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Horticultura Brasileira

Print version ISSN 0102-0536

Hortic. Bras. vol.25 no.2 Brasília Apr./June 2007

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-05362007000200004 

PESQUISA

 

Produção de tomate italiano (saladete) sob diferentes densidades de plantio e sistemas de poda visando ao consumo in natura1

 

Production of Italian tomato (saladete) in different plant densities and pruning systems aiming at in natura consumption

 

 

Adriana Q MachadoI; Marco Antônio R AlvarengaII; Carlos Eduardo T FlorentinoII

IUnivag Centro Universitário, Av. Dom Orlando Chaves, 2655, Cristo Rei, 78118-000 Várzea Grande-MT
IIUFLA, Depto.Agricultura, C Postal 37, 37200-000 Lavras-MG; diquixabeira@terra.com.br; marcoant@ufla.br

 

 


RESUMO

Verificou-se o efeito de três espaçamentos entre plantas e três sistemas de poda sobre a produção de frutos de tomateiro do tipo italiano (saladete), visando ao consumo in natura. O delineamento experimental foi blocos ao acaso, com três repetições. Os tratamentos foram dispostos em parcelas subdivididas, com os híbridos Heinz 9780 e Kátia alocados às parcelas e, um fatorial de três espaçamentos entre plantas (20; 35 e 50 cm) e três números de cachos por planta (2; 4 e 8), às subparcelas. As plantas foram conduzidas sem tutoramento. Houve incremento da produção total e comercial com a redução do espaçamento entre plantas e com o aumento do número de cachos por planta, com interação significativa entre essas duas variáveis, que apresentaram produção total e comercial de 202,6 t ha-1 e 165,9 t ha-1 respectivamente no espaçamento entre plantas de 20 cm e em plantas conduzidas com oito cachos. Apenas o híbrido Kátia apresentou redução significativa do número de frutos por planta quando o espaçamento entre plantas foi reduzido de 50 cm para 35 cm. Houve efeito depressivo da redução do espaçamento entre plantas no peso médio de frutos, a partir de 35 cm para o híbrido Heinz 9780 e, 20 cm, para o híbrido Kátia. Já a poda das plantas após o segundo cacho elevou o peso médio dos frutos em 54% no híbrido Heinz 9780 e 48,6% no híbrido Kátia, quando comparado ao tratamento com oito cachos por planta. Os resultados indicam a possibilidade de aumentar o peso médio de frutos de tomateiro com o emprego do espaçamento entre plantas de 50 cm para o híbrido Heinz 9780 e, 35 ou 50 cm, para o híbrido Kátia, e da poda apical após dois ou quatro cachos. Os híbridos mostraram-se adequados para a produção de tomate destinado ao consumo in natura, por apresentarem frutos com tamanho exigido por esse mercado.

Palavras-chave: Lycopersicon esculentum Mill., espaçamento, número de cachos, peso médio de frutos.


ABSTRACT

This experiment was carried out to study the effect of three spacings between plants and three pruning systems in the production of tomatoes, Italian class (saladete), for in natura use. Statistical procedure was based on randomized blocks with three replications, in a factorial scheme. Hybrid cultivars Heinz 9780 and Katia were planted in whole plots and the combination of three spacings between plants (20; 35 and 50 cm) and three pruning systems resulting in 2; 4, and 8 fruit clusters per plant, were assigned to the subplots. Plants grew without guiding. Total and commercial yield increased with plant density and with the number of fruit clusters, with significant interaction between these two variables. Total and marketable fruit yield reached their peak (202,6 and 165,9 t ha-1, respectively) with 20-cm spacing between plants and eight clusters. Hybrid Katia suffered a significant reduction in the number of fruits plant-1 when spacing between plants was reduced from 50 to 35 cm. The average weight of fruits was reduced when spacing between plants was bellow 35 cm for hybrid Heinz 9780 and bellow 20 cm for hybrid Katia, and increased as a result of pruning of plants after second cluster in 54,0% for hybrid Keinz 9780 and 48,6% for hybrid Katia. The average fruit weight can be increased with spacing between plants of 50 cm for hybrid Heinz 9780, and 35 or 50 cm for hybrid Katia and pruning after two or four fruit clusters. The hybrids performed adequately considering production of tomato for in natura consumption, with big enough fruits for market requirements.

