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Horticultura Brasileira

versão impressa ISSN 0102-0536versão On-line ISSN 1806-9991

Hortic. Bras. v.22 n.4 Brasília out./dez. 2004

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-05362004000400001 

ARTIGO CONVIDADO

 

Os 22 anos da Horticultura Brasileira: a revista chega a maioridade

 

Twenty-two years: Horticultura Brasileira reaches the adult age

 

 

Gilmar P. Henz; Sieglinde Brune

Embrapa Hortaliças, C. Postal 218, 70359-970 Brasília-DF; E-mail: gilmar@cnph.embrapa.br

 

 


RESUMO

A gênese e o crescimento de uma revista científica são eventos interessantes para serem observados e estudados. A revista Horticultura Brasileira, veículo de divulgação científica da Sociedade de Olericultura do Brasil (SOB), publicou seu primeiro fascículo em 1983 e, em 2004, completa 22 anos de publicação ininterrupta. A revista sucedeu uma publicação anterior da SOB, a 'Olericultura' (posteriormente renomeada 'Revista de Olericultura'), publicada entre 1961 e 1980, que era anual e continha artigos completos e resumos de trabalhos apresentados nas reuniões anuais e congressos da SOB. A Horticultura Brasileira (HB) foi criada para publicar artigos de pesquisa originais na área de horticultura por meio do sistema de avaliação de manuscritos por uma comissão editorial e revisores ad hoc (peer review). À época de sua criação, a revista era semestral, com um novo formato (28 x 20,5 cm) e com capa colorida diferente para cada fascículo e uma diagramação gráfica moderna. A revista é dividida em seções de modo a abranger todos os segmentos representados pela Sociedade, como produtores, extensionistas, pesquisadores, professores e estudantes. Em seus 22 anos, a revista atingiu um total de 1.083 artigos em 5.207 páginas, sendo 24 cartas ao editor, 37 artigos convidados, 561 artigos na seção 'Pesquisa', 133 na 'Página do Horticultor', 101 em 'Insumos e Cultivares em Teste', 31 em 'Economia e Extensão Rural', 43 em 'Nova Cultivar' e 153 na seção 'Nota', extinta em 1996. O número médio de artigos passou a ser de 34,6 artigos/ano no período 1983-95, aumentou para 47,3 artigos/ano no período 1996-2001 e de 116,3 artigos/ano de 2002-2004. Atualmente, a HB é publicada trimestralmente e conta com 30 editores de diferentes áreas e instituições e se consolidou como o principal periódico em hortaliças no Brasil. Seus desafios atuais são o aumento dos custos de publicação e o aprimoramento constante dos processos.

Palavras-chave: editoração, revista científica, artigo científico.


ABSTRACT

The genesis and growth of a scientific journal are unique events to be observed and studied. Horticultura Brasileira (HB) is the official journal of the Brazilian Society for Vegetable Science, and in 2004 the journal accomplishes 22 years of uninterrupted publishing since the release of its first issue in 1983. The journal succeeded 'Olericultura' (later 'Revista de Olericultura'), the previous annual journal of the Brazilian Society for Vegetable Science, published between 1961 and 1980, which presented abstracts and full papers of the annual meetings. Back to 1983, HB was a semestrally journal, created to publish original research papers of horticultural sciences, with an editorial board of four members and the peer review system, all new for the Society members. HB differed from the previous journal by its new format (28 cm x 20.5 cm), the colorful cover changed at each issue and the modern graphic design. HB was divided in distinct sections to include all segments of the Society, such as vegetable growers, rural extensionists, researchers, professors and students. During the last 22 years, HB published a total of 1,083 papers in 5,207 pages, divided in different sections: 'Letters to the Editor', 24 articles; 'Invited Articles', 37; 'Research', 561; 'Grower's Page', 133; 'Pesticides and Fertilizers in Test', 131; 'Economy and Rural Extension', 31; 'New Cultivar', 43; 'Note', 153 (this last section was abolished in 1996). During the 1983-1995 period, the journal published 34.6 articles/year, 47.3 articles/year during 1996-2001 and 116.3 articles/year from 2002 to 2004. Presently, HB is quarterly issued and has an editorial board of 30 editors of different research areas and institutions. The challenges faced by HB today are the raise of publication costs and the constant improvement of the publishing processes.

Keywords: publishing, scientific journal, scientific paper.


