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Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia

Print version ISSN 0102-0935On-line version ISSN 1678-4162

Arq. Bras. Med. Vet. Zootec. vol.51 no.3 Belo Horizonte June 1999

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-09351999000300014 

Retenção do fósforo de fenos de gramíneas tropicais em ovinos

(Phosphorus balance in sheep fed on tropical grass hays)

 

R.A. Reis, D.S. Graça*, R.M. Maurício

Escola de Veterinária da UFMG
Caixa Postal 567
30123-970 – Belo Horizonte, MG

 

Recebido para publicação, após modificação, em 10 de setembro de 1998.
*Autor para correspondência.

 

 

RESUMO

Mediu-se a retenção do fósforo de quatro gramíneas tropicais, capim-gordura (Melinis minutiflora), capim-braquiária (Brachiaria decumbens), capim-coastcross (Cynodon dactilon) e capim-colonião (Panicum maximum), em cinco ovinos por meio de ensaios de balanço de fósforo. O experimento constou de quatro fases, cada uma com duração de 21 dias (14 dias de adaptação à dieta e sete dias de colheita de fezes), totalizando 20 observações. A análise dos dados foi feita por polinômios ortogonais, testando-se os efeitos de tratamento, de período e de animal, e os contrastes foram comparados pelo teste F. A retenção de fósforo foi negativa nos fenos dos capins gordura, braquiária e coastcross e positiva no feno do capim-colonião. Por análise de regressão, a perda fecal do fósforo endógeno foi estimada em 15,5mg/kg PV/dia e o coeficiente médio de retenção foi de 0,37. Pela razão entre o balanço e a ingestão, estimou-se que o consumo de fósforo necessário para alcançar o equilíbrio foi de 44mg/kg PV/dia.

Palavras-Chave: Ovino, fósforo, gramíneas tropicais

 

ABSTRACT

One experiment was conducted using five adult sheep fed on four tropical grass hays to determine phosphorus (P) retention. The experiment consisted of four periods of 21 days (14 days adaptation and seven days faeces collection). The treatments were: A) molasses grass (Melinis minutiflora), B) brachiaria grass (Brachiaria decumbens), C) coastcross grass (Cynodon dactilon) and D) Guinea grass (Panicum maximum). Phosphorus concentrations were 0.05%, 0.07%, 0.11% and 0.18% for treatments A, B, C and D, respectively. The effects of treatment, period and animal were evaluated by ortogonal polynomials and the contrasts by F test. Negative P balances were produced in treatments A, B and C (–13.05, –9.36 and –8.26mg/kg LW/day, respectively) which were not significantly different from each other. Positive P balance of 8.14mg/kg LW/day was produced in treatment D, which was significantly higher (P<0.05) than treatments A, B and C. Endogenous losses of 15.5mg P/kg LW/day were estimated using regression analysis. The average P retention coefficient of the hays was 0.37. A relationship between P intake and P balance showed that an intake of approximately 44mg P/kg LW/day was necessary to produce a zero P balance.

Keywords: Sheep, phosphorus, tropical grasses

 

 

INTRODUÇÃO

A carência de fósforo, em qualquer parte do mundo, pode ser considerada a mais freqüente e de maior importância econômica para os rebanhos criados sob condições de pastejo. No Brasil, predomina o sistema de criação extensiva concentrada nas regiões de cerrado, com solos de baixa fertilidade e deficientes em fósforo (Rosa, 1991), tornando-se necessária a suplementação mineral.

A formulação das misturas minerais é feita apenas com base na composição química (Sousa, 1985), sem a preocupação de se determinar a disponibilidade dos elementos minerais presentes nas forrageiras. De acordo com AFRC... (1991), pouca informação existe a respeito da disponibilidade do fósforo em forrageiras tropicais. O fornecimento de fósforo pode representar até 80% do custo do sal mineral (Rosa, 1991) e, considerando que o fósforo inorgânico é fonte não renovável, o conhecimento da disponibilidade de fósforo orgânico nos alimentos poderia racionalizar o uso desse elemento na nutrição animal.

