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Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia

Print version ISSN 0102-0935On-line version ISSN 1678-4162

Arq. Bras. Med. Vet. Zootec. vol.51 no.4 Belo Horizonte Aug. 1999

https://doi.org/10.1590/S0102-09351999000400010 

Involução uterina em um rebanho Gir leiteiro segundo o período pós-parto e o número de parições

(Uterine involution in dairy Gir cows, according to postpartum period and parity)

 

J.P. González Sánchez1, E. Bianchini Sobrinho2, A.A.M. Gonçalves2

1Fazenda Experimental Getúlio Vargas da EPAMIG
Caixa Postal 351
38001-970 - Uberaba, MG
2Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da UNESP-Jaboticabal

 

Recebido para publicação, após modificação, em 28 de maio de 1999.

 

 

RESUMO

Durante três anos, vacas Gir leiteiro da Fazenda Experimental da EPAMIG, em Uberaba-MG, foram examinadas, pela palpação retal, para verificação da involução uterina. Em 111 parições de 104 vacas, a involução dos cornos uterinos teve duração média de 29,7± 9,6 dias e, na maioria das vezes, a involução da porção cervical demorou mais do que 43 dias. O tempo de involução foi mais longo em vacas com maior número de partos. Na primeira semana, o útero permaneceu na cavidade abdominal (95,0%), na segunda teve início o retorno do órgão à pelve (8,2%), na terceira aconteceram os primeiros casos de involução completa dos cornos uterinos (20,6%) e na sexta semana, a maior parte das vacas apresentavam involução completa (82,9%). Foram constatados seis casos de permanência do útero em involução na cavidade abdominal e oito casos de localização pélvico/abdominal na quinta semana após o parto, detectados somente em vacas pluríparas. Observaram-se 19 casos de retrocesso na seqüência natural das fases de involução. O retrocesso do útero para a cavidade abdominal só ocorreu em vacas com problemas sanitários. Em sete vacas com metrite, verificou-se prolongamento do tempo médio de involução dos cornos uterinos e aumento do diâmetro cervical em relação às demais vacas do rebanho.

Palavras-Chave: Bovino, puerpério, involução uterina, cérvix, número de partos

 

ABSTRACT

Uterine involution of 111 calvings of 104 dairy Gir cows, checked by rectal palpation, was studied. Uterine involution averaged 29.7± 9.6 days, and cervical involution delayed more than 43 days. In both cases, time of involution increased with parity. In the first postpartum week uterus remained in abdominal cavity (95.0%) and in the second week uterus initiated its return to the pelvic cavity (8.2%). In the third week 20.6% had completed uterine involution. The total involution was identified in 82.9% of the cows, in the sixth week. Some cases of involuting uterus still remained in abdominal (n=6) or abdominal/pelvic (n=8) cavity, after the fifth postpartum week, observed only in multiparous cows. In 19 cows was detected retrocession of natural sequence of uterine involution phases. Uterus retrocession to abdominal cavity was observed only in cows with sanitary problems. In seven cows with metritis, uterine time of involution was longer and enlargement of cervix was also observed.

Keywords: Cattle, puerperium, uterine involution, cervix, parity

 

 

INTRODUÇÃO

Após o parto, ocorre uma série de modificações mediante as quais há uma recuperação das condições anatomo-fisiológicas originais do trato genital, provisoriamente alteradas para levar a termo a prenhez (Rasbech, 1950). Essas modificações, mais evidentes no útero, podem apresentar anormalidades que, mais tarde, comprometem a fertilidade ou mesmo podem provocar esterilidade da vaca (Morrow et al., 1969; Fonseca et al.,1983; Oltenacu et al., 1983). É, portanto, da maior importância conhecer as características normais da involução do útero e a identificação precoce dos processos patológicos que podem afeta-las.

