SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.54 issue3Mast cell ultrastructure in different types of canine mast cell tumorEffect of pinealectomy, adrenalectomy, pinealectomy plus adrenalectomy upon the quantification of spermatogenic cells of adult rats author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Services on Demand

Journal

Article

Indicators

Related links

Share


Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia

Print version ISSN 0102-0935On-line version ISSN 1678-4162

Arq. Bras. Med. Vet. Zootec. vol.54 no.3 Belo Horizonte June 2002

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-09352002000300007 

Redução fechada e fixação esquelética externa tipo I para tratamento de fraturas de tibiotarso em pombos domésticos (Columba livia)

[Closed reduction and type-I external skeletal fixation for treatment of tibiotarsus fractures in domestic pigeons (Columba livia)]

 

 M.M. Alievi1, J.E. Schossler1, R.A. Hippler2, A.S. Alves1, J.H.S. Silva1

1Pós-Graduação em Medicina Veterinária
Universidade Federal de Santa Maria
97105-900 – Santa Maria, RS
2
Curso de Medicina Veterinária - Centro Universitário Vila Velha

 

 Recebido para publicação em 14 de março de 2001.
E-mail: malievi@bol.com.br

 

 

RESUMO

Estudaram-se a redução fechada e a fixação esquelética externa tipo I para o tratamento de fraturas de tibiotarso em 10 pombos domésticos (Columba livia) adultos. As aves foram anestesiadas com a associação de xilazina e cetamina e em seguida foi realizada fratura do tibiotarso direito por pressão digital sobre a diáfise do membro. Quatro pinos de Kirschner, dois proximais e dois distais à linha da fratura, foram inseridos percutaneamente através de ambas as corticais ósseas e, após redução fechada da fratura, conectados externamente por uma barra de acrílico autopolimerizável na face lateral do membro. Em três aves foi observado radiograficamente desvio ósseo angular, porém, a função do membro não foi afetada. O tempo médio e o desvio-padrão para a cicatrização óssea foram 23,4± 3,0 dias. Os resultados demonstram que a redução fechada e a aplicação de fixador esquelético externo tipo I é um método efetivo para o tratamento de fraturas de tibiotarso em pombos domésticos (Columba livia).

Palavras-chave: Pássaro, ortopedia, osteossíntese

 

ABSTRACT

Ten adult domestic pigeons (Columbalivia) were used in order to study closed reduction and type-I external skeletal fixation for tibiotarsus fractures. Anesthesia was induced with xylazine and ketamine hydrochloride and the right tibiotarsus was manually fractured by digital pressure applied at the mid-diaphysis. Kirschner wires were driven percutaneously through the bone, two proximal and two distal to the fracture site, and stabilized by an acrylic bar in the lateral surface of the tibiotarsus after closed reduction of the fracture. Abnormalities in bone angulation were observed radiographically in three birds, however, the function of the limb was not noticeably impaired. The mean ± standard deviation for fracture healing was 23.4± 3.0 days. The results showed that closed reduction and application of a type-I external skeletal fixation is an effective method of treating tibiotarsus fracture in domestic.

Keywords: Bird, orthopaedics, osteosynthesis

 

 

INTRODUÇÃO

O tratamento de fraturas em aves tem provocado resultados diversos os quais são atribuídos às variações no tamanho, no peso e na conformação da ave, à anatomia óssea única, à alta incidência de fraturas complicadas e às diferenças de função entre espécies e indivíduos (Williams et al., 1987). McCartney (1994), ao avaliar problemas ortopédicos em 327 pombos atendidos em um Hospital Veterinário da Inglaterra, concluiu que as fraturas representam 70,3% dos atendimentos.

Segundo Williams et al. (1987) e Levitt (1989), o aparelho de fixação esquelética externa tipo II é ideal para o tratamento de fraturas de rádio, ulna e de tibiotarso em aves, pois devido ao fato de a cortical óssea das aves ser bastante fina, o fixador esquelético externo tipo I tende a ser inadequado, podendo ocorrer o afrouxamento precoce dos pinos e com isso falha no método de imobilização. Levitt (1989) indicou que o aparelho tipo I deve sempre ser associado a outros métodos de imobilização, como os pinos intramedulares.

