo, ao analisar as imagens não levamos em conta somente o registro imagético ou o assunto principal da fotografia, mas demais questões, próprias desse veículo da comunicação.

A pretensão era de que, para cada ficha de catalogação, houvesse uma reprodução da imagem impressa correspondente, porém a grande quantidade de imagens, existentes nas edições diárias e o custo final inviabilizaram esse procedimento. Tornou-se, então, necessária a realização de uma pré-seleção das imagens que seriam ampliadas para análise detalhada. Priorizamos aquelas com melhor qualidade técnica e assuntos significativos tratados pela fotografia.

A fotografia é um meio a mais que o jornal utiliza na transmissão de notícias e fatos. Mas a crença em seu caráter objetivo e de ser mais fiel à realidade dotou a imagem fotográfica de uma posição de maior fidedignidade que o próprio texto. Sua inserção nas páginas obedece, contudo, a critérios específicos da imprensa e próprios da tecnologia para sua impressão.

Ao analisarmos uma fotografia em uma página de jornal, devemos considerar todas as "evidências" contextuais, desde o próprio veículo, os equipamentos fotográficos e de impressão, até as matérias circundantes.

Kossoy salienta:

será no oculto da imagem fotográfica, nos atos e circunstâncias à sua volta, na própria forma como foi empregada que, talvez, poderemos encontrar a senha para decifrarmos seu significado. Resgatando o ausente da imagem compreendemos o sentido do aparente, sua face visível. (Kossoy, 1999, p. 135)

No arrolamento dos dados, contabilizamos 2.511 reportagens que usaram fotografias, sendo 81 matérias específicas da Seção de Rotogravura. O total de fotografias publicadas pelo jornal é de 6.291.

Por meio de uma análise, ano a ano, da impressão das imagens, constatamos que quando a empresa começa a rodar páginas em rotogravura há um aumento considerado no número de fotos publicadas, em função da facilidade e rapidez na impressão. A aquisição desse tipo de rotativa evidencia a preocupação e a necessidade criadas no jornal, que precisava responder à demanda do leitor interessado em imagens, visto que as revistas ilustradas vinham conquistando um mercado muito grande junto ao público em geral.

 

 

No ano de 1910, temos 81 imagens fotográficas publicadas, número razoável para um órgão da imprensa diária, que ainda, como vimos, não possuía o maquinário ideal para a impressão de fotografias, tal qual as revistas ilustradas. Nos anos subseqüentes, observamos uma oscilação muito grande nessa impressão e não podemos desconsiderar o contexto do país e do mundo nessa década. A Primeira Guerra Mundial havia abalado, sobremaneira, as indústrias nacionais e o fornecimento de matéria-primas, como, por exemplo, o papel (De Luca, 1999).

Houve uma retomada em 1916, com a publicação de 96 imagens, mas a queda assustadora, em 1917, para seis nos faz refletir sobre como as ações, sejam econômicas, políticas, sociais ou culturais, estão imbricadas em um contexto histórico global. A cidade de São Paulo, nesse ano, viveu um período de agitações e greves que marcaram profundamente seu cotidiano, modificando hábitos e práticas e alterando o dia-a-dia de milhares de pessoas15.

Nos anos seguintes, percebemos um aumento gradual das imagens fotográficas, que reflete os investimentos e aquisições de maquinários próprios para a impressão de fotografias. Mas, somente a partir de 1925, com 267 fotografias impressas, verificamos um aumento mais significativo. Foi justamente nesse ano que encomendaram em Paris a rotativa Marinoni com rotogravura.

Em 1926 e 1927 houve uma pequena retração, justificável até mesmo pelos ajustes nas máquinas e pelo treinamento dos técnicos. Finalmente, em 1928, passam a oferecer, especificamente, a seção de rotogravura e reportagens corriqueiras com um número muito maior de imagens, totalizando 1.702.

Em 1929, já publicavam mais que o dobro do ano anterior, chegando a 3.439 imagens fotográficas impressas.

