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Horticultura Brasileira

Print version ISSN 0102-0536

Hortic. Bras. vol.27 no.3 Brasília Sept. 2009

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-05362009000300023 

PÁGINA DO HORTICULTOR GROWER'S PAGE

 

Combinações entre cultivares, ambientes, preparo e cobertura do solo em características agronômicas de alface

 

Combination of cultivars, environments, tillage and mulching of soil influencing agronomical characteristics of lettuce

 

 

Regina Lúcia F Ferreira; Sebastião Elviro de Araújo Neto; Sonaira S da Silva; Éllen A Abud; Maria Izabel de FL Rezende; Jorge F Kusdra

Universidade Federal do Acre, BR 364 km 04, 69915-9000 Rio Branco-AC; reginalff@yahoo.com.br; selviro2000@yahoo.com.br; sonairasouza@yahoo.com.br; bebellins@hotmail.com.br; kusdra@globo.com

 

 


RESUMO

Objetivou-se identificar combinações entre cultivares, ambientes de cultivo e preparo e cobertura de solo capazes de melhorar o desempenho agronômico e aumentar a produtividade da cultura da alface em cultivo orgânico. A pesquisa foi conduzida na Universidade Federal do Acre, utilizando o delineamento experimental de blocos casualizados, com parcelas subdivididas para cada experimento (campo e casa de vegetação), com quatro repetições. Em cada experimento, três cultivares de alface (Simpson, Marisa e Vera), constituindo as sub-parcelas, foram sorteadas nas parcelas, representadas por quatro preparos e cobertura do solo (encanteiramento com cobertura de palha de arroz, polietileno prateado, solo descoberto e plantio direto). A produtividade comercial de alface foi de 12,3 t ha-1 em cultivo protegido e de 7,9 t ha-1 em campo. O cultivo protegido promoveu melhor desenvolvimento das plantas, caracterizado por maior massa da matéria fresca e seca da parte aérea, massa da matéria fresca comercial e melhor classificação comercial, além de promover bom desempenho agronômico e maior produtividade em qualquer um dos preparos de solo. As cultivares Simpson e Marisa apresentaram massa da matéria seca da parte aérea semelhante e superior à 'Vera', porém, o crescimento do caule da 'Simpson' foi elevado, caracterizando pendoamento precoce, fato que reduz sua qualidade comercial. As cultivares Marisa e Vera não alongaram o caule indicando serem tolerantes às condições ambientais de Rio Branco. A cobertura do solo com casca de arroz ou plástico prateado contribuiu para minimizar os efeitos climáticos prejudiciais ao cultivo da alface em campo. O plantio direto orgânico não diferiu do plantio em canteiro descoberto.

Palavras-chave: Lactuca sativa L.; plantio direto, agricultura orgânica.


ABSTRACT

Combinations among cultivars, environments and soil tillage capable of improving the agronomic performance and to increase the yield of lettuce under organic cultivation were studied. The research was carried out in Rio Branco, Acre State, using the experimental design of randomized blocks with four replicates, in split-plot arrangement. In each experiment (field and greenhouse), three lettuce cultivars (Simpson, Marisa and Vera), constituting the split-plot, were raffled in the plot represented by four soil tillage and mulching treatments (conventional tillage using mulch of rice husk, silvered polyethylene, unmulched soil and no-tillage). The commercial yield of lettuce was of 12.3 t ha-1 in greenhouse and of 7.9 t ha-1 in field. The cultivation in greenhouse improved the development of the plants, characterized by higher fresh and dry matter mass of shoots, commercial fresh matter mass and better commercial classification, besides good agronomic performance and high yield with any of the mulching. The cultivars Simpson and Marisa presented the same dry matter mass of shoots and were superior to 'Vera'. However, cultivar Simpson presented elevated stem growth characterizing precocious flowering, reducing the commercial quality. Cultivars Marisa and Vera with reduced stem prolongation are tolerant to the environmental conditions of Rio Branco. Mulching the soil with rice husk or silver plastic in field contributed to minimize the harmful climatic effect to the cultivation of lettuce. The organic no-tillage cultivation did not differ from that one in unmulched soil.

Keywords: Lactuca sativa L., no-tillage, organic agriculture.


