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Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia

versão impressa ISSN 0102-0935versão On-line ISSN 1678-4162

Arq. Bras. Med. Vet. Zootec. v.54 n.4 Belo Horizonte jul./ago. 2002

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-09352002000400001 

Estudo comparativo da virulência de amostras de vacina do vírus da doença de Newcastle em galinhas SPF por meio da análise morfométrica da espessura traqueal

[Comparative morphometric analysis of vaccinal virulence of some lentogenic strains of Newcastle disease virus in tracheas of SPF chickens]

 

J.E.S. Nunes1, A.C. Vasconcelos2*, M.A. Jorge3, E.B. Guimarães4, T.A. Paixão5, N.R.S. Martins6, J.S. Resende6

1Mestre em Patologia Geral pela UFMG
2Instituto de Ciências Biológicas/UFMG Caixa postal 486
31270-901 Belo Horizonte, MG
3Pesquisador-EPAMIG.
4Doutor em Ciência Animal pela UFMG.
5Bolsista de Iniciação Científica/PrPq/PIBIC/CNPq.
6EV/UFMG

 

*Autor para correspondência
Recebido para publicação em 7 de julho de 2001
Recebido para publicação, após modificações, em 21 de junho de 2002
E-mail: jairoedu@icb.ufmg.br

 

 

RESUMO

A virulência das amostras de vacinas lentogênicas La Sota, Ulster e VG-GA do vírus da doença de Newcastle (VDN) foi determinada por análise morfométrica da espessura da traquéia de galinhas (n=12) de 45 dias de idade, livres de anticorpos anti-VDN, vacinadas por via intra-traqueal. As traquéias foram avaliadas 1, 2, 3, 4, 6 e 8 dias pós-vacinação. A amostra La Sota induziu maior espessamento da traquéia no decorrer de todo período experimental. Ao terceiro dia pós-vacinação, período em que as traquéias se apresentaram mais espessas, as amostras La Sota e Ulster não diferiram em sua virulência, sendo ambas mais virulentas do que a amostra VG-GA, induzindo maior espessamento de traquéia e causando lesões histológicas mais severas.

Palavras-chave: Galinha, virulência, vacina lentogênica, doença de Newcastle

 

ABSTRACT

Virulence of three vaccinal lentogenic strains (La Sota, Ulster and VG-GA) of the Newcastle disease virus (NDV) was determined by morphometric analysis of tracheal thickness, in 45-day-old SPF chickens (n=12), free from NDV antibodies. Tracheal thickness was evaluated 1, 2, 3, 4, 6, and 8 days after intratracheal vaccination. La Sota strain induced higher tracheal swelling than the others, during most of the time of the experiment. Maximum swelling of tracheal mucosa occurred at the third day after vaccination. At that time, La Sota and Ulster had the same virulence, and both caused higher swelling of tracheal mucosa than VG-GA strain.

Keywords: Chicken, virulence, lentogenic vaccines, Newcastle disease

 

 

INTRODUÇÃO

Amostras do vírus da doença de Newcastle (VDN) são classificadas de acordo com a sua virulência em velogênicas, mesogênicas e lentogênicas (Allan et al., 1973). Os métodos disponíveis para essa classificação distinguem amostras com acentuada diferença no seu potencial patogênico, porém podem produzir resultados discrepantes com amostras de virulência similar. As amostras de VDN usadas como vacina viva estão entre as lentogênicas, que apresentam variações individuais de virulência para o trato respiratório da galinha (Alexander, 1991).

As lesões inflamatórias mais freqüentes das traquéias devidas ao VDN incluem tumefação da mucosa, com hiperemia, edema, infiltrado de linfócitos e heterófilos e associam-se diretamente à virulência das amostras (Alexander, 1991; Abdul-Aziz & Arp, 1983a).

O objetivo deste estudo foi comparar a virulência das amostras La Sota (LS), Ulster (UL) e VG-GA(VG) do VDN por meio de análise morfométrica da espessura da mucosa da traquéia, durante a reação de fase aguda, em galinhas SPF livres de anticorpos anti-VDN, vacinadas por via intra-traqueal.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Foram utilizadas 12 galinhas SPF de 45 dias de idade, criadas em baterias. As galinhas foram separadas em quatro grupos experimentais, cada um deles com três animais. Em três grupos os animais foram vacinados por via intra-traqueal, nos quais cada um recebeu uma amostra vacinal diferente. O quarto grupo ou grupo-controle recebeu salina tamponada fosfatada (PBS), pH 7,0. Vacinas comerciais com as amostras LS, UL e VG de VDN foram adquiridas de mesma partida e tituladas em ovos embrionados de galinhas SPF, para ajuste da dose vacinal de 6,5 log10 DIOE50/ave.