Esses dados são significativos, pois, além de refletirem os contextos históricos, demonstram o forte interesse, e até a necessidade, que as empresas jornalísticas experimentavam em relação às questões de publicação de fotografias, e, também, em poder oferecer ao seu leitor imagens dos fatos tratados em suas reportagens.

O aumento significativo das imagens publicadas, com a introdução do sistema de rotogravura, deixa patente o quão determinantes são os diferentes processos mecânicos de reprodução da imagem para, em primeiro lugar, viabilizar a reprodução da fotografia, sem a intermediação do desenho ou da gravura (processos que a deixavam ainda muito longe do "real capturado" nas imagens), e, depois, garantir sua circulação e difusão, de forma maciça, rápida e sistemática.

Outro ponto investigado buscou relacionar em que editorias eram publicadas as fotografias. Vilches aponta que:

La división por géneros de los diferentes contenidos de la prensa, por otro lado, nunca ha pasado más allá de una clasificación eclética, funcional a la empresa que contrata trabajos y personal bajo ciertas compartimentaciones llamadas secciones, pero también funcional a los lectores que reciben la información empaquetada bajo etiquetas de género que le permiten escoger y aprender información pero también rutinas de producción. (Vilches, 1997, p. 66)

Para cercar esse universo das imagens, ou seja, que assuntos registrados pela fotografia eram impressos, pautamo-nos nas editorias existentes no jornal naquele período. Encontramos essa referência no suplemento de rotogravura, publicado em fevereiro de 1935, número 67, no qual existe um anúncio do jornal enumerando o que os leitores irão encontrar em suas páginas:

Percorrendo as nossas paginas, o leitor encontrará, sempre um assumpto que o interessará. Nas nossas edições publicamos:
Telegrammas do Paiz e do Extrangeiro
Notas e Informações –
actos officiaes, commentarios de interesse geral, etc.
Artes e artistas – resenha sobre o movimento artístico da capital, do interior e do paiz
Revista das revistas – chronica a respeito dos principais magazines que se publicam nos principaes centros culturaes
Coisas da cidade – analyse dos assumptos que muito interessam os nossos municipes
Sorteio militar – secção destinada a responder consultas sobre coisas militares e informações a respeito de assumptos referentes ao sorteio
Queixas e reclamações – appellos aos poderes competentes daquelles que desejam quaesquer providencias dos governos
A sociedade – relato sobre a vida mundana, precedido de scintillante chronica de um distincto poeta paulista
Tribunaes
– além da brilhante chronica com que é aberta esta secção, aos domingos, os leitores encontram, diariamente descripção de todo o movimento forense
Palcos e circos – noticias sobre o movimento theatral e circense
Movimento associativo – explicação do movimento das sociedades que nos enviam o seu expediente
Assemblea Legislativa – noticias detalhadas sobre as sessões, cujos dedbates representem assumpto de grande importância.
Bbliographia – registro, com commentarios das obras que são publicadas.
Noticias diversas – factos policiaes, noticias de interesse geral.
Movimento religioso – informaçções e estudos sobre religiões.
Esporte – noticias, commentarios, ensinamentos sobre os mais variados esportes.
Cinema – além de uma brilhante critica, sobre os mais importantes "films", os nossos "fans" encontram interessantes noticias com referencia as fitas em exhibição.
Parte comercial – cambio, cotações de títulos. Café. Algodão. Movimento da Bolsa. Títulos nacionaes e estrangeiros. Noticias marítimas, etc.

Apesar de ser posterior ao período estudado, acreditamos que essa identificação só pôde ser apresentada pelo jornal porque os assuntos trabalhados em cada editoria já estavam há muito estabelecidos. Fizemos algumas adaptações aos conteúdos abordados no período pesquisado, e agrupamos alguns assuntos em uma única editoria, a fim de facilitar a classificação e não compartimentar excessivamente as fotos. Por exemplo, Artes e artistas, Palcos e circos e Cinema foram agrupados em Artes e Espetáculos. Fizemos uma ou outra alteração, mas os principais assuntos tratados foram mantidos. Dessa forma, as editorias propostas para a pesquisa são:

Artes e Espetáculos – assuntos culturais da cidade.

