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Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia

versão impressa ISSN 0102-0935versão On-line ISSN 1678-4162

Arq. Bras. Med. Vet. Zootec. v.55 n.2 Belo Horizonte abr. 2003

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-09352003000200021 

COMUNICAÇÃO COMMUNICATION

 

Avaliação da transferência passiva da imunidade através da proteína total sangüínea, em potros da raça Árabe

 

Measurement of blood total protein for assessment of passive immunity transference in the newborn Arabian foals

 

 

M. ValenteI; M.M. UnanianII; A.B. Selaive-VillarroelI

IDepartamento de Zootecnia da Universidade Federal do Ceará Caixa Postal 12167 60021-970 – Fortaleza, CE
IIEMBRAPA CENARGEN, Brasília, DF

 

 


Palavras-chave: potro, Árabe, imunidade passiva


ABSTRACT

To study the passive immunity transference to the new born foal via colostrum, the total serum protein of 27 foals, being 13 females and 14 males, born from multiparae and primiparae mares was estimated. The blood samples were colected at 6, 12, 18, 24 and 30 hours after the first suckling. The total protein values increase significantly between 6 and 12 hours after the first suckling, being not influenced by the sex of the foal. The total protein values of new borns from multiparae mares were significantly higher than primiparae mares at 12 hours after the first suckling and was mantained in the same levels for 30 hours. It was concluded that the newborn Arabian foals had the highest immunoglobulin absortion between 6 and 12 hours after the first suckling and it is higher in foals born from multiparae than from primiparae mares.

Keywords: foal, Arabian breed, passive immunity


 

 

A avaliação da transferência passiva de imunidade pode ser feita de forma rápida e prática pela concentração da proteína total no soro sangüíneo dos neonatos, pois os seus valores se elevam após iniciadas as mamadas em função da absorção das imunoglobulinas (Jeffcott, 1974). Este método permite determinar as falhas na transferência passiva de imunidade e, conseqüentemente, a necessidade de se administrar colostro ou outras fontes de imunoglobulinas para proteger a cria e assegurar a sua sobrevivência nas primeiras semanas de vida. Pela importância do assunto e pelos poucos estudos existentes na espécie eqüina no Brasil, considerou-se necessário realizar este trabalho sobre imunidade passiva adquirida, para estabelecer os valores de proteína no soro sangüíneo de neonatos da raça Árabe.

O estudo foi conduzido na EMBRAPA - Centro de Pesquisa de Pecuária do Sudeste, em São Carlos, Estado de São Paulo. Para avaliar a imunidade passiva adquirida foi mensurada a concentração de proteína total no soro sangüíneo de 27 potros da raça Árabe, 13 fêmeas e 14 machos, em amostras coletadas às 6, 12, 18, 24 e 30 horas após a primeira mamada. A concentração de proteína total foi determinada por refratometria (Refratômetro TS meter: American Optical Co., Buffalo, NY.) segundo Pemberton et al. (1980).

As médias dos níveis séricos de proteína total dos potros foram comparadas pelo teste t de Student (Snedecor, Cochran, 1967) de acordo com a ordem de parição da égua e sexo da cria. Os resultados foram ainda submetidos à análise univariada de perfis, com correção de Greenhouse e Geiser (Singer, Andrade, 1986) para os graus de liberdade, seguindo o modelo de parcelas sub-divididas, onde cada observação é descrita por:

m = média geral,

Si = efeito do sexo i,

Ej = efeito da ordem de parição j,

SEij = efeito da interação sexo da cria i e ordem de parição j,

p kij = efeito aleatório da k-ésima unidade de investigação dentro do i-ésimo sexo e da j-ésima ordem de parição,

Pl = efeito do tempo de coleta l (6, 12, 18, 24, 30 horas),

EPjl = efeito da interação ordem de parição j e tempo de coleta l,

SEPijk = efeito da interação sexo da cria i, ordem de parição j e tempo de coleta l, e

e ijkl = efeito aleatório do erro.

A concentração de proteína total no soro variou em função do tempo da coleta (P< 0,01) e da ordem de parição das éguas (P< 0,05), e não se observou efeito da interação sexo versus ordem de parto, e sexo versus ordem de parto versus tempo de coleta. A concentração de proteína total no soro segundo o tempo de coleta aumentou da mamada de 6 para a de 12 horas após a primeira mamada (pico), e atingiu níveis estáveis nas mamadas de 24 e 30 horas após (Tab. 1). Segundo Aguiar (1989), os anticorpos ingeridos via colostro aparecem no sangue do neonato já a partir de 6 horas pós-mamada.

 

 

Considerando-se que os potros mamaram nas primeiras duas horas após o parto, pode-se assumir que o período de maior absorção de imunoglobulinas ocorreu nas primeiras 20 horas pós-parto, resultados semelhantes aos observados por Jeffcott (1971; 1974).

Os valores médios de proteína total às 12 e 24 horas após a primeira mamada foram diferentes dos descritos por Bauer et al. (1985). Os níveis de proteína total observados às 24 horas após a primeira mamada foram maiores do que os citados na literatura para potros da raça Puro Sangue Inglês (Aguiar, 1989; Medeiros, Medeiros, 1975; Medeiros et al., 1976; Mansmann, Mc Allister, 1982), o que sugere influência de fatores raciais.

Na Tab. 2 são apresentados as concentrações médias da proteína total em função do sexo do potro e da ordem de parição das éguas. A partir de 12 horas após a primeira mamada, os níveis de proteína de neonatos de éguas multíparas foram mais altos do que os de éguas primíparas (P< 0,05). Estes resultados podem estar associados à maior secreção láctea e maior desenvolvimento da glândula mamária de éguas mais velhas, associados à melhor habilidade materna.

 

 

O efeito da interação ordem de parição versus tempo de coleta foi significativo. Com seis horas após a primeira mamada não houve diferença nas respostas atribuídas às primíparas e multíparas, mas a partir de 12 horas os filhos das multíparas apresentaram maior teor de proteína total. As primíparas proporcionaram aumento do teor de proteína a partir de 12 horas após a primeira mamada e queda após 30 horas. Nas multíparas essa queda não ocorreu.

 

AGRADECIMENTOS

Ao professor Ivan Barbosa Machado Sampaio pela sua colaboração na análises dos dados e sugestões na discussão dos resultados.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Recebido para publicação em 23 de novembro de 2001
Recebido para publicação, após modificações, em 4 de novembro de 2002

 

 

E-mail: zambs9@hotmail.com

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