 

 

A Sociedade de Olericultura do Brasil (SOB) foi fundada em 23 de julho de 1961 por um grupo de 28 técnicos de diversos estados brasileiros, reunidos em Viçosa-MG, na então Universidade Rural do Estado de Minas Gerais (UREMG), atualmente Universidade Federal de Viçosa. Além da criação da SOB, este grupo determinou que faria uma reunião anual para apresentar e discutir trabalhos relacionados com a produção de hortaliças, de onde nasceu a publicação Olericultura, posteriormente denominada Revista de Olericultura.

Este foi o berço da revista Horticultura Brasileira (ISBN 0102-0536), órgão oficial de divulgação científica da Sociedade de Olericultura do Brasil. Assim como outras revistas editadas por sociedades científicas, foram necessárias várias mudanças e um longo aprendizado até que a revista atingisse seu prestígio atual. Com a publicação do volume 22 em 2004, a Horticultura Brasileira (HB) chega a maioridade, se atribuirmos à revista características do desenvolvimento humano, como gestação, infância, adolescência, idade adulta e maturidade. É claro que esta divisão é meramente ilustrativa, mesmo porque o desenvolvimento é contínuo e a evolução gradual. Além disto, esta divisão depende de critérios e certamente a contagem dos anos não é o único e nem o melhor parâmetro, embora seja um dos mais fáceis de compreender. Para uma revista, a maturidade pode representar a sua estabilidade técnica, o reconhecimento de sua qualidade e a projeção de um futuro com boas perspectivas. Como não é um sistema biológico, é possível permanecer nesta categoria indefinidamente, sem simplesmente perecer após um determinado período de tempo.

No caso da Horticultura Brasileira, é possível separar claramente três períodos por meio da evolução do número de artigos publicados na seção 'Pesquisa' e o número de páginas por volume (Figura 1) e da distribuição dos artigos nas diferentes seções (Figura 2). A primeira fase (ou primeiros anos) corresponde ao período compreendido entre os volumes 1 e 13 (1983-1995), em que o número de artigos publicados na seção 'Pesquisa' variou de 4 a 13 artigos/volume e o número de páginas/volume variou de 104 a 288. A fase de adolescência - uma fase de consolidação — corresponde aos volumes 14 a 19 (1996-2001), um período em que o número de artigos da seção 'Pesquisa' variou de 21 a 32 e o número de páginas/volume variou de 136 a 401; e a fase de crescimento e de expansão da revista iniciou no volume 20 (2002) e continua até o volume atual (2004), que pode ser considerada como uma fase adulta, com um aumento de 76 para 112 artigos e o número de páginas/volume aumentando de 520 para 566 (Figura 1).

 

 

 

 

ANTECEDENTES

Na comparação com o desenvolvimento humano, o período pré-natal corresponde à 'gestação' da revista'. A publicação do primeiro volume da revista Olericultura em 1961 tinha como principal objetivo a divulgação dos quinze trabalhos apresentados na 'I Reunião Anual', em Viçosa-MG sob a coordenação do Prof. Flávio A. D'Araújo Couto. Os trabalhos publicados à época tinham um perfil completamente distinto dos atuais e eram artigos com relatos completos, inclusive com tabelas, figuras e fotografias. As reuniões anuais eram realizadas em cidades distintas e a comissão organizadora se responsabilizava pela publicação da revista Olericultura. O volume 2 da revista foi publicada novamente em Viçosa em 1962, com 30 artigos da reunião anual realizada em Fortaleza-CE; o volume 3 foi publicado em 1963, em Piracicaba-SP, e continha 22 artigos; o volume 4 publicado em Pelotas-RS em 1964 tinha 33 artigos. Na reunião realizada em Campinas, em 1966, a Olericultura foi transformada em Revista de Olericultura (v.6, 36 trabalhos), sendo posteriormente publicada em Viçosa-MG, em 1970 (v.10, 18 artigos publicados de 68 resumos apresentados); em Piracicaba-SP, em 1971 (v.11, 58 trabalhos); em Fortaleza-CE, em 1972 (v.12, 77 trabalhos); em Brasília-DF, em 1973 (v.13, 82 trabalhos). Em 1974, em Santa Maria-RS, a Reunião Anual da SOB foi transformada em Congresso Brasileiro de Olericultura (CBO) por uma decisão da Assembléia Geral da Sociedade. Neste ano, foi publicado o volume 14, com 78 trabalhos; o volume 15 (1975) continha 109 trabalhos do congresso realizado em Botucatu-SP; 76 trabalhos em 1976, em Lavras-MG (v.16); e finalmente 32 e 22 trabalhos nos volumes 17 e 18 publicados em Viçosa-MG em 1979 e 1980, respectivamente (Lima e Reifschneider, 1984). A Revista de Olericultura persistiu até 1980, e não foram publicados os volumes 5 (1965) e 7-9 (1967-1969). Hoje é possível ter uma idéia mais real das limitações para se fazer uma revista naquela época, com as dificuldades de comunicação e financiamento, além da falta de experiência na área. Como a cada ano as reuniões (e congressos) eram realizados em cidades diferentes, as comissões editoriais das revistas Olericultura e Revista de Olericultura se sucediam de acordo com a responsabilidade de organizar este evento anual.

