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Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia

versión impresa ISSN 0102-0935

Arq. Bras. Med. Vet. Zootec. v.52 n.3 Belo Horizonte jun. 2000

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-09352000000300013 

Produção de milho em cultivo exclusivo ou consorciado com soja e qualidade de suas silagens

[Forage production and silage quality of corn plant consortiated or not with soybean]

 

B. Lempp1, M.G. Morais2, L.C.F. Souza1

1Centro Universitário de Dourados - Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).
Caixa Postal 322
79 804- 970 – Dourados, MS
2Departamento de Produção Animal da UFMS
Campo Grande - MS

 

Recebido para publicação, após modificações, em 3 de setembro de 1999.

 

 

RESUMO

Com o objetivo de produzir silagens mais protéicas, foram testados quatro cultivares de soja consorciados com milho em dois arranjos culturais: linhas alternadas de milho e soja ou linha de milho alternada com duas linhas de soja, em delineamento de blocos ao acaso. Mediram-se as produções de MS e de PB e determinou-se a qualidade das silagens. A produção de MS e de PB não foi aumentada no arranjo com maior concentração de soja. As silagens apresentaram reduzido teor de MS, pH normal e elevada porcentagem de PB. Foi recomendado para a região o arranjo alternado de linhas de milho e soja, utilizando os cultivares Dourados e Ocepar-9 e também que o corte das forrageiras para ensilagem fosse mais tardio, quando o milho estivesse no estádio fisiológico de farináceo para semiduro.

Palavras-Chave: Milho, soja, parte aérea, silagem

 

ABSTRACT

To yield good quality silages, four soybean cultivars were tested within two cropping systems: 1- alternate rows of soybean and corn, and 2- alternate two rows of soybean and one row of corn. Dry matter and crude protein production and chemical composition of silages were determined. No difference was observed in relation to dry matter and crude protein production between the cropping systems. All experimental silages had low dry matter, normal pH and high crude protein. It was recommended the corn-soybean alternate row cropping system using Dourados and Ocepar-9 cultivars. Harvest should be made when corn reaches medium dough to milk-hard dough stage.

Keywords: Corn, soyabean, aerial part, silage

 

 

INTRODUÇÃO

O uso de silagem como volumoso na época seca é uma prática bastante conhecida dos criadores de gado leiteiro e na engorda de bovinos de corte em confinamento. Dentre as forrageiras ensiladas, o milho (Zea mays) se destaca por oferecer teores mais elevados de carboidratos solúveis essenciais para acelerar a fermentação láctica, altos rendimentos de matéria seca (MS)/hectare e adaptação às condições tropicais.

A silagem de milho apresenta algumas limitações no balanceamento das dietas de ruminantes tais como baixos teores de proteína bruta (PB), conforme demonstrado por Motta et al. (1980) e por Evangelista et al. (1984), e de NDT que resultam em baixo consumo de MS (Pizarro & Nogueira, 1978) e diminuição da digestibilidade da MS e da PB (Gonçalves et al., 1978).

Para elevar o teor de MS tem-se recomendado o corte do milho quando o grão se encontra do ponto farináceo para semiduro (Lavezzo et al., 1997). Esses autores observaram que o milho cortado no ponto leitoso ou de pamonha continha menor teor de MS, restringindo portanto o consumo de MS. Para elevar o teor protéico destacam-se como aditivos as fontes de nitrogênio não protéico (NNP), como a uréia, em quantidades limitadas, para não interferir no pH e no consumo de MS. Têm-se intensificado os estudos da associação de milho com leguminosas anuais de porte ereto, recomendada desde que dificuldades operacionais (embuchamento) na colheita mecânica sejam sanadas. Nesse caso, destacam-se os trabalhos que usam a soja (Glycine max) como os de Martins & Rodriguez (1979), Evangelista et al. (1983, 1991), Zago et al. (1985) e Obeid et al. (1992, 1992a). Entretanto, dependendo da concentração de soja na consorciação com o milho, poderá ocorrer redução do nível de carboidratos solúveis e elevado poder tamponante, que prejudicam a fermentação láctica e diminuem o pH (Lopes, 1975). A adição de altas concentrações de soja (10-50%) associadas ao milho elevou os teores de PB, Ca e P, porém reduziu o teor de MS e elevou o pH das silagens (Eichelberger et al., 1997), porém não influiu na DIVMS.

