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Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia

Print version ISSN 0102-0935On-line version ISSN 1678-4162

Arq. Bras. Med. Vet. Zootec. vol.54 no.3 Belo Horizonte June 2002

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-09352002000300012 

Biodisponibilidade de cobre de diferentes fontes para coelhos

[Copper bioavailability from different sources for rabbits]

 

S.G. Cavalcante1, W.M. Ferreira1*, S.S. Valente2, G.S. Santiago3, J.C.C.A. Dias1, A.P. Naranjo1

1Escola de Veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais
Caixa Postal 567
30123-970 - Belo Horizonte, MG

2
Escola de Veterinária da Universidade Estadual de Tocantins

3
Faculdade de Veterinária da Universidade Estadual de Ceará

 

 

RESUMO

Utilizaram-se 140 coelhos das raças Nova Zelândia Branco e Califórnia, com 60 dias de idade, de ambos os sexos, distribuídos em 14 tratamentos experimentais, com o objetivo de determinar a biodisponibilidade de cobre (Cu) de três fontes inorgânicas, óxido de cobre (tratamento OC), sulfato de cobre (tratamento SC) e carbonato de cobre (tratamento CC) e uma orgânica, quelato de cobre (tratamento QC), usadas nas concentrações de 0, 20, 40, 80 e 160 ppm para a curva padrão. O maior consumo de ração ocorreu nos tratamentos 80SC, 80OC, 40SC, 160SC, 0C, 20SC, 40CC e 40OC e os menores resultados nos tratamentos 160QC, 40QC, 80CC, 160CC e 160OC (R2= 0,1913). Para ganho de peso o melhor tratamento foi 80SC e o pior 80CC (R2=0,2358). Para conversão alimentar, os tratamentos 80CC, 80SC, 0C, 20SC e 80QC apresentaram nessa ordem os maiores valores e o menor valor foi em 40QC. Para o cobre no fígado, o tratamento 160CC apresentou o maior valor, e 80SC e 40SC os menores. Não houve diferenças com relação ao sexo, mas os animais Nova Zelândia Branco apresentaram maior deposição de cobre. Pelos resultados chegou-se à equação de regressão: YCu= 1,37 + 3,83 x1 + 2,77 x2 + 2,83 x3 + 2,84 x4 + 2,84 x5 (R2 = 0,3288).

Palavras-chave: Coelho, biodisponibilidade, cobre, fonte orgânica, fonte inorgânica.

 

ABSTRACT

One hundred and forty New Zealand White and Californian 60-day-old male and female rabbits were used in a bioavailability study of copper suplement sources. Three inorganic sources: copper oxide (CO treatment), copper sulfate (SC treatment) and copper carbonate (CC treatment) and one organic source, copper quelate (QC treatment) were tested. Copper concentrations in the diets were 0, 20, 40, 80 or 160 ppm as standard curve. Daily dry matter intake were high in 80SC, 80OC, 80QC, 40SC, 160SC, 0C, 20SC, 40CC and 40OC treatments and low in 160QC, 40QC, 80CC, 160CC and 160OC treatments (R2= 0.1913). Best average daily gain was for 80SC treatment and low value was observed in 80CC treatment (R2=0.2358). Feed conversion was higher for treatments 80CC, 80SC, 0 OC, 20SC and 80QC and lower for 40QC treatment. Copper levels in the liver was higher for 160CC treatment compared to 80SC and 40SC treatments. No difference between sex in Cu deposition was found. New Zealand White rabbits had more copper levels in the liver than Californian rabbits. Using the linear regression technique (slope ratio) it was found the equation: YCu= 1,37 + 3,83 x1 + 2,77 x2 + 2,83 x3 + 2,84 x4 + 2,84 x5 (R2 = 0,3288).

Keywords: Rabbit, bioavailability, copper, organic sources, inorganic sources.

 

 

INTRODUÇÃO

Segundo Lang (1981), apesar de as concentrações mínimas e dos níveis tóxicos de muitos minerais já terem sido estudados em coelhos, poucas estimativas foram feitas para estabelecer os requisitos para o máximo desempenho, existindo discrepâncias entre muitas recomendações.

Como não há o requisito específico, é comum suplementar os animais com uma concentração mínima comumente indicada para outras espécies. Além disso, ainda há diferenças entre as fontes inorgânicas e aquelas ligadas a aminoácidos (aa) e/ou proteínas (Mateos, 1989). É necessário então prover de elementos minerais que sejam biologicamente disponíveis, pois o fato de um mineral estar presente na dieta ou incluso em um alimento não garante que ele seja absorvido e metabolizado.

