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História (São Paulo)

On-line version ISSN 1980-4369

História vol.29 no.2 Franca Dec. 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S0101-90742010000200016 

ARTIGOS

 

Invasão tolteca em Chichén Itzá? Uma nova leitura da questão a partir da cultura material das Terras Maias Baixas do Norte

 

Toltec invasion in Chichén Itzá's city? A new interpretation of questions from material culture of the "Terras Maias Baixas do Norte"

 

 

Alexandre Guida Navarro

Professor Doutor - Departamento de História - Centro de Ciências Humanas - UFMA - Univ. Federal do Maranhão - Campus de Bacanga - Av. dos Portugueses, s/n, CEP: 65000-000, São Luís, MA, Brasil. A pesquisa que resultou neste artigo contou com financiamento do CNPq. Email: altardesacrificios@yahoo.com.br

 

 


RESUMO

Este artigo trata de uma das questões mais controversas da Arqueologia do México: uma possível invasão tolteca na cidade de Chichén Itzá. O assunto divide opiniões. Para um grupo de pesquisadores, Chichén Itzá é fruto da invasão dos habitantes de Tula, uma cidade do altiplano mexicano, a mais de 100 de distância dela. Já para outros pesquisadores, esta invasão não ocorreu e Chichén Itzá tem seu desenvolvimento dentro de uma tradição maia. Neste texto, mostramos algumas evidências arqueológicas em favor da segunda linha de pesquisa apresentada acima.

Palavras-chave: Mesoamérica; Maias; Toltecas; Cultura material.


ABSTRACT

This article aims to study one the most controversial questions about Mexican Archaeology: the Toltec invasion on Chichén Itzá's city. The issue divides the opinion. There is a group of searches that believe that Chichén Itzá is a city built by toltecs. On the other hands, others searches thinks that Chichén Itzá is a city purely maya. In this text, we present some archaeological evidences that show the impossibility of the invasion of Tula on Chichén Itzá's urban centre.

Keywords: Mesoamerica; Mayas; Toltecs; Material culture.


 

 

"Que es opinión entre los indios que con los yzaes [itzás] que poblaron Chicheniza [Chichén Itzá], reinó un gran señor llamado Cuculcan, y que muestra ser esto verdad el edificio principal que se llama Cuculcan [Kukulcán]... Dicen que entró [a Yucatán] por la parte del poniente [altiplano mexicano] y que difieren en si entró antes o después de los yzaes o con ellos, y dicen que fue bien dispuesto y que no tenía mujer ni hijos; y que después de su vuelta fue tenido en México por uno de sus dioses y llamado Cezalcuati [Quetzalcóatl] y que en Yucatán también lo tuvieron por dios por ser gran republicano, y que esto se vio en el asiento que puso en Yucatán después de la muerte de los señores para mitigar la disensión que sus muertes causaron en la tierra"

Bispo Diego de Landa, 2003, p.94 [1566]

Este artigo começa com um trecho clássico da obra do Bispo Diego de Landa, Relación de las Cosas de Yucatán, escrita em meados do século XVI em conseqüência da "conquista espiritual" dos indígenas que habitavam a Península do Iucatã, México. Nesta obra, Diego de Landa tratou de reunir informação etnográfica sobre os costumes indígenas que observou durante o processo de evangelização e outros relatos baseados na fonte oral da região.

O trecho que lemos se refere a uma das mais fascinantes problemáticas da Mesoamérica: a velha questão da chegada ou invasão de estrangeiros, provenientes das Terras Altas mexicanas, na Península do Yucatán, originando um processo de domínio militar na área maia. Estes estrangeiros, identificados como toltecas, habitantes da distante cidade de Tula, no atual Estado mexicano de Higaldo, portanto a mais de 1000 quilômetros de distância do Yucatán, teriam sido responsáveis pela conquista de Chichén Itzá, assumindo assim, o controle da política das Terras Baixas Maias durante o início do Pós-Clássico (ca. 1100 d.C.).

