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Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia

Print version ISSN 0102-0935On-line version ISSN 1678-4162

Arq. Bras. Med. Vet. Zootec. vol.51 no.4 Belo Horizonte Aug. 1999

https://doi.org/10.1590/S0102-09351999000400004 

Efeito da vacina contra coccidiose sobre a colonização de Salmonella enteritidis em frangos de corte tratados com microbiota cecal anaeróbia

(Effect of coccidiosis vaccine on Salmonella enteritidis colonization in broiler chicks inoculated with anaerobic cecal microflora)

 

R.L. Andreatti Filho1, P. Mestrinel Jr.1, H.M. Sampaio1, A.J. Crocci2

1Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia- UNESP
Caixa Postal:560
18618-000 - Botucatu, SP
2Instituto de Biociências - UNESP

 

Recebido para publicação, após modificação, em 21 de junho de 1999
E-mail: andreatti@laser.com.br

 

 

RESUMO

Avaliou-se o efeito da vacina contra coccidiose sobre a habilidade da microbiota cecal anaeróbia (MCA), administrada por diferentes vias (aves tratadas), em proteger pintos de corte da colonização por Salmonella enteritidis (Se). Utilizaram-se 120 aves assim divididas: grupo A, pulverização de MCA em aves vacinadas contra coccidiose e desafiadas com Se, grupo B, inoculação endoesofágica de MCA em aves vacinadas e desafiadas, grupo C, MCA na água de bebida de aves vacinadas e desafiadas, grupo D, aves não tratadas, vacinadas e desafiadas, grupo E, aves não tratadas, não vacinadas e desafiadas e, grupo F, aves não tratadas, não vacinadas e não desafiadas (controle negativo). Utilizaram-se como parâmetros a colonização do trato digestivo por Se e sua presença nas fezes, bem como o peso corporal das aves, avaliados aos dois, sete e 12 dias após o desafio. Nas aves tratadas com MCA, especialmente por meio de pulverização e inoculação endoesofágica, a colonização do ceco por Se e sua presença nas fezes foram menores, mostrando que a ação da MCA contra a colonização de ceco e excreção fecal não foi afetada pelo uso da vacina contra coccidiose em pintos de corte e que a associação MCA/vacina contra coccidiose pode ser utilizada sem que haja comprometimento na eficácia da MCA. Nos grupos que não receberam MCA, vacinados ou não contra coccidiose, houve aumento da colonização cecal, bem como excreção fecal da amostra desafio. O ceco foi o local de maior presença e persistência da Se. O resultado de administração de MCA pela água de bebida não foi tão eficiente, mas somente este tratamento resultou em peso corporal das aves significativamente superior ao das aves do grupo não tratado, não vacinado e desafiado, indicando que a presença de salmonelas paratifóides não interfere na produtividade de frangos de corte. Não se observou diferença no peso das aves dos grupos D (vacinados contra coccidiose) e E (não vacinadas) desafiadas com Se, demonstrando que a vacina não influenciou negativamente o ganho de peso das aves desafiadas com Salmonela enteriditis.

Palavras-chave: Frango, Salmonella enteritidis, microbiota cecal anaeróbia, vacina contra coccidiose

 