É inegável a qualidade técnica de alguns artigos e resumos publicados na Olericultura e depois na Revista de Olericultura, com fotografias em preto e branco de alta qualidade e uma abordagem científica adequada. O pioneirismo de alguns pesquisadores e professores na pesquisa com hortaliças nas diversas áreas foi devidamente registrado nesta primeira publicação. O início da SOB foi conduzido não somente com aquele entusiasmo dos novos empreendedores, mas com rara competência técnica, o que certamente selou positivamente seu destino.

 

OS PRIMEIROS ANOS (1983-1995)

A revista Horticultura Brasileira foi concebida em 1982, fruto de uma equipe de pesquisadores entusiasmados e com novas idéias, como Francisco José Becker Reifschneider, Leonardo de B. Giordano, Wilson R. Maluf, Paulo T. Della Vecchia e Roberto V. Cobbe, e o apoio do presidente da SOB, Dr. Juarez J. V. Müller. O treinamento em pós-graduação no exterior e o vigor das publicações estrangeiras foi o mote para criar uma revista brasileira de qualidade na área de horticultura, no nosso próprio idioma. A primeira providência (necessária) foi alterar o nome da Revista de Olericultura porque as agências governamentais que apoiavam a editoração de revistas científicas não aceitavam incorporar ao seu programa publicações que estavam em atraso ou que apresentavam problemas de periodicidade (Reifschneider, 1983), algo muito comum à época. Nasceu assim a Horticultura Brasileira, um nome abrangente e moderno que contemplava outras áreas além da olericultura, como ervas medicinais, por exemplo, e que potencialmente também poderia ser adotada por outras sociedades científicas, como floricultura e fruticultura (Reifschneider, 1990). Roberto Cobbe foi o responsável pela organização e pela editoração da revista (Reifschneider, 1983). O logotipo adotado foi representado pela palavra horticultura grafada na cor verde, representando as plantas, sobre a palavra brasileira, grafada na cor marrom, representando o solo nacional. A revista era semestral e mesmo assim era necessário muito trabalho voluntário para publicá-la em dia. Tudo era novidade: o novo formato da revista (28 cm x 20,5 cm), a capa colorida e inovadora, a diagramação gráfica moderna, o sistema de tramitação dos artigos, a divisão da revista em diferentes seções ( 'Carta ao Editor', 'Artigo Convidado', 'Pesquisa', 'Nota', 'Página do Horticultor', 'Nova Cultivar', 'Agrotóxicos e Fertilizantes em Teste', 'Economia e Extensão Rural', 'Notícias'). Realmente foi uma revolução! O primeiro número da revista foi publicado e distribuído em maio de 1983, antes do congresso da SOB no Rio de Janeiro, para que todos os sócios avaliassem seu conteúdo e formato. Na capa deste primeiro número foi feita uma homenagem ao Prof. Marcílio Dias, melhorista de hortaliças e emérito professor da ESALQ, de Piracicaba-SP, com uma foto. Após esta aprovação inicial, a revista passou a ser publicada semestralmente. É claro que houve muitas dúvidas sobre a sobrevivência e a continuidade da revista, principalmente por conta da juventude dos primeiros editores, mas a revista sobreviveu aos temíveis primeiros anos. No número 2 do volume 1 (novembro 1983) foi publicado o primeiro artigo na seção 'Economia e Extensão Rural' e, no volume 3 número 1 (maio 1985), o primeiro artigo da seção 'Agrotóxicos e Fertilizantes em Teste'. Além de publicar a Horticultura Brasileira, a sua primeira comissão editorial também preocupou-se em recuperar as informações de suas antecessoras e, em julho de 1984, publicou um suplemento com o 'Índice da Revista de Olericultura, 1961-1980' (Lima e Reifschneider, 1984). A partir de maio de 1985, começou a publicar também os resumos dos trabalhos apresentados nos congressos anuais da Sociedade, na forma de suplemento. Em novembro/1984, o Dr. Paulo T. Della Vecchia substituiu o Dr. Wilson R. Maluf na comissão editorial e, em novembro/1986 (v.4, n.2), a revista passou a contar com mais um editor, o Dr. Adalberto C. Café Filho, aumentando de quatro para cinco o número de membros da comissão editorial. Em maio/1987 (v.5, n.1) foi publicada uma avaliação do desempenho da revista com base nos 204 questionários recebidos de um total de 600 enviados. Nesta avaliação, a maioria dos leitores considerou os artigos da seção 'Pesquisa' como os de maior utilidade e desejavam uma revista com maior freqüência (periodicidade), algo que só seria alcançado muitos anos mais tarde. Neste mesmo fascículo foram publicados os resumos do IX Congresso Brasileiro de Olericultura (CBO) realizado em 1969. No v.5 n.2 (nov. 1987) foi publicado um suplemento com os índices dos artigos publicados entre 1983 e 1987 e foram recuperados os resumos dos congressos de olericultura de 1965 (VI CBO) e 1978 (XVIII CBO).