Keywords: Lycopersicon esculentum Mill., plant spacing, number of fruit clusters, average fruit weight.


 

 

Em certas épocas do ano, alguns produtores têm comercializado tomates industriais, oriundos de cultivares de crescimento determinado, para consumo in natura. Algumas cultivares apresentam frutos semelhantes aos do grupo Santa Cruz e são indicadas para o mercado de fruto fresco, tais como, IPA-3 (Wanderley et al., 1980), UC-82 e Rio Grande (Pinto & Casali, 1980) e o híbrido SM Plus F1 (Topseed, 1999). O potencial desses materiais para o mercado in natura foi relatado por Grilli et al. (2000), que encontraram cultivares com produção de até 56,2% de frutos das classes graúdo e médio, que são os mais valorizados comercialmente. Além disso, as cultivares de crescimento determinado destacam-se pelo menor custo de produção em relação às cultivares do grupo Santa Cruz, já que são conduzidas sem tutoramento, necessitam de menos desbrota, têm ciclo mais curto, e, geralmente, apresentam maior rusticidade (Alvarenga, 2004).

O grupo de tomate Saladete, também chamado de tomate italiano, é o mais novo no mercado, apresentando dupla aptidão, sendo recomendado para consumo in natura e processamento. Os frutos são alongados (7 a 10 cm), com diâmetro transversal reduzido (3 a 5 cm), biloculares, polpa espessa, coloração vermelha intensa, sendo muito firmes e saborosos (Filgueira, 2003; Alvarenga, 2004). Há no mercado cultivares com hábito de crescimento indeterminado e determinado, sendo esta última utilizada na indústria.

Como são cultivados prioritariamente para produção de frutos para indústria, estudos relacionados ao manejo e condução das plantas com o intuito de alterar características de qualidade aparente do fruto são raros em cultivares de crescimento determinado. Já em cultivares de hábito indeterminado, há vários trabalhos que relacionam alta densidade populacional ao aumento na produção e redução no peso médio dos frutos, como demonstrado por Streck et al. (1996), ao avaliarem populações de 20; 30 40 e 50.000 plantas ha-1. Os autores verificaram um aumento na produtividade comercial de frutos de tomate híbrido Monte Carlo, com o aumento da densidade de plantas, no plantio de inverno-primavera, com ponto de máxima eficiência técnica na densidade de 43.862 plantas ha-1. Observaram também uma tendência de diminuição do peso médio de frutos à medida que aumentou a densidade de plantas de 20 para 50.000 plantas ha-1. Resultados semelhantes foram obtidos por Camargos (1998), com o híbrido Carmen, e Seleguini et al. (2002), com o híbrido Duradoro, em que as produções total e comercial foram superiores no espaçamento de 30 cm entre plantas (33.333 plantas ha-1) comparado ao espaçamento de 60 cm (16.666 plantas ha-1). O aumento da população de plantas reduziu a produção de frutos grandes, elevou a produção de frutos médios e pequenos e diminuiu o peso médio de frutos grandes e médios. Streck et al. (1998) avaliaram diferentes densidades de plantio (20; 40; 80 e 100.000 plantas ha-1) na produtividade comercial e peso médio de frutos do híbrido Monte Carlo e constataram que o aumento da densidade de plantas proporcionou aumento na produtividade comercial, principalmente entre 20 e 80.000 plantas ha-1 e redução do peso médio de frutos.

Outros trabalhos têm demonstrado a contribuição da poda apical para o aumento do peso médio de frutos. Dessa forma, Gusmão (1988) verificou para a cultivar de tomate Santa Cruz Kada, de crescimento indeterminado, que a redução do número de cachos na planta, de oito para quatro, favoreceu o aumento do peso de frutos. Segundo o autor, a poda apical acima do quarto cacho reduziu o número de drenos reprodutivos e vegetativos, embora a área foliar tenha mantido-se relativamente alta com o aumento no tamanho das folhas, elevando o teor de assimilados disponíveis aos frutos. Resultados semelhantes foram obtidos por Poerschke et al. (1995), com o híbrido Monte Carlo, que verificaram um maior peso médio dos frutos comercializáveis em plantas podadas para três cachos em relação às plantas conduzidas com cinco e sete cachos. Por outro lado, o número de frutos comercializáveis foi crescente com o aumento do número de cachos por planta, não havendo diferença quando conduzidas com cinco e sete cachos.