Egger et al. (1986) utilizaram o fixador esquelético externo tipo I em 10 casos de fraturas de difícil estabilização em cães e gatos, obtendo sucesso em oito deles. Behrens et al. (1983), em um estudo com humanos portadores de fratura exposta de tíbia e tratados com fixação esquelética externa tipo I, concluíram que o método promove adequada imobilização óssea, permitindo que as fraturas se consolidem adequadamente.

Em estudo biomecânico utilizando tíbias de cães, Brinker et al. (1985) não encontraram diferença significativa quando aumentaram de dois para três ou quatro pinos em cada segmento da fratura ao utilizar o fixador esquelético externo tipo I.

Segundo Kuzma (1992), um dos benefícios dos fixadores esqueléticos externos é a possibilidade de utilização da técnica de redução óssea fechada, ou seja, sem a exposição dos fragmentos ósseos, o que não rompe o hematoma da fratura, mantém o suprimento sangüíneo e diminui os riscos de osteomielite. Além dessas vantagens, a redução fechada resulta em menor tempo cirúrgico, pois elimina o tempo necessário para exposição e reconstrução dos fragmentos ósseos, diminuindo o período anestésico e os riscos de vida para pacientes severamente traumatizados (Dudley et al., 1997).

Harari et al. (1996) comentaram que ao se utilizar o método fechado de redução da fratura, a palpação é importante para evitar deformidades do membro. Segundo os autores, o cirurgião deve sempre objetivar a manutenção de no mínimo 50% de contato entre os fragmentos ósseos, para que a cicatrização óssea não seja afetada.

Segundo Harari et al. (1996), fraturas transversas de rádio e tíbia de cães podem ser estabilizadas adequadamente com o uso de um fixador esquelético externo associado ao método fechado de redução da fratura. Johnson et al. (1989), ao realizar em osteossíntese de rádio e ulna em 28 cães da rotina hospitalar, evidenciaram que nos animais nos quais a redução fechada foi feita houve menor tempo para remoção do fixador e retorno mais rápido à utilização do membro fraturado. No mesmo estudo, identificaram grande número de fraturas reduzidas com deformidades anatômicas, atribuindo tal fato à severidade da fratura e ao uso do método fechado para a redução óssea. Apesar de os animais apresentarem deformidades angulares, não foi notado nenhum efeito sobre a função do membro ou sobre o tempo necessário para a consolidação óssea.

Johnson et al. (1989) comentaram que a lise óssea ao redor dos pinos é a complicação mais freqüente quando se utilizam os fixadores esqueléticos externos, sendo radiograficamente visível a partir do 30º dia da colocação do aparelho. Segundo Gumbs et al. (1988), o pino proximal é o mais comumente afetado por tal problema, pois é sobre esse pino que é exercida a maior força quando o animal apoia o membro, resultando com isso em necrose óssea no local de inserção do pino no osso. Johnson et al. (1989) e Lewis & Bloomberg (1994) citaram que a drenagem no local de inserção do pino e o seu afrouxamento, além da reação periosteal, são complicações comuns com o uso dessa técnica de osteossíntese. Segundo Lewis & Bloomberg (1994), normalmente esses problemas estão relacionados entre si e produzem incômodo ao animal, diminuindo, com isso, o uso do membro operado.

O aparelho de fixação esquelética externa associado à redução fechada é um método freqüentemente utilizado no tratamento de fraturas em cães e gatos com excelentes resultados, porém é pouco utilizado no tratamento de fraturas em aves. Os objetivos do presente experimento foram avaliar a eficiência da fixação esquelética externa tipo I, o método fechado de redução das fraturas e o tempo necessário para a consolidação óssea de fraturas diafisárias de tibiotarso em pombos domésticos (Columba lívia).

 

MATERIAL E MÉTODOS

Foram utilizados 10 pombos domésticos (Columba livia), machos, adultos, com média de peso de 363± 50 gramas, alojados individualmente ou aos pares em gaiolas de 1m2, onde permaneceram por no mínimo 15 dias para adaptação ao local e à alimentação (Super esporte 2000: Beppler Importação e Exportação Ltda. São José – SC.).

