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Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia

Print version ISSN 0102-0935On-line version ISSN 1678-4162

Arq. Bras. Med. Vet. Zootec. vol.52 n.4 Belo Horizonte Aug. 2000

https://doi.org/10.1590/S0102-09352000000400021 

Efeito do bimestre dentro da estação de monta sobre a fertilidade de éguas inseminadas com sêmen diluído, resfriado e transportado

[Effect of bimester within the breeding season upon fertility of mares inseminated with extended transported/cooling semen]

 

G.R. Valle1, J.M. Silva Filho2*, M.S. Palhares2, H.N. Oliveira3, L.G. Magnago1, W.S. Viana4

1Estudante de Pós-Graduação da Escola de Veterinária da UFMG
2Escola de Veterinária da UFMG
Caixa Postal 567
30123-970 – Belo Horizonte, MG
3Departamento de Zootecnia da FMVZ da UNESP – Botucatu, SP
4Médico Veterinário – Regimento de Cavalaria - PMMG

 

Recebido para publicação, após modificações, em 12 de janeiro de 2000
(*) Autor para correspondência
E-mail: monteiro@vet.ufmg.br
Fonte financiadora: FAPEMIG – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais
Apoio: Regimento de Cavalaria Alferes Tiradentes – PMMG

 

 

RESUMO

Este estudo avaliou os efeitos de diferentes bimestres dentro da estação de monta sobre características reprodutivas de éguas. Foram utilizados 147 ciclos estrais de 100 éguas, por duas estações de monta consecutivas, com controle folicular por palpação retal diária e inseminação artificial com sêmen diluído, resfriado e transportado a 14ºC por 3,5 horas. Os grupos experimentais foram constituídos segundo cada bimestre da estação, a saber outubro/novembro, dezembro/janeiro e fevereiro/março, de acordo com a data de ovulação de cada ciclo estral. Os resultados demonstraram (na ordem citada dos bimestres) melhor taxa de concepção ao primeiro ciclo em dezembro/janeiro (42,9%; 70,0%, 28,6%), melhor taxa de concepção por ciclo também em dezembro/janeiro (45,6%; 63,5%; 29,6%), e melhor eficiência de prenhez em outubro/novembro e em dezembro/janeiro (4,4; 6,0; 2,3). Quanto às características ovulatórias, como tamanho do folículo à ovulação e tempo de crescimento folicular, não houve diferença entre os grupos. Conclui-se pela possibilidade de eliminação dos meses extremos da estação de monta sem prejuízo da eficiência reprodutiva do rebanho.

Palavras-chave: Eqüino, estação de monta, fertilidade, ovulação

 

ABSTRACT

The effect of period (bimester) within breeding season upon reproductive characteristics of mares was studied, using 147 oestrous cycles of 100 mares in two breeding seasons. They were under follicular control, and artificial insemination was used with extended transported/cooling semen at 14ºC for 3.5 hours. Mares were grouped according to ovulation bimester of each oestrous cycle, within the breeding season as follow: October/November, December/January and February/March. The results showed that conception rate at first cycle was higher on Dec/Jan (70%) than on the other two periods (42.9% on Oct/Nov, and 28.6% on Feb/Mar); conception rate per cycle was higher on Dec/Jan (63.5%), than on Feb/Mar (29.6%), and pregnancy efficiency was higher on Oct/Nov and Dec/Jan (4.4; 6.0) than on Feb/Mar (2.3). No differences between bimester were found on size of ovulation follicle and follicular growth time. It is concluded that elimination of the extreme breeding season months is feasible without loosing herd reproductive efficiency.

Keywords: Equine, breeding season, fertility, ovulation

 

 

INTRODUÇÃO

A atividade reprodutiva dos eqüinos depende principalmente da luminosidade diária, que exerce seus efeitos mais significativos quanto mais distante estiverem os animais da linha do equador, quando se intensifica a estacionalidade reprodutiva (Ginther, 1992). No entanto, mesmo durante a estação de monta há variações quanto à atividade reprodutiva dos animais capazes de provocar mudanças na eficiência reprodutiva.

Já na década de 50 verificou-se que diferentes períodos ou fases dentro da mesma estação de monta poderiam influenciar a fertilidade do rebanho, possivelmente em função da duração do cio das éguas. Assim, Trum (1950) verificou menor freqüência de estros com mais de 10 dias e menor fertilidade à medida que avançava a estação, e Quinlan et al. (1951) observaram melhor fertilidade em novembro, numa estação de monta que começava em agosto.