Neste período, compreendido entre o v.1 (1983) ao v.13 (1990), foram publicados um total de 450 artigos em 1.983 páginas. O número de artigos por volume variou de 24 (v.1, 1983) a 45 (v.10, 1992), com o número de páginas por volume variando de 104 (1983) a 288 (v.12) (Figura 1). A maior parte dos artigos foi publicado nas seções 'Pesquisa' (113 artigos) e 'Nota' (153 artigos) e 'Agrotóxicos e Fertilizantes em Teste' (54 artigos) (Figura 2). Em 1995 (v.13), a comissão editorial decidiu eliminar a seção 'Nota' para simplificar a tramitação dos artigos e encorajar os autores a usar as demais seções da revista (Henz, 1996). A denominação da seção 'Agrotóxicos e Fertilizantes em Teste' foi alterada para 'Insumos e Cultivares em Teste' em 1994 (volume 12), de forma a ser mais abrangente. O Dr. Francisco Reifschneider continuou à frente da comissão editorial até 1990, quando transferiu-se para a FAO, na Itália. No editorial dos dez anos da revista, Reifschneider já se preocupava com o futuro da HB, afirmando que 'a renovação, sempre que racional e ordeira, é uma necessidade' (Reifschneider, 1992). Neste mesmo ano, o Dr. Rodolfo H. Steindorf foi eleito como novo presidente da SOB. A partir do v.8 n.2, houve uma renovação completa da comissão editorial, com os colegas Hiroshi Nagai, Nei Peixoto, Carlos Alberto Lopes, Paulo Eduardo de Melo e Gilmar P. Henz assumindo as funções de editores.

 

A CONSOLIDAÇÃO (1996-2001)

