SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.51 issue2Protein and vitamin E levels for broiler breed hens. 1. Effects on broiler breed performance, egg composition and performance of their progenyCarcass fatty acid composition of broiler fed different sources of energy author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Services on Demand

Journal

Article

Indicators

Related links

Share


Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia

Print version ISSN 0102-0935On-line version ISSN 1678-4162

Arq. Bras. Med. Vet. Zootec. vol.51 no.2 Belo Horizonte Apr. 1999

https://doi.org/10.1590/S0102-09351999000200012 

Níveis de proteína e de vitamina E para matrizes de frango de corte. 2. Efeito sobre a concentração de a-tocoferol na gema e nos tecidos e balanço de nitrogênio

(Protein and vitamin E levels for broiler breed hens. 2. Effects on yolk and tissue a-tocopherol concentration and nitrogen balance)

 

S.L.T. Barreto1, W.M. Ferreira1*, T.M. Gonçalves2

1Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG
Caixa Postal 567 - 30123-970 - Belo Horizonte, MG
2
Departamento de Zootecnia da UFLA

 

Recebido para publicação, após modificações, em 24 de fevereiro de 1999.
*Autor para correspondência

 

 

RESUMO

Foram utilizadas 16 matrizes de frangos de corte com o objetivo de avaliar o efeito de dois níveis de proteína bruta (NPB), 14 e 16%, e dois níveis de vitamina E (NVE), 25 e 250mg/kg, na dieta sobre a concentração de a-tocoferol (AT) na gema, no fígado, no soro sangüíneo e na excreta, e sobre a retenção de AT e de nitrogênio (N). O período experimental foi de 25 dias, sendo 15 dias para a adaptação das aves à dieta e 10 dias para a coleta de ovos e da excreta para análise de vitamina E (VE) e N. O delineamento experimental foi o inteiramente ao acaso, formado por quatro tratamentos em esquema fatorial 2 ´ 2 (NVE ´ NPB), constituído cada um por quatro repetições, e cada unidade experimental representada por uma ave. Houve aumento linear (P<0,01) no consumo, na excreção e na retenção de AT à medida que se elevou a suplementação de VE na dieta, refletindo, conseqüentemente, no aumento da concentração de AT na gema do ovo, no fígado e no soro sangüíneo (P<0,05). A eficiência na retenção de AT nas aves decresceu (P<0,01) com o aumento do NVE na dieta, independentemente do NPB. O balanço de N revelou que o aumento de 10 vezes na suplementação de VE (250mg/kg) na dieta resultou em menor excreção e maior retenção de N nas aves, independentemente do NPB. Porém, o aumento do NPB na dieta revelou maior consumo e excreção de N nas aves, mas não diferiu na retenção e na concentração de N no ovo. Conclui-se que o aumento na suplementação de VE na dieta, independentemente do NPB, eleva as concentrações de AT na gema e nos tecidos, reduz a retenção de AT e eleva a retenção de N no organismo de matrizes pesadas em pico de produção.

Palavras-Chave: Matriz pesada, proteína bruta, vitamina E, balanço do nitrogênio, a-tocoferol

 

ABSTRACT

Sixteen broiler breed hens were used with the objective of evaluating the effects of supplementation of two crude protein (14 and 16% CP) and two vitamin E levels (25 and 250mg VE/kg) in the diet on the a-tocopherol (AT) concentration in the egg yolk, liver, blood serum and feces, and on the AT and nitrogen (N) retentions. The experiment lasted 25 days, in which 15 days were used for hens adaptation and 10 days for egg and fecal collection for AT and N analyses. The experimental design was a complete randomized design with a 2 ´ 2 factorial arrangement (CP ´ VE levels) with four repetitions per treatment. The increasing of VE in the diet resulted in increase (P<0.05) in AT consumption, excretion and retention, reflecting in higher AT concentrations in egg yolk, liver and blood serum (P<0.05). The efficiency of AT retention in birds decreased (P<0.01) at high VE levels, independently of CP levels in diet. The increasing of ten times VE in the diet resulted in lower excretion and in higher retention of N in birds. The increasing of CP levels resulted in more N consumption and excretion in hens (P<0.05), although no difference was accounted for N retention and egg concentration (P>0.05). Thus, it could be concluded that the increasing of VE levels in the diet increased the AT concentrations in the egg yolk and body tissues, and decreased the AT and increased the N retention in broiler breed hens during the laying peak period.

