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Revista Brasileira de Coloproctologia

Print version ISSN 0101-9880

Rev bras. colo-proctol. vol.28 no.2 Rio de Janeiro Apr./June 2008

http://dx.doi.org/10.1590/S0101-98802008000200004 

ARTIGOS ORIGINAIS

 

Pesquisa de linfonodo-sentinela em pacientes com adenocarcinoma de cólon

 

Sentinel lymphonode research in patients with colon cancer

 

 

Antônio Hilário Alves FreitasI; Tarcizo Afonso NunesII; Alberto Julius Alves WainsteinIII; Adelanir Antônio BarrosoIV; Omar de Paula Ricardo-FilhoV; Marco Antônio DiasV; Marco Antônio Dias-FilhoV; Waldemar Nascimento Brandão PennaVI

ITitular da Sociedade Brasileira de Coloproctologia
IIProfessor UFMG
IIIPesquisador Biocâncer
IVMédico Nuclear
VPatologista
VIMédico Residente

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

O câncer colorretal é responsável por cerca de 8.000 óbitos/ano no Brasil. Acredita-se que haja subestadiamento pós-operatório. O objetivo deste trabalho é pesquisar sobre linfonodo-sentinela em pacientes com adenocarcinoma de cólon. A amostra foi composta de 18 pacientes, todos com diagnóstico de adenocarcinoma de cólon, submetidos à laparotomia com injeção dos marcadores de linfonodos na subserosa peritumoral.
RESULTADOS: a identificação intra-operatória de linfonodo-sentinela com os marcadores ocorreu em 16 (88,8%) pacientes. O azul patente identificou linfonodos-sentinela em 72,2% e o fitato marcado com tecnécio em 88,8%. Obtiveram-se linfocintilografias do espécime cirúrgico removido em 15 pacientes. A sensibilidade global do método foi de 66,7% e o falso negativo de 33,3%. Depois do exame histológico com multissecção e imunoistoquímica de 11 pacientes, foi diagnosticada metástase em uma (9%) ocorrência, sendo considerada ultra-estadiamento.
CONCLUSÕES:
pode-se afirmar que o procedimento é viável; o radiofármaco é mais eficaz; a linfocintilografia da peça cirúrgica é capaz de certificar a presença de captação de radiofármaco pelo linfonodo; a incidência de metástases linfonodais é, proporcionalmente, a mesma nos linfonodos-sentinela e não-sentinela; as técnicas de multissecção e imunoistoquímica contribuem para melhorar a acuidade diagnóstica de metástase linfonodal.

Descritores: Linfonodo-sentinela. Câncer. Cólon. Metástases.


ABSTRACT

The colorectal cancer is responsible for 8.000 deaths a year in Brazil. It is believed that there is post operative sub staged. The objective of this study is to research on the sentinel lymph node in patients with colon cancer. The sample was composed by 18 patients, all of them with diagnose of cancer, undertaken to laparotomy with injection of the markers of lymph nodes in the subserosa peritumoral.
RESULTS: intraoperative identification sentinel lymph nodes with the markers occurred in 16 (88,8%) patients. The patent blue dye identified sentinel lymph nodes in 13 (72,2%) and the radioisotopic in 16 (88,8%). Lymphoscintigraphy of surgical specimen were obtained from 15 patients. The global sensitivity of this method was of 66,7% and the false-negative of 33,3%. After the histological examination with multilevel section and immunohistochemical in 11 patients, one (9%) case of micrometastase was diagnosed being considered ultrastaging.
CONCLUSIONS: It can be said that the procedure is viable; the radioisotope is more effective; the lymphoscintigraphy of the surgical specimen is capable of certifying the presence of absorption of the radioisotope by the lymph node; the incidence of lymph node metastases is, proportionally, the same as the one of the sentinel and non sentinel nodes; the techniques of the multilevel section and immunohistochemical contribute to improve the activity of the lymph node metastases diagnose.

Key words: Sentinel lymph node. Cancer. Colon. Metastases.