Atos Oficiais – temas ligados às instituições oficiais federais, estaduais e municipais.

Estrangeiro – qualquer matéria ou assunto relacionado a outros países.

Esporte – notícias, comentários e informações sobre os mais variados esportes.

Interior – assuntos e notícias de todas as cidades do Estado de São Paulo.

Notícias Diversas – fatos policiais, notícias de interesse geral e assuntos de interesse dos moradores da cidade de São Paulo.

País – notícias diversas sobre outros estados brasileiros.

Parte Comercial – câmbio, cotações, matérias sobre negócios industriais, financeiros, agropecuários, movimento da Bolsa. Títulos nacionais e estrangeiros.

Sociedade – matérias sobre as personalidades da capital paulista.

Ciência – temas e relatos sobre o avanço e pesquisas científicas.

Seção de Rotogravura – páginas em rotogravura.

Na tabela 6, temos a distribuição de todas as imagens impressas pelas editorias, nos anos pesquisados.

 

 

Como podemos observar, a editoria com maior número de imagens publicadas foi Esporte, com 1.686 fotografias, seguida de Rotogravura, com 1.433, Notícias Diversas, com 1.130, e Interior, 1.045. As demais apresentaram um número bem abaixo dessa média, pertencendo à editoria de Ciência o menor número de fotografias publicadas, apenas 18 em todo o período.

Por meio dessa primeira categorização é possível identificar os assuntos principais que mereceram cobertura fotográfica, denotando a relevância que a veiculação dessas imagens teria para a empresa. A quantidade de fotografias publicadas refletia tanto o interesse do público por esses temas, como a conveniência dessa divulgação para o jornal.

Esporte, a editoria que teve o maior número de fotografias, abordava tanto fatos e modalidades nacionais como internacionais. Notícias Diversas, ao contrário, tratava só do cotidiano da cidade de São Paulo, procurava aproximar, visualmente, a população de seus problemas, fatos corriqueiros, assuntos policiais, visitantes ilustres, mas, principalmente, trazer as reformas urbanas implementadas nessa época, como uma forma de o cidadão se reconhecer e legitimar a "nova cidade"16.

Algumas editorias, como Artes e Espetáculos e Sociedade, serão, posteriormente, mais bem exploradas nas páginas de rotogravura. Essa foi a alternativa encontrada pelo jornal para fazer frente às revistas ilustradas que investiam, maciçamente, na publicação de fotografias com esses temas.

Já as editorias de País e Estrangeiro praticamente se equipararam em número de fotografias, com 365 e 317, respectivamente. Talvez em função do tratamento mais sério e formal dispensado a alguns desses assuntos não houvesse interesse em adotar e experimentar as inovações visuais daquele momento.

A relevância das editorias também pode ser percebida pelo número de imagens que foram publicadas na capa do jornal. A publicação de fotografias na primeira página do jornal ainda ocorria esporadicamente. Como primeira referência, há uma imagem publicada no dia 6 de fevereiro de 1916, com o título Poços de Caldas, a Suíça Brasileira. Embora o uso de retratos de personalidades já fosse freqüente na primeira página, o processo original, fotográfico ou gravura, ainda não era identificado; somente a partir de 1929, quando os processos já estavam mais definidos, passamos a contabilizar tal tipo de imagem.

Na tabela 7, que apresenta as editorias que tiveram fotografias publicadas na capa do jornal, identificamos um predomínio enorme de Estrangeiro, evidenciando o quanto as matérias e reportagens referentes ao exterior ainda eram um dos principais focos do jornal.

 

 

Prosseguindo na classificação das imagens publicadas, elaboramos uma listagem com os temas mais recorrentes, presentes nas fotografias. A preocupação maior não tange questões de padrões imagéticos ou de análise iconográfica, refere-se à elaboração de um instrumental que possibilite compreender o principal enfoque temático presente nas fotografias, bem como perceber a variedade dos assuntos fotográficos abordados pelas editorias.

Essa listagem foi pautada em descritores mais abrangentes, como, por exemplo, Policial, Política, Religião etc. Na parte de esporte foram nomeadas as modalidades, segundo o número e a diversificação de reportagens com esses temas específicos.

