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Revista Brasileira de História

versão impressa ISSN 0102-0188versão On-line ISSN 1806-9347

Rev. Bras. Hist. v.27 n.54 São Paulo dez. 2007

https://doi.org/10.1590/S0102-01882007000200001 

APRESENTAÇÃO

 

 

Qual a importância dos periódicos na produção e divulgação do conhecimento? Qual a especificidade do processo editorial das revistas com conselho consultivo? Que tipo de papel diferenciado a elas cabe, se é que há algum? A resposta a essas perguntas envolve a discussão do significado de um periódico como a Revista Brasileira de História, fundada em 1981 e, desde então, veículo decisivo para o encaminhamento de muitas renovações na historiografia brasileira.

E. P. Thompson, em texto clássico sobre a lógica histórica, demonstrou a especificidade da produção do conhecimento pelos historiadores e da validação de seus resultados. A prática histórica se faz num diálogo entre conceitos/hipóteses e evidências, num dinâmico "tribunal de recursos" em que os vários pesquisadores, em perspectivas e condições históricas, combates e impasses de seu próprio tempo, apontam mutuamente seus sucessos e falhas. Nesse debate infindável, incompleto, imperfeito, a historiografia delineia os diversos significados que o passado pode vir a assumir para nós, posicionando-se frente ao mundo e aos homens de nosso tempo.

As práticas exigidas para a publicação de um periódico envolvem ricos aprendizados intelectuais. O julgamento de textos apresentados aos pares sem a identificação de seus autores instaura a possibilidade do abandono da comodidade dos títulos, da quebra de hierarquias, abrindo o caminho à originalidade e à competência. Os autores exercitam o desprendimento intelectual e a intenção de amadurecimento, predispondo-se à escuta. Tais diálogos são profícuos em resultados, promissores para a renovação do conhecimento histórico e devem ser isentos a ponto de garantir espaço para o desafio do que parece estabelecido ou inquestionável.

Esse é o papel que a Revista Brasileira de História deseja reafirmar. Os artigos que compõem este número resultaram do trabalho dos membros do Conselho Editorial, dos pareceristas e dos mais variados autores que enviaram seus textos, tenham sido eles aceitos ou não para publicação, já que o limite de nosso espaço impõe escolhas nem sempre fáceis. Para tanto, torna-se cada vez mais importante o aprimoramento de nossas práticas editoriais, que devem garantir tanto o respeito profissional quanto o exercício da crítica.

O dossiê História e Gênero traz uma apresentação à parte. A seção de artigos inicia-se com "Imigração e família em Minas Gerais no final do século XIX", um estudo demográfico rigoroso e esclarecedor sobre o perfil daqueles imigrantes. "Em busca da caixa mágica: o Estado Novo e a televisão" traz uma abordagem bastante original para a reflexão sobre práticas políticas e meios de comunicação. Também a originalidade e a pesquisa caracterizam "Propaganda e crítica social nas cronologias dos almanaques astrológicos durante a guerra civil inglesa no século XVII". Numa perspectiva das interfaces entre a história econômica e política, "Modernização e concentração do transporte urbano em Salvador (1849-1930)" explora os vínculos entre as empresas e a sociedade. Sociedade, história, ciência e agricultura, estudadas através de novas fontes e novos objetos são tema de "Debates científicos e a produção do vinho paulista (1890-1930)". O leitor encontrará ainda um cuidadoso tratamento das fontes primárias e uma interpretação original de aspectos da cultura material em "A roda, a prensa, o forno, o tacho: cultura material e farinha de mandioca no litoral do Paraná".

A seção Estado da Arte, inaugurada no presente volume, traz ensaio panorâmico e precioso mapeamento de um importante campo historiográfico. "A Emergência da pesquisa da história das mulheres e das relações de gênero" certamente se tornará uma referência para aqueles que se dedicam ao tema. Seguem-se as resenhas.

Ainda citando Thompson, é importante lembrar que "a história não conhece verbos regulares". Ao aceitar o caráter fragmentário e irregular da escrita da história como um aspecto positivo – e não como uma falta –, desejamos que os textos aqui apresentados possam cumprir, junto aos leitores, o importante papel de incrementar os diálogos entre as histórias que escrevemos e os sonhos que ousamos projetar.

 

Conselho Editorial

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