Após 12 horas de jejum, cada ave foi encaminhada ao centro cirúrgico do laboratório de cirurgia experimental do Hospital Veterinário da UFSM, onde foi anestesiada com cloridrato de xilazina (Coopazine: Millinckrodt Veterinária Ltda. Cotia – SP.) e cloridrato de cetamina (Francotar: Virbac do Brasil. São Paulo – SP), na dose inicial de 4mg/kg e 20mg/kg, respectivamente, pela via intramuscular (músculo peitoral). Quando necessário foi efetuada suplementação anestésica com as mesmas doses dos medicamentos. Após o animal estar em plano cirúrgico de anestesia, foi efetuada a remoção manual das penas localizadas na região tibiotársica direita e, em seguida, anti-sepsia do local com gluconato de clorexidina (Gluconato de Clorexidina 4%: Vico Farma, Farmácia de Manipulação. Santa Maria – RS.) 4%.

Com o animal em decúbito lateral esquerdo, foi produzida uma fratura na região diafisária do tibiotarso direito utilizando-se pressão digital látero-medial. Após a realização da fratura, quatro pinos de Kirschner (1mm), dois proximais e dois distais ao foco da fratura, foram introduzidos com a ajuda de um introdutor manual de Jacobs pela face lateral do membro, de maneira a atravessar a pele, a musculatura, a cortical óssea e o canal medular, fixando-se na cortical oposta. O pino mais proximal e o mais distal foram os primeiros a serem inseridos seguidos pelos pinos médios. Todos foram introduzidos formando um ângulo de aproximadamente 70 graus em relação ao eixo longitudinal do osso. Após a introdução dos pinos, a fratura foi manualmente reduzida e os pinos foram externamente conectados por uma barra de acrílico autopolimerizável (Jet acrílico: Artigos Odontológicos Clássico. São Paulo - SP.) na face lateral do tibiotarso (Fig. 1). A distância mantida entre a pele e o acrílico foi de aproximadamente 5mm.

 

 

Todas as aves receberam 2,5mg/kg de flunixin meglumine (Banamine: Schering-Plough Veterinária. Jacarepaguá – RJ.), pela via intramuscular como terapia analgésica e antiinflamatória, tratamento repetido por mais duas vezes com intervalo de 24 horas entre cada administração.

Foi realizado curativo no local de inserção dos pinos na pele com gaze estéril embebida em nitrofurazona (Nitrofurazona: IFAL Indústria e Comércio de Produtos Farmacêuticos. Camaquã – RS), e após, o fixador esquelético externo foi envolvido por uma atadura de crepom. Tal procedimento foi realizado a cada sete dias, até a completa consolidação óssea, quando o aparelho foi removido.

As aves foram encaminhadas ao setor de radiologia imediatamente após o término da cirurgia, onde foram efetuadas radiografias em incidências ântero-posterior e médio-lateral do membro fraturado. Após 15 dias do ato cirúrgico, foram realizadas avaliações radiográficas semanais até o completo desaparecimento da linha de fratura, período considerado como o tempo necessário para a consolidação óssea.

Na avaliação radiográfica também foram observadas a porcentagem de deslocamento transversal dos fragmentos ósseos, obtida pela divisão do deslocamento transversal dos fragmentos (mm) pelo diâmetro ósseo (mm) (Fig. 2), a presença de deformidade angular e/ou rotacional e a presença de osteólise no local de inserção dos pinos.

 

 

A cada dois dias após o procedimento cirúrgico e até o 15º dia após a retirada do aparelho avaliou-se o uso do membro operado, tendo como base as seguintes condições: grau I - animal não se mantém em estação; grau II - animal em estação, porém sem apoio do membro; grau III - apoio do membro em estação, porém sem sua utilização ao caminhar; grau IV - uso claudicante do membro ao caminhar; grau V - utilização do membro sem qualquer restrição.

Após a confirmação radiográfica da consolidação óssea (ausência completa da linha de fratura), cada ave foi anestesiada com a associação de cloridrato de xilazina (1mg/kg) e cloridrato de cetamina (10mg/kg), ambos pela via intramuscular, para a remoção do aparelho de fixação esquelética externa, efetuada com a ajuda de um alicate ortopédico.

Inicialmente foi realizada a análise estatística descritiva das variáveis e testado o ajustamento das suas distribuições em relação à distribuição normal (P<0,05). Como as distribuições não se ajustaram à distribuição normal no nível especificado, foram feitos estudos de correlação de Spearman no mesmo nível de significância. Para análise, foi utilizado o pacote estatístico SAS, versão 6.08.

 

RESULTADOS

O tempo médio e o desvio-padrão para a consolidação radiográfica das fraturas (Fig. 3) foi de 23,4± 3,0 dias. A porcentagem de deslocamento transversal dos fragmentos, a presença de deformidade angular e/ou rotacional e o tempo de consolidação da fratura de tibiotarso dos pombos domésticos encontram-se na Tab 1.

