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Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia

Print version ISSN 0102-0935On-line version ISSN 1678-4162

Arq. Bras. Med. Vet. Zootec. vol.55 no.1 Belo Horizonte Feb. 2003

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-09352003000100003 

Efeitos da administração de vitamina E na infecção mamária e na contagem de células somáticas de cabras primíparas desafiadas experimentalmente com Staphylococcus aureus

 

[Effects of administration of vitamin E on mammary health and milk cell counts of first parturition goats experimentally challenged with Staphylococcus aureus]

 

 

P.R.O. PaesI; S.T.A. LopesII; R.S. LopesIII; A. KohayagawaIII; R.K. TakahiraIII; H. LangoniIII

IFaculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da UNESP Distrito de Rubião Júnior 18618-000, Botucatu, SP
IIUniversidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, RS
IIIFMVZ, UNESP, Campus de Botucatu, SP

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

O trabalho teve por objetivo estudar os efeitos da administração de vitamina E sobre a contagem de células somáticas e a infecção da glândula mamária de cabras primíparas desafiadas com a inoculação intramamária de Staphylococcus aureus ao 10º dia pós-parto. Vinte e oito animais foram divididos em quatro grupos, cada um composto por sete cabras primíparas da raça Saanen, como segue: grupo-controle, grupo de animais suplementados com vitamina E, grupo de animais desafiados com S.aureus inoculados na glândula mamária e grupo de animais suplementados com vitamina E e desafiados com S.aureus na glândula mamária. Na segunda e terceira semanas de lactação, a inoculação de S.aureus na glândula mamária permitiu a recuperação do microrganismo no leite e elevou a contagem de células somáticas (CCS). A liberação de S.aureus no leite ocorreu de maneira intermitente. Em animais suplementados com vitamina E, o desafio com S.aureus resultou em CCS mais baixa e menor número de microrganismos no leite. Sugere-se que a CCS possa ser utilizada para a detecção da mastite caprina, devendo-se utilizar contagens superiores a 1,0x106células/ml de leite como critério para a realização de exames microbiológicos.

Palavras-chave: caprino, mastite, Staphylococcus aureus, contagem de células somáticas, vitamina E


ABSTRACT

The objective of the present study was to evaluate the effects of administration of vitamin E on mammary health and milk cell counts of first parturition Saanen goats, experimentally challenged with intramammary inoculation of Staphylococcus aureus on the 10th day postpartum. Twenty-eight animals were distributed into four groups: control group, a group supplemented with vitamin E, a group inoculated with S.aureus and a group supplemented with vitamin E and inoculated with S.aureus. The results demonstrated that, after inoculation of S.aureus into the mammary gland, the microorganism was recovered from the milk, and the somatic cell count was increased. The recovery of S.aureus from milk was intermittent. The increase in milk somatic cell count and the recovery of S.aureus in milk was lower for animals challenged with S.aureus inoculation, but supplemented with vitamin E. Milk somatic cell counts above 1.0´ 106 cells/ml was found to be a good indicator of mastitis problems in goats.

Keywords: goat, mastitis, Staphylococcus aureus, somatic cell count, vitamin E


 

 

INTRODUÇÃO

A mastite é definida como a inflamação da glândula mamária, e qualquer tipo de lesão do tecido mamário pode induzir uma resposta inflamatória ou mastite. A doença de maior relevância é a associada à infecção microbiana. O Staphylococcus aureus constitui-se no mais importante agente etiológico envolvido, por ter alta prevalência e apresentar maior patogenicidade (Maiisi, Riipnem, 1991; Rapoport, 1993).

A mastite é detectada por meio da inspeção do úbere e do leite (Maiisi, Riipnem, 1991). O diagnóstico da mastite dos caprinos pelo leite baseia-se principalmente no isolamento microbiológico, o que requer técnica elaborada, tempo e recursos financeiros (Poutrel, Lerondelle, 1983). Dessa forma, várias técnicas para detectar a inflamação da glândula mamária em cabras têm sido estudadas, sendo as mais aceitas o California Mastitis Test (CMT), pela facilidade de uso no campo, e a contagem de células somáticas (CCS), em razão de sua sensibilidade e especificidade (Contreras et al., 1996).

A CCS do leite abrange os leucócitos e as células epiteliais. O número dessas células aumenta no leite proveniente de cabras com mastite em virtude sobretudo do aumento no número de leucócitos infiltrados (Pettersen, 1981). Na espécie bovina, cuja secreção do leite é do tipo merócrino, a CCS é um bom teste indicador de mastite, já que o resultado da CCS reflete a quantidade de leucócitos, que corresponde ao grau de irritação glandular (Poutrel, Rainard, 1982; Poutrel, Lerondelle, 1983). Na espécie caprina o processo de secreção do tipo autócrino resulta em elevado número de partículas citoplasmáticas e células epiteliais no leite, constituintes do processo fisiológico normal dos animais. Além da mastite, diversos fatores influenciam a CCS do leite caprino, como raça do animal, condições climáticas, número de partos, fase da lactação, número diário de ordenhas e produção individual de leite. Ao contrário da mastite bovina, há dificuldade em estabelecer um valor padrão da CCS para o diagnóstico da mastite caprina (Dulin et al., 1983; Siddique et al., 1988; Kalogridou-Vassiliadou et al., 1992; Deinhofer, Pernthaner, 1995; Boscos et al., 1996; Sung et al., 1999).