Evangelista et al. (1988, 1991) concluíram que 70% de soja consorciada com milho proporcionaram maiores consumos de MS e PB em ovinos e que o rendimento forrageiro não foi alterado pela presença da soja nos arranjos culturais. Entretanto, Obeid et al. (1985) e Gomide et al. (1987) afirmaram que houve dificuldade de se obter grande número de plantas de soja quando em consórcio com milho.

Este trabalho teve como objetivos medir a produção de MS e PB do milho solteiro ou consorciado com diferentes cultivares de soja e estudar a composição química das silagens.

 

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi constituído de quatro ensaios instalados na Fazenda Campo Belo, Município de Dourados, em dois anos agrícolas. No primeiro ensaio, realizado no primeiro ano, em um delineamento de blocos ao acaso com cinco tratamentos e quatro repetições, estudou-se a produção de MS do milho AG 405 e de dois cultivares de soja (Doko e Dourados) distribuídos em dois arranjos culturais descritos a seguir: T1=1 linha de milho+1 linha de soja Doko; T2=1 linha+2 linhas de soja Doko; T3=1 linha de milho+1 linha de soja Dourados; T4=1 linha de milho+2 linhas de soja Dourados e T0=1 linha de milho. Após o preparo do solo efetuou-se a semeadura, utilizando-se semeadora Semeato 2700 PH. Nos tratamentos de 1 a 4, usou-se espaçamento de 0,60m e no T0 0,90m, visando obter densidade de semeadura de sete plantas de milho e 30 plantas de soja por metro linear.

A adubação foi feita junto com a semeadura e foram usados 200kg de superfosfato simples de acordo com a análise de solo, classificado como latossolo roxo distrófico. Cada bloco continha cinco parcelas com área útil de 48m2 A bordadura foi eliminada, descartando-se uma fileira de cada lado e 0,5m em cada extremidade. Nos tratamentos consorciados uma parcela de cada tratamento foi sorteada e cortada manualmente e as produções de milho e soja foram pesadas, separadamente, para estimar a contribuição percentual de MS das culturas no arranjo cultural. As demais parcelas foram colhidas e picadas por ensiladeira tipo Penha e suas produções de MS foram medidas. Amostras do material picado foram colhidas para determinação do teor de MS e da PB (AOAC, 1970).

No segundo ensaio no primeiro ano, após corte (90 dias) e pesagem das unidades experimentais do ensaio 1, a matéria verde picada foi utilizada para enchimento de silos. Utilizou-se um delineamento experimental inteiramente ao acaso com três repetições. Os tratamentos foram os mesmos do ensaio. Cada silo foi constituído de uma manilha de concreto com capacidade de 500kg, arranjadas em baterias, a céu aberto, com palha no fundo. Foram enchidos manualmente, compactados com os pés e com soquete de madeira, vedados com lona preta e uma fina camada de terra. Decorridos 85 dias após a vedação, foram abertos, eliminando-se a camada superior e as porções laterais e então três amostras/silo foram retiradas para a dosagem de pH em água, MS e PB.

No terceiro ensaio, realizado no segundo ano, foram incluídos mais dois cultivares de soja, Ocepar-9 e Cristalina. Utilizando-se o mesmo delineamento do ensaio1, foi medida a produção forrageira dos seguintes tratamentos: T1=1 linha de milho+1 linha de soja Doko; T2=1 linha de milho+2 linhas de soja Doko; T3=1 linha de milho+1 linha de soja Dourados; T4=1 linha de milho+2 linhas de soja Dourados; T5=1 linha de milho+1 linha de soja Ocepar-9; T6=1 linha de milho+2 linhas de soja Ocepar-9; T7=1 linha de milho+1 linha de soja Cristalina; T8=1 linha de milho+2 linhas de soja Cristalina e T0=1 linha de milho.

