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Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia

Print version ISSN 0102-0935On-line version ISSN 1678-4162

Arq. Bras. Med. Vet. Zootec. vol.54 no.3 Belo Horizonte June 2002

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-09352002000300001 

Prevalência de anticorpos antivírus da arterite dos eqüinos em cavalos criados no Estado de São Paulo

[Prevalence of equine arteritis virus specific antibodies in horses of São Paulo State, Brazil]

 

M.C.C.S.H. Lara1, W.R. Fernandes2, P.J. Timoney3, E.H. Birgel2

1Instituto Biológico
Av. Conselheiro Rodrigues Alves, 1252
São Paulo, SP
2
Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, Universidade de São Paulo
3
Gluck Equine Research Center, Universidade de Kentucky, EUA

 

Recebido para publicação em 23 de março de 2001.
Recebido para publicação, após modificações, em 18 de março de 2002
E-mail:
souzacarmo@biologico.br

 

 

RESUMO

Utilizou-se a prova de soroneutralização em microplacas para detecção de anticorpos antivírus da arterite dos eqüinos em 659 amostras de soro sangüíneo de animais criados no Estado de São Paulo. A prevalência de anticorpos na população estudada foi igual a 18,2%. A raça Mangalarga foi a que apresentou maior taxa de prevalência, 33,3%. Animais na faixa etária de 6 a 24 meses de idade apresentaram a maior taxa de prevalência, 30,4%, e as fêmeas apresentaram prevalência de 22, 9%, mais alta do que nos machos.

Palavras-chave: Eqüino, arterite viral, prevalência, soroneutralização

 

ABSTRACT

With the purpose of studying the prevalence of equine viral arteritis in horses raised in São Paulo State, Brazil, by the standard microtiter serum neutralization test, 659 serum samples were investigated. The prevalence of antibodies in the horse population was 18.2%, which was significantly higher in Mangalarga horses (33.3%) than in any other breed (Thoroughbred, Arab, Quarter Horse, mixed breeds and others). The distribuition of horses by age showed that horses between 6 to 24 months of age (30.4%) had a higher prevalence (30.4%) rate than others. The female horses prevalence rate of 22.9% was significantly higher than in male horses.

Keywords: Viral arteritis, equines, prevalence, serum neutralization

 

 

INTRODUÇÃO

A arterite viral dos eqüinos (VAE) foi caracterizada como uma enfermidade infecciosa dos eqüídeos pela primeira vez em trabalho publicado nos Estados Unidos da América por DOLL et al. (1957). Seu agente etiológico foi classificado como pertencente ao gênero Arterivirus, membro da família Arteriviridae (Cavanagh, 1997).

Várias enquetes sorológicas tem demonstrado a presença da infecção pelo VAE em várias regiões do mundo, com prevalência bastante variada. Em alguns países essa prevalência é baixa, como no Japão (Fukunaga et al., 1994), na Inglaterra (Chirnside, 1992) e no Irã (Maasommeh, 1991). Em outros é bastante alta como no Marrocos (Moraillon et al., 1978), na Itália (Cavirani et al., 1990), no Canadá (Elazhary et al., 1990), na Austrália (Huntington et al., 1990), na Áustria (Kölb et al., 1991) e na Polônia (Golnik & Paweska, 1991).

Em alguns países onde o trânsito de eqüinos para realização de provas hípicas é bastante intenso a prevalência da arterite viral dos eqüinos apresenta números significativos como nos Estados Unidos, onde McCue et al. (1991) relataram índice de 13,6%, na França, de 18,5% (Moraillon & Moraillon, 1978), na Argentina, 11,9% (Nosetto et al., 1984) e na Alemanha de 8,7% (Herbst et al., 1992). O presente estudo foi delineado com a finalidade de se fazer avaliação epidemiológica da infecção pelo vírus da arterite dos eqüinos no Estado de São Paulo.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Utilizaram-se 659 amostras de soro sangüíneo, obtidas de eqüinos criados no Estado de São Paulo, incluindo 87 propriedades de criação em 49 municípios paulistas. Das amostras analisadas 309 foram de animais do sexo masculino e 350 do sexo feminino e pertenciam às raças Mangalarga (219), Puro Sangue Inglês (66), Árabe (106) e Quarto de Milha (99), e as restantes a animais mestiços (104) e de várias outras raças (65), a saber: Campolina, Percheron, Andaluz, Brasileiro de Hipismo, Crioulo, Hanoveriano, American Trotter, Belga e Holsteir. Segundo a faixa etária, os animais foram subdivididos em cinco grupos: grupo 1- potros e potrancas com até seis meses de idade (37); grupo 2- com eqüinos jovens com idades entre seis e 24 meses (102); grupo 3- constituído por eqüinos adultos com idades entre 24 e 60 meses (237); grupo 4- cavalos e éguas com 60 a 120 meses de vida (184) e grupo 5- animais com mais de 120 meses de idade (99).