Este trabalho foi realizado com o objetivo de determinar o nível mais adequado de cobre (Cu) necessário para coelhos e determinar a biodisponibilidade de quatro fontes (três inorgânicas e uma orgânica) de cobre nas condições brasileiras.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Foram analisados fígados de 140 coelhos Nova Zelândia Branco ou Califórnia, com 60 dias de idade, de ambos os sexos, com peso inicial médio de 1992,28 ± 213,34g.

Os animais receberam uma dieta basal (Tab. 1) de acordo com as suas necessidades (De Blas, 1989), constituída de milho, feno de alfafa, farelo de trigo e farelo de soja, sal, mistura vitamínico-mineral (livre de Cu) e um complemento constituído de uma das fontes de Cu e quantidade de óxido de zinco (ZnO) necessária para suprir os requisitos dos animais (Smith et al., 1997), complemento este diluído em caolim, que funcionou como substância inerte.

 

 

Nos alimentos foram determinados os teores de proteína bruta (PB), fibra em detergente ácido (FDA), cálcio (Ca), fósforo (P) e cobre (Cu) (AOAC, 1995; Van Soest et al., 1991).

As fontes de Cu testadas foram: sulfato de cobre (CuSO4), considerado como 100% disponível, óxido de cobre (CuO), carbonato de cobre (CuCO3) e uma fonte de quelato de cobre (bioplex de cobre)1 a 10% (CuQ).

Os tratamentos consistiram de: 0C-0 ppm de cobre; 20SC-20 ppm de cobre proveniente do CuSO4; 40SC-40 ppm de cobre proveniente do CuSO4; 80SC-80 ppm de cobre proveniente do CuSO4; 160SC-160 ppm de cobre proveniente do CuSO4; 40OC-40 ppm de cobre proveniente do CuO; 80OC-80 ppm de cobre proveniente do CuO; 160OC-160 ppm de cobre proveniente do CuO; 40CC-40 ppm de cobre proveniente do CuCO3; 80CC-80 ppm de cobre proveniente do CuCO3; 160CC-160 ppm de cobre proveniente do CuCO3; 40QC-40 ppm de cobre proveniente do CuQ a 10%; 80QC-80 ppm de cobre proveniente do CuQ a 10% e 160QC 160 ppm de cobre proveniente do CuQ a 10%.

A composição centesimal dos complementos é apresentada na Tab. 2

 

 

As dietas foram peletizadas e oferecidas aos animais considerando-se uma semana de adaptação e 30 dias de período experimental. Durante esse período os animais receberam 100 g de ração/cabeça/dia e água desmineralizada à vontade.

Ao final dos experimentos determinaram-se ganho em peso (GP), consumo de ração (CR) e conversão alimentar (CA). Todos os animais foram sacrificados por sangramento na jugular para se obterem as amostras de fígado total. O material foi acondicionado em sacos plásticos devidamente identificados, sendo congelados para posterior processamento e análises.

As amostras de fígado foram trituradas utilizando-se gral e pistilo com objetivo de aumentar a superfície de contato. Desse material foram pesados aproximadamente 5g em cadinho de porcelana, utilizados apenas para análises de microminerais, seguindo-se o procedimento recomendado pelo Laboratório Nacional de Referência Animal, que consiste em adicionar à amostra 2,5ml de nitrato de magnésio [Mg(NO3)2.6 H2O] a 66,6%, com o objetivo de homogeinizá-la antes de proceder à digestão ácida, já que a concentração não necessariamente está distribuída por igual em todo o tecido. Em seguida a amostra foi seca em capela aquecedora provida de exaustor a 100ºC, e logo incinerada a 550ºC por 16 horas. Após resfriada, foram adicionados 2ml de ácido nítrico (HNO3) a 50%, cuja finalidade era clarear as cinzas resultantes, sendo o cadinho novamente levado à chapa aquecedora para evaporação da solução de HNO3, retornando à mufla por mais duas horas, a 550º C. As cinzas finais foram dissolvidas com 10ml de ácido clorídrico (HCl) 1 N, sendo a leitura realizada no espectrofotômetro de absorção atômica Perkin Elmer 403 a 324,7 nanômetros.

Por regressão linear múltipla, usando-se a concentração do mineral no fígado como variável dependente (Y) e o consumo de mineral da ração basal e dos sais testes como variáveis independentes (X), obteve-se uma equação do tipo Y= a + b1x1 + b2x2 + b3x3 + b4x4 + b5x5, sendo x1= consumo de mineral da ração basal, x2= consumo de Cu do CuSO4, x3= consumo de Cu do CuCO3, x4= consumo de Cu do CuOe x5= consumo de Cu do quelato.