Estudos relacionados a cultivares de tomateiro de crescimento determinado, no que diz respeito à relação entre poda apical e densidade de plantio, visando estabelecer o número de cachos que resulte em frutos maiores e população de plantas adequada, tornam-se necessários a fim de que se tenha uma idéia sobre a possibilidade de utilização dessas cultivares para consumo in natura.

O objetivo deste trabalho foi verificar o efeito de três espaçamentos entre plantas e três sistemas de poda sobre a produção de frutos de tomateiro do tipo italiano (saladete), em duas cultivares de crescimento determinado, visando ao consumo in natura.

 

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi conduzido em campo, de 7 de maio a 18 de outubro de 2002, na UFLA, em Lavras-MG (21º14'S, 45º00'W, 920 m de altitude). Foram utilizados os híbridos de tomate tipo italiano (saladete) Heinz 9780 e Kátia, ambos de crescimento determinado. As mudas foram produzidas em bandejas de polipropileno de 128 células contendo o substrado comercial Plantmaxâ, sendo transplantadas para o local definitivo 30 dias após a semeadura, no espaçamento de 80 cm entre fileiras, sendo conduzidas sem tutoramento (rasteiro). A adubação de plantio consistiu na aplicação de 500 kg ha-1 de P2O5, na forma de superfosfato simples, dez dias antes do transplante. Foi realizada adubação de cobertura, com nitrogênio, potássio e cálcio, via fertirrigação, três vezes por semana. A adubação total de cobertura constou de 280 kg de N, 480 kg de K2O e 64 kg de Ca por ha, nas formas de nitrato de potássio, nitrato de cálcio e uréia, sendo distribuídas a partir do 11º dia após o transplante, de acordo com a curva de absorção de nutrientes pela cultura, da seguinte forma: 7% da quantidade total de N e K na 1a.e 2a.semanas, 10% na 3a.e 4a.semanas, 13% na 5a.e 6a.semanas, 20% na 7a.e 8a.semanas, 25% na 9a.e 10a.semanas e 25% na 11ª, 12a.e 13a.semanas. A cobertura com cálcio foi dividida em 20% da dose total de Ca na 5a.e 6a.semanas, 35 % na 7ª, 8a.e 9a.semanas, 45% na 10ª, 11ª, 12a.e 13ª semanas.

O delineamento experimental adotado foi blocos ao acaso, com três repetições. Os tratamentos foram dispostos em parcelas subdivididas, sendo as parcelas representadas pelos híbridos (Heinz 9780 e Kátia) e as subparcelas pelo fatorial 3x3, sendo três espaçamentos entre plantas (20; 35 e 50 cm) e três números de cachos por planta (2; 4 e 8 cachos). A parcela foi composta de duas fileiras simples de plantas, com 2,5 m de comprimento.

O controle de doenças e pragas foi efetuado de acordo com as recomendações convencionais para a cultura, utilizando fungicidas e inseticidas. O controle de plantas daninhas foi realizado manualmente e, as desbrotas, quando os brotos apresentavam de 3 a 5 cm de comprimento. A poda apical foi efetuada após o último cacho desejado. Nos tratamentos com quatro cachos por planta, foram deixados dois cachos na haste principal e dois cachos na haste correspondente à brotação axilar imediatamente abaixo do primeiro cacho, sendo as demais brotações retiradas. Nos tratamentos com dois cachos, foram eliminadas todas as brotações laterais surgidas. Os tratamentos com oito cachos corresponderam à ausência de poda apical e desbrota, e ao desenvolvimento de todas as brotações axilares. A aplicação de água foi feita pelo sistema de gotejamento, três vezes por semana, até 55 dias após o transplante e, após, diariamente até a colheita. Utilizou-se tubo gotejador modelo Rain Bird, com perfurações a cada 33 cm e vazão média de 1,5 L hora-1.