ABSTRACT

The effect of a coccidiosis vacine on the ability of the anaerobic cecal microflora (ACM) administered (treated birds) through different ways, to protect broiler chicks against Salmonella enteritidis (Se) colonization was studied. One hundred twenty broiler chicks were divided into six groups: for group A, ACM was given by spray after vaccination against coccidiosis and challenge with Se; for group B, ACM was given by intra-esophagus to coccidiosis vaccinated and Se challenged chicks; for group C, ACM given by drinking water to coccidiosis vaccinated and Se challenged chicks; for group D, chicks were not ACM treated, but coccidiosis vaccinated and Se challenged; for group E, chicks were not ACM treated, not vaccinated against coccidiosis but Se challenged and, for group F, not vaccinated, not challenged, and not treated chicks were used (negative control). The colonization of the digestive system and the presence of Se in feces were used as parameters, as well as body weight of the chicks, evaluated at two, seven and 12 days after challenge. Se count in feces and cecal colonization were reduced in ACM treated groups, mainly through spraying and by intra-esophagus routes, indicating that the actions of ACM against cecal colonization and fecal excretion of Se are not affected by the use of vaccine against coccidiosis in broiler chicks, and that the association ACM/coccidiosis vaccine can be used without reduction of the effectiveness of ACM. In the groups that did not receive ACM, vaccinated or not against coccidiosis, there was an increase of cecal colonization, as well as fecal excretion of Se. The cecum was the main site of colonization and persistence of Se. ACM given by spraying or intra-esophagus route reduced Se in the feces and cecum, as compared with chicks that received ACM by drinking water, although only this treatment has determined a significantly higher body weight than the not treated, not vaccinated but challenged group, probably indicating that the paratyphoids Salmonella may not interfere with broiler performance. No differences on body weight between not ACM treated, Se challenged and vaccinated or not groups were observed, suggesting that the vaccine did not influence the weight gain of the chicks challenged with Salmonela enteriditis.

Keywords: Broiler, Salmonella enteritidis, anaerobic cecal microflora, competitive exclusion, vaccine coccidiosis

 

 

INTRODUÇÃO

A colonização da mucosa intestinal por grande e diversificado número de bactérias é normal em diversas espécies animais, incluindo as aves (Lee, 1985). A susceptibilidade das aves à colonização intestinal por Salmonella spp. é maior durante os primeiros dias de vida, sendo posteriormente reduzida à medida que há o crescimento da microbiota intestinal normal (Nurmi & Rantala, 1973; Bailey, 1988). A administração de microrganismos da microbiota intestinal das aves, cultivados em anaerobiose, pode determinar alguma proteção às aves contra a colonização por alguns patógenos, particularmente Salmonella spp. (Nurmi & Rantala, 1973; Corrier et al., 1990; Ziprin et al., 1991; Kogut et al., 1994; Andreatti Filho et al., 1997). As formas indefinidas de cultura têm mostrado maior proteção contra as salmonelas que as culturas definidas (Hinton & Mead, 1991). A proteção intestinal dessas culturas em aves é atribuída à competição bacteriana por sítios de aderência, chamada "exclusão competitiva", e à produção de ácidos orgânicos voláteis de cadeia curta a partir da lactose, por exemplo, com redução do pH cecal (Ziprin et al., 1991; Andreatti Filho et al., 1997).

A coccidiose é uma das mais importantes doenças em galinhas, sendo comum nas criações industriais, mesmo com o uso constante de drogas anticoccidianas. A infecção por S. enteritidis (Se) em aves pode ser exacerbada pela infecção paralela com Eimeria tenella (Qin et al., 1995, 1996). A infecção das aves por E. tenella pode determinar a permanência de Se no intestino por um período mais longo quando comparado com a infecção isolada pela Se, resultando em maior período de exposição da Se nas fezes (Qin et al., 1995).

O aumento da quantidade de Salmonella spp. no ceco das aves com infecção coccidiana está associado a alterações na microbiota cecal normal, com comprometimento da produção de ácidos graxos voláteis (Baba et al., 1985, 1987). Aves infectadas com E. tenella reduziram a produção de ácidos graxos voláteis no ceco por diversos anaeróbios cecais (Kimura et al., 1976). Como ocorrem danos ao epitélio da mucosa cecal após a infecção com E. tenella, esta pode ser responsável pela maior susceptibilidade das aves à transmissão horizontal de Salmonella spp. (Arakawa et al., 1981; Baba et al., 1982).

Atualmente, a indústria avícola tem como alternativa, isolada ou associada ao anticoccidiano, o uso de vacinas com oocistos vivos para a prevenção da coccidiose em frangos de corte, poedeiras, reprodutoras e perus. Nas reprodutoras, a vacina consegue induzir imunidade considerada natural durante todo o período de produção. Essa imunidade é obtida pela introdução de baixos e controlados níveis de coccídeos (Shirley, 1994).

