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Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia

Print version ISSN 0102-0935

Arq. Bras. Med. Vet. Zootec. vol.55 no.2 Belo Horizonte Apr. 2003

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-09352003000200007 

Estudo da involução uterina por meio da ultra-sonografia (modo-B) em cadelas submetidas a cesariana

 

Ultrasonographyc study of the postpartum uterine involution in bitches after cesaerean section

 

 

S.T.S. Ferri*; W.R.R. Vicente; G.H. Toniollo

Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinária da UNESP – Campus de Jaboticabal

 

 


RESUMO

Utilizaram-se 15 cadelas gestantes submetidas a cesariana e posteriormente a exames ultra-sonográficos seriados, em modo B (tempo real), para averiguação do diâmetro uterino nos dias 0, 3, 7, 14 e 21 pós-cesariana, com o objetivo de verificar a influência do ato cirúrgico na involução uterina. Os resultados (média e desvio-padrão, em centímetros) registrados para os dias estudados foram, respectivamente: 3,99+0,71; 3,27+0,51; 2,60+0,54; 2,01+0,34; 1,28+0,24. A involução uterina pós-cesariana seguiu o mesmo padrão do puerpério do parto normal, assim como as características das imagens ultra-sonográficas. O parto cesariana não influenciou no padrão de involução uterina.

Palavras-chave: cadela, involução, cesariana, ultra-som, puerpério


ABSTRACT

Fifteen pregnant bitches were observed by serial B-mode (real time) ultrasonography to describe the characteristics and diameter of the involuting uterus on days 0, 3, 7, 14, and 21 post-cesarean. The average and standard deviation, in centimeters, presented on those days after cesarean section, were, respectively 3.99+0.71, 3.27+0.51, 2.60+0.54; 2.01+0.34 and 1.28+0.24. Under the conditions of this report it is concluded that cesarean section did not influence normal uterine involution.

Keywords: bitch, involution, cesarean, ultrasound, puerperium


 

 

INTRODUÇÃO

A distocia em cadelas é de ocorrência comum, variando de 5% a 100% em algumas raças (Eneroth et al., 1999), sendo definida como parto difícil ou incapacidade do útero em expelir o feto. Classicamente, tem origem materna ou fetal, com o conceito de falência dos três componentes do processo do parto: forças expulsivas, canal pélvico e feto (Bojrab, 1983).

As opções de tratamento das distocias variam desde o uso da ocitocina até manipulações obstétricas e cesariana, e cada opção pode ser exercida com sucesso variável. Darvelid e Linde-Forsberg (1994) observaram que de 182 casos de distocia, em 65,8% foi necessária a realização de cesariana, mesmo após manipulação obstétrica e tratamento medicamentoso. Este aspecto também foi mencionado por Stolla et al. (1999) em 464 casos de distocia, dos quais 19,9% responderam ao tratamento medicamentoso, 5,1% necessitaram de manipulação digital e fórceps e 75% necessitaram de cesariana. Moon et al. (1998), em estudo retrospectivo de 776 cesarianas, observaram 58% de emergências.

Se se comparar a ultra-sonografia utilizada na obstetrícia humana com a usada em pequenos animais, esta última é pouco utilizada como método de diagnóstico quanto ao período puerperal, após o parto normal ou pós-cesariana. Na medicina humana, no puerpério imediato, mais ou menos 10 dias após-parto eutócico ou cesariana, utiliza-se a ultra-sonografia para o acompanhamento da involução do útero (Galli et al., 1993), como auxílio de diagnóstico de metrorragia, placenta acreta, metrites e detecção de tromboembolismo (Galli et al., 1993; Sherer, 1998), e no pós-operatório para avaliação da cicatrização uterina e abdominal (Galli et al., 1993).

A avaliação ultra-sonográfica da cicatrização uterina é de grande importância na prevenção da ruptura da cicatriz em gestações futuras e também em um futuro trabalho de parto (Schiotz, 1991; Kaplan et al., 1994).

A avaliação do aparelho reprodutivo em animais de companhia por ultra-som tornou-se mais freqüente nos últimos 10 anos, porém estudos detalhados sobre o puerpério ainda são escassos (Root, Spaulding, 1994; Moon et al., 1998).

O exame ultra-sonográfico no puerpério de cadelas permite avaliar as características do útero, como sua arquitetura e diâmetro (Yearger, Concannon, 1990; Mahaffey et al., 1995). Na primeira semana de pós-parto, o corpo e os cornos uterinos apresentam-se aumentados e com forma irregular, sendo melhor identificados em posição dorsal à bexiga urinária. O diâmetro do útero na região dos sítios placentários, normalmente ovóides, é de 2,5 + 0,3cm e o dos sítios interplacentários de 1,0 a 1,5cm. No 24º dia, a média do diâmetro dos sítios placentários é de 1,0 a 1,4cm e o das regiões interplacentárias de 0,6 a 0,9cm (Pharr, Post, 1992; Root, Spaulding, 1994).