A nova comissão editorial da revista permaneceu no cargo até 1997, mantendo a composição de cinco membros, com um presidente e quatro editores. Em quatorze anos de revista, houveram somente dois presidentes da comissão editorial. Naquela época, a FINEP já reconhecia que mudanças bruscas em comissões editoriais — em sua composição ou em sua localização - geralmente provocavam danos permanentes às publicações (Henz, 1996). Até 1998 (v.16), a revista manteve sua periodicidade semestral e a publicação de um suplemento com os resumos dos congressos da SOB. A partir do v.17 (1999) a HB passou a ser quadrimestral, com três fascículos ao ano. Durante o período compreendido entre a publicação dos volumes 14 (1996) a 19 (2001), a revista apresentou um aumento no número de artigos publicados na seção 'Pesquisa', que variou entre 21 (v.15) e 32 artigos (v.14) por volume, e o número de páginas por volume de 136 (v.15) a 401 (v.19) (Figura 1). Com a extinção da seção 'Nota', verificou-se um aumento no número de artigos na seção 'Pesquisa', alcançando 163 artigos neste período, seguido por 51 artigos na seção 'Página do Horticultor' e 43 na seção 'Insumos em Teste' (Figura 2). Uma outra alteração na revista neste período foi a exigência de uma declaração assinada por todos autores e co-autores concordando (1) com a submissão do manuscrito à publicação e (2) com a composição e ordenação dos autores. Nesta época, pouco a pouco começou a revolução no modo de editorar e diagramar a revista, com o uso crescente de computadores. O padrão gráfico da revista sofreu algumas modificações, a partir das idéias e sugestões do inovador e saudoso Marcelo Mancuso como a mudança de duas para três colunas, e novas maneiras de apresentar o título e autores, nova posição das palavras-chave, entre outras (Henz, 1996). As gráficas também se modernizaram, com máquinas e equipamentos importados, o que permitiu maior rapidez e qualidade na impressão da revista. Já dominando os recursos da informática disponíveis à época, Marcelo Mancuso era o responsável pela editoração da Horticultura Brasileira, um serviço terceirizado que era realizado independente dos serviços gráficos, com menor custo, mais qualidade e rapidez. Mancuso foi pioneiro e criou a primeira versão eletrônica da revista, por meio da recuperação de todos os fascículos dos volumes 1 a 16 (Cunha, 1995). Todos os artigos foram novamente digitados, recriando-se gráficos e tabelas e mantidos em arquivos no computador. A base de dados foi gravada em quatro disquetes, o meio mais utilizado na época, e o trabalho foi realmente pioneiro porque já se preocupava em recuperar as informações por meio de um serviço de busca, com várias opções, como título, autor, instituição, seção, data ou mesmo por uma palavra-chave (Cunha, 1995). Hoje, com a opção de internet e acesso online aos artigos em formato pdf, este caminho parece muito simples e fácil. Nesta mesma época - também de forma pioneira entre as revistas brasileiras - era possível acessar o sumário da revista pela internet por meio de um provedor privado. A busca por mecanismos alternativos ao papel impresso sempre foi uma preocupação da comissão editorial, já que este é um processo lento, caro e sujeito a muitos erros, como manifestado no editorial comemorativo dos primeiros dez anos da revista (Reifschneider, 1992). Em julho de 1996, o Dr. Nilton Rocha Leal passou a ser o presidente da SOB e em 1997 (volume 15) a comissão editorial passou por uma nova alteração, sob a presidência do Dr. Paulo Eduardo de Melo, e a incorporação de novos cinco editores, alterando um padrão antigo, primeiro com quatro e depois com cinco membros para dez editores. Em 1998, o número de editores aumentou ainda mais (total de onze), alterando definitivamente a sua composição e ampliando a representatividade institucional e geográfica. Em 1998, foi comprado o primeiro computador de uso exclusivo da revista, o que facilitou o controle da tramitação dos artigos e melhorou o serviço de atendimento aos autores e revisores. Em 1999, foi eleita a nova diretoria da SOB, com a Dra. Rumy Goto na presidência e o Dr. Leonardo de Britto Giordano à frente da comissão editorial da Horticultura Brasileira. A comissão editorial assumiu uma tarefa revolucionária: o aumento da periodicidade da revista a partir do volume 17 contando com a mesma estrutura, ou seja, uma secretária, um computador e uma sala. A necessidade de expansão da Horticultura Brasileira ocorreu pelo incremento no número de artigos submetidos e aceitos para publicação, o que levou a um aumento no número de fascículos de dois para três publicados anualmente a partir de 1999. A partir de julho de 2000 (v.18, n.2) a Horticultura Brasileira passou também a aceitar para publicação artigos escritos em Inglês e Espanhol, e assim ter maiores possibilidades de alcançar outros leitores em outros países. O número de editores da comissão editorial neste período passou a ser de 20 membros a partir de 2000 (v.18 n.2) e aumentou para 24 em 2001 (v.19). Outra novidade neste período foi a criação da coordenação executiva e editorial (v.19 n.3), sob responsabilidade da colega Sieglinde Brune, para melhorar a tramitação e o atendimento aos autores, editores, revisores e leitores da revista. Em junho de 2000 foi adotado o papel couchê no miolo da revista, um tipo de papel mais liso e fosco e que permite uma impressão de melhor qualidade. Em 2001, a Horticultura Brasileira foi classificada na categoria 'A' pelo Sistema Qualis da CAPES.

