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Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia

Print version ISSN 0102-0935On-line version ISSN 1678-4162

Arq. Bras. Med. Vet. Zootec. vol.52 n.6 Belo Horizonte Dec. 2000

https://doi.org/10.1590/S0102-09352000000600016 

Formação e estrutura populacional do eqüino Brasileiro de Hipismo

[Formation and population structure of the Brasileiro de Hipismo horse breed]

 

I.M.G. Dias1, J.A.G. Bergmann2*, A.C.C Rezende2, G.H.F. Castro3
1Médica Veterinária, Mestre em Zootecnia.
2Escola de Veterinária da UFMG
Caixa Postal 567
30123-970 – Belo Horizonte, MG
3Bolsista de Iniciação Científica EV UFMG

 

Recebido para publicação, após modificações, em 17 de agosto de 2000.
*Autor para correspondência
E-mail: bergmann@dedalus.lcc.ufmg.br
Projeto financiado pela FAPEMIG, processo nº CAG.903/97

 

 

RESUMO

Analisaram-se dados do Stud Book Brasileiro do Cavalo de Hipismo, da Associação Brasileira de Criadores do Cavalo de Hipismo (ABCCH), correspondentes a julho de 1977 a setembro de 1998. O arquivo final continha 19.303 eqüinos, 11.508 da raça Brasileira de Hipismo (BH) e 7.795 de raças formadoras. Distribuição de freqüência, medidas de tendência central e de dispersão por criador, proprietário, sexo, tipo de registro, estado do nascimento, raça formadora, cruzamento utilizado na formação e coeficiente de endogamia foram estabelecidas para os efetivos da raça BH. Foram também calculados número da geração de cada animal, intervalo de gerações (anos) e tamanho efetivo da população (Ne). Vinte raças foram utilizadas na formação do BH, sendo as principais: BH (22,5%), animais sem genealogia conhecida (21,9%), PSI (15,0%), Hanoverana (8,1%), Westfalen (5,2%), Holsteiner (4,8%) e Trakehner (4,1%). Registros foram feitos em 14 estados da Federação, 76% deles em São Paulo. Número máximo de gerações encontrado foi de 3,12 (um animal), 59,7% dos animais na geração base e 24,1% na geração 1,5. O intervalo médio de gerações foi de 9,9 anos, 10,4 para garanhões e 9,3 para éguas. O Ne foi de 253 animais e os coeficientes de endogamia observado e esperado foram próximos de zero.

Palavras-chave: Eqüino, Brasileiro de Hipismo, estrutura, origem, endogamia.

 

ABSTRACT

Data from Brasileiro de Hipismo Stud Book, collected by the breed Association (ABCCH), from July 1977 to September 1998 were analyzed. Final data set included 19,303 animals, 11,508 Brasileiro de Hipismo (BH) and 7,795 of other foundation breeds. Data were analyzed for frequency, central tendency and range of variation according to owner, breeder, sex, type of registration, county and state of birth and foundation breeds. The frequency of crosses using foundation breeds and inbreeding coefficient according to year of birth and sex were estimated. Generation number for each animal, generation interval and effective population size (Ne) were calculated. Among the 20 breeds used in the formation of the BH horse, the most important were: Thoroughbred (15.0%), Hanoverian (8.1%), Westphalian (5.2%), Holsteiner (4.8%), Trakehner (4.1%), graded BH (22.5%) and unknown pedigree animals (21.9%). The records came from 14 states and 76% of the animals were registered in São Paulo State. The maximum number of generations was 3.12 (one animal), with 59.7% of the horses in the first generation and 24.1% in generation 1.5. Generation interval was 9.7 years, 10.4 for males and 9.3 for females. The Ne was 253 animals, and the inbreeding coefficient was close to zero.