 

 

A alface (Lactuca sativa L.) é, do ponto de vista econômico, uma das mais importantes hortaliças folhosas do Brasil. A larga adaptação a diferentes condições climáticas, possibilidade de cultivos sucessivos no mesmo ano, boa preferência e demanda são fatores que fazem com que seja a hortaliça folhosa mais produzida no país e a preferida entre os olericultores que a cultivam em condições de campo ou protegido. Além disso, apresenta grande aceitação no mercado não só por suas qualidades organolépticas, mas também por possuir baixo valor calórico e ser rica em sais de cálcio e de ferro e em vitaminas A, B1, B2, B6 e C. Por ser consumida crua contribui para preservar suas propriedades nutritivas (Casali et al., 1980; Ricci, 1993).

Por ser cultura proveniente de clima temperado, no cultivo de verão a alface pode apresentar baixa produtividade e qualidade, além de pendoamento precoce, tornando as folhas amargas e fibrosas, impróprias para o consumo humano. Embora o melhoramento genético desta espécie tenha proporcionado avanços positivos, colocando à disposição dos produtores cultivares adaptadas ao plantio em cada época do ano, é indispensável avaliar em diferentes locais pois a sua resposta agronômica é influenciada pelas condições edafoclimáticas (Setúbal & Silva, 1992; Silva & Vizzoto, 1994; Porto, 1999; Caetano et al., 2000).

A temperatura é o principal fator que interfere no desenvolvimento das plantas. A dificuldade de adaptação de algumas cultivares de alface a temperaturas altas tem impedido que a cultura expresse todo o seu potencial genético, antecipando sua fase reprodutiva, o que reduz seu ciclo e compromete sua produção. Além disso, temperaturas elevadas modificam a textura das folhas de alface, tornando-as mais fibrosas (Setúbal & Silva, 1992).

A cultivar Simpson é a mais utilizada pelos produtores do Acre (Lédoet al., 2000). No entanto, a mesma floresce precocemente devido às condições ambientais, caracterizadas por temperaturas elevadas e excesso de chuvas. Para contornar esta situação, os produtores da região, muitas vezes, colhem as plantas antes do seu máximo desenvolvimento vegetativo ou já no estádio reprodutivo. Em ambos os casos, as épocas de colheita não são desejáveis pois, na primeira retiram-se alfaces pequenas e, na segunda, com qualidade inferior.

A cobertura do solo contribui com a manutenção da umidade e da temperatura do solo, fornece matéria orgânica, favorece a atividade biológica, reduz a erosão causada por ventos e chuvas e realiza função reguladora e protetora, atenuando os efeitos dos fatores pedológicos mais ativos. Verdial et al. (2000) verificaram que a utilização de mulching plástico dupla face (prateado/preto) proporcionou maior produtividade e melhor qualidade das plantas de alface cultivar Lucy Brown, enquanto o tratamento com cobertura de bagaço de cana não diferiu da capina manual quanto à massa média de cabeça, sendo, porém, ambos superiores à testemunha (canteiro sem cobertura e sem capina). O uso de plástico preto ou palha de carnaúba promoveu menor temperatura do solo em comparação com solo descoberto para a cultura do meloeiro (Ferreira, 2001).

Pesquisas com plantio direto na palha para hortaliças orgânicas são raras e com plantio direto sobre cobertura viva são incipientes. Oliveira et al. (2006), avaliando plantio direto de alface sobre grama batatais e amendoim forrageiro observaram desempenho semelhante ao sistema de preparo convencional do solo. Na olericultura há predominância de forte revolvimento do solo (aração, gradagem e encanteiramento), principalmente em culturas como a alface, em que a prática de levantamento de canteiros é comum. Assim, o plantio direto busca disponibilizar alternativas a esse tipo de preparo do solo (Oliveira et al., 2006).

Procurou-se identificar combinações entre cultivares, ambientes e preparo e cobertura de solo capazes de melhorar o desempenho agronômico e aumentar a produtividade da cultura da alface, em cultivo orgânico, em Rio Branco, Acre.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Um experimento em campo e outro em casa de vegetação foram conduzidos em área experimental da Universidade Federal do Acre, em Rio Branco, na latitude de 9º57'35'' S, longitude de 67º52'08'' O e altitude de 150 m.

Durante o experimento, de 26/01 a 24/02/2006, registrou-se na estação meteorológica da Universidade, situada a 50 m do experimento, 335,3 mm de precipitação pluviométrica acumulada; 30,7ºC de temperatura máxima; 22,7ºC de temperatura mínima; 25,6ºC de temperatura média e 91,4% de umidade relativa do ar.

Utilizou-se casa de vegetação do tipo capela, de 24 m de comprimento e 8 m de largura, coberta com polietileno transparente de 100 µm de espessura, com 2,0 m de pé direito e 3,5 m de altura central e laterais abertas.

