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Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia

versão impressa ISSN 0102-0935versão On-line ISSN 1678-4162

Arq. Bras. Med. Vet. Zootec. v.55 n.2 Belo Horizonte abr. 2003

https://doi.org/10.1590/S0102-09352003000200017 

COMUNICAÇÃO COMMUNICATION

 

Altura do epitélio da tuba uterina normal e patológica de porcas nas fases folicular e luteínica

 

Epithelium of the uterine tube of sows in the folicular and lutheal phases

 

 

F.J.F. Sant'AnaI; E.F. NascimentoII; J.C. NogueiraIII; R. SerakidesII

ICentro Universitário Vila Velha/UVV, Curso de Medicina Veterinária Rua Prof. Annor da Silva, 15 – Boa Vista 29102-770 - Vila Velha, ES
IIEscola de Veterinária da UFMG
IIIDepartamento de Morfologia do ICB/UFMG

 

 


Palavras-chave: porca, tuba uterina, morfometria


ABSTRACT

The aim of this work was to perform a morphometric analysis of the uterine tube epithelium of sexually mature sows, with or without pathological changes. The sows were either in follicular or luteal phases. One hundred and twenty-four uterine tubes of sixty-two sows were obtained from slaughterhouses. Sections of the uterine tube, uterus and ovary were processed for morphometrical evaluation. The uterine tubes were divided into four groups. The first (LSP) group was composed by animals in luteal phase without pathological changes (n=45), the second (LCP) by animals in luteal phase with pathological changes (n=19), the third (FSP) by animals in follicular phase without pathological changes (n=45) and the fourth (FCP) by animals in follicular phase with pathological changes (n=15). In the follicular phase (FSP), the ampulla had a higher epithelium, followed by the infundibulum and the isthmus (P<0.05). Tubal epithelium was higher in the animals of FSP and FCP groups when compared to LSP and LCP, suggesting that estrogens influence epithelial height. In the isthmus, there were significant differences between FSP and LSP groups (P<0.05). These results indicate that the porcine uterine tube epithelium changes its height during the estrous cycle. The epithelial height does not appear to be influenced by tubarian pathologies.

Keywords: sow, uterine tube, morphometry


 

 

A tuba uterina é um órgão responsável por diversos eventos reprodutivos primordiais nos mamíferos eutéreos. Dentre estes destacam-se a sobrevivência dos gametas, a capacitação espermática, a fertilização e a permanência temporária e o desenvolvimento inicial do embrião. A tuba uterina possui epitélio cilíndrico simples composto essencialmente por células ciliadas e secretórias não-ciliadas. Na vaca e na porca o epitélio pode apresentar-se, em algumas regiões, cilíndrico pseudo-estratificado (Banks, 1993). Existem evidências de que as células ciliadas e secretórias da tuba uterina sofram mudanças estruturais e funcionais sob influência dos hormônios ovarianos, podendo modificar a altura do epitélio (Harper, 1994). Tem sido descrito que tanto as células ciliadas quanto as secretórias são mais sensíveis à ação do estrógeno (Stalheim et al., 1975; Nayak et al.,1976). Embora alguns estudos sobre a morfologia da tuba uterina de porcas já tenham sido conduzidos (Bal, Getty, 1970; Steinback, Smidt, 1970), poucas são as informações disponíveis quanto às variações morfométricas do epitélio entre os segmentos tubáricos durante o ciclo estral.

Pesquisas realizadas em porcas abatidas em matadouro descrevem as patologias tubáricas como uma das causas de infertilidade nesta espécie, entretanto, todos os autores se restringem à descrição macroscópica das alterações (Nalbandov, 1952; Perry, Pomeroy, 1956; Einarsson, Gustafsson, 1970; Heinonen et al., 1998). Assim, o presente trabalho teve por objetivo descrever as características morfométricas do epitélio da tuba uterina (morfologicamente normal ou alterada) de porcas, nas fases folicular e luteínica do ciclo estral.

Foram estudadas 124 tubas uterinas de 62 matrizes suínas, mestiças, abatidas em matadouros da região metropolitana de Belo Horizonte, Minas Gerais. Os animais foram sacrificados mediante eletrocução, seguida de sangria. Após a evisceração, fragmentos longitudinais dos ovários e transversais do útero e das três porções da tuba uterina, correspondentes ao istmo, ampola e infundíbulo, foram colhidos e imediatamente fixados em formol neutro e tamponado a 10%. Os fragmentos foram processados pela técnica rotineira de inclusão em parafina e corados pela hematoxilina-eosina (HE) (Prophet et al., 1992).