O propósito deste estudo foi avaliar o efeito da vacina contra coccidiose sobre a habilidade da microbiota cecal anaeróbia (MCA), administrada por diferentes vias, em proteger pintos de corte da colonização por Se.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Foram utilizados pintos comerciais de corte da linhagem Hubbard com um dia de idade, identificados e mantidos em gaiolas de arame, sob aquecimento. Foram fornecidas ração comercial não medicada e água ad libitum, exceção ao grupo que recebeu MCA na água de bebida durante o período de tratamento. Presença ou ausência de Salmonella spp. foi comprovada pelo emprego de metodologia consagrada (Gast, 1997).

Foi utilizada amostra de Se fagotipo 4, isolada de fígado de matrizes pesadas, resistente ao ácido nalidíxico (Nalr), por meio de cultivos sucessivos em ágar verde brilhante que continha 100µg de Nal/ml de meio de ácido nalidíxico (Weinack et al., 1982; Andreatti Filho et al., 1993, 1997). O inóculo era cultura da amostra em caldo infusão de cérebro e coração (ICC), incubado a 40°C por 12 horas. Todos os grupos receberam 1,8´108 unidades formadoras de colônia (UFC)/ave de Se, com exceção do grupo-controle negativo. O número de UFC do inóculo foi determinado pelo plaqueamento de 0,1ml da suspensão e respectivas diluições decimais em solução tampão de salina fosfatada (PBS) com pH 7,2, em duplicata de ágar verde brilhante acrescido de 100µg de Nal/ml (Weinack et al., 1982; Andreatti Filho et al., 1993, 1997). As aves foram desafiadas por inoculação endoesofágica com 0,5ml da suspensão bacteriana, no terceiro dia de idade, com exceção do grupo-controle negativo.

Os tratamentos foram realizados no primeiro dia de vida das aves. Administrou-se MCA por pulverização, por inoculação endoesofágica e na água de bebida. A pulverização foi realizada com auxílio de pulverizador manualâ (Hinode do Brasil Ltda) As aves foram colocadas em caixa de papelão (63cm de comprimento ´ 32cm de largura ´ 35cm de altura) com tampa e pulverizados diretamente com 250ml do inóculo. A inoculação via endoesofágica foi realizada com auxílio de pipeta graduada de 1ml, com 0,5ml da cultura. A MCA na água de bebida foi administrada na proporção de 5% em relação a água desclorada. Para a pulverização e para a água de bebida, o inóculo continha 4,0´106UFC/ml, e para a via endoesofágica 2,0´106 UFC/ave, determinada pelo plaqueamento de 0,1ml das suspensões em caldo tioglicolato e respectivas diluições decimais em PBS, em duplicata de ágar tioglicolato, cultivados em anaerobiose. A MCA foi obtida mediante o cultivo de macerado de "pool" de três cecos por 24 horas a 40°C em anaerobiose em caldo tioglicolato. Para isto, três aves avós com 56 semanas de idade foram sacrificadas e seus cecos separados na junção íleocecal, coletados e envoltos em papel alumínio, levados ao laboratório e congelados por não mais que 48 horas até o momento de uso. As partidas de MCA foram estudadas quanto à presença de Salmonella spp., conforme metodologia consagrada (Gast, 1997).

A vacinação contra coccidiose foi realizada por água de bebida, no segundo dia de vida das aves. Utilizou-se a vacina comercial Coccivacâ B (Coopers Brasil Ltda.)- frangos de corte, composta por uma suspensão de oocistos vivos de Eimeria acervulina, E. maxima, E. mivati e E. tenella, conforme recomendações do fabricante.

Foram utilizados seis grupos de 20 pintos, assim distribuídos: grupo A - pulverização de MCA (tratamento) em aves vacinadas contra coccidiose e desafiadas com Se; grupo B - inoculação endoesofágica de MCA em aves vacinadas e desafiadas; grupo C - MCA na água de bebida de aves vacinadas e desafiadas; grupo D - aves não tratadas, vacinadas e desafiadas; grupo E - aves não tratadas, não vacinadas e desafiadas; grupo F - aves não tratadas, não vacinadas e não desafiadas (controle negativo).