Na Austrália, entre os paralelos 25º e 35º Sul, Osborne (1968) verificou maior fertilidade em janeiro e fevereiro, época com maior percentual de ovulações na estação de monta. No Brasil, Moreira (1983) verificou que o dia da ovulação e o tamanho do folículo à ovulação variavam com o decorrer da estação de monta. Ele sugeriu mudança do início de estação de monta do PSI, que em função do ano hípico vai de agosto até dezembro, para um momento mais adequado à fisiologia da égua, proposta idêntica à de Osborne (1968), na Austrália. Palhares (1989) observou, na latitude 20º Sul e temperatura ambiente média de 24,9ºC, que o intervalo parto/primeira ovulação, o intervalo início do cio/ovulação, o diâmetro do folículo à ovulação e a incidência de atresia folicular foram menores nos meses de janeiro, fevereiro e março, meses de maior luminosidade da estação de monta.

Gibbs & Davison (1992) avaliaram diversos resultados obtidos num estudo de 145 éguas mantidas em pastagem nativa e inseminação artificial ou monta natural. Observaram que 74% das éguas foram cobertas nos três primeiros meses da estação de monta de quatro meses sem que o mês fosse considerado um fator relevante para a reprodução.

A ocorrência de perdas embrionárias em éguas foi avaliada por Moberg (1968) durante seis estações de monta. Ela foi maior em cobrições ocorridas no início da estação. Segundo o autor, esse fato pode ocorrer devido à influência da luminosidade e da temperatura sobre a sobrevivência embrionária, já que as condições nutricionais do experimento foram controladas. Ball (1993) cita um trabalho em que Scherbarth (1980) obteve maior taxa de perdas embrionárias e fetais no início da estação de monta (7,7%), em relação ao seu final (2,7%).

A avaliação da fertilidade de um rebanho eqüino em diferentes fases ou períodos da estação de monta foi realizada por Palhares et al. (1998), não tendo sido verificada diferença entre cada bimestre da estação.

A atividade voltada à reprodução em haras, principalmente quando se utiliza inseminação artificial, é muito intensa e dispendiosa. Assim, este trabalho teve como objetivo estudar a eficiência reprodutiva de éguas em três fases de dois meses cada dentro da estação de monta, e verificar os possíveis efeitos sobre a fertilidade do rebanho.

 

MATERIAL E MÉTODOS

O trabalho foi realizado nos municípios de Belo Horizonte e Florestal (19º 55’ S), distando 60km entre si. O período experimental compreendeu o intervalo entre os meses de outubro de 1994 a fevereiro de 1995, e outubro de 1995 a março de 1996, representando duas estações de monta consecutivas.

Foram utilizadas éguas mestiças de três a 19 anos de idade, pertencentes a diferentes categorias reprodutivas (éguas solteiras, éguas paridas e potras). Antes do início de cada estação de monta, todas as éguas solteiras e potras foram submetidas a exame ginecológico. A partir dos resultados obtidos, tratamentos médico-cirúrgicos e descartes pertinentes foram realizados, restando 100 éguas trabalhadas nas duas estações de monta, totalizando 147 ciclos estrais.

O controle de crescimento folicular nas éguas foi feito por palpação retal em dias alternados, até que se detectasse um folículo de 2,0 a 2,5cm de diâmetro em um dos ovários, sendo, a partir daí, realizado diariamente. Ao se detectar um folículo de 3,0 a 3,5cm de diâmetro, iniciavam-se as inseminações artificiais, que terminavam quando detectada a ovulação. Para éguas e potras obedecia-se a esse esquema desde o início da estação, porém as éguas paridas foram palpadas a partir do quinto dia após o parto. Cerca de metade das éguas trabalhadas foram rufiadas diariamente, a partir da detecção do folículo de 2,0 a 2,5cm de diâmetro até o dia da ovulação. O controle da gestação foi feito por palpação retal a partir de 17 dias após a ovulação.

Durante ambas as estações, utilizou-se, terapeuticamente, cloprostenol sódico (CIOSIN; Coopers Brasil S.A.) ou dinoprost trometamina (LUTALYSE; Rhodia Farma Ltda) como auxílio no controle reprodutivo.

Nas duas estações foi utilizado o mesmo garanhão da raça Brasileira de Hipismo (7-8 anos de idade) como doador de sêmen, o qual apresentava bom índice de fertilidade, aferida anteriormente (Silva Filho et al., 1993).

