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Horticultura Brasileira

Print version ISSN 0102-0536On-line version ISSN 1806-9991

Hortic. Bras. vol.26 no.2 Brasília Apr./June 2008

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-05362008000200031 

PÁGINA DO HORTICULTOR

 

Identificação e quantificação dos componentes de perdas de produção do tomateiro em ambiente protegido1

 

Identification and quantification of tomato yield loss components in unheated greenhouse

 

 

Rodolfo Araujo LoosI; Derly José Henriques da SilvaI; Paulo Cezar Rezende FontesI; Marcelo Coutinho PicançoII

IUFV-Depto. Fitotecnia, 36571-000 Viçosa-MG
IIUFV-Depto Biologia Animal; rudiloos@hotmail.com

 

 


RESUMO

Procurou-se identificar e quantificar os componentes de perdas de produção do tomateiro em ambiente protegido, no período de verão-outono, evidenciando o componente crítico e o fator-chave de perdas da cultura, mediante a utilização da tabela de vida das culturas. O trabalho foi realizado na Horta de Pesquisa da UFV, de janeiro a junho de 2001, sob delineamento de blocos casualizados, com dois tratamentos (cultivar Santa Clara I 5300 e híbrido Débora Plus) e cinco repetições. Durante o ciclo de cultivo, foram avaliados o número de plantas mortas e as causas de morte, o número de flores e frutos/planta. Nas colheitas, os frutos sadios foram contados, pesados e classificados, sendo identificadas as causas de perda dos frutos danificados. Não houve diferença significativa entre produtividades comerciais de 'Sta. Clara' (40,18 t/ha) e 'Débora Plus' (54,98 t/ha). A produtividade classificada entre frutos graúdos A ('Sta. Clara': 24,39 t/ha; 'Débora Plus': 32,32 t/ha) também não foram diferentes entre si. A produtividade de frutos médios extra ('Sta. Clara': 7,60 t/ha; 'Débora Plus': 10,77 t/ha) e a soma de frutos médios especiais com pequenos ('Sta. Clara': 8,19 t/ha; 'Débora Plus': 11,90 t/ha) foram baixas. Observou-se maior influência da perda de frutos (r = 0,89) (P<0,01) sobre as perdas totais sendo, consequentemente, frutos o componente crítico de perdas da cultura. Entre os vários fatores de perda dentro do componente crítico de produção, podridão apical foi o que mais influenciou as perdas totais (r = 0,97) (P<0,01), sendo considerado o fator-chave de perdas da cultura nessas condições.

Palavras-chave: Lycopersicon esculentum, tabela de vida das culturas, podridão apical, manejo integrado de pragas.


ABSTRACT

The tomato production components of loss were identified and quantified in unheated greenhouse, in the summer-autumn period, evidencing the tomato critical production component and the loss key-factor, using the methodology of the crop life table. The experiment was conducted at the Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais State, Brazil, from January to June 2001 and consisted of two treatments (cultivar Santa Clara I 5300 and hybrid Débora Plus) in a randomized complete block design with 5 replications. During the tomato cycle, the number of dead plants, its causes and the number of flowers and fruits/plant were evaluated. At harvest, the healthy fruits were counted, weighted and classified; the causes of fruit damage were identified and the loss quantified. There was no significant difference between commercial yield of 'Sta. Clara' (40.18 t/ha) and 'Débora Plus' (54.98 t/ha). The classified yields between 'graúdos A' fruits ('Sta. Clara': 24.39 t/ha; 'Débora Plus': 32.32 t/ha) were not different either. The yield of 'médio extra' fruits ('Sta. Clara': 7.60 t/ha; 'Débora Plus': 10.77 t/ha) and the sum of 'médio especial' with 'pequenos' fruits ('Sta. Clara': 8.19 t/ha; 'Débora Plus': 11.90 t/ha) were low. Total losses were more influenced by fruits (r = 0.89) (P<0.01) than by any other production components. Consequently, fruits were considered the critical production component of tomato yield. Total fruit losses were more influenced by blossom-end rot (r = 0.97) (P<0.01) than by any other loss factors, being considered the loss key-factor in those conditions.