Keywords: Horse, Brasileiro de Hipismo, origin, population structure, inbreeding

 

 

INTRODUÇÃO

A Associação Brasileira de Criadores do Cavalo de Hipismo (ABCCH), fundada em 1977, é reconhecida pelo Ministério da Agricultura como entidade responsável pelo Serviço de Registro Genealógico (SRG) das raças de eqüinos utilizadas para a prática do hipismo no país. O SRG é denominado "Stud Book" Brasileiro do Cavalo de Hipismo (SBBCH) (ABCCH, 1998). Os fundadores da ABCCH, com o objetivo de formar e promover a raça Brasileira de Hipismo, iniciaram cruzamentos utilizando garanhões importados ou nacionais, registrados em outras associações, com aptidão reconhecida para esportes hípicos (modalidades de salto, adestramento, concurso completo de equitação ou CCE, pólo e enduro), denominados animais de raças formadoras, e éguas nacionais com ou sem genealogia conhecida, que apresentassem características funcionais e morfológicas necessárias para esportes hípicos, denominadas éguas base (ABCCH, 1998; SBBCH, 1999).

O animal para ser registrado como Brasileiro de Hipismo deve resultar do cruzamento de garanhões aprovados pelo "Stud Book" Brasileiro do Cavalo de Hipismo de uma das raças formadoras ou de garanhões da raça Brasileira de Hipismo (BH) com éguas de outras raças formadoras, ou com éguas base e, ainda, com éguas Brasileiras de Hipismo. São feitos, também, registros especiais por mérito de conformação, desempenho ou reprodução (ABCCH, 1998; SBBCH, 1999).

Hoje, o cavalo Brasileiro de Hipismo é reconhecido internacionalmente pelas vitórias conquistadas em importantes eventos internacionais, além de fazer parte da "World Breeding for Sport Horses" (WBFSH, 1998), entidade internacional que reúne as associações de raças de cavalos utilizados para a prática de esportes hípicos em todo mundo. Porém, ainda não foram realizados estudos sistemáticos sobre a raça, tornando pouco conhecida sua formação, evolução e caracterização como raça de eqüinos.

O objetivo deste trabalho foi descrever a origem e formação da raça Brasileira de Hipismo e avaliar aspectos de sua estrutura populacional como número de gerações, intervalo médio entre elas e quantificação da endogamia.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Os dados analisados foram obtidos a partir dos registros genealógicos de animais do "Stud Book" Brasileiro do Cavalo de Hipismo, mantidos pela Associação Brasileira de Criadores do Cavalo de Hipismo, desde a sua fundação, em 1977, até setembro de 1998.

O arquivo final possuía 19.303 registros, 11.508 animais Brasileiro de Hipismo e 7.795 animais de raças formadoras, que foram recodificados, em ordem decrescente, de acordo com a data de nascimento. Foram mantidas as seguintes informações de cada animal: número de registro (recodificado), raça, número do criador, número do proprietário, sexo, número de registro do pai (recodificado), raça do pai, número de registro da mãe (recodificado), raça da mãe, data de nascimento, pelagem, data de registro definitivo; data de registro provisório; tipo de registro (definitivo ou provisório), animal resultado de transferência de embrião e local de nascimento (cidade ou haras e estado).

Para descrição dos dados foram feitas análises de distribuição de freqüência, medidas de tendência central e de dispersão para os efetivos da raça Brasileira de Hipismo, em relação ao criador, proprietário, sexo, tipo de registro, estado de nascimento e raças formadoras. Também foram realizadas análises de distribuição de freqüência dos cruzamentos utilizados e a porcentagem de contribuição das diversas raças na formação do Brasileiro de Hipismo e do coeficiente de endogamia por ano de nascimento, por sexo, separadamente e em conjunto.

O número da geração foi calculado para cada animal utilizando-se a expressão proposta por Brinks et al. (1961):

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Ganimal é o número da geração do animal, Gpai a geração do pai e Gmãe a geração da mãe. Foram considerados pertencentes à geração zero todos os animais de raças formadoras e éguas base, sem genealogia conhecida, registrados no Registro Genealógico da ABCCH e utilizados na formação do Brasileiro de Hipismo.

O intervalo médio de gerações (L ), em anos, foi calculado, segundo a fórmula

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em que Lm e Lf são o intervalo médio entre gerações dos machos e das fêmeas, respectivamente (Pereira, 1999).