Em cada experimento (ambiente protegido e campo), o delineamento experimental foi de blocos casualizados, em esquema de parcelas subdivididas, com quatro repetições. As parcelas foram compostas pelo preparo/cobertura do solo (encanteiramento coberto com palha de arroz, polietileno prateado, solo sem cobertura e plantio direto sobre braquiária) e pelas cultivares de alface (Simpson, Marisa e Vera) que constituíram as sub-parcelas. A unidade experimental foi composta pelas sub-parcelas medindo 1,8 m de comprimento por 1,2 m de largura, onde as cultivares de alface foram dispostas em quatro fileiras, espaçadas de 30 x 30 cm, totalizando 24 plantas. A área útil da parcela foi formada por 6 plantas das duas linhas centrais do canteiro.

A semeadura foi feita em bandejas de poliestireno expandido de 128 células e após 22 dias foi realizado o transplante. Utilizou-se substrato à base de terra, composto orgânico, esterco de curral e casca de arroz carbonizado em proporções iguais. Adicionou-se 10% de carvão vegetal triturado e 1,5 kg de termofosfato por m3 de substrato.

A cultivar Simpson possui folhas soltas, crespas e coloração verde clara com ciclo médio de 70 a 80 dias. A cultivar Marisa possui folhas verde-claras, enrugadas e repicadas, tipo crespa, não forma cabeça e apresenta ciclo de 70 a 80 dias. A cultivar Vera possui folhas consistentes, crespas e soltas, com coloração verde-clara e também não forma cabeça (Filgueira, 2000). Nas condições climáticas do Acre, essas cultivares têm ciclos variando de 40 a 50 dias.

O preparo do solo constou de capina do capim braquiária com roçadeira motorizada costal, seguido do corte da touceira (raiz + perfilhos) com enxada manual. Após retirar o capim, os canteiros foram construídos com enxada manual a 0,20 m de altura. Para o plantio direto não se revirou o solo e manteve-se o capim braquiária roçado, que dessecou-se naturalmente sobre o solo. Neste tratamento, distribuiu-se o composto orgânico e o yoorin (termofosfato) sobre a cobertura, enquanto nos demais tratamentos, os adubos foram incorporados ao canteiro.

A análise química do solo na camada de 0-20 cm, apresentou pH= 4,6; P= 5,0 mg dm-3; K= 0,20 cmolc dm-3; Ca= 1,0 cmolc dm-3; Mg= 1,3 cmolc dm-3; Al= 0,70 cmolc dm-3; H+Al= 1,86 cmolc dm-3; SB= 2,54 cmolc dm-3; T= 4,4 cmolc dm-3; V= 58% e M.O.= 12,1 g kg-1. Por se tratar de um experimento em agricultura orgânica e com baixo uso de insumos externos e o calcário (R$500,00/t) e os fertilizantes terem preço elevado na região, não foram realizadas calagem e adubações de cobertura. A adubação de plantio constou de 45 kg ha-1 de P2O5, na forma de termofosfato natural (Yoorin Master®) e 16,7 t ha-1 em cultivo protegido, e 19,8 t ha-1 em campo, de composto à base seco (capim + puerária + cama de aviário na proporção de 3:3:1).

As coberturas do solo de origem vegetal foram colocadas após o preparo dos canteiros, constituindo uma camada de aproximadamente 4 cm de espessura. Para a cobertura com plástico, este foi fixado nas bordas do canteiro, sendo preso por uma camada de terra nas laterais. Posteriormente perfurou-se o plástico no espaçamento utilizado.

As irrigações foram realizadas de acordo com as necessidades da cultura utilizando um sistema de gotejamento através de tubos. Não foram necessários outros tratos culturais como controle de pragas e doenças. As plantas espontâneas foram mantidas nos canteiros, pois estavam entre as linhas, não ultrapassaram a cultura e não apresentaram grande volume de biomassa. Por isso decidiu-se mantê-las no ambiente, servindo para diversificar o cultivo, como um dos princípios da agroecologia.

As plantas foram colhidas aos 29 dias após o transplantio, quando em cultivo protegido apresentaram o máximo crescimento vegetativo.

Para estimativa da produtividade comercial utilizou-se o índice de área útil de hectare protegido (53,80%) e de campo (63,47%) e dividiu-se pela área de cada planta. Assim, considerou-se uma população de 59.778 plantas ha-1 em ambiente protegido e 70.522 plantas ha-1 em campo que, ao multiplicar pela massa da matéria fresca comercial, obteve-se a produtividade comercial, com os resultados expressos em kg ha-1.