 

A EXPANSÃO (2002-2004)

A partir do volume 20, em 2002, a revista passou a ser publicada trimestralmente, com quatro números anuais. Em apenas três anos foram publicados 349 artigos em 1.584 páginas, com uma média de 116,3 artigos e 528 páginas por volume (Figura 1). No período entre 2002 e 2004 (v.20-22), foram publicados 285 artigos na seção 'Pesquisa' (Figura 2), sendo 76 no v.20 (2002), 97 no v.21 (2003) e culminando com 131 artigos no volume 22, publicado em 2004. Na seção 'Página do Horticultor' foram publicados 41 artigos (Figura 2). Acompanhando este crescimento, também observa-se um maior número de artigos escritos em outros idiomas, como Inglês e Espanhol. Este crescimento também provocou a necessidade de aumentar o número de editores da comissão editorial, que passou a ser de 31 membros em 2003 (v.21). Com a criação da coordenação executiva e a ampliação da comissão editorial, a HB pode contar com uma melhor representatividade de seus sócios e uma assessoria especializada das diversas áreas da olericultura, com a participação de especialistas do IEA (São Paulo-SP), IAC (Campinas-SP), UNESP (Botucatu-SP), UNESP (Jaboticabal-SP), UENF (Campos dos Goytacazes-RJ), UFPR (Curitiba-PR), UFLA (Lavras-MG), Instituto CEPA (Florianópolis-SC), UFV (Viçosa-MG), UFMS (Dourados-MS), ESALQ (Piracicaba-SP), UEPG (Ponta Grossa-PR), EPAMIG (Viçosa-MG), UFSM (Santa Maria-RS), UFP (Passo Fundo-RS), ESAM (Mossoró-RN), UnB (Brasília-DF), UEL (Londrina-PR), Proclone (Holambra-SP), Embrapa Hortaliças (Brasília-DF), Embrapa Cerrados (Brasília-DF), Embrapa Arroz e Feijão (Goiânia-GO), Embrapa Clima Temperado (Pelotas-RS), Embrapa Semi-Árido (Petrolina-PE) e 'University of Florida'. Em 2002, a HB passou a ser disponibilizada também na forma eletrônica no portal da SciELO (Scientific Eletronic Library Online). O SciELO (www.scielo.br ) é um portal de livre acesso, que organiza e publica textos completos, além de divulgar indicadores de uso e impacto dos periódicos. Esta biblioteca eletrônica conta com 114 revistas brasileiras e atualmente tem uma média de 326 mil consultas diárias. O SciELO também apresenta uma série de dados estatísticos interessantes sobre o acesso às revistas, fascículos e artigos que vale a pena visitar e conferir. Desde abril de 2003, a revista Horticultura Brasileira já teve 16.345 acessos a sua homepage, 8.770 acessos ao seu sumário (toc= table of contents) e 69.782 acessos a artigos (Scielo, 2004). O artigo mais visitado da revista neste portal teve 2.410 acessos, o segundo 1.416 acessos e o terceiro 1.018 acessos; vários outros artigos foram acessados entre 900 e 600 vezes neste período.

 

O FUTURO: OS NOVOS DESAFIOS DA REVISTA

Os desafios atuais da revista são sua auto-suficiência financeira, ainda não alcançada, e a melhoria contínua dos processos de publicação. O aumento da periodicidade trouxe como conseqüência direta um incremento nos custos de publicação, como despesas com gráfica e correios, e mais trabalho para toda a comissão editorial, incluindo desde a secretária até os editores e revisores. A revista é mantida basicamente por duas fontes de recursos: a própria SOB e o programa de apoio a publicações do CNPq/FINEP. A Sociedade repassa 50% das anuidades pagas pelos sócios para a revista, complementado pelos recursos recebidos do CNPq/FINEP. Outras fontes de recursos incluem a publicação dos resumos de trabalhos apresentados nos congressos anuais da SOB e a venda de espaço publicitário (3ª e 4ª capas). Em 2003, o programa de apoio para revistas científicas do CNPq aumentou o número de revistas contempladas com auxílio financeiro, mantendo praticamente inalterado o total de recursos dos anos anteriores. Ou seja, todas as revistas que já participavam do programa receberam menos recursos (Greene, 2004).

