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Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia

Print version ISSN 0102-0935On-line version ISSN 1678-4162

Arq. Bras. Med. Vet. Zootec. vol.54 no.3 Belo Horizonte June 2002

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-09352002000300006 

Ultra-estrutura dos mastócitos de diferentes tipos histológicos de mastocitoma em cães

[Mast cell ultrastructure in different types of canine mast cell tumor]

 

F.A.R. Sueiro, C.R. Daleck, A.C. Alessi

Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias – UNESP
Rod. Carlos Tonanni, km 5
14870-000 – Jaboticabal, SP

 

Recebido para publicação em 9 de agosto de 2000
Recebido para publicação, após modificações, em 13 de março de 2002
E-mail:
felipesueiro@hotmail.com

 

 

RESUMO

Este trabalho teve por objetivo estudar as diferenças ultraestruturais de mastócitos neoplásicos de diferentes tipos histológicos de mastocitoma em cães, usando microscopia eletrônica de transmissão Os resultados mostraram que o núcleo e os grânulos citoplasmáticos são as estruturas mais indicadas para se avaliar o grau de anaplasia celular e o estádio de indiferenciação do tumor.

Palavras-chave: Cão, mastocitoma, ultra-estrutura

 

ABSTRACT

The objective of this work was study the ultrastructural differences among the different histologic types of mast cell tumors in dogs collected in vivo. The ultrastructural analyses showed that the nuclei and cytoplasmic granules characteristics are the best structures to be appointed on evaluating the undifferentiation stage of this tumor.

Keywords: Dog, mast cell tumor, ultrastructure

 

 

INTRODUÇÃO

O mastocitoma é uma das principais neoplasias que afetam os cães. Representa entre 7% e 21% dos tumores de pele em cães (Bostock, 1973; O'Keefe, 1990; Miller et al., 1991) com maior incidência em animais de 8,5 anos, em média. O diagnóstico do mastocitoma é baseado na citologia ou histopatologia das lesões (Macy & Macewen, 1989). A citologia é eficiente para se estabelecer o diagnóstico e a histopatologia é a mais indicada para classificar o grau de malignidade do tumor (Macy, 1986).

Poucos são os estudos da ultra-estrutura do tumor colhido in vivo usando-se a microscopia eletrônica de transmissão, principalmente para validar seus tipos histológicos.

Este trabalho teve por objetivo a análise ultra-estrutural, por microscopia eletrônica de transmissão, dos mastócitos neoplásicos de diferentes tipos histológicos de mastocitoma de cães, colhidos in vivo.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Foram utilizados nove cães com diagnóstico citológico e histológico de mastocitoma, atendidos no Hospital Veterinário "Governador Laudo Natel" da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias – UNESP, Jaboticabal.

Fragmentos do tumor, colhidos por biópsia, foram fixados em formol a 10% e em glutaraldeído a 4% para os exames histológico e ultra-estrutural, respectivamente.

A classificação histológica dos tumores, de acordo como os critérios de Patnaik (1984), foi feita em cortes de 5mm de espessura, corados pelas técnicas de hematoxilina-eosina e azul de toluidina. Os fragmentos para microscopia eletrônica foram pós-fixados em tetróxido de ósmio a 1%, incluídos em resina (Embed – 812 Embedding Kit –EMS®) e cortados a 70nm de espessura em ultra-micrótomo com navalha de diamante. As observações e as eletromicrografias foram realizadas em microscópio eletrônico de transmissão (JEOL – JEM 1010 a 80 kv).

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Pela classificação de Patnaik (1984) foram obtidos três casos de mastocitoma grau I, três de grau II e três de grau III (Fig. 1).

 

 

A ultra-estrutura dos tipos histológicos do mastocitoma analisados apresentou diferenças muito consistentes.

As células do mastocitoma grau I praticamente não diferiram ultra-estruturalmente dos mastócitos normais descritos por Smith & Lewis, (1956) e Calonico et al. (1985). A cromatina homogênea do núcleo, a presença de membrana rica em microvilos e o citoplasma rico em grânulos maduros mostraram o baixo grau de anaplasia celular nesse tipo.

No mastocitoma grau II as características citoplasmáticas dos mastócitos não diferiam muito da dos tumores do tipo I. As células apresentavam discreta atipia nuclear com nucléolo mais evidente e, às vezes, múltiplo. Os microvilos também estavam presentes na membrana, mas em menor quantidade. Os grânulos intracitoplasmáticos apresentavam variação maior de eletrondensidade, sendo alguns pouco densos, com pequeno grau de compactação e apresentando halo ao redor do material compactado ou forma enovelada de seu conteúdo, lembrando impressões digitais. O complexo de Golgi era maior e mais evidente do que nos mastócitos do tumor do grau I e o retículo endoplasmático rugoso era evidenciado em algumas células.

No mastocitoma grau III foi observada a presença de núcleo grande, muitas vezes com nucléolo osmiofílico ou, em alguns casos, com cromatina condensada em pequenos ou grandes agregados junto à membrana nuclear. A eucromatina abundante, associada à presença de complexo de Golgi bem elaborado, agregados de ribossomos, cisternas no retículo endoplasmático rugoso e grânulos em diversos estádios de maturação são indicativos da alta capacidade de síntese dessas células. No entanto, a quantidade de grânulos presentes nesses mastócitos era inferior àquela presente nos mastócitos dos tumores de grau I e II, onde o aparato de síntese não era tão evidente. Infere-se, então, que parte da capacidade de síntese desses mastócitos esteja desviada para a produção de outros tipos de proteínas, provavelmente envolvidas na multiplicação celular. A presença de ribossomos livres no citoplasma dessas células é também indício de síntese de proteínas citoplasmáticas (Ross et al., 1985), o que corrobora com a idéia de grande produção de proteínas envolvidas na multiplicação celular. A ausência de microvilos e o aspecto floculoso do citoplasma, também observados nesses mastócitos, são citados por Combs (1966) como indicativos de imaturidade celular.

Quanto às diferenças dos granulos, a presença de grande quantidade com baixo grau de compactação ou de aspecto enovelado é característico de grânulos imaturos e com baixo grau de sulfatação (Combs, 1966). Isso indica que os mastócitos estavam produzindo material granular em quantidade ou velocidade superior à sua capacidade de maturação e compactação.

 

CONCLUSÕES

O núcleo e os grânulos intracitoplasmáticos são as estruturas mais indicadas para se avaliar ultra-estruturalmente o grau de anaplasia dos mastocitomas. O aparato de síntese celular abundante encontrado nas células mais anaplásicas, aliado à pequena quantidade de grânulos, sugere desvio ou falha da capacidade de síntese dessas células.

 

AGRADECIMENTOS

À FAPESP pelo auxílio financeiro.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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