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Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia

Print version ISSN 0102-0935On-line version ISSN 1678-4162

Arq. Bras. Med. Vet. Zootec. vol.54 no.1 Belo Horizonte Feb. 2002

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-09352002000100009 

Taxa de gestação em fêmeas da raça Holandesa confinadas em free stall, no verão e inverno

[Gestation rate of Holstein females confined in free stall, during the summer and winter]

 

M.F.A. Pires1,2, A.M. Ferreira1,2, H.M. Saturnino3, R.L. Teodoro1,2

1Embrapa Gado de Leite
Rua Eugênio do Nascimento, 610, Bairro Dom Bosco
36038-330 - Juiz de Fora, - MG
2Bolsistas do CNPq
3Escola de Veterinária da UFMG

 

Recebido para publicação em 11 de janeiro de 2001.
Recebido para publicação, após modificações, em 16 de agosto de 2001.
E-mail: fatinha@cnpgl.embrapa.br

 

 

RESUMO

A taxa de gestação de vacas em lactação e de novilhas confinadas em free stall foi avaliada durante o inverno e o verão, nos anos de 1993, 1994 e 1995. A temperatura ambiente (TA) e a umidade relativa do ar (UR) foram acompanhadas diariamente, durante quatro meses de verão (dezembro a março) e três meses de inverno (junho a agosto). Em cada estação mediram-se semanalmente às 9, 15 e 21h a temperatura retal (TR) e a freqüência respiratória (FR) de 50% das vacas em lactação, sorteadas ao acaso, separadas em quatro grupos de acordo com a produção de leite. A TA e o índice de temperatura e umidade (ITU) médios foram mais elevados (P < 0,05) no verão (25,6ºC e 75,8) do que no inverno (19,0ºC e 65,3), enquanto que a UR média foi a mesma nas duas estações (80,0%). As médias da TR e FR foram sempre mais elevadas no verão e também às 15h, em comparação com às das 9h (39,5ºC e 64,8 mov/min versus 38,9ºC e 44,2 mov/min). A taxa de gestação das vacas em lactação foi menor no verão (45,7%) do que no inverno (71,2%). Entre as novilhas 85,4% ficaram gestantes no verão e 78,3% no inverno (P<0,05).

Palavras-chave: Bovino de leite, fertilidade, estresse calórico

 

ABSTRACT

The gestation rate was used to evaluate the reproductive performance of dairy cows and heifers confined in a free stall barn during the winter and summer seasons of 1993, 1994 and 1995. The temperature (T) and relative humidity (RH) were monitored daily during the summer (December, January, February and March) and winter (June, July and August). The rectal temperature (RT) and respiration rate (RR) were measured weekly at 9AM and 3 and 9PM, in each season, in 50% of the animals randomly selected and sorted in four groups based on their milk production. The averages of T and the temperature and humidity index (THI) were higher in the summer (25.6ºC e 75.8) than in the winter (19.0ºC e 65.3), while the RH were the same in both seasons (80.0%). The averages of RT and RR were always higher in the summer and at 3PM when compared to 9AM RT and RR (39.47ºC and 64.76 mov/min vs 38.89ºC and 44.21 mov/min). Gestation rate for milking cows was smaller in summer than in the winter. Conversely 85.4% of heifers became pregnant during the summer and 78.5% during the winter season.

Keywords: Dairy cattle, fertility, heat stress

 

 

INTRODUÇÃO

Sabe-se que a temperatura corporal da vaca em lactação aumenta (hipertermia) durante o estresse calórico, e como resultado muitos processos fisiológicos são alterados. Um dos exemplos do comprometimento da fisiologia pelo estresse calórico é a reprodução. Vacas expostas ao calor reduzem a intensidade do cio e a probabilidade de manterem a gestação (Hansen & Aréchiga, 1994).

A magnitude dos efeitos do estresse calórico sobre a taxa de gestação está relacionada com o grau de hipertermia da vaca. A probabilidade de que a inseminação ou outro tipo de monta resulte em um embrião viável diminui à medida que a temperatura corporal aumenta. Hipertermia severa pode causar efeitos drásticos e potencialmente letais na estabilidade das proteínas e nas funções das membranas celulares (Hansen & Ealy, 1991). Assim, os oócitos, os espermatozóides e o embrião são incapazes de manter as funções normais quando submetidos a temperaturas acima do normal e, desse modo, a gestação é interrompida quando essas células são expostas à hipertermia materna (Hansen & Aréchiga, 1994 ).