A morfologia uterina e ovariana foi estudada para determinação das fases folicular ou luteínica do ciclo estral, segundo Hughes e Varley (1980). As tubas uterinas foram divididas em quatro grupos, de acordo com a fase do ciclo estral (luteínica ou folicular) e com a presença ou não de patologias, como se segue: tubas na fase luteínica sem patologia (grupo LSP) (n=45); tubas na fase luteínica com patologia (grupo LCP) (n=19); tubas na fase folicular sem patologia (grupo FSP) (n=45) e tubas uterinas na fase folicular com patologia (grupo FCP) (n=15). Quando os animais apresentavam alguma patologia tubárica em apenas um antímero, uma tuba era distribuída em um dos grupos com patologia (LCP ou FCP) e a outra em um dos grupos sem patologia (LSP ou FSP).

A altura do epitélio tubárico do istmo, da ampola e do infundíbulo foi medida desde a base até o ápice das células, com exceção dos cílios. Para tanto, utilizou-se ocular micrométrica Zeiss KPL-8´ e objetiva de 40´ . Foram escolhidos 30 campos ao acaso, por segmento, totalizando 90 medidas por tuba uterina. Após a obtenção do fator de conversão para o micrômetro, pela escala de uma lâmina micrométrica, definiram-se as médias da altura do epitélio.

O delineamento estatístico foi o inteiramente ao acaso. As médias da altura do epitélio nas três porções da tuba uterina foram submetidas à análise de variância com comparação pelo teste t de Student (Sampaio, 1998).

Nas Tab. 1 e 2 estão sumariadas as alterações morfológicas observadas em 34 tubas uterinas nas fases folicular e luteínica, o que corresponde a 27,4% do total de casos estudados. Os animais dos grupos LSP e FSP não apresentaram lesões macro ou microscópicas. Observaram-se variações na altura do epitélio tubárico no istmo e na ampola e entre os diferentes grupos estudados (Tab. 3).

 

 

 

 

Na fase folicular (FSP), a ampola apresentou a maior altura epitelial, seguida do infundíbulo e istmo (P<0,05) (Tab. 4). Este dado coincide com a maior atividade metabólica e a complexidade morfofisiológica deste segmento, visto que a fertilização e o desenvolvimento inicial do embrião ocorrem nesta porção da tuba (Abe, 1996). Na fase luteínica (LSP) não se observou variação significativa na altura do epitélio da ampola em comparação à do infundíbulo (P>0,05) (Tab. 4). Steinbach e Smidt (1970) observaram diferenças na altura do epitélio tubárico de marrãs nas fases do ciclo estral, entretanto estes autores não descreveram alterações na altura epitelial por segmento da tuba uterina e nem tão pouco correlacionaram estes dados com presença de patologias no órgão. Bal e Getty (1970) verificaram mudanças na morfologia da tuba uterina de porcas relacionadas com o avançar da idade, mas sem nenhuma menção no que se refere à influência de patologias ou do ciclo estral. Neste estudo, os animais dos grupos FSP e FCP apresentaram altura do epitélio tubárico superior aos animais dos grupos LSP e LCP, sugerindo influência hormonal, onde o estrógeno favoreceria o aumento e a progesterona a diminuição da altura do epitélio. Resultados semelhantes aos obtidos neste trabalho foram também verificados no epitélio tubárico da cabra (Joshi et al., 1977).

 

 

Com relação ao istmo, houve diferença (P< 0,05) entre os grupos FSP e LSP (Tab. 3). A altura do epitélio do istmo nas tubas uterinas com alterações morfológicas (LCP e FCP) não variou significativamente em comparação à altura epitelial das tubas dos grupos LSP e FSP, respectivamente, provavelmente pelo pequeno número de patologias evidenciadas neste segmento, em ambas as fases do ciclo estral.

Na ampola foram notadas diferenças entre os grupos FSP e LSP e FCP e LCP (P<0,05) (Tab. 3), comprovando que o efeito da fase do ciclo sobre a altura do epitélio da ampola independe da presença ou não de patologias. Embora as patologias tubáricas tenham alterado a altura do epitélio da tuba nos grupos LCP e FCP em relação à dos grupos LSP e FSP, respectivamente, estes resultados não foram significativos (P>0,05). Embora as tubas sem patologias na fase folicular apresentassem altura epitelial do infundíbulo superior à das tubas na fase luteínica, não foram evidenciadas diferenças entre os grupos estudados (P>0,05) (Tab. 3).

Conclui-se que a altura do epitélio do istmo e da ampola de porcas varia ao longo do ciclo estral, possivelmente sob influência dos esteróides ovarianos, sem sofrer influência significativa das patologias tubáricas.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Recebido para publicação em 13 de junho de 2002
Recebido para publicação, após modificações, em 22 de outubro de 2002

 

 

E-mail: santanafjf@yahoo.com

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