 


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A invasão tolteca em Chichén Itzá, proposta inicialmente pelos primeiros viajantes que chegaram ao México no século XIX e em vigor até hoje, ganhou força entre os pesquisadores da Mesoamérica porque é corroborada pelas fontes etnohistóricas, onde abunda a informação dessa possível aculturação dos maias. Várias fontes escritas relatam a origem desta problemática, que se fundamenta num complexo mito: a fuga ou expulsão de Quetzalcóatl de Tula pelo seu rival Tezcatlipoca que, depois de um longo processo de peregrinação, chega às Terras Baixas maias e funda, deste modo, a cidade de Chichén Itzá. Portanto, foi tarefa de Quetzalcóatl levar a "civilização" para o Iucatã. Assim, este mito teria a função de explicar a chegada dos toltecas em Chichén Itzá e a conquista desta cidade por culturas oriundas do altiplano mexicano. Logo, Chichén Itzá seria um enclave tolteca na área maia. Além das fontes escritas, a semelhança entre a iconografia de ambos os sítios contribuiu decisivamente para a crença de uma invasão tolteca no norte do Iucatã.

No entanto, hoje em dia, muitos arqueólogos, dentre os quais eu me incluo, não estão de acordo com esta visão por vários motivos. O primeiro deles é um problema cronológico com relação às fontes escritas. Não estamos de acordo com a reconstrução das ações sociais de Chichén Itzá pelas fontes etnohistóricas. Os estudos etnográficos decorrentes da Conquista são bastante válidos, ou seja, Landa registrou importantes costumes dos maias no século XVI, mas daí reconstruir o modo de vida em Chichén Itzá é uma problemática que não procede. Isso porque quando Landa relatou informações sobre o auge de Chichén Itzá, esta cidade havia colapsado há mais de 500 anos!

Outra informação que aparece na obra de Landa, e que ainda é bastante utilizada pelos pesquisadores de Mesomérica, está arqueologicamente equivocada. Trata-se da Confederação de Mayapán, uma liga formada pelas três principais cidades do Iucatã que teria subjugado os demais centros urbanos da região: Uxmal, Chichén Itzá e Mayapán (RINGLE et al. 1998). Hoje em dia sabemos, com bastante rigor arqueológico, que as três cidades tiveram seu auge em momentos diferentes, o que impossibilita a existência da suposta Confederação. A partir de datações radiocarbônicas e de termoluminescência sabe-se que o auge de Uxmal ocorreu em +/- 700 a 800 d.C., o de Chichén Itzá deu-se em +/- 800 a 1050 d.C., enquanto que Mayapán alcança seu esplendor no ano de 1200 d.C., aproximadamente (RINGLE et al. 1998). Neste período, ambas Uxmal e Chichén Itzá haviam perdido hegemonia na região e as cidades já se encontravam desocupadas. Segundo Ringle et al. (1998) uma possível solução para o relato da Confederação de Mayapán nas fontes etnohistóricas seria a intenção da elite de Mayapán em controlar as cidades da Península do Iucatã durante o Pós-Clássico utilizando estratégica e ideologicamente o poder que aquelas duas cidades tiveram na organização política da região durante o Clássico Final e Terminal, (ca. 750-1050 d.C.).

Deste modo, somente as escavações arqueológicas em Chichén Itzá ou em Tula podem realmente responder a questão da invasão tolteca na área maia. As recentes pesquisas arqueológicas que se vem realizando nas Terras Maias Baixas do Norte não confirmam a conquista de toltecas em Chichén Itzá (RINGLE, 1985; ROBLES CASTELLANOS; ANDREWS, 1986; ROBLES CASTELLANOS, 1988; GALLARETA NEGRÓN et al. 1989; ANDREWS; VAIL, 1990; LINCOLN, 1990; SABLOFF, 1990; COBOS, 2003 e 2004; SUHLER et al. 2004; NAVARRO, 2007 e 2008). Muito pelo contrário, elas vêm demonstrando uma forte interação local e regional entre as cidades do Clássico Terminal (ca. 800 a 1050 d.C.) e Pós-Clássico Inicial no Yucatán (ca. 1050/1100 d.C.).