A análise de 5.062 dados de inseminações realizadas em clima subtropical de 1960 a 1971 procurou identificar os fatores que afetam a taxa de concepção. Os meses quentes foram mais associados com taxa de concepção mais baixa do que os meses frios (33,7 versus 40,1%). O efeito do mês parece representar a ação das variáveis climatológicas (Gwazdauskas et al., 1975). Dentre as variáveis relacionadas ao clima, temperatura ambiente máxima no dia seguinte à cobrição (Thatcher, 1974; Badinga et al., 1985; Valtorta & Gallardo, 1996 ) e radiação solar no dia da cobrição (Valtorta & Gallardo, 1996) são as que apresentaram maior efeito sobre a taxa de concepção.

Dunlap & Vincent (1971) constataram efeito do calor no mesmo dia da cobrição, quando expuseram 23 novilhas à temperatura de 32,2ºC por 72h imediatamente pós-serviço, enquanto 25 novilhas que serviram de controle foram mantidas à temperatura de 21,1ºC. Nenhuma das novilhas submetidas à ação do calor manteve a gestação, enquanto 12 animais do grupo controle continuaram gestantes.

O efeito indireto das variáveis climatológicas no momento da inseminação via aumento das temperaturas retal e uterina foi analisado por Thatcher (1974), que concluiu ser a temperatura uterina o fator de maior influência sobre a fertilidade. O coeficiente de regressão indicou que um desvio de 0,5ºC a mais na temperatura uterina no dia e no dia seguinte à IA reduziu a taxa de concepção em 12,8 e 6,9%, respectivamente. Ulberg & Burfening (1967) citaram que 1ºC de aumento na temperatura retal, dentro de 12h após a inseminação, diminuiu a taxa de gestação de 61 para 45%.

Badinga et al. (1985) verificaram que a taxa de concepção de vacas holandesas em lactação diminuiu no verão, recuperando-se três meses mais tarde. Quando a temperatura do ar aumentou de 23,9 para 32,3ºC, a taxa de concepção reduziu de 52 para 32%. De modo mais expressivo, Cavestany et al. (1985) observaram que o aumento da temperatura ambiente de 29,7 para 33,9ºC resultou em redução na taxa de concepção de 25 para 7%.

Mais recentemente, dados coletados durante 12 anos na Austrália (Orr et al., 1993) mostraram que a taxa de gestação das vacas e novilhas reduziu de 80% para 55%, quando a média da temperatura diária máxima aumentou de 26 para 27,5ºC. Quando a temperatura máxima ultrapassou 27ºC ou 27,6ºC , os autores observaram que a taxa de gestação de vacas e novilhas, respectivamente, foi inferior a 60%.

Na Argentina, em condições de pastagens a taxa de concepção no verão foi 10% menor do que no outono e no inverno, e 15% menor do que na primavera. Em Israel, em sistemas de confinamento, a taxa de gestação durante o verão foi 25 a 30% menor do que durante o inverno (Valtorta & Gallardo, 1996).

As taxas de gestação no inverno (62%) e no verão (26%), segundo González et al. (1993), foram diferentes, indicando que a fertilização e/ou mortalidade embrionária foram afetadas durante os meses quentes.

Ao relacionar a taxa de concepção com o índice de temperatura e umidade (ITU), du Preez et al. (1991) verificaram que a taxa de concepção foi mais baixa no mês de janeiro (36,4%), quando o ITU foi o mais elevado (71,9). De acordo com esse índice, o ano foi dividido em duas épocas. Entre os meses de novembro e março, que representaram o verão, o índice foi superior a 70, e entre os meses de maio e setembro, que representaram o inverno, o ITU foi abaixo de 70. As taxas de concepção nessas estações foram 50,5 e 68%, respectivamente. Ingraham et al. (1974) também mostraram essa relação, isto é, a taxa de concepção alcançou 67% quando as vacas foram cobertas nos dias em que o ITU foi menor do que 66, e 21% quando o índice ultrapassou 76.

