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Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia

Print version ISSN 0102-0935On-line version ISSN 1678-4162

Arq. Bras. Med. Vet. Zootec. vol.52 n.6 Belo Horizonte Dec. 2000

https://doi.org/10.1590/S0102-09352000000600003 

Inflamação pseudotumoral do baço em cão. Relato de caso

[Inflammatory pseudotumour of the spleen in dog. A case report]

 

E.F. Nascimento, F.J.F. Sant’Ana, C. Malm, V.A. Gheller

Escola de Veterinária da UFMG
Caixa Postal 567
30123-970 – Belo Horizonte, MG

 

Recebido para publicação, após modificações, em 19 de junho de 2000.
E-mail: ernane@vet.ufmg.br

 

 

RESUMO

Descrevem-se pela primeira vez achados anátomo-histopatológicos da inflamação pseudotumoral do baço, caracterizados pela presença de células inflamatórias, neutrófilos, linfócitos, plasmócitos, macrófagos e células gigantes multinucleadas, em uma cadela sem raça definida, de 10 anos de idade.

Palavras-chave: Cão, baço, inflamação pseudotumoral

 

ABSTRACT

This case report describes the pathological findings of an inflammatory pseudotumour of the spleen, characterized by inflamatory cells, neutrophils, lymphocytes, plamocytes, macrophages, and giant multinucleated cells, in a 10 year-old mongrel.

Keywords: Dog, spleen, inflammatory pseudotumour

 

 

INTRODUÇÃO

As inflamações pseudotumorais são massas benignas não neoplásicas, incomuns, de etiopatogenia desconhecida (Garner, 1973; McMahon, 1988;, Sheahan et al.1988), descritas no homem e recentemente no cão (Williams et al., 1998). Elas já foram encontradas na órbita (Garner, 1973), no trato respiratório (Bahadori & Liebow, 1973), no trato gastrointestinal (Wolf et al., 1988), no coração (Gonzalez-Crussi et al., 1975) e no fígado (Someren, 1978), contudo, o baço raramente é acometido (Shah & Royes, 1994).

Embora o rápido crescimento e as características macroscópicas sugiram malignidade, as inflamações pseudotumorais caracterizam-se microscopicamente pela presença de infiltrados inflamatórios mononucleares representados por linfócitos, plasmócitos e macrófagos, além de fibroblastos.

Este trabalho tem por objetivo relatar, pela primeira vez, a ocorrência da inflamação pseudotumoral do baço no cão.

 

CASUÍSTICA

Uma cadela sem raça definida, castrada, de 10 anos de idade, foi atendida no Hospital da Escola de Veterinária da UFMG, com histórico de anorexia e distensão abdominal. Ao exame clínico observou-se, pela palpação da cavidade abdominal e pela ultra-sonografia, grande aumento de volume sem definição do sítio de origem, sendo recomendada exploração cirúrgica do processo. Mediante laparotomia exploratória, observou-se presença de massa esplênica sugestiva de neoplasia, realizando-se em seguida esplenectomia total. Dois dias após o ato cirúrgico o animal morreu. À necropsia, não se observaram alterações macroscópicas significativas.

À macroscopia, a massa esplênica apresentava aproximadamente 20cm de diâmetro, superfície irregular, consistência macia, às vezes friável, e coloração branco-amarelada. Ao corte, as superfícies revelaram formações císticas de 0,5 a 3cm de diâmetro contendo líquido translúcido. Vários fragmentos do baço foram colhidos, fixados em formalina neutra e tamponada a 10%, processados pela técnica rotineira de inclusão em parafina, e corados pelas técnicas de hematoxilina-eosina, Grocott, Maccallum-Goodpasture, periodic acid-Schiff (PAS) e Gridley (Luna, 1968).

Ao exame microscópico observou-se reação inflamatória intensa caracterizada pela presença de neutrófilos, plasmócitos, linfócitos e especialmente macrófagos, além de células gigantes multinucleadas (Fig. 1) e proliferação de tecido conjuntivo fibroso (Fig. 2). Havia também alguns focos de necrose. Colorações especiais para evidenciação de fungos ou bactérias mostraram-se negativas.

 

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DISCUSSÃO

Na espécie humana, as inflamações pseudotumorais são de crescimento rápido e podem ser confundidas com neoplasias malignas devido à sua aparência macrosocópica. Entretanto, ao exame microscópico elas apresentam características histopatológicas bem definidas, características de processo inflamatório granulomatoso.

A etiologia do processo não é conhecida, embora Cotelingam & Jaffe (1984) e Bahadori & Leibow (1973) sugiram que traumas esplênicos localizados e mecanismos infecciosos ou imunes, respectivamente, possam atuar como fatores predisponentes. No presente caso não foi possível estabelecer a etiopatogenia da lesão.

Segundo Someren (1978), as inflamações pseudotumorais são classificadas em três subtipos histológicos de acordo com o tipo celular predominante: histiocítico, plasmocítico e fibroso, podendo haver também combinação de vários padrões microscópicos no mesmo caso. No presente relato o infiltrado inflamatório caracterizou-se pela presença marcante de macrófagos, além de outras células como linfócitos, plasmócitos, neutrófilos, células gigantes multinucleadas e fibroblastos, não se enquadrando em nenhum subtipo específico citado anteriormente. Entretanto, Shah & Royes (1994) descreveram uma inflamação pseudo-tumoral do baço com infiltrado inflamatório semelhante ao observado neste caso.

É importante ressaltar que apesar dos achados histológicos serem característicos de um processo inflamatório granulomatoso, o termo inflamação pseudotumoral tem sido adotado em decorrência do tamanho da lesão. Além disso, deve-se fazer o diagnóstico diferencial com cistos, hamartomas e neoplasias esplênicas.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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