Neste texto, apresentamos evidências arqueológicas da impossibilidade de uma efetiva invasão tolteca em Chichén Itzá e buscamos mostrar por que esta visão ainda predomina no discurso de muitos mesoamericanistas.

Se pensarmos numa invasão tolteca em Chichén Itzá será óbvio ponderarmos que pelo menos alguns aspectos da cultura material seriam compartilhados entre este sítio arqueológico e Tula, como o tipo de cerâmica, artefatos de pedra (líticos) e a organização espacial de ambas as cidades. No entanto, a cultura material de ambos os sítios não evidencia uma invasão étnica estrangeira que resultou num domínio militar dos maias.

 

Chichén Itzá e a questão tolteca: aprofundando a discussão

A discussão bibliográfica tradicional tradicional da história de Chichén Itzá tem postulado que a ocupação do sítio nos períodos Clássico Final e Pós-Clássico Inicial pode ser dividida em duas fases distintas, em função da conquista militar da população nativa de Chichén Itzá pelos invasores estrangeiros (THOMPSON, 1937 e 1970; MORLEY, 1946). Estes estrangeiros foram identificados com culturas do altiplano mexicano e mais especificamente com os toltecas de Tula no México Central ou possivelmente com os maias putunes de Campeche e Tabasco, um povo com fortes laços culturais com o México Central (ROYS, 1933; THOMPSON, 1937; 1970; MORLEY, 1946; TOZZER, 1930; 1957).

Fazendo um balanço destes estudos tradicionais, Ringle et. al (1998) concluem que a partir de dados etnohistóricos, esta invasão tem sido geralmente datada em 10.8.0.0.0 Katun 4 Ahau (968-987 d.C.). Assim, compreenderia o período posterior ao colapso da civilização maia nas terras baixas do sul e teria alcançado um pequeno impacto direto sobre os eventos desta região. Entretanto, segundo os mesmos autores, no norte das terras baixas, onde a civilização desenvolvia-se, o impacto da invasão centro-mexicana teria sido profundo.1 Como resultado deste processo, de acordo com a visão tradicional, as sociedades maias e mexicanas entraram em conflito e a elite estrangeira, com maior poder tecnológico e militar, depôs os governantes a fim de estabelecer sua hegemonia no norte da península do Yucatán (RINGLE et al. 1998).

Ainda nos remetendo à análise historiográfica de Ringle et al. (1998), a derrota das forças maias de Chichén Itzá e de outros centros urbanos pelos seus oponentes centro-mexicanos teriam resultado no declínio das organizações políticas maias e no conseqüente abandono de suas cidades. Deste modo, este processo de invasão tolteca teria levado à mudança de práticas sociais, como as crenças religiosas. Além disso, o domínio tolteca teria até mesmo redirecionado os estilos artísticos e arquitetônicos, e a arquitetura maia teria deixado de ser produzida em detrimento de um novo estilo arquitetônico trazido pelos invasores. Isso trouxe uma conseqüência decisiva para a historiografia das terras baixas do norte e, sobretudo, para a cidade de Chichén Itzá: a arquitetura monumental e escultura, além de sua pintura mural, têm sido analisadas dentro de um contexto Pós-Clássico e têm sido consideradas como sintomáticos para o estabelecimento da dominação cultural estrangeira (RINGLE et al. 1998).

Deste modo, os toltecas têm sido considerados membros de um grupo étnico coeso que efetuou uma mudança social rápida em Chichén Itzá a partir da conquista militar (THOMPSON, 1937; MORLEY, 1946; TOZZER, 1957; DE LA GARZA, 1984; SCHMIDT, 1991; FLAMARION CARDOSO, 1981; SANTOS, 2002). A partir desta concepção, a visão tradicional postulou que a cultura maia sucumbiu em menos de um século ante a invasão dos estrangeiros. Muitos pesquisadores atuais ainda defendem esta visão, incluindo também as produções de âmbito nacional (DE LA GARZA, 1984; FLAMARION CARDOSO, 1981; FREIDEL et al. 1993; SCHELE; MATTHEWS 1998; STUART, 1998; SANTOS 2002; SCHELE; FREIDEL 1999; MARTIN; GRUBE 2002; BAUDEZ 2004).