O presente trabalho foi conduzido com o objetivo de verificar a retenção do fósforo em ovinos que consomem fenos de gramíneas tropicais.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Foram conduzidos ensaios convencionais de balanço nutricional em cinco carneiros adultos, com peso médio de 35kg, alimentados com fenos de capim-gordura (Melinis minutiflora), capim-braquiária (Brachiaria decumbens), capim-coastcross (Cynodon dactilon) e capim-colonião (Panicum maximum), correspondentes aos tratamentos A, B, C e D. A composição química dos fenos é apresentada na Tab. 1.

 

 

Cada período experimental constou de uma fase de adaptação aos tratamentos, com duração de 14 dias, e outra, de colheita de fezes, realizada por sete dias.

Durante todo o ensaio, os fenos foram fornecidos à vontade, em três porções iguais às 7, 12 e 17h, respeitando-se um total de 20% de sobras (em base como oferecido) em relação ao consumo do dia anterior.

Uréia foi fornecida, quando necessária, para ajustar o teor de proteína bruta da dieta a um mínimo de 7%.

Os animais receberam, à vontade, água e mistura mineral, isenta de cálcio e fósforo, com a seguinte composição: sal comum (NaCl)=30,63%; enxofre em pó=63,13%; iodato de potássio=0,02%; sulfato ferroso=2,50%; sulfato de cobre=1,07%; sulfato de cobalto=0,02%; sulfato de manganês=1,85%; óxido de zinco=0,77% e selenito de sódio=0,01%.

O peso vivo de cada carneiro foi registrado no início e no término de cada período de 21 dias, sempre no mesmo horário e antes do fornecimento dos fenos.

Uma curva de regressão foi obtida entre o fósforo consumido e o excretado nas fezes (Butterworth, 1966), dando origem à equação Pf= bPi+a, onde: Pf= fósforo fecal, Pi= fósforo ingerido, a= ponto em que a reta intercepta o eixo das abscissas, e refere-se à quantidade de fósforo excretada nas fezes, quando seu consumo é igual a zero (fósforo endógeno fecal), b= coeficiente de inclinação da curva que indica a perda média de fósforo do organismo. O complemento, ou seja 1-b, equivale ao coeficiente de utilização do fósforo do alimento.

Uma outra relação linear foi estabelecida entre a ingestão e o balanço de fósforo dos animais. Por meio da reta representativa dos pontos, obtida pela equação Y= bX+a, derivou-se o consumo (X) necessário para proporcionar um balanço "zero" de fósforo (Y= 0).

Os procedimentos de amostragem e colheita no alimento, nas fezes e na urina foram conduzidos conforme recomendado por Harris (1970). No 21º dia de cada período, imediatamente antes da pesagem dos carneiros, eram coletadas amostras (5-10ml) de sangue da jugular, usando-se tubos heparinizados do tipo "vacuntainer". Este material era centrifugado e o plasma transferido para tubos de ensaios e então armazenados em congelador.

As análises procedidas nos fenos foram: matéria seca (MS), determinada em estufa a 105°C e proteína bruta (PB), pelo método Kjeldahl, segundo Official...(1980); fibra detergente neutro (FDN), fibra detergente ácido (FDA) e lignina (Van Soest, 1967); fósforo (P), pelo método colorimétrico de Fiske & Subbarow (1925) e cálcio (Ca), por oxidimetria (Official..., 1980). Matéria seca e fósforo foram também determinados nas fezes e nas sobras dos alimentos.

Para as análises no plasma e na urina utilizou-se um conjunto ("kit") de reagentes para dosagem de fósforo (Biobrás Diagnósticos - Cod. 517-1).

A avaliação estatística dos resultados foi feita por polinômios ortogonais, com o modelo que testa os efeitos de tratamento, período e animal:

y=b0+b1x1+b2x2+b3x3+b4x4+b5x5+b6x6+b7x7+b8x8+b9x9+b10x10,

onde x1 a x10 estabelecem as seguintes comparações:

x1 = tratamento A vs tratamento B
x2 = tratamento C vs tratamento D
x3 = tratamentos(A+B) vs tratamentos(C+D)
x4 = período I vs per.II
x5 = período III vs per.IV
x6 = períodos (I+II) vs pers.(III+IV)
x7 = animal 1 vs animal 2
x8 = animal 3 vs animal 4
x9 = animais (3+4) vs animal 5
x10 = animais (1+2) vs animais (3+4+5)

Os contrastes foram avaliados pelo teste F, tendo sido definidos outros contrastes ortogonais de modo a permitir a comparação de todos os tratamentos entre si.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os resultados relacionados ao consumo de matéria seca e ao metabolismo de fósforo encontram-se na Tab. 2.