Foram avaliadas as produções total e comercial de frutos, número de frutos por planta e peso médio dos frutos. Foram considerados comerciais os frutos com diâmetro transversal maior que 33 mm e sem defeitos (sintomas de doenças, pragas, distúrbios fisiológicos e/ou danos físicos). Os valores das características avaliadas foram submetidos à análise de variância, utilizando o aplicativo SISVAR (Ferreira, 2000). As médias foram comparadas pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Houve efeito significativo dos fatores espaçamento entre plantas, número de cachos por planta e das interações espaçamento entre plantas x número de cachos por planta, e espaçamento entre plantas x híbrido sobre a produção total de frutos.

Em ambos os híbridos houve incremento da produção total quando o espaçamento entre plantas foi reduzido. Plantas com oito cachos também apresentaram maior produção (Tabela 1). Esses resultados concordam com os relatados por outros autores (Belfort, 1979; Maschio & Sousa, 1982; Campos et al., 1987; Gusmão, 1988; Oliveira, 1993; Streck et al., 1996; Camargos, 1998; Streck et al., 1998), que encontraram incremento na produção total com o aumento da densidade de plantio e/ou do número de cachos por planta, em cultivares de tomate de crescimento indeterminado.

Analisando-se os resultados da interação espaçamento entre plantas x número de cachos por planta (Tabela 2), verificou-se que o melhor resultado para o plantio com 20 cm entre plantas e oito cachos por planta, responsável pela maior produção total de frutos por área obtida neste trabalho (202,6 t ha-1). Neste sentido, a competição entre plantas na maior densidade, e intraplantas, em conseqüência do maior número de cachos por planta, parecem ser compensadas pelo maior número de plantas por hectare, no primeiro caso, e pela maior eficiência de cada planta quanto à produção de muitos frutos pequenos e pouco pesados, no segundo caso, oferecendo, portanto, rendimentos semelhantes (Maschio & Sousa, 1982).

 

 

Houve efeito do híbrido, do espaçamento entre plantas, do número de cachos por planta e das interações entre espaçamento entre plantas x híbrido, espaçamento entre plantas x número de cachos por planta sobre a produção de frutos comerciais. O híbrido Heinz 9780 acusou maior produção comercial de frutos em relação ao híbrido Kátia (Tabela 1), o que pode ser atribuído ao maior peso médio de seus frutos (112,2 g), quando comparado ao peso médio dos frutos do híbrido Kátia (107,52 g).

Similarmente ao ocorrido com a produção total, houve um incremento na produção comercial em função do aumento do número de cachos, bem como, maior produção registrada no menor espaçamento (Tabela 1), o que foi confirmado pela interação significativa entre essas duas variáveis, com maior produção comercial no espaçamento de 20 cm entre plantas e oito cachos por planta (Tabela 3).

 

 

Estes resultados concordam com os descritos por Maschio & Sousa (1982), em que tanto a redução do espaçamento como o maior número de cachos por planta promoveram acréscimos elevados na produção comercial de frutos da cultivar Kadá, de crescimento indeterminado. Da mesma forma, Campos et al. (1987) constataram que a poda para três cachos reduziu a produção comercial de frutos da cultivar São Sebastião, de crescimento indeterminado, enquanto a redução do espaçamento elevou a produção comercial. Poerschke et al. (1995) reportaram, para o híbrido Monte Carlo, de crescimento indeterminado, que plantas conduzidas com maior número de inflorescências, independente do número de hastes, apresentam maior rendimento total de frutos comercializáveis. E, finalmente, Camargos et al. (2000) relataram maior produção comercial de frutos da cultivar Carmem, de crescimento indeterminado, no espaçamento de 30 cm entre plantas e sete cachos por planta.

Houve efeito significativo do espaçamento entre plantas, número de cachos por planta e da interação entre espaçamento entre plantas x híbrido e espaçamento entre plantas x número de cachos por planta sobre o número de frutos por planta.