Os termos escolhidos estão dispostos da seguinte forma:17

Agropecuária — assuntos relativos às atividades agrícola e pecuarista.

Atletismo — modalidade esportiva.

Automobilismo — relativo a automóvel, competição ou assuntos gerais.

Aviação — relativo a aeronaves, pode ser competição ou assuntos gerais.

Basebol — modalidade esportiva.

Basquete — modalidade esportiva.

Boxe — modalidade esportiva.

Calamidade Pública — fenômenos naturais como enchentes, desabamentos etc.

Capoeira — modalidade esportiva.

Ciclismo — modalidade esportiva.

Cidade — assuntos e acontecimentos ligados ao cotidiano urbano.

Cultura — assuntos variados de artes em geral, música, teatro, pintura etc.

Economia — assuntos variados da área econômica.

Educação — escolas, alunos, faculdades e demais assuntos relativos à área educacional.

Esgrima — modalidade esportiva.

Evento — comemorações, feiras, convenções, Olimpíadas e efemérides.

Fauna — temas dessa área da natureza.

Filantropia — assuntos ligados à benemerência e caridade.

Flora — temas dessa área da natureza.

Futebol — modalidade esportiva.

Grupos Humanos — diferentes raças e etnias.

Hipismo — modalidade esportiva.

Iatismo — modalidade esportiva.

Industrialização — temas do desenvolvimento industrial.

Jiu-Jitsu — modalidade esportiva.

Lazer — temas ligados à diversão e recreação urbana.

Manifestação — reivindicações sindicais, políticas e outras em locais públicos.

Militar — assuntos relativos às forças armadas e conflitos políticos.

Motociclismo — modalidade esportiva.

Natação — modalidade esportiva.

Obras Públicas — assuntos relativos a reformas e infra-estrutura urbana.

Paisagem — aspectos da natureza.

Personalidade — pessoas que se destacaram no cenário nacional e internacional, em diversas áreas.

Pesca — modalidade esportiva.

Policial — crimes, assassinatos, estupros, assuntos relativos à segurança pública.

Política — assuntos gerais e partícipes do cenário político nacional e internacional.

Religião — temas ligados às crenças e práticas religiosas.

Remo — modalidade esportiva.

Rugby — modalidade esportiva.

Saúde — temas ligados à medicina, hospitais e casas de saúde.

Tênis — modalidade esportiva.

Tiro — modalidade esportiva.

Transporte — assunto relativo ao deslocamento de passageiros, trem, ônibus, navio.

Turfe — modalidade esportiva.

Variedades — diversos assuntos tratados conjuntamente.

Xadrez — modalidade esportiva.

Submetemos todas as fotografias publicadas a esses descritores. O termo Variedades foi proposto em função das páginas em rotogravura, que apresentavam uma quantidade muito grande de fotografias e temas diversos. Análises particularizadas de cada fotografia publicada, nessas páginas, demandariam novas pesquisas nos originais, extrapolando o prazo e o foco deste trabalho.

Temos, então, a seguinte distribuição das fotografias publicadas segundo descritores18:

 

 

Variedades apresentou o maior número de fotografias, 1.433, seguido por Cidade, com 986. Considerando-se que esses descritores são amplos e abarcam diversos assuntos, temos nas modalidades esportivas, que definem apenas um único tema, Turfe, com 538, e Futebol, com 448, os temas mais recorrentes exibidos pelas fotografias publicadas no jornal.

Tal resultado se nos revelou surpreendente, pois, com base na tradição jornalística do O Estado de S. Paulo, acreditávamos, no início da pesquisa, que haveria mais fotografias relacionadas às áreas de Política ou Economia. Outro dado que nos chamou a atenção foi o número expressivo de fotografias Policiais, 153, e o modo como essas imagens publicadas traziam detalhes e pormenores das cenas dos crimes.

