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Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia

Print version ISSN 0102-0935On-line version ISSN 1678-4162

Arq. Bras. Med. Vet. Zootec. vol.52 n.2 Belo Horizonte Apr. 2000

https://doi.org/10.1590/S0102-09352000000200016 

Desempenho de coelhos em crescimento recebendo dietas com suplementação enzimática

[Perfomance of growth rabbits fed diets with enzimatic supplementation]

 

S.S. Valente1, G.S. Santiago2, W.M. Ferreira3*, J.C.C.A. Dias4

1Mestrando, Escola Veterinária da UFMG
2Faculdade de Veterinária da UECE
3Escola Veterinária da UFMG
Caixa Postal 567
30123-970 – Belo Horizonte, MG
4Médico Veterinário - Ministério da Agricultura/ DFA-MG

 

Recebido para publicação, após modificações, em 18 de novembro de 1999.
*Autor para correspondência
E-mail: waltermf@vet.ufmg.br

 

 

RESUMO

Avaliou-se o crescimento de coelhos que receberam dietas com teores crescentes de um complexo enzimático (Vegpro®), com atividades protease e celulase. Foram utilizados 75 coelhos da raça Nova Zelândia Branco, desmamados aos 40 dias de idade e criados até aos 80 dias de idade, com peso médio de 931±34,85g, distribuídos em cinco tratamentos: A-0,00; B-0,05; C-0,10; D-0,15 e E-0,20% de suplementação enzimática. Não foram encontradas diferenças significativas (P>0,05) entre os tratamentos quanto ao consumo de ração e ao ganho de peso diário, no entanto, para a conversão alimentar o tratamento B (0,05%) foi significativamente diferente (P<0,05) do grupo controle e semelhante aos demais tratamentos. O peso da carcaça ao abate foi maior (P<0,05) nos coelhos que receberam a dieta suplementada com 0,05%, enquanto o rendimento de carcaça não foi afetado pela suplementação enzimática.

Palavras-chave: Coelho, alimentação, enzima, peso da carcaça

 

ABSTRACT

The objective of this work was to evaluate the weight gain, feed intake, feed conversion, carcass weight and carcass yield of rabbits fed on diets supplemented with increasing levels of an enzyme complex (Vegproâ) of protease and cellulase activities. Seventy-five New Zealand White rabbits were weaned by 40 days of age, being separated at random into 5 treatments, according to the level of enzyme supplementation: A-0.,00; B-0.05; C-0.10; D-0.15 and 0.20%. No significant difference (P<0.05) was observed among treatments for feed intake and daily gain. For feed conversion the only significant (P<0,05) difference was between control and treatment B. Carcass weight were significantly (P<0.05) heavier for animal under diet B (0.05% enzimatic complex) whereas carcass yield did not experience any enzimatic effect.

Keywords: Rabbits, enzyme, growth performance, carcass weight

 

 

INTRODUÇÃO

O conceito de adição de enzimas microbianas aos alimentos dos animais é bem conhecido e, ao longo de várias décadas, muitas pesquisas têm sido desenvolvidas com a finalidade de aumentar a digestibilidade e utilização de nutrientes (Graham & Inborr, 1991). Segundo Piquer (1996), a suplementação de enzimas exógenas à alimentação de não ruminantes pretende suprir as deficiências enzimáticas dos animais para melhor utilização de matérias-primas e permitir o uso de alimentos alternativos. Assim, em aves tem-se estudado a utilização de enzimas com atividades de ß-glucanase, xilanase e fitase que permita a utilização mais eficiente de ingredientes como cevada e trigo. Em suínos, pesquisas sobre a suplementação enzimática também têm sido feitas, no entanto, os resultados são ainda contraditórios (Rotter, 1990). No caso dos coelhos, embora algumas pesquisas tenham sido feitas para se estudar a atividade de enzimas hidrolíticas endógenas (Marounek et al., 1995; Deshmukh et al., 1997), é muito escassa a literatura sobre a suplementação de enzimas exógenas à dieta desses animais. O objetivo deste trabalho foi o de avaliar o efeito da suplementação enzimática em dietas de coelhos em crescimento sobre características de crescimento e de rendimento de carcaça.

 

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi realizado no período de dezembro de 1997 a janeiro de 1998. Foram utilizados 75 coelhos da raça Nova Zelândia Branco, desmamados aos 40 dias de idade, com peso médio inicial de 931±34,85g, alojados individualmente em gaiolas de arame galvanizado, com 0,60´ 0,60´ 0,37m, dispostas em galpão de alvenaria e providas de comedouro e bebedouro, o que permitiu o livre acesso ao alimento e água.

Durante o período experimental foram oferecidas, ad libitum, cinco dietas peletizadas calculadas para serem isoprotéicas, isoenergéticas e isofibrosas e com variação nos níveis de inclusão de um complexo enzimático1 com atividades protease e celulase, definindo os seguintes tratamentos A-0,00; B-0,05; C-0,10; D-0,15 e E-0,20% de suplementação desse complexo. Para formulação das dietas experimentais foram usados dados extraídos de Rostagno et al. (1994), De Blas (1989), Tabelas... (1991) e Ferreira et al. (1995). Nas Tab. 1 e 2 encontram-se a composição percentual e química das dietas experimentais, respectivamente.

 

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1Premix de vitaminas e minerais da Vaccinar Ltda: Se (0,10mg); I(0,40mg); Fe(40mg); Cu(10,00mg); Mn(40,00mg); Zn(50,00mg); Vit.A(10.000UI); Vit. D3(1.000UI); Vit.E(15,00mg); VitB12(10,00mg); Vit.K3(2,00mg); Tiamina(2,00mg); Riboflavina(5,00mg); Piridoxina(3,00mg); Niacina(30,00mg) Ácido Pantotênico(15,00mg); Colina(500,00mg) e Ácido fólico(0,50mg).

