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Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia

Print version ISSN 0102-0935On-line version ISSN 1678-4162

Arq. Bras. Med. Vet. Zootec. vol.51 no.3 Belo Horizonte June 1999

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-09351999000300013 

Efeito dos níveis de metionina da dieta sobre o desempenho de poedeiras comerciais

(Effect of methionine levels on performance of laying hens)

 

N.C. Baião1, M.O.O. Ferreira1, F.M.O. Borges2, A.E.M. Monti3

1Escola de Veterinária da UFMG
Caixa Postal 567
30123-970 - Belo Horizonte, MG
2Médica Veterinária - IMA
3Bolsista de Iniciação Científica - EV - UFMG

 

Recebido para publicação, após modificação, em 09 de março de 1998.
E-mail: baiao@vet.ufmg.br

 

 

RESUMO

Avaliou-se o efeito da adição de níveis crescentes de DL-metionina na dieta sobre o desempenho de poedeiras comerciais. Foram utilizadas 960 poedeiras comerciais de linhagem Lohmann, distribuídas em quatro tratamentos, com quatro repetições de 60 aves cada, em um delineamento experimental inteiramente ao acaso. O tratamento A foi utilizado como controle, sem adição de DL-metionina, representando 0,29% do aminoácido na ração. Para os tratamentos B, C e D as rações foram suplementadas com 0,03, 0,05 e 0,07% de metionina, respectivamente, o que representou de 0,32, 0,34 e 0,36% do aminoácido na ração. Foram avaliadas as seguintes características: produção de ovos (%), consumo de ração (g), conversão alimentar (kg/dz), peso dos ovos (g), massa de ovo (g) e espessura da casca do ovo (mm). Não houve diferenças significativas (P<0,05) entre as médias para conversão alimentar e espessura da casca do ovo. Entretanto, para produção de ovos, peso dos ovos, massa de ovo e consumo de ração, os tratamentos suplementados com metionina apresentaram melhores resultados quando comparados ao tratamento sem suplementação.

Palavras-Chave: Poedeira, metionina, aminoácido sulfurado

 

ABSTRACT

The aim of this experiment was to evaluate the effects of addition of increasing levels of DL-methionine in diet on the performance of laying hens. Nine hundred and sisty Lohmann laying hens, randomly distributed into four treatments with four replicates were used. The control treatment (A) was not supplemented with DL-methionine and contained 0.29% of total methionine. The treatments B, C and D were supplemented with 0.03, 0.05 and 0.07% of methionine respectively, with total methionine being 0.32, 0.34 and 0.36%. The following characteristics were evaluated: egg production (%), feed intake (g), feed conversion (kg/dz), egg weight (g), egg mass (g/day) and eggshell thickness (mm). There were no differences (P>0.05) in terms of feed conversion and eggshell thickness among treatments. The treatments B, C and D produced better egg production, feed intake, egg mass and egg weight as compared to treatment A.

Keywords: Laying hen, methionine, sulfur amino acid

 

 

INTRODUÇÃO

A eficiência de utilização da proteína depende, em grande parte, da composição de aminoácidos da dieta. Em nutrição de monogástricos, a qualidade da proteína de um alimento é determinada pelo conteúdo e balanço de aminoácidos essenciais denominados críticos, quais sejam: lisina, metionina, treonina e triptofano. A metionina é, normalmente, o primeiro aminoácido limitante em dietas práticas de poedeiras e sua suplementação fornece meios de aumentar a eficiência da utilização da proteína (Schutte et al., 1994).

As dietas práticas são formuladas, principalmente, à base de milho e farelo de soja, suprindo as necessidades de proteína sem, contudo, suprir as exigências em metionina e aminoácidos sulfurados, obrigando à utilização de metionina sintética, que onera o custo final da ração em, aproximadamente, 5% (Rodrigues et al., 1996).