Keywords: Lycopersicon esculentum, crop life table, blossom-end rot, integrated pest management.


 

 

A produção de tomate é considerada atividade de alto risco, principalmente, devido a grande variedade de ambientes e sistemas nos quais é cultivado, alta suscetibilidade a desordens fisiológicas e ao ataque de pragas e doenças e exigência em insumos e serviços, acarretando elevado investimento de recursos financeiros por unidade de área.

Desordens fisiológicas são provocadas por estresse fisiológico na planta, normalmente associado a uma condição desfavorável do ambiente juntamente com a manifestação de componentes genéticos. Variações climáticas bruscas podem ser mais danosas que as condições desfavoráveis de temperatura e umidade, no entanto, não são as causas exatas dos desequilíbrios fisiológicos, pois geralmente, um grupo de fatores estão envolvidos, como disponibilidade de água e nutrientes no solo, práticas culturais (espaçamento, condução, adubação, etc.), cultivares (fator genético), entre outros (Kinet & Peet, 1997). A podridão apical é uma das desordens fisiológicas mais importantes do tomateiro, considerada como um sintoma da deficiência de cálcio (Ca) nos frutos. Entretanto, o mecanismo pelo qual os fatores externos afetam a concentração de Ca nos frutos e o desenvolvimento da podridão apical, nem o tipo de relação entre deficiência de Ca e podridão apical foram identificadas inequivocamente (Saure, 2001).

Freqüentemente, a combinação de vários desses fatores supracitados ocasiona maior incidência de perdas. Dessa forma, é essencial identificar e quantificar os fatores de perda na cultura do tomateiro a fim de que se possa produzir com menos riscos e alcançar maior produtividade.

As tabelas de vida são instrumentos empregados em estudos de dinâmica populacional (Silveira Neto et al., 1976), sendo valiosos guias no planejamento das estratégias do manejo de pragas. Quando utilizadas para culturas, conforme Harcourt (1970), Chandler (1984) e Picanço et al. (1998), as tabelas de vida incluem a identificação dos fatores de perdas e a associação destes com o estádio de desenvolvimento da cultura.

Um modelo de estimativa quantitativa das perdas por unidade de área para cada componente de produção foi desenvolvido por Picanço (1992), possibilitando a determinação do componente crítico de perdas de produção (aquele que possui maior regulação sobre as perdas ocorridas na cultura) e o fator-chave de perdas (principal causa reguladora de perdas no componente crítico de perdas). Para tanto, foi adaptado o modelo desenvolvido por Varley & Gradwell (1960), que considera como fator-chave aquele cuja variação de perdas específicas apresente maior correlação com a flutuação de perdas totais.

Dessa forma, o objetivo deste trabalho foi identificar e quantificar os componentes de perdas de produção do tomateiro em ambiente protegido, evidenciando o componente crítico de perdas da cultura e o fator-chave de perdas pela utilização da tabela de vida das culturas.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Este trabalho foi realizado na Horta de Pesquisa da Universidade Federal de Viçosa, em Viçosa (MG), de janeiro a junho de 2001. O ambiente protegido foi constituído de proteção plástica de 0,1 mm de espessura, tipo capela com dimensões de 10 x 40 m e altura de 5 m, com cortinas retráteis laterais. O experimento foi conduzido sob delineamento experimental de blocos casualizados, constando de dois tratamentos (variedade Santa Clara I 5300 e híbrido Débora Plus) e cinco repetições. A área da parcela experimental foi 4,8 m2, sendo composta por 8 plantas. A bordadura de experimento constou de uma linha com 'Santa Clara' e 'Débora Plus' em torno da área total do experimento.

As mudas foram produzidas em bandejas de poliestireno expandido, medindo 68 x 34 cm, com 128 células e o transplantio feito quando as mudas apresentaram, em média, quatro folhas definitivas, aos 29 dias após o semeio. As mudas foram transplantadas no espaçamento de 1,0 x 0,6 m, sendo tutoradas no sistema vertical com fitilho. As plantas foram conduzidas com uma haste e foram despontadas com três folhas acima do sexto racimo (Oliveira, 1993; Camargos, 1998).