Keywords: Broiler breed hen, protein, vitamin E, nitrogen balance, a-tocopherol

 

 

INTRODUÇÃO

A pesquisa em nutrição de matrizes de frangos de corte é importante em função da escassa disponibilidade de informações, principalmente na fase de reprodução. As exigências nutricionais para essa categoria são as menos definidas para esta espécie de aves (Brum, 1994).

O Nutrient... (1994) recomenda o fornecimento de dieta com 10mg de vitamina E (VE)/kg e um consumo de 19g de proteína/ave/dia para reprodutora pesada, enquanto que o Manual... (1996) sugere para esse mesmo tipo de ave a formulação de ração com 200mg de VE/kg e 16% de proteína bruta (PB), fornecendo até 26g de proteína/ave/dia no pico de produção.

A formulação de dieta que contenha elevado nível protéico implica em maior consumo de proteína/ave/dia, gerando, assim, aumento do incremento calórico e dos gastos energéticos envolvidos nos processos de metabolismo da proteína ingerida, com conseqüentes perdas do excesso de nitrogênio não aproveitado pelo organismo, podendo então causar prejuízos na produção e ao meio ambiente (Summers, 1993; Leeson & Summers, 1997).

Dessa forma, os estudos que consideram aspectos metabólicos, tais como balanço de nitrogênio, são importantes e devem ser considerados nas determinações das exigências de proteína em trabalhos com reprodutoras de frango de corte, visto que a maioria refere-se a poedeiras e poucos são os trabalhos que avaliaram ensaios metabólicos. Contudo, seria de interesse avaliar também a retenção, o aproveitamento e a eficiência de transferência da VE da dieta para o organismo e para o ovo. É mencionado em alguns trabalhos, embora com outras espécies, que a VE e a proteína têm ponto comum no metabolismo, reduzindo a retenção de N no organismo quando se eleva o nível de VE (NVE) na dieta (Irving & Buntz-Olson, 1955; Hirahara et al., 1979a, b).

Devido aos poucos trabalhos existentes na literatura que se referem aos estudos de balanço de nitrogênio (N) para reprodutoras pesadas, torna-se necessária a realização de mais pesquisas envolvendo níveis de PB (NPB) e ensaios metabólicos de N com o objetivo de avaliar o consumo, a excreção, a retenção e a deposição de N no ovo durante a fase de produção.

Com base nisso, este trabalho teve como objetivos estudar os efeitos de diferentes NPB e da suplementação de VE na dieta de matrizes de frangos de corte na fase de produção sobre a concentração de a-tocoferol (AT) na gema, no fígado, no soro sangüíneo e na excreta e sobre o balanço de N.

 

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi conduzido nas dependências do departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. Foram utilizadas 16 matrizes pesadas da linhagem Ross com 35 semanas de idade. Essas aves foram retiradas de um lote de reprodutoras e selecionadas segundo o peso corporal padrão da idade e a conformação corporal, com base nas características de uma boa reprodutora (pigmentação da pele e cloaca, abertura dos ossos pélvicos, tamanho e coloração da crista).

As aves foram alojadas individualmente em gaiolas de recria, equipadas com grade coletora de ovos, bebedouro, comedouro individual e bandeja metálica individual para a coleta da excreta. Cada ave recebeu diariamente 160g de ração e água ad libitum durante o período experimental.

O experimento teve a duração de 25 dias, sendo 15 dias para adaptação das aves à dieta e ao ambiente e 10 dias para a coleta de ovos e excreta para análise de VE e N.

O programa de iluminação aplicado foi o mesmo que estava sendo utilizado no momento em que as aves deste experimento foram selecionadas, o de 17 horas de luz diária.

As exigências nutricionais utilizadas para a formulação das dietas das aves foram baseadas nas recomendações contidas no Manual... (1996). Elas receberam as dietas experimentais constituídas da dieta básica, suplementadas com dois NVE. A dieta básica continha suplemento vitamínico sem VE e sem colina. Os tratamentos foram definidos de acordo com o NPB e o NVE suplementado nas rações das fêmeas, descritos em Barreto et al., (1999).