Pela análise das imagens mais publicadas em O Estado de S. Paulo e a constatação de que as mais numerosas referiam-se a Variedades e Esportes, pudemos perceber que o jornal repetia uma tendência já consolidada nas revistas ilustradas. O que significava que também para a imprensa diária, que reformulava seus padrões e "adaptava-se" ao gosto dos novos leitores e dos novos tempos, o caminho foi passar a explorar e investir na cobertura de esportes e de temas mais gerais.

 

Algumas considerações

A diagramação e a temática das fotografias publicadas pelo jornal O Estado de S. Paulo refletem um período de experimentações e mudanças na imprensa diária, com a renovação do parque gráfico, o incremento no uso de recursos visuais, a profissionalização administrativa e de pessoal, além da reestruturação econômica da empresa.

As ações do jornal quanto ao uso de fotografias foram tardias, se comparadas às de outros periódicos nacionais. O Jornal do Brasil, no Rio de Janeiro, e a Gazeta, em São Paulo, entre outros, já utilizavam o sistema de rotogravura, quando foi implantado no Estado. Isso sem mencionar as revistas ilustradas, que desde o início do século XX já dispunham desses recursos técnicos.

Ao adquirir uma rotativa mais moderna e com o processo de rotogravura para impressão de imagens, o jornal respondia aos interesses do leitor ao mesmo tempo em que procurava diversificar e ampliar seu campo de penetração. Mas, principal e fundamentalmente, tratava-se de, cada vez mais, posicionar-se como uma empresa industrial e comercial. O investimento em maquinários e a adoção de novas tecnologias foram constantes. A empresa havia se conscientizado de que somente tais aquisições promoveriam o crescimento, a ampliação e a continuidade do jornal.

O conhecimento sobre as "inovações tecnológicas" já era de domínio público no mercado jornalístico nacional. As abordagens temáticas visuais utilizadas nas páginas do Estado seguiram as propagadas pelas publicações do período. Nesse sentido, não havia nenhuma proposição inovadora por parte do jornal. O que percebemos, em alguns momentos, foram movimentos de antecipação em relação aos concorrentes, fosse com a publicação de matérias exclusivas realizadas pela equipe fotográfica da redação ou ainda com o uso de fotografias de agências internacionais.

O volume de fotografias publicadas, no período estudado, superou nossa hipótese inicial. Com a introdução do sistema de rotogravura, o número praticamente duplicou, e a fotografia foi, definitivamente, incorporada ao jornalismo diário da empresa.

Mesmo que já fosse comum em diversas publicações, o uso da fotografia no jornalismo diário impôs a adoção de legendas, que "explicavam", "educavam" e familiarizavam o olhar do público com a leitura de imagens e a compreensão de todos os recursos empregados na confecção e na elaboração daquele registro visual.

Todos esses elementos contribuíam para educar e ensinar o público na leitura e na apreensão da imagem fotográfica, que, naquele momento, servia para a construção de uma nova visualidade jornalística e, mais amplamente, para instaurar uma padronização visual mundial.

Nesse sentido, fazia-se necessário algum tipo de identificação, como, por exemplo, "tomado à luz do magnésio", "a fotografia que acima reproduzimos tirada ontem, às 3 horas da tarde", "Por este instantâneo ontem tirado em frente à Academia...", ou ainda "Grupo tirado na Escola Normal pelo habil photographo Valério Vieira".

Pero de una manera aún más directa, la relación entre la foto y el pie de foto establece un contexto pragmático que influye en la percepción, lectura y comprensión de la imagen fotográfica. (Vilches, 1997, p. 68)

Mais significativas do que esses termos utilizados nas legendas eram as fotografias que se pretendiam jornalísticas, mas que, na realidade, funcionavam como uma espécie de "treinamento" e educação do olhar para determinados assuntos e temas.

Os temas visuais das fotografias publicadas pelo jornal não diferiam dos que figuravam, geralmente, em outros periódicos nacionais, mas a quantidade de assuntos específicos e as soluções de apresentação definiram não só os contornos de sua divulgação, como sua perpetuação junto ao público.