Constatou-se redução significativa do número de frutos por planta no híbrido Kátia (Tabela 1) quando se reduziu o espaçamento entre plantas de 50 cm para 35 cm, repetindo resultados obtidos por outros autores (Austin & Dunton Junior, 1970; Fery & Janick, 1970; Maschio & Sousa, 1982; Campos et al., 1987). Esta queda na produção individual das plantas, quando sujeitas às maiores populações, é atribuída à mudança na distribuição de assimilados como resposta a uma competição que se verifica na planta (competição intraplanta), agravada pela competição entre plantas (competição interplanta), comprometendo o pegamento dos frutos ou reduzindo a produção de flores por cacho (Austin & Dunton Junior, 1970). Não foi verificada alteração significativa no número de frutos em plantas do híbrido Heinz 9780, em relação ao espaçamento entre plantas. A poda das plantas após formação de dois ou quatro cachos, resultou em redução significativa do número de frutos por planta, em ambos os híbridos (Tabela 1). Resultados semelhantes foram obtidos por Campos et al. (1987), Poerschke et al. (1995) e Seleguini et al. (2002), em cultivares de tomate de crescimento indeterminado. De acordo com os resultados da interação entre espaçamento entre plantas e número de cachos por planta, um maior número de frutos foi obtido em plantas com oito cachos no espaçamento de 50 cm (Tabela 4).

 

 

Houve efeito significativo do híbrido, espaçamento entre plantas e número de cachos por planta sobre o peso médio de frutos.

O peso médio dos frutos foi maior no híbrido Heinz 9780 (112,2 g) comparado ao híbrido Kátia (107,5 g) (Tabela 1). Houve efeito depressivo da redução do espaçamento entre plantas no peso médio de frutos, em ambos os híbridos (Tabela 1). O híbrido Heinz 9780 apresentou perda significativa no peso médio de frutos a partir do espaçamento 35 cm, enquanto no híbrido Kátia esse efeito se fez presente apenas no espaçamento 20 cm (Tabela 1). Já a poda das plantas após a emissão do segundo cacho elevou o peso médio dos frutos em 54% (132,4 g) no híbrido Heinz 9780 e 48,6% (126,7 g) no híbrido Kátia, quando comparado ao tratamento com oito cachos por planta (86,0 e 85,2 g, respectivamente para os híbridos Heinz 9780 e Kátia). Efeito semelhante foi relatado por Campos et al. (1987), que observaram aumento de até 17% no peso médio de frutos da cultivar São Sebastião, de crescimento indeterminado, em plantas podadas após a emissão do terceiro cacho de flores, quando comparada à ausência de poda, e por Poerschke et al. (1995), que obtiveram frutos com maior peso médio também em plantas podadas após a terceira inflorescência em relação às plantas conduzidas com cinco e sete inflorescências. Como os frutos são drenos metabólicos fortes, os fotoassimilados foram translocados preferencialmente para esse órgão, promovendo o aumento de peso (Peluzio et al., 1995). Além disso, a poda apical acima do segundo cacho reduziu o número de drenos vegetativos e reprodutivos, embora a área foliar tenha se mantido relativamente alta com o aumento no tamanho das folhas, elevando o teor de assimilados disponíveis por fruto (Veliath & Ferguson, 1972; Gusmão, 1988).

De um modo geral, o peso médio dos frutos obtido nesse trabalho está dentro do padrão exigido pelo mercado de frutos in natura para cultivares do tipo Santa Cruz, que é de 80 a 200 g (Alvarenga, 2000). Os valores também concordam com os relatados por Tivelli (1994), para a cultivar Santa Clara, de crescimento indeterminado, em que o peso médio dos frutos variou de 54,6 a 131,1 g, sendo o menor valor observado na classe pequeno e o maior na classe graúdo.

Os resultados indicam a possibilidade de aumentar o peso médio dos frutos de tomateiro com o emprego do espaçamento entre plantas de 50 cm para o híbrido Heinz 9780, e 35 ou 50 cm para o híbrido Kátia e da poda apical após dois ou quatro cachos. Os híbridos mostraram-se adequados para a produção de tomate destinado ao consumo in natura, por apresentarem frutos com tamanho exigido por esse mercado.

Agradecimentos

Os autores agradecem à FAPEMIG pelo financiamento parcial da pesquisa e à Eagle Comércio de Sementes Ltda, distribuidora dos híbridos de tomate BHN Seed, pelas sementes cedidas.

 

REFERÊNCIAS

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Recebido para publicação em 4 de outubro de 2005; aceito em 12 de maio de 2007

 

 

1 Parte da dissertação apresentada à UFLA pelo primeiro autor para obtenção do grau de mestre em Agronomia/Fitotecnia.