Pesquisas sobre o tempo de involução uterina mostram divergências, às vezes consideráveis, entre animais da mesma raça ou de raças diferentes. A partir da década de 1970, os critérios utilizados pelos diversos autores para avaliar a involução uterina consistem, basicamente, em verificar o tempo de retorno do útero à posição normal na cavidade pélvica, e em estudar a recuperação do tamanho e da simetria dos cornos uterinos e do restabelecimento da consistência e do tônus uterino, determinados pela palpação retal. Alguns trabalhos verificaram que a involução uterina ocorre entre 20 e 28 dias após o parto em raças européias de leite (Morrow et al., 1969; Donkin, 1980a; Fonseca et al., 1983; Heinonen et al., 1988), entre 26 e 30 dias em mestiças (Araújo et al., 1974; Lara, 1986) e entre 24 e 32 dias em raças Zebus (Rao & Rao, 1980; Eduvie, 1985; Nogueira et al., 1993). Em raças européias, segundo Garcia & Larsson (1982), 85% dos animais completaram a involução uterina até o 42º dia pós-parto.

O número de partos da vaca é o fator de maior influência na involução uterina. A maior parte dos trabalhos descreve tendência de aumento de tempo de involução à medida que aumenta o número de partos em raças européias de leite (Morrow et al., 1969; Vasconcelos et al., 1993) e em gado de corte (Izaike et al., 1986). Menor tempo de involução uterina em vacas com menor número de partos são também descritos em outras raças por Rasbech (1950), Francis & Raja (1971) apud Rao & Rao (1980), Araújo et al. (1974), Bügner (1981), Kozicki (1984), Eduvie (1985), Miettinen (1991). Em vacas leiteiras mestiças, a correlação entre o tempo de involução uterina e o número de partos foi significativa (r=0,88; Araújo et al., 1974). Segundo Kudlack (1988) e Nogueira et al. (1993), a involução uterina foi praticamente igual em vacas primíparas e multíparas ou foi até menor à medida que aumentou o número de partos (Heinonen et al., 1988; Kuni & Pirinen,1989).

O tempo de retorno do útero à cavidade pélvica, que representa uma fase de involução de fácil comprovação clínica, em vacas Finnish Ayrshire e Finnish Friesian, foi de 23,0, 20,2 e 16,6 dias após o primeiro, segundo e terceiro partos, respectivamente (Heinonen et al., 1988) e de 16,4 e 15,7 dias após o primeiro e terceiro partos, respectivamente, em vacas Finnish Ayrshire, Friessian e Finncattle (Miettinen,1991).

Segundo Morrow et al. (1969), houve tendência de aumento do diâmetro da cérvix à medida que aumentava o número de partos, em vacas leiteiras de raças européias. Essa diferença foi maior entre o primeiro e o sexto parto, no 10º (5,8 vs 7,0cm) e no 20º dia pós-parto (3,9 vs 4,9cm). A mesma tendência de aumento cervical em vacas com maior número de partos foi observada por outros autores, quando compararam vacas primíparas e pluríparas da raça Holstein (Oltenacu et al., 1983; Stewart & Stevenson, 1987) e vacas de primeira e terceira parição das raças Finnish Ayrshire e Finncattle (Miettinen, 1991). Segundo Rao & Rao (1980), a involução da cérvix de vacas Ongole puras e mestiças não foi influenciada pelo número de parições.

Vários trabalhos mostraram que a involução uterina foi mais rápida nos cornos do órgão do que na sua porção cervical. Em vacas leiteiras de raças européias, Morrow et al. (1969) observaram 25 dias para a regressão dos cornos uterinos e 30 dias para a regressão da cérvix, em vacas Ongole puras e cruzadas com Jersey, Brown Swiss ou Hostein Friesian, Rao & Rao (1980) encontraram 31,62 e 39,33 dias, e em vacas Finnish Ayrshire e Finnish Friesian, Miettinen, (1991) verificaram no segundo parto 30,3 e 33,3 dias e no terceiro parto 25,7 e 30,0 dias, respectivamente. Os resultados de Fonseca et al. (1983) na raça Holstein e de Nogueira et al. (1993) em zebuínos mostram tempos de involução praticamente iguais para cornos uterinos e cérvix.

De acordo com Lindell et al. (1982), em gado europeu, o tempo médio de involução uterina não foi diferente em vacas sadias e vacas que tinham cistos nos ovários. Contudo, animais com endometrites prolongaram o tempo de involução.