Os ovos foram coletados diariamente e guardados em embalagem fechada de polpa de isopor até o final do experimento, em geladeira. Após os 10 dias de coleta, três ovos de cada ave foram utilizados para a avaliação da concentração de AT na gema e dois ovos foram destinados para a análise de PB. Para a análise de VE, a gema de cada ovo foi extraída com o auxílio de um separador de gema e de papel toalha, sendo realizado um "pool" das três gemas de cada ave. Para a análise de PB, dois ovos de cada unidade experimental foram pesados, cozidos, macerados e homogeneizados em gral. Posteriormente, foram identificados e colocados em estufa ventilada a 60ºC durante 48 horas, para obtenção da amostra seca ao ar. Após a secagem, cada amostra foi pesada e em seguida moída em multiprocessador até a obtenção de uma amostra homogênea. Logo após, as amostras foram guardadas em sacos plásticos até o procedimento da análise.

A excreta de cada ave foi coletada, identificada e pesada diariamente às 8h30min, 24 horas após o fornecimento da ração às aves. Posteriormente, cada excreta foi homogeneizada e uma amostra de 50g de cada excreta foi armazenada em geladeira, em sacos plásticos identificados, até o final do período experimental. Após os 10 dias de coleta, as 10 amostras de excreta de cada ave (500g) foram reunidas para formar uma mistura. Dessa mistura, 100g de excreta de cada ave foram reservados para análise de VE e 200g para análise de PB. Para a análise de PB, inicialmente cada amostra foi identificada e colocada em bandejas de alumínio em estufa ventilada a 60ºC, durante 48 horas, para a obtenção da amostra seca ao ar. Após a secagem, cada amostra foi pesada e guardada em sacos plásticos até o procedimento da análise.

Uma amostra de 200g de ração de cada um dos tratamentos foi moída e posteriormente guardada em sacos plásticos identificados até o momento da análise de PB e VE. As sobras de ração foram recolhidas diariamente, sempre no mesmo horário, antes do seu fornecimento diário. No final do período experimental, a sobra total de ração de cada ave foi pesada e descontada do total fornecido durante os 10 dias para efeito de determinar o consumo.

Os dados avaliados neste experimento foram os seguintes: consumo, excreção e retenção de AT; concentração de AT na gema, no soro, no fígado e na excreta; consumo, excreção e retenção de N e concentração de N na gema e na excreta. O consumo médio diário de AT por ave de cada unidade experimental foi calculado multiplicando-se a quantidade de AT suplementada na dieta pelo consumo diário de ração. A quantidade média diária de AT excretada por ave de cada unidade experimental foi calculada multiplicando-se a quantidade de AT encontrada na excreta pela quantidade média diária de excreta produzida. A retenção de AT em mg/ave/dia foi calculada pela diferença entre o consumo médio diário de AT e a excreção média diária de AT. Esse valor foi também expresso em percentagem. O conteúdo de AT na gema do ovo e na excreta de cada ave foi obtido em duplicata, segundo a metodologia proposta por Ueda & Igarashi (1990), e expresso em mg de AT/g de amostra.

No final do período experimental, colheu-se uma amostra de sangue de aproximadamente 5ml de cada uma das 16 aves. Os soros obtidos foram centrifugados a 1500rpm durante 15 minutos, e posteriormente estocados em frascos de plásticos a –18ºC até a realização da análise de AT, segundo Ueda & Igarashi (1990). As análises de AT no soro sangüíneo foram realizadas em duplicata, e a concentração de AT no soro expressa em mg de AT/ml de amostra.

No final do período experimental todas as aves foram sacrificadas para a retirada do fígado, sendo identificado, estocado em recipientes de plásticos e armazenados a –18ºC até a realização da análise de AT. No momento da análise, os fígados foram descongelados em temperatura ambiente e, logo após, macerados para homogeneização da amostra. O conteúdo de AT no fígado foi obtido em duplicatas segundo a metodologia proposta por Ueda & Igarashi (1990) e expresso em mg de AT/g de amostra.

O consumo e a excreção média diária de N, por ave de cada unidade experimental, foram calculados dividindo-se o consumo e a excreção média diária de PB, expresso na matéria seca a 105ºC, pelo fator 6,25. Esses valores foram expressos em g/ave/dia. A retenção média diária de N-1, por ave de cada unidade experimental, foi calculada pela diferença entre o consumo médio diário de N e a excreção média diária de N. Esse valor foi expresso em g/ave/dia, como também em percentagem. A quantidade média diária de N depositado no ovo, por ave, foi calculada dividindo-se o teor de PB do ovo pelo fator 6,25. Esse valor foi expresso em g/ave/dia. A retenção diária de N-2, por ave de cada unidade experimental, foi calculada pela diferença entre o N consumido e o N excretado mais o N depositado no ovo. Esse valor foi expresso em g/ave/dia, sendo também expresso em percentagem. A percentagem de N no ovo, por ave de cada unidade experimental, foi calculada dividindo-se a percentagem de PB contida no ovo de cada ave, expresso na matéria seca a 105ºC, pelo fator 6,25.