O coeficiente de endogamia para cada animal também foi calculado segundo Wright (1922).

O tamanho efetivo da população (Ne) e o coeficiente médio de endogamia esperado (DF) foram obtidos segundo Falconer & Mackay (1996), pelas fórmulas:

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em que Nmachos e Nfêmeas são o número de machos e número de fêmeas que entraram em reprodução na população em estudo, respectivamente.

A descrição dos dados, os cálculos de intervalo de gerações e o tamanho efetivo da população foram feitos utilizando-se os procedimentos incluídos no pacote estatístico SAS (1990).

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Diversas raças de eqüinos têm sido utilizadas na formação da raça Brasileira de Hipismo, como pode ser observado na Tab. 1. As principais raças de garanhões foram Puro Sangue Inglês (20,9%), Hanoverana (16,1%), Westfalen (10,5%), Holsteiner (9,6%) e Trakehner (8,2%), além de machos da própria raça Brasileira de Hipismo com contribuição de 8,7%. As principais raças de fêmeas foram éguas base (42,8%), que são éguas nacionais com ou sem genealogia conhecida, Puro Sangue Inglês (10,8%) e éguas da própria raça Brasileira de Hipismo (36,2%).

 

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Assim, como ocorre em outras raças de eqüinos utilizadas para a prática de esportes hípicos do mundo, os resultados deste estudo evidenciam a grande influência do Puro Sangue Inglês. Segundo Moureaux et al. (1995), a raça Sela Francesa, que ocupa o primeiro lugar há cinco anos no ranking mundial de salto da "World Breeding for Sport Horses" (WBFSH, 1998), possui aproximadamente 52% de Puro Sangue Inglês. A Hanoverana, também uma das cinco melhores raças no ranking mundial de salto nos últimos cinco anos, segundo WBFSH (1998), tem em sua constituição, aproximadamente, 15% de PSI (Verbandhannovercher Warmblutzüchter, 1997). Também tiveram forte influência do Puro Sangue Inglês as raças Holsteiner, Trakehner, Oldenburger e Zangersheide (Massone, 1993; Goodman, 1997; WBFSH, 1998; OHBS, 1999).

Na Tab. 1 identifica-se ainda a grande diferença entre a utilização de garanhões (8,7%) e éguas (36%) da raça Brasileira de Hipismo como reprodutores. O pequeno percentual de garanhões pode ser explicado pela dificuldade de aprovação de garanhões da raça pela Associação de Criadores do Cavalo de Hipismo e pelo uso, cada dia mais freqüente, da inseminação artificial, graças à crescente facilidade de importação de sêmen de garanhões das raças formadoras. A maior porcentagem de éguas Brasileiras de Hipismo deveu-se, certamente, ao desenvolvimento da raça com boa seleção das éguas e ao alto custo de importação de fêmeas de raças européias.

A influência de garanhões da raça Puro Sangue Inglês na formação do Brasileiro de Hipismo começou a diminuir em 1988 (Fig. 1), dando lugar, aos garanhões Brasileiro de Hipismo, o que seria esperado pelo crescimento e desenvolvimento da raça, e aos garanhões Holsteiner, Hanoverano e Westfalen, raças que se destacaram recentemente no ranking de salto do WBFSH (1998).

 

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Na Fig. 2 observa-se, também, menor utilização das éguas base a partir de 1989, provavelmente em função da dificuldade de sua aprovação como reprodutoras pela Associação Brasileira de Criadores do Cavalo Brasileiro de Hipismo nos últimos anos (SBBCH, 1999). Éguas Puro Sangue Inglês também têm sido menos utilizadas, da mesma forma que os garanhões, seguindo a tendência mundial das raças de salto (Moureaux et al.,1995; Verbandhannovercher Warmblutzüchter, 1997; Massone, 1993; Goodman, 1997; WBFSH, 1998; OHBS, 1999). Tem-se observado também maior uso de éguas da raça Brasileira de Hipismo, fato este que evidencia o crescimento da raça.