A maioria das informações sobre a resposta dos ruminantes aos agentes infecciosos está centralizada nos neutrófilos. A suplementação dos mamíferos com vitamina E é importante para a manutenção dos mecanismos de defesa, que incluem a produção de anticorpos, a proliferação celular, a produção de citocinas, o metabolismo da prostaglandina e as funções dos neutrófilos (Hogan et al., 1993). Os neutrófilos e os macrófagos são responsáveis pela fagocitose de agentes infecciosos. Durante esse processo ocorre uma explosão respiratória caracterizada pelo aumento no metabolismo do oxigênio, que resulta no aumento da produção de superóxido e peróxido de hidrogênio (Hogan et al., 1992). Embora os metabólitos do oxigênio gerados pelos neutrófilos sejam necessários como mecanismo de defesa antimicrobiano, esses radicais livres podem lesionar a célula e os tecidos circunvizinhos (Hogan et al., 1993). A vitamina E é um antioxidante que protege a célula fagocítica e os tecidos do ataque desses radicais livres, melhorando as funções dessas células e, conseqüentemente, aumentando as defesas do organismo (Hogan et al., 1992). Segundo Ndiweni e Finch (1996), o mau funcionamento dos neutrófilos carentes de vitamina E deve-se à ação da grande quantidade de peróxido de hidrogênio formado pela dismutação do superóxido no interior dessas células.

A maioria dos trabalhos que estudaram a influência da vitamina E sobre a mastite bovina é realizada no período do pré-parto, quando ocorre queda nos níveis séricos da vitamina E (Erskine et al., 1997).

O presente trabalho teve por objetivo estudar os efeitos da administração de vitamina E sobre a CCS e a infecção da glândula mamária de cabras primíparas desafiadas com a inoculação intramamária de S.aureus ao 10º dia pós-parto.

 

MATERIAL E MÉTODOS

O trabalho foi realizado no laboratório clínico e no laboratório do núcleo de pesquisa em mastites da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade Estadual Paulista, Campus de Botucatu. Foram utilizadas 28 cabras primíparas da raça Saanen, com idades entre 10 e 16 meses, distribuídas aleatoriamente em quatro grupos, cada um composto por sete cabras. O grupo um foi composto por animais-controle (G1), o grupo dois por animais suplementados com vitamina E (G2), o três por animais desafiados com Staphylococcus aureus (G3) e o quatro por animais suplementados com vitamina E e desafiados com S.aureus (G4). Durante os dois meses que antecederam ao experimento, todos os animais apresentaram valores hematológicos normais e contagens de ovos por grama de fezes (OPG) inferior a 200. A dieta dos animais foi constituída de concentrado, feno de coast-cross, sal mineral e água ad libitum. Para a suplementação com vitamina E utilizou-se acetato de DL-a -tocoferol (2g) em veículo oleoso q.s.p. (20ml). Foram inoculadas 2.000UI de DL-a -tocoferol (20ml) por via intramuscular no dia do parto e a mesma dose no sétimo dia após o parto. Como inóculo utilizou-se Staphylococcus aureus cepa ATCC 25923. Foram inoculados 10ml de solução salina contendo 300 unidades formadoras de colônia (UFC) de S.aureus na glândula mamária esquerda das cabras no 10º dia após o parto. Os animais desafiados com S. aureus (G3 e G4) foram tratados com 200mg de cefapirina sódica infundidos na glândula mamária esquerda por três dias consecutivos (três, quatro e cinco dias após o isolamento do microrganismo no leite).

As variáveis foram avaliadas em sete momentos: momento um (M1) ou momento controle – média de três colheitas, realizadas no oitavo, nono e 10º dias após o parto; momento dois (M2) – de isolamento do S.aureus no leite dos animais desafiados no 11° dia após o parto (G1 e G2) e 11° ou 12° dia após o parto (G3 e G4); momento três (M3) – 12 horas após M2; momento quatro (M4) – 24 horas após M2; momento cinco (M5) – 48 horas após M2; momento seis (M6) – 72 horas após M2; momento sete (M7) - sétimo dia após M2 (48 horas após o término do tratamento de G3 e G4).