A semeadura foi feita com 200kg de superfosfato simples após o preparo do solo, visando obter sete plantas de milho e 30 de soja por metro linear, utilizando-se espaçamento de 0,70m nos tratamentos consorciados com soja (T1 a T8) e 0,90m para o milho (T0). As parcelas mediram 10m´10m, considerando-se área útil de 64m2. Os cortes foram feitos entre 90 e 100 dias. Para obter as produções separadas para o milho e a soja, o corte foi manual e o material foi picado por ensiladeira, pesado e amostrado para dosagens de MS e PB. Para avaliar a composição de MS e PB das culturas puras do milho e dos cultivares de soja, cinco amostras/cultura foram formadas e avaliadas, estatisticamente, como inteiramente ao acaso.

No quarto ensaio, após a pesagem individual das linhas de milho e de soja no ensaio 3, duas repetições/tratamento foram sorteadas, homogeneizadas e utilizadas para o enchimento de nove silos com capacidade de 500kg cada. O delineamento experimental foi o inteiramente ao acaso. Foram usados os mesmos procedimentos de distribuição, localização, enchimento, vedação e amostragens do ensaio 2. A abertura dos silos ocorreu após cinco meses e foram analisados pH em água, MS e PB.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A produção de MS e a composição percentual da soja nos diversos arranjos culturais para os dois anos estudados são apresentados na Tab.1. Tanto no primeiro como no segundo ano agrícola a porcentagem de MS do milho e dos tratamentos com soja foi semelhante. O mesmo foi obtido com a produção de MS (t/ha). Não houve diferença (P>0,05) entre os cultivares Doko e Dourados com uma ou duas linhas da leguminosa nos arranjos no primeiro ano. No segundo ano o T6 (1 linha de milho+2 linhas de soja Ocepar-9) apresentou maior concentração de MS em relação ao T4 (1 linha de milho+2 linhas de soja Dourados), porém os resultados não se confirmaram na produção de MS (t/ha), evidenciando que os rendimentos dos cultivares tenderam a ser diferentes, pois se fossem iguais, o tratamento com maior porcentagem de MS conteria maior tMS/ha. A única diferença significativa na produção de MS ocorreu entre T1 e T2 com o cultivar Doko, mostrando que o aumento de participação da leguminosa no consórcio reduziu o rendimento de MS.

 

 

Observa-se que a porcentagem de soja nos arranjos culturais foi superior naqueles com 2 linhas de soja (T2, T4, T6 e T8) em comparação aos de 1 linha (T1, T3, T5 e T7). Entretanto, nos arranjos com 2 linhas, a variação foi de 34,48 a 43,67%, enquanto que nos de uma linha de soja, a variação foi de 9,71 a 25,18%. Tais resultados evidenciaram dificuldades no estabelecimento de elevado índice de plantas de soja/metro linear nos arranjos culturais estudados e que já foram registrados por Obeid et al. (1985) e Gomide et al. (1987). Pode também ser notado que nos arranjos com 1 linha de milho+2 linhas de soja a produção foi menor que naqueles de 1 linha de milho+1 linha de soja, nos dois anos agrícolas, mostrando uma tendência de rendimentos inferiores de MS da soja em relação ao milho exclusivo. O mesmo efeito pode ser observado nas médias com soja. Comparando os anos agrícolas, foi observado que os rendimentos de MS no segundo ano foram inferiores aos do primeiro ano, inclusive para o milho solteiro.

Os rendimentos obtidos no primeiro ano foram semelhantes aos de Obeid et al. (1992a). Não houve diferença entre a produção do milho solteiro e em consórcio com a soja anual, mas os do segundo ano agrícola foram inferiores.

As produções de milho nos dois anos foram inferiores às obtidas por Gomide et al. (1987) tanto com milho de porte normal ou anão quanto no seu consórcio com soja anual. A produção de MS/ha do milho no primeiro ano foi semelhante à de Lavezzo et al. (1997) de 9,87 e 9,90 t/ha, com o milho nos pontos farináceo e semiduro, mas o valor do segundo ano foi bastante inferior às 7,46t obtidas com o milho no ponto leitoso obtidas pelos mesmos autores. Quanto à porcentagem de MS, os valores de 27,75% e 27,50% foram equivalentes aos 27,37%MS registrados por Lavezzo et al. (1997) no ponto de pamonha e não no farináceo (29,98%MS) e inferiores àqueles de Evangelista et al. (1983) com milho solteiro (35,63%) e consorciado com soja (35,82%) no arranjo 1 linha milho+1 linha soja.