 

 

O consumo de fósforo foi inferior (P<0,05) nos tratamentos A e B e intermediário em C, quando comparados ao tratamento D, em decorrência dos teores de fósforo encontrados nos fenos (Tab. 1), bem como pela própria ingestão de matéria seca (Tab. 2). Segundo Ternouth (1990), mesmo dietas pobres em fósforo podem ter o consumo desse mineral elevado em função do aumento na ingestão de matéria seca. Isso pôde ser constatado em experimentos que utilizaram baixos teores de fósforo (0,07% na MS), conduzidos com dietas semipurificadas e que permitiam suprir as necessidades de energia e proteína dos animais (Ternouth, 1989).

Os valores obtidos para o consumo de fósforo nos tratamentos A e B são bastante inferiores aos verificados por Joyce & Rattray (1970), em trabalhos em que utilizaram a mesma espécie animal e dietas constituídas somente de forragens.

Segundo recomendações do AFRC... (1991), os tratamentos C e D possibilitaram um consumo satisfatório de fósforo para mantença, considerando o tipo de animal utilizado no ensaio (carneiros adultos, peso vivo médio de 35kg), de aproximadamente 26mg/kg PV/dia.

A excreção de fósforo foi maior (P<0,05) no tratamento D, e o que se observa é uma tendência em acompanhar o aumento no consumo de fósforo, apesar de não ter havido diferença significativa na quantidade de fósforo fecal entre os tratamentos A, B e C, (Tab. 2). Maior proporção do fósforo consumido eliminada nas fezes também foi observada por Powell et al. (1978). Relações diretas entre o teor de fósforo ingerido e o fósforo endógeno fecal, que representa o requisito de mantença desse mineral (AFRC..., 1991), foram verificadas por Ternouth (1989).

A maior eliminação de fósforo na urina ocorreu no tratamento C e a menor no B (Tab. 2). Observou-se elevada variação individual ilustrada pelo alto coeficiente de variação (128,34%), o que dificulta a interpretação dos resultados. Field et al. (1974) relataram que a excreção de fósforo na urina mostrou coeficientes de variação maiores que 100%.

Os valores de fósforo na urina, quando expressos em miligramas por dia, foram de 18,99, 11,58, 85,92 e 18,73, nos tratamentos A, B, C e D, respectivamente. Tomando-se a média geral do experimento, a excreção urinária correspondeu a 3,5% do total de fósforo consumido. Powell et al. (1978) verificaram baixa eliminação na urina, representando 0,8% do fósforo total ingerido, que foi semelhante a outros trabalhos com ovinos alimentados com forragens (Stillings et al., 1964; Grace et al., 1974).

De maneira geral, não se leva em consideração a excreção urinária de fósforo nos cálculos de retenção desse elemento, quando as dietas são constituídas somente de forragens (Stillings et al., 1964), devido aos baixos valores normalmente obtidos. Este fato foi confirmado no presente ensaio.

As análises de fósforo total no plasma apresentaram resultados diversos dos esperados. Não se observou diferença significativa entre os tratamentos (Tab. 2), sugerindo cautela na interpretação dos valores obtidos. Relatos anteriores, tanto em bovinos quanto em ovinos, de que a concentração desse elemento no sangue, no soro ou no plasma não dá uma indicação satisfatória do estado nutricional do animal já haviam sido registrados (Engels, 1981; Conrad et al., 1984). Entretanto, com o uso de dietas deficientes em fósforo, valores abaixo do limite considerado normal, 4mg/dl (Nutrient..., 1985), foram observados por Schneider et al. (1985). Da mesma forma, uma relação direta entre a absorção de fósforo e seu teor no plasma foi verificada por Challa & Braithwaite (1988a). Diante desses fatos, era de se esperar alguma diferença entre os fenos usados no experimento, em função de suas composições e consumos de fósforo apresentados.

