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Horticultura Brasileira

versão impressa ISSN 0102-0536

Hortic. Bras. vol.33 no.1 Vitoria da Conquista jan./mar. 2015

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-053620150000100023 

Artigo Da Capa

Urucum: fonte de corantes naturais

Annatto: a natural source of colorant

Eliane Gomes Fabri1

Juliana Rolim Salomé Teramoto2

Foto:  Eliana G Fabri 

A busca por uma alimentação mais saudável tem sido uma tendência mundial, proporcionando assim, aumento no consumo de corantes naturais. Os corantes naturais são utilizados desde os primórdios da humanidade, porém foram suplantados aos poucos pelos corantes sintéticos, que são mais práticos. Tendo em vista as limitações no uso de corantes artificiais, algumas indústrias tem optado pela exploração crescente de corantes naturais, como é o caso do urucum. O baixo custo de produção e sua baixa toxicidade tornam os pigmentos desta cultura muito atrativos para substituição de muitos corantes sintéticos. A cor é um atributo que está diretamente relacionado à aceitação de um alimento, sendo um componente fundamental da qualidade que, mesmo altamente subjetivo, induz aos apelos de sabor, aroma e textura. Colorir os alimentos para torná-los mais atraentes é um método utilizado desde a antiguidade.

No Brasil, a cultura do urucuzeiro (Bixa orellana) e sua produção destinam-se à comercialização dos grãos moídos para a produção de colorífico e para a produção dos corantes denominados bixina, norbixina e nobixato. O corante natural do urucum é utilizado como condimento e colorífico nos lares brasileiro, sendo popularmente conhecido como colorau. É produzido a partir da mistura de fubá com o urucum em pó ou extrato oleoso. Esses corantes são utilizados por diversas indústrias, tais como laticínios, frigoríficos, massas, doces, sorvetes, óleos e gorduras, bebidas, farmacêutica, têxtil, tintas, desidratados, cosméticos e perfumaria. Atualmente, existem no Brasil várias indústrias produtoras de corantes. As principais empresas estão instaladas no estado de São Paulo, principalmente em regiões próximas à grande São Paulo ou na região metropolitana de Campinas.

O mercado de urucum corresponde a aproximadamente 90% do total do consumo de corantes naturais no país e em torno de 70% de corantes naturais no mundo. Apesar da diversidade de utilização, somente algumas indústrias desenvolvem os corantes dentro dos padrões de qualidade exigidos pelo mercado internacional. As indústrias de corantes que exportam têm como principais mercados a América do Sul, Japão, Estados Unidos e países da Europa.

Todavia, para obtenção de padrões de qualidade e quantidade que atendam aos mercados interno e externo, é necessária atenção especial ainda na lavoura na produção dos grãos que serão beneficiados, para a obtenção de melhores resultados no processo final. Tratando-se de qualidade, para que os grãos de urucum sejam classificados como tipo exportação devem apresentar um teor mínimo de bixina, hoje fixado em 4%. Este valor está bem acima dos 2,5% exigidos há 20 anos pelo mercado internacional. Entretanto, a média nacional fica em torno de 3,5%.

A produção nacional, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2012), está em torno de 12.043 toneladas, com área cultivada de 10.579 hectares. O rendimento médio é de 1.138 kg/ha, aproximadamente 36% a mais do que em 1988, quando era de 834 kg/ha. Este avanço mostra o grande empenho da cadeia produtiva para alavancar e modernizar a produção nacional ao longo das duas últimas décadas. Entretanto, a produção nacional ainda não é estável. Ao contrário, para os últimos cinco anos de dados consolidados, 2008 a 2012, a produção oscilou. Em 2010, foram produzidas 13.449, o recorde do período, e, em 2012, 12.043 t., a menor produção, com diminuição de 11%. Nestes cinco anos, houve uma redução consistente da produtividade na região norte do país, que passou de 1.202 kg/ha em 2008 para 1.019 kg/ha em 2012. Em contrapartida, a região Sudeste apresentou acréscimos de produtividade, passando de 1.024 kg/ha em 2008 para 1.291 kg/ha em 2012. As regiões brasileiras, em 2012, apresentaram as seguintes produções: Sudeste, 4.216 t; Norte, 4.093 t; Nordeste, 2.066 t; Sul, 1.114 t e; Centro Oeste, 554 t.

Na região Sudeste, em 2012, o estado de São Paulo foi o principal produtor (63%), seguido de Minas Gerais (35%), Espírito Santo (1,5%) e Rio de Janeiro (0,5%) em 2012. No estado de São Paulo, os principais municípios produtores foram Monte Castelo (520 t), São João do Pau D'Alho (496 t) e Tupi Paulista (416 t.). Em Minas Gerais os principais municípios produtores são Divisópolis (180 t) e Sabinópolis (175 t). Na região Norte, o Pará é responsável por 55% da produção, seguido por Rondônia com 40%. Os principais municípios produtores no Pará foram Rurópolis (1.100 t), Placas (378 t) e Dom Eliseu (216 t) e, em Rondônia, Corumbiara (1.000 t) e Cerejeiras (341 t).

Para melhor suprir as indústrias que demandam o corante de urucum e que se encontram no sudeste do país, houve por parte de algumas empresas do ramo, apoio tecnológico e organizacional a estes produtores. Assim o Sudeste, principalmente São Paulo, passou a ter o melhor urucum do país, com teor de bixina na semente atingindo percentuais que variam de 4% a 6%, contra a média nacional que é de 3,5%.

No Estado de São Paulo o Instituto Agronômico (IAC/APTA) mantém um programa de seleção e melhoramento de urucum desde 1980. Para isso, mantém um Banco de Germoplasma, constituído atualmente por 63 acessos, instalado no Polo Regional Centro Norte em Pindorama, desde quando essa unidade ainda era uma fazenda experimental do IAC. Esses acessos já foram caracterizados molecularmente e morfologicamente. Tem-se selecionado materiais com altos teores de bixina, bem como, altos teores de lipídeos e resistência a pragas e doenças. Em breve, esses materiais estarão disponíveis para os produtores. Além do melhoramento, o grande desafio da cultura, apesar de rústica, são os tratos culturais e manejo, principalmente visando à diminuição da mão-de-obra no período de colheita. Com os avanços já adquiridos no estado de São Paulo, os produtores dispõem de linhas de créditos, junto a algumas instituições financeiras, para investimento e até mesmo custeio da lavoura.

1

Eliane Gomes Fabri - Engenheira Agrônoma, Dra. em Agronomia, com concentração em Fitotecnia, efabri@iac.sp.gov.br

2

Juliana Rolim Salomé Teramoto - Engenheira Agrônoma, M.Sc. em Ciências, com concentração em Fisiologia e Bioquímica de Plantas, juliana@iac.sp.gov.br), pesquisadoras do Instituto Agronômico - IAC/APTA.

3

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