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Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia

Print version ISSN 0102-0935On-line version ISSN 1678-4162

Arq. Bras. Med. Vet. Zootec. vol.52 n.4 Belo Horizonte Aug. 2000

https://doi.org/10.1590/S0102-09352000000400012 

COMUNICAÇÃO

(Communication)

 

Espécies de Spalangia (Hymenoptera: Pteromalidae: Spalanginae) em fezes bovinas como parasitóides pupais de dípteros muscóides em Goiás

[Species of Spalangia (Hymenoptera: Pteromalidae: Spalangiane) as parasitoid pupa of muscoid dipterous insects in cattle feces in Goiás State, Brazil]

 

C.H. Marchiori1, A.T. Oliveira1, A.X Linhares2

1Departamento de Biologia do Instituto Luterano de Ensino Superior de Itumbiara-ULBRA
Caixa Postal 23-T
75500-000 – Itumbiara, GO
2Departamento de Parasitologia da Universidade Estadual de Campinas

 

Recebido para publicação em 22 de dezembro de 1999.
E-mail: Pesquisa@ns.itumbiara.com.br

 

 

Por serem capazes de atacar insetos causadores de prejuízos econômicos, os parasitóides são estudados com a finalidade de ser utilizados como seus inimigos naturais. Os principais grupos de parasitóides de Diptera encontrados em fezes bovinas pertencem às famílias Braconidae, Pteromalidae, Figitidae, Diapriidae e Eucoilidae. A família Pteromalidae (Hymenoptera, Chalcidoidea) inclui um grande número de espécies parasitóides, muitas das quais têm importância no controle biológico de muscóides sinantrópicos (Rueda & Axtell, 1985). A subfamília Spalanginae (Hymenoptera: Chalcidoidea: Pteromalidae) possui 12 espécies na região Neotropical. O gênero Spalangia apresenta parasitóides pupais associados com moscas das famílias Muscidae, Calliphoridae, Sarcophagidae, Drosophilidae, Chloropidae. Desse modo, o objetivo deste trabalho foi verificar as espécies de Spalangia encontradas em fezes bovinas.

O experimento foi realizado na Chácara Vilela (local 1) com área aproximada de 29 hectares e 50 cabeças de gado bovino destinadas à produção leiteira, e na Faculdade de Agronomia (local 2), com área aproximada de 58 hectares e 45 cabeças de bovinos explorados para leite, ambas situadas próximo às margens do Rio Paranaíba e distando 5km do centro de Itumbiaram, GO (18º25’S e 49º13’W).

Fezes frescas foram marcadas imediatamente após sua emissão nas pastagens com auxílio de estacas de madeiras brancas, para a determinação precisa de sua idade. As fezes permaneceram no campo por sete dias no local 1 (período de coleta - novembro de 1994 a outubro de 1995) e por oito dias no local 2 (período de coleta - janeiro a dezembro de 1998). Após a coleta foram levadas para o laboratório do Instituto Luterano de Ensino Superior de Itumbiara - ULBRA, para a extração das pupas pelo método da flutuação. Juntamente com as fezes, eram retirados 5cm do substrato abaixo e imediatamente adjacente às fezes.

As pupas foram retiradas com o auxílio de peneira, contadas e individualizadas em cápsulas de gelatina (número 00) até a emergência das moscas e/ou dos parasitóides. Os parasitóides e as moscas emergidos foram identificados com auxílio de microscópio estereoscópico e posteriormente conservados em álcool 70%.

A preferência das espécies de Spalangia por seus hospedeiros foi testada por meio do qui-quadrado, ao nível de 5% de probabilidade. A identificação dos parasitóides foi realizada pela Dra. Angélica Maria Penteado-Dias, da Universidade Estadual de São Carlos, SP. A porcentagem de parasitismo foi calculada dividindo-se o número de pupas atacadas pelo número de pupas intactas ´ 100.

Nos dois períodos foram coletados 475 espécimes do gênero Spalangia, obtidos de 12.442 pupas de Diptera. A taxa de parasitismo foi de 3,8%. O hospedeiro mais abundante foi Sarcophagula occidua Fabricius com 32,8%. Em relação aos parasitóides, Spalangia drosophilae Ashmead foi a espécie mais abundante durante esse período com 40,9%, enquanto Spalangia nigra Curtis a menos freqüente com 0,2% (Tab. 1).