O objetivo do trabalho foi estudar a relação entre dados climatológicos, características fisiológicas e índices reprodutivos em um rebanho da raça Holandesa confinado em free stall.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Foram utilizados dados do sistema intensivo de produção de leite (SIPL) pertencentes à Embrapa Gado de Leite, localizada no Município de Coronel Pacheco, Minas Gerais (21°33’22” latitude sul, 43°6’15” longitude oeste e 430m de altitude). O clima da região é classificado, segundo Köppen, em Cwa. Do controle zootécnico do rebanho do SIPL retiraram-se os dados referentes ao desempenho reprodutivo dos animais: datas do cio, da inseminação e do parto, e data e resultado do diagnóstico de gestação. O arquivo analisado constituiu-se de 178 animais (146 vacas e 32 novilhas) inseminados no inverno e 150 (94 vacas e 56 novilhas) no verão, no período de janeiro de 1993 a dezembro de 1995.

O rebanho do SIPL é constituído por animais da raça Holandesa PO, confinadas em um estábulo tipo free stall, com acesso livre a um solário e com capacidade para 80 vacas em lactação. Em um free stall adjacente ao das vacas em lactação mantinham-se as novilhas a serem inseminadas.

Uma dieta completa constituída por silagem de milho, feno de coast-cross (Cynodon dactylon, L. Pers) e concentrado foi fornecida aos animais duas vezes ao dia, às 7h e 30min e 12h e 30min no inverno, e três vezes no verão, 7h, 13h e 30min e 18h. Para a distribuição, calculava-se a dieta básica dos grupos localizados em um lado do corredor, e o grupo de maior exigência era suplementado à parte.

As vacas de maior produção receberam dieta completa com maior densidade protéica e energética do que a dos animais pertencentes aos grupos de menor produção. Água e sal mineralizado ficaram disponíveis em bebedouros e cochos localizados lateralmente em cada divisão do galpão.

Todos os animais foram ordenhados três vezes ao dia: às 6, 14 e 22h.  Após a segunda ordenha acendiam-se as luzes do estábulo, mantendo-se iluminação artificial durante toda a noite, ao longo do ano.

A identificação do cio foi feita durante todo o dia, uma vez que os funcionários estavam em contato com os animais até o final da última ordenha (23h). As vacas identificadas em cio eram inseminadas de acordo com o esquema proposto por Trimberg & Davis (1943). As inseminações foram realizadas por três inseminadores que se revezavam de acordo com a escala de trabalho.

Outras atividades relacionadas ao manejo reprodutivo e às medidas sanitárias foram feitas de acordo com as recomendações dos técnicos da Embrapa Gado de Leite e compreendiam exames ginecológicos periódicos, vacinações (brucelose, aftosa, leptospirose e raiva), testes de brucelose, tuberculose e controle de mamite e OPG.

O controle do ambiente dentro do free stall foi contínuo usando-se um termógrafo para se obterem os registros diários de temperatura ambiente no inverno (junho, julho e agosto) e no verão (janeiro, fevereiro e março), nos anos de 1993, 1994 e 1995. No verão foram também incluídos os dados obtidos no mês de dezembro de 1993. A partir das médias das temperaturas e umidade relativas máximas e médias calculou-se o índice de temperatura e umidade (ITU), utilizando-se a seguinte equação:

ITU = 0,8 Tbs + UR (Tbs – 14,3) / 100 + 46,3, em que:

Tbs = temperatura do termômetro de bulbo seco, oC;

UR = umidade relativa do ar, %.

A temperatura retal e a freqüência respiratória foram medidas uma vez por semana, iniciando-se às 9, 15 e 21h em 50% dos animais sorteados ao acaso. O número médio de animais da amostra manteve-se em torno de 40 em cada colheita. A temperatura retal foi obtida por meio de termômetro clínico digital e a freqüência respiratória por contagem dos movimentos na região do flanco durante 30 segundos. Os valores obtidos foram multiplicados por dois para se ter o número de movimentos respiratórios por minuto (mov/min). Cuidou-se para evitar a movimentação dos animais no momento das medições. Os responsáveis pela obtenção dos dados foram os mesmos durante todo o período experimental.