A biodisponibilidade foi calculada pela relação dos coeficientes de regressão (Slope Ratio Technique), considerando-se o Cu do CuSO4 como 100% disponível. Exemplo: b4 (CuO) / b2 (CuSO4) x 100 = % Cu disponível.

A análise de variância foi feita levando-se em conta um delineamento inteiramente ao acaso usando-se o pacote estatístico SAS (1985). O teste Duncan a 5% de probabilidade foi usado para comparação de médias.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os valores de consumo de ração, ganho em peso e conversão alimentar são apresentados nas Tab. 3.

 

 

No consumo da ração (CR), o tratamento 80SC apresentou o maior valor, mas ele foi semelhante aos tratamentos 80OC e 80QC, 40SC e 160SC, 0C, 20SC, 40CC e 40OC, nessa ordem de grandeza de valores. Os menores resultados de CR foram apresentados por 160QC, mas o valor desse tratamento foi semelhante aos de 40QC, 80CC, 160CC e 160OC. Estes resultados apontaram R2= 0,1913.

Os tratamentos que apresentaram os melhores resultados de CR são os da concentração de 80 ppm de sulfato, óxido e quelato. Isso contrasta com o trabalho de Filgueiras (1997), que ao usar suínos, verificou que o CR não foi influenciado pela concentração de sulfato e óxido.

Quanto ao ganho de peso (GP), 80SC apresentou melhor resultado porém semelhante aos valores de 40QC, 160CC, 160OC, 40CC, 160QC e 40OC, nessa ordem de grandeza. Os três últimos não diferiram de 40SC, 160SC, 80QC, 20SC, 80SC e 0C. O tratamento 80CC apresentou o menor resultado. Para essa variável, a análise estatística apontou um R2=0,2358.

Para o índice de conversão alimentar (CA), os tratamentos 80CC, 80SC, 0C, 20SC e 80QC foram semelhantes entre si, apresentando os maiores valores. O mesmo ocorreu entre 160SC, 40SC e 80OC, que não diferiram dos anteriores nem de 40OC, 40CC, 160OC, 160QC e 160CC. O melhor valor de CA foi apresentado pelo tratamento 40QC. Para essa variável encontrou-se R2= 0,2451.

Estes resultados diferem de pesquisas relacionadas com frangos (Zanetti et al., 1991; Baker et al., 1991; Ledoux et al., 1991; Cachoni, 1993) e suínos (Filgueiras, 1997), as quais não mostraram diferenças significativas no ganho de peso e na conversão alimentar quando do uso de diferentes níveis e fontes de suplementação de cobre.

Os resultados da análise de Cu (em ppm) no fígado dos animais estão na Tab. 4. Eles estão expressos na base de matéria fresca, sendo o valor médio de matéria seca para o órgão de 69%.

 

 

Quando as reservas hepáticas de Cu foram relacionadas à raça, foi observado que os animais Nova Zelândia Branco apresentaram teor do mineral mais elevado (P<0,05) que o da raça Califórnia (Tab. 5). Quando se considerou o sexo, não houve diferença significativa entre as variáveis estudadas (P>0,05).

 

 

Quando se compararam dentro de uma determinada concentração mineral as fontes de Cu e dentro da fonte as concentrações, obtiveram-se os resultados apresentados na Tab. 6.

 

 

Quando comparados os níveis do mineral em função das fontes, observa-se que não houve diferença na deposição do mineral quando do uso de sulfato e do óxido de cobre, no entanto houve maior deposição quando do emprego de carbonato e do quelato de cobre no nível de 160ppm.

Ao comparar as diferentes fontes dentro do mesmo nível nota-se que com 40ppm a maior concentração foi obtida com óxido e a menor com sulfato de cobre; com 160ppm a melhor deposição foi com carbonato e as menores com sulfato e óxido de cobre.

A equação de regressão múltipla obtida por meio dos dados de consumo de Cu nas dietas-teste foi:

YCu= 1,37 + 3,83 x1 + 2,77 x2 + 2,83 x3 + 2,84 x4 + 2,84 x5 (R2 = 0,3288)

Pode-se inferir a partir dessa equação que a biodisponibidade das fontes de cobre foram: sulfato 100%, óxido 102,61%, carbonato 102,09% e quelato 102,53%

 

CONCLUSÕES

Nas condições em que se desenvolveu este experimento pode-se concluir que: 1. as fontes de cobre classicamente consideradas como padrão pela literatura nem sempre proporcionam melhores resultados, quando usadas para coelhos; 2. pode-se considerar que todas as fontes foram semelhantes em valores de biodisponibilidade, e podem ser escolhidas segundo o fator econômico.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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