O objetivo deste trabalho foi o de realizar acompanhamento clínico de vacas Gir leiteiro, em fase puerperal, para verificação da involução do útero e sua localização na região pélvica.

 

MATERIAL E MÉTODOS

O trabalho foi realizado no rebanho Gir leiteiro da Fazenda Experimental Getúlio Vargas da EPAMIG, em Uberaba (MG), entre janeiro de 1986 e dezembro de 1988. Neste período, pariram 237 vacas, 36 delas foram transferidas ou vendidas, interrompendo a seqüência de exames que deveria ser realizada na mesma vaca para a verificação de involução uterina em fases mais avançadas de lactação. Uma outra parcela de vacas também foi excluída do levantamento por exceder o número de animais que poderia ser examinado regularmente. Por esses motivos, podem-se notar divergências no número de observações das tabelas de resultados e um número reduzido de repetições.

Durante todo o período experimental, a disponibilidade de pastagens foi considerada deficiente em termos qualitativos e quantitativos, principalmente nas épocas de seca.

O arraçoamento das vacas em lactação foi realizado durante a ordenha com uma mistura de vários produtos, alguns produzidos na fazenda e outros comerciais, para a obtenção final de concentrado, com 18-22% de proteína bruta e 65-75% de NDT. No período de seca, as vacas recebiam, principalmente, silagem de milho ou sorgo e, ocasionalmente, outros volumosos existentes na fazenda (capim napier, cana), distribuídos à vontade, em cochos cobertos nos currais e em cochos individuais na sala de ordenha.

A produção de leite do rebanho foi, em média, de 1524± 670kg/lactação/cabeça e o período de lactação de 210± 82 dias. Estas informações incluíram todas as parições, até aquelas que resultaram em baixa produção, normalmente ignoradas para efeito de controle leiteiro (p.ex., vacas que "recusaram" ou perderam a cria após o parto e outras com problemas sanitários diversos).

A mineralização do rebanho e o combate a ecto e endoparasitos foram realizados rotineiramente.

Para o acompanhamento da involução uterina após o parto, foram feitos exames ginecológicos com intervalos de 7-14 dias, em todos os animais em lactação; à parte, foram repetidas com menores intervalos, uma ou mais vezes em cada animal, palpações retais que tinham suscitado dúvidas de diagnóstico no exame clínico anterior.

Examinaram-se 104 vacas com 111 parições. Considerou-se como concluída a involução quando se verificava o restabelecimento da simetria dos cornos entre duas palpações consecutivas, e a constatação de consistência e tônus uterino normais, independente da localização do órgão. Nesse caso, o número médio de dias entre duas palpações foi considerado como o término da involução.

Durante as nove primeiras semanas seguintes ao parto, foram realizadas 691 palpações retais para a verificação de modificações de localização do sistema genital, enquanto os cornos uterinos completavam a involução. Com essa finalidade, utilizaram-se códigos numerados que descreviam as seguintes situações: 1- útero abdominal não contornável, 2- útero abdominal não contornável a contornável, 3- útero abdominal contornável, 4- útero pélvico/abdominal, 5- útero pélvico hipertrófico e assimétrico, 6- útero pélvico hipertrófico e assimétrico com cornos uterinos involuídos, 7- útero pélvico com cornos uterinos quase involuídos, 8- útero e cérvix na cavidade abdominal. Nos códigos 5, 6 e 7 os cornos uterinos ultrapassaram ou não a borda cranial da pelve, mas a cérvix permanecia dentro da cavidade pélvica.

As modificações da cérvix foram constatadas mediante 668 palpações retais, durante os 79 primeiros dias após o parto, verificando-se a involução do diâmetro, até a repetição aproximada (± 0,5 centímetros) de duas medidas consecutivas.

Durante o período foram identificados sete casos de infecções do trato genital e um de prolapso vaginal, excluídos das análises. Outros problemas sanitários também não foram considerados nos cálculos, pois a involução uterina dos animais não pôde ser acompanhada até o fim (um caso de natimorto, um de retenção de placenta e quatro de mamite aguda). Demais ocorrências sanitárias registradas no período de coleta de dados foram: sete vacas que desenvolveram cistos ováricos, uma vaca com hipoplasia ovárica unilateral e outra que apresentava hipertrofia ou processo neoplásico em um dos ovários.