O sêmen foi colhido por meio de vagina artificial, modelo Hannover, às segundas, quartas e sextas-feiras, em Belo Horizonte. Após avaliação de motilidade e vigor em microscópio óptico e concentração por contagem em câmara de Neubauer, o sêmen foi diluído, a 37ºC, em diluidor de leite em pó desnatado-glicose (24,0g de leite em pó desnatado; 49,0g de glicose anidra; 1.000.000UI de penicilina G potássica; 1,0g de sulfato de estreptomicina; água destilada, deionizada autoclavada qsp 1.000ml). As doses inseminantes, constituídas por 400 milhões de espermatozóides móveis em 15ml de sêmen diluído, foram transportadas para Florestal, onde se encontravam as éguas, em contêiner modelo "Celle" modificado, com duração média de 3,5 horas, à temperatura final de 14ºC.

De acordo com os meses de estação de monta, os resultados de 147 ciclos estrais de 100 éguas inseminadas foram agrupados segundo a data de ovulação em outubro-novembro, dezembro-janeiro e fevereiro-março.

Análises de variância foram utilizadas para os resultados de fertilidade. Por se tratar de uma variável qualitativa, realizou-se a conversão dos dados em quantitativos, segundo proposição de Voss et al. (1975), obtendo-se um valor numérico médio para cada grupo experimental, chamado de eficiência de prenhez. A comparação entre as médias foi feita pelo teste de Student-Newman-Keuls (SNK). Valores quantitativos foram também submetidos à análise de variância e teste SNK.

Os resultados relativos a número de IA/ciclo, número de IA/ciclo gestante e número de IA/ciclo vazio, por serem dados descontínuos e de distribuição não normal, foram analisados pelo teste não paramétrico Kruskal-Wallis. Caso fosse detectada diferença entre os tratamentos, aplicava-se o teste t de Student para ordenação das médias.

Os dados proporcionais (ciclos/concepção, ciclos/égua gestante, taxa de concepção/ciclo e taxa de concepção total) foram submetidos ao teste de qui-quadrado para detecção de diferenças entre os tratamentos.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A Tab. 1 mostra que no primeiro ciclo o bimestre dezembro/janeiro apresentou a melhor taxa de concepção (P<0,01), e para todos os ciclos (total) a melhor taxa de concepção ocorreu no mesmo bimestre e a pior taxa no bimestre fevereiro/março (P<0,06).

 

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As características número de IA/ciclo, número de IA/ciclo gestante e número de IA/ciclo vazio foram semelhantes (P>0,05) segundo o bimestre de ovulação (Tab. 2). O número de ciclos/concepção foi menor (P<0,05) em dezembro/janeiro do que em fevereiro/março. A eficiência de prenhez foi inferior no bimestre fevereiro/março em relação aos demais e estes foram semelhantes entre si (P>0,05) (Tab. 2).

 

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O volume de sêmen foi maior no bimestre fevereiro/março, acompanhado por menor volume de diluidor no mesmo bimestre, já que o segundo está sob dependência direta do primeiro (Tab. 2). A única explicação possível para esse fato é a ocorrência de mudanças na qualidade do sêmen no último bimestre da estação de monta, podendo ser em decorrência da concentração espermática por ml de sêmen ou da motilidade total, índices utilizados para cálculo da quantidade de sêmen necessária para constituir a dose inseminante de 15ml. No entanto, a qualidade do sêmen em relação ao bimestre da estação de monta não foi avaliada estatisticamente neste experimento.

Características de controle como tempo de resfriamento e tempo da colheita até IA foram diferentes (P<0,05) entre os grupos, conforme mostra a Tab. 2. No entanto, na mesma tabela observa-se uma distribuição crescente do número de ciclos trabalhados em cada bimestre, na seqüência fevereiro/março, outubro/novembro e dezembro/janeiro, o que representa o volume de trabalho compreendido entre colheita do sêmen e IA propriamente dita. Assim, quanto maior o número de ciclos trabalhados, maior o tempo gasto na operação.

A temperatura final do sêmen também foi diferente (P<0,05) entre os bimestres, seguindo uma gradação crescente de outubro/novembro até fevereiro/março e variação máxima de 2,71ºC entre bimestres, o que parece não ter significado biológico, apesar do significado estatístico, pois em qualquer situação o sêmen se encontrava dentro da faixa de choque térmico, entre 8 e 19ºC (Moran et al., 1992). As características tamanho do folículo à ovulação e tempo de crescimento do folículo de 2,75cm de diâmetro até ovulação foram semelhantes (P>0,05) entre os bimestres (Tab. 2).