Para a realização dos exames microbiológicos e CCS colheram-se 70ml de leite de cada glândula mamária em frascos estéreis. A CCS foi realizada num prazo máximo de duas horas pós-colheita, realizando-se a leitura em lâminas coradas com Giemsa em microscópio óptico. Para o exame microbiológico, 0,1ml de cada amostra foi analisada em ágar sangue de bovinos a 10% (Quinn et al., 1994).

Na avaliação estatística utilizaram-se os testes não paramétricos de Friedman para comparação dos resultados dos momentos dentro de cada grupo e de Kruskal-Wallis para a comparação dos grupos dentro de cada momento, ao nível de significância de 5% (Zar, 1984).

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A Tab.1 apresenta os resultados dos exames bacteriológicos, representados pela mediana de contagem de unidades formadoras de colônia (UFC).

 

 

As contagens de UFC dos exames microbiológicos resultaram em mediana zero no momento-controle (M1) em todos os grupos. Ao longo do experimento, o leite das glândulas mamárias não desafiadas com o microrganismo resultaram em mediana zero. Nas glândulas mamárias desafiadas isolou-se S.aureus no leite em, no mínimo, dois dos cinco momentos posteriores à inoculação e anteriores ao tratamento. No G4, das 34 amostras analisadas nos momentos posteriores à inoculação e anteriores ao tratamento, 26 (76,5%) apresentaram resultados positivos. Nesse grupo, as maiores medianas de UFC ocorreram em M2 e M3 que, entretanto, não diferiram (P>0,05) das medianas dos demais momentos. No G3, das 34 amostras analisadas de M2 a M6, 30 (88,2%) apresentaram resultados positivos. Nesse grupo, nas contagens de UFC observaram-se aumentos significativos (P<0,05) em M2, M3, M4 e M5. Portanto, apesar de as contagens microbianas não diferirem entre G3 e G4, no G3 ocorreu diferença significativa (P<0,05) entre momentos após a inoculação e momentos controle e pós-tratamento. Provavelmente a vitamina E influenciou na menor variação de contagem microbiana do leite de animais suplementados e desafiados (G4).

Das amostras de leite das glândulas mamárias desafiadas que resultaram negativas ao exame microbiológico, quatro foram antecedidas e sucedidas por resultados positivos, semelhante ao relato de Sears et al. (1990) que, após desafiar glândulas mamárias bovinas com S. aureus, observaram que a liberação do microrganismo no leite ocorre em ciclos. Outras três amostras negativas foram antecedidas por resultados positivos e sucedidas pelo M7 (pós-tratamento), não havendo, portanto, confirmação do resultado.

Quanto às CCS, a mediana das amostras de leite em G1 e G2 e das glândulas mamárias não desafiadas em G3 e G4, foi de 6,2x104células/ml de leite. Este resultado é semelhante ao obtido por Dulin et al. (1983) no leite de caprinos que se encontravam na segunda semana de lactação (5,6x104células/ml de leite). De 308 amostras de leite de animais não desafiados pelo S.aureus e com cultura microbiana negativa, apenas uma (0,3%) apresentou CCS superior a 1,0´ 106células/ml, o que difere dos resultados obtidos por Hunter (1984), os quais verificaram 50% de amostras com cultura negativa apresentando CCS superiores a 1,0´ 106células/ml. Dulin et al. (1983) relataram valores médios da CCS no nono mês de lactação quase 10 vezes superiores aos da segunda semana de lactação. Provavelmente a diferença ocorrida entre os resultados aqui obtidos e os descritos por Hunter (1984) deve-se ao fato de as cabras deste experimento serem primíparas e encontrarem-se na segunda e terceira semanas da lactação. No experimento realizado por Hunter (1984) foram utilizadas cabras em diversos estádios da lactação e com número variado de partos.

Nas 56 amostras de leite das glândulas mamárias desafiadas com o S. aureus que resultaram em exame microbiológico positivo, a CCS média foi de 5,2x106células/ml, sendo em 11 amostras (19,6%) inferior a 1,0x106células/ml, em 10 (17,9%) entre 1,0x 106 e 2,0x 106células/ml, e em 35 (62,5%) superior a 2,0x106células/ml, ou seja, das amostras positivas para S. aureus, 80,4% apresentaram CCS superiores a 1,0x106células/ml, o que é muito próximo ao resultado obtido por Poutrel e Lerondelle (1983). Para esses autores, os resultados de CCS iguais ou superiores a 1,0x106células/ml de leite são indicativos de mastite na espécie caprina. Hunter (1984) concluiu que apenas os resultados acima de 2,0x106células/ml de leite devem ser utilizados como indicativo de mastite nessa espécie. Boscos et al. (1996) afirmaram que, dependendo do estádio da lactação e do número de parições, contagens superiores a 1,0x106células/ml de leite são sugestivas de ocorrência de mastite, e valores superiores a 2,0x106células/ml de leite são fortes indicativos da presença de agentes patogênicos na glândula mamária de caprinos. Baseado nos resultados obtidos neste experimento, sugere-se que o valor de 1,0x106células/ml de leite seja utilizado como critério para o diagnóstico de mastite em cabras primíparas que se encontram na segunda e terceira semanas de lactação.