Aos dois, sete e 12 dias após o desafio, cinco aves foram retiradas de cada grupo para pesagem, sacrifício e colheita de material. A colonização do trato digestivo foi determinada pelo cultivo direto de inglúvio, duodeno e ceco, com auxílio de "swabe" em ágar verde brilhante Nalr e quantificada pela intensidade de crescimento bacteriano, sendo 0,1 a 1 para crescimento de 1 a 10UFC, 1,1 a 2, para 11 a 50UFC, 2,1 a 3, para 51 a 100UFC e 4, acima de 100UFC (Weinack et al., 1981; Andreatti Filho et al., 1993, 1997). A quantificação da excreção bacteriana nas fezes foi realizada em amostras colhidas em folhas de papel-alumínio colocadas sob as gaiolas na noite anterior às colheitas. Dez gramas de fezes de cada grupo foram suspensas em 100ml de PBS e diluições decimais foram feitas para a enumeração bacteriana, pelo plaqueamento de 0,1ml em duplicata de ágar verde brilhante Nal, cultivadas durante 24 horas à temperatura de 40°C (Andreatti Filho et al., 1993, 1997).

Todas as aves foram pesadas individualmente no primeiro dia de idade e posteriormente, nos dias dois, sete e 12 após o desafio, para obtenção do peso médio em cada tratamento.

Para a presença da bactéria nas fezes, devido ao fato de se utilizar "pool" de aves em cada um dos três dias de colheita, foi utilizada a prova não-paramétrica de Friedman, ao nível de 5% de significância, visando à comparação dos diversos tratamentos, sendo o dia de colheita dos dados considerado como bloco. Devido à natureza das variáveis estudadas, avaliações baseadas em escores que se referem à colonização do trato digestivo, utilizou-se a prova de Kruskal-Wallis para que fossem verificados os efeitos de tratamento e tempo. Para a comparação dos ganhos médios relativos de peso, definidos por peso final – peso inicial/peso inicial, utilizou-se a análise de variância de um delineamento inteiramente ao acaso, com seis tratamentos. Aplicou-se o teste de Tukey ao nível de 5% de significância para as comparações múltiplas (Zar, 1996).

 

RESULTADOS

O uso de MCA reduziu a colonização de Se no ceco das aves (Tab. 1). No inglúvio não houve variação significativa entre os diversos tratamentos e no duodeno, não se detectou Se em nenhum tratamento ou período. Nos cecos, dois dias após o desafio, o grupo E (não tratado com MCA, não vacinado contra coccidiose e desafiado com Se) apresentou índice de colonização de 51 a 100UFC, enquanto os demais grupos apresentaram índice de 1 a 10UFC ou mesmo ausência da amostra desafio, isto é, o grupo E foi significativamente distinto dos demais grupos. Sete dias após o desafio com Se, somente o grupo D (não tratado, vacinado e desafiado) com índice de 51 a 100UFC foi significativamente distinto dos grupos tratados com MCA por pulverização (A) e por inoculação endoesofágica de MCA (B) e do grupo-controle negativo (F). Os grupos C (MCA na água de bebida) e E (não tratado, não vacinado e desafiado) foram semelhantes a todos os grupos. Nos cecos, 12 dias após o desafio com Se, não houve variação significativa entre os grupos. A colonização do trato digestivo foi mais persistente no ceco e inglúvio, nesta ordem, e ausente no duodeno, independente dos tratamentos utilizados (Tab. 1).

 

 

Os grupos tratados com MCA por pulverização (A) e por inoculação endoesofágica (B) reduziram a excreção fecal de Se a níveis não detectáveis (Tab. 1), tornando-os significativamente distintos dos grupos C, D e E.

O grupo F apresentou o maior peso corporal, diferindo significativamente de todos os grupos, exceto do grupo C. Este, por sua vez, diferiu significativamente do grupo E, e os demais grupos não diferiram entre si (Tab. 2).