A taxa de gestação foi obtida considerando-se os animais gestantes em relação ao número de animais inseminados e foi avaliada pelo teste do c2, verificando-se a dispersão de animais gestantes dentro de cada estação e comparando-se os animais que ficaram gestantes (vacas e novilhas)  no verão e no inverno. Para efeito de análise consideraram-se como verão os meses de novembro a abril, e inverno de maio a outubro. A gestação foi verificada pela palpação retal 45 dias pós IA e pelo nascimento de bezerros vivos (du Preez et al., 1991).

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os valores médios de temperaturas (máxima, mínima e média) e de umidade relativa (máxima, mínima e média) e os índices de temperatura e umidade são apresentados na Tab. 1.

 

 

Durante o verão as temperaturas máximas foram superiores à temperatura crítica (27ºC) citada para vacas em lactação por Fuquay (1981), e as médias mantiveram-se ligeiramente acima da zona de termoneutralidade (5 a 25ºC) citada por Yousef (1985) e Chacon et al. (1995). A umidade relativa máxima foi superior a 85%, observando-se valores médios acima de 75% o que, segundo Maust et al. (1972), pode ser considerado como um fator aditivo ao estresse. No inverno, a temperatura ambiente máxima ficou acima enquanto que a média permaneceu dentro dos limites da zona de termoneutralidade, com os valores de umidade relativa semelhantes aos de verão.

Com relação ao ITU, o valor considerado limite entre situações de conforto e estresse varia segundo os autores, mas existe unanimidade em se considerar que ambiente com ITU acima de 72 é estressante para vacas em lactação de alta produção, o que resulta em redução na produção a partir desse limite (Valtorta & Gallardo, 1996; Baccari, 1998). du Preez et al. (1991) argumentaram que o estresse calórico afeta a taxa de gestação bem antes de o ITU alcançar o limiar que afeta a produção de leite. Isto significa que o sistema reprodutivo é mais susceptível às alterações ambientais. Nesse caso, a habilidade do animal de dissipar calor pode estar comprometida a ponto de alterar o estado de homeotermia para hipertermia, isto é, aumentar a temperatura corporal acima dos valores normais (Johnson, 1987). Os valores do ITU das máximas tanto no verão como no inverno ultrapassaram o limite de conforto indicado pelos autores. Deve-se ressaltar que o número de horas em que essas condições ambientais estressantes atuam sobre os animais é importante, uma vez que a oportunidade de dissipar calor em horas mais frias, como por exemplo durante a noite, ameniza ou mesmo elimina o estresse sofrido pelos animais nos períodos de temperaturas elevadas (Leva, 1998). Observou-se (Tab. 1) redução de aproximadamente 10 pontos percentuais quando se calculou o ITU a partir das temperaturas médias, indicando a ocorrência de períodos em que as condições ambientais foram mais amenas. Mesmo assim, no verão o ITU médio encontrado (75,8) ficou acima do limite crítico para vacas em lactação, e provavelmente acima dos valores críticos para se obter índices reprodutivos satisfatórios (Preez et al., 1991).

Temperatura retal e freqüência respiratória são apresentados na Tab 2, de acordo com a estação do ano e o horário de medição.

 

 

Os valores médios da TR no inverno e às 9h no verão encontram-se dentro da variação considerada normal (38,4 a 39,0ºC) para bovinos da raça Holandesa por Stober (1993) e de la Sota (1996), enquanto que às 15h e 21h no verão ultrapassaram a faixa de normalidade. Com relação à FR, os valores médios observados foram acima dos padrões normais mencionados por Stober (1993).

Pelo comportamento da TR sob o ponto de vista do ritmo circadiano proposto por Bitman et al. (1984), esperava-se que após o pico observado às 15h houvesse redução desses valores, o que não ocorreu até às 21h, sugerindo que os animais não haviam conseguido recuperar-se dos efeitos das altas temperatura e umidade verificadas no período da tarde. O calor absorvido pelas superfícies radiantes durante o dia e emitido à noite, provavelmente, contribuiu para o desequilíbrio térmico dos animais, representado pela temperatura corporal elevada até esse horário. No entanto, a temperatura ambiente foi suficientemente baixa no restante da noite, o que permitiu a dissipação do estoque de calor endógeno, comprovado pelos valores da TR observados pela manhã. Caso o ambiente impeça o animal de eliminar o calor interno durante a noite, seu desempenho estará limitado nos dias quentes posteriores.