1Complexo enzimático Vegproâ , produzido pela Alltech do Brasil Agroindustrial Ltda.

 

 

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Os efeitos dos diferentes tratamentos foram avaliados sobre o ganho de peso, consumo de ração e conversão alimentar da desmama ao abate (40 a 80 dias de idade). O ganho de peso médio diário individual foi obtido pela diferença entre o peso inicial e final dividido pelo número de dias do experimento. O consumo médio diário de ração foi obtido pela diferença entre a quantidade fornecida durante o período experimental e as sobras contidas nos comedouros, dividindo-se esses valores pelo número de dias do experimento. A conversão alimentar foi calculada pelo quociente entre o consumo de ração e o ganho de peso de cada animal.

O peso da carcaça foi obtido após evisceração e degola de cada animal. O rendimento de carcaça foi obtido dividindo-se o seu peso pelo peso do animal antes do abate, multiplicando-se o resultado por 100.

As análises químicas foram realizadas no laboratório de nutrição animal do Departamento de Zootecnia da EV-UFMG. As análises de matéria seca, fibra bruta e proteína bruta foram feitas de acordo com os métodos descritos por AOAC (1995). O teor de fósforo foi determinado por colorimetria e o de cálcio por permanganatometria. A análise dos componentes da parede celular (fibra em detergente ácido) foi realizada seguindo-se as recomendações de Van Soest (1967) e Van Soest et al. (1991).

O delineamento experimental foi o inteiramente ao acaso com cinco tratamentos e 15 repetições por tratamento. As análises estatísticas foram feitas pelo General Linear Model (GLM) do pacote estatístico SAS (SAS, 1996) e as médias comparadas pelo teste de Duncan ao nível de 5% de significância. Utilizou-se o seguinte modelo estatístico:

Yij = M + Ti + Eij, em que:

Yij = variável observada referente ao animal j no tratamento i

M = média geral da variável observada

Ti = efeito do tratamento i, i= nível de suplementação enzimática

Eij = erro inerente ao animal j no tratamento i

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os valores de consumo diário de ração, ganho de peso diário e conversão alimentar são mostrados na Tab.3. Observou-se que apenas para conversão alimentar houve diferença significativa (P<0,05), sendo o tratamento B (2,86) superior ao tratamento controle A (3,27) e idêntico aos demais tratamentos. Trabalhando com aves, Mendes et al. (1981), Volker & Tuller (1993), Schutte et al. (1993) e Zanella et al. (1998) observaram melhora na conversão alimentar mediante suplementação enzimática, embora Costa et al. (1998) não tenham observado efeito dessa suplementação sobre características produtivas. Collier & Hardy (1986) apud Rotter (1990), trabalhando com suínos, observaram significativa melhora no ganho de peso diário e na conversão alimentar, quando os animais receberam uma mistura enzimática contendo protease, a-amilase e b-amilase.

 

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Os trabalhos com suplementação enzimática a dietas de coelhos são escassos na literatura especializada e apresentam resultados contraditórios. Tor-Agbidye et al. (1992) e Fernandez et al. (1996) relataram que não foi encontrado qualquer efeito benéfico com a suplementação de diferentes enzimas à dieta de coelhos. Os autores argumentaram que as hidrolases necessárias para utilização dos nutrientes estão disponíveis em quantidades suficientes no trato digestivo dos coelhos. Bolis et al. (1997) encontraram efeito negativo quando protease e glicosidase foram adicionadas às dietas.

Segundo o modelo proposto para a cinética enzimática, a velocidade das reações catalisadas aumenta com o aumento da concentração da enzima, para um excesso de substrato (Stryer, 1992; Champe & Harvey, 1996). Esse modelo foi proposto a partir de estudos com enzimas purificadas e usando metodologias in vitro. De acordo com esse modelo, poder-se-ia esperar, teoricamente, que o aumento da concentração da enzima pudesse intensificar a transformação dos substratos, com subseqüente utilização dos nutrientes liberados e, conseqüentemente, refletindo em melhora no desempenho produtivo, fato não observado nesta pesquisa. Segundo Morgan et al. (1993) apud Fraiha et al. (1997), existe uma dose ótima de suplementação enzimática em função da concentração do substrato. A existência de um ponto de melhor inclusão da enzima (para conversão alimentar) sugere que ela não foi capaz de manter seu efeito além desse ponto, provavelmente, por desequilíbrio da relação enzima-substrato, de modo que suplementação acima de 0,05% não foi capaz de suportar resposta satisfatória dos animais quanto ao desempenho. Por outro lado, quando se deseja estimar o efeito de enzimas em estudos in vivo, como no caso desta pesquisa, os resultados são de difícil interpretação, por possíveis interações das enzimas com outros fatores dietéticos, como, por exemplo, componentes do premix, além do fato de a atividade enzimática estar sujeita a marcada influência das condições do trato gastrointestinal, especialmente variação nos valores de pH.

Os valores médios de peso e rendimento de carcaça ao abate são mostrados na Tab. 4.

 

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Houve efeito significativo (P<0,05) apenas para peso da carcaça, sendo o tratamento B (1269,64g) superior ao tratamento E (1178,33g) e idêntico aos demais tratamentos. Pela análise dos dados pode-se observar que, na medida em que aumentou os níveis de suplementação do complexo, o rendimento de carcaça tendeu a diminuir, sendo o tratamento E (maior nível de suplementação), inclusive, inferior à dieta A, sem suplementação enzimática. Os resultados diferem daqueles achados por Costa et al. (1998) que relataram melhora no rendimento de carcaça pelo uso de um complexo enzimático contendo carboidrase e protease, em frangos de corte.

 

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