 

 

INTRODUÇÃO

A incidência de câncer colorretal no Brasil é de aproximadamente 25.000 casos por ano 1. O tratamento de escolha para tumores de cólon é a remoção em bloco da neoplasia e de todos os tecidos envolvidos na drenagem linfática, que é a principal via de disseminação desses tumores 2. Os estadiamentos clássicos propostos têm como principal objetivo diagnosticar metástase nos linfonodos. Quando presente, o paciente é encaminhado para quimioterapia adjuvante, que aumenta o tempo livre de doença e a sobrevida 3.

Sabe-se que um quarto dos pacientes operados por adenocarcinoma de cólon e sem linfonodos comprometidos à histologia de rotina, portanto, sem indicação de terapia adjuvante, evolui para óbito em até cinco anos por recorrência local do tumor ou metástase à distância 4, 5, 6.

O linfonodo-sentinela é considerado o primeiro a receber drenagem linfática do tumor e, desta forma, o mais provável de conter metástases 7. Nele, podem-se empregar meios diagnósticos mais eficazes, como exame histológico com multissecção e imunoistoquímica, inviáveis e de alto custo para serem realizadas em todos os linfonodos dissecados 8.

Diante desses fatos, este trabalho se propõe a avaliar a pesquisa de linfonodo-sentinela nos tumores do intestino grosso por meio de corante e radiofármaco no perioperatório; e utilizar além da histologia de rotina com hematoxilina-eosina, a multissecção de linfonodos e a imunoistoquímica com citoqueratinas, com o objetivo de melhorar o estadiamento final dos pacientes e, assim, contribuir para aumentar o índice de cura dessa afecção.

 

PACIENTES E MÉTODOS

Trata-se de estudo prospectivo, descritivo e analítico, sobre linfonodo-sentinela em indivíduos com adenocarcinoma de cólon, operados exclusivamente pelo autor desta pesquisa, no período de abril de 2005 a fevereiro de 2007, no Hospital Alberto Cavalcanti, que pertence à rede pública estadual de saúde da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (FHEMIG), Belo Horizonte, Brasil.

Aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (FHEMIG), parecer n° 290; e pelo Comitê de Ética em Pesquisa (COEP) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) parecer n° 168.

Todos os pacientes tiveram avaliação no pré-operatório, e diagnóstico histológico de adenocarcinoma de cólon com proposta de cirurgia curativa.

Os critérios de inclusão foram: pacientes com adenocarcinoma de cólon e adesão ao termo de consentimento. Os de exclusão foram: evidência de invasão de órgão adjacente ou metástase distante; tumor de origem não identificada nos últimos cinco anos; cirurgia prévia na região que possa alterar a drenagem linfática local; gravidez; recusa do paciente.

A marcação dos linfonodos foi realizada da seguinte forma: a) injeção intra-operatória com seringa na subserosa em quatro pontos cardeais adjacentes ao tumor de corante azul patente: volume de 1 ml, concentração a 1%, fabricado pela Citopharma Ltda (Belo Horizonte - M.G.) (figura 1). b) injeção de fármaco radioativo (Fitato 99mTecnécio) na dose de 1,2 mci em volume de 0,8 ml, liofilizado, estéril, apirógeno, produzido e distribuído pelo Instituto de Pesquisa de Energia Nuclear (IPEN) (São Paulo - S.P.), do mesmo modo descrito anteriormente para o corante.

 

 

A identificação dos linfonodos-sentinela foi: a) visual depois de 5-10 minutos da injeção do azul patente, com os primeiros linfonodos corados marcados com fio prolene; b) utilizada sonda captadora de raios gama (Eurorad ®) no intra-operatório para localizar linfonodos no mesocólon depois de 20-30 minutos da injeção do radiofármaco, que são marcados com fio seda (figura 2); c) adicionalmente leva-se o espécime cirúrgico fresco removido até a clínica de medicina nuclear para obter imagem cintilográfica (figura 3).

 

 

 

 

Finalmente os linfonodos considerados sentinela são dissecados, e enviados com a peça cirúrgica ao serviço de anatomia patológica para realização de histologia. A análise inicial dos linfonodos-sentinela é feita pelo método de rotina, corado com hematoxilina-eosina. Em pacientes sem metástases, envia-se o linfonodo-sentinela para exames adicionais com multissecção onde são feitos múltiplos cortes, e imunoistoquímica com citoqueratinas.