Outro benefício do uso da CCS no diagnóstico da mastite nos caprinos foi observado nas amostras que resultaram em exame microbiológico negativo mas precedidas e sucedidas por amostras microbiologicamente positivas. A CCS média dessas amostras foi de 3,8x106células/ml. A eliminação cíclica do S. aureus, segundo Sears et al. (1990), resulta em mais de 25% de resultados falso-negativo nos exames microbiológicos do leite bovino. Sugere-se então a realização de um segundo exame microbiológico confirmativo para cabras primíparas no estádio médio da lactação que apresentem altas CCS, mesmo com exames microbiológicos negativos. Conforme Sears et al. (1990), essa medida diminui para 6% a probabilidade de resultados falso-negativo.

Os resultados da contagem de células somáticas obtidos neste experimento estão de acordo com Kalogridou-Vassiliadou et al. (1992), Deinhofer e Pernthaner (1995) e Boscos et al. (1996), que consideram a CCS útil na detecção da mastite caprina, desde que se considere o estádio da lactação e o número de partos dos animais. Os relatos de Siddique et al. (1988) não mencionaram relação entre CCS e cultura bacteriana positiva.

A Tab. 2 apresenta os resultados da CCS.

 

 

As medianas da CCS no momento-controle (M1) dos quatro grupos, incluindo as glândulas mamárias esquerda e direita, variaram de 4,2x104 a 9,8x104células/ml. Nas glândulas mamárias não desafiadas com o S.aureus, a mediana da CCS variou nos momentos seguintes até os limites mínimo e máximo de 2,2x104 e 1,4x105células/ml, respectivamente. Não houve diferença significativa (P>0,05) entre os momentos dentro de cada grupo e entre os grupos quanto à CCS do leite da glândula mamária direita. As medianas da CCS do leite em G3 e G4 apresentaram aumentos significativos (P<0,05) no momento M2, e permaneceram elevadas até o momento M7, com valores sempre acima ou próximos a 1,0x106células/ml de leite. Observaram-se diferenças significativas (P<0,05) entre G1 e G2 no M5 e entre os grupos não desafiados (G1 e G2) e desafiados (G3 e G4) em todos os momentos após M1. A CCS do leite da glândula esquerda do G3 apresentou valores significativamente superiores (P<0,05) em M2, M5, M6 e M7.

Segundo Pettersen (1981), a CCS aumenta no leite de animais com mastite principalmente devido ao grande aumento no número de leucócitos infiltrados. Sabe-se que durante a fagocitose ocorre aumento na produção de radicais livres e como a vitamina E melhora as funções dos neutrófilos ao protegê-los desses oxidantes (Hogan et al., 1993), diversos autores pesquisaram a eficácia dos leucócitos em bovinos suplementados com vitamina E (Gyang et al., 1984; Hogan et al., 1990; Politis et al., 1995; Ndiweni, Finch, 1996). Segundo Gyang et al. (1984), há aumento na capacidade de eliminação bacteriana em animais suplementados. Politis et al. (1995) verificaram maior produção de íons superóxido, enquanto Ndiweni e Finch (1996) relataram aumento na capacidade de fagocitose dos neutrófilos dos animais suplementados. Esses relatos podem justificar a menor presença de bactérias e a menor CCS nos animais suplementados com vitamina E neste experimento. Entretanto, a maior capacidade migratória dos neutrófilos dos animais suplementados, descrita por Ndiweni e Finch (1996), deveria aumentar o número dessas células na glândula mamária, ao menos nos momentos iniciais da invasão dos agentes patogênicos, o que não foi verificado neste experimento.

 

CONCLUSÕES

De acordo com os resultados obtidos, podem ser apresentadas as seguintes conclusões para cabras primíparas da raça Saanen na segunda e terceira semanas de lactação: a inoculação de S.aureus na glândula mamária resulta em mastite e altera significativamente os resultados da CCS; a liberação de S.aureus no leite proveniente de animais com mastite ocorre de maneira intermitente; a CCS é útil na detecção da mastite, e contagens superiores a 1,0x106células/ml de leite devem ser utilizadas como critério para a realização de exames microbiológicos confirmativos; a CCS e o número de S.aureus são menores nos caprinos suplementados com vitamina E.

 

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Endereço para correspondência
P.R.O. Paes
E-mail: prpaes@yahoo.com

Recebido para publicação em 8 de novembro de 2001
Recebido para publicação, após modificações, em 26 de julho de 2002
Apoio: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP)

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