Yearger e Concannon (1990) e Pharr e Post (1992) concluiram que o conhecimento dessas características pode por meio do ultra-som, exames seriados ou não, identificar precocemente processos patológicos. Isto foi confirmado por Sanchez (1998), ao observar um padrão de diminuição do diâmetro uterino em parto normal e que alterações neste padrão provavelmente indicavam processos patológicos.

Segundo Moon et al. (1998) há necessidade de estudos mais detalhados sobre os processos fisiopatológicos que podem acometer o puerpério, tanto no parto eutócico como em cesariana.

Este estudo teve por objetivo registrar por meio de exames ultra-sonográficos os eventos da involução uterina em cadelas durante 21 após a cesariana e avaliar a influência do ato cirúrgico na involução uterina.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Foram utilizadas 15 cadelas gestantes, com e sem raça definida, com idade entre dois e sete anos, peso corpóreo variando de 5 a 20kg e em ótimo estado de saúde. Durante a última semana de gestação foram monitoradas quanto à sintomatologia da fase prodrômica do parto. Com o início dos sinais clínicos e da queda de temperatura do corpo, característica dessa fase, os animais foram submetidos à cesariana.

A técnica cirúrgica utilizada foi a mesma descrita por Bojrab (1983), Slatter (1993) e Fossum et al. (1997). A histerotomia foi realizada no corpo uterino, próxima à bifurcação e à histerorrafia, em dois planos com suturas contínuas (Cushing e Lembert), utilizando-se categute cromado 2-0, agulhado. Para laparo e dermorrafia foram utilizados fios de náilon 0 e 2-0, agulhados, respectivamente, e aplicados com pontos simples separados.

Após a cesariana, os animais foram submetidos a exames ultra-sonográficos nos dias 0 (dia da cirurgia), 3, 7, 14 e 21. Utilizou-se aparelho de ultra-sonografia (PetScopeÒ - Tokimec – Japão), com transdutor de 7,5 MHz linear e de 5 MHz convexo. As imagens obtidas no experimento foram registradas em impressora (Video Printer P&B - MitsubishÒ ) acoplada ao aparelho. O exame foi feito com o animal em decúbito lateral direito, após prévia tricotomia da região do flanco esquerdo, utilizando-se de gel apropriado para ultra-sonografia (Mahaffey et al., 1995; Yearger, Concannon, 1995). A partir das imagens de cada dia estudado, foram realizadas mensurações (no mínimo cinco) padronizadas nos sítios interplacentários e corpo uterino, ambos próximos à bifurcação.

Os resultados foram analisados por estatística descritiva com determinação de medidas de tendência central (média) e de variabilidade (desvio-padrão e coeficiente de variação).

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A média e o desvio-padrão do diâmetro, em centímetros, para cada dia estudado foram respectivamente: 3,99+0,71; 3,27+0,51; 2,60+0,54; 2,01+0,34; 1,28+0,24. A média declinou progressivamente, quase linearmente, seguindo um padrão semelhante ao relatado por Sanchez (1998), porém no puerpério do parto eutócico o declínio foi mais acentuado na primeira semana.

Na literatura consultada não se encontraram relatos que pudessem esclarecer essa diferença entre a primeira semana do puerpério pós-cesariana e do eutócico. Acredita-se que o próprio ato cirúrgico possa ter influência durante os primeiros sete dias, apesar de a técnica cirúrgica empregada ser a tradicional descrita nos tratados de cirurgia. Segundo Toniollo et al. (1999), o tipo de fio e a sutura não influenciam a involução uterina. Mijten et al. (1997) citaram que o mais importante é evitar o máximo possível o trauma dos tecidos, a isquemia e a hemorragia, os quais são mais importantes do que o tipo de fio e de sutura.

Este fato foi considerado normal uma vez que nenhum animal apresentou, até o último dia de estudo, alterações clínicas e de imagens ultra-sonográficas que pudessem indicar um processo patológico.

A involução uterina, tanto no pós-parto eutócico quanto na pós-cesariana, apresentou padrão semelhante de redução de diâmetro quando comparado ao de vários trabalhos consultados apresentados na Tab. 1. Segundo Galli et al. (1993), não há diferença na taxa de involução entre cesariana e parto normal na mulher.

 

 

O diâmetro uterino de animais com ninhadas grandes e pequenas apresentaram médias semelhantes, dentro do esperado para o grupo amostral. O número de filhotes não influenciou a taxa de involução uterina pós-cesariana, fato sugerido em Sanchez (1998) para o puerpério do parto eutócico.