O tamanho dos tumores variou de 2 a 7 cm, com média de 4,5 cm (DP=1,4) e a localização no cólon foi a seguinte: direito, oito (44,4%); esquerdo, quatro (22,2%); e sigmóide, seis (33,3%).

Os pacientes foram estadiados segundo a classificação patológica do tumor-nodo-metástase (TNM), preconizada por Hensen e Hutter 9.

 

RESULTADOS

Identificação dos linfonodos pelo azul patente e radiofármaco

Nas peças cirúrgicas dos 18 participantes, foram isolados 238 linfonodos, média de 13,2 (DP=5,1) por paciente. Foram identificados 46 linfonodos-sentinela no intra-operatório por meio do corante e radiofármaco em 16 (88,8%), com média de 2,8 (DP=0,9) por paciente. O azul patente identificou linfonodo-sentinela em 13 (72,2%) indivíduos e o radiofármaco em 16 (88,8%) casos. Em dois pacientes não foram identificados linfonodos-sentinela por nenhum dos marcadores.

Não foram identificados linfonodos corados ou captantes fora da área de ressecção, e por isso a extensão da operação, que foi oncológica e radical, não teve de ser ampliada. Dois apresentaram urina azul após injeção do corante, que desapareceu em aproximadamente quatro horas, não acarretando qualquer conseqüência posterior. Não houve qualquer outro evento adverso decorrente da pesquisa de linfonodo-sentinela (tabela 1).

Linfocintilografia

Foram obtidas imagens das peças cirúrgicas de 15 pacientes, o que não foi possível nos outros três por problemas logísticos. Nos dois casos em que os linfonodos-sentinela não foram identificados no intra-operatório, também não foram detectadas imagens de linfonodos por cintilografia.

Treze pacientes tiveram linfonodos-sentinela identificados no intra-operatório e também foram realizadas imagens na gama-câmara. Em 12 (92,3%) destes apareceram linfonodos na imagem e em apenas um caso (7,7%) a linfocintilografia não mostrou imagem de linfonodo.

Marcadores de linfonodos e histologia

Entre os 46 linfonodos-sentinela identificados pelos marcadores, o exame histológico de rotina com hematoxilina-eosina diagnosticou metástases em seis (13,0%), e nos outros 40 (87,0%) não foram encontrados sinais de metástases. Dos 192 linfonodos não-sentinela, 24 (12,5%) continham metástases e 168 (87,5%) estavam livres de metástases (tabela 2).

 

 

Considerando o estudo de validade, nos 16 pacientes cujos marcadores identificaram linfonodos-sentinela, o exame histológico de rotina diagnosticou metástase em seis (37,5%). Em quatro (66,7%) deste grupo, as metástases encontravam-se nos linfonodos-sentinela, e em dois (33,3%) em linfonodos não-sentinela, sendo que este último índice representa o falso-negativo. Nos outros 10 pacientes, apesar de terem sido identificados linfonodos-sentinela, não foram diagnosticadas metástases pela histologia de rotina com hematoxilina-eosina (tabela 3).

Analisando a concordância entre os marcadores neste grupo de sete pacientes cujos linfonodos continham metástases ao exame histológico de rotina com hematoxilina-eosina, seis (85,7%) tiveram linfonodos captantes de radiofármaco e três (42,8%) tiveram linfonodos corados pelo azul (tabela 4).

 

 

Estadiamento dos pacientes

O exame histológico de rotina não diagnosticou metástase em 11 (61,1%) dos 18 pacientes, portanto, eles foram considerados estádio N0. Nos outros sete (38,9%), foram diagnosticadas metástases, sendo classificados no estádio N1 ou N2. Dessa forma, o estadiamento (TNM) inicial da amostra foi:

  • Estádio I = 02 pacientes (11,1%);
  • Estádio II = 09 pacientes (50,0%);
  • Estádio III = 07 pacientes (38,9%).

No grupo dos 11 pacientes sem metástases pela histologia de rotina (estádios I ou II), os exames por multissecção e imunoistoquímica diagnosticaram metástase em apenas um (9,0%). O estadiamento (TNM) final, então, foi:

  • Estádio I = 02 pacientes (11,1%);
  • Estádio II = 08 pacientes (44,45%);
  • Estádio III = 08 pacientes (44,45%).