 

 

 

 

Não se observou correlação significativa entre o grau de alinhamento dos fragmentos ósseos e o tempo necessário para a consolidação da fratura.

O introdutor manual de pinos (Jacobs) proporcionou sensibilidade ao cirurgião no momento da introdução dos pinos, evitando assim a fixação inadequada dos pinos na cortical óssea oposta, fato comprovado pela inexistência de afrouxamento ou queda dos pinos. O pino que acarretou maior dificuldade para a sua inserção óssea foi o mais proximal, enquanto que a inserção dos demais pinos foi efetuada com relativa facilidade.

O diâmetro dos pinos utilizados para a confecção do fixador esquelético externo (1mm) representou 29,8% do diâmetro do tibiotarso. Na avaliação radiográfica pós-operatória imediata não foi identificado nenhum caso de fratura ou fissura ocorrido durante a introdução dos pinos.

Não ocorreu drenagem de secreção pelo local da inserção dos pinos em nenhuma ave, além de não terem sido observados quaisquer sinais de atrofia muscular, rigidez articular, osteoporose e não-união óssea.

Em duas aves foi observada radiograficamente aos 29 dias de pós-operatório presença de área radiolucente circundando o pino mais proximal, porém em nenhuma delas houve afrouxamento do aparelho de fixação esquelética externa.

O tempo médio para os pombos alcançarem os diferentes graus de uso funcional do membro encontram-se na Fig. 4. Após a retirada do aparelho de fixação esquelética externa as aves demonstraram clinicamente decréscimo no uso funcional do membro, porém, em média, três dias após a retirada elas voltaram a utilizar o membro sem qualquer restrição.

 

 

DISCUSSÃO

O uso do gluconato de clorexidina 4% foi devido à sua excelente ação como anti-séptico tópico, à baixa possibilidade de ocorrência de reações alérgicas (Nogueira et al.,1999; Silva, 1999) e às contra-indicações da utilização em aves de compostos que contenham álcool em sua formulação. Segundo Bennett (1992), esse produto pode baixar a temperatura corporal das aves e assim trazer problemas anestésicos e/ou cirúrgicos. O gluconato de clorexidina 4% mostrou ser adequado para a anti-sepsia da pele dos pombos, pois além de não terem ocorrido problemas relacionados com o seu contato com a pele, não houve o surgimento de processos infecciosos no ponto de inserção dos pinos. Associado à excelente ação do gluconato de clorexidina 4% comentada por Nogueira et al. (1999) e Silva (1999), um fator que contribuiu de maneira importante para que não ocorressem complicações infecciosas foi a não exposição do foco da fratura. De acordo com Kuzma (1992), com tal procedimento a probabilidade de ocorrerem infecções ósseas diminuem sensivelmente.

Encontram-se na literatura diversos modelos experimentais para a realização de fraturas em animais, como por exemplo serra oscilatória (Tudury & Raiser, 1985), perfuração com pinos seguida de secção com osteótomo (Raphael et al., 1994), fio serra de Gigli (Braden & Brinker, 1973) e pressão digital (Williams et al., 1987). Como um dos objetivos do presente experimento foi testar o método fechado de redução de fratura, optou-se pela utilização da técnica citada por Williams et al. (1987), que foi eficaz e de fácil realização, pois em todos os animais foi produzida uma fratura fechada, diafisária e transversa do tibiotarso.

O introdutor manual de pinos mostrou ser eficiente pelo fato de a cortical óssea das aves ser fina, fato já registrado por Degernes et al. (1998), em aves, e Gumbs et al. (1988) e Harari et al. (1998) em cães, não sendo necessário grande esforço para a inserção dos pinos e com isso diminuindo a oscilação do introdutor e as complicações advindas desse procedimento.

Neste experimento foram utilizados apenas dois pinos em cada segmento do osso fraturado, pois além de Brinker et al. (1985), em um estudo biomecânico, não terem encontrado diferença significativa entre fixadores esqueléticos externos tipo I com dois, três ou quatro pinos em cada segmento ósseo, o pequeno tamanho do tibiotarso dos pombos e a angulação dos pinos dificultariam a colocação de maior número de pinos sem a fragilização do osso, predispondo assim à ocorrência de fraturas ou fissuras durante a introdução dos pinos (Roe, 1995).