A análise da taxa de gestação é uma das maneiras possíveis de se identificar os efeitos da ação do calor sobre a eficiência reprodutiva de um rebanho. Os resultados dessa análise encontram-se na Tab. 3. No inverno a percentagem de vacas gestantes foi maior (P<0,05) do que no verão. Esse resultado provavelmente enfatiza  a ação do meio ambiente (temperatura e umidade relativa) sobre as vacas em lactação.

 

 

O ambiente no free stall proporcionou aumento da temperatura corporal das vacas em lactação no período da tarde no verão, o que pode ter contribuído para o aumento da temperatura uterina, responsável pela redução na taxa de concepção (Thatcher, 1974). Segundo Hansen & Ealy (1991) e Hansen & Aréchiga (1994), o aumento na temperatura corporal é um dos principais responsáveis pela interrupção da gestação nos animais recém-servidos, resultando em repetição de cios e, conseqüentemente, redução da taxa de gestação.

A diferença de 0,85°C na temperatura retal das vacas em lactação entre o inverno e verão no período da tarde, embora não tenha alcançado a magnitude de 1ºC citada por Ulberg & Burfening (1967) como responsável pela redução de 16% na taxa de gestação, pode ter sido a causa do baixo índice reprodutivo verificado nos animais adultos nos meses de verão (Tab. 3). Essa redução de 25,1% na taxa de gestação é semelhante à redução observada entre os meses quentes e frios por Badinga et al. (1985), Cavestany et al. (1985), du Preez et al. (1991), Orr et al. (1993) e Valtorta & Gallardo (1996), e superior aos 6% relatados por Gwazdauskas et al. (1975). Os valores de 46 e 36% obtidos por Ingraham et al. (1974) e González et al. (1993) são superiores aos verificados neste trabalho.

A taxa de gestação das novilhas (Tab. 3) foi maior no verão do que no inverno, comportamento oposto aos das vacas em lactação e também aos resultados apresentados  por Dunlap & Vincent (1971) e Orr et al. (1993). Os primeiros autores observaram que o estresse calórico (32,2ºC) por 72h reduziu a taxa de concepção das novilhas a zero. Segundo Orr et al. (1993), quando a temperatura ambiente máxima ultrapassou 27,6ºC a taxa de concepção das novilhas manteve-se consistentemente abaixo de 60%.

Os resultados obtidos neste trabalho mostram que as novilhas apresentaram desempenho reprodutivo satisfatório indicando que no ambiente estudado esses animais não estavam em processo de estresse calórico. Sabe-se que o estoque de calor corporal é resultado do calor ambiental absorvido adicionado à produção endógena de calor (Fuquay, 1981). Nas novilhas, essa produção é inferior à das vacas em lactação devido às diferenças metabólicas e estruturais entre as duas categorias de animais. Assim, é provável que os valores da TA e UR observados, aliados à baixa produção de calor metabólico, não foram suficientes para desencadear um processo de estresse calórico nas novilhas capaz de provocar baixo desempenho reprodutivo. O efeito do calor sobre a taxa de gestação de novilhas observado por Dunlap & Vincent (1971) e Orr et al. (1993) pode ser conseqüência de condições ambientais mais severas que as encontradas neste trabalho.

 

CONCLUSÕES

Durante o verão, vacas em lactação da raça Holandesa de alta produção, quando   submetidas a temperatura ambiente e umidade relativa do ar elevadas reduzem a taxa de concepção em conseqüência das alterações fisiológicas comumente observadas durante o processo de estresse calórico. As novilhas, por serem menos susceptíveis à essas variáveis climatológicas, mantêm a taxa de concepção no verão em níveis compatíveis com índices reprodutivos satisfatórios para o bom desempenho produtivo e econômico da propriedade.

 

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