Para avaliação do tempo de involução dos cornos uterinos usou-se a análise de variância e o teste de Tukey para comparação entre médias.

 

RESULTADOS

A involução dos cornos uterinos teve duração média de 29,7± 9,6 dias, com amplitude de variação de 14 a 67 dias e coeficiente de variação de 31,3%.

A análise de variância e o teste de Tukey são apresentados nas Tab. 1 e 2. O efeito do número de partos sobre o tempo de involução dos cornos uterinos de vacas Gir leiteiro foi significativo (P<0,05). Observa-se menor duração da involução em vacas de primeira parição e a seguir, maior duração, principalmente após a quarta parição.

 

 

 

Sete vacas que apresentaram problemas de infecção no trato genital durante o puerpério tiveram tempo médio de involução dos cornos uterinos igual a 32,3 dias com amplitude de variação de 20 a 57 dias.

A freqüência de códigos utilizados para descrever a localização do sistema genital e a involução dos cornos uterinos, durante as nove primeiras semanas seguintes ao parto, estão resumidas na Tab. 3. As principais observações indicam que: na primeira semana, o útero permaneceu na cavidade abdominal (95,0 % das parições); na segunda semana, em alguns casos, o útero retornou à pelve (8,2% das parições); com o útero novamente localizado na cavidade pélvica, a involução completa dos cornos uterinos foi identificada em 20,6% das parições na terceira semana, em 53,7% na quarta semana e em 82,9% na sexta semana; na quinta semana, algumas vacas apresentavam o útero em involução ainda na cavidade abdominal (n=6) ou em transição entre a cavidade abdominal e pélvica (n=8), aparentemente sem que houvesse problemas. Estas ocorrências foram mais freqüentes à medida que aumentou o número de partos e não foram identificadas em vacas primíparas.

 

 

Em 19 vacas, constatou-se retrocesso nas fases de involução uterina identificadas pela palpação retal, isto é, algum indício de regressão relacionado com a consistência das paredes do útero, algum grau de hipertrofia ou assimetria dos cornos uterinos, o que provocou alternância dos códigos 6 e 7, verificada com maior freqüência em vacas de segundo parto. Os outros casos mostraram a possibilidade, incomum, de retrocesso do útero em várias fases de involução. O retorno deste para a cavidade abdominal ocorreu em apenas duas vacas com problemas sanitários (código 8).

Na Tab. 4 pode-se verificar aumento do diâmetro cervical à medida que aumenta o número de partos. A comparação destes dados com outros coletados em sete vacas com metrite indica, nestas últimas, aumento ainda maior do diâmetro cervical a partir da segunda semana pós-parto. Essa divergência no diâmetro da cérvix verificada entre vacas normais e vacas que apresentavam problemas sanitários foram evidentes a partir da terceira parição e acentuaram-se a partir daí.

 

 

Em todos os casos, a involução do útero foi mais demorada na cérvix do que nos cornos uterinos.

 

DISCUSSÃO

O tempo médio de involução verificado para os cornos uterinos em vacas Gir leiteiro, pela palpação retal, é semelhante a outros resultados obtidos em vacas Friesland (Donkin, 1980a), mestiças (Lara, 1986) e taurinas (Rao & Rao, 1980; Nogueira et al., 1993). Os resultados podem ser considerados maiores do que os encontrados em vacas de raças européias (Morrow et al., 1969; Fonseca et al., 1983; Heinonen et al., 1988), em vacas mestiças (Araújo et al., 1974) e em zebus (Bügner, 1981; Eduvie, 1985) ou nativas (Eduvie, 1985).