O reduzido valor na produção de MS das leguminosas no segundo ano poderia, possivelmente, ser devido à mudança no espaçamento (0,70m) em relação ao ano anterior (0,60m), porém o milho foi mantido em 0,90m entre linhas e reduziu em 59% a produção de MS.

Na Tab.2 são apresentadas a concentração e a produção de PB (kg/ha) dos arranjos. A porcentagem de PB do milho (T0) foi semelhante (P>0,05) aos tratamentos T1 e T3 que utilizaram os cultivares Doko e Dourados no primeiro ano. Com 1 milho+2 soja a porcentagem de PB foi significativamente maior em relação ao milho. No entanto, os resultados entre todos os tratamentos quanto à produção de PB/ha foi semelhante. Isso novamente evidencia a influência da variada participação da soja e dos níveis mais reduzidos de MS pela leguminosa. No segundo ano, a produção de PB/ha foi igual entre os tratamentos que continham soja e milho solteiro.

 

 

Considerando o rendimento de PB do milho nos tratamentos consorciados, pode ser notado que os tratamentos com arranjo 1 milho+1 soja (T1, T3, T5 e T7) produziram igual (P<0,05) quantidade de PB/ha que o milho exclusivo (T0). Os arranjos 1 milho+2 soja reduziram significativamente a produção de PB do milho nas consorciações.

Referindo-se à produção dos diversos cultivares de soja nos arranjos, observou-se que o Ocepar-9 no T6 (1 milho+2 Ocepar-9) produziu significativamente maior quantidade de PB/ha, seguida pelos T4 (1 milho+2 Dourados) e T8 (1 milho+2 Cristalina). O cultivar Doko produziu igual quantidade de PB seja no arranjo 1 milho+1 soja ou no 1 milho+2 soja e no T7 (1 milho+1 Cristalina) foi menor a produtividade de PB. No entanto, as mais elevadas concentrações de soja nos tratamentos consorciados (1 milho+2 soja), somados com a produção de PB do milho nos arranjos, não foram capazes de superar (P>0,05) a produtividade protéica do milho solteiro. Porém, pode ser observado, pelas médias, que a adição de leguminosas tendeu a elevar a PB mesmo nos arranjos 1 milho+1 soja.

Comparando os anos agrícolas, a produção média de PB no primeiro ano foi superior à do segundo ano agrícola.

A porcentagem de PB do milho (6,68%) no primeiro ano foi inferior aos teores obtidos por Gomide et al. (1987) e por Lavezzo et al. (1997). No entanto, foi superior ao obtido por Obeid et al. (1992a) e Eichelberger et al. (1997).

As produções de PB (kg/ha) nos dois anos (678,75kg/ha e 512,40kg/ha) foram maiores que as registradas por Obeid et al. (1992a) enquanto que os valores de rendimento protéico nos tratamentos consorciados se equivaleram.

Na Tab.3 podem ser observados os resultados referentes à qualidade das silagens.

 

 

Não houve diferença significativa entre as silagens consorciadas com soja e a do milho solteiro quanto à porcentagem de MS nos dois anos, exceção ao T6 (1 milho+2 Ocepar-9) que apresentou, significativamente, teor mais elevado de MS que o milho (T0).

Comparando os anos agrícolas, pode ser notado que a porcentagem de MS diminuiu nas silagens do segundo ano, refletindo nas médias dos tratamentos consorciados.

Quando o arranjo cultural passou de 1 milho+1 soja para 1 milho+2 soja nos cultivares Doko, Dourados e Ocepar-9, a porcentagem de MS elevou-se significativamente.

Quanto ao pH das silagens, no primeiro ano não houve diferença significativa entre o milho (T0) e os demais arranjos culturais. Todos os valores se encontram na faixa considerada ideal (3,8 a 4,2), indicando que a leguminosa não interferiu com seu poder tamponante de baixar o pH e a conseqüente fermentação láctica desejada. Entretanto, no segundo ano, todas as silagens consorciadas mostraram pH idêntico ao da silagem de milho (T0), porém, no T8, a silagem com pH 3,25 já é considerada ácida e foi significativamente menor que nos demais tratamentos consorciados. Possivelmente, o baixo conteúdo de MS tenha contribuído para essa acidez.