Os resultados mostram ainda que o conteúdo de fósforo no sangue não foi um reflexo direto da dieta recém-ingerida, contrário ao sugerido por Ternouth et al. (1980). O alto teor sangüíneo desse mineral pode ser indicativo de um processo de mobilização do tecido ósseo, como conseqüência de um período prévio de depleção (Cohen, 1974), considerando que os ossos exercem uma influência fundamental no teor de fósforo no sangue (Braithwaite, 1984).

A absorção aparente do fósforo foi muito variável, o que permitiu não haver diferença significativa entre os tratamentos D, que mostrou um percentual positivo (13,21%), e C, cujo valor foi negativo (–22,04%). Mesmo assim, o tratamento B foi estatisticamente diferente de D e o tratamento A revelou-se inferior (P<0,05) a todos os outros tratamentos (Tab. 2). A digestibilidade aparente do fósforo no tratamento A mostra o grau de deficiência desse elemento naquela dieta, resultando em grande mobilização do mineral endógeno, que foi posteriormente eliminado nas fezes. Um resultado tão baixo quanto –525% já havia sido constatado (Butterworth, 1966) em ovinos que consumiram feno de capim-estrela (Cynodon plectostachyum). A absorção aparente de fósforo em ovinos que consumiram forragens de clima temperado foi, em média, 10,2% (Joyce & Rattray, 1970). Sttilings et al. (1964) observaram valores ligeiramente negativos da disponibilidade aparente do fósforo em carneiros que receberam Dactylis glomerata ("orchardgrass"), adubada com níveis baixo e alto de nitrogênio. A influência do nível de consumo alimentar sobre a absorção aparente de fósforo foi verificada por Grace et al. (1974). No consumo de 500g de matéria orgânica, a digestibilidade aparente foi, em média, de 7%, ao passo que no consumo de 800g, o valor foi de 23,5%.

Little (1982) comentou que a relação Ca:P da dieta de animais mantidos somente em pasto provavelmente seja de pouca conseqüência. Porém, com alto consumo de cálcio, pode ocorrer um efeito depressivo sobre a absorção de fósforo, diminuindo sua disponibilidade (AFRC..., 1991), principalmente quando seu consumo apresenta-se deficiente (Boxebeld et al., 1983). Esse fato pode ser sugerido para os tratamentos A e B, onde o suprimento de fósforo foi muito baixo e a relação Ca:P foi alta (Tab. 1).

Um balanço positivo só foi possibilitado pelo tratamento D, que foi estatisticamente diferente dos tratamentos A, B e C, todos estes com valores negativos. Tais resultados caracterizam uma perda de fósforo endógeno (Breves et al., 1985) com detrimento de suas reservas corporais (ossos e tecidos moles). A retenção média diária de fósforo nos cordeiros em crescimento, segundo Powell et al. (1978), foi de 0,19g, e no estudo de Joyce & Rattray (1970) as forrageiras apresentaram um valor médio de 0,29g de fósforo retido por dia. Valores negativos foram observados por Blaney et al. (1982) em bovinos, com retenção de –3,4mg/kg PV/dia, consumindo feno de gramínea tropical.

Três fatos podem explicar o teor de fósforo eliminado nas fezes: o fósforo indisponível da dieta, o fósforo dietético que não foi absorvido e o fósforo endógeno reciclado principalmente pela saliva (Ternouth, 1990). Esses fatores podem ter agido, isoladamente ou em conjunto, para determinar a excreção do fósforo nas fezes e, portanto, os balanços negativos desse elemento nos fenos dos capins gordura, braquiária e coastcross. Um indício da baixa liberação do fósforo (40%) presente em gramíneas tropicais foi estabelecido ao se utilizarem a técnica in situ, com sacos de náilon suspensos no rúmen. Outro trabalho indicou que dietas deficientes em fósforo reduziram sensivelmente a eficiência da absorção desse mineral (Ternouth, 1989). Este autor caracterizou o aumento da perda fecal do fósforo endógeno em função de seu maior consumo, o que ocorreu mesmo quando os animais estavam em fase de crescimento e, conseqüentemente, possuíam um alto requisito do elemento na dieta (Challa & Braithwaite, 1988b).