A massa da matéria fresca total da planta foi obtida cortando as seis plantas úteis rente ao solo logo abaixo das folhas basais. A massa da matéria fresca comercial da planta foi obtida pela massa das plantas sem as folhas sujas, senescentes e doentes. Para obter a massa da matéria seca da parte aérea, as plantas foram secas em estufa a 65ºC até apresentarem massa constante. Os resultados dessas variáveis foram expressos em g planta-1.

O comprimento do caule foi determinado medindo-se o caule desde o colo até a gema apical, sendo o resultado expresso em cm.

A massa da matéria seca das plantas espontâneas foi determinada após a secagem em estufa até massa constante dos buquês de plantas espontâneas. Os resultados dessas variáveis foram expressos em g m-2. A área útil para coletar as plantas espontâneas correspondeu a um quadrado de 0,25 m-2, lançado ao acaso no centro das parcelas.

As plantas foram classificadas de acordo com as normas do programa brasileiro para padronização da horticultura (Hortibrasil, 2007), de acordo com o limite inferior e superior de massa em gramas por planta (classes 5= <100 g; 10= 100 a <150 g; 15= 150 a <200 g; 20= 200 a <250 g; 25= 250 a <300 g; 30= 300 a <350 g; 35= 350 a <400 g; 40= 400 a <450 g; 45= 450 a <500 g; as classes seguem até 100= >1000 g). Neste trabalho as classes variaram em média de 9 a 18.

A comparação entre os ambientes de cultivo e a interação com os outros fatores foi realizada por meio de análise conjunta de experimentos, após detectar variação mínima entre QMresíduo dos experimentos (Banzato & Kronka, 1993; Ferreira, 2000).

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Verificou-se efeito isolado do ambiente, preparo do solo e cultivar para todas as características analisadas, exceto quando se analisou a quantidade de massa seca de plantas espontâneas no ambientes de cultivo, para a qual foi constatada interação dos fatores ambiente e preparo do solo. Verificou-se interação dos fatores ambiente e cultivar para comprimento do caule e massa seca da parte aérea.

No cultivo protegido da alface a produtividade foi 55% maior que no cultivo em campo, além do melhor desempenho para as demais características de produção (Tabela 1). A massa da matéria fresca comercial foi maior em ambiente protegido, incluindo estas alfaces na classe 18 e, com isso, podendo atingir maiores preços de comercialização, haja vista que esta é feita geralmente por unidade (''pé ou cabeça'').

O baixo rendimento das cultivares de alface no cultivo em campo pode ocorrer por vários fatores, como o excesso de precipitação pluviométrica (Lédo et al., 2000) e por outras condições meteorológicas como temperatura e radiação solar (Frisina & Escobedo, 1999).

Em ambiente protegido, a maior produtividade de alface é explicada pelo maior sombreamento, pois a cobertura de polietileno retém em torno de 20,4% da radiação solar, havendo assim menor intensidade de irradiações globais e refletidas (Frisina & Escobedo, 1999). Esta menor radiação sobre a cultura da alface promove produção de folhas maiores e mais tenras decorrente da diminuição do tecido paliçádico e aumento do lacunoso, consequentemente apresentando maior área foliar específica (superfície da folha/massa seca da folha) (Puiatti & Finger, 2005). A fotossíntese neste ambiente com menos luz é compensada pela maior radiação difusa, contribuindo para maior quantidade de massa por planta (Radin et al., 200). Caetano et al. (2001) também verificaram resultados semelhantes, com baixa produção de alface em campo quando comparado com ambiente protegido.

Nas condições de alta temperatura e precipitação pluviométrica de Rio Branco, Lédo et al. (2000) colheram plantas de alface com massa fresca variando de 110 a 198 g. Essas massas foram semelhantes às obtidas em campo neste experimento, que variaram de 111,87 g (Tabela 1). Ainda segundo, Lédo et al. (2000) o verão é pouco propício para cultivo de alface na região e sugerem outras técnicas de cultivo, inclusive o cultivo protegido, que neste trabalho teve produção superior (205,53 g planta-1) ao encontrado pelos autores citados.

A massa da matéria seca de plantas espontâneas foi a mesma para os dois ambientes de cultivo (Tabela 1). O cultivo em solo descoberto proporcionou maior crescimento de plantas espontâneas, sendo moderadamente suprimidas pela cobertura com casca de arroz e cobertura com braquiária. Houve forte supressão no crescimento de plantas espontâneas usando cobertura de plástico prateado, surgindo apenas algumas ervas nos orifícios feitos para colocar a planta de alface (Tabela 2).