Já o arqueólogo Peter Schmidt (1991; e comunicação pessoal), ex-coordenador do Projeto Chichén Itzá, acredita que este centro urbano foi ocupado por dois grupos étnicos culturalmente incompatíveis e supostamente hostis, estando unidos dentro de uma organização política bem-sucedida apenas pela supressão eficaz de uma população nativa. Ele não anula a visão tradicional por completo, que uma organização política multiétnica emergiu em Chichén Itzá, mas argumenta que ela ocorre significativamente mais cedo do que se havia pensado. Schmidt (1991) afirma que o reconhecimento que Chichén Itzá foi ocupada por grupos multiétnicos tem sido reforçado pela comparação das semelhanças existentes entre a arte e a arquitetura do sítio e de outras regiões como Oaxaca e Veracruz.

Para o mesmo autor, a compreensão da transformação do sítio maia dentro de uma organização política multiétnica se dá pelo fato de que outras culturas não-maias podem ser reconhecidas como uma importante presença nas terras baixas do norte. Para este estudioso, o aparecimento de muitos motivos específicos tais como chacmools, figuras de atlantes, colunadas de serpentes emplumadas e plataformas de crânios, tanto em Chichén Itzá quanto em Tula, indicam que os dois sítios estiveram em contato durante os períodos Clássico Final e Pós-Clássico Inicial, mas não fornece com exatidão a natureza destes contatos.

Schmidt (1998) acredita que a iconografia de Chichén Itzá não é maia em sua origem. Para tanto, fornece a informação que o desaparecimento desta iconografia nas terras baixas do norte após o colapso de Chichén Itzá e sua contínua proeminência na arte centro-mexicana até a chegada da Conquista Espanhola indica que as imagens são de origem centro-mexicana (Schmidt, 1998). O pesquisador conclui seus estudos afirmando que a cultura de Chichén Itzá foi uma criação de grupos de elite que se originaram a partir do contato entre organizações políticas das terras baixas do norte iucateco e das terras centro-mexicanas.

Por outro lado, um grande problema para a cronologia de Chichén Itzá foi sua suposta divisão étnica pelos arqueólogos do modelo tradicional, que privilegiou as informações etnohistóricas. Assim, a cidade foi dividida em duas áreas espacial e temporalmente segregadas, "Velha Chichén" e "Nova Chichén" (LINCOLN, 1986; RINGLE et al. 1998). Deste modo, os monumentos de estilo mexicanizado, portanto toltecas, apresentaram tecnologia de construção mais sofisticada e teriam sido construídos no Grupo Norte ou Grande Nivelação; enquanto que as construções de estilo maia, menos sofisticadas, ocuparam o grupo Sul (RINGLE et al. 1998).

Entretanto, Ball (1979) e Robles Castellanos (1990), a partir de dados cerâmicos; Lincoln (1986), com base em evidências arquitetônicas e iconográficas; Cobos (2001, 2003) através do padrão de assentamento e Navarro (2007) a partir da imagética e arquitetura do sítio demonstraram que estas divisões não podem ser demonstradas e que há cultura material uniforme em ambas as áreas do sítio arqueológico. Portanto, estamos de acordo com Ringle et al. (1998) que a invasão tolteca não passou de uma criação dos historiadores e arqueólogos que basearam seus estudos somente nas fontes etnohistóricas. Além disso, temos informações que escavações arqueológicas na costa leste de Yucatán e de Mayapán demonstraram que a influência "centro-mexicana" não esteve confinada a Chichén Itzá (BEY III, 1987; LINCOLN, 1990; RINGLE et al. 1998; COBOS, 2003 e 2004).