O delineamento experimental foi o inteiramente ao acaso, em esquema fatorial 2 ´ 2 (NPB ´ NVE) com quatro repetições de uma ave por unidade experimental. Para a análise de variância, utilizou-se o programa estatístico SAS (SAS... 1985). Quando as interações entre dois fatores foram significativas foram feitos os desdobramentos das interações, estudando-se os efeitos de NVE dentro de NPB na dieta, mediante o teste F.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os valores referentes ao consumo, à excreção e à retenção de AT/ave/dia em reprodutoras pesadas encontram-se na Tab. 1.

 

 

De fato era de se esperar que maior consumo de AT/ave/dia (P<0,01) fosse no grupo de aves que receberam dieta com o maior NVE, independente de NPB na dieta. Do mesmo modo, maior excreção de AT foi detectada na excreta de reprodutoras que consumiram dieta com 250mg de VE/kg, independentemente do NPB presente na dieta. Embora tenha havido interação significativa do NPB ´ NVE para a quantidade de AT retido, percebe-se que em ambas as dietas maior retenção de AT/ave/dia foi também verificada em aves que consumiram dieta com o maior NVE utilizado.

Contudo, ao avaliar a eficiência na retenção de AT no organismo, verificou-se que as aves que receberam dieta com o menor nível de VE (25mg/kg) apresentaram maior eficiência na utilização da VE consumida, visto que a retenção de AT nessas aves foi de 82,70%, enquanto que as aves que receberam dieta com 250mg de VE/kg apresentaram em média 64,45% de retenção do AT consumido. Em suma, as aves que consumiram dieta com o menor nível de VE foram mais eficientes em 28,3% na retenção de VE no organismo. Dessa forma, percebe-se que à medida em que se aumenta o NVE na dieta, maior é a excreção de AT e menor é o aproveitamento dessa vitamina no organismo, independentemente do NPB na dieta, visto que o consumo, a excreção e a retenção de AT (em gramas/ave/dia e em percentagem) não foram influenciados (P>0,05) pelos NPB na dieta.

Suplementando a dieta de frangos e perus com 10, 50 e 250mg de VE/kg, Sklan et al. (1982) verificaram que 45 a 60% do tocoferol ingerido haviam desaparecido no duodeno e, no jejuno, 78 a 90%. Os autores relataram que houve aumento linear no consumo de VE e no fluxo duodenal e ileal de tocoferol, à medida que eles aumentaram a suplementação de VE na dieta das aves. Os perus apresentaram maior concentração duodenal e ileal de glucuronídeos, proveniente da maior oxidação de VE no trato digestivo. Segundo os autores, a secreção de glucuronídeos foi de 30 a 40% em perus e de 5 a 10% nos frangos. Conseqüentemente, os perus apresentaram menor concentração de AT no plasma e no fígado ao serem comparados com os frangos.

De acordo com os dados da Tab. 2, as aves que consumiram dieta com 250mg de VE/kg, independentemente do NPB, obtiveram significativamente (P<0,01) maior concentração de AT no soro sangüíneo, no fígado, na gema e na excreta, porém essas características não foram influenciadas (P>0,05) pelo NPB nem pela interação entre NPB e NVE (P>0,05).

 

 

Avaliando a concentração de AT no plasma e na gema de matrizes de frangos de corte, Maurice et al. (1996) encontraram aumento linear de 9,3, 17,2 e 91,5mg de AT/ml de plasma e aumento linear de 43, 134 e 989mg de AT/g de gema ao fornecerem dieta para as aves com 10, 25, 250mg de VE/kg, respectivamente.

Observa-se que os valores médios encontrados para a concentração de AT no soro conferem com os resultados obtidos por Maurice et al. (1996). No entanto, a concentração de AT na gema do ovo de aves que foram alimentadas com dieta de 250mg de VE/kg foi 32,2% inferior àquela encontrada pelos autores com a utilização do mesmo nível de VE na dieta.