 

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Os cruzamentos entre raças para formação da população de animais da raça Brasileira de Hipismo são bastante diversificados (Tab. 2). O cruzamento com a maior porcentagem foi de garanhões PSI com éguas base (15,9%) seguido, com freqüência bem menor, por garanhões Hanoveranos com éguas Base (6,6%), garanhões Hanoveranos com éguas BH (5,7%), garanhões Holsteiner com éguas BH (4,9%), garanhões Westfalen com éguas BH (4,8%), garanhões e éguas BH (4,4%), garanhões PSI com éguas BH (3,5%) e garanhões Trakehner com éguas Base (3,3%). Os demais tiveram freqüência inferior a 3,0%.

 

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Foram calculadas as porcentagens de contribuição das diversas raças para a formação do cavalo Brasileiro de Hipismo. O próprio BH contribuiu com 22,4%, animais base, sem genealogia conhecida, com 21,9% e a raça Puro Sangue Inglês com 15,8%. As contribuições de 2,7% da raça Sela Francesa e de 1,0% da Sela Holandesa, primeira e terceira pela classificação da WBFSH (1998), respectivamente, foram baixas. Já a porcentagem de contribuição das raças Holsteiner (4,8%), Hanoverana (8,0%) e Westfalen (5,2%), segunda, quarta e quinta, respectivamente, pela classificação da WBFSH, tiveram contribuições um pouco maiores. Contribuíram ainda as raças Trakehner (4,1%), Sela Argentina (1,9%), Oldenburger (1,8%), Anglo-Árabe (1,4%) e Sela Belga (1,2%). As raças Andaluz, Árabe, Hackney, Anglo-Normanda, Sela Dinamarquesa, Zangersheide e Bayern tiveram contribuição menor que 1% e juntas representam 2,9% de contribuição na formação da raça. Estes resultados demonstram que a Brasileira de Hipismo ainda se encontra em formação e está distante de ser fixada, similar ao que ocorre com a raça Zangersheide, iniciada há 25 anos, segundo o WBFSH (1998).

Os cruzamentos utilizados na formação da população de fêmeas e de machos também foram bastante diversificados  (Tab. 3 e 4). Os acasalamentos de garanhões Puro Sangue Inglês com éguas base foram de 16,1% nas fêmeas e 15,8% nos machos, seguidos de garanhões Hanoverano com éguas base, 6,7% nas fêmeas e 6,6% nos machos, e com éguas Brasileira de Hipismo, 5,7% nas fêmeas e 5,8% nos machos.

 

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Os registros genealógicos da raça Brasileira de Hipismo tiveram início em 1977, sendo registrados, naquela ocasião, 144 animais com registros definitivos e 20 com registros provisórios. Até junho de 1997, os animais recebiam o registro provisório ao nascimento e o definitivo quando atingissem a idade de 36 meses. A partir de julho de 1997, segundo o regulamento do SBBCH (1999), são usados apenas pré-registros, que devem ser preenchidos pelo inspetor técnico da região, antes que os animais atinjam a idade de 120 dias, valendo como registros definitivos. Em setembro de 1998, dos 11.508 animais registrados, 7.678 (66,6%) possuíam registros definitivos e 3.830 (33,4%) possuíam registros provisórios. Há tendência de redução dos registros provisórios, que não são realizados desde julho de 1997 (SBBCH, 1997).

Entre todos os animais registrados, 6.030 (52,4%) são fêmeas e 5.478 (47,6%) são machos. Apenas 1.460 (24,2%) das fêmeas e 66 (1,2%) dos machos foram utilizados em reprodução. Dentre as fêmeas que se tornaram mães, o número médio de filhos foi de 2,8 + 2,2 (máximo de 13 e mínimo de 1), valor semelhante ao encontrado na raça Hanoverana, 2,7 filhos/égua, segundo Uphaus & Kalm (1994). Entre os garanhões, o número médio de filhos/reprodutor foi de 15,2+19,1 (máximo 95 e mínimo 1), 54,5% deles deixando 10 ou menos filhos. No estudo de Bergmann et al. (1997) com a raça pônei Brasileira, o número de filhos/reprodutor foi de 10,1 e 50% dos garanhões contribuíram com menos de seis filhos. Essa diferença na estrutura das duas raças deveu-se, provavelmente, à não utilização da Inseminação Artificial como método reprodutivo na raça pônei Brasileira.