Muitos estudiosos têm postulado que a atividade de construção em Chichén Itzá pode ter cessado em 950-1000 d.C., embora sua ocupação provavelmente tenha continuado por mais algum tempo (COBOS, 1995; NAVARRO, 2007). Continuamos de acordo com Ringle et al. (1998) ao pensar que os traços considerados toltecas de fato têm origem no Epiclássico ou Clássico Terminal. Pensamos, também, na impossibilidade de uma invasão em Chichén Itzá por parte dos toltecas da fase Tollán de Tula pelo fato de que as datações radiocarbônicas, epigráficas e de termuluminescência não ultrapassarem o século X de nossa era, portanto, anterior à intrusão tolteca (1100 d.C.).

 

Indicadores arqueológicos da impossibilidade de uma invasão tolteca

Vejamos alguns indicadores arqueológicos para a impossibilidade de uma invasão tolteca no sítio arqueológico de Chichén Itzá. As informações abaixo apresentadas aparecem, sobretudo, nas obras de Rafael Cobos, pesquisador da Universidad Autónoma de Yucatán, principal expoente das sínteses regionais das pesquisas arqueológicas no norte do Iucatã. Além deste pesquisador, Gallareta Negrón e Robles Castellanos são outros dois investigadores que vêm reformulando o modelo tradicional com relação às terras maias do norte.

1. Distribuição de obsidiana. É uma rocha de origem vulcânica que servia para a confecção de artefatos cortantes, utilizados em oferendas e em armas. Afirma-se que os toltecas, através de seu controle da fonte abastecedora em Pachuca, foram os encarregados de distribuir este material em Chichén Itzá. No entanto, existe obsidiana no referido sítio em contexto arqueológico desde o Clássico, portanto, séculos antes da suposta invasão tolteca. Deste modo, os padrões de obsidiana de Tula e Chichén Itzá, claramente distintos entre os dois sítios, evidenciam que os toltecas não foram os encarregados de controlar o fluxo de obsidiana em Chichén Itzá (COBOS 1999 e 2003; BRASWELL 1997).

2. Cerâmica. Assume-se que Tula foi a responsável pelo controle da produção e distribuição de Tohil Plomizo, uma cerâmica de cor de chumbo e associada ao comércio de longa distância. Hoje em dia sabemos que a origem deste tipo cerâmico, que foi distribuído a diferentes grupos étnicos, se localiza na planície costeira do ocidente da Guatemala e começou a ser distribuído na Mesoamérica no século IX, pelo menos um século antes do auge de Tula. Além disso, os estudos cerâmicos mostram que os componentes minerais de ambos os sítios são completamente diferentes, ou seja, a matéria-prima ou argila para a fabricação das cerâmicas em Chichén Itzá e em Tula tem origem local e provêem de regiões localizadas a uma curta distância em cada uma destas cidades (FÄHMEL BEYER 1988; COBOS 1999).

3. Talvez um dos principais argumentos sobre a invasão tolteca em Chichén Itzá diz respeito à arquitetura de ambos os sítios. Existe um tipo de edifício que se caracteriza pela construção de um vestíbulo formado por pilares que conduz à entrada principal da estrutura. Em Chichén Itzá este edifício é conhecido como Templo dos Guerreiros e em Tula, como Edifício B ou Templo de Tlahuizcalpantecuhtli. Numerosos estudiosos observaram as semelhanças que existem entre ambas as estruturas. No entanto, segundo Cobos (1999) devemos ser cautelosos com as equivalências arquitetônicas já que ditas semelhanças se devem em grande parte à completa reconstrução do Edifício B por Jorge Acosta. Segundo Cobos (1999, p. 12) "este edifício estava completamente destruído e Acosta não tinha nenhuma informação arquitetônica do sítio. Deste modo, pela existência de colunatas entre ambos os edifícios, Acosta utilizou os dados arquitetônicos do Templo dos Guerreiros para reconstruir o Edifício B. Este pesquisador reportou que havia encontrado restos de 48 pilares, mas que não havia nenhuma indicação de onde estavam e sua disposição ao longo do Edifício B. Hoje em dia, os maianistas consideram que o Edifício B de Tula é produto de reconstrução e falsificação do século XX, e portanto, não se pode utilizar na comparação entre Tula e Chichén Itzá" (tradução do autor).