Atualmente a Horticultura Brasileira não cobra taxas adicionais para a publicação de artigos, como taxa de tramitação ou de publicação por páginas, por exemplo. A única alteração foi a exigência de o primeiro autor ser membro da Sociedade, que teve um reflexo direto no aumento de sócios nos últimos dois anos, valorizando o papel de veículo oficial da SOB e a vinculação institucional da revista. Para alguns sócios isto pode parecer antipático, mas esta possibilidade está nas normas da HB desde sua criação e deve ser estimulada. A política de publicação das revistas estrangeiras vinculadas a sociedades científicas é completamente diferente, uma vez que são cobrados os custos por páginas, tanto de sócios como de não-sócios. As revistas científicas publicadas por empresas privadas, como a Academic Press e Elsevier, não cobram 'page charges' (Greene, 2004), mas outras cobram, como a Springer, por exemplo. Caso os custos tornem-se insuportáveis para a Sociedade, talvez seja o caso de optar somente pela publicação eletrônica e abandonar a versão impressa; cobrar uma taxa de tramitação, como já ocorre na revista Fitopatologia Brasileira, da Sociedade Brasileira de Fitopatologia; ou então cobrar o custo de acordo com o número de páginas ( 'page charge'), adotado por algumas revistas estrangeiras de sociedades científicas, como a HortScience, da 'American Society for Horticultural Science', e a Plant Disease, da 'The American Phytopathological Society', por exemplo. A anuidade paga pelos sócios da SOB atualmente (R$ 90,00) certamente não é suficiente para sustentar a revista. Esta questão deve ser melhor discutida pela SOB para determinar os rumos a serem seguidos.

A falta de recursos financeiros é uma das principais causas da baixa sobrevivência das revistas brasileiras. Outro problema é o grande número de revistas científicas brasileiras ligadas a instituições, como universidades e institutos de pesquisa, que acaba por pulverizar excessivamente os recursos de financiamento e enfraquece coletivamente todas as publicações, já que muitas usam dinheiro governamental e não dependem de assinaturas ou venda para sobreviver. É melhor ter apenas uma ótima revista, com trabalhos de alta qualidade e com maior penetração nacional e internacional, do que várias com poucos leitores e baixa disseminação.

Os desafios enfrentados hoje pela HB são decorrentes do próprio crescimento da revista, uma vez que o aumento do número de fascículos publicados e da eficiência do processo de publicação também estão relacionados com a disponibilidade de recursos financeiros e a existência de uma infra-estrutura básica e permanente. A estrutura física é subsidiada indiretamente pela Embrapa Hortaliças, que cede o espaço, móveis e permite o acesso a internet. A revista paga mensalmente uma secretária para execução do registro e tramitação dos artigos, enquanto os demais serviços, como editoração e impressão gráfica, são terceirizados.

Os critérios de qualidade para revistas científicas continuam sendo constantemente perseguidos por todas as comissões editoriais envolvidas com publicações. Entre estes, destacam-se a abrangência da revista, sua distribuição, indexação, infra-estrutura administrativa, normalização, periodicidade e regularidade, qualidade do conteúdo e quantidade de artigos por fascículo (Barradas, 2004). Para a Horticultura Brasileira não é diferente. Apesar da maioridade, os desafios de publicar uma revista trimestral de qualidade e em dia na forma impressa continuam sendo praticamente os mesmos quando da publicação do primeiro número da HB em 1983. As comissões editoriais da Horticultura Brasileira, em conjunto com os presidentes e sócios da SOB, souberam, ao longo desses 22 anos, vencer com coragem, determinação e entusiasmo esses desafios. Neste período também deve ser contabilizado como altamente positivo o acúmulo de experiência de várias pessoas na tarefa de gerenciar a publicação de uma revista científica e criticar os artigos de seus colegas. Parabéns a Horticultura Brasileira! Parabéns a Sociedade de Olericultura do Brasil! Vida longa à nossa Horticultura Brasileira e a SOB!

 

AGRADECIMENTO

Os autores agradecem ao Dr. Paulo Eduardo de Melo a leitura criteriosa e as valiosas sugestões e correções a este manuscrito.

 

LITERATURA CITADA

BARRADAS, M.M. O papel da ABEC no cenário das revistas científicas brasileiras. Disponível em: <http://www.liber.ufpe.br/abec/arquivos/P3_Maria_Mercia_Barradas.pdf> . Consultado em: 20 set. 2004.

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GREENE, L.J. Brazilian Journal of Medical and Biological Research-BJMBR. Disponível em: <http://www.liber.ufpe.br/abec/arquivos/MR_Lewis_Greene.pdf> . Consultado em: 20 set. 2004.        [ Links ]

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(Recebido para publicação em 1 de setembro de 2004 e aceito em 29 de outubro de 2004)

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