Surai et al. (1995) encontraram deposição de 23, 131 e 192mg de AT/g de fígado e 1300, 6696 e 15.120mg de AT/g de gema do ovo de aves alimentadas com 200, 2000 e 20.000mg de VE/kg de dieta, respectivamente. Pelos resultados de Surai et al. (1995) percebe-se que ao aumentar o NVE na dieta de aves ocorre rápida saturação na deposição de AT no fígado. Entretanto, o mesmo parece não ocorrer com a gema. Verifica-se, ainda, que a concentração de AT na gema do ovo de aves que foram alimentadas com dieta suplementada com 200mg de VE/kg foi quase que o dobro da concentração encontrada neste experimento para a gema do ovo de aves que receberam 250mg de VE/kg de dieta.

Acredita-se que a diferença existente entre os valores encontrados para a concentração de AT na gema do ovo deva-se à metodologia empregada na análise, visto que a vitamina utilizada neste experimento foi também a mesma utilizada pelos autores.

Com relação a resultados obtidos para o balanço de N (Tab. 3), verificou-se que o consumo, a excreção e a retenção de N (em g/ave/dia e em percentagem) nas matrizes de frangos de corte não foram influenciados pela interação entre NPB e NVE (P>0,05).

 

 

Entretanto, o NPB da dieta resultou em efeito significativo (P<0,01) para o consumo e para a excreção de N, verificando-se menor consumo (13% a menos) e menor excreção (21,7% a menos) em aves que receberam dieta com o menor NPB. A retenção de N (em g/ave/dia e em percentagem) não foi influenciada (P>0,05) pelos NPB.

O NVE exerceu significativa (P<0,05) influência na excreção e na retenção de N em gramas/ave/dia e em percentagem. As aves que receberam dieta com o maior NVE (250mg/kg) excretaram significativamente (P<0,05) menos N (12% a menos), o que resultou em 11,2% a mais de N retido em gramas/ave/dia e 11,4% a mais de N retido em percentagem com relação ao N consumido, ao serem comparadas com as aves que receberam dieta com o menor NVE (25mg/kg).

Ao elevar o NPB da dieta, houve conseqüente aumento da excreção de N, independentemente do NVE na dieta. O aumento na suplementação de VE na dieta resultou em redução na excreção de N e em aumento na retenção de N. Acredita-se que este fato seja devido à necessidade de maior demanda de N pelo organismo para o metabolismo da VE, com aumento na exigência de lipoproteínas.

Estes resultados concordam com os de Summers (1993) e Lopez & Leeson (1995) que também encontraram maior concentração e maior excreção de N, sem efeito significativo na retenção de N em aves que foram alimentadas com dieta com 16% de PB.

Aumentos lineares significativos no consumo e na retenção de N, em percentagem, e na percentagem de ácido úrico na excreta também foram verificados por Lopez & Leeson (1995). Os autores encontraram 45% de retenção de N em aves que consumiram ração com 14% de PB, e 42% em aves que receberam dieta com 16% de PB.

Verifica-se que a retenção de N nas aves neste experimento (Tab. 3) foi superior aos resultados encontrados por Lopez & Leeson (1995), visto que retenção de 56,9 e 52,4% foi obtida em aves que receberam 14 e 16% de PB, respectivamente.

Ao avaliar a concentração de N no ovo, a retenção de N em g/ave/dia e em percentagem (considerando a deposição de N na excreta e também no ovo) e a percentagem de N no ovo, observaram-se efeitos não significativos (P>0,05) da interação entre o NPB e o NVE, como também do NPB e do NVE sobre essas características. O valor médio obtido para a concentração de N no ovo foi de 0,96g/ave/dia, ou 5,84%, e a retenção de N foi de 1,06g/ave/dia, o que representa 28,84%. Maiores detalhes podem ser obsevados em Barreto (1998).

Tais resultados concordam com os verificados por Carmino (1992) e Brum (1994). Dieta com menor nível de PB, porém suplementada com aminoácidos essenciais, torna-se mais vantajosa, resultando em melhor eficiência no aproveitamento do N dietético, devido a menor gasto energético para metabolizar o excesso do N da dieta. No entanto, verifica-se que o aumento de 10 vezes do NVE na dieta não melhorou a retenção de N nas aves, quando foi considerado o conteúdo de N excretado no ovo e nas fezes.

Existe pouca ou nenhuma influência do NPB e dos níveis de aminoácidos sobre a composição química do ovo, principalmente quando se refere ao seu conteúdo de proteína (Ingram et al., 1951; Naber, 1979). Segundo estes autores, há uma tendência de certas propriedades biológicas no ovo serem mantidas, garantindo a viabilidade do embrião, independentemente da quantidade de PB consumida.