 

 

4. Técnicas de construção. Há ainda outra evidência que coloca em xeque a invasão tolteca. As construções toltecas, assim como as do altiplano mexicano, se caracterizam pelo emprego de tetos planos com vigas horizontais, enquanto que as de Chichén Itzá, assim como em toda área maia, utilizou o sistema de bóvedas ou arco falso. Deste modo, é plausível pensar que se realmente houvesse uma invasão tolteca em Chichén Itzá o emprego de tetos planos seria utilizado. E isso não ocorreu. Além disso, nas esquinas de muitos edifícios de Chichén Itzá foram representadas imagens em escultura do deus narigudo da chuva, ou Chaac. Este recurso arquitetônico não existe em Tula.

 

 

 


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5. Iconografia. A semelhança entre a iconografia entre ambas as cidades mesoamericanas foi outro forte indicador da invasão tolteca, sobretudo àquela relacionada a Quetzalcóatl ou Kukulcán, cuja principal manifestação se dá na forma de uma serpente emplumada. Tanto em Tula como em Chichén Itzá estes elementos iconográficos ganham um destaque na imagética das cidades. Associado ao mito de fuga de Quetzalcóatl de Tula e sua chegada em Chichén Itzá, portanto às fontes escritas, as imagens de serpentes emplumadas ainda são utilizadas para explicar a invasão tolteca em Chichén Itzá. No entanto, algumas observações devem ser feitas. A quantidade de serpentes emplumadas encontradas na iconografia de Tula é bastante inferior àquelas encontradas em Chichén Itzá. As de Tula encontram-se basicamente no Palácio Quemado e Coatepantli e em contexto guerreiro. As de Chichén Itzá encontram-se concentradas na Grande Nivelação, em vários edifícios e em distintos contextos: guerra, sacrifício, cenas marítimas, entronização de governantes e dão forma a várias colunas de algumas estruturas. Em nossa tese de doutorado, catalogamos todas as imagens de serpentes emplumadas deste grande espaço de Chichén Itzá e as comparamos com as de Tula. O estilo e a maneira de representar o contexto são bastante diferentes entre as duas cidades, o que em nossa visão, impossibilita uma tradição artística de origem tolteca. Os maias foram mais profundos nas relações culturais simbolizadas pela serpente e até mesmo buscaram retratar as diferentes espécies. Por exemplo, um exemplar representado nas colunas do vestíbulo do Templo dos Guerreiros leva chifres na cabeça.

Esta é uma serpente que não existe no Iucatã. É originária do sudoeste dos Estados Unidos, o mesmo lugar de onde provinha a turquesa, um mineral utilizado em oferendas em Chichén Itzá e com um grande significado simbólico de poder (NAVARRO, 2009). Essas relações culturais não são encontradas em Tula. Além disso, a existência de serpentes emplumadas na iconografia de ambos os sítios não justifica a invasão tolteca em Chichén Itzá. Durante a suposta invasão tolteca, ou seja, Epiclássico no altiplano mexicano (900/1000 d.C.) e Clássico Terminal na área maia, em vários sítios de diversas áreas da Mesoamérica a serpente emplumada é um elemento simbólico presente na iconografia: no altiplano mexicano encontra-se em Cholula, Xochicalco e Cacaxtla; na costa do Golfo aparece em El Tajín e Aparicio; em Oaxaca são representadas em Monte Albán e Mitla; na Costa da Guatemala aparece em Cotzhuamalpa, e na área maia em Uxmal e Chichén Itzá. Parece ser que durante o Epiclássico e Clássico Terminal o culto a Quetzalcóatl foi revitalizado e esteve associado principalmente a uma natureza guerreira (RINGLE et al. 1998; NAVARRO, 2007). Assim, o que se conhece como tolteca se refere à expansão deste culto na Mesoamérica. Portanto, a imagética de serpentes emplumadas não é um fenômeno exclusivo de Tula.

