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Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia

Print version ISSN 0102-0935

Arq. Bras. Med. Vet. Zootec. vol.55 no.1 Belo Horizonte Feb. 2003

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-09352003000100020 

COMUNICAÇÃO
[COMMUNICATION]

 

Lipossarcoma em cão: relato de dois casos

 

[Canine liposarcoma: report of two cases]

 

 

F.J.F. Sant'AnaI; R. SerakidesII; G.E. LavalleII;

ICurso de Medicina Veterinária do Centro Universitário Vila Velha / UVV Rua Prof. Annor da Silva, 15, Boa Vista 29102-770, Vila Velha, ES
IIEscola de Veterinária da UFMG

Endereço para correspondência

 

 


ABSTRACT

This work aims to describe the clinical and anatomopathological findings of two cases of liposarcoma diagnosed in the subcutaneous and abdominal cavity of dogs. In both cases, the tumoral masses were surgically removed and samples were submitted for histopathological analyses. Microscopic examination of each case revealed a highly cellular, pleomorphic neoplasm with round or polygonal fat cells. The nuclei was elongate or splindle-shape (subcutaneous liposarcoma) and round or ovoid (abdominal liposarcoma), contained margined chromatin, and prominent nucleolus. Cytoplasmic vacuoles that stained positively with Sudan IV varied highly in size.

Keywords: dog, subcutaneous liposarcoma, abdominal liposarcoma

Palavras-chave: cão, lipossarcoma subcutâneo, lipossarcoma abdominal


 

 

O lipossarcoma é uma neoplasia maligna de lipoblastos, e ao contrário do lipoma, é rara nos animais domésticos (Strafuss, Bozarth, 1973; Doster et al., 1986; Moulton, 1990). Ocorre predominantemente em animais adultos ou velhos. A idade média de ocorrência em cães é de oito anos e a freqüência aumenta com a idade. Embora o lipossarcoma seja mais comum em cadelas obesas (Moulton, 1990) e já tenha sido associado com corpo estranho (McCarthy et al., 1996), sua etiologia não é conhecida (Strafuss, Bozarth, 1973). Parece não haver predisposição de raça, embora Ackerman e Silver (1984) citem que cães das raças Dachshund e Brithany Spaniel sejam predispostos. No cão, o tumor origina-se na pele, tecido subcutâneo, cavidade abdominal ou medula óssea (Strafuss, Bozarth, 1973; Ackerman, Silver, 1984; Moulton, 1990). No homem, os locais mais afetados pela neoplasia são os tecidos moles da região glútea, coxa, membros inferiores e do retro-peritônio (Stout, Lattes, 1967; Strafuss, Bozarth, 1973). Geralmente o tumor é invasivo e pode haver metástase. Este relato tem por objetivo descrever as características clínicas e anatomopatológicas de dois casos de lipossarcoma em cão, um subcutâneo e o outro abdominal.

O lipossarcoma subcutâneo foi diagnosticado em uma cadela da raça Setter de oito anos de idade. Segundo o proprietário a alteração surgiu há aproximadamente dois meses e apresentou crescimento rápido. Ao exame clínico, observaram-se duas nodulações não-ulceradas medindo aproximadamente 5 e 8cm de diâmetro localizadas no subcutâneo das regiões torácica e lombar dorsais. Durante a exérese cirúrgica notou-se que a neoplasia apresentava coloração amarelada, consistência macia, aspecto gelatinoso, superfície lisa e infiltrava-se no tecido muscular adjacente.