Os tratamentos foram mantidos em salas independentes. Cloranfenicol em concentração de 130mg/l de água foi administrado às aves por quatro dias consecutivos, até 48 horas antes do início do experimento, com a finalidade de minimizar eventuais infecções bacterianas pós-vacinação. De 0 a 4, e aos 6 e 8 dias pós-vacinação, as aves foram sacrificadas por eletrocussão e fragmentos da porção anterior da traquéia, livres de resíduos grosseiros de tecidos anexos, foram recolhidos após laceramento da pele do pescoço e fixados em formol tamponado. Posteriormente este material foi processado, incluído em parafina e microtomizado a 4mm, retirando-se três cortes de cada bloco. Cada um dos cortes deu origem a uma lâmina histológica.

As lâminas foram coradas pela hematoxilina-eosina (HE) e examinadas em microscopia óptica para avaliação da intensidade da lesão e análise morfométrica da traquéia. A mensuração da espessura máxima da mucosa da traquéia foi feita com o auxílio de um programa analisador de imagens (Kontron KS-300 v2.0), em três segmentos, distanciados 250mm entre si, sendo o segmento intermediário o que apresentou maior espessura em toda a secção. Os dados foram comparados usando-se o teste t de Student.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Morfologicamente o grau das lesões da traquéia variou de acordo com a amostra vacinal. As amostras LS e UL induziram lesões mais severas do que a amostra VG. As lesões observadas com maior freqüência foram hiperemia, erosão do epitélio e infiltrado inflamatório (Fig. 1). Estes resultados são semelhantes aos de Santos (1995), que observou lesões similares em frangos vacinados via intra-traqueal com as amostras La Sota e VG-GA, sete dias pós-vacinação.

 

 

A menor intensidade das lesões induzidas pela amostra VG no trato respiratório é explicada por tratar-se de uma amostra mais enterotrópica. Graus mais avançados de lesão de tecidos em resposta à agressão pelo vírus estavam ausentes na traquéia. Assim, não se constatou a hipertrofia das células das glândulas mucosa e cilíndrico-ciliadas, traduzida por edema intracelular, relatada por Kelleher (1988) e Hamid (1991).

Na amostra LS, o infiltrado inflamatório foi difuso, atingindo toda a extensão da mucosa, ao contrário das outras amostras onde o infiltrado inflamatório teve distribuição focal ou multifocal. Estes achados estão de acordo com Abdul-Aziz & Arp (1983b), que avaliaram a progressão de lesões da traquéia em perus expostos a aerossol da cepa LS do VDN.

Morfometricamente foram observadas diferenças significativas entre as amostras de VDN estudadas quanto à espessura da traquéia durante o período experimental (Fig.2). As amostras dos grupos LS e UL induziram maior espessamento da traquéia quando comparado ao das amostras dos grupos VG e controle.

 

 

As aves tratadas com a amostra La Sota tiveram recuperação mais lenta após o pico de maior espessamento da traquéia, que ocorreu entre o terceiro e quarto dia pós-vacinação, concordando com estudo anterior em que se quantificou o edema da traquéia a partir do teor hídrico (Jorge et al., 1998).

A amostra VG induziu menor espessamento da mucosa da traquéia do que as demais, confirmando sua baixa ação patogênica para esse órgão da galinha, conforme já relatado por Vilegas & Glisson (1990).

 

CONCLUSÃO

A espessura da mucosa da traquéia das galinhas variou segundo a amostra de vacina estudada. As amostras LS e UL induziram maior espessamento da mucosa da traquéia comparado ao da amostra VG. A amostra La Sota determinou menor grau de recuperação da mucosa da traquéia do que a amostra Ulster, após o quarto dia pós inoculação. A mensuração da espessura da mucosa da traquéia parece ser uma medida adequada para análise da virulência das amostras vacinais lentogênicas sobre o sistema respiratório das aves na doença de Newcastle.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALLAN, W.H.; LANCASTER, J.E.; TOTH, B. The production and use of Newcastle diseases vaccines. FAO, Roma. 1973. 114 p.        [ Links ]

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HAMID, H.; CAMPBELL, R.S.F.; PAREDE, L. Studies of pathology of velogenic Newcastle disease: Virus infection in non-immune and immune birds. Avian Pathol., v.20, p.561-575, 1991.        [ Links ]

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