A amostra foi determinada segundo os procedimentos preconizados pelo Centro Panamericano de Zoonoses (Cepanzo, 1979) e por Miguel (1982), estimando-se em 15% a prevalência da infecção pelo vírus da arterite dos eqüinos na população a ser estudada, tendo como base os resultados sorológicos preliminares de um plano piloto, admitindo-se margem de erro de 20%, e depositando-se nesse resultado um grau de confiaça de 95%. Para o cálculo da amostra ser utilizada na presente pesquisa, utilizou-se a seguinte fórmula (Miguel, 1982):

, em que:

N=número de soros, p=freqüência estimada, Z=grau de confiança (1,962 » 4) e d=margem de erro admissível.

O excedente de amostras colhidas (16%) foi distribuído nos vários grupos experimentais para melhor e mais homogênea formação e como margem de segurança, totalizando 659 amostras.

As amostras foram colhidas ao acaso de animais saudáveis e correspondiam ao número de animais criados nas 14 divisões regionais agrícolas do Estado de São Paulo, segundo o Instituto de Economia Agrícola da Secretaria da Agricultura. Foram colhidas de eqüinos sem manifestações clínicas compatíveis com os sintomas descritos para a arterite viral dos eqüinos e armazenadas em congelador à temperatura de -20°C, até a realização das provas de soroneutralização em microplacas.

A amostra padrão do vírus da arterite dos eqüinos e os soros positivos e negativos de referência utilizados para controle do teste foram gentilmente cedidos pelo Dr. Peter J. Timoney da Universidade de Kentucky, EUA.

A linhagem celular utilizada na realização da prova de soroneutralização foi a RK-13, obtida de rins de coelho, cultivadas em monocamada em meio MEM de Eagle, adicionado de 1% de antibióticos (penicilina e estreptomicina) e 10% de soro fetal de bovino.

A reação de soroneutralização em microplacas para a dosagem de anticorpos séricos antivírus da arterite dos eqüinos foi realizada segundo as recomendações de Senne et al. (1985).

A influência dos fatores raça, sexo e idade na prevalência de anticorpos séricos anti VAE foi determinada pelo teste de duas proporções, com aproximação pela distribuição normal de probabilidade, ao nível de significância de 5%, conforme recomendação de Berquó et al. (1981).

 

RESULTADOS

Das 659 amostras de soro sangüíneo, 120 (18,2%) foram consideradas positivas por apresentarem título de anticorpos para VAE maior do que 4 e 539 (81,8%) mostraram títulos menores do que 4, sendo por isso consideradas negativas. Os resultados segundo o título encontram-se na Tab. 1.

 

 

Levando-se em consideração a raça dos eqüinos a freqüência do vírus da arterite dos eqüinos é apresentada na Tab. 2, segundo a faixa etária na Tab. 3 e segundo o sexo na Tab. 4.

 

 

 

 

 

 

DISCUSSÃO E CONCLUSÕES

A taxa de prevalência da arterite viral dos eqüinos foi de 18,2%, semelhante à observada por Moraillon & Moraillon (1978) na França e em vários países europeus e africanos. Isto permitiu afirmar que essa infecção pode estar disseminada pelo Estado de São Paulo.

A infecção causada pelo VAE foi comprovada nos eqüinos das raças incluídas na presente pesquisa. Houve diferença entre raças quanto à prevalência, e a raça Mangalarga foi a que apresentou maior prevalência. O fato de os cavalos de trote apresentarem maior prevalência de sororeagentes concorda com os resultados apresentados por Lang & Mitchell (1984), Elazhary et al. (1990), Huntington et al. (1990), Cavirani et al. (1990), McCue et al. (1991) e Ghram et al. (1994) e discorda dos apresentados por Golnik & Paweska (1991).

Houve diferença significativa quanto à faixa etária, que incluiu potros com idades abaixo de seis meses até animais com mais de 120 meses. Não se verificou aumento gradativo da taxa de prevalência com o evoluir da idade, fato já observado por McCue et al. (1991), Elazhary et al. (1990), Cavirani et al. (1990) e Ghram et al. (1994), diferente do que foi relatado por Moraillon & Moraillon (1978) e Moraillon et al. (1978).

Observou-se influência significativa de sexo, com maior prevalência em animais do sexo feminino. Resultados semelhantes foram apresentados por Moraillon et al. (1978) enquanto que Elazhary et al. (1990) e Ghram et al. (1994) não verificaram diferença entre sexo quanto à prevalência de anticorpos antivírus da VAE.

 

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