Trabalhos publicados sobre as necessidades de aminoácidos sulfurados e metionina para poedeiras e as recomendações feitas pelas principais tabelas de referência nacional e internacional (Rostagno et al., 1985; Nutrient... 1975; Nutrient... 1994) sugerem níveis bastantes diferentes. Segundo Schutte et al. (1994), o Nutrient... (1984) recomenda 350mg de metionina e 600mg de aminoácidos sulfurados totais por ave/dia. Nutrient... (1974) recomenda cerca de 350mg de metionina disponível e 470mg de aminoácidos sulfurados totais/dia para aves jovens que produzem ovos com cerca de 50 gramas. Schutte et al. (1983) citam que os requisitos de metionina e aminoácidos sulfurados totais para aves com alta produção devem situar-se em torno de 375 e 750mg por dia, respectivamente. Okazaki et al. (1994) avaliaram as necessidades de vários aminoácidos, entre os quais a metionina, em várias fases de postura. Esses autores tomaram como referência as exigências recomendadas pelo Nutrient... (1984) e chegaram à seguinte recomendação: de 20 a 30 semanas de idade, 130% das exigências da National Research Council (NRC); de 30 a 60 semanas de idade, 115% e de 60 a 80 semanas de idade, 100%. Os níveis recomendados pelos produtores das linhagens são diversos e muitas empresas que prestam serviços na área de nutrição avícola adotam seus próprios níveis de metionina. Também, não deve ser relegado o melhoramento genético intenso e contínuo na avicultura. Os níveis de metionina adotados para poedeiras há uma década podem não ser os mesmos requeridos pelas poedeiras atuais, o que leva à necessidade evidente de atualização das pesquisas sobre requisitos nutricionais.

Outro aspecto a ser observado são os níveis de proteína bruta (PB) nas dietas das aves. Segundo Calderon & Jensen (1990), as necessidades de metionina são diferentes em dietas com níveis distintos de proteína. Em dietas com 13, 16 e 19% de PB as exigências de metionina são de 381, 388, 414mg por ave/dia, respectivamente.

Em vista do exposto, o objetivo do presente trabalho foi o de avaliar os efeitos de diferentes níveis de suplementação de metionina na dieta sobre o desempenho de poedeiras comerciais.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Foram utilizadas 960 poedeiras comerciais da linhagem Lohmann, entre 42 e 74 semanas de idade, distribuídas ao acaso em quatro tratamentos com quatro repetições de 60 aves cada. O tratamento A não teve suplementação de metionina e constituiu o tratamento-controle. Os tratamentos B, C e D foram constituídos da dieta-controle com adição de níveis crescentes de DL metionina (98%). Os valores da suplementação de metionina e os níveis de metionina e metionina+cistina na dieta, de acordo com os tratamentos, encontram-se na Tab. 1.

 

 

As aves receberam dietas experimentais ad libitum, isoprotéicas e isocalóricas, calculadas para conter 17% de proteína bruta, 2800kcal de energia metabolizável/kg, variando apenas os níveis de metionina e de metionina+cistina. As suas composições e valores nutricionais são apresentados na Tab. 2.

 

 

Foram avaliadas as seguintes características: produção de ovos (%), consumo de ração (g), conversão alimentar (kg/dz), consumo de metionina (mg), consumo de metionina+cistina (mg), peso dos ovos (g), massa de ovo (g) e espessura da casca do ovo (mm).

Diariamente, foi registrada a produção de ovos e, semanalmente, calculou-se o consumo de ração a partir das quantidades oferecidas e das sobras. A conversão alimentar foi calculada considerando kg de ração consumida/ dúzia de ovos produzida.

Os consumos de metionina e de metionina+cistina/ave/dia foram calculados com base no consumo de ração/ave/dia e nos níveis de metionina e metionina+cistina da ração.

Para a avaliação de peso do ovo, durante três dias de cada semana foi pesada toda a produção diária. A massa de ovo/ave/dia foi calculada a partir da produção e do peso dos ovos.

A cada período de 28 dias e durante sete períodos, colheu-se uma amostra de 30 ovos/tratamento para obtenção da medida de espessura da casca, efetuada por um micrômetro (precisão de 0,01mm), após lavagem e secagem das cascas à temperatura ambiente.