O solo do experimento foi arado, gradeado e sulcado e a sua análise química apresentou: pH em água = 6,4 (relação 1:2,5); P = 144,0 mg/dm3; Na = 5,0 mg/dm3; K = 47,0 mg/dm3 (P - Na - K: extrator Mehlich 1); Ca = 6,3 cmolc/dm3; Mg = 0,5 cmolc/dm3; Al = 2,0 cmolc/dm3 (Ca - Mg - Al = extrator KCl 1 mol/L); SB = 6,9 cmolc/dm3 (extrator acetato de cálcio 0,5 mol/L - pH 7,0); CTC (t) = 6,9 cmolc/dm3; CTC (T) = 8,9 cmolc/dm3 e V = 77,7 %. No sulco de plantio foi feita a aplicação de 10 t/ha de esterco de galinha, 10 kg/ha de ácido bórico, 200 g/ha de molibdato de sódio e 200 kg/ha de sulfato de magnésio. A adubação de cobertura foi feita por fertirrigação com 240 kg/ha de N, 400 kg/ha de P2O5 e 500 kg/ha de K2O, respectivamente na forma de sulfato de amônio, superfosfato simples e cloreto de potássio, divididos em oito parcelas, realizadas a cada duas semanas.

Para o controle de insetos-praga, Tuta absoluta (Meyrick) (Lepidoptera: Gelechiidae), Neoleucinodes elegantalis (Guennée) (Lepidoptera: Crambidae), Bemisia tabacci (Guennée) (Homoptera: Aleyrodidae) e Frankliniella schultzei (Trybom) (Thysonoptera: Thripidae), utilizou-se o manejo integrado, aplicando-se inseticidas, abamectin (dose: 1 mL/L e calda: 1000 L/ha), permethrin (32,5 mL/100 L e calda: 800 L/ha), buprofezin (dose: 40 mL/100 L e calda: 1000 L/ha) e imidaclorprid (dose: 50 mL/100 L e calda: 800 L/ha) respectivamente, somente quando as pragas atingiam o nível de controle (1 vetor/ponteiro, 20% de folhas minadas e 5% de frutos broqueados) (Sinigaglia et al., 2000). Para a prevenção e controle de doenças, como Phytophthora infestans (Mont.) De Bary e Alternaria solani (Sorauer), foram feitas aplicações de fungicida, a cada duas semanas, com rotação dos produtos chlorothalonil (dose: 3 mL/L e calda: 800 L/ha) e tebuconazole (dose: 1 L/ha e calda: 400 L/ha).

Os elementos climáticos, temperatura, umidade relativa e pressão foram monitorados, diariamente, por estação climatológica instalada dentro da casa de vegetação (GroWeather-DAVIS, EUA) (Tabela 1).

Foi feito o levantamento da seqüência de mortalidade das plantas, realizado pela anotação semanal do número de plantas mortas, identificando-se suas causas, desde o início do período vegetativo até o final do reprodutivo, adaptando-se para tanto, o método descrito por Harcourt (1970). Para evitar a transmissão por contato de vírus, as plantas infectadas foram retiradas e anotadas como plantas mortas por virose. Foram avaliados o número de flores e frutos/planta, segundo a metodologia desenvolvida por Chandler (1984). Nas colheitas, os frutos sadios foram contados, pesados e classificados (maior diâmetro transversal do fruto), segundo norma adaptada do Ministério da Agricultura (Brasil, 1995), considerando-se Graúdo AA (>69,6 mm), Graúdo A (>60,0 e <69,6 mm), Médio Extra (>54,8 e <60,0 mm), Médio Especial (>50,0 e <54,8 mm), Pequeno (>40,0 e <50,0 mm) e Refugo (<40,0 mm). Foram considerados frutos comerciais aqueles com diâmetro maior que 40 mm. Foram ainda contados e pesados os frutos danificados, segundo cada causa de perda (Picanço et al., 1997).

A tabela de vida foi feita para cada parcela e construída a partir das médias das parcelas de cada tratamento, conforme metodologia desenvolvida por Picanço (1992), contendo os componentes: x = componente de produção da cultura do tomateiro (plantas, flores, frutos totais e frutos colhidos); Lx = estimativa de produtividade (kg/ha) de frutos no início de cada x; dxF = fator causador de perdas na produtividade da cultura; dx = estimativa de perdas na produção da cultura (kg/ha) de frutos; 100 qx = perdas não acumulativas (%) e 100 rx = perdas acumulativas (%).