 

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A maior taxa de parasitismo foi de Spalangia drosophilae em pupas de Brontaea quadristigma Thomson e a menor foi de Spalangia nigra em pupas de S. occidua (Tab. 1). Pelo resultado do qui-quadrado verificou-se que Spalangia cameroni Perkins apresentou preferência por pupas de B. quadristigma, Brontaea debilis Williston e S. occidua; S. drosophilae preferência por B. quadristigma, S. occidua e Palaesepsis sp.; S. endius Walker preferência por B. quadristigma e S. occidua; e S. migroaenea preferência por B. quadristigma, B. debilis Williston, C. pararescita Couri e S. occidua (c2= 36,0; GL=12; P=21,03).

Esses resultados sugerem que as espécies de Spalangia podem ser consideradas os principais parasitóides de moscas associadas a esterco bovino no Sul de Goiás. Esta é a primeira referência de S. drosophilae parasitando pupas de Sphaeroceridae.

Almeida (1996) verificou em esterqueiras, em Pirassununga, SP, que as espécies de Spalangia estão fortemente associadas sob o aspecto densidade populacional, confirmando uma boa relação de coexistência entre elas.

Marchiori (1997) coletou as mesmas espécies de Spalangia em fezes bovinas nas pastagens da Fazenda Experimental do Glória em Uberlândia, MG. Spalangia drosophilae também foi a espécie mais abundante com 85 (42,5%) indivíduos.

Segundo Thomas & Kunz (1986), as espécies de parasitóides de mosca-do-chifre (Haematobia irritans L.) mais freqüente e abundantes pertencem ao gênero Spalangia. Em São Carlos, SP, as espécies de Spalangia mostraram-se os principais parasitóides das pupas de H. irritans (Mendes, 1996). No Texas e Mississippi (EUA), as espécies de Spalangia também são os mais importantes inimigos naturais da mosca-do-chifre (Harris & Summerlin, 1984). No catálogo de De Santis (1980) esse gênero é citado com apenas cinco espécies, distribuídas nos estados do Pará, Paraná, Pernambuco, Santa Catarina e São Paulo.

Com os níveis populacionais de Spalangia spp. coletadas no campo, acredita-se que eles talvez sejam suficientes para controlar uma infestação futura da Haematobia irritans ou de outras pragas no ambiente rural.

Palavras-chave: Díptero muscóide, parasitóide, bovino, fezes

 

ABSTRACT

Species of parasitoids of dung-breeding Diptera were collected at a range pasture in Itumbiara, GO, Brazil. The samples of bovine dung, approximately seven and eight day-old, were collected and carried to the laboratory and the pupae were extracted by water flotation. The pupae were individually placed in transparent gelatin capsules until the emergence of the adult flies or their parasitoids. Spalangia drosophilae (40.8%) Ashmead and Spalangia nigroaenea (35.6%) were the predominant species that parasitized pupae of dipterous muscoids. The rate of parasitism was 3.8%.

Keywords: Muscoid dipterous, fly, parasitoid, cattle, manure, Brazil

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALMEIDA, M.A.F. Abundância relativa e sazonal de Musca domestica L., 1758 (Diptera: Muscidae) e de seus parasitóides em micro-habitats de um curral de gado bovino, em Pirassununga (SP). Campinas: UNICAMP, 1996. 79p. (Dissertação, Mestrado).        [ Links ]

DE SANTIS, L. Catalogo de los himenopteros brasileños de la série parasitica incluyendo Bethyloidea. Curitiba: Ed. Univ. Fed. do Paraná, 1980.        [ Links ]

HARRIS, H.L., SUMMERLIN, J.W. Parasites of horn fly pupae in East Central Texas. South. Entomol., v.9, p.169-173, 1984.        [ Links ]

MARCHIORI, C.H. Dípteros muscóideos associados a fezes frescas de gado bovino e seus parasitóides, nos municípios de Uberlândia-MG e Itumbiara-GO. Campinas: UNICAMP, 1997. 110p. (Tese, Doutorado).        [ Links ]

MENDES, J. Sazonalidade da artropodofuana associada a fezes bovinas em pastagens e alguns aspectos da biologia dos estágios imaturos de Haematobia irritans (Linnaeus, 1758) na Região de São Carlos, SP. Campinas: UNICAMP, 1996. 126p. (Tese, Doutorado).        [ Links ]

RUEDA, L.M., AXTELL, R.C. Guide to common species of pupal parasites (Hymenoptera: Pteromalidae) of the house fly and other muscoid flies associated with poultry and livestock manure. Technical Bulletin. North Carolina Agricultural Research Service, 1985.        [ Links ]

THOMAS, D.B., KUNZ, S.E. Diapause survival of overwintering populations of the horn fly, Haematobia irritans (Diptera: Muscidae), in South-Central Texas. Environ. Entomol, n.15, p.44-48, 1986.        [ Links ]

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