A variação da atividade cíclica de éguas durante o ano é amplamente descrita na literatura (Quinlan et al., 1951; Osborne, 1968; Ginther, 1974; Resende, 1974; Saltiel et al., 1982; Pimentel et al., 1991; Ginther, 1992; Palhares et al., 1998).

Trum (1950) observou que a freqüência de cios longos reduzia-se à medida em que avançava a estação de monta fato também relatado por Moreira (1983) e Palhares (1989). A comparação desses resultados com os aqui obtidos torna-se difícil, uma vez que o intervalo início do cio/ovulação não foi estudado, e sua relação com o tempo de crescimento do folículo, a partir de 2,75cm de diâmetro até à ovulação, não avaliada.

Quanto ao diâmetro folicular à ovulação, os resultados não revelaram diferenças no decorrer da estação de monta, diferente do encontrado por Moreira (1983), que apresentou resultados crescentes de outubro/novembro (36,5mm de diâmetro) a dezembro/janeiro (42,0mm), e a fevereiro/março (40,8mm), e por Palhares (1989), que observou menor diâmetro folicular à ovulação nos meses de janeiro a março. No entanto, os resultados de Moreira (1983) são da raça PSI, os de Palhares (1989) da raça Mangalarga Marchador e os deste experimento de animais mestiços, levando-se à suposição de que possa haver efeito de raça envolvido nessa comparação.

Segundo Osborne (1968), que trabalhou com animais na latitude 25º a 35º Sul, na Austrália, a maior atividade reprodutiva das éguas ocorre em janeiro e fevereiro, quando se observou maior percentual de ciclos ovulatórios. Da mesma forma, Pimentel et al. (1991), na latitude 32º Sul, no Brasil, observaram maior atividade cíclica nos meses de dezembro a fevereiro, e Palhares et al. (1998) maior concentração de ciclos estrais no bimestre dezembro/janeiro.

Na Tab. 2 pode-se observar que 50,34% das ovulações estudadas (74/147) ocorreram no bimestre dezembro/janeiro, 31,29% (46/147) em outubro/novembro, e 18,37% (27/147) em fevereiro/março. Assim, verificou-se maior concentração de ovulações nos meses de dezembro e janeiro, semelhante ao estudo de Palhares et al. (1998), e um pouco mais cedo que as observações de Osborne (1968) e Pimentel et al. (1991). Segundo Ginther (1992), a estacionalidade reprodutiva dos eqüinos torna-se mais evidente à medida em que se afasta do equador. Portanto, a maior proximidade do equador (latitude 19º Sul) neste experimento, em relação aos dois trabalhos feitos em latitudes mais extremas, pode ter sido a responsável pela diferença observada, enquanto que o experimento de Palhares et al. (1998) foi realizado na mesma região geográfica deste experimento.

Palhares et al. (1998) obtiveram menor número de IA/ciclo no bimestre dezembro/janeiro, intermediário em outubro/novembro e maior em fevereiro/março, tendo atribuído esse fato à possibilidade de ter ocorrido menor tamanho de folículo à ovulação e menor tempo de crescimento folicular nos períodos de menor número de IA/ciclo. No entanto, no presente experimento, o número de IA/ciclo, tamanho do folículo à ovulação e tempo de crescimento folicular não diferiram entre as diversas fases da estação de monta.

Com relação à variação da fertilidade de acordo com subdivisões da estação de monta, Witte (1989), ao comparar períodos de 14 ou 21 dias, não obteve diferença na fertilidade quando usou o mesmo garanhão e o mesmo diluidor. No entanto, nem todos os períodos ao longo da estação de monta foram comparados entre si, em virtude do autor ter utilizado diferentes garanhões e diluidores. Trum (1950) relacionou cios mais longos à pior fertilidade, obtendo menor incidência de cios longos à medida que progredia a estação de monta, e Palhares et al. (1998) não observaram diferença na fertilidade ao longo da estação de monta.

Portanto, apenas este experimento e o de Palhares et al. (1998) procuraram avaliar os efeitos de diferentes fases da estação de monta sobre a fertilidade. Em ambos, todo o período experimental foi submetido às mesmas condições experimentais, com exceção das variações meteorológicas inerentes a cada bimestre estudado, e suas conseqüências sobre os animais, como temperatura ambiente, luminosidade, pluviosidade e umidade relativa do ar. Palhares et al. (1998) não encontraram diferença de fertilidade dos ciclos estrais de éguas nos mesmos períodos do presente experimento (outubro/novembro - 22 ciclos, dezembro/janeiro - 44 ciclos, fevereiro/março - 17 ciclos), mas deve-se considerar que o número de observações naquele experimento foi de 83 ciclos estrais em uma única estação de monta, enquanto no presente experimento foi de 147 ciclos e em duas estações de monta (Tab. 1 e 2).