A estimativa dos Lx foi realizada como segue: Lx (planta) = Pl x Fl/Pl x Pfr; Lx (flores) = Plc x Fl/Pl x Pfr; Lx (frutos totais) = Plc x Frt/Pl x Pfr; Lx (frutos colhidos) = Plc x Frc/Pl x Pfr; sendo: Pl = número médio de plantas/ha no início do cultivo; Fl/Pl = número total de flores/planta; Pfr = peso médio dos frutos em kg; Plc = número médio de plantas nas colheitas/ha; Frt/Pl = número médio de frutos totais/planta e Frc/Pl = número médio de frutos sadios colhidos/planta.

Para a determinação do componente crítico de perdas e do fator-chave de perdas para a cultura foi utilizado o modelo desenvolvido por Varley & Gradwell (1960), modificado por Picanço (1992), para estudo em tabelas de vida de culturas. Para tanto, foram utilizados os dados provenientes das tabelas de vida de cada parcela, contendo os componentes: x = componente de produção da cultura; Lx = estimativa de produtividade (kg/ha) de frutos no início de cada x; log (Lx) = logaritmo decimal dos valores de Lx; k = perdas específicas [obtidas por subtração de cada valor de log (Lx), do valor que lhe precede] e K = perdas totais (obtida pelo somatório dos valores de k).

Foram calculados os coeficientes de correlação de Pearson entre as perdas específicas (k) e totais (K), sendo considerados como componentes críticos de perdas na produção aqueles cujas flutuações das perdas específicas apresentaram correlações significativas com a flutuação de perdas totais (Faleiro et al., 1995).

Para se determinar o fator-chave de perdas da cultura, foram utilizados os componentes: dxF = fator causador de perdas na produtividade da cultura; Lx = estimativa de produtividade (kg/ha) de frutos no início de cada x, subtraída a perda causada por cada fator; log (Lx) = logaritmo decimal dos valores de Lx; k = perdas específicas; e K = perdas totais do componente de produção em questão (Picanço et al., 1998).

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Ambos tratamentos, 'Sta. Clara' e 'Débora Plus', apresentaram altas perdas (80 e 104 t/ha, respectivamente), correspondendo às perdas cumulativas totais de 61,48 e 65,43%, respectivamente (Tabelas 2 e 3). Todavia, as produtividades comerciais de 'Sta. Clara' e 'Débora Plus' foram, respectivamente, equiparada e superior à produtividade média nacional (45 t/ha) (IBGE, 2004). Esses dados evidenciam que apesar dessas cultivares apresentarem alto potencial produtivo, o produtor depara-se com vários fatores de perda ao longo do ciclo cultural, prejudicando severamente a produtividade do tomateiro.

Não houve diferença significativa entre tratamentos para produtividades comercial ('Sta. Clara': 40,18 t/ha; 'Débora Plus': 54,98 t/ha) e classificada de frutos, entretanto, a produtividade comercial de frutos 'Santa Clara' foi 15 t/ha inferior a 'Débora Plus' e a produtividade classificada de frutos graúdos 'Débora Plus' (32,32 t/ha) foi 8 t/ha superior a 'Sta. Clara' (24,39 t/ha). As produtividades de frutos 'Santa Clara' e 'Débora Plus' de classificação médio extra (7,60 t/ha e 10,77 t/ha, respectivamente), e as produtividades de frutos médio especial e pequeno juntas ('Sta. Clara': 8,19 t/ha e 'Débora Plus': 11,90 t/ha) foram baixas. A maior produção de frutos graúdos é comercialmente importante, visto que frutos maiores têm melhor preço no mercado.