 

DISCUSSÃO

Identificação dos linfonodos

O mapeamento linfático do câncer de cólon é realizado pela maioria dos autores com injeção subserosa dos marcadores de linfonodos (corantes e/ou fármacos radioativos) no intra-operatório, método utilizado no presente estudo.

Neste estudo, empregou-se a técnica combinada (corante e radiofármaco), pois não há consenso de qual seria o melhor marcador 10, 11, 12. Apesar de mais trabalhosa, ainda foi acrescida a linfocintilografia, na busca por melhores resultados. O índice de sucesso na identificação de linfonodos-sentinela em adenocarcinomas de cólon foi de 88,8%. Isto mostra a viabilidade técnica, já que mesmo no projeto piloto com os quatro primeiros casos não houve dificuldade com o método empregado, fato verificado por Paramo et al. 13, que calcularam a curva de aprendizado, sendo necessários cinco pacientes.

Basílio e Fonseca 14, no Rio de Janeiro, utilizaram o corante e identificaram linfonodos-sentinela em todos os 31 pacientes estudados.

Saha et al. 15, equipe com mais experiência mundial nesse método, afirmaram que a utilização da técnica combinada, apesar de mais trabalhosa, pode aumentar a detecção de linfonodos-sentinela em pacientes com tumores de cólon. Patten et al. 16 discordam, uma vez que em sua avaliação a sensibilidade permaneceu inalterada quando se utilizou corante associado ao fármaco radioativo.

Doekhie et al. 17 revisaram 25 estudos, sendo que destes, 19 utilizaram o corante azul como marcador, quatro técnicas combinadas de azul mais radiofármaco, e em apenas dois o fármaco radioativo isoladamente, com 89% de sucesso na identificação dos linfonodos-sentinela. Em recentes revisões de trabalhos relevantes, levando-se em consideração diferentes técnicas, a identificação de linfonodo-sentinela variou de 71 a 100% 18, 19.

Marcadores

Neste estudo, o desempenho do fitato radioativo foi melhor que o do corante azul patente para identificação de linfonodos-sentinela. Todos aqueles com linfonodos metastáticos e que tiveram linfonodos corados de azul, foram também captantes de radiofármaco, ou seja, o fármaco radioativo agregou valor na identificação de linfonodo-sentinela.

Hipótese que poderia explicar tal fato seria a desvantagem da farmacocinética do corante azul com rápida passagem pelo linfonodo e metabolização instantânea pelo sistema imunológico. Falhas técnicas também podem ocorrer na injeção dos marcadores 20, 21, 22.

Linfocintilografia

Foram obtidas imagens das peças cirúrgicas levadas à gama-câmara de 15 pacientes envolvidos no trabalho, que serviram para certificação da captação pelos linfonodos do radiofármaco injetado no intra-operatório. Nos dois (12,2%) pacientes em que os linfonodos-sentinela não foram identificados pelos métodos intra-operatórios, também não foi detectada imagem de linfonodo no mesocólon.

Poucos trabalhos foram publicados sobre este tema, provavelmente devido ao alto custo, que seria o fator limitante principal, já que o valor de cada linfocintilografia é de aproximadamente 600 dólares ou 1.200 reais. Merrie et al. 21 fizeram linfocintilografia objetivando localizar os linfonodos radiocaptantes no mesocólon do espécime cirúrgico, e obtiveram resultados favoráveis.

Captação dos marcadores e histologia

O número de linfonodos obtidos do espécime cirúrgico é de grande importância para estadiamento, tratamento e prognóstico dos pacientes operados de adenocarcinoma de cólon. Nos 18 casos estudados, foi encontrada média de 13,2 linfonodos por paciente, que de acordo com a literatura é suficiente para estadiamento confiável 23, 24, 25. Não existiu correlação significativa (p=0,88) entre linfonodo-sentinela e a presença de metástase.

Falso-negativo e sensibilidade

O alto índice de falso-negativo (33,3%) é significativo, mas não interfere na terapêutica, já que a linfadenectomia cirúrgica radical é mantida nas operações de adenocarcinomas de cólon, independentemente da presença ou ausência de metástases nos linfonodos regionais. De acordo com os trabalhos de revisão, a taxa global média de falso-negativo é de 33%, variando de 0 a 63%. Quando observados somente os trabalhos que utilizaram o método combinado (corante e radiofármaco), como nesta avaliação, a taxa média foi de 28%, variando de 0 a 50% 19, 27, 29.

