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Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia

versão impressa ISSN 0102-0935versão On-line ISSN 1678-4162

Arq. Bras. Med. Vet. Zootec. v.55 n.1 Belo Horizonte fev. 2003

https://doi.org/10.1590/S0102-09352003000100019 

COMUNICAÇÃO
[COMMICATION]

 

Quantificação das regiões organizadoras de nucléolo (NORs) como parâmetro para avaliar a proliferação das células da granulosa

 

[Quantification of the nucleolar organizer regions (NORs) as a parameter to measure proliferation of granulosa cells]

 

 

C.M. Silva; R. Serakides; E.F. Nascimento; V.A Nunes; A.F.C. Ribeiro; N.M. Ocarino

Escola de Veterinária UFMG Caixa Postal 567 30123-970, Belo Horizonte, MG

Endereço para correspondência

 

 


ABSTRACT

The goal of this study was to determine whether the quantification of the nucleolar organizer regions (AgNORs) is a useful parameter for evaluation of the proliferative potential of non-neoplastic granulosa cells in ovarian follicles at different stages of development. Seven ovaries from six-month-old rats, all of which in metestrus-diestrus, were studied. The number of AgNORs from 60 granulosa cell nuclei was quantified in secondary follicles with two to three layers of cells and in follicles with more than five layers of granulosa cells. Follicles with two to three layers had larger AgNORs in lower numbers, whereas more developed secondary follicles the AgNORs were predominantly smaller, scattered throughout the nucleus, and in significantly higher numbers. In conclusion, quantification of the nucleolar organizer regions is an appropriate parameter for differentiation of the proliferative potential of non-neoplastic granulosa cells.

Keywords: rat, ovary, granulosa cells, AgNORs

Palavras-chave: rato, oócito, célula da granulosa, AgNORs


 

 

Para se determinar o grau de proliferação celular várias técnicas têm sido utilizadas como a dos marcadores MIB-1, PCNA, Ki-67, a incorporação de bromodeoxiuridina (BrdU) (Bànkfalvi et al., 1999; Derenzini, 2000) e a avaliação morfológica com quantificação do número de regiões organizadoras de nucléolo argentafins (AgNORs) (Shiro et al., 1992; Pich et al., 2000). A quantificação das AgNORs é simples e menos onerosa em relação às demais técnicas e tem sido amplamente utilizada para caracterizar e diferenciar neoplasias e hiperplasias (Pich et al., 2000; Serakides et al., 1999), já que elas representam os marcadores da atividade dos genes ribossômicos e, portanto, da atividade nucleolar (Roussel, Hernandez-Verdum, 1994). A transcrição dos genes para RNA ribossômico (RNAr) envolve, além da RNA polimerase I, proteínas que formam partículas pré-ribossômicas, dando origem ao nucléolo (Ploton, 1994). Essas proteínas associadas às regiões organizadoras do nucléolo têm grande afinidade pela prata (Underwood, Giri, 1988), são chamadas AgNORs e observadas ao microscópio ótico como pontos pretos dispersos pelo núcleo ou pelo nucléolo (Treré, 1993).

No ovário, a quantificação das AgNORs tem sido feita para caracterizar e diferenciar o potencial proliferativo somente de células da granulosa neoplásicas (Trabucco et al., 1994; Zergeroglu et al., 2001). Não há registros do uso dessa técnica na determinação e diferenciação da taxa proliferativa de células da granulosa não neoplásicas presentes em folículos ovarianos em diferentes estádios do desenvolvimento. Assim, a quantificação das regiões organizadoras de nucléolo (AgNORs) pode ser utilizada como parâmetro para diferenciar o potencial proliferativo de células da granulosa e se constituiu no objetivo deste trabalho, conduzido em ovários de ratas adultas com seis meses de idade, todas em metaestro-diestro.

Desde o nascimento as ratas, submetidas às mesmas condições ambientes, foram alojadas em caixas plásticas, na densidade de duas ratas/caixa, receberam ração comercial e água destilada ad libitum e foram mantidas em regime de 12 horas com luz e 12 horas sem luz. Aos seis meses de idade, sete ratas foram sacrificadas e necropsiadas para a colheita dos ovários direito e esquerdo, colocados em formalina a 10% neutra e tamponada. Procedeu-se ao processamento histológico pela técnica de inclusão em parafina e microtomia para obtenção de cortes de 4m m. Os cortes histológicos foram impregnados pela prata para evidenciação das AgNORs, segundo a técnica descrita por Ploton et al. (1986) e modificada por Aubele et al. (1994). Após desparafinizados em xilol e hidratados em concentrações crescentes de álcool, os cortes foram corados com uma mistura de solução aquosa de nitrato de prata a 50% com solução de ácido fórmico a 1% contendo 2% de gelatina incolor. A incubação foi feita em câmara úmida e escura a 36 ºC for 20 minutos. Em seguida os cortes foram lavados em água deionizada e desidratados em concentrações crescentes de álcool.

Em uma secção histológica do ovário (direito ou esquerdo), sob objetiva de imersão, foram quantificadas as AgNORs em 60 núcleos das células da granulosa de folículos secundários com duas a três camadas de células ou com mais de cinco camadas de células da granulosa. O folículo secundário foi selecionado somente quando apresentava o oócito centrado sem a formação de antro. Somente foram quantificadas as AgNORs que se encontravam individualizadas como pontos pretos ou marrons. Quando se apresentavam agrupadas, foram registradas como uma única AgNOR conforme Crocker et al. (1989). Ao final obtiveram-se a média do número das AGNORs dos 60 núcleos das células dos folículos com duas a três camadas e a média dos folículos com mais de cinco camadas de cada um dos sete ovários. O delineamento experimental foi o inteiramente ao acaso, com dois grupos e sete repetições por grupo. Utilizou-se o teste t de Student (Sampaio, 1998) para comparação das médias.

Nos folículos secundários com duas a três camadas de células da granulosa as AgNORs eram grandes e estavam presentes em pequeno número (Fig. 1a). Nos folículos secundários mais desenvolvidos, as células da granulosa apresentavam AgNORs predominantemente pequenas, dispersas por todo o núcleo (Fig. 1b) e em número significativamente maior (Tab.1). Resultados de pesquisas verificaram correlação positiva entre o número de AgNORs e outros parâmetros da cinética celular que já estão bem estabelecidos como detectores da atividade proliferativa das células, tais como MIB-1, Ki-67, PCNA e incorporação de bromodeoxiuridina (BrdU) (Bànkfalvi et al., 1999; Derenzini, 2000). Sabe-se que quanto maior o número de AgNORs, maior a atividade proliferativa das células (Derenzini, Treré, 1994; Derenzini, 2000; Pich et al., 2000). Assim, o resultado não surpreende e reafirma que à medida que o folículo cresce, as células da granulosa proliferam em resposta aos estímulos endócrinos, parácrinos e autócrinos que atuam sobre elas durante a foliculogênese (Zeleznick, 1993; Fortune, 1994; Elvin, Matzuk, 1998; Salha et al., 1998). No entanto, o aumento da atividade proliferativa das células da granulosa com o avançar do desenvolvimento folicular, evidenciado pela quantificação das regiões organizadoras de nucléolo (AgNORs), atesta que essa técnica é um bom parâmetro para diferenciar o potencial proliferativo das células da granulosa também em processos não neoplásicos.

 

 

 

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Endereço para correspondência
R. Serakides
E-mail: serakide@dedalus.lcc.ufmg.br

Recebido para publicação em 3 de maio de 2002
Recebido para publicação, após modificações, em 9 de dezembro de 2002

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