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Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia

Print version ISSN 0102-0935On-line version ISSN 1678-4162

Arq. Bras. Med. Vet. Zootec. vol.52 n.1 Belo Horizonte Feb. 2000

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-09352000000100004 

COMUNICAÇÃO

Communication

Anticorpos contra o vírus da língua azul em bovinos do sertão da Paraíba

(Antibodies to bluetongue virus in bovines of Paraíba State, Brazil)

 

C.B. Melo1, A.M. Oliveira2, E.O. Azevedo3, Z.I.P. Lobato1, R.C. Leite1

1Escola de Veterinária da UFMG
Caixa postal 567
30123-970 - Belo Horizonte, MG
2Laboratório de Referência Animal – LARA / MAARA, Pedro Leopoldo – MG.
3Universidade Federal da Paraíba – Campus VII, DMV - CSTR, Patos – PB.

 

Recebido para publicação em 14 de julho de 1999.
E-mail: cristo12@starmedia.com

 

 

A língua azul (LA) é uma enfermidade causada por um orbivírus, transmitido por mosquitos do gênero Culicoides, e infecta ruminantes domésticos e selvagens. A doença manifesta-se basicamente em ovinos, mas os bovinos podem eventualmente apresentar os sinais clínicos da enfermidade. Em bovinos, a sintomatologia pode se manifestar como aborto, teratogenia, febre, lesões ulcerativas na mucosa da língua, lábios, palato dental e focinho, claudicação ou até mesmo passar como uma infecção inaparente (Radostits et al., 1994).

A doença tem sido relatada em países de clima tropical e subtropical (Gibbs & Greiner, 1988). No Brasil, a LA foi primeiramente relatada por Silva (1978) que descreveu anticorpos contra o vírus da língua azul (VLA) em ovinos e bovinos no Estado de São Paulo. Trabalhos posteriores mostraram que o VLA está amplamente disseminado entre as várias espécies de ruminantes criadas no país (Moreira et al., 1980; Abreu, 1982; Abreu et al., 1984; Cunha et al., 1987; Castro et al., 1992). Entretanto, na região Nordeste do Brasil há apenas o relato de Brown et al. (1989), registrando anticorpos contra LA em um caprino no Ceará, e o de Melo et al. (1999), registrando anticorpos contra a LA em bovinos de Sergipe. Na Paraíba, a presença da língua azul nunca foi relatada em bovinos e nem em outras espécies de ruminantes. Este trabalho relata a prevalência de anticorpos precipitantes contra o VLA em bovinos do sertão da Paraíba.

Em junho de 1997 foram coletadas 137 amostras de soro bovino provenientes de três municípios do sertão da Paraíba (Tab. 1). Foram amostrados bezerros e animais adultos de aptidões leiteira e de corte, pertencentes a 12 rebanhos. Para a pesquisa de anticorpos contra o VLA, as amostras foram submetidas ao teste de imunodifusão em gel-ágar (IDGA), segundo OIE (1992), com antígeno [Antígeno Ames - partida 638102]e soro positivo padrões. O número mínimo de amostras de soro (n=96) foi determinado utilizando prevalência crítica de 50%, intervalo de confiança de 95% e margem de erro de 10% (Thrusfield, 1986).

 

 

Das 137 amostras testadas, apenas seis (4,38%) foram positivas e os animais pertenciam a duas propriedades, ambas no município de São José do Bomfim. Numa, de 15 animais, cinco foram positivas e na outra, de 14, uma foi positiva. Nos municípios de Patos e São Mamede, nenhum dos rebanhos apresentou soropositividade (Tab. 1). O intervalo de confiança para a prevalência de anticorpos precipitantes contra o VLA em bovinos no sertão da Paraíba, em junho de 1997, foi de 3,94% a 4,82%.

Esse resultado foi inferior aos encontrados por Moreira et al. (1980), Abreu (1982) e Melo et al. (1999). Moreira et al. (1980) encontraram 74% de soropositividade em bovinos dos estados de Minas Gerais e São Paulo e Abreu (1982) encontrou soropositividade que variou de 15,97% a 32,5% em bovinos de vários estados da Região Norte do Brasil. Melo et al. (1999), em bovinos de matadouro do Estado de Sergipe, encontraram 89% de soropositividade. No entanto, Cunha et al. (1987) encontraram 1,2% de soropositividade em bovinos do Rio Grande do Sul, taxa inferior à descrita neste trabalho.

A temperatura e a umidade do sertão dificultam a proliferação do mosquito, o que representa, provavelmente, a melhor explicação para a baixa prevalência de anticorpos encontrada. A presença do Culicoides sp. nunca foi registrada na região amostrada. A importação e o intenso trânsito de animais podem ter, provavelmente, contribuído para a presença do VLA em regiões nordestinas. Entretanto, maiores estudos devem ser realizados com o propósito de esclarecer a importância da doença nesses rebanhos, bem como a presença de mosquitos vetores no sertão da Paraíba.

Palavras-chave: Bovino, língua-azul, anticorpo

 

ABSTRACT

In June of 1997 the prevalence of antibodies to bluetongue virus was between 3.94 and 4.82% in 137 bovine serum samples from 12 herds in Paraiba State, Brazil. This is the first report of antibodies to bluetongue virus in Paraiba State herds.

Keywords: Bovine, bluetongue, antibody

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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