Entretanto, é oportuno esclarecer que a finalização do processo de involução dos cornos uterinos pelo exame retal é de difícil constatação, pois excluídos os problemas clínicos, alguma assimetria ou alteração da consistência perduram no corno uterino pré-grávido, com maior evidência em algumas vacas. Casos de retrocesso na seqüência de códigos utilizados para descrever a involução uterina, anteriormente citados em vacas Gir (do código 7 para o 6), podem exemplificar esta imprecisão. Conforme afirma Donkin (1980a,b), o processo de involução uterina é composto de duas fases, a primeira, mais rápida e fácil de constatar (até o 17o dia pós-parto) e a segunda, mais lenta e menos definida. Provavelmente, devido a este particular, alguns pesquisadores preferem limitar suas observações até uma determinada fase de pós-parto. Rasbech (1950) assinala médias de involução uterina, esclarecendo que nos prazos estudados as paredes do corno uterino pré-grávido ainda apresentavam engrossamento perceptível ao toque. As médias desse autor corresponderiam aos casos de involução uterina descritos aqui com o código 7 e alguns com o código 6. Dificuldades na delimitação do tempo de involução uterina, pelo exame clínico, são também mencionadas por Morrow et al. (1969) e Vasconcelos et al. (1993).

Uma eventual interferência de fatores hormonais, que dificultam o reconhecimento clínico de retorno à normalidade do útero em regressão não pode ser descartada, por coincidir com fases de pós-parto, durante as quais é freqüente a detecção de folículos maiores nos ovários. Conforme é conhecido, em fase extrapuerperal podem ser reconhecidas, pela palpação retal de vacas em cio, modificações caraterísticas de consistência, tônus e posicionamento dos cornos uterinos, provocadas pela ação dos estrogênios. A possibilidade desta interferência no tempo de involução uterina é citada por Morrow et al. (1969), os quais atribuem ao primeiro cio pós-parto um alargamento temporário da porção cervical do útero em regressão, identificado pelo toque retal.

Nas vacas estudadas, a tendência de aumento do tempo de involução dos cornos uterinos à medida que aumenta o número de partos confirma a maioria das pesquisas realizadas em raças de origem européia de leite (Morrow et al., 1969; Kozicki, 1984; Miettinen, 1991; Vasconcelos et al., 1993) ou de corte (Izaike et al., 1986), em animais mestiços (Araújo et al., 1974; Eduvie, 1985) e em zebus (Francis & Raja, 1971; Bügner, 1981; Eduvie, 1985). Algumas observações encontraram uma relação inversa entre o tempo de involução dos cornos uterinos e o número de partos (Kuni & Pirinen, 1989; Heinonen et al., 1988) e em outras o número de partos não interferiu significativamente no tempo de involução (Rao & Rao, 1980; Kudlack, 1988; Nogueira et al., 1993).

Quanto ao retorno do útero à cavidade pélvica, 82,9% das vacas o tiveram até o 42º dia pós-parto, próximo aos valores encontrados para Heinonen et al. (1988) e Miettinen (1991) em gado europeu, e aos 85% obtidos por Garcia & Larson (1982) em outras raças.

No presente trabalho, a tendência de aumento do diâmetro cervical verificada em vacas com maior número de partos confirma os resultados em bovinos de origem européia (Morrow et al., 1969; Oltenacu et al., 1983; Stewart & Stevenson, 1987; Mietinen, 1991).

Nas vacas Gir leiteiro, a involução uterina foi mais rápida nos cornos uterinos do que na cérvix, fato já observado em outros trabalhos (Morrow et al., 1969; Rao & Rao, 1980; Heinonen et al., 1988; Miettinen, 1991).

O prolongamento do tempo médio de involução dos cornos uterinos em vacas que apresentavam infecções genitais durante o puerpério confirmam as observações de Lindell et al. (1982) em raças européias. É interessante observar, ainda, que algumas vacas com esses problemas sanitários apresentaram tempos de involução próximos ao de vacas normais do rebanho, o que faz supor que o retardamento na involução depende da época em que ocorreu a infecção.

A involução uterina e o retorno do órgão à posição normal, mais demorada em fêmeas com maior número de partos, permitem explicar, em parte, a maior incidência de infecções do sistema genital em vacas mais velhas.

 

AGRADECIMENTOS

Aos Drs. Vanoli Fronza e Roberto Kazuhiko Zito, pesquisadores da EPAMIG, que auxiliaram a realização de cálculos cujos resultados constam nas Tabelas 1, 2 e 4.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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