Todos os dados coletados foram submetidos à análise de variância, comparando-se as médias pelo teste de Student-Newman-Keuls. (Snedecor & Cochran, 1967).

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os consumos de metionina e de metionina + cistina/ave/dia encontram-se na Tab. 3. Estes valores aumentaram significativamente com o aumento do nível de metionina na dieta.

 

 

A produção de ovos, o consumo de ração e a conversão alimentar encontram-se na Tab. 4. Com relação à produção de ovos, observa-se que o resultado do tratamento D foi significativamente (P<0,05) superior aos demais tratamentos, isto é, as aves que consumiram maior quantidade de metionina e de metionina+cistina tiveram a maior produção de ovos em relação aos outros tratamentos. Os outros tratamentos não diferiram estatisticamente entre si. Estes resultados estão de acordo com os resultados apresentados por Schutte et al. (1994), os quais verificaram que a produção de ovos aumentou linearmente com o aumento da suplementação de metionina na dieta, embora não tenha sido significativo para níveis de suplementação acima de 0,07%. A eficiência de utilização da proteína aumentou com a suplementação de metionina.

 

 

Somente as aves do tratamento A, sem suplementação de metionina, apresentaram menor consumo de ração em relação aos demais tratamentos. Comportamento semelhante foi observado por Schutte et al. (1994). Estes autores obtiveram aumentos significativos na ingestão de alimento com suplementações acima de 0,05% de metionina, embora a suplementação com altos níveis de metionina não apresentasse diferenças significativas quando comparada com níveis de 0,05% de suplementação. Ainda segundo esses autores, as exigências de aminoácidos sulfurados para uma eficiência alimentar máxima pode ser superior àquelas necessárias para obtenção de uma produção máxima de ovos.

A conversão alimentar não apresentou diferenças significativas entre os tratamentos uma vez que o tratamento que apresentou a menor produção de ovos apresentou também o menor consumo de ração (Trat. A). Esses resultados não concordam com os de Rodrigues et al. (1996), os quais trabalharam com aves no segundo ciclo de produção e obtiveram melhoras lineares na conversão alimentar de aves que receberam níveis crescentes de metionina nas dietas.

Os resultados referentes ao peso dos ovos, massa de ovo e espessura da casca são apresentados na Tab. 5. O peso dos ovos foi significativamente inferior no tratamento A, porém não diferiu entre os demais tratamentos. Contudo, observou-se um ligeiro aumento do peso dos ovos com o aumento do consumo de metionina e de metionina+cistina/ave/dia. Rodrigues et al. (1996) encontraram aumento linear no peso dos ovos relacionado ao incremento de metionina dos tratamentos, em aves no segundo ciclo de postura.

 

 

Com relação à massa de ovo, os tratamentos com suplementação de metionina apresentaram valores maiores em relação ao tratamento sem suplementação, mas não houve diferença significativa entre este e o tratamento com 0,03% de suplementação, isto é, o aumento no consumo de metionina e de metionina+cistina levou ao aumento no valor da massa de ovo, semelhante aos resultados de Schutte et al. (1994). Zollitsch et al. (1996) também obtiveram maior massa de ovo com o aumento no consumo de metionina e de metionina+cistina, em poedeiras criadas em diferentes temperaturas ambientes.

Quanto à espessura da casca do ovo, o aumento no consumo de metionina e de metionina+cistina não apresentou respostas significativas. Entretanto, Rodrigues et al. (1996) encontraram respostas significativas com relação à qualidade da casca, provavelmente porque trabalharam com galinhas do segundo ciclo de postura, quando o tamanho do ovo apresenta maior correlação negativa com a qualidade da casca.

 

CONCLUSÕES

Nas condições em que foi realizado este experimento conclui-se que: o aumento no consumo de metionina e de metionina +cistina/ave/dia, devido à suplementação de metionina na dieta, elevou a produção de ovos, o peso dos ovos, a massa de ovo e o consumo de ração, mas não alterou a conversão alimentar e a espessura da casca do ovo.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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