Acreditamos que a adoção de determinados temas visuais propagava e validava um programa maior defendido e assumido pelo jornal, a saber, o da defesa dos ideais liberais e da renovação política do país, a fim de que se atingissem o pleno desenvolvimento e a modernização. Desse modo, partilhavam da seguinte idéia:

... educação que visava à transformação do trabalhador nacional para inseri-lo no mercado de trabalho não se limitava ao preparo físico. Os reformadores admitiam que a educação do corpo e do espírito caminhavam juntas, complementando-se com a educação moral. A qualificação do trabalhador para as relações contratuais pressupunha o cumprimento dessas etapas: junto ao adestramento do corpo preocuparam-se em formar seu caráter. (Capelato, 1989, p. 90)

No período estudado, o tema visual mais recorrente no jornal foi o Esporte, em suas mais diversas modalidades e atividades. Apresentavam-se os aspectos sociais dos clubes esportivos, os atletas, as competições, os grandes eventos locais e internacionais e todos os benefícios e vantagens da prática desportiva, além de divulgarem e organizarem provas locais com a participação da população.

Nicolau Sevcenko destaca, e reafirma, o papel que o esporte teria exercido segundo alguns periódicos:

alguns jornais de grande circulação, como O Estado de S. Paulo e La Fanfulla, da comunidade italiana, assumiam a organização de provas atléticas de grande amplitude e importância decisiva na consolidação de uma mentalidade e identidade desportiva paulista, prontamente imitadas em cadeia por outras cidades do interior do estado. As iniciativas pululam por todos os lados, mas convergem numa só direção: a mobilização física da população. ... À parte esse imenso envolvimento coletivo entretanto, que estabelece um nexo inextricável entre o espaço físico da cidade, o esporte, o jornal, nas suas duas edições diárias, desempenha uma ação didática ainda mais ampla e efetiva, embora também mais sutil ... [os exercícios] podiam – a sugestão mesmo era de que deveriam – ser adotados por todo e qualquer cidadão, para serem desempenhados no próprio interior dos seus lares, associando assim o esporte coletivo com a vida doméstica, a rotina diária e a existência individual e privada de cada habitante da cidade. (Sevcenko, 1992, p. 53-4)

Assim como o esporte, que "moldaria" os trabalhadores dessa nova sociedade, os temas ligados à questão da modernidade também eram apresentados, e expostos em diversas fotografias publicadas, nas mais diferentes editorias do jornal.

O que a imprensa e, conseqüentemente, O Estado de S. Paulo buscavam com o uso da fotografia pode ser lido na legenda: "à typographia póde mentir, a photographia, não". Revestidos dessa noção, pretendiam transmitir ao leitor a veracidade e a instantaneidade dos fatos e acontecimentos, impingindo memórias e novas visualidades.

A fotografia utilizada pela imprensa, nesse momento, ainda não havia alcançado o status de fotojornalismo19, em que o conteúdo informativo da imagem é o preponderante. De todo modo, ela já se caracterizava por apresentar novas formas de se entender a realidade e por familiarizar o olhar dos leitores com novas perspectivas e visões de mundo.

A "realidade" da informação, aliada à facilidade de impressão do mundo numa superfície capaz de ser copiada exaustivamente nos mais diferentes suportes, transformou-se numa poderosa ferramenta do jornalismo.

O caráter aparentemente não simbólico, objetivo, das imagens técnicas faz com que seu observador as olhe como se fossem janelas e não imagens. O observador confia nas imagens técnicas tanto quanto confia em seus próprios olhos. ... O que vemos ao contemplar as imagens técnicas não é "o mundo", mas determinados conceitos relativos ao mundo, a despeito da automaticidade da impressão do mundo sobre a superfície da imagem. (Flusser, 1985, p.20)

E esse mundo substanciado nas e pelas imagens jornalísticas, muitas vezes, torna-se história e nossa memória visual.

 

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Artigo recebido em 09/2007. Aprovado em 10/2007.