Por meio de uma relação entre o fósforo ingerido e o eliminado nas fezes (Fig. 1) foram estimados os valores de absorção do fósforo e sua fração endógena fecal, conforme proposto por Butterworth (1966).

 

 

Admitindo-se um consumo zero de fósforo (Pi=0), o valor assim obtido da equação é de 15,5mg/kg PV/dia, correspondente à perda fecal do fósforo de origem endógena. Boxebeld et al. (1983) comentaram que a extrapolação da excreção fecal, ao considerar uma ingestão zero de fósforo, estaria subestimando a perda endógena do mineral. Esses autores, usando a técnica de diluição isotópica, verificaram perdas endógenas entre 22,6 e 24,5mg de P/kg PV/dia, em carneiros que receberam dietas purificadas deficientes em fósforo.

Field et al. (1974) encontraram perdas endógenas que variaram de 0,71 a 1,56g/dia (15,8 a 34,7mg/kg PV - calculadas pelo peso médio dos animais do experimento), em carneiros que consumiram feno de alfafa. Os padrões comuns de alimentação também assumem valores variáveis. Nutrient... (1985) adotou uma perda do fósforo endógeno nas fezes de 20mg/kg PV/dia para mantença, ao passo que Nutrient... (1980) indicou 14mg/kg PV/dia, para ovinos em qualquer nível de produção. Este tema é, todavia, motivo de muita controvérsia. O AFRC... (1991) afirma que a eliminação fecal do fósforo de origem endógena, e por conseqüência o requisito de mantença desse mineral, está sujeito à influência de três fatores principais: consumo alimentar, tipo da dieta e individualidade dos animais. Especula, ainda, a possível existência de um quarto fator ligado à competição pelo fósforo absorvido entre os processos fisiológicos de secreção e produção.

O coeficiente de inclinação da equação (0,63; Fig. 1) indica o quanto de fósforo é eliminado nas fezes, conforme varia o seu consumo. Pode-se então admitir que o seu complemento (1- 0,63) corresponde à quantidade de fósforo aproveitada da dieta. O coeficiente de utilização do fósforo dos fenos, neste caso, foi de 0,37 (ou 37%). Este resultado é inferior aos 53% obtidos por Butterworth (1966). Alguns relatos têm indicado que o coeficiente de absorção de fósforo seja superior a 0,7 (Ternouth, 1990). Nutrient... (1980 e 1985) adotam coeficientes de 0,6 e 0,7, respectivamente, para o cálculo do requisito de fósforo em animais adultos.

A avaliação precisa do percentual de absorção do fósforo em forrageiras é fundamental para a formulação adequada de misturas minerais para o rebanho, o que requer, portanto, maiores informações nesse sentido. Os níveis de energia e proteína da dieta, assim como o teor quantitativo e qualitativo da fração fibrosa das gramíneas (Reis, 1993), podem ser apontados como prováveis fatores que atuam sobre a disponibilidade do fósforo, responsáveis pelo coeficiente de absorção obtido no presente ensaio (0,37).

A Fig. 2 mostra a equação de regressão gerada a partir do balanço de fósforo e o consumo desse mineral da dieta.

 

 

Admitindo-se um balanço de fósforo igual a zero (Pb = 0), ou seja, o ponto de equilíbrio entre o nutriente ingerido e o excretado do organismo (fezes e urina), o consumo correspondente seria de 44mg de P/kg PV/dia. Isto equivaleria a cerca de 1,5g P/dia, o que é ligeiramente superior às recomendações de AFRC... (1991). Desse modo, o tratamento D, por ter apresentado maior consumo de matéria seca (Tab. 2), poderia estar concorrendo para elevar o requisito de fósforo dos animais neste experimento.

 

CONCLUSÕES

Nas condições experimentais deste trabalho conclui-se que: os fenos dos capins gordura, braquiária e coastcross proporcionaram retenções negativas de fósforo e o de capim-colonião resultou em retenção positiva; os valores do fósforo endógeno (15,5mg/kg PV/dia) e do percentual de utilização do fósforo dos fenos (37%) oferecem subsídios para a formulação de misturas minerais para ruminantes em pastejo; o equilíbrio no balanço de fósforo dos animais foi alcançado com um consumo estimado de 44mg de P/kg PV/dia.

 

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