Entre os 11.508 animais registrados, alguns não possuíam informação do estado de nascimento (272 animais) e do criador (54 animais). Os registros ocorreram em 14 estados da Federação (Tab. 5), porém 76,0% da criação encontram-se no Estado de São Paulo. Na distribuição dos criadores e proprietários por estado, identificaram-se 694 criadores com média de 16+57 animais/criador (máximo de 793 e mínimo de 1 animal), 75,5% deles localizados no Estado de São Paulo. Foram encontradas, ainda, 1972 pessoas físicas ou jurídicas cadastradas como proprietários de animais, com média de 5,8+26 animais/proprietário (máximo de 467 e mínimo de 1 animal), com 70,5% destes residindo em São Paulo.

 

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O número máximo de gerações foi de 3,1, com apenas um animal. Porém 59,7% dos animais são de primeira geração ou geração-base (Tab. 6). Estes são filhos de animais das raças formadoras, éguas base, ou ainda animais sem genealogia conhecida. Na geração 1,5, ou seja, animais com pai ou mãe pertencente à geração 1, foram encontrados 24,1% animais. Esses resultados confirmam que a raça Brasileira de Hipismo ainda está em início de formação.

 

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A idade média dos pais ao nascimento dos filhos (intervalo médio de gerações) foi de 9,86 anos, sendo a dos garanhões ao nascimento de sua progênie de 10,42 e a das éguas de 9,31 anos. Esse resultado está dentro do esperado segundo Pirchner (1983), porém difere dos valores encontrados para garanhões por Bergmann et al. (1997), Fonseca et al. (1977) e Moureaux et al. (1996), nas raças pônei Brasileira, Campolina e Sela Francesa, respectivamente. Entretanto, os valores são semelhantes aos encontrados por diversos autores, em estudos com raças de mesma finalidade esportiva, como Trakehner, Hanoverana e Árabe. Tal fato deveu-se, possivelmente, aos métodos reprodutivos utilizados por essas raças (inseminação artificial e transferência de embrião) e ao momento em que os garanhões entram em reprodução, ou seja, após aprovados pelas Associações de Criadores (Schwark & Scheiber, 1968; Uphaus & Kalm, 1994; Moureaux et al., 1996).

O tamanho efetivo da população de Brasileiro de Hipismo foi de 253 animais para um coeficiente de endogamia esperado de praticamente zero, que coincide com o coeficiente médio de endogamia encontrado. Esse baixo coeficiente médio de endogamia deveu-se à existência de apenas 151 animais endogâmicos no universo de 11.508 animais. Dentro dos endogâmicos, o coeficiente de endogamia individual variou de 0,031 a 0,250, média de 0,117, sendo a distribuição entre machos e fêmeas da raça bastante homogênea (Tab. 7). O pequeno número de animais endogâmicos deveu-se ao grande número de raças e acasalamentos utilizados e à recente formação do Brasileiro de Hipismo.

 

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CONCLUSÕES

Mesmo com 22 anos de seleção controlada pelo Registro Genealógico, a raça Brasileira de Hipismo encontra-se no início de sua formação. No período de julho de 1977 a setembro de 1998 as raças que tiveram maior influência na formação do cavalo Brasileiro de Hipismo foram Puro Sangue Inglês, Hanoverana, Westfalen, Holsteiner e Trakehner. O grande número de raças utilizado na formação do Brasileiro de Hipismo contribuiu para um coeficiente de endogamia próximo de zero. A grande variabilidade genética do cavalo Brasileiro de Hipismo é uma característica que possibilita a implantação de futuros programas de melhoramento genético da raça.

 

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