 

 

DISCUSSÃO E CONCLUSÕES

A presença nas fezes e a colonização dos cecos de pintos de corte por Se foi acentuadamente reduzida nos grupos tratados com MCA, especialmente por pulverização e inoculação endoesofágica, concordando com os achados de outros autores (Corrier et al., 1990; Ziprin et al., 1991; Kogut et al., 1994; Andreatti Filho et al., 1997). Neste estudo, também demonstrou-se que a vacinação contra a coccidiose não teve efeito inibitório na ação de proteção da MCA sobre a Se. Desse modo, pode-se concluir que a associação MCA/vacina contra coccidiose pode ser utilizada sem que haja comprometimento na eficácia da MCA. Nos grupos que não receberam MCA, vacinados ou não contra coccidiose e desafiados com Se, houve aumento da colonização cecal e da excreção fecal da amostra-desafio.

Kogut et al. (1994) demonstraram que a ação protetora da MCA, associada ou não a lactose, sobre a colonização de S. typhimurium nos cecos não é afetada pela infecção coccidiana, mesmo em altas doses de E. tenella, reproduzindo o quadro de coccidiose clínica, inclusive com o aparecimento de lesões cecais.

Embora não significativo, o número de UFC nos cecos das aves tratadas com MCA por pulverização ou por inoculação endoesofágica foi inferior ao observado nos cecos das aves tratadas com MCA na água de bebida. Esse fato provavelmente resultou em significativa diferença na quantidade de Se nas fezes do grupo C (2,7 UFC/grama de fezes) em relação aos grupos A e B, cujos índices não foram detectáveis.

As cepas de coccídias utilizadas na preparação das vacinas, embora isoladas do campo e com ciclos de reprodução completos, não são danosas às aves como ocorre com o desafio natural no campo. Devido aos danos no epitélio da mucosa do ceco após a infecção com E. tenella, esta pode ser a responsável pela maior susceptibilidade das aves à transmissão horizontal de Salmonella spp. (Arakawa et al., 1981; Baba et al., 1982). A infecção por S. typhimurium em galinhas pode ser aumentada pela ocorrência de infecções paralelas com E. tenella, E. acervulina, E. maxima (Takimoto et al., 1984) ou E. necatrix (Stephens & Vestal, 1966). O mesmo ocorreu em relação a Se com infecções por E. tenella ou E. adenoeides, esta última em perus (Tellez et al., 1993). Extensa invasão por S. typhinurium foi observada no epitélio ulcerado por E. tenella e ao redor das formas evolutivas da Eimeria no epitélio celular (Hikasa et al., 1982). A fase de gametogonia da E. tenella foi mais favorável à multiplicação da S. typhimurium do que a fase de esquizogonia em frangos de corte (Fukata et al., 1984).

A infecção do trato digestivo de frangos de corte por salmonelas paratifóides é mais eficaz e persistente no ceco e no inglúvio, nesta ordem, como demonstraram os resultados deste trabalho, locais de importância na patogenia das infecções paratifóides das galinhas (Hargis et al., 1995). A mucosa cecal é o local de maior colonização por Salmonella spp. e por outras espécies patogênicas da família Enterobacteriaceae, como Escherichia coli, quando comparado com outros locais do trato digestivo (Andreatti Filho et al., 1993) e sua colonização é utilizada como parâmetro para avaliar a eficácia de tratamentos contra salmonelose (Corrier et al., 1990). Essa característica relaciona-se com a presença de receptores específicos no órgão e com a fisiologia do peristaltismo cecal, que determinam maior tempo de permanência do bolo alimentar e pH, entre outros fatores (McHan et al., 1989).

O peso corporal do grupo que recebeu MCA na água de bebida foi significativamente distinto do grupo-controle positivo, não diferindo dos demais tratamentos. Como esse mesmo tratamento acusou a presença de 2,7UFC/grama de fezes, enquanto nos demais grupos tratados com MCA os índices de Se nas fezes não foram detectáveis, há indicação de que a presença de salmonelas paratifóides não interfere decisivamente na produtividade de frangos de corte, conforme já foi constatado por outro pesquisador (Silva, 1992).

Embora não tenha ocorrido variação significativa entre os grupos D e E em relação ao peso corporal, o grupo D apresentou melhor performance, demonstrando que a vacina não influenciou negativamente o ganho de peso das aves desafiadas com Salmonela enteriditis.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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