A cobertura do solo com casca de arroz, apesar de proporcionar boa produção de alface, pode possuir a característica de baixo controle de plantas espontâneas. Resultado semelhante foi encontrado por Reghin et al. (2002) avaliando casca de arroz como cobertura de solo.

A casca de arroz suprimiu melhor o crescimento das plantas espontâneas em campo. Entretanto, em campo, em solo descoberto, houve maior incidência (Tabela 4). Em campo, a precipitação pluviométrica sobre a camada de casca de arroz promoveu sua compactação e esta imprimiu maior resistência à emergência das plantas espontâneas.

Um dos princípios da agricultura ecológica é ter diversidade genética no agroecossistema (Souza & Resende, 2006). Neste caso, essa biodiversidade foi promovida pela presença de plantas espontâneas. A sojinha (Cleome affinis DC.), mostrou-se muito atrativa para as vaquinhas, por devorarem essas plantas deixando-as totalmente rendilhadas. Neste experimento, adotou-se a decisão de não controlar as plantas espontâneas por entender que não houve forte competição, pelo crescimento rápido da alface na região e por ser uma área nova. Assim, o solo descoberto em campo (19,4 g m-2) e ambiente protegido (29,6 g m-2) foi a condição que mais permitiu a infestação dessas plantas, equivalente a 194 kg ha-1 e 296 kg ha-1 de massa seca, respectivamente quantidade de biomassa em nível baixo de competição (Tabela 4). A redução da produtividade em muitos casos pode ser altamente significativa. No cultivo de milho as plantas espontâneas (27 espécies predominantes) reduziram a produtividade de espigas verdes e grãos de milho em 31 e 66% respectivamente, porém, numa densidade de 16,5 t ha-1 (Lima, 2007), muito acima do observado neste experimento.

A cobertura com o plástico dupla face preto/prateado e com casca de arroz promoveu melhor desenvolvimento das plantas para todas as características analisadas, exceto comprimento do caule (Tabela 2) e plantas espontâneas (Tabela 4). A cobertura morta aplicada à superfície do solo, seja de origem vegetal como palhadas diversas ou com filmes plásticos, constitui uma barreira física à transferência de energia e vapor d'água entre solo e atmosfera (Streck et al., 1994; Verdial et al., 2000). Assim, promove controle de plantas espontâneas, redução na lixiviação de nutrientes, previne compactação e erosão do solo, afeta passivamente a microflora e microfauna antagonista, favorece o desenvolvimento da planta e reduz o uso de substâncias químicas (Housbeck et al., 1996).

As cultivares Simpson e Marisa apresentaram os melhores desempenhos agronômicos, sendo ambas superiores à 'Vera' (Tabela 3). A 'Simpson' apresentou melhor desempenho no acúmulo de massa da matéria seca da parte aérea em cultivo protegido, pois em campo, as três cultivares não diferiram entre si. No entanto, 'Simpson' apresentou elevado crescimento do caule nos dois ambientes de cultivo, caracterizando pendoamento precoce (Tabela 5). Este fenômeno correspondeu ao alongamento do caule que antecede a floração desqualificando a cultivar Simpson para o mercado, por elevar a produção do látex neste período, característica indesejável para alface (Silva, 1997).

 

 

A cultivar Simpson avaliada por Lédo et al. (2000), também nas condições climáticas de Rio Branco, apresentou pendoamento precoce, com comprimento do caule de 23,1 cm no momento da colheita, resultado semelhante ao obtido neste trabalho na condição de campo. Segundo esses autores os produtores comercializam esta cultivar com caule longo para obter maior massa da planta. No mercado local esta cultivar é comercializada mesmo quando apresenta 44,5 cm de comprimento de caule.

O cultivo protegido de alface promoveu bom desempenho agronômico das plantas e alta produtividade utilizando principalmente plástico dupla face e casca de arroz, como cobertura do solo.

O plantio direto sobre braquiária proporcionou o mesmo desempenho que o plantio em canteiros com solo descoberto.

As cultivares Simpson e Marisa apresentaram produtividade semelhante, mas a 'Simpson' apresentou pendoamento precoce, com maior comprimento do caule.

 

AGRADECIMENTOS

Ao CNPq e FUNTAC pela concessão e coordenação da bolsa de DCR da primeira e quinta autoras.

 

REFERÊNCIAS

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(Recebido para publicação em 25 de março de 2008; aceito em 15 de junho de 2009)
(Received in March 25, 2008; accepted in June 15, 2009)