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Revista Brasileira de História

On-line version ISSN 1806-9347

Rev. Bras. Hist. vol.28 no.55 São Paulo Jan./June 2008

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-01882008000100001 

APRESENTAÇÃO

 

 

A Revista Brasileira de História conquistou o pertencimento ao SciELO Brasil em 1998, tendo sido um dos primeiros periódicos na versão brasileira desse portal. Assumiu, assim, papel pioneiro na área de humanas. Mais recentemente, outras revistas de nossa área passaram também a integrar o portal, e isso facilitou a busca de artigos por pesquisadores diversos e abriu um caminho cada vez mais profícuo para a construção do conhecimento histórico. Tal pertencimento, entretanto, não é um privilégio. Relaciona-se ao mérito alcançado por esses periódicos que, para serem aceitos, preencheram inúmeros quesitos formais de publicação, os quais devem ser mantidos a cada número. Especialmente, esses periódicos adotam formas de oferecer, aos seus leitores, artigos de qualidade e ineditismo, que realmente possam contribuir para o debate entre os pesquisadores.

Muitas vezes a incursão em um portal desse tipo traz alguma sensação de estranhamento ao historiador, já que muitos recursos — comuns aos pesquisadores de outras áreas — apresentam-se um tanto misteriosos para nós. Entretanto, rapidamente se evidenciam a utilidade de várias ferramentas e a dinâmica que elas podem instaurar tanto em nossas pesquisas bibliográficas como na divulgação do conhecimento produzido. Afinal, um autor escreve para ser lido.

No portal, cada revista traz instrumentos de busca por autor, assunto e título, assim como pelas palavras-chave exigidas em cada artigo. Nos relatórios de utilização, podem ser encontrados o ano de ingresso de cada periódico no portal, o índice de visitas dos volumes e o número de artigos requisitados a cada mês, ao longo dos anos. No site específico de cada revista, novamente abrem-se possibilidades de busca dos artigos de várias maneiras, mas também instruções aos autores e dados sobre a revista, assim como o número exato de consultas a cada artigo. A partir daí, o visitante pode ler ou imprimir livremente os textos, ou apenas avaliar o que lhe interessa através dos resumos. Mas pode também visualizar as referências usadas em cada texto e seguir o link de cada uma delas através do Google. Há ainda ferramentas de busca dos artigos de temas semelhantes, o caminho para o currículo Lattes do autor (e a visualização de outras publicações) e o acesso aos outros artigos do mesmo autor no SciELO, bem como a facilidade de enviar o texto por e-mail. Através do Lattes é possível acessar os artigos do mesmo autor no SciELO, ao passo que a inclusão do número DOI (Digital Object Identifier) no preenchimento dos dados de cada produção bibliográfica facilita o acesso direto ao texto. Enfim, através da internet, os periódicos tornam-se um veículo impressionante no processo de debate, expansão e divulgação do conhecimento. Associados à Plataforma Lattes, assumem um papel inestimável no fomento do contato entre pesquisadores de diversas áreas e diversas instituições.

É claro que não há diminuição da importância do registro em papel. A Revista Brasileira de História, assim como várias outras revistas, mantém sua versão impressa e prioriza sua distribuição. Se o diálogo e a interação são fomentados virtualmente, a sua realização permanece ligada à leitura em papel, alimentando o nosso verdadeiro 'fetiche' por livros, também tão característico da nossa área e nem sempre bem compreendido entre os outros ramos do conhecimento acadêmico.

Neste momento em que a web estimula cada vez mais os diálogos entre os historiadores, o dossiê Imprensa, impressos discute aspectos dessa forma de veiculação de idéias, informações e análises que revolucionou a vida dos homens de maneira similar — ou talvez até mais profunda, como medir? — ao modo como a internet tem revolucionado a sociedade contemporânea. Os artigos deste número privilegiaram debates sobre a imprensa e a sociedade brasileira. Meize Lucas analisa como a imprensa da década de 1950 alimentou uma cultura cinematográfica, e como as cinematecas nutriram a cultura letrada no Brasil. Noé Sandes focaliza a atuação do jornalista Costa Rego no Correio da Manhã nos anos 30 e como suas práticas valorizavam a experiência política. Marcos Gonçalves debate a cultura política em construção através da imprensa católica no início do século XX. Marisa Midori demonstra a inserção do mercado de consumo de livros em São Paulo dentro de um movimento editorial mundial crescentemente dinâmico em meados do século XIX, e Wlamir Silva discute a atuação da imprensa na ampliação do lugar da mulher no espaço público em Minas Gerais no mesmo período.

Na seção de artigos avulsos, Ângela Domingues faz instigante incursão em textos pouco divulgados sobre o Brasil no século XVIII, como diários de viagens, mapas e vistas de marinheiros e traficantes, assim como textos produzidos por homens ilustrados. Oldimar Cardoso propõe a consideração da Didática da História como uma subárea da História, argumentando como ela se apresenta muito além dos conteúdos escolares. Fabricio Santos propõe uma análise da expulsão dos jesuítas e do confisco e venda de suas propriedades, construindo um diálogo entre a economia e a política, discutindo as transformações no Império português na mesma época. Marisa Leme discute as forças dinâmicas centrífugas e centrípetas na construção do Estado no Brasil na década de 1820, e Diogo Cabral avalia exploração madeireira, império português e indústria naval em abordagem sob a perspectiva da história ambiental.

A seção Estado da Arte traz ensaio de Marcelo Mattos sobre a fecunda produção historiográfica realizada em franco diálogo com o 'aniversário' de quarenta anos do Golpe Militar, em 2004, e com os trinta anos da morte de Goulart, completados em 2006. O texto avalia ainda a relação entre escrita da história e centros de pesquisa e documentação. Seguem-se seis resenhas críticas, focalizando obras de interesses diversos.

Esperamos que, entre impressos e hipertextos, o presente volume da Revista Brasileira de História fomente nossos contatos, contribuindo para o trânsito de nossas experiências, idéias, pesquisas e, sobretudo, de nossas esperanças.

 

Conselho Editorial