O lipossarcoma abdominal foi diagnosticado em um cão macho, sem raça definida, de nove anos de idade que apresentava aumento de volume doloroso na região lombo-sacra e claudicação dos membros posteriores. Pelos exames ultrassonográfico e radiográfico da cavidade abdominal constatou-se aumento de volume adjacente à bexiga. Durante a laparotomia exploratória, observou-se uma massa neoplásica de aproximadamente 20cm de diâmetro, com consistência firme, superfície lisa e de coloração esbranquiçada aderida à serosa da bexiga, infiltrando-se no músculo psoas menor em direção às vértebras, mas sem envolvimento ósseo. Ao corte, o tecido neoplásico apresentou ainda algumas cavitações contendo líquido caseoso e amarelado. A exérese cirúrgica da neoplasia não pode ser realizada com boa margem de segurança. O animal foi submetido à quimioterapia com duas aplicações de Doxorrubicina (30 mg/m2) com intervalo de 21 dias.

Fragmentos das neoplasias subcutâneas e abdominal foram colhidos e fixados em formalina neutra e tamponada a 10%, processados de acordo com as técnicas histológicas de rotina e corados pela hematoxilina-eosina. Fragmentos adicionais da neoplasia foram submetidos às tecnicas de microtomia por congelação e coloração pelo Sudan IV.

Histologicamente as neoplasias apresentavam celularidade intensa, eram invasivas e constituídas de adipócitos arredondados ou poligonais, intensamente pleomórficos, com núcleo alongado ou fusiforme nas neoplasias subcutâneas, e arredondado ou oval na neoplasia abdominal (Fig. 1A e B). As células apresentavam ainda núcleo com cromatina frouxa com nucléolo evidente e citoplasma acidófilo ou com vacúolos de tamanhos variados corados de vermelho pelo Sudam IV, o que confirma o conteúdo lipídico intra-citoplasmático (Fig. 1C). Na neoplasia subcutânea foi também evidenciado infiltrado inflamatório intenso constituído predominantemente por eosinófílos.

 

 

Com base nas características anatomopatológicas e histoquímicas firmou-se o diagnóstico de lipossarcomas subcutâneo e abdominal. De acordo com o critério de estadiamento clínico dos sarcomas preconizado por MacEwen e Withrow (1996), os dois lipossarcomas são classificados dentro do estágio IIB por apresentarem tamanho superior a 5cm, com invasão dos tecidos adjacentes, sem metástase para linfonodos e outros sítios anatômicos. Até o presente momento, decorrido aproximadamente um ano após a intervenção cirúrgica para a exérese do lipossarcoma subcutâneo não foram observados sinais de recidiva ou metástase. No entanto, o animal com lipossarcoma abdominal foi sacrificado 10 meses após a intervenção cirúrgica por apresentar recidiva da neoplasia.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ACKERMAN, L.J.; SILVER, J.N. Abdominal liposarcoma in a dog. Mod. Vet. Pract., v.65, p.470, 1984.        [ Links ]

DOSTER, A R.; TOMLINSON, M.J.; MAHAFFEY, E.A et al. Canine liposarcoma. Vet Pathol., v.23, p.84-87, 1986.        [ Links ]

MacEWEN E.G.; WITHROW, S.J. Soft tissue sarcomas. In: Small animal clinical oncology. 2.ed. Philadelphia: W.B.Saunders, 1996. p.211-226.        [ Links ]

McCARTHY, P.E.; HEDLUND, C.S.; VEAZY, R.S. Liposarcoma associated with a glass foreign body in a dog. J. Am. Vet. Med. Assoc., v.209, p.612-614, 1996.        [ Links ]

MOULTON, J.E. Tumors in domestic animals. 3.ed. Berkeley: California Press, 1990. 672p.        [ Links ]

STOUT, A.P.; LATTES, R. Tumors of the soft tissues. Atlas of tumor pathology. 2 Ser., Fasc. 1. Washington: Armed Forces Institute of Pathology, 1967.        [ Links ]

STRAFUSS, A.C.; BOZARTH, A.J. Liposarcoma in dogs. J. Am. Anim. Hosp. Assoc., v.9, p.183-187, 1973.        [ Links ]

 

 

Endereço para correspondência
F.J.F. Sant'Ana
E-mail: santanafjf@yahoo.com

Recebido para publicação em 15 de fevereiro de 2002
Recebido para publicação, após modificações, em 8 de agosto de 2002