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Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia

Print version ISSN 0102-0935On-line version ISSN 1678-4162

Arq. Bras. Med. Vet. Zootec. vol.55 no.2 Belo Horizonte Apr. 2003

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-09352003000200015 

COMUNICAÇÃO COMMUNICATION

 

Resposta imunitária à vacinação conjuntival com a estirpe Rev.1 de Brucella melitensis em ovinos e caprinos

 

Serological response of sheep and goats to conjunctival Brucella melitensis Rev.1 vaccine

 

 

P. Poeta; F. Neto; D. Costa; J. Rodrigues

Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, ICETA Departamento de Higiene e Sanidade Apartado 1013, 5000-911 Vila Real, Portugal

 

 


Palavras-chave: cabra, ovelha, Brucella melitensis, vacina Rev.1, vacinação conjuntival


ABSTRACT

The live B. melitensis Rev.1 strain is considered the best vaccine available for the prophylaxis of brucellosis in small ruminants, especially when used at the standard dose by the conjunctival route. In the present study a 1´ 109 CFU dose for both sheep and goats conjunctivally vaccinated was tested to evaluate the duration of serological responses. Conjunctival vaccination with Rev. 1 performed in adult animals induced a rapid rise in serological titres as measured by Rose Bengal Plate Test (RBPT), Complement Fixation Test (CF) and Modified Rose Bengal Plate Test (MRBPT). Titres then decreased and became negative in most animals by four months after vaccination (except MRBPT). The goats responded better to the vaccination than the sheep as one month after vaccination 100% of the goats revealed positive results to RB and RBM and 93.4% to FC test. The RBM was the one that detected more positive animals along the study.

Keywords: goat, sheep, Brucella melitensis, Rev.1 vaccine, conjunctival route


 

 

A brucelose caprina e ovina causada pela espécie Brucella melitensis é uma doença infecciosa que se caracteriza por aborto e esterilidade nas fêmeas e orquite e epipidimite nos machos. Acarreta elevados prejuízos econômicos, com sérias conseqüências em saúde pública, visto que B. melitensis pode infectar o homem e deve, por isso, ser considerada como agente patogénico zoonótico. Em Portugal, o controle sorológico efectuado em pequenos ruminantes mostra prevalências que variam entre 1,8% até 43,1% (região de Trás-os-Montes e Alto Douro) (Direcção..., 2002). A finalidade desta comunicação é analisar a evolução da resposta imunitária do tipo humoral em caprinos e ovinos procedentes de rebanhos infectados do norte de Portugal (região de Trás-os-Montes e Alto Douro), após vacinação conjuntival com a dose padrão da vacina Rev. 1 de B. melitensis.

Neste estudo, utilizou-se a vacina viva da estirpe Rev.1 de B. melitensis contendo 1´ 109 UFC/dose vacinal que foi administrada por via conjuntival no volume de 0,03ml (Ocurev ®). O efectivo de ovinos era constituído por 71 animais adultos e o grupo dos caprinos por 61 animais, também adultos. De cada um dos animais foram colhidas três amostras de sangue pelo período de quatro meses. A primeira recolha foi efectuada no momento da vacinação (dia 0), a segunda 30 dias após e a última ao 120º dia. As amostras de sangue foram submetidas a centrifugação (1500 rpm, durante 15 minutos) para obtenção dos soros. Estes foram conservados a -20ºC, até o momento de sua utilização. Para a detecção de anticorpos, ao longo dos quatro meses, utilizaram-se a prova de rosa de Bengala (RB), a rosa de Bengala modificada (RBM) e a fixação do complemento (FC) (Farina, 1985; MacMillan, 1990).

Os resultados mostraram que antes da vacinação dos ovinos a prova de RB não detectou nenhum animal positivo, a RBM detectou 11 positivos (15,5%) e a FC apenas um positivo (1,4%). A grande maioria dos animais revelou-se positiva aos três testes sorológicos um mês após vacinação. Em relação ao RBM, apenas um animal foi soro-negativo (1,4%). Quatro meses após a vacinação a maioria foi soro-negativo às provas RB e FC e apenas a metade à prova RBM (Tab.1).

 

 

O efetivo de caprinos não apresentou nenhum animal reagente às provas de RB e FC antes da vacinação, e 16 (26,2%) mostraram-se positivos à RBM. Decorridos 30 dias da vacinação, a maioria tornou-se positivo às três provas. Apenas quatro (6,6%) foram negativos à FC. Quatro meses após a vacinação, a maioria continuou negativo aos testes de diagnóstico (Tab. 2).

 

 

Alguns autores demonstraram que grande parte de ovelhas adultas vacinadas por via conjuntival mostraram-se soro-negativas passados seis a 10 meses após a vacinação, e em algumas a persistência de anticorpos foi até superior, interferindo com os subseqüentes testes sorológicos (Debbarh et al., 1995). Quando administrada por via conjuntival, a vacina Rev. 1 apenas conduz a uma reacção dos gânglios linfáticos craniais. Assim, a imunidade conferida por esse método, embora similar àquela conferida pela aplicação subcutânea, conduz a uma resposta imunológica mais reduzida (Fensterbank et al., 1985).

Os caprinos responderam melhor à vacinação do que os ovinos, visto que um mês após vacinação 100% deles revelaram-se positivos ao RB e RBM e 93,4% à prova de FC. A prova de RBM foi a que detectou mais animais positivos ao longo do ensaio. Alterando-se a relação soro:antígeno de 1:1 (RB) para 3:1 (RBM) é possível aumentar a sensibilidade dessa prova (Díaz-Aparicio et al., 1994). No entanto, pelos resultados obtidos, essa prova deveria ser desaconselhada uma vez que a estatística de efetivos infectados revela muitos animais positivos antes da vacinação e também aos quatro meses após a vacinação.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

DEBBARH, H.S.A.; CLOECKAERT, A.; ZYGMUNT, M.S. et al. Identification of sero-reactive Brucella melitensis cytosoluble proteins which discriminate between antibodies elicited by infection and Rev. 1 vaccination in sheep. Vet. Microbiol., v.44, p.37-18, 1995.        [ Links ]

DÍAZ-APARICIO, E.; MARÍN, C.; ALONSO, U. et al. Evaluation of serological tests for the diagnosis of Brucella melitensis infection of goats. J. Clin. Microbiol., v.32, p.1159-1165, 1994.        [ Links ]

DIRECÇÃO Geral de Veterinária. Boletim zoo-sanitário. Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas. Lisboa, 2002.        [ Links ]

FARINA, R. Current serological methods in B. melitensis diagnosis. In: PLOMMET, M., VERGER, J.M. (Eds). Brucella melitensis. Dordrechht: Martinus Nijhoff Publ., 1985. p.139-146.        [ Links ]

FENSTERBANK, R.; PARDON, P.; MARLY, J. Vaccination of ewes by a single conjuntival administration of Brucella melitensis Rev. 1 vaccine. Ann. Rech. Vét., v.16, p.351-356, 1985.        [ Links ]

MAcMILLAN, A. Conventional serological tests. In: NIELSEN, K., DUNCAN, J.R. (Eds). Animal brucellosis. Boca Raton: CRC, 1990. p.153-198.        [ Links ]

 

 

Recebido para publicação em 20 de junho de 2002
Recebido para publicação, após modificações, em 16 de outubro de 2002

 

 

E-mail: ppoeta@utad.pt

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