Moberg (1968) e Scherbarth (1980), citado por Ball (1993), observaram maior taxa de perda embrionária em concepções do início da estação de monta. Além disso, Moberg (1968) afirma que isso pode ter acontecido em decorrência da luminosidade e da temperatura terem agido sobre a sobrevivência embrionária. No presente experimento, a mortalidade embrionária não foi avaliada entre bimestres.

A pior fertilidade obtida nos bimestres extremos da estação de monta, principalmente fevereiro/março, expressa pelas taxas de concepção ao primeiro ciclo, concepção/ciclo e eficiência de prenhez, pode estar ligada à composição do rebanho nessas épocas, descrita a seguir. No início da estação predominaram as éguas que ficaram vazias na estação anterior, e no final, as que ficaram gestantes no final da estação anterior, além das que não ficaram gestantes no transcurso da presente estação. Assim, no período intermediário da estação (dezembro e janeiro), concentraram-se as éguas que vieram gestantes da estação anterior, presumivelmente, as de melhor fertilidade do rebanho.

Diante desse raciocínio, confundem-se as condições meteorológicas com a composição do rebanho em cada bimestre. No entanto, esse fato sempre ocorrerá, dando a cada mês, ou bimestre, sua peculiaridade ao longo das sucessivas estações de monta, em virtude de sempre haver variação meteorológica, e os rebanhos sempre terem éguas de fertilidade diferente.

Esses efeitos só poderiam ser desvinculados num experimento em que rebanhos de mesma composição fossem submetidos a cada fase da estação de monta, eliminando-se o efeito intrínseco de cada animal sobre a fertilidade em cada período. Entretanto, esse suposto experimento não representaria a realidade da estação de monta, diferentemente do que ocorreu no presente experimento, que permitiu a observação de que os meses extremos da estação de monta (outubro e março) pouco contribuíram para a taxa de concepção total do rebanho, podendo ser eliminados da rotina reprodutiva.

A redução da estação de monta, como proposta, acarretaria maior volume de trabalho no início da estação, em função do maior acúmulo de éguas "ciclando", mas, por outro lado, seriam dois meses a menos destinados à atividade reprodutiva na fazenda.

A criação de eqüinos, ao contrário do que ocorre em criações que visam à produção de alimentos a menor custo possível, muitas vezes procura, a qualquer custo, fazer com que uma determinada fêmea, de elevado valor genético e cuja prole possa conferir grande lucratividade ao negócio, fique gestante. Nesse contexto, a lucratividade de um haras pode não estar vinculada à eficiência reprodutiva total do rebanho, mas sim à eficiência reprodutiva individual de determinadas éguas. Assim, procura-se utilizar todo o tempo possível da ciclicidade sazonal dos animais, de forma a que fiquem gestantes, ou mesmo que produzam o máximo possível de embriões a serem transferidos para éguas receptoras.

Em criações extensivas de animais de menor valor comercial a redução da estação de monta não provoca redução significativa da taxa de concepção total, mas reduz custos, além de permitir a seleção genética de fêmeas de melhor fertilidade.

Quanto à contribuição do garanhão para a menor fertilidade do bimestre fevereiro/março, ela é pouco provável de haver acontecido, apesar do maior volume de sêmen por dose inseminante utilizado nesse período (Tab. 2). Segundo Pickett et al. (1970), o sêmen apresenta variações físicas durante o ano, embora Witte (1989) não tenha observado variação da fertilidade de um mesmo garanhão, em diferentes fases da estação de monta. Além disso, as doses inseminantes possuíam o mesmo número de espermatozóides móveis durante todo este experimento, e a maior taxa de diluição média do bimestre, obtida no bimestre fevereiro/março, foi de 1:2,3 (sêmen:diluidor), sendo considerada uma taxa adequada (Palmer, 1984).

 

CONCLUSÕES

Dentro de uma estação de monta que envolve os meses de outubro a março, os melhores resultados de fertilidade foram obtidos no bimestre dezembro/janeiro. Assim, caso se pretenda reduzir o período de estação de monta, em um programa de inseminação artificial de eqüinos, dever-se-ia eliminar os meses extremos da estação (outubro e março).

 

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