De acordo com o estudo de validade deste trabalho, a sensibilidade foi 66,7%, enquanto na literatura varia de 40 a 100% 17, 26, 28.

Há um consenso que quanto mais avançado for o tumor, mais alto deverá ser o índice de falso-negativo e menor a sensibilidade. Como este trabalho foi desenvolvido em hospital público e os pacientes geralmente têm dificuldade para realização de propedêutica, esta seria uma provável causa para justificar os valores encontrados. Ressalta-se que 38,9% dos pacientes já se encontravam no estádio III (linfonodos com metástases) depois da histologia de rotina com hematoxilina-eosina.

Estadiamento

De acordo com o padrão de exame histológico de rotina, o tecido é examinado por meio de secção simples do linfonodo. Estima-se que o material levado a exame microscópico corado pela hematoxilina-eosina corresponda a menos de 1% do tecido do linfonodo, podendo ser motivo potencial de erro 30, 31.

Neste estudo, em um (9%) paciente foi encontrada micrometástase em linfonodo-sentinela depois da realização de exame histológico complementar, utilizando técnicas de multissecção dos linfonodos e de imunoistoquímica. Segundo Cohen et al. 32, poderia representar um caso de provável subestadiamento, cujo perfil se beneficiaria da pesquisa de linfonodo-sentinela por ter o diagnóstico de sua doença ainda micrometastática, quando as chances de proporcionar a cura com uma quimioterapia adjuvante seriam maiores por atacar o tumor em fase inicial.

O ultra-estadiamento por meio de multissecção e imunoistoquímica foi 4-47% na revisão de Tuech et al. 26; de 37,5% segundo Codignola et al. 33; e variou de 0-50% na revisão de Doekhie et al. 17.

O'Brien et al. 34 objetivaram melhorar o estadiamento dos linfonodos utilizando método imunoistoquímico para diagnóstico de micrometástases (depósitos isolados ou grupos de células tumorais, de acordo com Huvus et al. 35). Verificou-se que em cinco estudos os resultados foram favoráveis, e em nove não foram observados efeitos na evolução dos pacientes 26. Wong et al. 36 verificaram que nos linfonodos-sentinela há mais presença de metástases ocultas que nos não-sentinela, mas como utilizaram metodologias diferentes para exame dos linfonodos, tiveram a validade de seus achados muito questionada.

Portanto, são necessários mais trabalhos confiáveis e com grandes amostras para avaliação do real papel das micrometástases na evolução, na sobrevida e também a aplicabilidade prática, para que possa ser respondido se os pacientes operados de adenocarcinoma de cólon deveriam ou não receber terapia adjuvante nessas situações especiais 37, 38.

 

CONCLUSÕES

Diante do resultado da pesquisa de linfonodo-sentinela por meio de corante e radiofármaco no perioperatório de pacientes com adenocarcinoma de cólon, pode-se afirmar que: o procedimento é viável, seguro e com índice de sucesso elevado; a associação dos marcadores é benéfica, porém o radiofármaco é mais eficaz; a linfocintilografia da peça cirúrgica é capaz de certificar a presença de captação de radiofármaco pelo linfonodo; a incidência de metástases linfonodais é, proporcionalmente, a mesma nos linfonodos-sentinela e não-sentinela, e falso-negativo de 33%, portanto a linfadenectomia radical deve ser usada em todos os casos; as técnicas de multissecção e imunoistoquímica alteraram o estadiamento em um dos pacientes do estudo, contribuindo para melhorar a acuidade diagnóstica de metástase linfonodal.

 

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Endereço para correspondência:
Antônio Hilário Alves Freitas
Rua Paracatu, 838 / 206 - Barro Preto
30180.090 - Belo Horizonte - Minas Gerais
Telefone e FAX: 31-3337.9988 Celular: 31-9956.1363
E-mail: hilariofreitas@ig.com.br

Recebido em 07/04/2008
Aceito para publicação em 22/04/2008

 

 

Trabalho realizado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG); Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (FHEMIG); Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG); Instituto de Pesquisa Biocâncer.