Durante a fase vegetativa, a ocorrência de Rhizoctonia solani em 'Sta. Clara' causou morte de plantas, equivalendo a 2,73 t/ha de perda na produtividade (Tabela 2). Na fase reprodutiva, a ocorrência de tospovírus (Tomato Spotted Wilt Virus (TSWV)) e Pseudomonas corrugata causou mortalidade de plantas na variedade Sta. Clara (Tabela 2), gerando perdas médias de 28,38 t/ha e 3,26 t/ha, respectivamente, e 29,43 t/ha de perdas por TSWV no híbrido Débora Plus (Tabela 3). O principal inseto-vetor desta virose é o tripes Frankliniella schultzei Trybom (Thysanoptera: Thripidae) pelas características de polifagia, facilidade de reprodução, número de ovos produzidos e capacidade de difusão rápida no meio ambiente (Riley & Pappu, 2000).

A perda no componente de produção flores foi considerada como abortamento (Tabelas 2 e 3), podendo ter ocorrido pela não-fecundação dos óvulos (Kinet & Peet, 1997) (Tabela 1).

O componente de produção que regulou, significativamente, a flutuação de perdas totais foi frutos (r = 0,89; P<0,01), sendo considerado o componente crítico de perdas (Figura 1). Os fatores de perda no componente de produção frutos foram podridão apical, Neoleucinodes elegantalis, Erwinia carotovora, rachamento, Tuta absoluta, Alternaria solani, TSWV, pássaros e tamanho não-comercial dos frutos (refugo). Picanço et al. (1998), ao avaliarem as perdas na produção do tomateiro cultivado com diferentes espaçamentos e aplicações de inseticidas, e Paula (1997), ao determinar os fatores de perdas no tomateiro, verificaram a ocorrência dos mesmos fatores supracitados causadores de perdas nos frutos, além de Helicoverpa zea e queda de frutos. Os resultados demonstram a importância de se direcionar o manejo adequado para esses tipos de perdas.

 

 

Podridão apical ocasionou perdas médias de 29,96 t/ha em 'Sta. Clara' e 59,03 t/ha em 'Débora Plus', sendo considerada como fator-chave de perda da produção por regular significativamente (r = 0,97; P<0,01) a flutuação de perdas totais (Figura 2). A diferença entre perdas ocasionadas por podridão apical nos tratamentos 'Sta. Clara' e 'Débora Plus' (aproximadamente 30 t/ha) evidencia a maior suscetibilidade do híbrido Débora Plus a esta desordem fisiológica. De acordo com Adams & Ho (1992) e Sperry et al. (1996), a causa central de podridão apical é uma falta de coordenação entre o transporte de assimilados pelo floema e de cálcio pelo xilema durante uma rápida expansão no tecido placentário apical do fruto. Mudanças bruscas no ambiente e suscetibilidade genética determinam a incidência de podridão apical, pois influenciam a absorção, translocação e acúmulo de Ca nas plantas. Alta ou baixa umidade do solo (Shaykewich et al.,1971; Obreza et al., 1996), uso de fontes de N amoniacal (Sandoval-Villa et al., 2001) e maior intensidade de transpiração foliar (Cho et al., 1997), são as principais causas dessa desordem. Ao se optar pelo cultivo do híbrido Débora Plus, deve-se atentar para práticas culturais adequadas como condições no solo para crescimento da raiz; suprimento balanceado de nutrientes; suprimento apropriado de água e plantio em condição de temperaturas amenas (Fontes, 2003).

O desenvolvimento de estratégias ótimas para controle de perdas na produtividade do tomateiro requer um reconhecimento seguro das ações e interações dos diferentes fatores de perda da cultura. Uma ou duas tabelas de vida revelarão somente que as perdas severas na produção podem ocorrer em determinados intervalos do ciclo da planta, mas uma série de tabelas, repetidas apropriadamente no tempo e no local, fornecerá diretrizes úteis ao planejamento de estratégias de controle de perdas, particularmente quando acoplada com análises de custo-benefício.

 

AGRADECIMENTOS

Ao CNPq pela concessão da bolsa de estudos de mestrado.

 

REFERÊNCIAS

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(Recebido para publicação em 6 de fevereiro de 2007; aceito em 29 de abril de 2008)

 

 

1 Parte da Dissertação de Mestrado em Fitotecnia do primeiro autor, área de concentração em Técnicas Culturais, pela Universidade Federal de Viçosa (UFV).

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