Em cadelas, acredita-se que a ordem de parição (Yearger, Concannon, 1990), a idade (Phar, Post, 1992) e o tamanho do animal (Root, Spaulding, 1994) não influenciam a taxa de involução uterina.

Pelos datos da literatura e com base nos resultados obtidos acredita-se que exista mais variação individual do diâmetro do que atribuída a fatores exógenos, como o ato cirúrgico.

As imagens ultra-sonográficas (Fig. 1 e 2) apresentaram características semelhantes às relatadas na literatura (Yearger, Concannon, 1990; Phar, Post, 1992; Root, Spaulding, 1994; Sanchez, 1998; Kang et al., 1999).

 

 

 

O útero no dia 0 pós cesariana (Fig. 1 A e B) encontra-se hipertrofiado, com forma irregular, podendo-se observar com definição as camadas que o constituem. A serosa é caracterizada como linha hiperecóica mais externa que circunda uma área mais hipoecóica, o miométrio, que nesta fase está espessado. A camada mais interna, endométrio, que na maioria das vezes apresenta-se irregular e de fácil definição devido ao contraste ecogênico com o conteúdo luminal, na sua maioria apresenta-se anecóico.

Na primeira semana (Fig 1 C e D, Fig. 2 A e B), o útero apreesentou-se na forma eliptiforme, com estratificação da parede bem definida, podendo-se observar todas as camadas.

No 14° dia (Fig. 2 C e D), o útero encontra-se com forma cilíndrica, bem definida, apresentando pouco conteúdo luminal, não sendo mais possível observar a sutura. No 21° dia (Fig 2 E), apresenta-se cilíndrico com diâmetro reduzido, não sendo possível, na maioria das vezes, definir as camadas, por apresentarem-se como tênues linhas. O conteúdo luminal é quase imperceptível.

A imagem da sutura somente é observada na primeira semana (Fig. 1 A e E), mais evidente nos três primeiros dias de observação. Ela se caracteriza como região hiperecóica no corpo uterino próximo à sua bifurcação, não sendo possível distinguir outra característica. Essa constatação teria sido melhor se fosse utilizado outro material para a sutura, que permanecesse mais tempo na cicatriz uterina como sugeriu Hoskins et al. (1991).

As características ultra-sonográficas assemelham-se às relatadas por Kang et al. (1999), isto é, o útero, inicialmente flácido, apresenta forma que varia de circular a poligonal até 16,5+3,7 dias após o parto eutócico, quando torna-se circular. Em relação à observação das camadas, esses pesquisadores relataram que é possível distinguir com precisão as quatro camadas uterinas até o sétimo dia. Essa distinção tornou-se progressivamente difícil devido à redução do diâmetro uterino. O conteúdo luminal é possível de ser detectado até o 25,0 + 6,4 dias do puerpério.

As características ultra-sonográficas observadas durante o puerpério pós-cesariana são semelhantes às citadas na literatura para o parto eutócico (Sanchez, 1998; Kang et al., 1999).

Segundo a literatura, na obstetrícia humana a ultra-sonografia é de grande importância no pós-parto normal e após cesariana como técnica semiótica para o diagnóstico e prognóstico de patologias puerperais, de cicatrização uterina e de possíveis complicações em gestações futuras (Schiotz, 1991; Galli et al., 1993; Kaplan et al., 1994).

Na literatura médico-veterinária consultada não se encontraram citações sobre a utilização da ultra-sonografia para a avaliação da involução e da cicatriz uterina após a cesariana em cadelas mas somente citação em bovinos (Mijten et al., 1997).

Sabe-se que na espécie bovina o uso de cesariana é controverso devido aos problemas de aderência, principalmente na área da histerorrafia, os quais podem acarretar problemas reprodutivos (Mijten et al., 1997).

Embora esses aspectos sejam conhecidos no homem e nos bovinos, eles ainda não foram bem estudados na espécie canina. Não se sabe se o ato cirúrgico da cesariana comprometeria a fertilidade (aderências internas e externas) e a futura dinâmica do parto, ou mesmo se a cicatriz suportaria o rápido crescimento uterino no terço final da gestação e o trabalho de parto, sem que houvesse sua ruptura.

 

CONCLUSÕES

O parto cesariana realizado com a técnica cirúrgica e as condições descritas neste trabalho não influenciou o padrão de involução uterina. Com a padronização da involução uterina espera-se ter um instrumento que auxilie o diagnóstico de patologias puerperais e que forneça conhecimento para futuras pesquisas na área de obstetrícia veterinária canina.

 

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Recebido para publicação em 21 de março de 2002
Recebido para publicação, após modificações, em 25 de novembro de 2002
Pesquisa patrocinada pela FAPESP

 

 

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