 

CONCLUSÕES

O aumento na suplementação de 25 para 250mg de vitamina E/kg de dieta eleva as concentrações de a-tocoferol na gema, no soro, no fígado e na excreta, reduz a retenção de a-tocoferol e melhora a retenção de nitrogênio no organismo de matrizes pesadas em pico de produção.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÄFICAS

BARRETO, S.L.T. Níveis de proteína e vitamina E para matrizes de frangos de corte na fase de produção. Belo Horizonte: Esc. Vet. Da UFMG, 1998. 173 p. (Tese, Doutorado em Ciência Animal).        [ Links ]

BARRETO, S.L.T., FERREIRA,W. M., GONÇALVES,T.M. Níveis de proteína e vitamina E para matrizes de frangos de corte. 1. Efeito sobre o desempenho de matrizes, composição do ovo e desempenho da progênie. Arq. Bras. Med. Vet. Zootec., v.51, p.183-192, 1999.        [ Links ]

BRUM, P.A.R. Exigência de proteína em dietas para reprodutoras de frangos de corte durante a fase de produção. Porto Alegre: UFRGS, 1994. 189p. (Dissertação, Mestre em Zootecnia).        [ Links ]

CARMINO, F. Efeito de diferentes níveis de proteína na ração sobre o desempenho de poedeiras leves em produção. Porto Alegre: UFRGS, 1992. 263p. (Dissertação, Mestre em Zootecnia).        [ Links ]

HIRAHARA, F., TAKAI, Y., IWAO, H. Effects of tocopherol on changes of absorption of nutrients and weights of body tissue with the process of aging in rats. Nutr. Rep. Int., v.20, p.251-259, 1979a.        [ Links ]

HIRAHARA, F., TAKAI, Y., IWAO, H. The effects of vitamin E on protein metabolism in the aging process of rats. Nutr. Rep. Int., v.20, p.261-267, 1979b.        [ Links ]

INGRAM, G.R., CRAVENS, W.W., ELVEHJEM, C.A. et al. Methionine requirement of the laying hen. Poult. Sci., v.30, p.431-434, 1951.        [ Links ]

IRVING, J.T., BUNTZ-OLSEN, O.E. The relation between the action of vitamin E and protein in the body, and the influence of various fish-liver oils in the diet upon vitamin E activity in vivo. Br. J. Nutr., v.9, p.301-309, 1955.        [ Links ]

LEESON, S., SUMMERS, J.D. Commercial poultry nutrition. Guelph: University Books, 1997. 350p.        [ Links ]

LOPEZ, G., LEESON, S. Nitrogen content of manure from older broiler breeders fed varying quantities of crude protein. J. Appl. Poult. Res., v.4, p.390-394, 1995.        [ Links ]

MANUAL de manejo de matrizes AG ROSS. Rio Claro: Agroceres Ross Melhoramento Genético de Aves, 1996. 87p.        [ Links ]

MAURICE, DV., ELZUBIER, E.A., LIGHSEY, S.F. Breeder diet vitamin E concentration and post-hatch changes in tissue vitamin E status of chicks. Poult. Sci., v.75, p.128, 1996. (Supplement 1).        [ Links ]

NABER, E.C. The effect of nutrition on the composition of the egg. Poult. Sci.,v.58, p. 518-528, 1979.        [ Links ]

NUTRIENT requirements of poultry. 9.ed. Washington: National Academy, 1994. 155p.        [ Links ]

SAS user’s guide: statistics Cary: SAS Institute. 1985. 956p.        [ Links ]

SKLAN, R., BARTOV, I., HURWITZ, S. Tocopherol absorption and metabolism in the chick and turkey. J. Nutr., v.112, p.1394-1400, 1982.        [ Links ]

SUMMERS, J.D. Reducing nitrogen excretion of the laying hen by feeding lower crude protein diets. Poult. Sci.,v.72, p.1473-1478, 1993.        [ Links ]

SURAI, P., IONOV, I., BUZHIN, A. et al. Vitamin E and egg quality. In: EUROPEAN SYMPOSIUM ON THE QUALITY OF EGGS AND EGGS PRODUCTS, 6, 1995, Zaragoza. Proceedings... Zaragoza: [s.n.], 1995, p.387-394.        [ Links ]

UEDA, T., IGARASHI,O. Determination of vitamin E biological specimens and foods by HPLC - Pretreatment of samples and extraction of tocopherols. J. Micronutr. Anal., v.7, p.79-96, 1990.        [ Links ]

Creative Commons License All the contents of this journal, except where otherwise noted, is licensed under a Creative Commons Attribution License