Apesar de Levitt (1989) ter comentado que o aparelho de fixação esquelética externa tipo I não deveria ser utilizado isoladamente em osteossínteses em aves pela alta possibilidade de afrouxamento dos pinos e conseqüente falha no método de imobilização, no presente estudo não foram observados tais problemas, indicando que a ocorrência de tais complicações não têm relação com o uso do fixador esquelético externo tipo I, mas provavelmente a traumas ocorridos durante a manipulação da ave e/ou a falhas técnicas durante a inserção dos pinos.

Como citado por Johnson et al. (1989), na análise estatística não se observou correlação significativa entre o grau de alinhamento transversal dos fragmentos e o tempo necessário para a consolidação da fratura. Isso provavelmente foi devido à obtenção, em todas as aves, de no mínimo 50% de contato entre os fragmentos ósseos, pois com isso a cicatrização ocorre sem qualquer problema, como citado por Harari et al. (1996) em cães e confirmado no presente experimento.

A baixa freqüência de complicações com o uso dos fixadores esqueléticos externos encontrada neste experimento foi provavelmente devida à rápida consolidação óssea, com curto tempo de permanência do aparelho, pois como Johnson et al. (1989) citaram, a osteólise junto ao local de inserção dos pinos só é radiograficamente visível a partir do 30º dia de pós-operatório, e neste experimento o tempo médio de permanência do aparelho nas aves foi de 23,4± 2,95 dias, diminuindo assim a freqüência de tal complicação.

Em nenhuma ave houve drenagem de secreção no ponto de inserção dos pinos na pele, mostrando que o intervalo de sete dias para a substituição do curativo local foi adequado para evitar a ocorrência de contaminação e infecção no orifício de inserção dos pinos na pele. Os curativos locais devem ser realizados com o maior intervalo possível, pois sabe-se que as aves são animais sujeitos ao estresse, e quanto maior a manipulação, maior é a chance de desencadeamento desse processo.

O acrílico auto-polimerizável foi adequado para a fixação externa dos pinos, pois além de ter baixo custo, ser radiolucente e de fácil manipulação (Ohashi et al., 1983; Tomlinson & Constantinescu, 1991), é uma ótima alternativa ao uso de barras metálicas, pois estas não estão disponíveis no comércio em dimensões adequadas para a utilização em aves de porte similar às utilizadas neste experimento.

 

CONCLUSÕES

Os resultado obtidos permitem concluir que: 1 - o fixador esquelético externo tipo I é eficiente para o tratamento de fraturas diafisárias de tibiotarso em pombos domésticos; 2 - o método fechado de redução de fratura não permite redução anatômica dos fragmentos ósseos, porém a consolidação óssea ocorre sem complicações; 3 - o tempo médio para a consolidação radiográfica de fraturas diafisárias de tibiotarso em pombos domésticos utilizando fixador esquelético externo tipo I é de 23,4± 3,0 dias.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BEHRENS, F.; COMFORT, T.H.; SEARLS, K. et al. Unilateral external fixation for severe open tibial fractures – Preliminary report of a prospective study.Clin. Orthop. Related Res., n.178, p.111-120, 1983.        [ Links ]

BENNETT, R.A. Patient preparation for avian surgery. In: ACVS VETERINARY SYMPOSIUM, 1992, Miami, Florida. Proceedings... Miami: The American College of Veterinary Surgeons, 1992, p.622-624.        [ Links ]

BRADEN, T.D.; BRINKER, W.O. Effect of certain internal fixation devices on functional limb usage in dogs. J. Am. Vet. Med. Assoc.,v.162, p.642-646, 1973.        [ Links ]

BRINKER, W.O.; VERSTRAETE, M.C.; SOUTAS-LITTLE, R.W. Stiffness studies on various configurations and types of external fixators. J. Am. Anim. Hosp. Assoc.,v.21, p.801-808, 1985.        [ Links ]

DEGERNES, L.A.; ROE, S.C.; ABRAMS, C.F. Holding power of different pin designs and pin insertion methods in avian cortical bone. Vet. Surg.,v.27, p.301-306, 1998.        [ Links ]

DUDLEY, M.; JOHNSON, A.L.; OLMSTEAD, M. et al. Open reduction and bone plate stabilization compared with closed reduction and external fixation, for treatment of comminuted tibial fractures: 47 cases (1980-1995) in dogs. J. Am. Vet. Med. Assoc.,v.211, p.1008-1012, 1997.        [ Links ]