A porcentagem de PB das silagens se comportou de maneira diferenciada nos dois anos agrícolas. No primeiro ano a silagem de milho teve menor (P<0,05) teor de PB em relação às silagens mistas dos tratamentos 2, 3 e 4. A silagem com teor mais elevado de PB foi a do T4 (1 milho+2 Dourados). A silagem do T1 (1 milho+1 Doko) não elevou a PB em relação à silagem pura de milho. No segundo ano somente as silagens do T6 (1 milho+2 Ocepar-9) e do T5 (1 milho+1 Ocepar-9) apresentaram valores de PB superiores (P<0,05) aos da silagem de milho (T0). Considerando as médias das silagens consorciadas com o milho, nos dois anos de estudo, pode ser observado que elas tenderam a ser superiores em PB em relação à do milho.

A concentração de PB da matéria original das diversas culturas estudadas pode ser observada na Tab. 4. Houve superioridade significativa de PB da soja comparada à do milho. Dentre os cultivares, Cristalina, Ocepar-9 e Dourados mostraram-se semelhantes em porcentagem de PB. Apesar de o cultivar Doko apresentar teores inferiores, ainda teve PB superior ao milho.

 

 

Os teores de MS das silagens foram inferiores aos encontrados por Evangelista et al. (1983), Obeid et al. (1992a) e Lavezzo et al. (1997), com utilização do milho puro ou milho+soja. Baseado no último autor, o milho usado neste experimento se aproxima mais do ponto leitoso do que do de pamonha ou farináceo.

Os resultados da porcentagem de PB das silagens foram comparáveis aos de Gomide et al. (1987), Eichelberger et al. (1997) e superiores aos de Obeid et al. (1992).

Quanto ao pH das silagens, eles foram semelhantes aos encontrados por Obeid et al. (1992), Eichelberger et al. (1997) e Lavezzo et al. (1997), com exceção do T8.

No segundo ano as produções de MS e PB foram reduzidas, afetando tanto o milho quanto os tratamentos que continham os diversos arranjos de soja. A adição de soja ao milho, seja no arranjo 1 milho+1 soja ou 1 milho+2 soja não alterou significativamente a produção de MS e de PB por unidade de área. No entanto, a porcentagem de PB foi superior no tratamento 1 milho+2 soja, quando comparada ao milho solteiro e, quando a participação da soja aumentou na consorciação, a contribuição da PB do milho diminuiu. Para que se obtenha aumento significativo de kgPB/ha seriam necessários teores mais elevados de MS da soja. Como isso não ocorreu, os resultados indicam uma tendência de reduzidos rendimentos de MS das leguminosas comparados com o milho. As silagens produzidas mostraram, de maneira geral, que a participação da soja elevou os teores de PB e isso foi mais efetivo nos arranjos 1 milho+2 soja, reforçando novamente a tendência dos teores inferiores de MS da leguminosa, havendo necessidade de elevar a concentração de soja no consórcio para que o efeito protéico se manifeste.

 

CONCLUSÕES

Nas condições deste trabalho pode-se concluir que: 1-A participação da soja consorciada ao milho foi variável em decorrência das dificuldades de se obter número elevado de plantas por metro linear. Em conseqüência, a contribuição da leguminosa na matéria verde a ser ensilada alcançou níveis inferiores a 50%; 2-A associação de milho e soja no arranjo cultural (1 linha de milho+1 linha de soja) não aumentou a produção de MS e de PB por hectare e no arranjo (1 linha de milho+2 linhas de soja) mostrou tendência de redução de MS, recomendando-se o primeiro arranjo; 3-A adição de soja ao milho não alterou o pH e elevou os teores de PB das silagens; 4-Considerando que o valor nutritivo das leguminosas é mais estável que o das gramíneas (milho), seu corte deve ser feito um pouco mais tardio para que os teores de MS e de PB se elevem nas silagens.

 

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