 


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6. Dimensão das cidades. Há que considerar o tamanho e a organização espacial de ambos os sítios. O sítio de Chichén Itzá, que tem aproximadamente 40 km2, se caracteriza por um conjunto arquitetônico e simbólico que tem como preocupação associar um edifício tipo pirâmide radial a uma plataforma radial e um cenote (Cobos 1999). Esta disposição espacial pode ser observada tanto na Grande Nivelação (El Castillo, Plataforma de Vênus e Cenote Sagrado) e na Plaza do Ossuário (Ossuário, Plataforma de Vênus e Cenote de Xtoloc). Além disso, os diferentes espaços arquitetônicos da cidade são ligados por estradas ou caminhos, conhecidos como sacbeoob. Estes caminhos são evidência da coesão social e da integração política que existia na cidade. Já Tula foi construída sobre um sistema de vários terraços ou plataformas em um espaço três vezes menor que Chichén Itzá.

7. Porto marítimo. Por fim, está a evidência arqueológica da Ilha Cerritos, o mais importante porto comercial pré-hispânico do Iucatã, controlado pela cidade de Chichén Itzá. Ele está demonstrando que esta cidade maia já estava totalmente edificada durante a suposta invasão dos habitantes de Tula, no ano de 1100 d.C. (COBOS, 2003). As estruturas desta ilha que estão sendo escavadas pelo arqueólogo Rafael Cobos e que conta com a colaboração de nossa pesquisa (Edital Universal, Processo nº 478108/2008-7), nos permitiu diversas evidências materiais do controle que teve Chichén Itzá no comércio das terras baixas maias do norte e de seu controle através da tributação de mercadorias produzidas em diversas partes da Mesoamérica. Isto sugere que os artefatos do altiplano mexicano que chegaram à Chichén Itzá não são resultados da invasão tolteca e sim produtos do controle comercial e comércio de longa distância realizada por diversas cidades do altiplano durante o Clássico Inicial Clássico Terminal.

 

Palavras finais

Este artigo tratou de demonstrar através de dados arqueológicos a impossibilidade de Chichén Itzá ser uma colônia de Tula. Vale ressaltar que concebemos os artefatos como produtos da ação social, portanto simbólica. Logo, os artefatos não são entendidos como objetos estáticos, muito pelo contrário, eles permeiam e são mediadores do comportamento humano (FUNARI, 2003).

Com relação ao tema que nos propusemos refletir, muitos maianistas argumentam que se a lógica de raciocínio sobre a invasão existe, seria mais plausível que Tula fosse um enclave maia no altiplano. Pensamos que o fato de a crença da invasão tolteca ainda ter força no meio acadêmico deve-se principalmente ao aferro aos documentos escritos em detrimento das fontes arqueológicas. Como dissemos no início deste texto é impossível reconstruir o auge de Chichén Itzá através das crônicas escritas já que esta cidade já se encontrava totalmente despovoada quando da chegada dos espanhóis na Península do Iucatã.

Por outro lado, sabemos que as relações culturais entre o altiplano mexicano e a área maia existiram (MARTIN; GRUBE, 2002; FRANÇA, 2007). Exemplo disso é o comércio de longa distância. Sabemos que na Ilha Cerritos, os artefatos provenientes do altiplano mexicano, da costa da Guatemala e ouro e tumbaga oriundos Costa Rica e Panamá (talvez da Colômbia também) chegaram a Chichén Itzá através deste porto comercial. Deste modo, pensamos que a relação entre Tula e Chichén Itzá deve ser vista mais como interação cultural que invasão ou dominação étnica.

 

Agradecimentos

Sou grato aos seguintes pesquisadores, que me ajudaram de diferentes maneiras: Dr. Rafael Cobos, Dra. Leila Maria França, Dr. Bernd Fähmel Beyer e Dr. Pedro Paulo A. Funari. Menciono, também, o apoio financeiro do CNPq (Edital Universal Processo nº 478108/2008-7).

 

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NOTAS

1 As expressões "terras centro-mexicanas" ou "centro-mexicanos" referem-se aos habitantes pré-hispânicos das terras altas do atual território mexicano.

 

 

Artigo recebido em 03/2010.
Aprovado em 06/2010.