 

 

NOTAS:

1 Este artigo é uma parte da tese de doutorado defendida na Escola de Comunicações e Artes da USP em 2005.
2 Os dados desse levantamento foram: data da publicação, dia da semana, número da página, editoria, título, autoria e alguma observação relevante sobre a fotografia. A posição da imagem impressa na página também foi observada.
3 Autotipia é o processo pelo qual a imagem é reticulada em diversos pontos e depois transposta para um suporte que irá para a prensa. Também conhecido half-tone.
4 Alguns membros dessa sociedade: Francisco Rangel Pestana, Américo de Campos, Bento Augusto de Almeida Bicudo, Antonio Pompeu de Camargo, Américo Brasiliense de Almeida Melo, João Francisco de Paula Sousa, Manuel Ferraz de Campos Sales, Rafael Pais de Barros, João Tobias de Aguiar entre outros. Ao todo foram dezoito pessoas (Werneck, 1996, p. 259).
5 Matéria publicada no dia 11 de agosto de 1926, p. 4, Palcos e Circos – Inaugura-se hoje o teatro Boa Vista. Duas fotos com aspectos de parte da platéia do Teatro, com a boca de cena; e a platéia, as frisas e os camarotes do Teatro.
6 Máquina que possuía o processo de impressão pelo sistema de cilindro contra cilindro, funcionava através de movimento rotacional e era alimentada por papel em bobina.
7 Cópia de trecho do Jornal O Estado de S. Paulo 9/12/1925, p. 3.
8 As novas rotativas Marinoni eram dotadas de aparelhos em rotogravura – um processo de impressão direta, em uma máquina cilíndrica e rotativa, descoberto e aperfeiçoado no século XIX. Utiliza-se como matriz uma chapa, que pode ser em folha ou rolo, de acordo com o equipamento de impressão. Por processos de gravação, a imagem que será impressa é fixada na chapa e transferida para o papel por impressão direta. A qualidade da impressão era excelente e a imagem tinha uma nitidez e uma clareza superiores àquelas produzidas por processos, comumente, utilizados pelo jornalismo diário da época.
9 Para trabalharmos todos os dados levantados pelas fichas de identificação elaboramos um banco informatizado para facilitar a busca e os cruzamentos das informações necessárias ao trabalho.
10 Os dados sobre autoria foram lançados no campo Observações da ficha.
11 Para saber mais sobre os fotógrafos, pesquisar Kossoy, 1980 e 2002; Vasquez, 1985 e 1995; Costa, H, 1995; Camargo e Mendes, 1992; Cadernos de Fotografia Brasileira, 2004, entre outros. Especificamente sobre Malta, o trabalho de Campos, 1987.
12 "São muitos os indícios de que a produção amadora durante as três primeiras décadas foi mais intensa do que a registrada. No entanto, o desconhecimento da produção fotoamadora é grave e exige uma investigação". Esta observação feita por Mônica J. Camargo e Ricardo Mendes (1992, p. 65) ainda é bastante atual. O tema ainda necessita de estudos mais profundos.
13 Atualidades Cinótica. N. 53 1º semestre 1986. São Paulo.
14 La relación espacial entre la foto y la página y entre ambas y la totalidad de las páginas constituye la superfície fotográfica del periódico, lugar donde se juega la construcción y la lectura de la información.
15 Sobre esse momento pesquisar Dean, 1971e Decca, 1987, entre outros.
16 A cidade passou por diversas reformas, mas, no período pesquisado, as obras foram realizadas pelo prefeito Antonio Prado e seu sucessor, Raymundo Duprat. Principalmente a região central sofreu as mais diversas intervenções, desde o alargamento das ruas, demolição de casas, construções de novos prédios até a redefinição de uso de vários locais. A bibliografia sobre esse tema é rica e variada, e destacamos as obras de Benedito Lima de Toledo, Nestor Goulart Reis Filho, Carlos Lemos, entre outros.
17 No Banco de Dados, há um campo específico "Descritores" para se fazer a pesquisa.
18 Cabe ressaltar que uma mesma fotografia poderia se enquadrar em mais de um descritor, e que essa aplicação não pretende descrever toda a riqueza icônica presente na imagem. É apenas um recurso para quantificar os temas mais recorrentes.
19 Segundo a autora Helouise Costa, o fotojornalismo no país inicia-se tardiamente, pela inexistência de características modernas na fotografia nacional e um sistema de comunicação de massas incipiente (Costa, 1999).

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