EGGER, E.L.; RUNYON, C.L.; RIGG, D.L. Use of the type I double connecting bar configuration of external skeletal fixation on long bone fractures in dogs: a review of 10 cases. J. Am. Anim. Hosp. Assoc.,v.22, p.57-64, 1986.        [ Links ]

GUMBS, J.M.; BRINKER, W.O.; DECAMP, C.E. et al. Comparison of acute and chronic pull-out resistance of pins used with the external fixator (Kirschner splint). J. Am. Anim. Hosp. Assoc., v.24, p.231-234, 1988.        [ Links ]

HARARI, J.; SEGUIN, B.; BEBCHUK, T. et al. Closed repair of tibial and radial fractures with external skeletal fixation. Comp. Cont. Educ. Pract. Vet.,v.18, p.651-665, 1996.        [ Links ]

HARARI, J.; SEGUIN, B.; PADGETT, S.L. Principles of external skeletal fixation in small animal surgery. Vet. Med., v.93, p.445-453, 1998.        [ Links ]

JOHNSON, A.L.; KNELLER, S.K.; WEIGEL, R.M. Radial and tibial fracture repair with external skeletal fixation: effects of fracture type, reduction, and complications on healing. Vet. Surg., v.18, p.367-372, 1989.        [ Links ]

KUZMA, A. Avian orthopedics: an overview. In: ACVS VETERINARY SYMPOSIUM, 1992, Miami, Florida. Proceedings... Miami: The American College of Veterinary Surgeons, 1992, p.625-627.        [ Links ]

LEVITT, L. Avian orthopedics. Comp. Cont. Educ. Pract. Vet.,v.11, p.899-929, 1989.        [ Links ]

LEWIS, D.D.; BLOOMBERG, M.S. Fijación ósea externa. Waltham Focus, v.4, p.9-18, 1994.        [ Links ]

McCARTNEY, W.T. Orthopaedic injuries in pigeons. Vet. Rec., v.134, p.305-307, 1994.        [ Links ]

NOGUEIRA, C.C.C.; FRANCO, R.M.; VASCONCELLOS, C.H.C. et al. Avaliação de três anti-sépticos na redução da microbiota cutânea abdominal em gatos. Rev. Bras. Ciênc. Vet., v.6, p.9-13, 1999.         [ Links ]

OHASHI, T.; INOUE, S.; KAJIKAWA, K. External skeletal fixation using methylmethacrylate. Clinic. Orthop. Rel. Res.,n.178, p.121-129, 1983.        [ Links ]

RAPHAEL, S.C.; RAISER, A.G.; PIROLO, J. Tratamento de fratura diafisária tibial, em gatos, com pinos de transfixação percutânea, imobilizados por resina acrílica, com e sem pino intramedular. Arq. Bras. Med. Vet. Zootec.,v.46, p.253-262, 1994.        [ Links ]

ROE, S.C. Mechanics of external fixators. In: ACVS VETERINARY SYMPOSIUM, 1995, Chicago, Illinois. Proceedings... Chicago: The American College of Veterinary Surgeons, 1995, p.319-321.        [ Links ]

SILVA, D.R. Gluconato de clorexidina ou álcool-iodo-álcool na anti-sepsia de campo operatório em cães.1999. 32p. Dissertação (Mestrado em Medicina Veterinária) –Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, RS, 1999.        [ Links ]

TOMLINSON, J.L.; CONSTANTINESCU, G.M. Acrylic external skeletal fixation of fractures. Comp. Cont. Educ. Pract. Vet.,v.13, p.235-241, 1991.        [ Links ]

TUDURY, E.A.; RAISER, A.G. Redução de fraturas distais do fêmur de cães, empregando dois pinos de Steinmann em substituição aos de Rush. Rev. Centro Ciênc. Rurais, v.15, p.141-155, 1985.        [ Links ]

WESTFALL, M.L.; EGGER, L.E. The management of long bone fractures in birds. Iowa State Veterinarian, v.41, p.81-87, 1979.        [ Links ]

WILLIAMS, R.; HOLLAND, M.; MILTON, J.L. et al. A comparative study of treatment methods for long bone fractures. Comp. Anim. Pract., v.1, p.48-55, 1987.        [ Links ]

Creative Commons License All the contents of this journal, except where otherwise noted, is licensed under a Creative Commons Attribution License